terça-feira, 8 de maio de 2018

Limalhas de História #52 – 8 de Maio de 1994

Só para variar. Hoje o foco afasta-se dos homens e concentra-se nas máquinas. Numa delas em particular. E muito particular. 1994, 1995, 1996, 1997. Pausa. 1999 e 2000. Foi o tempo de vida de uma mota, ao tempo muito desejada, mas que garantiu pouca fama e nenhuma glória. 


Faz hoje exactamente vinte e quatro anos. Spanish motorcycle Grand Prix, Jerez de la Frontera, no agora rebaptizado Circuito de Jerez-Ángel Nieto. A enorme expectativa terminava e, com apenas 410cc, nascia a primeira Aprilia de Classe Rainha. A RSW-2 500 era mais leve e ágil do que as enormeeeeeesss “quinhentos” da Honda, Yamaha, Suzuki e Cagiva que dominavam a Classe. Loris Reggiani, obteve um auspicioso nono lugar no debute. Mas a máquina de Noale não voltaria a terminar uma corrida sequer nessa temporada. Nas demais, se não estou erro, contou apenas três subidas ao pódio e sempre no lugar mais baixo.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Honda CB125R à prova

“Outra?” questionou o vizinho Agostinho. “muito bem, que motão!”, sublinhou. O vizinho Agostinho já está reformado. Era da “tropa”, comando ou outra coisa qualquer. Não sei bem. E também não interessa para o caso. O ano passado comprou uma PCX só porque sim. Agora está rendido à jeitosa best seller da Honda. Nem o frio do inverno ou as chuvas primaveris o assustaram. E já olha para diferentes cilindradas. 

“Oh vizinho, mas pode conduzir esta com a sua carta, é uma 125cc”. O Agostinho não queria acreditar. Mas foi assim que lhe foi revelado o conceito “Honda Neo Sports Café” que a Honda plasmou em três motorizações bem distintas, 1000cc, 300cc e esta 125cc. 

O corpo aparentemente musculado e bem definido da “Black” é a primeira nota de destaque. Logo acompanhado pela qualidade de construção geral que esta 125cc transpira. O arranque é simples embora quem esteja habituado a mais potência se sinta momentaneamente desadaptado. 

Para o motociclista experiente, há que afinar o set up mental durante alguns quilómetros para entender o que está em causa. E o que está em causa é uma 125cc pontuda, com potência e binários máximos a surgirem para lá das 8000 rpm, uma caixa desinteressante – primeira demasiado curta, sexta demasiado longa – uma ciclista irrepreensível, posição de condução muito agradável, conforto surpreendente, suspensões e travões que são um mimo, tudo num “pacote” geral que ganha de goleada a batalha urbana (em certos momentos mais dinâmica mesmo que uma simples scooter), naturalmente o terreno de eleição desta nova miúda cá do bairro. 

Já o disse em outras ocasiões e voltei a afirma-lo, de forma subentendida, aqui (link) no post que lançava esta Prova. As novas gerações de motociclistas são bafejadas com uma sorte do caraças. Há quase trinta anos, os putos de dezasseis, dezassete anos da época iam amar uma mota assim. Resta saber onde andam os putos de hoje em dia… (enfiados num qualquer quarto a jogar uma patética consola….?!?!).

Como todos saberão, a qualidade paga-se, e os 4.390€ pedidos para meter esta Honda CB125R “debaixo do braço” pode não ser um valor convidativo. Ao contrário do consumo. Apenas três litros de líquido inflamável por cem quilómetros de cidade e arredores que num ápice são ultrapassados.

domingo, 6 de maio de 2018

Tertúlia do Escape – Edição Primavera

Tertúlia. É, na sua essência, uma reunião de amigos, familiares ou simplesmente frequentadores de um local, que se juntam de forma mais ou menos regular, para discutir vários temas e assuntos. 

Nas Tertúlias do Escape pretende-se discutir motas, motociclismo e viagens. À maneira antiga. Longe dos teclados, cara a cara e com uma cafezada por companhia. 

A primeira Tertúlia do Escape, aconteceu no fim do Verão passado (link). Já no Outono tivemos uma segunda edição (link). De forma algo surpreendente o salto qualitativo e quantitativo deu-se já em pleno inverno (link). Quase meia centena de tetulianos deram-nos o prazer da sua visita e aproveitaram para conhecer a nova Triumph Tiger 1200. 

Na altura novo encontro ficou prometido para a primavera. O prometido é devido e fechamos assim o ciclo das estações. A quarta Tertúlia do Escape vai acontecer já na próxima quarta-feira dia 9 de Maio, a partir das 20h30 no Espaço Rod’aventura, Avenida da Quinta Grande nº10-A, 2610-159 Alfragide - uma loja de acessórios de excelência e referência na Grande Lisboa, mas também um Espaço onde os motociclistas se podem reunir confortavelmente. 


E voltará a haver novidades. Para além da hospitalidade da Rod’aventura, a Tertúlia do Escape volta a ter a honra de contar com a colaboração da Triumph Portugal e do seu Director de Vendas e Marketing, Vítor Sousa. Desta feita não teremos uma mas sim três novíssimas e sedutoras Tiger 800 que serviram de mote a um belo serão de Motociclismo. 

Estão todos convidados. Aproveitem o regresso do tempo seco e de noites mais amenas. No dia 9 de Maio venham de lá encher o Espaço Rod’aventura. Todos são bem-vindos!

quinta-feira, 3 de maio de 2018

A propósito da Prova à Honda CB125R

Vou contar uma pequena história. Prometo ser breve. 

Nasci em 1972. E até meados dos anos oitenta nunca liguei muito a motas. A paixão pelo motociclismo não nasceu comigo, confesso. E lá em casa era mesmo altamente desaconselhada. Mas sempre gostei de motores, o gene de “petrolhead” estava presente. Só quando alguns amigos do liceu começaram a aparecer coma as Yamaha DT, RZ. Super Sport…, com a Honda NSR, comecei a sonhar com motas. E aquela segunda metade dos anos oitenta acabou por se tornar nos maravilhosos anos das “cinquentinhas”. 


Com muita dificuldade, esses mesmos amigos, lá me convenceram a ficar com a “mota do David”. Uma Confersil Cross Especial, mais ou menos destruída, que montava um motor Casal com caixa de cinco velocidade, forquilha dianteira Tabor, e um escape tipo megafone que à noite acordava meia Mouraria. 

Juro: foi um pesadelo aprender a andar de mota naquilo! Eu passava a vida no chão e a mota na oficina. Um dia encostei-a. Esteve nove meses parada, ao tempo. Quase desisti. Graças à inflação da época e a alguma “esperteza saloia” vendi-a pelos mesmos cinquenta contos que a tinha comprado. Foi dos dias mais felizes da minha vida. 

Não sei precisar quando foi esse dia, mas foi algures na primavera de 1991, faz agora vinte e sete aninhos. E nesse tempo, fins de oitentas, início de noventas, miúdos como eu não tinham cá acesso a “Neo Sports Café” de quadro tubular, forquilha invertida de 41mm, iluminação LED, instrumentos LCD, injecção electrónica e travões de disco com ABS de dois canais. Nem nos meus, nossos, melhores sonhos podia surgir algo parecido à nova Honda CB125R…

terça-feira, 1 de maio de 2018

Vadiagem da boa…


“À minha espera tenho o Manfred e uma Transalp 600 de 86 com 226.310 quilómetros pronta a enfrentar as estradas de Madagáscar. Pronta…, ou quase” (link).

Já lá vamos. Um dia escrevi aqui (link) que a nossa blogosfera motociclistica é um pouco como aquelas Estações de Serviço perdidas lá em nenhures onde já ninguém vai, onde já ninguém passa. Abandonada! 

Um desses pontos de abastecimento perdido nas Estradas da Rede reabriu recentemente. Necessita de obras, uma limpeza, vá. Mas voltou, pelo menos, a ter combustível para nos abastecermos. 

“Londres sempre foi uma caixinha de surpresas e desta vez não foi diferente. Afinal não é todos os dias que se acaba num quarto com cinco mulheres, uma das quais profissional de dança de varão”. Shockkkkk!! Assim começam, com um murro bem dado, os textos do Carlos Azevedo autor do Vadios Ilimitada. Aquele (link), por exemplo, onde entre outras coisas se conta uma fugaz visita ao famoso Ace Café londrino. 

O Vadios Ilimitada (link) tem treze anos, o que contraria a tese de que não existe uma blogosfera motociclistica; todavia só lá encontramos pouco mais de uma centena de textos, o que confirma a minha tese de que essa tal blogos existe mas que se assemelha a um velho posto de abastecimento de uma qualquer Route 66 agora parcialmente deserta. 

Pelo sim pelo não, antes que o letreiro “ESGOTADO” volte a figurar naquele estabelecimento o Escape recomenda vivamente uma visita. E se não conhecem a Estação de Serviço, percam-se nela.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Todos os dias são bons dias para… (VIII)

Amanhã não é um dia qualquer. É o Dia do Trabalhador! 

“Oito horas de trabalho, oito horas de lazer e oito horas de repouso”. Foi com esta reivindicação que a 1 de maio de 1886, em manifestação pacífica, milhares de trabalhadores do Estado de Chicago saíram às ruas. A polícia, sem aviso prévio, disparou sobre a multidão matando 10 pessoas fazendo dezenas de feridos. Os protestos terão continuado a 5 de maio de 1886. Os operários regressaram às ruas e registaram-se novamente feridos, com manifestantes a serem presos. 

Três anos mais tarde, no dia 20 de Junho de 1889, a segunda Internacional Socialista reunida em Paris decidiu convocar anualmente uma manifestação com o objectivo de lutar pela jornada de oito horas de trabalho. A data escolhida foi o primeiro dia de maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago. Já em 1890, os trabalhadores americanos viram a jornada de trabalho diária ser reduzida para oito horas.

Em Portugal, só a partir de maio de 1974, é que se voltou a comemorar livremente o Primeiro de Maio, e este passou a ser feriado. Durante a ditadura do Estado Novo, a comemoração deste dia era reprimida pela polícia. 

Todos os dias são bons dias para andar de mota. Celebremos. Está uma primavera um pouco estranha, fria. Mas amanhã não chove. Em homenagem a todos os que fizeram e fazem as nossas motas, adaptemos o slogan: “Oito horas de motociclismo, oito horas de lazer e oito horas de repouso”.

domingo, 29 de abril de 2018

Porquê o Cabo Norte?

Pois.., sim…, por que raio o Cabo Norte? 

O Cabo Norte faz parte do imaginário do motociclista português desde que me conheço como tal - motociclista português. 

O Pai da criança, como de muitas outras coisas no motociclismo português (deixo o juízo de valor para os meus leitores) é o Tó Manel. O Tó Manel fez a mítica viagem Cabo da Roca-Cabo Norte ainda nos anos oitenta de, penso eu, Honda ST 1100 Pan-European. Julgo que eu ainda não andava de mota à época e lembro-me muito vagamente de ler qualquer coisa nas velhinhas, idolatradas, Motojornal a preto e branco. 


Não querendo ser chato mas sendo muito chato mesmo, o Cabo Norte é um cabo na ilha de Magerøya no norte da Noruega, geralmente referido como o mais setentrional ponto da Europa. Todavia, o cabo vizinho de Knivskjellodden situa-se cerca de 1500 metros mais a norte. Além disso, ambos os pontos situam-se numa ilha, o que significa que o ponto mais a norte da Europa continental é o Cabo Nordkinn.

Vários motociclistas que eu conheço “fizeram” o ano passado o Cabo Norte. Acompanhei dois deles com mais atenção, o Arnaldo e o Gonçalo. E por poucos minutos não cruzámos as nossas viagens perto de Sanremo na Ligúria Italiana. 

Confesso, moí um bocado o juízo a ambos com o seu “louco” exercício de moto elástico, como carinhosamente lhe chamei. A verdade é que eles se divertiram à grande com a sua aventura. E isso é que importa!

E dessa aventura resultou um pequeno mas magnifico documentário que consumimos instantemente com um sorriso nos lábios. 

Verdadeiramente a não perder. Já o Cabo Norte…, bem…, vocês sabem…, está no fundo da minha lista de destinos para viajar de mota. Pode ser que sim…, um dia, pois ainda não encontrei a minha resposta à pergunta, “porquê Cabo Norte?”.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Limalhas de História #51 – 27 de Abril de 2003





2001, 2002, 2003, 2004, 2005. Honda, Honda, Honda, Yamaha, Yamaha. Foram os anos do pentacampeonato de Valentino Rossi. Pilotos que atingiram o auge durante este lustro (uma palavra em desuso que significa conjunto de cinco anos) tiveram de se contentar com breves momentos de glória. 

Faz hoje exactamente treze anos. Africa do Sul, Welkom, Phakisa Freeway, Arnette Africa’s Grand Prix. Gibernau, Rossi, Biaggi, Bayliss. Honda, Honda, Honda, Ducati. Luta tremenda. Vencida pelo Catalão. A sua segunda vitória na Classe Rainha, primeira em MotoGP. Com dedicatória emocionada ao seu falecido colega. O genial Daijiro Kato que tinha desaparecido dias antes.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Moto Talks #2

Já vos tinha dito que não está fácil acompanhar a cena motociclistica em Lisboa? Já, não já (link)! Hoje Repito. 


Em Novembro passado, com o objectivo de dinamizar o panorama cultural de Lisboa, em especial as motos, mas também as artes, eventos e lazer, nasceu o Riders Social Club com “sede” no lindíssimo espaço da Officina Moto. Hoje, o Riders Social Club promove aquela que é já a segunda sessão do Moto Talks. 

O quê? Como? Quem? Quando?

Se no Moto Talks #1 tivemos a oportunidade de debater os temas que nos são queridos de uma perspectiva veiculada por alguns dos maiores nomes da imprensa especializada, desta feita, e para além das presenças do Moto Talks #1, teremos o privilégio de abordar as mesmas questões do ponto de vista político. Para tal, contamos com a presença dos motociclistas Miguel Tiago, Rodrigo Ribeiro e Carmona Rodrigues. A não perder!

É já hoje a partir das 18h.
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