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quinta-feira, 18 de julho de 2019

A estrada, a moto e o telefone esperto – Estrada Nacional 112


O Grossglockner é uma majestosa montanha que separa a região da Caríntia e do Tirol sendo o ponto mais alto da Áustria. Tem 3797 m. de altitude e 2423 m. de proeminência topográfica. É a segunda montanha mais proeminente dos Alpes, depois do Monte Branco. A mais alta dos Alpes a leste do Brennerpass

O Grossglockner é cruzado pela Grossglockner High Alpine Road. Esta é a mais alta estrada asfaltada da Áustria. Alguns dizem que ao agendar uma viagem de mota pelos Alpes, aquela é uma estrada de alta montanha a percorrer com caracter de obrigatoriedade, pois o asfalto enquadra-se na paisagem de forma absolutamente perfeita. A Grossglockner High Alpine Road é de facto notável pelo seu traçado curvilíneo mas também pala soberba qualidade do asfalto, sem dúvida um dos melhores “tapetes” da Europa. 

Ao percorrer os primeiros quilómetros da Estrada Nacional 112 (N112) recordei-me das minhas passagens pela Grossglockner High Alpine Road. Cá no nosso rectângulo não temos montanhas da dimensão e dramatismo dos Alpes mas ainda vamos encontrando pedaços de asfalto que são verdadeiras jóias. E esta, a N112, é uma das que mais brilham na coroa das estradas portuguesas. 

Há uns anos largos que não fazia esta verdadeira diagonal à região Centro de Portugal. E tinham-me alertado que vindo de Gois pela Nacional 2 (link), negociados que fossem os primeiros quilómetros até à Pampilhosa da Serra, a vontade seria a de parar, respirar e repetir tudo uma, e outra e outra vez. 

Confirmado! Esta primeira secção da N112 merece ser visitada com o devido tempo para ser desfrutada mais do que uma vez. Será, sem dúvida, um dos mais estimulantes troços de estrada em Portugal. 

Da Pampilhosa até Castelo Branco, atravessando o Zêzere em Cambas, a festa continua, ainda que em ritmo mais moderado. Festa que contudo não é mais colorida devido à verdadeira devastação – quase total – provocada pelo abandono destas paragens e consequentes incêndios florestais dos últimos anos. Uma lástima. Que transforma ainda uma das mais belas estradas de Portugal numa estrada sem qualquer tipo de fotogenia. 

No fim, já em terras albicastrenses, apenas um desejo. O de voltar. De voltar rapidamente. E com mais tempo. Porque esta é uma das mais apetecíveis estradas portuguesas para a o mototurismo em modo sport. 

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Quem, o quê, onde, como, quando e porquê – não necessariamente por esta ordem… 


A Estrada Nacional 112, não é mas podia muito bem ser conhecida como a “Grossglockner Road portuguesa” (perdoem-me o parolismo) devido não à paisagem que cruza mas ao seu traçado de classe mundial e ao seu tapete de asfalto de elevada qualidade. Tem o seu inicio num local (nem é lugar, muito menos aldeia) denominado Portela do Vento, num cruzamento com a Nacional 2 (link) e acaba na Pampilhosa da Serra. Quer dizer…, em bom rigor termina apenas em Castelo Branco pois entre a Pampilhosa e Castelo Branco a estrada mantem-se tendo sido apenas regionalizada (mais uma tontice dos senhores políticos). 

A N112 foi por este ESCAPE percorrida no início de Julho de 2019, aos comandos de uma Triumph Bonneville Speed Twin que gastou pouco menos de cinco litros de líquido inflamável do bom nos seus quase 100 quilómetros. 

A N112 não é uma estrada qualquer e é credora do nosso respeito. Tal como vertido no Plano Rodoviário Nacional de 1945, o objectivo original desta estrada estruturante era o de unir as outras igualmente estruturantes N2 e N18, passando pelas Serras da Lousã e Oleiros, ligando rapidamente duas capitais de Distrito, Coimbra e Castelo Branco, usando ainda a Nacional 17 como auxiliar deste percurso muito sinuoso.

domingo, 7 de julho de 2019

Triumph Bonneville Speed Twin à prova

Quando a contemporânea interpretação da Triumph Speed Twin foi apresentada em Lisboa no início deste ano, manifestei de imediato vontade de a conhecer. Não foi possível no momento. Mas eu gosto sempre de ver o copo meio cheio. O tempo chegaria quando teria de chegar… 

Uma sucessão de factos, fizeram alinhar os planetas para que a bíblica tarefa a que me propus de recuperar o Plano Rodoviário de 1945 (link) voltasse à estrada e consequentemente a este blogue. Para retomar tal jornada ansiava por uma moto de personalidade vincada. Solicitei uma à Triumph. O plano A não se concretizou, pois a moto em questão não estava disponível. Surgiu então a possibilidade de enfim sentir o que a Speed Twin me tinha para revelar. E com esta, outra questão veio associada. Não será segredo para ninguém que o mercado não correspondeu às expetativas que a marca tinha para este modelo. O que terá então corrido mal? O produto? Ou a forma com foi vendido? 

NA ESTRADA NOS ENTENDEMOS 
Para responder a tudo isto decidi desafiar-me e desafiar a Triumph Speed Twin a abandonarmos a nossa zona de conforto. Arrancar ao nascer do sol ao encontro da Nacional 2, procurar a porta de entrada da Nacional 112 – aquela que marcará o regresso das Estradas Nacionais a o ESCAPE - e regressar a casa por algumas das melhores roads less travel da zona centro de Portugal. Cerca de seiscentos e cinquenta quilómetros, perto de doze horas, para que tudo fique claro! 

Não seria necessário tanto para compreender o membro mais recente da alargada família Bonneville. As linhas que evocam o classicismo, ainda que pontudas por modernidade, rapidamente dão lugar à contemporaneidade quando descobrimos um encaixe perfeito de todo o elemento humano na engenharia. Rapidamente também, suspeitamos estar perante algo especial. E assim que abandonamos a cinzenta cidade rumo à estrada delimitada pelos campos verdejantes de início de verão, o desassossego toma conta do cenário e a Triumph Bonneville Speed Twin revela-se uma pequena desportiva travestida de moderna clássica. As respostas começam a surgir… 

DESEMPENHO NOTÁVEL 
O duplo berço em aço faz nos olhar de novo a moto quando nos detemos e questionar como é possível tal eficácia numa estrutura aparentemente simples. Os quase 100 CV e os 112 Nm do motor Bonneville HP debitam vida em qualquer ponto do conta-rotações. As suspensões, rijinhas como convém, respondem sempre com eficácia. O peso inferior a 200 kg e o baixíssimo centro de gravidade conferem equilíbrio e confiança quando a estrada enruga. A travagem é garantia de segurança para tanta animação, apesar de não ter gostado da forma como reage ao toque dos dedos a manete que dá ordem ao duplo Brembo dianteiro de 305 mm. Os Pirelli Diablo Rosso 3 - a importância de ter gomas de qualidade num conjunto que a fábrica deseja memorável - são a cereja no topo do bolo que neste caso nos cola ao chão, fazendo a moto curvar como se num carril negociasse uma e oura e outra e outra e outra e outra e outra curva até ao infinito ou até dizermos basta, estou satisfeito. O que no meu caso aconteceu já bem perto de Abrantes, no regresso, com mais de nove horas de motociclismo no corpo e na alma. Ufffff… 

Se o produto é então excelente o que terá afinal corrido mal em termos de mercado nesta Bonneville Speed Twin? A comunicação, obviamente. Todos ficámos com a ideia que esta seria apenas mais uma das muitas modernas clássicas que vão surfando a onda do revivalismo. Só que não! 

HOOLIGAN 
Na verdade a Triumph Bonneville Speed Twin não é mais uma. Pelo contraio. É distinta. Como um hooligan, dá um ar de Velho Estilo e faz-se passar por discreta, apesar de ostentar elementos que lhe dão personalidade e a definem. E se a estrada vem ter com ela, vão precisar de ter “punhos” para lidar com o seu músculo e a sua fibra. 

A Speed Twin reclamou uns muitíssimo satisfatórios 4,7 litros de ouro líquido inflamável por cem quilómetros de absoluto vandalismo (do bom) motociclistico oferecido. A Triumph Motorcycles Portugal exige um cheque de 13.200€ para retirar das suas instalações uma igual à desta prova, que tanto prazer ofereceu a este ESCAPE, estando ainda disponíveis mais de setenta acessórios que permitem acrescentar um cunho mais pessoal. 

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Triumph Scrambler 1200 XE à prova


Numa operação montada com rigor, a partir de Londres, no passado mês de Outubro (link), a Triumph, recorrendo às novas tecnológicas da comunicação e informação, surpreendia o planeta moto com o anúncio de uma nova Scrambler. A mensagem foi clara para quem a quis ouvir: queremos com esta abordagem criar um novo espaço entre segmentos! 

Nesse mesmo dia ficamos esclarecidos com o que ai vinha: atrevida, sedutora, natureza e substancia clássicas mas muita qualidade moderna. Motor bicilíndrico Bonneville “High Power” de 1200cc, 90cv às 9700rpm e binário bruto de 110 Nm às 3950 rpm. Suspensão traseira Ohlins (desenvolvida em conjunto com a Triumph), Forquilha dianteira Showa de curso longo completamente ajustável. Pouco mais de duzentos quilos. Seis modos de condução, incluindo o Off-Road Pro nesta XE. ABS e controlo de tracção optimizados em curva. Comandos retro-iluminados. Keyless (arranque sem chave). Cruise control. 

FOCO E PRAZER 
A espera terminou enfim e chegou o tempo de também este ESCAPE provar a nova proposta britânica. O primeiro olhar surpreende de imediato pois a moto no contacto directo com os nossos sentidos impressiona muito mais do que nas imagens que nos chegavam: o charme atrevido e sedutor revelam ainda mais alma e personalidade ao vivo do que em mera imagem. 

O primeiro toque faz transpirar uma moto alta com uma posição de condução que convida imediatamente ao prazer da condução comprometida. E os primeiros quilómetros ainda na cidade não deixam qualquer dúvida: leveza, agilidade e facilidade de utilização serão sempre aqui palavras-chave. 

Esta natureza (aparentemente) dócil que convida à condução focada, é ampliada quando nos libertamos dos semáforos e encontramos o primeiro asfalto torcido. Nestes terrenos, a eficácia de todo o conjunto da Triumph Scrambler 1200 XE começa a revelar uma natureza que se aproxima de uma verdadeira fun-bike e questionamo-nos mesmo se com outro tipo de jante e pneu não estaríamos perante uma deliciosa Supermotard.

GOOOO SCRAMBLING 
Mas a Scrambler provada foi uma XE, o que significa ter sido arquitectada para enfrentar os mais extremos desafios fora de estrada. E seria de lamentar se não a provássemos por maus caminhos. Desta vez o ESCAPE abusou e aproveitou a quente manhã do feriado de 1 de Maio para lamber o pó de alguns estradões na zona da Serra da Arrábida. Foram algumas dezenas de quilómetros em ritmo vivo que demonstraram inequivocamente toda a natureza desta nova Triumph. Repito. Leveza, agilidade e facilidade de utilização sempre em modo Off-Road, que ajuda e muito à eficácia na obtenção de prazer a todos aqueles que não se sentem “Prós” e, como tal, se escusam a utilizar o modo que desliga todas as ajudas à condução. 

Há ainda três aspectos dignos de nota que resultam, como se costuma dizer, da natureza das coisas. O escape partilha algum do seu calor com o condutor? Claro…, é um escape elevado, esta é uma Scrambler, queriam o quê? Mas tal apenas sucede na cidade e nos momentos mais quentes do dia, apenas incomodando quando paramos demasiadas vezes nos irritantes semáforos da cidade. Confesso que na manhã fora de estrada nem me lembrei por momentos que o escape lá estava. A protecção aerodinâmica é nula? A resposta é idêntica: obvio…, esta é uma Scrambler, queriam o quê? Se tal não vos satisfaz procurem soluções, um pequeno ecrã deve ser ajuda bastante. É muito dinheiro por esta moto, dizem também. Pois…, esta é uma Scrambler de topo com material de qualidade invejável e com um comportamento irrepreensível, queriam o quê? Se acham a qualidade (personalidade e exclusividade, já agora) cara experimentem a frugalidade. 

HEDONISMO 
Com este novo objecto de culto e prazer a Triumph deseja abrir novos espaços mas também cativar aqueles que dando uso às suas maxi-trail (ou maxi-enduro, como quiserem) se sentem demasiado pesados, indo ainda ao encontro do cada vez maior número de “gentlemen bikers” que se inscreve em pequenas competições ou passeios fora de estrada. Tudo isto sem perder a face, o estilo e o caracter. O Senhor Mercado, como sempre, fará o seu julgamento. Da parte deste ESCAPE a única coisa que lamento – e isso tem sido um denominador quase comum a todas as Triumph que tenho provado – é de ter de devolver a moto ao dono cedo demais. 

A Scrambler 1200 XE exigiu uns muitos simpáticos 5.3 litros daquele liquido inflamável de que tanto gostamos por cem quilómetros de hedonismo oferecido, sendo necessários 15.900€ para retirar esta maravilha das instalações da Triumph Motorcycles Portugal.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Décima primeira Tertúlia do Escape

Depois da passagem pelo Porto (link), onde a Ton-Up foi pequena para receber tanto tertuliano que se quis juntar ao ESCAPE, ao Quilometro Infinito (link) e ao Wanderlust.Africa Twin (link), a Tertúlia regressou a casa, à Rod’aventura, e voltou a receber a marca que desde o primeiro momento acreditou neste formato de comunicação mais descontraído, mais humano, mesmo, de partilha de histórias e vivências de motos, motociclismo, motociclistas e viagens. 


E o foco da noite foi mesmo este: cultura motociclistica. É uma sorte ter o Vitor Sousa por perto para nos falar sobre o passado do motociclismo. O Vitor trouxe-nos a sua visão das origens do movimento Scrambler sem olhar a marcas em concreto mas, naturalmente, tendo como referência a marca que representa em Portugal, a Triumph. 


Na sala tivemos ainda a atrevida Triumph Scrambler 1200 XE que todavia não esteve sozinha. Foi acompanhada pela mais urbana Triumph Street Scrambler e por cerca de trinta tertulianos que aproveitaram o regresso das agradáveis temperaturas nocturnas para tirar a moto da garagem, nos ouvir e participar. 

Verdade. Foi das tertúlias menos concorridas mas foi também das tertúlias mais enriquecedoras pelo percurso histórico que o Vitor nos trouxe. E claramente a menos trabalhosa de moderar. Bem bom! 

Parece fácil…, mas desde Dezembro passado quando recebemos o Manuel Portugal (link) que a Tertúlia tem sido uma abusadora e lá tem aparecido, em média, uma vez por mês. Vamos la ver se é desta que a realidade nos deixa fazer uma pausa. Até lá…, é andar de moto!

domingo, 28 de abril de 2019

Tertúlia do Escape “Go Scrambling”

O ESCAPE está de regresso. Depois de cerca de duas semanas de ausência, dias estes passados numa viagem absolutamente épica por uma das regiões mais deslumbrantes do território Norte Americano, talvez de todo o planeta, é tempo de regressar a casa. 


E para não perder o “andamento” nada melhor do que voltar reunir a Tertúlia. As Tertúlias do Escape começam a dispensar a respetiva apresentação. Todavia, nunca será demais recordar que uma tertúlia é e sempre será, na sua essência, uma reunião de amigos, familiares ou simplesmente frequentadores de um local que se juntam de forma mais ou menos regular para discutir vários temas e assuntos. Nas Tertúlias do Escape pretende-se discutir motas, motociclismo e viagens. À maneira antiga. Longe dos teclados, cara a cara e com uma cafezada por companhia. 

É bom ainda recordar que a Triumph Motorcycles Portugal teve um papel fundamental e decisivo no crescimento e consolidação destes momentos. No ano passado, 2018, aqui (link) e aqui (link) tivemos a honra e o prazer de nos reunir em torno das novas Tiger 1200 e 800. 

Entretanto, a Tertúlia fez-se também ela à estrada e este ano  - para além de uma edição onde contamos com o “velho” Tó Manel (link) - já visitámos Évora (link) e o Porto (link). 

É então tempo, sublinho, de voltar a casa – a Rod’Aventura – e receber mais uma vez a Triumph Motorcycles Portugal e o seu Director de Vendas e Marketing, Vítor Sousa. Mas não “caminharemos” sozinhos. Connosco estará uma das motos que veio claramente para marcar a temporada: a novíssima atrevida e sedutora Scrambler 1200.

Estão todos convidados! Aproveitem o regresso do tempo seco e de noites mais amenas. No dia 2 de Maio, quinta-feira, venham de lá, à partir das 20h30, encher o Espaço Rod’aventura - Avenida da Quinta Grande nº10-A, 2610-159 Alfragide. Todos são bem-vindos!

domingo, 25 de novembro de 2018

A estrada, a moto e o telefone esperto – Estrada Nacional 6

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Morre um panda bebé algures na Ásia sempre que alguém escreve algo do género; “Estrada Nacional 2, a estrada mítica”. Mítica, mítico, relativo ao mito. Mito é uma personagem, facto ou particularidade que não tendo sido real simboliza uma generalidade que se deve admitir. Isto é, coisa ou pessoa que não existe, mas que se supõe real, coisa só possível por hipótese. 

Como muito me tentei esforçar aqui (link) a Nacional 2 existe, é bem real, não é mito rigorosamente nenhum. O mesmo não podemos dizer da Estrada Nacional 6 (EN6). A Avenida Marginal ou apenas “A” Marginal. Esta sim, a verdadeira estrada mítica! 

Como todos sabemos a Marginal liga a cidade de Lisboa à vila de Cascais, atravessando toda a Costa do Estoril, ao lado do rio Tejo e do oceano Atlântico. O que poucos sabem é que a EN6 se iniciava em Moscavide, percorria toda a bacia do Tejo na margem direita, rodeando Lisboa. Era a estrada da Circunvalação de Lisboa, termo que hoje já caiu no esquecimento. Nunca foi a Primeira Circular pois essa são várias ruas e avenidas de Lisboa. Era a pré-circular, a Circunvalação nas palavras do Legislador de 1945 (link). 

Hoje a Nacional 6, ou o que imaginamos como tal, começa no Cais do Sodré, em Lisboa, quando a Avenida Ribeira das Naus encontra a Avenida 24 de Julho, tudo zonas de fortíssima animação noturna – noite, a grande geradora dos mitos! Dali a estrada dá a mão ao Tejo até à sua foz. Abraça o Atlântico e vai morrer não muito longe do mar ruidoso da Boca do Inferno, na rotunda próximo da Avenida da República em Cascais. 

O ESCAPE fez questão de percorrer a Marginal um par de vezes, em momentos diferentes das vinte e quatro horas que um dia possui e em ambos os sentidos, colocando a roda da frente da Triupmh e a sua borracha gordinha em todos os centímetros de alcatrão. 

Pelo caminho, ainda na secção alfacinha da estrada, pude recordar a incrível sucessão de edifícios históricos que nos acompanham, alguns deles Monumentos Nacionais. O Novo MATT e a velha Central Tejo; o moderno Museu dos Coches e o apaixonante Palácio de Belém. Mosteiro dos Jerónimos. Padrão dos Descobrimentos. Torre de Belém e o desafiante Centro Champalimaud. Nestes parcos quilómetros há muito mais História e inovação do que tempo para conhecer tudo. 

Chegado ao topo da colina do Alto da Boa Viagem, “outra” Marginal começa. Uma estrada costeira de classe verdadeiramente mundial, linda, que serpenteia e abraça o oceano. É tempo de inspirar bem fundo e deixar o intenso cheiro a maresia encher plenamente os pulmões. Gozar a suavidade da curva do Mónaco e da curva dos três pinheiros, saudar os vários Fortes que ainda hoje lutam diariamente com as ondas nem sempre dóceis, flirtar com as espumas de Carcavelos e percorrer a secção final da estrada para lá da Parede. Estrada esta que a cada quilómetro perdido de mediterrâneo ganha um outro quilómetro de atlântico. 

A nossa Marginal é singular. Haverá maiores e provavelmente algumas mais bonitas. Mas esta é única. E é única porque cada um de nós guarda para si a sua própria Marginal. As suas memórias, vivências, experiências e desejos. A “minha Marginal” é riquíssima, mas eu só posso contar aqui esta parte. O demais ficará lá, no mito…

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 Quem, o quê, onde, como, quando e porquê – não necessariamente por esta ordem… 


Concluída em 1937 (ou segundo outras fontes em Junho de 1942) a Estrada Nacional 6, também conhecida como “Estrada Marginal” tem actualmente o seu início no Cais do Sodré em Lisboa e o seu términus, cerca de trinta quilómetros depois, na Avenida da República em Cascais. Foi por este ESCAPE percorrida, centenas de vezes em ambos os sentidos. Para este texto em concreto foi percorrida duas vezes, dia e noite. Sob um vento norte cortante e gelado, no fim de Outubro de 2018, aos comandos de uma Triumph Bonneville Speedmaster que gastou uns ridiculamente parcos quatro litros de líquido inflamável do bom por cem quilómetros de histórias de navegantes e espiões recordadas. A N6 é credora do nosso respeito. Faz parte do imaginário de varias gerações, em especial aquelas que viveram parte das suas vidas ao sabor “da noite”. Hoje, dezenas de milhares de pessoas servem-se dela diariamente nos seus percursos, nomeadamente para se deslocarem de suas casas para o trabalho algures na capital, olvidando-se as mais das vezes do privilégio que possuem por estarem ali naquele momento a calcorrear uma das estradas mais belas de Portugal e do Mundo.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Triumph Bonneville Speedmaster à Prova

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O ano passado, mais ou menos por esta época do ano, tive o prazer de Provar durante uns dias a Triumph Bonneville Bobber, uma moto que me alimentou a alma de uma forma extraordinária, como podem ler aqui (link). 

A Bobber é ainda aqui chamada porque esta Bonneville Speedmaster partilha alguns elementos com aquela sua irmã, a saber: motor (ainda que “arredondado”), quadro, transmissão, suspensões e alguns detalhes como o cubo da roda traseira com aspecto de travão de tambor, os guarda-lamas em aço e a caixa da bateria. Já o duplo disco na roda dianteira é herdado da nova Bobber Black, corrigindo desta forma um aspecto que mereceu, para alguns, nota menos na Bonneville Bobber 2017. 

Mas com alguns subtis toques a Speedmaster afasta-se claramente da sua mana. O sub-quadro traseiro que permite montar lugar para o passageiro, o farol dianteiro (DRL) com carcaça do ripo “nacelle” (um dos elementos mais marcantes das clássicas dos aos 50 e 60) e, sobretudo, a colocação dos “estribos” numa posição que permite “pés-pá-frente” tal como a montagem de um guiador do tipo “beach bar”, isto é, inclinado para trás.

Estes dois últimos elementos concorrerem para a natureza descomprometida e descontraída da Triumph Bonneville Speedmaster, natureza essa confirmada quando ligamos o motor e ouvimos o rouco ronronar. Engatada primeira, soltada a embraiagem docilmente assistida, tudo flui com elegância e suavidade assim que nos habituamos (rapidamente) à posição de pés e mãos.

Com dois modos de condução (Road e Rain), a Speedmaster revelou-se uma Cruiser clássica e romântica, que convida a sossegados passeios à beira mar ou rumo ao pôr-do-sol. Uma verdadeira “moto de marginal” - marginal, a estrada, entenda-se – que veio mesmo a calhar para ilustrar esta (link) serie de textos e deambular pela mítica (sim, esta sim, é mesmo mítica) Estrada Nacional 6 - para ler mais tarde aqui neste ESCAPE.

Suspensão traseira um pouco seca, espelhos bonitos mas ineficazes e um lugar de passageiro demasiado exíguo para o tamanho de certos “backside”, são aspectos menos positivos. Tudo amplamente compensado quando decidimos despir a pele de cordeiro à Speedmaster e colocamos os 106 Nm de binário máximo no asfalto (logo às 4000 rpm) no asfalto. 

Tal como a Bobber, a Triumph Bonneville Speedmaster desperta atenções, alimenta a alma e afaga o ego de quem a conduz. Tudo com uma economia deslumbrante. Foram gastos apenas 4,3 litros daquele líquido com cheiro forte e inflamável que tanto prazer nos dá gastar por cem quilómetros de brisa no rosto. A Triumph Portugal solicita-vos um cheque de 14.600€ para levarem uma delícia destas convosco.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Novas Triumph Scrambler 1200 XC e Scrambler 1200 XE

Ontem, quarta-feira, ao início da noite, a Triumph decidiu “roubar a cena” a partir de Londres; e numa operação bem montada, conseguiu colocar toda a gente - old media e new media – em todas as plataformas, a falar durante horas nas novíssimas Scrambler 1200 XC (on-road e off-road) e Scrambler 1200 XE (on-road e off-road plus). Bom trabalho! 


Atrevida, sedutora, natureza e substancia clássicas mas muita qualidade moderna. Alguns destaques? Motor bicilíndrico Bonneville “High Power” de 1200cc, 90cv às 9700rpm e binário bruto de 110 Nm às 3950 rpm. Suspensão traseira Ohlins, Forquilha Showa de curso longo completamente ajustável. Seis modos de condução, incluindo o Off-Road Pro na XE. ABS e controlo de tracção optimizados em curva. Comandos retro-iluminados. Keyless (arranque sem chave). Cruise control.

A personalização é também uma possibilidade com a Triumph a disponibilizar uma linha de mais de oitenta acessórios específicos em dois kits de equipamento disponíveis: kit “Escape”, que monta suportes de bagagem mais focado na viagem de aventura e kit “Extreme”, a montar acessórios que reforçam as capacidades off-road da moto. 

Desejosos de conhecê-la melhor, tal como eu? Certo, mas ainda vamos ter de aguardar um bocadinho…, os preços ainda não foram divulgados e as novas Scrambler só devem chegar ao mercado em meados de Março do próximo ano.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Mercado com primeiro semestre bem positivo mantém tendência em Julho

Os dados são oficias, referem-se a matrículas de motociclos novos (>125cc) nos primeiros sete meses do ano, e revelam uma subida de vendas de quase 20% face a igual período do ano passado. O Mercado dá sinais positivos e vai à boleia de Honda, Yamaha e…, Benelli.


Esta nova vida da histórica marca italiana não pára de surpreender. O crescimento está sólido e a manter tais níveis o ataque ao terceiro lugar da BMW será uma realidade. Do lado positivo destaque ainda para a KTM a crescer mais de 60%. 

A nota menos positiva vai para BMW, H-D e Triumph, com vendas, até este momento, abaixo de níveis de 2017. 

De regresso à Benelli e olhando rapidamente para dados referentes a matrículas de motociclos novos (>50cc), confirmamos o seu crescimento explosivo. Ai a italiana é já terceira colocada com um crescimento, nestes primeiros sete meses de 2018, de quase 300%. Brutal!

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Comparativo SuperEnduro 2018 MOTOCICLISMO Itália


Um dos melhores e mais dinâmicos meios de comunicação da especialidade da Europa, provavelmente do mundo, oferece-nos este mês de Agosto um comparativo de classe. 

As protagonistas desta análise são: BMW F850GS, KTM 1090 AdventureR, Honda CRF1000L Africa Twin e Triumph Tiger 800XCa. O cenário é de gala: alpes Italianos na olímpica e apaixonante zona de Sestriere. Os analistas sabem da coisa e a realização do clip chega a assumir, a espaços, rigor cinematográfico. 

Eu gostei muito e recomendo a visualização. Fiquem confortáveis e apostem quinze minutos da vossa vida a deliciarem-se com isto. E, no fim, tirem as vossas próprias conclusões. 


segunda-feira, 14 de maio de 2018

Triumph Tiger 800 XCa à Prova

Depois de em Fevereiro passado ter conhecido a surpreendentemente dócil e equilibrada XCa 1200 (link), foi agora tempo de explorar a irmã mais nova da mais recente ninhada britânica de felinos travessos. 

Vários motivos concorreram para que, desta vez, tenha ficado muito aquém dos quilómetros que gosto de fazer para conhecer uma mota. Ainda assim, não me posso queixar muito. Um fim de tarde, serra acima, serra abaixo, em Sintra, ao qual se juntou um dia de normal utilização diária da mota por Lisboa, deixaram claro que estamos na presença de uma mota com personalidade. Sim, mas que tipo de personalidade? 

Sejamos claros, esta XCa (“X” porque sim; “C” de campo e “a” de aventura) não esconde ao que vem: estamos perante uma pura trail substancialmente diversa da 800 XRx que tive o prazer de conhecer no ano passado (link). Este Tigre é afoito, foi desenhado para maus caminhos – desde logo na posição de condução elevada e na jante 21 polegadas na roda da frente - e quase que nos obriga a trilha-los. 

Confesso, deixei- me cair na tentação do Tigre sedutor e fui explorar o modo off-road (não provei o off-road pro que desliga todas as ajudas electrónicas) para onde dava mais jeito: os lindíssimos estradões da Serra de Sintra, aqueles onde toda a gente jura ser proibido circular mas onde aparentemente cada um faz o que bem entende… 

Sendo eu tão verdinho na condução fora de estrada como a paisagem de Sintra, não tive dificuldade de me colocar de pé, bem seguro nos largos poisa-pés, e tirar partido da excelente posição de condução e da elasticidade dos 95 CV e 79Nm do tricilindrico. Confesso que não morri de amores pela secura da suspensão dianteira (totalmente regulável) WP – pouco sensível quando o piso endurece - mas surpreendido positivamente quando foi necessário andar mais devagar ou manobrar a mota quase parada para “não ir por ali”. Os mistos Bridgestone Battle Wing também não me convenceram. 

Já na utilização diária da mota nada há a apontar. A nova Tiger 800 XCa (quatro modos de condução disponíveis para além do Off-Road e Off-Road Pro) é de facto competente e eficaz em tudo. Na cidade surpreende pela agilidade e na estrada torcida quase nos pede para curvarmos mais um bocadinho. 

Para retirar algumas dúvidas que tinham sido colocadas na noite tertuliana (link) decidi fazer algo que raramente faço: andar muito, muito depressa. Assim foi, a fundo na A5, em especial até ao “STOP” para pagamento em Carcavelos. Apesar de uma mota assim não ser desenhada e construída para estes “andamentos”, não notei quaisquer anormais vibrações. Muito pelo contrário, senti adrenalina num motor que em alto regime é verdadeiramente delicioso.

Admito, foi uma prova algo abusada. E no momento de reabastecimento na “ourivesaria” do precioso líquido inflamável, a factura saiu acima das expectativas. Pouco mais de cinco litros e meio por cem quilómetros de deliciosas travessuras felinas. Travessuras estas disponíveis em troca de um cheque no valor de 14.850€ que é o que a Triumph Portugal reclama por levarem para vossas casas este pequeno Tigre malandro.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Quarta Tertúlia do Escape


A Tertúlia do Escape chegou ontem à quarta edição. Cresceu, mas fico contente por mantermos os Valores da primeira edição. Em Setembro passado tivemos uma noite “surpreendentemente ecléctica que juntou velhos amigos companheiros de estrada, a malta nova que mal conheço” (link). Ontem o Espirito dessa noite fundadora manteve-se. E a partilha foi uma constante. 

Tal como em Fevereiro passado (link), na Tertúlia de Inverno, voltámos a contar com a honrosa colaboração da Triumph Portugal, que disponibilizou não uma mas duas Tiger 800 2018: uma XRT mais “asfáltica” e uma XCA de inspiração claramente “terrícola” – esta última a merecer Prova no Escape para breve. 

As jovens felinas britânicas serviram de ”desbloqueador” de uma conversa que começou nas raízes da indústria motociclistica europeia e acabou (para os mais resilientes) já perto da meia-noite nos gloriosos anos das brutais “quinhentos” a dois tempos e dos seus pilotos, heróis da nossa juventude. 

Não há muito mais a dizer a não ser: obrigado. Obrigado ao Paulo e ao João por nos receberem tão bem a todos, ao Vitor pela disponibilidade e partilha e obrigado, muito obrigado mesmo, a todos os que estiveram ontem connosco na Rod’Aventura.

A Tertúlia do Escape voltará, em princípio, lá mais para o verão.

domingo, 6 de maio de 2018

Tertúlia do Escape – Edição Primavera

Tertúlia. É, na sua essência, uma reunião de amigos, familiares ou simplesmente frequentadores de um local, que se juntam de forma mais ou menos regular, para discutir vários temas e assuntos. 

Nas Tertúlias do Escape pretende-se discutir motas, motociclismo e viagens. À maneira antiga. Longe dos teclados, cara a cara e com uma cafezada por companhia. 

A primeira Tertúlia do Escape, aconteceu no fim do Verão passado (link). Já no Outono tivemos uma segunda edição (link). De forma algo surpreendente o salto qualitativo e quantitativo deu-se já em pleno inverno (link). Quase meia centena de tetulianos deram-nos o prazer da sua visita e aproveitaram para conhecer a nova Triumph Tiger 1200. 

Na altura novo encontro ficou prometido para a primavera. O prometido é devido e fechamos assim o ciclo das estações. A quarta Tertúlia do Escape vai acontecer já na próxima quarta-feira dia 9 de Maio, a partir das 20h30 no Espaço Rod’aventura, Avenida da Quinta Grande nº10-A, 2610-159 Alfragide - uma loja de acessórios de excelência e referência na Grande Lisboa, mas também um Espaço onde os motociclistas se podem reunir confortavelmente. 


E voltará a haver novidades. Para além da hospitalidade da Rod’aventura, a Tertúlia do Escape volta a ter a honra de contar com a colaboração da Triumph Portugal e do seu Director de Vendas e Marketing, Vítor Sousa. Desta feita não teremos uma mas sim três novíssimas e sedutoras Tiger 800 que serviram de mote a um belo serão de Motociclismo. 

Estão todos convidados. Aproveitem o regresso do tempo seco e de noites mais amenas. No dia 9 de Maio venham de lá encher o Espaço Rod’aventura. Todos são bem-vindos!

domingo, 25 de março de 2018

Esta é a história de quem ansiava passar este domingo a andar de mota

As últimas duas semanas tinham sido passadas a Norte, em trabalho. Praticamente não tinha pegado nas(s) mota(s). A primavera tinha chegado e a meteorologia assinalava uma pequena janela de oportunidade na tempestade que se instalou durante todo o ultimo mês. Era agora…, tempo de andar de mota. 

Pelo facebook recebo um convite de adeptos da Triumph; um passeio apetecível, atravessar além tejo e rumar até perto de Espanha para umas migas e paisagens coloridas. Vamos a isso! 

Com a mudança para a chamada “hora de verão”, atraso-me ligeiramente. Ao chegar ao ponto de encontro seis minutos atrasado penso, “bem…, esta malta leva a sério o espirito britânico, e a pontualidade não foi esquecida”. 

Sigo no putativo encalce dos meus convivas…, sigo.., sigo e sigo, como fazíamos antigamente onde não havia telemóveis. Sigo até Montargil onde finalmente decidi parar. Não tendo encontrado ninguém até ai consulto o “dispositivo móvel”: “CANCELADO”! Como assim?!? A esperança de um belo dia tinha claudicado perante a ameaça de permanência da tempestade…, Marvão rimou mesmo com não…, tinham todos voltado para o quentinho dos lençóis. 

Juro! O primeiro plano B foi cogitar em subir até à Estrela para ver a Neve. Mas ainda faltavam duzentos quilómetros e a AT está à beira dos 12K e da respetiva revisão. Espera…, plano B do plano B…, o Adventure Days by SW-Motech andaria pela zona…, e os meus amigos das CRF’s também.

Um telefonema depois…, e parti feliz da vida para um pequeno e cuidadoso fora de estrada pelas novas velhas margens de Montargil muito acima das deste dia (link), já com nova almoçarada no horizonte. 

Ao chegar a Foros de Domingão, ali perto de Ponte de Sor, encontrei na sua Sociedade Recreativa e Cultural o momento final do Adventure Days by SW-Motech. E, bem mais do que isso, encontrei velhos e novos amigos que me receberam como sempre e me acolheram para um belo repasto. 

E pronto…, lá tivemos que passar a tarde entre enchidos dos deuses, umas migas deliciosas, tinto saboroso, cavaqueira da boa sobre viagens que se fizeram e que se desejam fazer. Memorável! É tão bom ser motociclista…, andar por ai…, desencontrar, encontrar e abraçar esta paixão que nos une: o motociclismo! 

A quem me recebeu assim, tão bem, na edição 2018 do Adventure Days by SW-Motech só posso agradecer. E a única coisa que lamento é não ter passado convosco todo o fim-de-semana. 

E pronto…, esta foi a história de quem ansiava passar este domingo a andar de mota. Obrigado!

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Triumph Tiger 1200 XCa à prova

Phantera tigris é o nome científico do tigre mamífero carnívoro da família dos felídeos, que habita o continente asiático. São animais extremamente territoriais e solitários, classificados como superpredadores. O Tigre é o terceiro maior carnívoro terrestre, atrás apenas do Urso-polar e do Urso-de-Kodiak. É um dos animais mais carismáticos do mundo.

O novíssimo “mamífero” da Triumph impressiona pelas suas dimensões. Mas até aqui nada de novo, estamos cada vez mais habituados a tais medidas. Ainda antes de (tentar) domar o felino aprecio-o. Fascinam-me os ângulos dramáticos da zona frontal da mota, aprecio o belo encaixe, denunciante de conforto, do conjunto banco-deposito e seduz-me o aspecto robusto. 

LED, TFT, DLR, “joystick”, “ride-by-wire”, “Triumph Shift Assist”, “cornering ABS”, IMU, TSAS, “hill hold”, “cruise control” e “keyless”, enfim “keyless… 

Após alguns minutos de necessário briefing tecnológico, com os primeiros quilómetros ainda na cidade, a palavra-chave desta prova começa a revelar-se: equilíbrio. Esta “phantera tigris” revela-se dócil e surpreendentemente fácil de passear pelas ruas de Lisboa. 

Equilíbrio é o que vamos também encontrar quando surge o asfalto retorcido dos campos a norte da capital, agora pintados de inverno. Aqui, para além dos dentes afiados do tricilíndrico, dois elementos tecnológicos se destacam. A excelente suspensão semi-activa WP e a eficaz troca de caixa electrónica - que funciona nos dois sentidos. Ah…, e como sabe bem mergulhar a categórica frente numa curva afiada e ouvir o roncar do sistema de escape da Arrow, com silenciador em Titânio revestido a carbono, com o gás aberto à saída. Sim meus caros, o ronco é o som típico emitido pelos tigres. 

Nos grandes espaços, as auto-estradas, e recorrendo ao controlo electrónico de velocidade de que aprendi a gostar tanto, mais equilíbrio e…, conforto (excelente a protecção aerodinâmica e a posição de condução). Aqui a Triumph Tiger 1200 XCa, faz jus à sua natureza de superpredadora e engole asfalto com prazer…, deixando o desejo e o sonho de a carregar “até às orelhas” e partir à aventura. 

Não vale a pena inventar, ou virar a mota do avesso, na busca de um ponto menos positivo só porque sim ou para ficar “bem”. No entanto digo-vos que este “carnivero” é guloso, bebendo pouco menos de sete litros de líquido inflamável do bom, por cem quilómetros de sorriso que nos coloca nos lábios.  

Numa palavra (e assumindo que ficou por prová-la fora de estrada) a Triumph Tiger 1200 XCa, assume-se como um colosso tecnológico (v.g. seis modos de condução com inúmeras possibilidades de configuração) que vem para ombrear com a concorrência e muito provavelmente bater boa parte dela. 

A Triumph Motorcycles Portugal pede 21.350€ para partir com esta “Marine” topo de gama por esse mundo fora, um preço muito interessante tendo em conta a mota em si e o nível elevado de equipamento oferecido.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Terceira Tertúlia do Escape

Três palavras: surpresa, paixão, obrigado. 

Surpresa. Quando, no final do verão passado, desafiei o Paulo para fazer isto (link), com continuidade aqui (link), estava longe de imaginar que à terceira fosse de vez. Ou seja, não imaginei, não imaginamos, o salto qualitativo e quantitativo que estes encontros informais para falar de motas, motociclismo e viagens obtivessem à terceira manifestação.

Paixão. Como o Vítor enunciou é apenas este o segredo (mal guardado) do sucesso. Uma troca de mensagens de correio eletrónico, um par de telefonemas, e estavam lançados os dados. Acaba por ser fácil fazer algo diferente quando o que nos une é a Paixão pelo motociclismo. 


Obrigado. Ao Paulo (e ao João) pela humildade e hospitalidade. Ao Vítor pela disponibilidade, honestidade e também simpatia por algumas palavras que me surpreenderam. Mas, sobretudo muito obrigado à quase meia centena de motociclistas que aceitaram o desafio, encheram a casa e participaram ativamente nesta rica Tertúlia – tudo isto só faz sentido com a vossa presença. 

Como tenho vindo a dizer neste Escape, e o Vítor sublinhou a certa altura, vender uma mota ou um acessório não tem de ser apenas um mero negócio. Deverá ser sempre muito mais do que isso porque o motociclismo é: espanto, paixão e agradecimento. 

A Tertúlia do Escape voltará em breve. Provavelmente, algures na primavera. Já não falta muito. Até lá: andemos de mota!
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