segunda-feira, 27 de junho de 2016
domingo, 26 de junho de 2016
A propósito da prova à Honda CB500F

Entre nós a Honda CB 500 não é apenas mais uma mota mas sim uma pequena instituição.
Quando por cá chegou, algures em 1993, ainda não havia cartas de condução segmentadas como hoje. Todavia, a média cilindrada da Honda veio ocupar um espaço muito importante. Nos diferentes grupos que conheci à época, existia sempre um ou mais CBzão - como alguns dos seus proprietários a apelidavam.
Esta mota dos anos finais do século passado, era uma espécie de pequena clássica relativamente actualizada. Quadro tubular, bicilíndrico paralelo, duplo amortecedor atrás e apenas (pelo menos nas primeiras versões) disco no travão na roda da frente. Tudo muito espartano, tudo muito económico e tudo muito eficaz.
Tal frugalidade não impediu a CB 500 de se estabelecer com um inegável sucesso. Muitas fizeram dezenas de milhares de quilómetros e, ainda hoje, a CB 500 “anos 90” é uma mota procurada e valorizada.
Mas a CB 500 não nasceu alí nos anos 90. A CB 500 nasce lá nos anos 70, um pouco mais cedo que eu. Tinha o dobro dos cilindros um ar absolutamente clássico e muito estilo. Infelizmente nunca conheci nenhuma…
sábado, 25 de junho de 2016
sexta-feira, 24 de junho de 2016
Um fluxo constante de sonho
Como terá dito Orson Welles, “o cinema não tem fronteiras nem limites, é um fluxo constante de sonho”. Enfim…, começa hoje, dia 24 de junho às 20h00 a primeira edição do Lisbon Motorcycle Film Fest.
Além dos doze filmes que serão exibidos ao longo dos três dias do evento, será possível ainda contemplar cinco motos que estarão expostas no foyer do Cinema São Jorge: Yamaha V-Max 60Th Anniversary, Moto Guzzi Eldorado, BMW Concept Ninety, BMW Concept 101 e BMW Concept Path 22; de sublinhar que é a primeira vez que os três protótipos da BMW Motorrad serão expostos em Portugal.
Também no foyer do Cinema São Jorge, estará patente a Exposição X-STUDIO promovida pela NEXX Helmets, que desafiou alguns dos melhores artistas, ilustradores e tatuadores portugueses para aplicar o seu talento num capacete, como se fosse uma tela em branco.
Na vida, tal como no cinema, o tal fluxo constante de sonho fez nascer este festival. Passem pelo São Jorge, vai, seguramente, valer a pena.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
BMW K 1600 GT à prova
Que tipo de motociclista és tu?
Fica sempre bem começar um texto com uma questão. Que tipo de motociclista és tu, afinal? Agora que pensas nisto…, a resposta não parece assim tão fácil ou óbvia.
E quanto a mim? Que tipo de motociclista serei? Pois…, quando colocamos determinadas interrogações é que são elas, como se costuma dizer.
Esta verdadeira rainha do asfalto é por demais conhecida, já todos algum dia lemos ou ouvimos alguém falar dela. Do seu motor vivo e desejoso de punho aberto, das suas suspensões excelentes, do sue conforto impar, da sua arreliante caixa (sim, está por construir a moto perfeita) e do seu comportamento exemplar.
De facto, a K 1600 GT da BMW não é uma moto para todos os tipos de motociclistas. É, desde logo, uma moto para aqueles que depois de a admirarem durante algum tempo, se sentam nela, a ligam, dão uma voltinha pelo extenso menu da parafernália electrónica, engatam a primeira, arrancam ainda meio a medo e, de forma instantânea, exclamam dentro do seu capacete: é lahhhh, mas esta moto sempre foi minha?!?
Confesso, para mim foi tal e qual assim, a hexacilíndrica foi amor ao primeiro arranque. E foi com (enorme) dificuldade que a tive de devolver ao seu dono. Pois esta é daquelas motos que nos fazem sentir novamente crianças. Um brinquedo que quer ser usado e abusado. Uma e outra vez. Sem parar. Uma moto que não cansa e apetece andar nela sem parar, até esgotarmos o nosso tempo disponível para tal.
quarta-feira, 22 de junho de 2016
segunda-feira, 20 de junho de 2016
Tempo de Cinema
Um Festival de Cinema dedicado às motos, motociclistas e motociclismo não é todos os dias. Em bom rigor, é mesmo a primeira vez que tal coisa acontece entre nós e…, logo aqui em Lisboa.
O cartaz da primeira edição do Lisbon Motorcycle Film Fest é composto por doze filmes, quatro longas e oito curtas, duas destas produções nacionais: “Salt Fever” e “Nossa Senhora das Corridas”, que terá no dia 25, sábado, a sua estreia mundial no Festival. Ainda nas curtas, destaque para a mais recente produção da Deus Ex-Machina, “South To Sian”.
Para fechar cada dia do festival, teremos uma longa-metragem: “Out Of Nothing” na sexta-feira, “The Greasy Hands Preachers” no sábado e no domingo, a exibição da sequela “On Any Sunday” e “On Any Sunday: The Next Chapter”.
Lamentavelmente todos os filmes serão exibidos na versão original, ou seja, sem legendas – alago certamente a rever em futura edição.
Não percam!
domingo, 19 de junho de 2016
Um sucesso de Manif
Ser ou não ser…, a eterna questão.
No final dos oitenta…, 88 ou em 89, as motos acima de uma determinada cilindrada pagavam 40.000$00 (quarenta mil escudos ou quarenta contos como quiserem; hoje duzentos euros) de Imposto de Luxo. Leram bem…, quase todos os motociclos pagavam um imposto extraordinário equivalente a duzentos euros actuais. Muito dinheiro? Agora imaginem “nos oitenta” do seculo passado.
Estive lá! Na Manif. que ajudou a finar esse imposto. Estive lá de numa “casal de cinco”, a minha primeira mota…, que perdia o filtro de ar sempre que passava por cima de um buraco. Lembro-me que chovia…, a minha “cinquenta” de pobretanas fazia um barulho do inferno e o pessoal dos “motões” olhava-me com bonomia.
Hoje fiquei algo desiludido com a adesão à Manif contra as Inspeções Obrigatória tal como as querem impor. Mas…, os que foram, os que “são”, os que são verdadeiros motociclistas, fizeram passar muito bem a sua mensagem. Vão ter de contar connosco, vão ter de nos ouvir, antes de aprovar medidas acéfalas.
Parabéns aos que disseram “presente” por esse país fora e…, parabéns à comunicação social generalista que soube fazer o seu trabalho.
sábado, 18 de junho de 2016
O retrocesso na morte de Salom
[Aqui (link), a propósito do desaparecimento de Fabrizio Pirovano, reproduzi um texto de Paulo Araújo. Muito simpaticamente, o Paulo, convida-me a reproduzir novo texto seu…, desta feita uma excelente reflexão sobre o recente trágico desaparecimento em pista do jovem Luis Salom. O texto é algo longo para um blogue mas é excelente. O Escape sente-se orgulhoso de ter a possibilidade de o reproduzir. Obrigado Paulo Araújo]
Que eu saiba, ainda ninguém viu a coisa por este prisma, até porque a conclusão carrega algumas conotações negativas. O facto é que a morte de Luis Salom, há dias no GP da Catalunha, inverte uma tendência que durava há mais de 13 anos, desde a morte, não totalmente dissemelhante, de Daijiro Kato em Suzuka a 20 de Abril de 2003. A partir daí, atingiu-se um estado de segurança passiva (a que procura influenciar os factores quando se dá um acidente, ao contrário da segurança activa, que pretende evitar o acidente em primeiro lugar) de tal modo avançado que não parecia haver maneira de um piloto perder a vida.
Capacetes, leves, muito, muito resistentes, quer a impactos, quer à perfuração, e absorventes o suficiente para lidar com tudo menos as mais brutais forças de desaceleração, consistentes com atingir um objecto imóvel, como uma parede. Fatos com proteções duras nos sítios críticos e flexíveis nos outros, capazes de lidar com o deslizar em alcatrão a mais de 200 Km/h, sem efeitos adversos para o piloto. Luvas e botas bem acolchoadas e blindadas nos sítios certos. E, claro, circuitos onde as já raras barreiras colocadas suficientemente próximo da pista para constituírem uma ameaça eram protegidas com airfence, a invenção insuflável australiana que decerto já salvou algumas vidas.
Basicamente, um piloto podia cair, bater no chão, raspar e deslizar até se imobilizar sem riscos de maior, talvez uma fractura ou outra. Decerto sem risco de vida. Com uma aterradora excepção: no ambiente ultracompetitivo das corridas de hoje, em que não raro quatro ou cinco pilotos disputam o mesmo pedaço de alcatrão, ser colhido por outra moto assim que caia.
Todos, marquem bem o que digo, todos, os acidentes fatais ocorridos em Mundiais desde a tragédia com Kato, foram desta variedade: Craig Jones a 4 Agosto de 2008 em Inglaterra, Shoya Tomizawa a 5 de Setembro de 2010 em Misano e, claro, o saudoso Simoncelli a 23 de Outubro de 2011. Todos eles colhidos a tal velocidade por uma, ou várias motos, que seguiam em tal proximidade que a colisão era inevitável. As lesões internas resultantes da absorção de forças de tal ordem ditam que, por mais que as equipas médicas se esforcem, o desfecho terrível, impensável, é também o único possível.
E chegamos então a 3 de Junho, há dias. Luís Salom não foi colhido por outra moto: deslizou a grande velocidade para fora da pista, não foi travado, nem a sua moto, por uma área de gravilha inexistente, e ambos foram, portanto, bater na airfence a grande velocidade. O dramático, e a chance num milhão, foi ter a moto levantado no ar exactamente no momento em que o piloto maiorquino chegava a tempo de cair em cima dele logo a seguir, esmagando-o..., uma variedade do atropelamento em pista, mas esta controlável, evitável, até.
A substituição recente de grandes áreas de gravilha por alcatrão tem por fim poupar estragos aos veículos que se despistam, dando-lhes uma hipótese de recuperar controlo. Quando um piloto cai e a sua moto chega lá já em deslize, em vez de perder velocidade, continua no seu trajecto sem perder quase balanço – e bate na primeira coisa que estiver à frente ainda muito, muito depressa e com muita, muita força…, vamos ter de equacionar o que vale mais salvar: uma quantidade de fibra e chapa e componentes mecânicos, ou vidas humanas.
sexta-feira, 17 de junho de 2016
Participação e responsabilidade
Participação é o que se pede a todos os motociclistas, sem excepção, nas várias demonstrações que vão ser efectuadas no próximo domingo, de Norte a Sul deste nosso Portugal. Participação e responsabilidade. Os motociclistas querem ser notícia pela sua opinião relativamente às Inspecções Periódicas. Os motociclistas não querem ser “a” notícia. Não sei se me faço entender…
Deixo vos ainda, uma pequena parte do Manifesto a entregar na Assembleia da República.
“Os motociclistas não estão contra as inspecções periódicas e obrigatórias às motos! Não aceitam é que as inspecções sejam movidas, única e exclusivamente, por meros interesses económicos e que se tente justificar esta decisão com falsos argumentos de segurança.
Os motociclistas são a favor das inspecções desde que estas representem uma mais-valia efectiva para a prática do motociclismo. O que não se prevê considerando até o panorama das “inspecções periódicas obrigatórias” em vigor para outros veículos.
Os motociclistas querem ser parte integrante do processo, contribuindo com a sua experiência para tornar as inspecções efectivamente relevantes”.
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