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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

2ª Edição do RoadMiles é já em Outubro

Na primavera passada Rui Baltazar, Luís Lourenço e Jorge Gameiro decidiram tirar os mototuristas portugueses da sua zona de conforto e venceram claramente o desafio. A edição inaugural do RoadMiles - Motorcycle RoadBook Challenge foi um sucesso (espreitem aqui – link); ainda estava na estrada e já havia quem questionasse quando se repetia o desafio. 


O Road Miles - Motorcycle RoadBook Challenge é um evento que consiste num percurso de navegação a roadbook, podendo ser efectuado a solo ou em pequenos grupos, com o objectivo de realizar num só dia as 300 ou 500 milhas propostas. O percurso foi escolhido criteriosamente em função da sua beleza paisagística, histórica e cultural. Não tem carácter desportivo, tendo antes uma vertente lúdica e de superação de um desafio de resistência e força de vontade. Encontra-se aberto a todo o tipo de motas mas, na minha opinião, é só para quem ama verdadeiramente andar de mota.

Nesta 2ª Edição, já entre 20 e 22 de Outubro, o centro nevrálgico será Albufeira. As inscrições são limitadas e abrem em breve (link).

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Pela “Route des Grandes Alpes” (V)

Após a sempre dura travessia da ibéria e do “Massif Central” - região elevada no centro-sul da França, composta de montanhas e planaltos (link), após um dia de sossego e mergulhos no lago Léman (link), era enfim tempo de mergulhar a frente da Honda CRF 1000L Africa Twin DCT nas dramáticas curvas das excelentes estadas da Suíça Central. 

Nota prévia. O que vem a ser isto de Suíça Central? Suíça Central é a “região” ou zona, assim apelidada por alguns guias de viagem, que fica encravada entre os cantões de Ticino, Valais, Berna, Uri e Grisões (ver imagem). 

Por outras palavras é a jóia da coroa do tal Templo que vos falei aqui (link) - Deus é a máquina que conduzimos. A crença é no prazer. E o Templo assume a forma de descomunal Disneylândia. 

O menu do primeiro dia de alta montanha incluiu uma passagem pelo pouco conhecido Col de Mosses, uma pausa refrescante nas margens do Thunersee (lago ocidental junto a Interlaken) e um primeiro e vigoroso ataque, bem acima dos 2000 metros de altitude, com direito a Grimselpass, Furkapass e Gotthardpass. 

A primeira voltinha no esfusiante carrossel alpino ficou marcada, por um lado, pelo tempo ameno e seco e, por outro, por uma estranha mas muito agradável sensação de familiaridade. Nada me retirava aquele sorriso estupido de alegria por estar num local magico que adoro de forma descontrolada. Queria poder estar ali sempre que desejasse. Desta vez estava. Mais uma vez lá voltava. E tudo corria de forma perfeita. 

A dormida fez-se em Airolo, Ticino, cantão italiano. Antiga importante comuna ligada ao comércio e ao Passo de São Gottardo, hoje apresenta algum abandono devido ao recente túnel rodoviário que afastou os forasteiros. Airolo é mais em conta monetariamente que as demais povoações fronteiras e tem algum sabor latino. 

A história do segundo dia de Disneylândia alpina é simples mas fica para um próximo post…, à que saborear as palavras…

domingo, 27 de agosto de 2017

Pela “Route des Grandes Alpes” (IV)

Uma das vantagens do airbnb é esta: recolher junto dos anfitriões elementos preciosos para enriquecer ainda mais a viagem. Foi o caso, com a aldeia de Yvoire. 

Yvoire, aldeia francesa medieval fortificada, iria passar totalmente ao lado desta viagem (quer dizer, em bom rigor eu é que passaria ao lado dela) e acabou por se tornar no melhor ponto de partida possível para um dia a bordejar o fresco lago Léman.

Dali, foi tempo de marchar às margens ocidental e norte do lago, já na Suiça. Genebra e Nyon, rapidamente ficaram para trás. O destaque deste dia vai para as perfumadas vinhas de Lavaux. 

A região vinícola de Lavaux, situada no cantão suíço de Vaud, tem vinhas centenárias e assumem-se desde 2007 como património mundial da UNESCO. Virada a nascente, o Sol reflecte-se no lago e os muros de pedra concentram o calor. Com uma grande variedade de solos e microclimas, a região produz uma rica variedade de vinhos mas o destaque vai para a pouco conhecida entre nós casta Chasselas. O Chasselas é um vinho fresco e frutado. Os aromas mais associados aos vinhos produzidos com essa variedade são frutas cítricas, maçã verde e pêssego. Com o envelhecimento ganha notas de mel e nozes, bem como um tom mais dourado. 

Foi então tempo de um passeio a pé pelas vinhas - a beleza ombreia com o nosso belo Douro apesar da dimensão ser bem menor - petiscar algo e beberricar um copo de branco fresco. Tudo entremeado com um mergulho no lago, em Rivaz. 

O regresso a Thonon-les-Bains fez-se pela margem oriental do lago com mais um revigorante mergulho junto à celebre Évian-les-Bains. 

No regresso ao meu airbnb, tinha saborosos queijos regionais e vinho local à minha espera, cortesia da minha anfitriã. Bem melhor que ir para o hotel, não? 

Sono profundo…, que os próximos dois dias prometiam. Não…, eu não arrancaria já para a descida da “Route des Grandes Alpes”. É irresistível estar tão perto da Suíça Central e não me empanturrar com as melhores e mais deliciosas estradas europeias…

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Triumph Street Twin em versão A2

A Triumph continua com vontade de "apanhar" mais mercado.

Concebida para os condutores que possuem uma carta de condução limitada, de modo a usufruírem plenamente do carácter clássico Bonneville com estilo arejado e divertido, a Street Twin dispõe de ABS, controlo de tração e Ride-by-Wire de origem, assumindo-se como uma excelente porta de entrada para a gama Bonneville e apresentando-se como uma moto de muito fácil acesso e adaptação.  


A Street Twin é ainda personalizável com mais de 150 acessórios da marca, todos homologados e segundo a marca “quando estiverem reunidas as condições exigidas por Lei para a condução de motociclos sem limite de potência será possível reconfigurar as características técnicas para a potência máxima, através de uma intervenção simples num concessionário oficial Triumph”. Interessante...

domingo, 20 de agosto de 2017

Pela “Route des Grandes Alpes” (III)

Um dia irei compreender por que diabo uma viagem desta sumptuosidade não encontra espaço (mesmo que “vendida” a preço de saldo) numa qualquer publicação em papel da especialidade, nomeadamente na MOTOCICLISMO, onde colaboro pontualmente há décadas. Ou então não irei compreender nunca. Desde logo porque não sou eu o director da mesma e não conheço, obviamente, todas as dificuldades e especificidades do sector. 

Sem stress. Copo meio cheio. Desta vez vou escrever o que quero, como desejo, sem estar preocupado com a chancela editorial. É para mim, para minha recordação e simples prazer da escrita que o faço. E, naturalmente, para vocês, amigos e leitores do Escape. 

Agora parece estar em crescente moda uma nova modalidade de mototurismo, onde a mota é enviada numa palete para junto do destino e o motociclista vai fresquinho no ar condicionado do avião ter com ela. É o chamado mototurismo cocoon ou de casulo. Alerta…, nada contra! Eu próprio espero vir um dia a recorrer a tal expediente. Obrigado…, mas este ainda não é o momento para tal. 

Em dois dias, até Thonon-les-Bains, Portugal, Espanha e França foram assim atravessados sem grande dificuldade (como se costuma dizer “ia para a festa”, notem) pela Honda CRF 1000L Africa Twin DCT. 

Quase dois mil quilómetros partilhados entre o cinza escuro do asfalto e o azul do céu. Temperaturas amenas, em especial em França, também facilitaram a viagem. A escala foi feita em Dax no Ibis Budget – não conhecia a cadeia e fiquei imediatamente fá (facilidade, limpeza, sossego e economia). 

A chegada a Thonon foi feita bem a tempo de tomar um banho fresquinho no primeiro agradável e económico airbnb da viagem, pesquisar no TripAdvisor a melhor Pizza da terra e confirmar com a minha anfitriã essa mesma informação. O caminho foi feito a pé para relaxar os músculos de tantas horas sentado, com ajuda do Google Maps.

Viajar de mota na era da conectividade é isto: só faz estranhas e erradas escolhas quem não sabem utilizar as ferramentas que estão ao dispor na Rede 

No dia seguinte haveria passeio em redor do lindíssimo lago Léman. Um pequeno sonho antigo estava prestes a realizar-se…

domingo, 13 de agosto de 2017

Pela “Route des Grandes Alpes” (II)

Antes, durante e depois. Os três momentos chave da Viagem. 

Foi aqui. Agosto de 2016. Quando vi e comprei a excelente Road Trip (#37) – “Les Carnets de Voyage Motos”. O “antes” começou a desenhar-se com cerca de um ano de antecedência. 

Alpes. Outra vez Alpes? Sim, Alpes. Para sempre Alpes! Já havia mote. Descobrir e percorrer a “Route des Grandes Alpes”. Parte dela já conhecida, outra parte novidade. Tudo seria olhando com outros olhos, percorrido com outros sorrisos. O asfalto a ser “surfado” por outras borrachas, propulsionadas por cavalos diferentes dos da última vez.

Mas que raio vem a ser isso da “Route des Grandes Alpes”? 

Invenção humana, é um itinerário turístico composto por diversas estradas ou trechos de estradas. Cerca de 720 quilómetros que riscam os Alpes franceses de norte a sul. Lá pelo meio vamos encontrar dezassete cols (passagens de montanha), seis deles acima dos 2000 metros de altitude. Partindo de Thonon-les-Bains, nas margens do charmoso lago Léman, conduz o viajante a beijar o Mediterrânico em Nice – num acumulado de 17000 metros de desnível.

Relançada no final do seculo XX, a “Route des Grandes Alpes” está hoje aberta na sua totalidade sensivelmente de Junho a Setembro, dependendo do degelo sazonal. Ainda no primeiro momento da viagem, o “antes”, compus o itinerário para que algumas capelas do gigantesco tempo alpino (link) não ficassem sem a respectiva visita e “digníssima oração”. 

Feita a viagem, na segunda quinzena de Julho passada, chegamos pois ao momento do “depois”. Relanço o repto: venham comigo pela “Route des Grandes Alpes”.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

De Honda Innova 125 por essa Europa fora

É conhecida a amizade e carinho que este Escape e o seu autor têm pela Motodiana, concessionário Honda em Évora. Porquê? Olhem…, motivos vários entre os quais estes que podem ler por aqui (link). 

Os elogios são tantos que um destes dias alguém sobejamente conhecido e que já cá anda há umas décadas me dizia…, “olhó o Escape, o órgão oficial da Motodiana”. Bueno no exageremos…, não sendo bem assim é publico e notório que gosto bastante da Motodiana e das pessoas que a fazem. 

E não o sou o único a gostar da Motodiana. Leiam lá esta pequena mas deliciosa historia 

“Seanna Marie, assim se chama esta jovem californiana, que decidiu viajar pela Europa, durante alguns meses. Arranjou esta, bem usada, Honda Innova 125cc e veio do Mónaco, por aí fora, visitando tudo o que podia, em França e Espanha e finalmente teve um percalço grave. O bujão do óleo, estava com a rosca moida e foi perdendo o dito cujo, até que…, ficou a pé, em Espanha, a 3 kms da fronteira. Veio parar à Motodiana, de pronto socorro, mas chegou ao local certo para reparar a moto. Verificou-se que o motor tinha gripado e que a causa foi o tal bujão. A Honda é fabulosa no fornecimento de peças. O piston, juntas e demais peças foram de imediato encomendadas e no dia seguinte estavam na Motodiana. Rectificado o cilindro, montagem de todas as peças, experimentada a moto e voilá, pode seguir viagem. Insistiu em tirar uma foto com os elementos da Motodiana, que estavam hoje, sábado, de serviço, a quem chamou de “Anjos”, por a terem desenrascado tão depressa e por lhe terem emprestado uma Honda Vision para visitar a zona de Évora, durante 3 dias, e aí vai a nossa corajosa e aventureira Seanna Marie, estrada fora, pela Nacional 4, até Lisboa. Vai visitar Lisboa, Sintra, Cascais, Cabo da Roca e depois vai até ao Algarve, seguindo até Barcelona e daí de ferry até Itália. Quem encontrar esta singela figura, nesta motinha, com aquela mala/troley em cima do banco traseiro, amarrado a uma pequeno top case, já sabe que á a nossa alegre e divertida aventureira. Regressa aos USA em final de Setembro. Isto é que são férias, não é verdade?” 

O relato não é meu mas sim literalmente copiado da página da Motodiana no facebook. 

Num tempo em que alguns motociclistas acham que a melhor forma de viajar de mota é envia-la daqui para o destino, empalada num contentor, indo lá ter com a sua “xuxuzinha xptozinha” no conforto do ar condicionado do avião (nota: nada contra, cada um sabe o que é melhor para si – vão ouvir varias vezes aqui este comentário); num tempo em que algumas casas de motociclismo têm dificuldade em lidar com certos clientes ditos aborrecidos…, é muito bom saber que ainda existem “diabos” que se lançam à estrada de forma “nada católica” e que do outro lado da linha estão “anjos” para os “ampararem na queda”. 

Ah… sigam a Seanna Marie no Instagram (link). É capaz de valer a pena…

domingo, 6 de agosto de 2017

Pela “Route des Grandes Alpes” (I)

Alpes. Outra vez Alpes? Sim, Alpes. Para sempre Alpes! 

Religião é Cultura. Está ai, opõem-se à Natureza que nos é dada. A Religião é produto dos Homens. É um sistema ou conjunto de sistemas. De crenças. De visões do mundo. Estabelece símbolos. A Religião tem comportamentos organizados. 

Os Alpes estão lá, na Natureza, foram-nos dados. Nos Alpes os Homens construíram e mantêm estradas. Estradas belas como a Natureza mas produto do labor humano. São Cultura. Como cultura é abraçar aquelas estradas com máquinas de duas rodas. 

É isso mesmo que fazem todos os verões milhares de motociclistas que de todo o mundo ali acorrem. É um comportamento mais ou menos organizado. 

Os Homens são naturalmente hedonistas, buscam o prazer. Neste caso o prazer daqueles homens (e cada vez mais mulheres) é circular naquelas estradas. As estradas transformam-se assim em templos. As estradas como locais de uma prática religiosa. De uma visão do mundo, recordamos. 

O Mototurismo (visão do mundo) enquanto comportamento organizado, assume ali uma natureza próxima da prática religiosa. E as estradas alpinas são os locais de tais práticas. 

Ou seja, encontramos nas estradas alpinas os Templos perfeitos para a prática da Religião pagã do mototurismo. Deus é a máquina que conduzimos. A crença é no prazer. E o Templo assume, como escrevi (link) em tempos a forma de descomunal Disneylândia. 

Venham comigo pela “Route des Grandes Alpes”...

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Quilómetro infinito

Um deserto. A nossa blogosfera motociclistica é assim; seca, árida, abandonada. Alguns blogues assemelham-se a estações de serviço perdidas lá em nenhures onde já ninguém vai, onde já ninguém passa.


Ao longe, uma miragem? Fui confirmar. Com o passar dos quilómetros (textos) encontro enfim um oásis. Fresco, rico e pleno de sombras para me refrescar. Quilómetro infinito (link) é o blogue de um casal mototurista há muito credor de uma permanente linha ali em baixo em “outras curvas”. 

Mais do que isso. Quilómetro infinito faz nos sonhar. Com mais e melhores viagens. De escrita simples mas escorreita, pode ser útil a muito bom motocicilista. A mim, por exemplo, é e será. Acho que vou começar por aqui (link). O Escape partilha e recomenda!

terça-feira, 11 de julho de 2017

Córdoba e Toledo por Estradas Nacionais (III)

Seguramente que há mais de vinte anos sonhava com esta voltinha..., termino hoje o relato desta fuga que comecei a contra aqui (link) e aqui (link)

Estas viagens relâmpago têm sempre a sua má moeda. Partimos assim, felizes da vida, mas…, regressamos depressa demais. Na terça-feira dita de Carnaval, foi tempo de arrumar a mala e regressar a casa. A opção foi seguir pela CM-401 pois o foco desse dia era a N-502 que dá acesso à EX-102 que passa o Puerto de San Vicente e beija a Serra de Guadalupe. Em termos de condução este foi claramente o destaque desta jornada. São cerca de oitenta quilómetros de estrada bem asfaltada com curvas bem desenhadas tudo próximo da classe mundial. 

Para despedida, o almoço acabou por ser feito bem junto da Catedral de Guadalupe no restaurante…, Guadalupe. Dez euros para entrada, primeiro prato, segundo prato, sobremesa, bebidas, café e licor digestivo; tudo caseiro, tudo apresentado com respeito. Uma última surpresa que transformou esta pequena viagem num autêntico mini raide moto-gastronómico. 

O regresso à base, em Lisboa, foi feito via EX-209 e N4 já em Portugal. Acabou por ser um longo dia de estrada, cerca de 600 quilómetros, tendo o cansaço se feito notar na parte final devido à minha teimosia de não pisar auto estradas. 

O airbnb voltou, pela enésima vez no meu caso, a revelar-se aposta acertada para as dormidas. Só paga hotéis caros ou locais manhosos quem quer. A Honda CRF 1000L Africa Twin DCT revelou-se o quanto baste confortável e confirmou a sua versatilidade. Estando longe de ser um sport tourer, lambe o asfalto com eficácia e destreza. Foram feitos 1420 quilómetros com um decepcionante consumo de 6.3 l/100Km – contas “de cabeça”, as malas laterais penalizam o consumo em pelo menos meio litro por cem quilómetros. 

Toledo é bonito mas não me fascinou. Fiquei com vontade de regressar a Córdova. E a retorcida estrada na região da Serra de Guadalupe recomenda-se vivamente. Esta é uma voltinha de mota diferente, culturalmente exótica, fácil e económica. A repetir sempre que possível.

domingo, 25 de junho de 2017

Córdoba e Toledo por Estradas Nacionais (II)

Seguramente que há mais de vinte anos sonhava com esta pequena voltinha..., regresso agora a ela depois de ter deixado aqui (link) a primeira parte do relato.

Domingo foi tempo de calcorrear a cidade, para a frente a para trás, na peugada do Al-Andaluz. O destaque vai claramente para a jóia da coroa Andaluza. Já poucas coisas na vida me vão valendo um valente Uaaauuuuu…, a Mesquita-Catedral é de ficar boquiaberto, foi declarada Património da humanidade pela UNESCO em 1984 e merece por si só a passagem pela cidade. O jantar fez-se junto ao Guadalquivir no restaurante La Tinaja, comida local deliciosa, com charme, a preço decente.

No dia seguinte, rumo a Norte pela N-420 cruzando o Parque Natural da Serra de Cardeña e Montoro, primeiro até Ciudad Real e depois rumo ao destino Toledo. Sair cedo foi fundamental para aproveitar a tarde com o Tejo aos nossos pés na cidade das três culturas. Toledo é monumental e fascinante. Aqui ou temos tempo e paciência para mergulhar na historia e visitar todo o pedaço de doce passado ou optamos simplesmente por nos perdermos nas apertadas calçadas. Foi esta última a minha opção. 

Tristemente, o tempo de jantar chegou demasiado rápido e o petisco fez-se ali, bem no coração da cidade, junto à Praça Zocodober no Cucharra De Palo…, mais cañitas, mais tapas, mais sorrisos e simpatia, mais comida local e deliciosa – só diz que se come mal aqui no vizinho do lado quem não sabe procurar.

(Continua...)


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Limalhas de História #31 – 12 de Junho de 1967

Houve um tempo em que motociclismo rimava com romantismo. Querem ler esta pequena limalha apaixonante? 


Faz hoje exactamente 50 anos. Atlântico Norte. Bem no coração do Mar da Irlanda. Verde e húmida Ilha de Man. Início da quarta etapa do então campeonato mundial de velocidade em motociclismo. No primeiro de quatro dias de TT, Mike Hailwood limpava a categoria de 250cc aos comandos da mítica Honda de seis cilindros. Mas Mike “The Bike” não ficou por aqui na Ilha, vencendo ainda durante a semana a classe 350ccc e 500cc tendo sido nesse ano campeão do mundo de 250cc e 350cc e vice-campeão de 500cc. Fantástico!

terça-feira, 18 de abril de 2017

Honda CB500X à prova

Agilidade, diversão e economia. Não se esqueçam daquilo que acabei de escrever. Foi desta forma que caracterizei (link), em Junho do ano passado, a Honda CB500F. E desde que a provei que fiquei muito curioso em conhecer a versão X da família. Só agora foi possível abraça-la… 

Confesso que a primeira impressão não foi apaixonante. Quando a fitei com atenção até me deixei levar pelas suas linhas fluidas. Todavia, o primeiro toque não arrebata. Tendo em conta a posição de condução, tudo parece liliputiano e, sobretudo, um encaixe de pernas algo recuado deixou-me algo apreensivo.

As vantagens de podermos realizar algumas centenas de quilómetros numa mota que não conhecemos são inúmeras. As primeiras impressões podem ser facilmente desmontadas e o conhecimento que vamos adquirido da máquina lança-nos luz sobre aspetos que nem imaginávamos. 

Agilidade, disse eu. Se por um lado acabei por me habituar facilmente à ergonomia da Honda CB500X - esquecendo rapidamente a posição algo recuada das minhas pernas - por outro, pude conhecer uma mota absolutamente adaptada às exigências da condução urbana, o terreno de eleição desta utilitária. 

Diversão, disse eu. Quando saímos para a estrada, a proteção aerodinâmica oferecida pelo pequeno ecrã surpreende pela eficácia. Surpresa não tive pelo belo motor desta “quinhentos”. Já o conhecia e aqui, na X, o coração parece bater de forma ainda mais perfeita do que na pequena F. 

Economia. Mais economia. À agilidade e diversão que conhecia da F e voltei a encontrar na X junta-se a economia. Mais economia, na verdade. Consegui um consumo absolutamente ridículo de 3,6 litros de gasolina por cem quilómetros de cidade devorada – e não andei propriamente a poupar. 

Mais três notas. Uma negativa: pneus; apesar de apenas ter rodado em piso seco, fiquei com a sensação de que em pisos menos abrasivos a borracha de origem não satisfaz. Duas positivas: a iluminação dianteira, mais no aspeto de ser visto do que de ver (engraçado como as “latas” se afastam como se de um grade motão lá viesse.) e os instrumentos sempre legíveis com quaisquer condições de luminosidade 

Sejamos honestos. Se pensa que com uns miseráveis 6400€ vai comprar uma mota para dar a volta ao mundo então…, tem razão. Aqui está ela. Se até há quem vá de PCX ao Nepal… Mas a Honda CB500X não foi construída para tal. A Honda CB500X foi concebida para a batalha diária das grandes cidades e seus arredores, terrenos onde se move a roçar a perfeição. Contudo, se lhe pedir para ir mais longe, ela irá. E fá-lo-á sem se queixar.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Córdoba e Toledo por Estradas Nacionais (I)

Seguramente que há mais de vinte anos sonhava com esta voltinha. Incrivelmente, por este ou aquele motivo vinha sendo adiada, até ao final do passado mês de Fevereiro. Enfim, os astros alinharam-se, e a pequena “pausa” de carnaval foi a data escolhida. “Por estradas nacionais” foi apenas o tempero para passar mais tempo na estrada e tornar o passeio menos dispendioso. 

Por sorte, o tempo apresentou-se nesses dias algo frio mas seco. Passado o Tejo para sul, a N4 e a N114 levaram-me até Évora – tempo para uma cafezada, visitar a MOTODIANA que se apresenta de cara lavada, e dois dedos de conversa com os amigos alentejanos. Dali a N256 levou-me até Monsaraz, ao seu castelo e às margens do Guadiana. O almoço fez-se de um lauto cozido de grão na Adega Velha – bom, honesto mas nada de soberbo.

De barriguinha cheia, demasiado até, foi tempo de cruzar a fronteira e ser abraçado por umas, já nessa época, lindíssimas amendoeiras em flor. O caminho até Córdoba faz-se, maioritariamente, pela N-432. Tudo demasiado calmo, com um verde profundo deixado pelas intensas chuvas de inverno a emoldurar a viagem, apenas com alguma animação em forma de curvas rápidas já nos montes a norte deste primeiro destino. 

Córdoba revelou-se uma rica surpresa. Para além da monumentalidade reconhecida mundialmente, a cidade está cheia de movida (potenciada pela época carnavalesca), bons e acolhedores restaurantes com preços simpáticos. Naquele sábado não resisti a “tapas e cañitas” num local muito parecido com o Mercado Time Out em Lisboa…, e até um pezinho de dança se deu…, sinal que os quinhentos quilómetros na Honda CRF 1000L Africa Twin DCT não tinham deixado mossa. 

(Continua...)


domingo, 16 de abril de 2017

Só para quem ama verdadeiramente andar de mota

Foto Luís Duarte - MOTOCICLISMO

É assim, nem mais nem menos, que qualifico o Road Miles. Como vos disse aqui (link) tive o privilégio de estar presente na edição inaugural deste desafio a convite da MOTOCILCISMO. O texto completo sobre o evento poderá ser lido na edição de Maio da revista mas…, já podem espreitar aqui (link), no sítio da revista, um pouco do que foi este dia em que Rui Baltazar, Luís Lourenço e Jorge Gameiro decidiram tirar os mototuristas portugueses (alguns espanhóis também estiveram presentes) da sua zona de conforto.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Triumph Tiger 800 XRx à prova

Uma dúzia de provas feitas aqui no Escape. Esta é exactamente a décima segunda. E tal como a primeira (link), a fonte da prova vem de terras de Sua Majestade. Curiosidades. E para comemorar em grande, esta é a maior prova deste Escape. Foram mais de setecentos quilómetros aos comandos da sedutora XRx. É obra… 

O que e que a Tiger 800 XRx tem? Desde logo personalidade. Num primeiro olhar a mota parece fitar-nos descaradamente. Anda dai, motociclista, leva-me a passear, sussurram-me as suas linhas peculiares. 

A XRx é a versão mais estradista da alargada família Tiger 800. O primeiro contacto físico é desde logo muito agradável. O corpo encaixa bem e com conforto, o guiador parece colocado na posição correta, os instrumentos de leitura fácil e rápida habituação. 

Dinamicamente, ainda na cidade, facilmente descubro uma elasticidade na unidade motriz tricilíndrica para lá do normal. Caixa suave, precisa e embraiagem leve. Em via rápida rumo ao campo testo o cruise control. Fácil de usar apenas com o polegar direito, será de extrema utilidade, mais tarde, para quando os quilómetros se acumulam no corpo. Quando a estrada se encarquilha, a Triumph Tiger 800 XRx surpreende pela agilidade e leveza, tudo certo e bem afinado. 

Acumulei quilómetros e quilómetros na 800 XRx. Com ecrã regulado (manualmente) na posição de altura máxima, só sinto algum desconforto em velocidades bem acima do limite legal. Ai, na velocidade pura, o pequeno Tigre não está tão à vontade, este não é o seu terreno de eleição. A “sua praia” são sem dúvida os passeios em estrada secundárias ou os grandes espaços, mas sempre em ritmo moderado. Em percurso urbano o equilíbrio também se faz notar. A utilização diária na cidade e arredores não lhe é estranha.

Excelente surpresa está guardada para o regresso à bomba de gasolina. Bolas, são três cilindros e noventa e cinco cavalos. Todavia, a factura fixa-se por pouco mais de cinco litros de líquido inflamável por cem quilómetros rodados. 

A personalidade sedutora no primeiro olhar confirma-se com a utilização. A polivalente Triumph Tiger 800 XRx deu carradas de prazer. Só fiquei triste com um pormenor..., ter de devolver o pequeno Tigre malandro ao seu dono.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Triumph Tiger uma lenda viva

Triumph Tiger 80, a original. Em baixo a Tiger 900 de 1993


Oitenta anos. Não é brincadeira. Sim, a Triumph Tiger comemora este ano o seu octogésimo aniversário. Quantas motas se podem orgulhar desta fantástica idade? 

Ainda na fase pré-twin, a primeira Tiger 80 nasce em 1937 nas fábricas da Triumph Engineering. Monocilíndrico de 350 cc e caixa de quatro velocidades. Naqueles anos, imediatamente anteriores à terrível Segunda Guerra Mundial, a indústria britânica estava pujante. Depois, logo em 1939, surge a Tiger 100, o primeiro twin paralelo de 500cc. A lenda começava a ganhar forma…

Dos destroços da Guerra, milhares de Triumph Tiger se ergueram para criarem um dos nomes mais afamados da história do motociclismo. 

Após o apogeu (sessentas e setentas) e queda (oitentas) a Tiger regressa em 1993 já pela mão da Triumph Motorcycles ltd. A actual Tiger 800 nasce em 2010, equipada com um moderno tricilíndrico. 

Com aqui (lnk) vos contei, tive a sorte de no passado fim-de-semana ter participado na edição inaugural do Road Miles. E, por vezes, a sorte é como o azar, um golpe não vem só. No Road Miles tive a companhia de uma Triumph Tiger 800 XRx. 

Rica forma de comemorar os oitenta anos desta Velha Senhora…, para ler em breve…

domingo, 9 de abril de 2017

Primeira edição do Road Miles numa palavra: sucesso!

Pequeno Éden, Rio Alviela, nascente dos Olhos d'Água, CP1 do Road Miles 
Quando, ainda no final do ano passado, se começou a falar do Road Miles fiquei imediatamente fascinado. O panorama do mototurismo em Portugal estava há demasiado tempo cristalizado nas receitas do costume. Uma proposta…, navegar durante trezentas ou quinhentas milhas pelas excelentes estradas da zona centro do nosso Portugal, excelente… 

Mas não aceitei a proposta. A vida é feita de escolhas. O preço da inscrição parecia-me considerável e, como provavelmente tantos outros, optei por não me apresentar à chamada. 

Eis quando, a apenas uma semana do evento, o telefone toca. Era o “velho” Luís Carlos Sousa, diretor da MOTOCICLISMO. Pedro, queres avançar, pergunta-me. Nem hesitei. Conta comigo!

Que sorte. Tive assim o privilégio de estar presente na edição inaugural deste desafio. Desafio é mesmo a palavra-chave. Não é fácil. Para ninguém. Para quem parte, para quem fica a ver na internet e, sobretudo, para quem organiza. 

É para estes últimos a minha primeira palavra: sucesso! Uma organização tão discreta quanto eficaz. De parabéns estão também todos os que aceitaram o desfio: bravos! 

Uma palavra ainda para o profissionalismo do fotógrafo Luís Duarte quem me acompanhou na realização da reportagem para a MOTOCICLISMO: acho que fizemos uma bela equipa. 

O trabalho de imagem do Luís e as minhas palavras sobre o evento vão poder ser por vós conhecidos na edição de Maio da MOTOCICLISMO. Lá, vão poder ficar a saber tudo o que se passou no dia que mudou a face do mototurismo de aventura em Portugal. 

Por falar em edição de Maio da MOTOCICLISMO…, nela vão ainda encontrar o fabuloso destino de Artur Brito e da sua Honda PCX a caminho do Nepal. Sim, o Artur esteve no Road Miles, concluiu a prova “menos grande” – 300 milhas – e eu tive o privilégio de o ter à mesa no jantar de sábado. Numa palavra: que maravilha…
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