quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Limalhas de História #42 – 14 de Setembro de 1969

Angel Nieto. Não foi um homem qualquer. Desde adolescente, pobre, que perseguiu de forma corajosa e determinada o seu sonho. Deixou-nos o mês passado de forma trágica e abrupta. Não foi um homem qualquer. É um herói em Espanha e um exemplo para todos nós motociclistas. 


Faz hoje exactamente quarenta e oito anos. Opatija Circuit, Yugoslavian motorcycle Grand Prix inaugural, hoje belíssima cidade croata com os pés de molho no Adriático. Nieto arrecada com a Derbi o seu primeiro título mundial; o primeiro título mundial para o motociclismo espanhol. Repito, faz hoje exactamente quarenta e oito anos, que a incrível história dos nossos queridos vizinhos começava a ser escrita. Enorme vénia a “El Niño”, que descane em paz. Viva España!

Nova Goldwing em 2018?

É já muito mais que um mero rumor! 

Nas últimas semanas os media on-line, por esse mundo fora, não conseguem esconder o entusiamo. Os planetas alinham-se para que uma nova joia na rica coroa da asa dourada esteja para ser revelada em breve. 

Do que se fala por ai? Novo motor Padrão Europeu EURO 5; DCT; modos de condução; uma nova e ambiciosa forquilha dianteira; suspensões electrónicas e semi-activas; ABS cornering. Só? Naaaa…, há quem assegure uma verdadeira revolução tecnológica: motor hibrido, caixa de sete velocidades robotizada mais marcha atrás, controlo de estabilidade, airbags… 

O que vemos na imagem é um mero exercício especulativo, quão perto estará da realidade?

O que sabemos ao certo? A Rainha actual está pré-aposentada após mais de década e meia de reinado. O Tokyo Motor Show abre portas à comunicação social daqui a pouco mais de um mês, precisamente a 25 de Outubro. A Honda promete, em vídeo, novidades relevantes para o dia anterior, 24 de Outubro. Vejam...

terça-feira, 12 de setembro de 2017

O que é que uma Bobber tem?

Vamos lá ver uma coisa. Clássicas modernas ou modernas clássicas? Fácil...

Moça bonita ou bonita moça? A Moça é a substância; a beleza é uma qualidade que a moça tem. Moça, substantivo, bonita, adjectivo. Com as motas é tudo igual…, são clássicas pela substância e para além disso possuem a qualidade de serem modernas. Clássicas modernas, estamos entendidos? 

De entre as clássicas modernas vamos encontrar as Bobber. Quem? Isso, querem ler? 

A Honda, por exemplo, anuncia a sua CMX500 Rebel como “uma moto compacta, estilo “Bobber, que alia o estilo tradicional e autêntico à tecnologia moderna”; cá está substância autêntica com atributos (qualidades) modernos.

Já a Triumph defende que a sua “nova Bonneville Bobber (…) sintetiza perfeitamente os princípios de estilo minimalista e a postura musculada de intencionalidade de construção de uma Bobber autêntica”. 

Notem, Honda e Triumph reclamam em uníssono: autenticidade! Pois muito bem, mas de que é feito essa autenticidade, ou, por outras palavras, qual o ser em si, a ontologia de uma Bobber? 

Nascida nos Estados Unidos da América, ainda antes da Segunda Guerra Mundial, a Bobber, originalmente denominada “bob-job”, é uma mota customizadas (modificada, adaptada, personalizada) e surge da necessidade que os motociclistas tinham de se ver livres do peso supérfluo em corridas de “dirt track” e “hill climbing”. Este era, à época, o único processo possível que o motociclista comum tinha de incrementar velocidade e performance à sua máquina. 

Ao falar em “Original Bobbers” temos de, por um lado, recuar aos eventos motociclisticos dos anos 30, 40 e 50 do século passado e, por outro (este bem mais fácil), ver o clássico “The Wild One”, O Selvagem, filmado em 1953 e protagonizado por um jovem Marlon Brando (Johnny) e Lee Marvin (Chino). Ali, Brando conduz a sua Triumph Thunderbird 650 importada e Marvin uma Harley Panhead modificada, segundo alguns, a verdadeira “Oldschool Bobber”.

Pois bem, resta saber se Honda e Triumph conseguem com a CMX500 Rebel e a Bonneville Bobber fazer-nos recuar, ainda que actualizados tecnologicamente, ao espirito selvagem e livre de uma mota com personalidade, simples, leve, rápida e que se destaque esteticamente das demais. 

Sim, adivinharam. Nos próximos dias vamos ter motas diferentes aqui pelo Escape. E isso é mesmo muito bom!

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Limalhas de História #41 – 10 de Setembro de 1950

Parece impossível. Depois de trinta e nove limalhas de história por referência ao dia em que são publicadas, à quadragésima “pisei o risco”. Gostei, parece impossível mas hoje o snack é novamente de ontem. 

Parece impossível mas houve um tempo em que já foi assim como a imagem documenta. Ciclística sofrível, "abrandões" no lugar dos travões, tudo analógico, ausência total de protecção aerodinâmica, rosto desprotegido, um mero fato de cabedal, fardos de palha lá ao fundo, segurança próxima do zero. 

Fez ontem exactamente sessenta e sete anos. Leram bem, sessenta e sete anos. Autódromo Nazionale Monza, Itália. Grande Prémio das Nações, última etapa do Campeonato do Mundo de Velocidade - apenas o segundo a ser disputado. Umberto Masetti é segundo com a sua Gilera e bate Geoff Duke, Norton, por um ponto, tornando-se desta forma o primeiro italiano campeão do mundo de 500cc.

Honda CB150R ExMotion apresentada na Tailândia

A Honda apresentou na semana passada um novo e sedutor modelo para o mercado asiático, a CB150R ExMotion, que conta com todos os ingredientes para se transformar numa nova referência do segmento. A receita surpreende. 


Novo quadro com estrutura diamante, novo motor de quatro válvulas, desenho agressivo e musculado, luzes “full LED”, instrumentos “full LCD”, forquilha invertida, disco de travão dianteiro de 296mm com pinça de fixação radial e ABS com sensor de inclinação. Vivó luxo! 

Não seria a primeira vez que um modelo 150cc, apresentado lá nas terras onde o sol nasce, baixaria a cilindrada para chegar à Europa, adaptando-se desta forma às normas europeias. 

O Escape vê como forte a possibilidade de termos entre nós uma Honda CB125R ExMotion entre as novidades 2018.


domingo, 10 de setembro de 2017

Crosstourer Vs Africa Twin o derradeiro confronto em modo DCT

Atenção, muita atenção!! 

Aqui, como fazem certas revistas, não vão encontrar um comparativo cheio de quadros amaricados nem pontuações esdrúxulas. Aqui, como fazem outras revistas, também não vão encontrar o relato de uma “voltinha ao quarterão” por um grupo de amigalhaços. Aqui vão encontrar realidade. Cinco palavras: RE-A-LI-DA-DE. 

Isto não é um comparativo, caros amigos. Isto é um confronto de mais de 11000 (onze mil) quilómetros. Duvidas? Então, vamos lá… 

Sobre a Honda VFR1200X Crosstourer não tenho muito mais a acrescentar ao que aqui deixei (link). Se em viagem não me encheu as medidas, na cidade a sua fraca agilidade e elevado consumo fazia-me deixa-la abandonada na garagem. Fora de estrada? Nem sequer tentei…, não foi desenhada e construída para maus caminhos. Estamos conversados. 

Quanto à Honda CRF1000L Africa Twin…, esta foi muito amor à primeira vista (link). É sabido como estas paixões instantâneas podem trazer dissabores. Confesso, não estava cem por cento seguro da troca (link). Havia que ir para o terreno avaliar da coisa. Ahahahahha…, até eu me rio.., excelente desculpa para passar quinze dias a lamber asfalto do bom, para cima e para baixo, riscar e rabiscar o mapa na Disneylândia Alpina…, deixem cá dar outra gargalhada…, muahahahahaaaa… 

A “nova africana” não foi desenhada para o mototurismo. Eu fiz o que pude para a adaptar, dotando-a de um vidro mais alto (de origem Honda) e três poderosas malas Givi Trekker Outback, que me oferecem a maior “litragem” de sempre para viajar de mota. 

Em viagem a AT revelou ser uma excelente surpresa. Confortável quanto baste, em auto-estrada e acima do limite legal de velocidade, gasta que se farta com tanta oposição ao vento (7 litros aos cem quilómetros, plus). 

Se o motor da CT tinha decepcionado no Templo Alpino, imaginem o motor da AT. Pois…, é poucochinho para tanta subida e descida desenfreada. Mas a mota, assim que nos adaptamos à estranha medida do eixo dianteiro, acaba por ser muito versátil, fácil, dinâmica, “handling” e sobretudo divertida. O DCT, já se sabe, está cada vez melhor. A ciclística cumpre, não me queixo do afundamento dianteiro que por vezes alguns falam (e ela foi bem apertada!), a suave travagem dianteira é perfeita; infelizmente o disco traseiro está subdimensionado e sobreaqueceu ao ponto de deixar de trabalhar (o que se pode tornar muito perigoso) pelo menos duas vezes. Em 6294 (seis mil duzentos e noventa e quatro) quilómetros foram consumidos em média 6,3 litros do precioso líquido explosivo a que chamam gasolina - cerca de meio litro a mais do que em similar viagem com a Crosstourer. 

Já em casa, na manhã seguinte ao meu regresso, ainda de férias, deu-se um momento revelador. Há dois anos regressei dos Alpes na VFR1200X Crosstourer de papo cheio, feliz mas cansado; não voltei a pegar na mota tão cedo. Este ano regressei dos Alpes na CRF1000L Africa Twin de papo cheio, feliz mas cansado e fui…, andar ainda mais de mota. 

As dúvidas, enfim, dissiparam-se. Crosstourer e Africa Twin são suas motas muito boas em vários aspectos. Mas a CRF1000L bate a primeira em versatilidade, divertimento e, de forma surpreendente, conforto. 

Não admira pois que esteja a ser um gigante sucesso da Honda. Mais um. Ao ponto das motas usadas terem mais procura que oferta. O mercado tem sempre razão!

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

2ª Edição do RoadMiles é já em Outubro

Na primavera passada Rui Baltazar, Luís Lourenço e Jorge Gameiro decidiram tirar os mototuristas portugueses da sua zona de conforto e venceram claramente o desafio. A edição inaugural do RoadMiles - Motorcycle RoadBook Challenge foi um sucesso (espreitem aqui – link); ainda estava na estrada e já havia quem questionasse quando se repetia o desafio. 


O Road Miles - Motorcycle RoadBook Challenge é um evento que consiste num percurso de navegação a roadbook, podendo ser efectuado a solo ou em pequenos grupos, com o objectivo de realizar num só dia as 300 ou 500 milhas propostas. O percurso foi escolhido criteriosamente em função da sua beleza paisagística, histórica e cultural. Não tem carácter desportivo, tendo antes uma vertente lúdica e de superação de um desafio de resistência e força de vontade. Encontra-se aberto a todo o tipo de motas mas, na minha opinião, é só para quem ama verdadeiramente andar de mota.

Nesta 2ª Edição, já entre 20 e 22 de Outubro, o centro nevrálgico será Albufeira. As inscrições são limitadas e abrem em breve (link).

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Lisbon Motorcycle Pool Party

Ah e tal…, é sempre a mesma cantiga, sempre o mesmo tipo de eventos e nunca ninguém em tempo algum faz algo diferente. Pois, parem as lamúrias chegou a Lisbon Motorcycle Pool Party ou em português, festarola de motas numa piscina de Lisboa. 

Escutem…, “com o objectivo de celebrar o sucesso da 2ª edição do Lisbon Motorcycle Film Fest, decidimos reunir os amigos no Lisbon Marriott Hotel no próximo dia 9 de Setembro (sábado), das 15h00 às 22h00. A música ficará a cargo dos Cool Cat Club que farão duas actuações ao vivo e do DJ Chief Rodriguez, El Disco Joker que promete pôr a dançar os insufláveis da loja Capitão Lisboa que irão decorar a piscina. Fora de água, para refrescar a garganta de todos os convidados contamos com a Sailor Jerry e os fantásticos cocktails elaborados pela equipa do Paradiso - tiki & co”. 

Em exibição estarão motos oficiais da BMW Motorrad Portugal, Moto Guzzi Portugal, Indian Motorcycle e Honda Portugal Motos, além de mais 2 ou 3 motos transformadas, ainda por confirmar. 

A entrada é gratuita mas com reserva ao direito de admissão devido à lotação do espaço. Dress code: summer beach rider, seja lá o que isso for. Ah, não esquecer de cortar a unha do pé. 

Have fun…

Saca! #27


terça-feira, 5 de setembro de 2017

Pela “Route des Grandes Alpes” (V)

Após a sempre dura travessia da ibéria e do “Massif Central” - região elevada no centro-sul da França, composta de montanhas e planaltos (link), após um dia de sossego e mergulhos no lago Léman (link), era enfim tempo de mergulhar a frente da Honda CRF 1000L Africa Twin DCT nas dramáticas curvas das excelentes estadas da Suíça Central. 

Nota prévia. O que vem a ser isto de Suíça Central? Suíça Central é a “região” ou zona, assim apelidada por alguns guias de viagem, que fica encravada entre os cantões de Ticino, Valais, Berna, Uri e Grisões (ver imagem). 

Por outras palavras é a jóia da coroa do tal Templo que vos falei aqui (link) - Deus é a máquina que conduzimos. A crença é no prazer. E o Templo assume a forma de descomunal Disneylândia. 

O menu do primeiro dia de alta montanha incluiu uma passagem pelo pouco conhecido Col de Mosses, uma pausa refrescante nas margens do Thunersee (lago ocidental junto a Interlaken) e um primeiro e vigoroso ataque, bem acima dos 2000 metros de altitude, com direito a Grimselpass, Furkapass e Gotthardpass. 

A primeira voltinha no esfusiante carrossel alpino ficou marcada, por um lado, pelo tempo ameno e seco e, por outro, por uma estranha mas muito agradável sensação de familiaridade. Nada me retirava aquele sorriso estupido de alegria por estar num local magico que adoro de forma descontrolada. Queria poder estar ali sempre que desejasse. Desta vez estava. Mais uma vez lá voltava. E tudo corria de forma perfeita. 

A dormida fez-se em Airolo, Ticino, cantão italiano. Antiga importante comuna ligada ao comércio e ao Passo de São Gottardo, hoje apresenta algum abandono devido ao recente túnel rodoviário que afastou os forasteiros. Airolo é mais em conta monetariamente que as demais povoações fronteiras e tem algum sabor latino. 

A história do segundo dia de Disneylândia alpina é simples mas fica para um próximo post…, à que saborear as palavras…
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