Mostrar mensagens com a etiqueta africa twin. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta africa twin. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 1 de outubro de 2019

As novidades Honda no Salão de Tóquio

A Honda anunciou os modelos que levará ao muito aguardado 46º Salão de Tóquio, a decorrer de 23 de Outubro a 4 de Novembro. Um dos destaques será a CT 125. Com base na Super Cub. A CT 125 é uma actualização do modelo que ainda é vendido no Japão e deseja oferecer uma ideia de pequena e versátil scrambler. 


A CT 125, ou Trial Cub como alguns lhe chamam, não é uma ideia nova. A Honda tem produzido este tipo de modelos variante Off-Road desde 1964. Não havendo nenhuma pista ainda se a CT125 vem para a Europa, o foco no oitavo de litro sugere que a tremos entre nós em breve. 

Ainda a pensar nos novos ventos da mobilidade, as scooters eléctricas Benly e Gyro também farão a sua estreia no evento. Ambas possuem vocação para pequenos percursos urbanos além do transporte de alguma carga. 

Presentes estarão ainda as novíssimas CRF1100L Africa Twin e Africa Twin Adventure Sports (link) bem como a ADV 150 (link) que todos desejam poder vir a ser disponibilizada na Europa com motorização de 125cc. 

No salão caseiro, o espaço Honda comemora ainda dois momentos importantes. As seis décadas de participação em Grandes Prémios mundiais bem como do nascimento da família CB.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Ai estão as novas Honda CRF1000L Africa Twin e Africa Twin Adventure Sports

A moto de aventura mais popular da Honda recebe para 2020 importantes actualizações tecnológicas com destaque para um novo motor bicilíndrico paralelo de 1.100 cm³ com homologação Euro5, potência máxima de 75 kW e binário máximo de 105 Nm. Cinco quilos mais leve, apresenta face ao modelo actual 10% de melhoria na relação peso/potência, graças a diversas medidas de redução do peso em áreas chave, incluindo motor, quadro e braço oscilante.  


O Novíssimo ecrã TFT Multi-Informações de 6,5 polegadas também é desataque, inclui protocolo Apple CarPlay® e conectividade Bluetooth, tudo controlado pelo toque dos dedos tal como os quatro modos de condução pré-definidos e dois modos personalizáveis pelo utilizador – permitem alterar e aperfeiçoar parâmetros tais como Potência (P), Travagem do Motor (EB), sistema HSTC de controlo de tração, Controlo Anti-cavalinho e função de ABS em curva. 

É também de sublinhar o Sistema HSTC de controlo de tração, juntamente com função de controlo anti-cavalinho e anti-levantamento da roda traseira, agora todos geridos pela unidade IMU de medição de inércia; o controlo da velocidade de cruzeiro é equipamento de série. 


A CRF1100L Africa Twin deseja ter uma orientação ainda maior para a condução fora-de-estrada. Já a CRF1100L Adventure Sports está ainda mais preparada para as viagens de longa distância – estando também disponível com o sistema opcional de suspensões SHOWA. Ambos os modelos continuam disponíveis com caixa DCT de dupla embraiagem 

A CRF1100L Africa Twin vai estar no mercado nas cores Vermelho Grand Prix Red e Preto Ballistic Metalizado Mate, complementadas as duas por um sub-quadro vermelho. A versão Adventure Sports estará disponível em acabamento Tricolor Branco Pérola Glare – a fazer lembrar a clássica XRV650 original – e em Preto Metalizado Darkness. 

Desde que o modelo foi lançado em 2016, já foram vendidas mais de 87.000 unidades da Africa Twin. Com este conjunto abrangente de actualizações – cujo desenvolvimento envolveu 21 pedidos de novas patentes – a Honda deseja chegar a milhares de novos clientes, partilhando por todos o seu conceito "True Adventure".

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Adoramos a perfeição porque não a podemos ter

Ponto prévio: a frase que dá título a este post não é minha. É atribuída a Fernando Pessoa e ao seu Livro do Desassossego. Terá Pessoa razão? 

Este ESCAPE, muy querido e estimado blogue, surgiu para textos assim. Escritos ao final de um dia, princípio de noite, de copo numa mão e teclado na outra. Textos que desejam revelar a loucura do dia-a-dia de um qualquer motociclista como eu. Vamos lá… 

A recente viagem à “Bella Italia” fez regressar a CRF1000L DCT carregada de cadáveres, pó e eternas recordações. As últimas guardam-se e estimam-se. Os demais elementos precisam de ser expurgados.

Fui à loja do costume e sai de lá aborrecido. Não tanto por já não efetuarem o serviço de lavagem premium – se fosse simples também eu a faria – mas pela atitude algo leviana do tipo “temos mais que fazer do que lavar motos, ora essa…”. Compreendo, cada qual deve especializar-se no que faz bem. Surgiu assim uma oportunidade de conhecer outras casas e outras pessoas.

Depois de muito indagar via WhatsApp e demais redes sociais - sim, o WhatsApp também é uma rede social - cheguei até à Motocare, casa onde passo à porta quase diariamente para ir ao ginásio mas na qual nem sequer tinha reparado. 

Na Motocare encontrei desde logo simpatia e sobretudo vontade de ser solução e não problema. Caprichei, propositadamente, a ver se tinham pachorra para me aturar. Tiveram. E, sobretudo, apresentaram um resultado final que contraria a frase de Pessoa que titula a este post. Moto lavada e apresentada como nova, corrente – ou que resta dela – afinada, um parafuso do apoio da mala recolocado bem como um conjunto de borrachas da mãe de todas as malas – aka top case – substituído. 

Pára tudo! Se pensam que estou a fazer um frete e me ofereceram alguma coisa para escrever este post estão muito enganados. Fiz questão de pagar tudo o que me foi pedido e a única coisa que em bom rigor me ofereceram foi dedicação e profissionalismo. 

Bom trabalho, Motocare. A vossa dedicação merece destaque e partilha!

segunda-feira, 4 de março de 2019

Terceira edição do Africa Twin Marrocos Epic Tour em marcha

africa twin aventura honda marrocos

Para os amantes de aventura a Honda volta a propor uma oportunidade para desafiar os seus limites, colocar-se à prova e superar-se a si mesmo. Cumprir o sonho de percorrer dunas e descobrir paisagens fascinantes aos comandos da sua Honda Africa Twin. 

A expedição de 2019 parte de Granada, onde se realizarão as verificações técnicas. Dali a viagem será de barco até Nador. 

Com cerca de trezentos quilómetros diários em média, os participantes podem disfrutar de um raid emocionante e de experiências únicas, explorando algumas zonas desconhecida de Marrocos, um pais de contrastes. Serão mais de dois mil quilómetros de aventura dos quais 70% em pista e o restante em ligação. 

Os participantes serão seleccionados por ordem de inscrição e o prazo começou hoje mesmo, dia 4 de Março. Toda a informação pode ser encontrada aqui (link). 

Como Thierry Sabine dizia do Dakar…, “um desafio para quem parte, um sonho para quem fica”.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Honda CRF1000L Africa Twin Adventure Sports à prova

teste ensaio review prova honda crf1000 africa twin adventure sports
“Pela boca morre o peixe”, diz-se. Pois é…, eu que passo a vida a aborrecer os meus queridos amigos da comunicação social espacializada, por recorrentemente escreverem textos sobre a moto X com referência à moto Y – algo que na minha opinião só pode ser um erro logico – venho por este meio falecer. Quer dizer, falar da Adventure Sports 2018 por referência à minha CRF 1000L 2016 - acho que desta vez é compreensível [smile, smile, smile]. 

Esta versão mais aventureira daquela a que os seus donos apelidam apaixonadamente por “Rainha”, traz, entre outros miminhos, mais autonomia, mais altura ao solo, mais curso de suspensão, novo painel de instrumentos plano e em LCD (muito mais eficaz) novo guiador (32,5mm mais acima e 6,5mm mais perto do condutor), nova forquilha invertida Showa e novo acelerador eletrónico (“throttle by wire”) com 3 modos de motor (Tour, Urban, Gravel). A proteção aerodinâmica também foi melhorada com recurso a um ecrã mais elevado e, coroa no cimo da cabeça, um novo escape com uma sonoridade absolutamente delicooooooooooooooosssaaaa... 

São detalhes, pensei eu durante um ano - a moto foi apresentada em Milão no ano passado. Pois, estava profundamente enganado e não tenho problema algum em reconhecer o erro. 

Mas afinal em que é que tudo isto se traduz? Para mim, que conheço bem a nova Africa Twin, a resposta é simples: estamos perante uma moto substancialmente (para não dizer totalmente) diferente da versão dita normal. 

Curiosamente, a primeira impressão nem sequer é a mais agradável. A Adventure Sports é alta, enorme mesmo, e o meu metro e quase oitenta deixa me apenas as pontas dos pés no chão. Mas conforme se estranha, rapidamente se começa a entranhar. A posição de condução é muito mais agradável e há maior envolvimento com todo o conjunto, o que proporciona confiança e atrevimento. Passados alguns, poucos, quilómetros, sabemos que estamos perante um conjunto melhor conseguido, mais afinado, que produz um comportamento mais dinâmico e até mais seguro. Sobretudo mais divertido! 

Esta unidade provada apresentava caixa manual mas auxiliada por um “quickshifter” irrepreensível que quase me fez esquecer o DCT de que tanto gosto. Surpresa ainda pelo amplo conforto e pelos excelentes pneus mistos Bridgestone Batllax Adventure A41, desde logo soberbos no asfalto - melhor resposta da direção e maior confiança na entrada em curva; já fora do asfalto, nunca tinha tido uma experiência tão rica com pneus que não são específicos para esse fim, ajudando a compensar os meus erros nas brincadeiras fora de estrada que fui realizando ao longo dos dias em que tive a moto comigo. 

E o mais fascinante nesta versão revista e aumentada é que a diversão é diretamente proporcional ao risco. Por um lado, quando as curvas asfálticas retorcem, a ciclística responde com a eficácia de uma moto com a arquitetura de uma “sport” turística. Por outro, quando o fora de estrada chama por nós, o equilíbrio do conjunto – também produto da eletrónica precisa – faz nos sentir estar perante uma leve “adventure”. No fim do dia, apenas lamentamos que o sol tenha desaparecido tão cedo no horizonte, pois a vontade seria a de acabar com a gasolina nos postos de venda de combustível. 

Apesar de na minha opinião ficar a faltar melhor iluminação, blocos de comandos de comutação retro-iluminados e o belo do “cruise control”, não sei dizer isto de outra forma: simplesmente amei esta Honda CRF1000L Africa Twin Adventure Sports, que sorveu uns simpáticos 5,3 litros, daquele líquido inflamável carregadinho de impostos, por cem quilómetros de puro gozo de condução. A Honda pede 15.200€ para que possam levar esta Peral Glare White Tricolour a passear por esse mundo fora.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Um fim-de-semana cheiinho de motociclismo e partilha

Decorreu no fim-de-semana passado, 12 a 14 de Outubro, o 2º Encontro Nacional CRF1000L Africa Twin PT. E tal como em 2017 teve sede em Castelo Branco. No menu tivemos passeios na estrada e fora dela, um belo e surpreendente passeio de barco no Tejo junto às Portas do Rodão, petiscos, workshops vários e muitas partilhas de viagens. 

Mas, como em tudo na vida, o melhor são as pessoas. Este evento teve uma característica, não diria singular, mas rara. Apesar de relativamente pequeno conseguiu juntar motociclistas das mais diversas gerações que se entretiveram a fazer aquilo que mais gostam de fazer quando conseguem estar parados: partilhar sentimentos e histórias de motociclismo e viagens. 

Nunca fui adepto de clubes monomarca muito menos monomodelo por isso estou à vontade para dizer que o ESCAPE adorou este evento. Por esta simples razão: o coletivo CRF1000L Africa Twin PT montou um fim-de-semana à imagem das pessoas que o constituem: simples, humilde mas muito enriquecedor. Parabéns malta! 

Num plano mais pessoal, foi muito bom estar com o povo “das Rainhas”, rever alguns amigos de sempre e fazer novas amizades. Foi muito bom ter sido convidado para partilhar algumas vivências de viagens, adorei o momento. Foi ainda muito bom ouvir de muitos palavras mais do que simpáticas pelo trabalho honesto que este blogue vai produzindo. Como costumo dizer, o blogue é vosso; a comunicação só faz sentido com vocês ai desse lado.

Cereja no topo do bolo, domingo, no regresso, “enganei-me” na saída de Castelo Branco. Estrada Nacional (EN) 18 para Norte, EN230 para Oeste, EN 231 de novo para Norte e enfim a surpreendente EN 338 pela Serra da Estrela acima: fui conhecer aquele a que já chama Looriga Pass. Onde? Perguntem aqui (link) ao Quilometro Infinito que ele explica melhor que ninguém. 

Obrigado a todos por um fim-de-semana cheiinho de motociclismo e partilha!

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

2º Encontro Nacional CRF1000L Africa Twin PT

Quem passa a vidinha a mal dizer as Redes Sociais devia conhecer o grupo CRF1000L Africa Twin PT. As pessoas já existiam, a paixão pelo motociclismo também, o desejo de trocar experiências com os demais que partilham o gosto pela vida e pela nova Africa Twin é apenas consequência de tudo isto. O Facebook serviu de mero ponto de encontro. 

Assim nasceu o grupo CRF1000L Africa Twin PT. Dos encontros na estrada e fora dela a amizade honesta foi ganhando forma. De passeio em passeio já vão, vamos, para o 2º Encontro Nacional - novamente em Castelo Branco, de 12 a 14 deste mês de Outubro -, com o Motoclube Tuku Tuku a prestar o seu apoio logístico. 

São vários os destaques do programa: Workshops CRF1000L com a participação de Rui Lucas (LucasPower, 2RentMotos), da MXT Suspensions e de André Hattingh (Box46). Passeio turísticos on-road, passeio off-road – com apenas um único percurso e um nível de dificuldade talhado para as CRFs -, passeio de barco nas “Portas de Ródão”. Haverá ainda um espaço para conversas: “Marrocos sobre Rodas” com Manuel Duarte, Tiago Silva e Armando Polónia, apresentação do “Epic Tour 2018” por Hugo Ramos e Rad Raven e uma edição especial da Tertúlia do Escape, com este vosso escriba a partilhar algumas ideias sobre viagens, com destaque para os Alpes e a recente incursão na Sardenha e Córsega. 

Naturalmente…, um programa assim preenchido estimula a sede e o apetite. Petiscos, comes e bebes não irão faltar. 

E se não tens uma Honda CRF1000L Africa Twin tal não é obstáculo. É vir na mesma. Todos são bem-vindos. É consultar aqui (link) o programa. E avançar aqui (link) com a inscrição.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

A estrada, a moto e o telefone esperto – Estrada Nacional 2


portugal estrada nacional 2 honda crf1000l africatwin n2 lesalesA Estrada Nacional 2 (N2) não é uma estrada qualquer. Há mais de dois milénios que se conhecem escritos, ora grandiloquentes, ora insignificantes, referentes ao conjunto de caminhos hoje conhecido por N2. Quando o Império Romano se estabeleceu naquilo que hoje conhecemos por Portugal, foram abertas inúmeras vias que coincidem com aquilo que é hoje a N2. Após a “longa noite” da Idade Media, o sentido de viagem estradal só se recupera em meados do século XIX. Todavia, a atual N2 é o produto de um projeto político-económico do Estado Novo, plasmado no Plano Rodoviário Nacional de 1945. 

Apesar de ser a “dois” os números impressionam. Os seus cerca de 738 quilómetros cruzam onze distritos outros tantos rios, trinta e quatro municípios e…, zero pórticos de portagem. É a mais longa estrada portuguesa, rivalizando mesmo em comprimento com muitas e belas estradas por esse mundo fora. Mas é também a estrada da moda. 

Comecei a viajar de mota em 1992. E não me recordo, nesses tempos, que ligássemos qualquer tipo de importância especial à N2. Mais tarde, no virar do século e do milénio, aparece o Trofeu Nacional de Moto Ralis Turísticos. E também não me recordo que existisse um foco especial nessa estrada. Não consigo pois identificar o tempo em que nasceu a “febre N2”. 

Salvo honrosas exceções, que não são para aqui chamadas, sou avesso a “febres” e unanimismos. Assim, durante algum tempo, olhei com algum desprezo o folclore que se foi construído ao redor da N2 – um exemplo: apelidar a N2 de “Route 66 portuguesa” é não ter noção do que foi e representou a “Route 66” para o povo norte-americano, do zero absoluto que ela é hoje e, acima de tudo, do que é ser português. Seria pois mais inteligente apelidar a N2 de “Ruta 40 portuguesa”, mas para tal os “wannabe” que escrevem essas coisas teriam de saber onde é e o que significa a tal “Ruta nacional 40”. Adiante… 

Ao longo da vida já me cruzei inúmeras vezes com a N2, muitas delas sem saber que era dela que se tratava. Como sou um ser social e curioso, não sou imune a “febres” e “folclores”. Tinha de encontrar uma bela desculpa para calcorrear a “mítica Estrada”, como lhe chamam os “vendilhões do Templo”. Este (link) possível best-off de Portugal Continental, das suas estradas, montanhas, planícies e praias, pareceu-me o momento adequado. Estava encontrada a desculpa.

Hoje não é difícil encontrar roteiros mais ou menos pormenorizados sobre a N2. Há quem consiga escrever centenas de páginas sobre o tema, livros inteiros. E há até quem se disponibilize a fazer “visitas guiadas”, agências de viagem, imaginem. Sorrio…, infelizmente não tenho tempo para passar mais de dois dias a percorrer o interior do país. Ele há tanto caminho a percorrer por esse mundo fora. E o tempo, já sabemos, é o maior dos luxos. Uma coisa vos garanto: não é aqui, no ESCAPE, que vão encontrar a derradeira e imperdível história da “espantosa e espectacular” “épica”, “colossal”, “divinal” e “imperdível” N2-Route-66-portuguesa. 

Apesar de não ser de modas, fiz-me à estrada e encontrei na N2 uma absoluta experiência. Encontrei mais. Encontrei uma bela metáfora da vida, no sentido em que cada qual dela traz o que bem desejar. A N2 não é a “Route 66 portuguesa” nem a tal estrada “mítica” ou “mágica” de que tanto por ai se fala hoje. A N2 é o que é; e é bem real. Tem caracter e personalidade. Tem mesmo brilho próprio, valendo por si mesma. 

Mas a N2 é também neste momento uma oportunidade perdida. Desde logo uma oportunidade perdida no plano da exploração turística. Neste sentido tudo está por fazer, nomeadamente recuperá-la e embrulhá-la no papel de “Estrada Histórica” que é, como tão bem fazem os países anglo-saxónicos – sempre sem esquecer que está lá, em primeira linha, para servir as populações e o seu bom desenvolvimento económico e social. 

Apenas adorei fazer a N2, percorrendo de fio a pavio o interior de Portugal. Tão bom. Quero voltar. E quero já! 

_______________________________________ 

Quem, o quê, onde, como, quando e porquê – não necessariamente por esta ordem… 

A Estrada Nacional 2 (N2), também conhecida como “A Estrada Mais Longa”, apesar de alguns “génios” da nossa Administração a terem reclassificado, desclassificado e até retalhado nalguns sectores, “rasga” Portugal pelo interior, de Norte a Sul, de Chaves a Faro durante cerca de 738 quilómetros. Foi pelo ESCAPE percorrida no final de Julho de 2018, aos comandos de uma Honda CRF1000L DCT que gastou 5,5 litros de “ouro inflamável” por cada cem quilómetros de absoluta experiência. A N2 é credora do nosso respeito, especialmente do Estado, devido ao seu valor histórico – as suas mais antigas raízes datam de tempos imemoriais – mas também devido ao seu elevado potencial turístico que conduzirá ao desenvolvimento económico das populações de algumas regiões interiores do país, tradicionalmente olvidas pelo clássico e latente centralismo lisboeta.

domingo, 16 de setembro de 2018

A week in a Paradise called Portugal (VIII)

“Porque, enfim, tudo passa; / Não sabe o Tempo ter firmeza em nada; / E a nossa vida escassa / Foge tão apressada. / Que quando se começa é acabada" (Luís Vaz de Camões). 

Os mais atentos dirão que já leram isto nalgum lado. Pois é. Aqui (link) no post que inaugurava esta série que agora termina. A semana moto-gastronómica no pequeno paraíso mototuristico que se chama Portugal, caminhava rapidamente para o fim. 

Os últimos dias (sexta, sábado e domingo) foram dedicados às belas praias do sotavento Algravio, parte deste nosso Portugal que já conheci muito bem mas que não visitava há quase duas décadas. Se não gostei do que vi em Manta Rota – a praia mantem qualidade mas a outrora pequena e pacata aldeia parece um enorme parque de campismo onde o tecido das tendas foi substituído por algum tijolo e cimento – gostei bastante de voltar a Cabanas de Tavira. Cabanas cresceu, é certo, mas mantem a ordem possível, um ambiente familiar qb e sobretudo uma praia soberba. Tudo sempre bem temperado com o fresco aroma da Ria que não engana, é mesmo Formosa. 

“Não sabe o Tempo ter firmeza em nada”, e lá se esgotou em banhos de sal, sol e mar, petiscos e num templo gastronómico absolutamente a não perder: Vela 2, em Santa Margarida, à beira da Estrada Nacional 270 nos arredores de Tavira. Peixe fresco com fartura, bem grelhado, serviço impecável e um preço a condizer. Já estou cheio de saudades deste Sul… 

Ainda imbuído pelo espirito deste possível best-off de Portugal Continental, suas estradas, montanhas, planícies e praias, tracei o regresso a Lisboa junto ao Guadiana, entreamado a condução entre a lenta mas pitoresca Estrada Nacional 122 e o excelente IC 27 até Beja e dai, sem história, ate casa. 

O viajante volta já!

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

A week in a paradise called Portugal (VII)

O airbnb que desencantei na margem norte do Zêzere junto ao Castelo do Bode revelou-se tão delicioso qua optei por atrasar a partida para a segunda etapa de N2 (aqui). Pois…, confesso, também foi preciso dar descanso ao corpinho…

A primeira paragem do dia foi logo ali em Abrantes, desde logo para saudar a “Nacional que se segue”, a 3, depois para molhar as botas no Tejo – literalmente. Cruzado o rio na ponte rodoviária de Abrantes - inaugurada em 1870, foi construída por um consórcio francês e durante 75 anos explorada em regime de concessão, passando para o Estado em 1945 – dá-se a grande cissão ao nível do relevo. Até aqui a N2 apresenta um perfil que acompanha o sentido agudo do terreno, torcendo e contorcendo, subindo e descendo. De Abrantes em diante (até Almodôvar já às portas da algarvia serra do caldeirão) as rectas abundam e o terreno apesenta-se maioritariamente plano. Em Montargil, junto ao Sorraia, tempo de repetir o ritual, molhando as Sidi na albufeira, só porque sim. 

Deixado o Sorraia para trás, entramos naquele que é o (“diz que é uma espécie de”) Grande Sul Português. A navegação fica mais simples que nunca, a condução idem, mas a estrada e tudo o que a envolve não perde interesse. No filme da N2, entramos agora num longo “travelling” marcado pela clássica paisagem alentejana.

E se na Região Centro fiquei triste e até chocado com o abandono a que as zonas ardidas em 2017 foram votadas - replantadas pela própria natureza à custa da selvagem praga do eucalipto – aqui, em especial na zona de Ferreira do Alentejo, a surpresa é positiva, ao ver milhares de hectares de regadio cultivados por cereais e outros tantos com as árvores autóctones como as oliveiras. 

A cereja ano topo de mais um dia delicioso de motociclismo chega com uma das últimas seções da N2, a parte do percurso baptizada como “Rota Património”. A estrada torce com centenas de curvas lentas – cerca de trezentas e sessenta curvas, dizem - mas com aquela perfeição de quem acompanha o relevo do terreno.

Que me perdoem os farenses mas a N2 bem que podia terminar em São Brás de Alportel. Daqui até Faro vamos encontrar aquela que provavelmente é a secção mais incaracterística da estrada. Uma secção que nos transporta para uma espécie de "mixed feelings”. A alegria da magnífica experiência vivida e a tristeza da mesma estar a terminar. No final os muitos quilómetros acabam por saber a pouco sendo que a síntese disto tudo é muito fácil de encontrar: é sempre possível começar de novo, porque a Estrada Nacional 2 é viciante!

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

A week in a paradise called Portugal (VI)

Quarta-feira, dia 25 de Julho. Chegava, enfim, o dia de começar a navegar na agora famosa Estrada Nacional 2 (N2). Irei escrever sobre ela num registo diferente no âmbito da serie “A estrada, a moto e o telefone esperto” (link). Lá vão poder encontrar outro tipo de comentário. Para já continuem com o relato desta “week in a pardise” (link)… 

O dia tinha amanhecido fresco e o nevoeiro fez companhia à CRF 1000L até Vila Real. Lá, com o sol a subir no horizonte e as nuvens a dissiparem, por um qualquer “pequeno milagre”, o céu ficou naquele azul maravilhoso assim que pisei o asfalto do cada vez mais apaixonante Alto Douro Vinhateiro. Já o escrevi antes e repito. Na minha opinião, o vale do Douro é claramente a maior e melhor obra feita pelos portugueses (pelo menos) nos últimos trezentos anos. 

Dali a estrada torce e retorce ao sabor do rio e da vinha, esta que faz Santa Marta de Penaguião parecer liliputiana, tal a sua densidade naquela zona. Peso da Régua e Lamego ficaram para trás e as curvas sucedem-se até Castro Daire (onde encontrei “cheap fuel” bem à beira da estrada). 

Na aproximação a Viseu a N2 começa a perder personalidade. Até Penacova é mesmo necessário recorrer à roleta russa do IP3 – no dia em que lá passei mais um acidente dramático a registar, com perca de duas vidas e feridos graves. O IP3 é hoje uma das mais perigosas e mortíferas estradas do mundo, uma autêntica vergonha digna de Estado falhado…, enfim… 

Felizmente, cheguei inteiro a Penacova, e nela pude fazer uma paragem mais longa e até dar um fresco e revigorante mergulho nas águas do mondego, na bonita praia do Reconquinho…, quem disse que a N2 não tem praia, quem foi? 

Revigorado voltei ao velho asfalto da apaixonante N2 para percorrer o coração ferido da Região Centro de Portugal. O panorama é absolutamente desolador. Quando não são os despojos da tragédia dos incêndios do ano passado, é a praga do eucalipto que cresce desordenadamente, em bom português, sem rei nem roque. Lamentavelmente, mais um sintoma de Estado falhado…, com os resultados que vimos recentemente a Sul, em Monchique. 

Vila Nova de Poiares, o “oásis” de Gois, Pedrogão Grande, Sertã (mais “cheap fuel” à beira da estrada) e Vila de Rei completaram o dia. O fim da etapa foi em Alvarangel - pequena aldeia junto à barragem de Castelo do Bode, o que obrigou a um pequeno desvio na rota pela Nacional 358 – para repousar num airbnb excelente dinamizado por um casal belga. Curiosamente o jantar foi na própria Taberna da aldeia, onde um irlandês simpatiquíssimo confecciona uma comida indiana digna de Deuses. É a globalização, meus caros… 

Nesta primeiro dia a N2 revelou-se uma absoluta experiência. Uma estada com brilho próprio, que vale por si mesma. Não precisando para ser considerada e elevada de comparações provincianas com outras estradas noutros continentes. 

[continua…] 


segunda-feira, 27 de agosto de 2018

A week in a paradise called Portugal (V)

Na terça-feira dia 24 de Julho voltei a iniciar o dia sob o signo da Nacional 103 – já disse ser épica (link)? Todo o percurso de Chaves a Bragança é maravilhoso apesar de alguns sectores onde o asfalto se apresenta gasto ou degradado. Ainda assim, o trecho final, de Vinhais a Bragança, é de absoluta classe mundial; e caso um dia venha a ser novamente asfaltado assumir-se-á, seguramente, como uma das melhores estradas do mundo. 

Não me detive em Bragança, optei por rumar rapidamente à tranquila Rio de Onor, onde já não ia desse que ali foi dada a partida para o primeiro Portugal de lés-a-lés em…, 1999. A aldeia de Rio de Onor está inserida no Parque Natural de Montesinho, concelho de Bragança, sendo atravessada pela fronteira com Espanha. De um lado, Rio de Onor, do outro, Rihonor de Castilla. Esta aldeia comunitária é uma das mais bem preservadas do Parque Natural de Montesinho, com casas típicas serranas em xisto e varandas alpendradas muito bem recuperadas. A aldeia raiana é atravessada pelo rio Onor, também conhecido como rio Contensa, e a sua pequena praia fluvial convida a momentos de descanso junto às águas límpidas do rio. 

Não foi o que fiz, pois havia banhos mais apetecíveis logo ali ao lado, apesar de já na vizinha Espanha, no Parque Natural do Lago de Sanabria. Este, é um espaço onde água, serras e grandes matas (principalmente de carvalhal) se misturam de tal forma que tornam todos os seus cantos imensamente belos. 

A cereja no topo deste “bolo delicioso” é o Lago de Sanabria, alimentado pelo imponente rio Tera. Com cerca de quilómetro e meio de largura, três de cumprimento e cinquenta e três metros de profundidade, é o maior lago de origem glaciar da Península Ibérica. Na fauna estão presentes a lontra (símbolo do parque), o corço, veado, gato montês, águia real e o lobo que domina estas paragens. 

Este parque situa-se mesmo ao lado da Reserva Regional de Caza de Sierra de la Culebra com cerca de 68.000 hectares e do parque Natural de Montesinho (em Portugal) com 75.000 hectares, fazendo no seu conjunto um espaço ímpar na Ibéria. Quem gosta de natureza não pode deixar de conhecer a região. Apreciar as paisagens, a flora e observar a fauna local. 

O regresso a Chaves foi feito por auto-estrada (excelente e gratuita) e não teve historia – felizmente, pois historias na auto-estrada costumam acabar em tragédia ou comédia. As forças foram retemperadas uma vez mais na Adega Faustino. O dia seguinte prometia: Estrada Nacional 2!

[continua…]

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

A week in a paradise called Portugal (IV)

Segunda-feira, dia 23, foi com alguma pena que abandonei o verde e ameno Minho que me brindou neste regresso com céu azul e temperaturas fantásticas (link). Primeiro pela Nacional 101 até Vila Verde, depois pala Nacional 205 com passagem em Amares até ao encontro - após breve passagem pela lindíssima albufeira da caniçada - com a épica Nacional 103 (N103). Esta, a N103, seria mesmo o denominador comum dos próximos dois dias. Oferece uma viagem dura e sinuosa em grande parte do seu trajecto, mas de um encanto singular. 

Para os menos atentos…, a N103 liga o litoral minhoto ao interior trasmontano. Começa perto de Viana do Castelo e prolonga-se por uma paisagem multifacetada pelo Alto Minho e por toda a zona Norte de Trás-os-Montes. Constituiu um projecto de Estrada Nacional que percorresse toda a fronteira Norte de Trás-os-Montes com a Espanha, ligando as principais localidades raianas, das quais apenas Montalegre não é contemplada. Paralela à N103 e com o propósito semelhante de acompanhar a fronteira, passando no entanto por localidades de menor grandeza, existe a N308. Todavia este projecto nunca foi terminado, constituindo o seu traçado uma manta de retalhos dadas as inúmeras interrupções de percurso. 

O dia acabou por ficar marcado pelo elemnto água. Aventurei-me com pneus de estrada, ladeira abaixo, à procura da bela cascata de Cela Cavalos mas…, nova pequena queda fez-me inverter a marcha. Sacudido o pó do Klim Carlsband “novinho em folha” foi tempo de passar à barragem do Alto Cavado rumo a Montalegre e ao seu castelo - no cimo de um monte granítico, de onde se descortinam as serras do Gerês a Oeste e do Larouco a Este e o curso do rio Cávado a Norte; o castelo domina a povoação a poucos quilómetros da fronteira com a Galiza. 

De regresso à N103 momento para cumprir um simples mas velho desejo, bordejar a fantástica barragem do Alto Rabagão e dar um mergulho na sua albufeira. Situada no Concelho de Montalegre em Trás-os-Montes, a Barragem do Alto Rabagão é um autêntico colosso de Betão que forma uma enorme albufeira numa agreste mas espectacular zona envolvente. Aqui só lamento ter falhado a subida ao Marco Geodésico do Couto dos Corvos a 1217m. pois no topo as vistas são incríveis: a albufeira em quase toda a extensão, as proeminências rochosas para os lados da Fonte Fria em Pitões das Júnias, a freguesia de Alturas do Barroso, aldeia de Negrões e mais longe o Maciço Central da Serra do Gerês e Larouco 

O dia cheio terminou em Chaves no modesto, simples mas muito económico Hotel das Termas bem no centro de Chaves. Para compensar a dormida espartana o jantar revelou petiscos de gala na acolhedora Adega Faustino. 

[continua…]

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A week in a paradise called Portugal (III)

Após uma primeira incursão no Parque Nacional Peneda-Gerês (link), o programa de Domingo, 22 de Julho, indicava um passeio pelo coração do Parque Nacional Peneda-Gerês. Percurso que veio a revelar-se demasiado ambicioso face à beleza e encanto desta deslumbrante região cá do retângulo. 

Primeiro houve que cruzar a Serra Amarela por estreitas estradas municipais até à barragem de Vilarinho das Furnas. Caminho sinuoso que levou a CRF ao solo, devido ao atrevimento para mais uma “foto daquelas”. Queda compensada com o curioso encontro com um animado grupo de motociclistas do Norte, organizado a partir de uma rede social, cujo foco é dar ricos passeios minhotos (uma abraço a todos!). 

Dali, Mata de Albergaria e Geira. Geira? Sim…, a Via Romana nº 18 do Itinerarivm Antonini (um roteiro do séc. IV que chegou até nós), popularmente conhecida por “Geira”, é uma das estradas militares construída no último terço do séc. I d.C., ligando Bracara Avgvsta a Astvrica Avgvsta (actual Astorga), num percurso de 215 Milhas. A justificação da sua construção encontra-se na necessidade que as legiões sentiram de penetrar mais rapidamente nas montanhas desta região. Com o seu traçado bem estruturado, por permitir galgar vários tramos de montanha sem subidas ou descidas muito acentuadas, encurtou-se a ligação entre aquelas duas cidades, até ali só possível por Aquae Flavaie (actual Chaves). As características da estrada romana da “Geira” e o facto de ser durante séculos a melhor, talvez única, via que atravessava a Serra do Gerês, levaram-na a ser restaurada, praticamente, até ao início do século XX.

No final desta pequena aventura um mergulho inesquecível nas águas frescas da barragem. Dali rumo à localidade de Campo de Geres e à serpenteante N304 que passa em São Bento da Porta Aberta até ao primeiro encontro desta viagem com a épica N103, que me levou neste dia até perto da Ponte da Misarela, já no “longínquo” concelho de Montalegre. O regresso à Barca passou por Cabril e Fafião. O cansaço traiu-me e falhei a Cascata do Arado mas não o apaixonante Miradouro da Pedra Bela, a passagem por Portela do Homem e uma pequena incursão em Espanha, aproveitando para reabastecer em Lobios. 

Uffff…, felizmente que tal como no dia anterior (link) o Moinho em Ponte da Barca estava novamente à minha espera, com um belo cabrito no forno acompanhado de delicioso arroz de miúdos. 

[continua…]

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

A week in a paradise called Portugal (II)

Se bem se recordam, eu esforcei me para encontrar tempo e meter-me à estrada. Fui parar ao Porto. E pelas suas ruas carregadinhas de beleza e história andei a deambular num magnífico fim de tarde, início de noite (link). 

O dia seguinte, sábado, 21 de Julho, começou preguiçoso mas novamente luminoso. Porque os próximos dias seriam longe do mar, aproveitei para um refrescante passeio nas margens do Douro e uma ida até à foz, encher os pulmões com a fresca e limpa maresia nortenha. 

Dai, voltei a colocar as borrachas na auto-estrada, rumo a Ponte da Barca. Após o check-in no Hotel dos Poetas e um almoço rápido mas delicioso numa das muitas novas casas que animam a bela Barca, o Petisc’art, primeira incursão no Parque Nacional Peneda-Gerês, 

O único Parque com classificação “Nacional” em território Português, situa-se no extremo noroeste de Portugal, na zona raiana entre Minho, Trás-os-Montes e Galiza. O seu perímetro territorial abrange todo o território florestal que se estende desde a Serra da Peneda até a Serra do Gerês, englobando ainda a Serra do Soajo e a Serra Amarela, sendo recortado por dois grandes rios, o Lima e o Cávado, numa área total de cerca de 70 290 hectares.

Finalmente tinha chegado às “outras estradas” como lhes chamam os políticos. Nossa Senhora da Peneda, Castro Laboreiro, descida para Lindoso e regresso à Barca pela curvilínea N203 fizeram parte do menu da tarde. E por falar em menu, o jantar foi de classe superior no restaurante O Moinho; salpicão, bolinhos de bacalhau, posta barrosã acompanhada de arroz de feijão e legumes, leite-creme e um bagaço caseiro com aquela suavidade dos deuses. Depois de um dia tão cheio, ainda houve tempo para assistir, de sorriso no rosto, a um mais ou menos espontâneo Vira do Minho, dançado por quem o faz há décadas na velhinha Praça da República na Barca. 

[continua…]

terça-feira, 31 de julho de 2018

A week in a paradise called Portugal (I)


“Porque, enfim, tudo passa; / Não sabe o Tempo ter firmeza em nada; / E a nossa vida escassa / Foge tão apressada. / Que quando se começa é acabada" (Luís Vaz de Camões). 

Tempo. O que é o tempo? Uma ilusão como terá dito um dia Einstein? “Quando pomos a mão num fogão aceso por um minuto, parece uma hora; mas quando estamos sentados ao lado de uma rapariga bonita durante uma hora, parece um minuto”. Não há uma única definição, pacífica, de Tempo. O que todos sabemos, ou devíamos saber, é que o Tempo é o recurso mais escasso de todos. O maior dos luxos. E o nosso maior património. 

Há anos que não tinha tempo para viajar de mota, apenas (ou quase), em Portugal. Aqui, sem sair do cantinho. Quer dizer. Tempo tive. Mas investi-o noutras paragens. E eu já não me recordo bem de quando foi a última vez que apliquei uma semana da minha vida a viajar de mota neste “pequeno paraíso” mototuristico. E a nossa vida escassa…, que quando se começa é acabada. Chega disto. Vamos andar de mota em Portugal!

O guião já tinha sido esboçado há algumas semanas atrás. Ainda antes mesmo da “road trip” à Sardenha e Córsega (link). O objectivo? Um possível best-off de Portugal Continental. Das suas estradas. Montanhas. Planícies e praias. Da sua gastronomia. Os vértices do rectângulo seriam para além de Lisboa, ponto de partida e chegada, a minhota Ponte da Barca, a transmontana Chaves e, por fim ao sul o Sotavento algravio. Pelo meio, um fino risco na cada vez mais clássica Estrada Nacional N2, a ser percorrida na íntegra. Vamos…, venham daí, desta feita em modo relato.

Sexta-feira, dia 20 de Julho. Mota e bagagem no ponto já há algum tempo, foi enfim chegado o momento de rumar a Norte, rapidamente, pela A1. Chegado à Invicta momento de improviso. Em boa hora troquei a programada ida a um dos velhos clássicos locais, a posta na grelha do Assador Típico, por um programa de rua com cerveja fresquinha na mão e petiscos diversos como o delicioso cachorrinho no Gazela da Batalha e a clássica bifana no Conga. A sorte decidiu premiar a minha audácia e brindou-me, no alto Jardim do Morro em Gaia, com um por de sol limpo e espectacular, som a condizer, e mais cerveja fresquinha. Aliás, a música parece ter invadido a cidade, e a noite continuou já na Ribeira ao som de quem por ali vai parando para nos animar. O Porto vive um momento fantástico, animado, limpo e com muita vibração positiva. Merece a nossa atenção. Sempre mereceu. 

[continua…]

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Compreender o Plano Rodoviário Nacional

Vá, tenham paciência, por favor. Não vai ser fácil. Mas com a dose certa de perseverança chagamos lá. 

O Plano Rodoviário Nacional (PRN2000), publicado em 2000, é um documento legislativo que estabelece as necessidades de comunicações rodoviárias de Portugal. Este plano, tratou-se de um desenvolvimento do plano rodoviário de 1985, que por sua vez tinha substituído o de 1945 – fixem este último, por favor. 

O PRN2000 define a Rede Rodoviária Nacional. Esta, a Rede Rodoviária Nacional, é constituída pela Rede Fundamental, que integra os Itinerários Principais (IP) e pela Rede Complementar que integra os Itinerários Complementares (IC). 
Nesta última, a Rede Complementar, além dos IC, foram ainda incluídas as Estradas Nacionais (EN) que constituíam a Rede Rodoviária Nacional estabelecida em 1945 e que, no plano de 1985, eram apenas genericamente identificadas como "outras estradas". 

O PRN2000 refere-se ainda às Redes de Estradas Municipais e cria um novo tipo de estradas, as Estradas Regionais (ER) a partir da transformação de parte das antigas EN.

No PRN2000 as estradas com características de auto-estrada assumem um estatuto de rede própria (Rede Nacional de Auto-Estradas), sobreposta às Redes Fundamental e Complementar. Cada uma das Auto-Estradas tem uma numeração própria, independente da numeração dos troços de IP ou IC aos quais se sobrepõe. 

A sobreposição dos vários tipos de estradas da rede rodoviária nacional (Auto-estradas, IP, IC, EN), cada uma com uma numeração própria, torna o sistema de identificação e sinalização das estradas portuguesas muito complexo e de difícil compreensão para o utilizador. 

Ajudei? Duvido. Vamos então imaginar que o Plano Rodoviário Nacional é uma cebola. Na primeira camada, a mais visível, encontramos a Rede Nacional de Auto-Estradas. Abaixo desta os Itinerários Principais. Na terceira camada os Itinerários Complementares (IC). E finalmente, junto ao núcleo da nossa cebola encontramos as “outras estadas”. São estas, as “outras estradas” que nos interessam. E para conhecê-las temos de conhecer o Plano Rodoviário Nacional de…, 1945 – eu tinha avisado logo no segundo parágrafo. 

Temos então que naquilo que os políticos e as Leis, por eles criadas, designam de forma grosseira e até insolente como “outras estradas”, o que resta das Estradas Nacionais, originalmente assim consagradas pelo Plano Rodoviário Nacional de 1945.

Pelo Plano Rodoviário Nacional de 1945, as Estradas Nacionais foram classificadas em três classes: as de 1ª classe seriam numeradas de 1 a 125, as de 2ª classe de 201 a 270 e as de 3ª classe, de 301 a 398. O conjunto das estradas de 1ª e 2ª classe formava a Rede Fundamental da época. Dentro das estradas de 1ª classe, os números de 1 a 18 estavam reservados aos Itinerários Principais da época, correspondendo às estradas que ligavam as capitais de distrito entre si e a todas as estradas com origem em Lisboa e Porto. Os ramos e variantes a uma estrada principal, seriam identificados pelo número dessa estrada seguido por um número de ordem (ex.: EN 15-1). 

“A estrada, a moto e o telefone esperto”, a nova serie de textos deste ESCAPE por mim aqui (link) anunciada e aqui iniciada (link) pretende pois mergulhar bem fundo nas “outras estradas”. Perseguir e recuperar o Plano Rodoviário Nacional de 1945. E ir mesmo mais longe do que isso, quando necessário for. 

Abandonadas pelo Estado, esquecidas pela Lei, “as outras estradas” têm um passado para contar. E, muitas delas, um presente bem vibrante. Venham dai. Vamos fazer um diz que é uma espécie de arqueologia rodoviária!

segunda-feira, 16 de julho de 2018

A estrada, a mota e o telefone esperto – Estrada Nacional 1

Era uma manhã fresca de céu azul em Julho. 1978. É fácil recordar o ano. É fácil recordar muito mais. Ainda o sol não tinha nascido, seriam pouco mais do que seis da manhã, e a minha avó veio despedir-se de lagrima no canto do olho, como se fossemos para muitoooooooo longe. E íamos mesmo. 

portugal estrada nacional 1 honda crf1000l africatwindct n1Primeiro a Avenida Almirante Reis absolutamente deserta. Após poucos quilómetros de auto-estrada, igualmente deserta, a Nacional 1. A memória já só guarda a outrora temível subida ao Alto da Serra, alí para as bandas de Rio Maior. Depois, Leiria e o seu castelo a saudar-nos lá do alto. Coimbra e o mondego. O calor, já dia largo. E o caos, fumo, transito e muitos camiões em Águeda, Oliveira de Azeméis e sobretudo na lentíssima travessia de São João da Madeira. Chegámos. Ponte da Barca. Não sem antes termos passado Porto, Braga e Vila Verde. Uma verdadeira aventura de mais de doze horas. 

1978! É fácil recordar o ano porque eu tinha acabado de fazer seis anos. O meu pai tinha comprado o seu Volkswagen Carocha 1300. Amarelo. Pleno de personalidade e lentidão. 34 CV para quase tonelada e meia de engenheira alemã da boa. E um consumo absurdo na casa dos nove litros de Galp Super. 

Eu tinha vivido o dia intensamente. Não adormeci um único segundo e ainda bem. Recordo. Esta e muitas outras viagens, anos a fio, sempre para Norte. Um denominador comum: Nacional 1. É a minha “estrada mãe”. No sentido em que foi nela que provavelmente encontrei o amor e respeito pela estrada. 

Ao escrever este texto, noto agora que ele serve ainda para comemorar o quadragésimo aniversário da minha primeira “road trip”. Mas uma comemoração plena é difícil, impossível talvez. Actualmente vários troços foram transformados em via expresso, como é o caso dos que atravessam Rio Maior, Leiria ou Coimbra. Noutros troços a estrada passou a ser conhecida por IC2. Para além disso, parte da travessia de São João da Madeira, por exemplo, foi convertida em zona pedonal e não mais verá os camiões fumarentos ou o GA-39-96, o Carocha do velho Lourenço. 

Ainda assim fiz-me à estrada. Novamente numa manhã fresca de Julho, mas sem o azul brilhante do céu de há quarenta anos. Não foram necessários muitos quilómetros para compreender que a estrada para mim “mãe” está hoje transformada em estrada ruina. Piso em mau estado é uma constante. Asfalto que se desfaz. Sinalização tapada pela vegetação quando não mesmo destruída. Um cenário de abandono e tristeza que se repete em muitos dos edifícios e construções à beira da estrada.

É este o estado da outrora espinha dorsal económica de Portugal. A Nacional 1, quando não desapareceu engolida pelo decrepito IC2, apresenta um grau de degradação como nem em países do terceiro mundo encontramos. No entanto resiste. Continua a ser diariamente utilizada como estrada local e até regional. E resiste ainda como prova viva do Estado mais ou menos falhado que somos. 

________________________

Quem, o quê, onde, como, quando e porquê – não necessariamente por esta ordem… 

A Estrada Nacional 1 (N1), também conhecida como Estrada do Norte, tem actualmente o seu início em Vila Franca de Xira e o seu términus em Carvalhos. Foi pelo ESCAPE percorrida em ambos os sentidos em Julho de 2018 aos comandos de uma Honda CRF1000L DCT que gastou 4,6 litros de “líquido mágico” por cada cem quilómetros de belas memórias recordadas. A N1 é credora de respeito por parte de todos, Estado incluído, devido à sua importância histórica; pois durante 40 anos (entre 1945 e 1985) assumiu o papel de principal via de comunicação entre a Grande Lisboa e a Região Norte de Portugal. A N1 é também credora de uma urgente intervenção sob pena de, entre outras desgraças, sucumbir aos “milhões” de eucaliptos que de forma selvagem, nas bermas, crescem e eliminam tudo à sua volta.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

2ª Edição Honda Adventure Roads rumo ao hemisfério sul


A Honda deu a conhecer a próxima edição da tournée Adventure Road, a realizar em Março de 2019, onde irá dar aos participantes a oportunidade de atravessarem o sul do continente africano.

Quarenta proprietários da CRF1000L Africa Twin e da sua nova variante de 2018, a "Adventure Sports", poderão participar nesta viagem inesquecível que, desta vez, percorrerá o extremo sul do continente africano. 

Com início em Durban, na costa sul da África do Sul, a segunda edição do Adventure Sports Tour vai levar os participantes numa jornada de 3.200 km a toda a largura do país – através do Lesotho – até à bonita Cidade do Cabo. Esta jornada de 12 dias atravessará diversos tipos de terreno e paisagens épicas, num dos mais celebrados destinos de aventura do mundo. 

Os participantes no evento Adventure Roads 2019, oriundos de toda a Europa, contam com um programa com tudo incluído: alojamento, guias e manutenção dos veículos, pelo que apenas terão de conduzir as suas motos, descontrair e apreciar a aventura. 

Os aventureiros poderão contar com a companhia preciosa de alguns pilotos da equipa Honda HRC, beneficiando de toda a sua experiência neste evento.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

O Escape em modo (profunda) depressão pós “road trip”

Doí-me o corpo todo. A cabeça, principalmente. Não durmo, não como. Só me apetece chorar. A angústia tomou conta de mim e não quero sequer sair de casa. Porquê? Porquê!?!? Porque é necessário regressar? 

Bem, não exageremos. O drama que aqui represento é directamente proporcional ao puro prazer que a viagem à Sardenha e Córsega me proporcionou.

Há tanto para contar que não sei bem por onde começar. Honestamente nem sei se vou fazer uma série de textos sobre a viagem. Qualquer coisa irei certamente escrever. 

Mas posso adiantar um pouco mais. Em breve, o Escape encontrará um momento em que esta e outras viagens poderão, digamos, ganhar outra vida. Fiquem atentos. 

E com estas pequenas linhas já me começo a sentir melhor! Mas, na verdade nem sequer é esse o meu desejo. Quero curtir a minha profunda depressão pós “road trip”. Os especialistas afirmam e eu confirmo. Assumir a depressão é o primeiro passo. Depois…, planear as próximas – hihihihihihi…, já estão!! Seguidamente…, rever as recordações – vamos a isso! Ir com calma. E exercitar corpo e mente. 

Querida depressão pós “road trip”…, vai te embora, ok? Mas vai devagarinho…
Site Meter