terça-feira, 17 de julho de 2018

O fabuloso destino do André

“De vez em quando temos a sorte de nos cruzar com um bom selvagem. Daqueles que nos fazem parar tudo e recordar que há uma vida para ser vivida.”. Foi desta forma que vos falei aqui (link) do André e da sua pequena loucura saudável de querer correr a América do Sul numa simples Honda 125cc. 

O André não pára. E não pára de nos surpreender. O que vão encontrar infra não foi escrito por mim mas sim pelo André nas suas redes sociais – palavras por mim subtraídas (porque penso que merecem ser lidas) às quais apenas “dei um jeitinho” para soltar algum do pó da estrada... 


Depois de três dias no meio do nada, sem rede e com mais de trezentos quilómetros de puro todo-o-terreno nos Andes, consegui chegar a Uyuni! Saí de San Pedro de Atacama em direcção à Bolívia, quando chego à fronteira percebo que não existe estrada neste país, simplesmente o pior piso que vi na minha vida. Até aqui tudo bem, faço mais uns quilómetros e chego à entrada do Parque Nacional, onde um dos trabalhadores me diz que só podem entrar no parque veículos 4x4 e motos de enduro ou trail. Ouvi que principalmente sozinho não podia, que a moto dificilmente passava na zona para onde eu tinha de ir e, para além disso, em caso de queda não tinha rede nos próximos 300km, a temperatura durante a noite era sempre inferior a 10 graus negativos e poucos veículos circulavam nessas estradas. Depois de ter dito que ia à minha responsabilidade, lá consegui a permissão para entrar. No primeiro dia tive que me dirigir a uma aduana que ficava a 80km para tratar dos papéis da moto na Bolívia, depois voltei uns quilómetros atrás para poder dormir num refúgio que não tinha água nem luz mas tinha algo muito melhor, umas termas com água a 40°, onde estive no fim de tarde e durante a noite a ver o fantástico céu dos Andes com temperaturas negativas no exterior! 

O segundo dia foi o dia mais duro! Saí bem pela manhã e fui visitar os géisers, que estão a 5200m de altitude, novo record, visitei a laguna colorada, e sempre com estradas péssimas, perto de cair mais de vinte vezes, sem qualquer exagero! A minha média era de 20km/h a andar bem, sempre entre 4000 e 5000m de altitude, passado oito horas ao a conduzir em pura areia de deserto, o sol a pôr-se, o peso todo na traseira da moto e o pueblo mais perto a 50km! Resultado 3 quedas, umas valentes cambalhotas, umas pisaduras, GPS e telemóvel partido, tudo em apenas uma hora. Ao longo de todo o dia só vi de manhã os 4x4 que fazem os tour aventura aqui! Por fim, consegui chegar ao pueblo já de noite e encontrar um alojamento! Sempre terra compacta, como auto-estrada. 

Impressiona ainda o relato que o André faz da sua experiência de visita às minas de Potosi.

Foram as maiores minas de prata do mundo. Morreram mais de 8 milhões de pessoas nestas minas desde o início da sua exploração. Ainda hoje, só de derrocadas, morrem cerca de 14 pessoas por mês (…). Estes trabalhadores não comem nada durante mais de oito horas de trabalho, só mascam folhas de coca e bebem álcool de cana-de-açúcar puro, a 96% de volume, para aguentarem o calor louco do interior das minas, a falta de oxigénio que existe nos túneis e a altitude de mais de 4000 metros! A esperança média de vida destes trabalhadores é de 40 anos devido aos gases e químicos presentes nestas minas! (…). 

Sigam a viagem do André no instagram em @voltaamericademoto

segunda-feira, 16 de julho de 2018

A estrada, a mota e o telefone esperto – Estrada Nacional 1

Era uma manhã fresca de céu azul em Julho. 1978. É fácil recordar o ano. É fácil recordar muito mais. Ainda o sol não tinha nascido, seriam pouco mais do que seis da manhã, e a minha avó veio despedir-se de lagrima no canto do olho, como se fossemos para muitoooooooo longe. E íamos mesmo. 

Primeiro a Avenida Almirante Reis absolutamente deserta. Após poucos quilómetros de auto-estrada, igualmente deserta, a Nacional 1. A memória já só guarda a outrora temível subida ao Alto da Serra, alí para as bandas de Rio Maior. Depois, Leiria e o seu castelo a saudar-nos lá do alto. Coimbra e o mondego. O calor, já dia largo. E o caos, fumo, transito e muitos camiões em Águeda, Oliveira de Azeméis e sobretudo na lentíssima travessia de São João da Madeira. Chegámos. Ponte da Barca. Não sem antes termos passado Porto, Braga e Vila Verde. Uma verdadeira aventura de mais de doze horas. 

1978! É fácil recordar o ano porque eu tinha acabado de fazer seis anos. O meu pai tinha comprado o seu Volkswagen Carocha 1300. Amarelo. Pleno de personalidade e lentidão. 34 CV para quase tonelada e meia de engenheira alemã da boa. E um consumo absurdo na casa dos nove litros de Galp Super. 

Eu tinha vivido o dia intensamente. Não adormeci um único segundo e ainda bem. Recordo. Esta e muitas outras viagens, anos a fio, sempre para Norte. Um denominador comum: Nacional 1. É a minha “estrada mãe”. No sentido em que foi nela que provavelmente encontrei o amor e respeito pela estrada. 

Ao escrever este texto, noto agora que ele serve ainda para comemorar o quadragésimo aniversário da minha primeira “road trip”. Mas uma comemoração plena é difícil, impossível talvez. Actualmente vários troços foram transformados em via expresso, como é o caso dos que atravessam Rio Maior, Leiria ou Coimbra. Noutros troços a estrada passou a ser conhecida por IC2. Para além disso, parte da travessia de São João da Madeira, por exemplo, foi convertida em zona pedonal e não mais verá os camiões fumarentos ou o GA-39-96, o Carocha do velho Lourenço. 

Ainda assim fiz-me à estrada. Novamente numa manhã fresca de Julho, mas sem o azul brilhante do céu de há quarenta anos. Não foram necessários muitos quilómetros para compreender que a estrada para mim “mãe” está hoje transformada em estrada ruina. Piso em mau estado é uma constante. Asfalto que se desfaz. Sinalização tapada pela vegetação quando não mesmo destruída. Um cenário de abandono e tristeza que se repete em muitos dos edifícios e construções à beira da estrada.

É este o estado da outrora espinha dorsal económica de Portugal. A Nacional 1, quando não desapareceu engolida pelo decrepito IC2, apresenta um grau de degradação como nem em países do terceiro mundo encontramos. No entanto resiste. Continua a ser diariamente utilizada como estrada local e até regional. E resiste ainda como prova viva do Estado mais ou menos falhado que somos. 

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Quem, o quê, onde, como, quando e porquê – não necessariamente por esta ordem… 

A Estrada Nacional 1 (N1), também conhecida como Estrada do Norte, tem actualmente o seu início em Vila Franca de Xira e o seu términus em Carvalhos. Foi pelo ESCAPE percorrida em ambos os sentidos em Julho de 2018 aos comandos de uma Honda CRF1000L DCT que gastou 4,6 litros de “líquido mágico” por cada cem quilómetros de belas memórias recordadas. A N1 é credora de respeito por parte de todos, Estado incluído, devido à sua importância histórica; pois durante 40 anos (entre 1945 e 1985) assumiu o papel de principal via de comunicação entre a Grande Lisboa e a Região Norte de Portugal. A N1 é também credora de uma urgente intervenção sob pena de, entre outras desgraças, sucumbir aos “milhões” de eucaliptos que de forma selvagem, nas bermas, crescem e eliminam tudo à sua volta.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

NIKEN Demo Tour chega a Portugal em Setembro

Com a exclusiva tecnologia de inclinação em várias rodas (LMW) da Yamaha, a NIKEN dispõe de um funcionamento e sensação de condução como nenhuma outra moto na estrada. A NIKEN Demo Tour é a primeira oportunidade do público para conduzir a revolução. 


O projecto da tecnologia de inclinação em várias rodas (LMW) da YAMAHA foi apresentado pela primeira vez no Tokyo Motor Show em 2013 e despertou imediatamente as atenções. O desenho único da NIKEN proporciona ao condutor um controlo inigualável sobre a sua experiência de condução. A estabilidade extra criada pelo quadro inovador faz com que qualquer pessoa possa conquistar a estrada e proporciona ao condutor da NIKEN aquela que poderá ser a mais emocionante experiência numa moto do mundo. Alie esta revolução em design a um motor CP3 de 847 cc especialmente afinado para obter uma máquina que não só tem uma capacidade de resposta incrível como combina potência e performance. 

A NIKEN Demo Tour iniciou-se em Junho e prolongar-se-á até Outubro de 2018. Estará em Portugal entre 20 e 23 de Setembro com demonstrações e orientação especializada; sendo o momento perfeito para conduzir a revolução em primeira mão.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Novo espaço Honda no centro de Lisboa em modo “work in progress”


Era algo que os “alfacinhas” apaixonados e clientes da marca da asa dourada há muito desejavam. A Honda, enquanto marca líder do mercado português, já merecia ter um espaço na capital digno dessa liderança na tabela de vendas. Ai está ele. 

A Wingmotor, novo concessionário oficial Honda, já abriu portas bem no coração da cidade, R José Estêvão 74 D, não muito longe do Saldanha. Mas para já labora apenas a meio gás. 

O ESCAPE teve oportunidade, hoje mesmo, de passar por lá e ser convidado para uma rápida visita às novas instalações. As obras decorrem a bom ritmo e, segundo José Arsénio, "o desejo é que no final de Agosto tudo esteja pronto". 


São cerca de mil e quinhentos metros quadrados para exposição, stand e oficina num espaço que os responsáveis desejam ser de referência não “só em Lisboa mas também mas também no país”. 

É bom saber que no que diz respeito a motociclismo Lisboa está fervilhante. Novos espaços como o que a Wingmotor está a construir são também exemplo disso mesmo.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

A estrada, a moto e o telefone esperto – quilómetro zero

Era uma vez um miúdo. Muito miúdo. Verão. E ao domingo de manhã, bem cedo, o miúdo descia a calçada na zona da mouraria onde morava, pela mão do pai. Pelo passeio da Rua do Ouro ansiava chegar ao Terreiro do Paço. O rio, largo. O barco, para a outra banda. E em Cacilhas, o velho autocarro que o levaria até à eterna Caparica e ao seu mar refrescante. Mas antes, na Cova da Piedade, quando o autocarro dava a única curva digna desse nome durante a curta viagem, os olhos do nosso garoto prendiam-se num sinal, uma placa, que indicava na direcção mais ou menos oposta à do petiz: “Algarve EN10”. 

Não sei o que mais me fazia sonhar. A doce e vagamente exótica fonética al-gar-ve ou aquele número magico, “dez”, precedido do importante – pensava eu…. - “EN”. Que um dia soube significar “Estrada Nacional”. 

A verdade é que por vezes somos traídos pela fonética, e a Estrada Nacional 10 não nos leva sequer ao Algarve. Mas a memória sobreviveu até hoje. Quando passo na zona ainda me lembro. Sempre. Esticava o pescoço até não puder mais, olhos postos naquela placa de pedra branca com letras a negro pintadas. O mistério. Sempre o mistério. O que estará para além da curva. Como será o caminho? A paisagem? A estrada? O destino? 

“A estrada, a moto e o telefone esperto” começa aqui. E surge do sonho e do mistério. Passados tantos anos as questões persistem: como será o caminho? A paisagem? A estrada? O destino? Porque como um dia escreveu Saramago na sua obra-prima mais ou mesmo olvidada, Viagem a Portugal, “o fim duma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já”. 

“A estrada, a mota e o telefone esperto” não pretende ser um conjunto de textos onde imperem os mais ou menos apalermados lugares comuns do género “Nacional 2, a route 66 portuguesa” ou “Nacional 222, a melhor estrada do mundo”.

“A estrada, a moto e o telefone esperto” pretende ser um conjunto de textos em modo western spaghetti 2.0. Sem o mau. E muito menos sem o vilão. 

Uma estrada, uma moto e um mero dispositivo móvel no bolso, que ajude a perpetuar a memória. Simples! O viajante volta já.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Apresentação Internacional Honda PCX 125 terceira geração

Caixa de correio electrónico. Quando recebi o convite da Honda Portugal para a Apresentação Internacional a decorrer no Porto fiquei duplamente surpreendido. Por um lado, convites destes não surgem todos os dias - em bom rigor, no caso do ESCAPE, foi mesmo a primeira vez. Por outro, era apenas mais uma nova PCX, penava eu. Fiz o que pude e confirmei a minha presença. 

Estação do Oriente. Passada segunda-feira, dia 2. À hora marcada lá estava eu junto dos meus amigos da comunicação social especializada, que têm anos disto. Lá, eu era o rookie. A viagem no Alfa Pendular fez-se com algum atraso mas teve a vantagem de possibilitar o update quanto às novidades no meio, que se encontra bem agitado. 

Hotel Eurostars-com-os-pés-de-molho-no-Douro. Chegados ao Porto, tínhamos à nossa espera aquele que se revelaria um staff absolutamente eficaz. Troca rápida de roupa e salto para cima da urbana para uma primeira foto num dos ex-libris tripeiros: Ponte D. Luís. Seguiu-se um primeiro contacto no caótico trânsito de fim de tarde, onde pudemos confirmar que na natureza de “ágil enguia” nada se alterou nesta terceira geração de Honda PCX. 

Gaia. Quem não é para comer não é para trabalhar, dizem. E o dia terminou com uma simpática visita à cave Augusto’s e com a obrigatória prova dos néctares produzidos naquela que é a maior obra portuguesa de todos os tempos após a Expansão Marítima: o apaixonante Vale do Douro. Ah..., e um jantar dos deuses com vista para o Douro e para a suave luz de fim de tarde do Porto, na sumptuosa Presuntaria Transmontana. Momento onde até a companhia do Joaquim Horta pudemos ter. 

Nacional 108. Após um objectivo e preciso briefing matinal, onde começámos a suspeitar que afinal havia outra PCX para além da “apenas renovada” que imaginamos à partida, atacamos com decisão a bela e serpenteante estrada da margem direita do rio Douro. Sim, afinal havia mesmo outra! 


Entre-Os-Rios. A pausa para café serviu para confirmar com os demais presentes. Estamos perante uma Honda PCX verdadeiramente nova. O quadro redesenhado e reforçado, as novas jantes e pneus, o ABS no disco dianteiro, a nova suspensão traseira, a optimização de motor, transmissão e escape. Tudo isto concorre para encontrarmos uma scooter mais robusta, mais agarrada ao asfalto logo mais segura. Sem, contudo, que nada se tenha perdido em termos de agilidade e eficácia. Nem de economia: a pequena Honda reclamou 2,3 litros por cem quilómetros de condução enérgica e divertida. 

Foz do Douro. Hora de almoço e tempo de balanço final. Brilhante..., a Honda conseguiu desenhar e produzir uma nova PCX e ainda vesti-la com vestes idênticas (embora mais moderas) às do anterior modelo, para que nada se perca ao nível da imagem de sucesso. Fica a faltar o tão desejado disco traseiro, “fetiche” de alguns e do departamento de marketing da Honda também, “fetiche” esse que a Engenharia nipónica se recusou a satisfazer. 

Alfa Pendular. Pouco mais de vinte e quatro horas após a saída de Lisboa já estávamos de regresso. Os meus amigos jornalistas a preparavam os seus textos e novas partidas. Este Escape aproveitou para saborear os seus últimos momentos desta jornada de “glamorosa” vida de jornalista das motos. 

Casa. Cansado mas feliz. Adorei tudo. Sem reservas. Obrigado à Honda Portugal. E obrigado aos meus amigos profissionais do sector. Fiquei a admirar ainda mais o vosso trabalho!

terça-feira, 3 de julho de 2018

Vamos dar um abraço ao Miguel?


O fim-de-semana na catedral de Assen não correu como todos gostaríamos. Mas a luta pelo título de Moto2 está intacta. E o Miguel não pára. Esta é uma semana de intenso trabalho, como outra qualquer. Amanhã, contudo, o Miguel Oliveira estará por Lisboa. De manhã numa ação com a GNR, à tarde, em Alfragide, na Rod’aventura para uma curta sessão de autógrafos. 

Ter o Miguel ali, à distância de um olhar e de um abraço, não sendo um momento único é cada vez mais um momento raro. É de aproveitar. Passem pela Rod’aventura, Avenida da Quinta Grande 10-A, aqui nos arredores de Lisboa. A sessão inicia-se às 17 horas devendo durar cerca de trinta minutos.

domingo, 1 de julho de 2018

Nova Honda PCX 125 2018 apresentada no Porto


Em Abril passado a Honda decidiu mostrar em Madrid uma renovada PCX. Das novidades este ESCAPE deu aqui (link) conta. Mas aquela foi apenas uma apresentação estática. Agora, a Honda decidiu convocar a comunicação social portuguesa, e alguma estrangeira, para uma apresentação dinâmica numa das cidades mundialmente mais trendiest do momento actual: Porto! 

A boa notícia é que, pouco a pouco, as marcas vão compreendendo que estamos num admirável mundo novo no que à comunicação especializada diz respeito. Assim, o ESCAPE foi convidado para fazer companhia aos vetustos meios tradicionais. E não encontrou forma de recusar o convite. 

Pois bem, fiquem atentos ao blogue e suas redes sociais associadas. Segunda e Terça-feira este ESCAPE estará no Porto para conhecer as alterações efectuadas na namoradinha dos motociclistas urbanos portugueses. E promete contar tudinho o que por lá se vai passar.

sábado, 30 de junho de 2018

Quinta Tertúlia do Escape

Primeira (link), segunda (link), terceira (link), quarta (link) quinta, a fundo! 

Tenho dificuldade em descrever a Tertúlia na passada quarta-feira. Casa para lá de cheia na Rod’aventura para conhecer a Patrícia e o João e descobrir as suas histórias de viagem. 


Os autores do Quilometro Infinito (link) foram inexcedíveis na partilha e contagiantes na alegria com que fazem do mototurismo uma capítulo de saber viver. Um enorme obrigado por terem aceitado este desafio, terem vindo de propósito a meio da semana até Lisboa. Mais a mais em véspera de partida para nova viagem. Vénia! 

Ao Paulo e ao João o habitual agradecimento por terem disponibilizado o espaço Rod’aventura, que esta cada vez mais acolhedor. 

E, ao tertulianos, um muito obrigado pela vossa presença e participação. A Tertúlia do Escape só faz sentido convosco. Ela é vossa! No mais…, é espreitar o nosso sorriso. Está lá tudo! 

A Tertúlia do Escape voltará em breve. Provavelmente, lá mais para o fim do verão. Até lá: andemos de mota!

quinta-feira, 28 de junho de 2018

MotoJornal com nova vida

Neste post (link) recomendava-se, entre outros, um texto de Vítor Sousa. Aí, a páginas tantas, o Vítor escrevia a propósito do panorama da imprensa especializada nacional que o “papel” se encontra em mudança “para sobreviver e a “net”” ganha estatuto. Este post é sobre isso mesmo. 

Na verdade a icónica Motojornal acaba de mudar de Editor e é o ESCAPE que dá conta disso. 


Os mais atentos terão notado que a MotoJornal teve um pequeno interregno na sua publicação, de 25 de Maio até ao passado dia 22 de Junho. Pelo meio o ESCAPE entrou em contacto com Domingos Janeiro, director da MotoJornal, que nos garantiu haver novidades e que a normalidade quinzenal seria reposta em breve. Na verdade a revista em banca surge com um novo Editor, nada mais nada menos que a Fast Lane II. Quem? O proprietário e Editor da REV e do site moto.pt (link). 

Assistimos então àquele fenómeno que os economistas apelidam de “fusões e aquisições” no nano universo da imprensa especializada nacional. E isso só pode ser bom. 

Só pode ser bom e é mesmo. Porquê? Porque sabemos que a icónica Motojornal não caiu em mãos estranhas ao sector, bem pelo contraio, foi adquirida por pessoas deste lado, do nossa lado, do lado dos motocicilistas e do motociclismo. Por apaixonados! 

Em conversa com Marcos Leal, Diretor da REV, o ESCAPE pode adiantar que a ideia “para já, é manter a MotoJornal tal com se encontra, sob a direção de Domingos Janeiro, reforçar a redacção e conferir mais quantidade e qualidade aos conteúdos, mantendo ainda colaborações de referência” como o Tó-Manel e sua histórica “Coluna dos Motocilistas”. Hugo Ramos, Editor da REV, confirmou tudo isto e adiantou um pouco mais, “vamos fazer algumas alterações, numa revista que nos enche de orgulho ter entre nós, mas apenas a partir do fim do verão, talvez, em Setembro”. Tal como fez in loco este ESCAPE reclama o regresso de uma MotoJornal semanal. A réplica não se fez esperar, “tudo depende de como o mercado responder ao reforço da qualidade da melhoria da nossa oferta”. 

De sublinhar ainda que a redacção da Fast Lane II partilha as suas instalações com outros “players” do sector, nomeadamente, a bela loja Longitude 009 que importa e comercializa marcas de equipamento para motas e motociclistas com destaque, entre outras, para alemã Touratech e a norte americana Klim – para não falar da actividade que dali parte no âmbito das viagens e seguros para as duas rodas.

Bannngggggg!!! Alguém se está posicionar muito bem para dominar a comunicação, e não só, do motociclismo nacional nos próximos anos.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

América do Sul em 125cc? Sim, é possível!



De vez em quando temos a sorte de nos cruzar com um bom selvagem. Daqueles que nos fazem parar tudo e recordar que há uma vida para ser vivida. 

O André Sousa partiu a 25 de Maio. Com o objectivo de ser o primeiro português a dar a volta à América do Sul de moto. Em grande. Com uma simples 125cc. Arrancou na sua Honda de Florianópolis, Brasil, para uma jornada de mais de quatro meses (cento e trinta dias) com o objectivo de percorrer todos os países do continente Sul Americano com via terrestre. Valente! 

Lutando com inúmeras dificuldades, desde greves que lhe causam dores de cabeça para encontrar gasolina até pequenos acidentes, o André já atravessou Paraguai, Uruguai e uma boa parte da Argentina. Aliás, o André já cruzou os Andes – de recordar que estamos em pleno inverno no hemisfério sul – no Paso Internacional Los Libertadores a 3175 metros de altitude. De 125cc, é bom lembrar, com temperaturas a rondar os quinze graus negativos e despido de equipamento adequado. 

A última vez que tivemos notícias do André foi no passado dia 21: “depois de ter passado os Andes a moto não ficou nas melhores condições e não aguentava o ralenti. Fui ao principal vendedor de motos aqui de Santiago [Chile], ligaram o scanner e disseram que estava com problemas no corpo de aceleração da injecção electrónica e que não havia solução; tinha de esperar pela peça durante um mês, visto que vinha do Brasil! Logo a seguir, levei a moto a outro mecânico, que me ligou no dia seguinte a informar que a moto já estava melhor! Limpou todo o sistema de injecção, trocou o combustível, filtros, afinou válvulas e reviu tudo; não está a 100% mas já se desliga menos vezes, pelo menos já dá para seguir caminho!”

Uauuuuu…, este é o espirito. Num tempo em que alguns motociclistas pensam as viagens ao detalhe e outros tantos não dispensam o “banquinho” de gel, electrónica e sistemas de navegação dignos de uma viagem espacial – tudo para ir ali ao lado -, é bom saber que o esprito da Viagem Livre ainda se encontra vivo. O André já fez mais de seis mil quilómetros, navega ao sabor do tempo, dorme onde calha e come o que encontra. Pode não ser muito confortável mas é seguramente divertido, ficará para sempre na sua memória e faz nos sonhar. 

Sigam a viagem do André no instagram em @voltaamericademoto
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