sábado, 26 de dezembro de 2015

Boxing Day no próximo Oeste

Escapar…, nada melhor do que uma “voltinha saloia” para ajudar à consolidação das calorias exageradamente ingeridas nos últimos dias. 

Apesar dos seus seis meses de vida, esta foi apenas a primeira voltinha do género, excetuando a necessária rodagem. 

Varias coisas: contínuo a não gosta do conforto da Crosstourer; continuo a adorar o DCT. Continuo a não gostar da entrega de potência nalguns momentos; continuo a adorar o comportamento da mota. Pela primeira vez fiz uma pequena incursão fora de estrada num caminho lento com pedaços de areia. Estou longe de ser um “terrícola” mas não desgostei de andar longe do asfalto…, acho…, que a malta das novas Africa Twin vai adorar a versão DCT. 

Outras coisas: fim de Dezembro, dezoito graus, sol, asfalto seco e limpo e…, quase-zero motas na estrada. Esta pequena volta de cerca de 150 quilómetros, por boas e retorcidas estradas da Região de Lisboa, foi da urbe ao Oceano furioso e deste às colinas do bom vinho da Região. É um passeio curto, eclético e com alguns troços de estrada de classe mundial ao nível do divertimento na condução. Como entender então o “quase-zero motas na estrada”? Eu sei…, mas prefiro não dizer…, como prefiro não falar muito no itinerário que na sua melhor parte apresentava-se absolutamente deserto de qualquer tipo de veículos. 

Ao regressar a casa: soube-me a pouco!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

É Natal ninguém leva a mal

Só hoje, já vi dois acidentes graves. Por volta das oito horas da manhã, na saída da Ponte Vasco da Gama sentido Sul-Norte, um carro capotado em embate com um pesado; por volta das catorze horas, um ligeiro destruído no eixo Norte-Sul junto a Telheiras. 

A quantidade de pequenos toques a que assisti nos últimos dias é inacreditável.

O comportamento dos peões chega a roçar a anormalidade…, ainda há pouco duas senhoras paravam bem no centro de uma Passadeira (muito movimentada) para beijinhos e votos de Boas Festas.

Também hoje, um enlatado decidiu embirrar comigo (quase me mandando ao chão) por eu estar a circular à velocidade máxima permitida naquele segmento de “70” da CRIL. Quase “atropelado” por cumprir a lei… 

Como se costuma dizer…, anda tudo com “os cornos no ar”.

Nada justifica este comportamento acéfalo dos diferentes utilizadores da via pública na época das Festas. 

Tudo isto soa ainda mais estranho quando vens de uma semanas passadas numa terra onde todos, sublinho todos, cumprem escrupulosamente todas as regras do direito estradal. E da sã convivência em sociedade, já agora…

Dar ao kick

Pouco mais de um mês depois…, após um saboroso interregno…, é tempo de voltar a “dar ao kick”, pôr o motor a trabalhar fazendo soar este Escape. Warning..., sempre que tenha o seu veículo parado durante alguns dias não se esqueça de verificar a pressão dos pneumáticos.

Sim..., é tempo de Natal. E depois? Os anos passam e cada vez há menos pachorra para as vetustas tradições. Quando estiver enfadado de tanto doce e vinho do Porto…, daquela Tia chata que não se cala…, do barulho de criancinhas irritantes que só vê duas vezes por ano…, Escape! Escape, porque o Escape Mais Rouco escolheu precisamente os próximos dias para iniciar o regresso à boa forma.

E escape ainda…, porque as revistas andam com vontade de mostrar serviço e estão ai todas com a nova Africa Twin na capa (originalidades…), Escape porque o Dakar voltou e vai marcar indelevelmente as próximas semanas, Escape porque as novidades de Milão vão chegando, Escape porque sim.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Alpes 2015 (IV)

(Tempo de regresso…) 

Adiante que tal como a maré não espera pelo surfista, o tempo não espera pelo motociclista. Neste dia ainda havia o Col du Grand-Saint-Bernard, parte do Vale de Aosta e finalmente o Col du Petit Saint-Bernard para desfrutar. Entre França e Itália, tudo em linha com altíssimo nível desta viagem. Aqui, honestamente, soube me a pouco. Se motivos faltassem para querer um dia regressar, a vontade de fazer o Grand-Saint-Bernard em sentido inverso – de Sul para Norte, ou seja de Itália para França – é mais um deles.

Último dia de alta montanha. Esta viagem estava a terminar. E terminaria como, quase quinze dias antes, tinha começado. Com uma enorme vénia do mototurista às mais altas estradas europeias. Passadas as populares estâncias de Tignes e Val-d'Isère, o menu “du jour” oferecia-nos o Col de l'Iseran, onde os 2770 m ficaram registados como o ponto mais elevado desta jornada. Depois…, era tempo de fechar esta viagem alpina com chave de ouro ascendendo primeiro ao suave mas muito bem asfaltado col du Télégraphe e depois, enfim, ao Col du Galibier um das mais icónicas passagens de montanha alpinas. 

De regresso fugaz a Itália, à noite em Torino, entre ricotas, mozarelas, crudo di parma, uma última diavola e um jovem tinto de Reggio Emilia as voluptuosas formas das estradas alpinas eram já uma miragem. Havia que ganhar fôlego para um regresso, em dois dias, à casa de partida. Sejamos claros, as ligações casa-Alpes-casa não são os trajetos mais agradáveis de se fazer. Mas, entre uma e outra garfada da única gastronomia italiana o pensamento é claro: tudo vale a pena quando a alma é motociclista!

Dakar 2016 apresentado...


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Salão de Milão começa em grande

O EICMA 2015 ainda nem sequer abriu as portas e já criou furor bastante entre as hostes motociclistas. Ducati, Honda e Yamaha decidiram já hoje levantar parte do véu das novidades a apresentar na catedral dos Salões mundiais do motociclismo. 

As notícias correm por ai nas diferentes curvas da Rede da imprensa especializada nacional e mundial. Deixo-vos apenas as imagens em movimento desta agradável surpresa: Ducati Multistrada 1200 Enduro.

Que tal?

domingo, 15 de novembro de 2015

Alpes 2015 (III)

(Fazia calor em Munique.., era verão; e alguns litros de cerveja depois….)

A segunda semana de viagem começou tranquila, com um dia de “quase-ligação”, onde o único “modesto” destaque vai para alguns dos mais pitorescos troços da Romantische Strasse – junto aos famosos castelos Bávaros – e da Deutsche Alpenstrasse junto a Immenstadt no sudoeste alemão. 

Até que chegou, voltando a utilizar a terminologia velocipédica, a “etapa rainha”, Suiça Central: Klausenpass, Andermatt, Gotthard Pass, Nufenenpass, Furka Pass, de novo Andermatt, Susten Pass e por fim Interlaken. Há dias assim nas nossas vidas; que nos deixam absolutamente sem palavras para descrever quão bons são. Pouco mais de trezentos quilómetros no paraíso do asfalto, o Éden das curvas, as Maldivas do mototurismo. Se São Gotardo e o Furka, com o seu vizinho glaciar do Reno, são clássicos que todos já ouviram falar e alguns privilegiados já puderam explorar, o Nufenen (Passo di Novena para os italianos) – o mais elevado de todos eles a quase 2500 m – é provavelmente das mais remotas portas de entrada suíças no denominado cantão italiano; oferece ao mototurista (mais) um percurso delirante com paisagens catárticas, quase nos fazendo querer que conduzimos o nosso motociclo pelos eternamente alvos telhados da europa. Sem medo das palavras: um dia de motociclismo absolutamente épico!


Um festim assim merece algum descanso. Foi o que fizemos no dia seguinte na charmosa e estupidamente cara Interlaken. O que não faltam são motivos para fazer um “stop” na apaixonante cidade alpina, haja dinheiro: visitar Grindelwald, Lauterbrunnen e o sumptuoso vale com o mesmo nome, escolher um dos muitos percursos pedestres para fazer uma caminhada, perder a cabeça e fazer um salto de parapente entre as montanhas afiadas, mergulhar nas águas do Thunersee, admirar o espantoso Jungfrau, apanhar o caríssimo comboio que nos leva até ao glaciar ou, simplesmente, dar mais um passeio de mota em torno dos lagos e pelas vilas e aldeias da região.

Interlaken marca o princípio do fim da viagem que vocês vão desejar fazer. Mas ainda havia mais magia guardada para o dia seguinte; um daqueles estranhos dias em que o viajante toma pequeno-almoço na Suíça, almoça em Itália e janta em França. Logo a seguir à primeira refeição do dia a despedida da fantástica Suiça Central com a rápida e excelente subida aos mais de dois mil metros do Grimpselpass. Já na descida tempo para último olhar ao trabalho milenar do Reno e ao apaixonante Furkapass que agora fica definitivamente para trás. Caso note alguma emoção nas minhas palavras, nota bem. Quem ama andar de mota, quem adora uma boa e retorcida estrada bem asfaltada, não deixa de ficar emocionado com a despedida…, quereremos voltar sempre, nunca sabendo se isso será possível. 

(continua…)
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