sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Comparativo SuperEnduro 2018 MOTOCICLISMO Itália


Um dos melhores e mais dinâmicos meios de comunicação da especialidade da Europa, provavelmente do mundo, oferece-nos este mês de Agosto um comparativo de classe. 

As protagonistas desta análise são: BMW F850GS, KTM 1090 AdventureR, Honda CRF1000L Africa Twin e Triumph Tiger 800XCa. O cenário é de gala: alpes Italianos na olímpica e apaixonante zona de Sestriere. Os analistas sabem da coisa e a realização do clip chega a assumir, a espaços, rigor cinematográfico. 

Eu gostei muito e recomendo a visualização. Fiquem confortáveis e apostem quinze minutos da vossa vida a deliciarem-se com isto. E, no fim, tirem as vossas próprias conclusões. 


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Limalhas de História #54 – 23 de Agosto de 1998

Hoje é dia 1 de Agosto. “E tudo em mim, é um fogo posto. Sacola às costas, cantante na mão, enterro os pés no calor do chão”. Eishhhh, calma. Não será tanto assim como cantavam os Xutos, mas pensem lá um bocadinho. Quantos anos esperaram por “este dia”? É que está ai, já no fim-de-semana, o início de ponta final de mundial de velocidade mais emocionante das nossas vidas. Porquê? Um português, o Miguel, entra na fase decisiva da temporada pós-paragem de verão a lutar por um título mundial, o de Moto2. 


Mas como estamos em semana de Grande Prémio na histórica Brno, segunda maior cidade da Republica Checa, nada como recordar este M-O-M-E-N-T-O absolutamente inesquecível. Biaggi vencia com a sua, parcialmente oficial, Honda do Marlboro Team Kanemoto na frente de mais três Honda (Crivillé - Repsol, Barros - Gresini e Okada - Repsol). E comemorava da forma que a imagem documenta. Um wheelie para lá de abusado e absurdo. Único!

terça-feira, 31 de julho de 2018

A week in a paradise called Portugal (I)


“Porque, enfim, tudo passa; / Não sabe o Tempo ter firmeza em nada; / E a nossa vida escassa / Foge tão apressada. / Que quando se começa é acabada" (Luís Vaz de Camões). 

Tempo. O que é o tempo? Uma ilusão como terá dito um dia Einstein? “Quando pomos a mão num fogão aceso por um minuto, parece uma hora; mas quando estamos sentados ao lado de uma rapariga bonita durante uma hora, parece um minuto”. Não há uma única definição, pacífica, de Tempo. O que todos sabemos, ou devíamos saber, é que o Tempo é o recurso mais escasso de todos. O maior dos luxos. E o nosso maior património. 

Há anos que não tinha tempo para viajar de mota, apenas (ou quase), em Portugal. Aqui, sem sair do cantinho. Quer dizer. Tempo tive. Mas investi-o noutras paragens. E eu já não me recordo bem de quando foi a última vez que apliquei uma semana da minha vida a viajar de mota neste “pequeno paraíso” mototuristico. E a nossa vida escassa…, que quando se começa é acabada. Chega disto. Vamos andar de mota em Portugal!

O guião já tinha sido esboçado há algumas semanas atrás. Ainda antes mesmo da “road trip” à Sardenha e Córsega (link). O objectivo? Um possível best-off de Portugal Continental. Das suas estradas. Montanhas. Planícies e praias. Da sua gastronomia. Os vértices do rectângulo seriam para além de Lisboa, ponto de partida e chegada, a minhota Ponte da Barca, a transmontana Chaves e, por fim ao sul o Sotavento algravio. Pelo meio, um fino risco na cada vez mais clássica Estrada Nacional N2, a ser percorrida na íntegra. Vamos…, venham daí, desta feita em modo relato.

Sexta-feira, dia 20 de Julho. Mota e bagagem no ponto já há algum tempo, foi enfim chegado o momento de rumar a Norte, rapidamente, pela A1. Chegado à Invicta momento de improviso. Em boa hora troquei a programada ida a um dos velhos clássicos locais, a posta na grelha do Assador Típico, por um programa de rua com cerveja fresquinha na mão e petiscos diversos como o delicioso cachorrinho no Gazela da Batalha e a clássica bifana no Conga. A sorte decidiu premiar a minha audácia e brindou-me, no alto Jardim do Morro em Gaia, com um por de sol limpo e espectacular, som a condizer, e mais cerveja fresquinha. Aliás, a música parece ter invadido a cidade, e a noite continuou já na Ribeira ao som de quem por ali vai parando para nos animar. O Porto vive um momento fantástico, animado, limpo e com muita vibração positiva. Merece a nossa atenção. Sempre mereceu. 

[continua…]

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Choque e espanto, a nova Harley Davidson Pan America 1250

A H-D revelou com o estrondo clássico dos seus “motores em fisga” a sua estratégia para os próximos anos. Partindo de uma plataforma modular, a ideia mais relevante é entrar com uma 1250cc no segmento da moda, as “Adventure Touring”. Não foram anunciadas características técnicas mas apenas algumas imagens - de qualidade francamente duvidosa. 


E o que vemos é uma “big trail” de linhas quadradas e aparência musculada cujos alvos são fáceis de imaginar: BMW R1200GS, KTM 1290 Super Adventure, Honda CRF1000L Africa Twin e Ducati Multistrada 1260, entre outras. 

Com vendas perigosamente em declino, quer dentro, quer fora dos Estados Unidos, a clássica marca do Wisconsin encontra-se a elaborar um extenso programa de revitalização e modernização, procurando atrair públicos novos e mais jovens. Neste sentido foram ainda reveladas imagens de uma Hypernaked Streetfighter de 975 cc. 

A H-D espera colocar estas e outras novidades no mercado em 2020.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Compreender o Plano Rodoviário Nacional

Vá, tenham paciência, por favor. Não vai ser fácil. Mas com a dose certa de perseverança chagamos lá. 

O Plano Rodoviário Nacional (PRN2000), publicado em 2000, é um documento legislativo que estabelece as necessidades de comunicações rodoviárias de Portugal. Este plano, tratou-se de um desenvolvimento do plano rodoviário de 1985, que por sua vez tinha substituído o de 1945 – fixem este último, por favor. 

O PRN2000 define a Rede Rodoviária Nacional. Esta, a Rede Rodoviária Nacional, é constituída pela Rede Fundamental, que integra os Itinerários Principais (IP) e pela Rede Complementar que integra os Itinerários Complementares (IC). 
Nesta última, a Rede Complementar, além dos IC, foram ainda incluídas as Estradas Nacionais (EN) que constituíam a Rede Rodoviária Nacional estabelecida em 1945 e que, no plano de 1985, eram apenas genericamente identificadas como "outras estradas". 

O PRN2000 refere-se ainda às Redes de Estradas Municipais e cria um novo tipo de estradas, as Estradas Regionais (ER) a partir da transformação de parte das antigas EN.

No PRN2000 as estradas com características de auto-estrada assumem um estatuto de rede própria (Rede Nacional de Auto-Estradas), sobreposta às Redes Fundamental e Complementar. Cada uma das Auto-Estradas tem uma numeração própria, independente da numeração dos troços de IP ou IC aos quais se sobrepõe. 

A sobreposição dos vários tipos de estradas da rede rodoviária nacional (Auto-estradas, IP, IC, EN), cada uma com uma numeração própria, torna o sistema de identificação e sinalização das estradas portuguesas muito complexo e de difícil compreensão para o utilizador. 

Ajudei? Duvido. Vamos então imaginar que o Plano Rodoviário Nacional é uma cebola. Na primeira camada, a mais visível, encontramos a Rede Nacional de Auto-Estradas. Abaixo desta os Itinerários Principais. Na terceira camada os Itinerários Complementares (IC). E finalmente, junto ao núcleo da nossa cebola encontramos as “outras estadas”. São estas, as “outras estradas” que nos interessam. E para conhecê-las temos de conhecer o Plano Rodoviário Nacional de…, 1945 – eu tinha avisado logo no segundo parágrafo. 

Temos então que naquilo que os políticos e as Leis, por eles criadas, designam de forma grosseira e até insolente como “outras estradas”, o que resta das Estradas Nacionais, originalmente assim consagradas pelo Plano Rodoviário Nacional de 1945.

Pelo Plano Rodoviário Nacional de 1945, as Estradas Nacionais foram classificadas em três classes: as de 1ª classe seriam numeradas de 1 a 125, as de 2ª classe de 201 a 270 e as de 3ª classe, de 301 a 398. O conjunto das estradas de 1ª e 2ª classe formava a Rede Fundamental da época. Dentro das estradas de 1ª classe, os números de 1 a 18 estavam reservados aos Itinerários Principais da época, correspondendo às estradas que ligavam as capitais de distrito entre si e a todas as estradas com origem em Lisboa e Porto. Os ramos e variantes a uma estrada principal, seriam identificados pelo número dessa estrada seguido por um número de ordem (ex.: EN 15-1). 

“A estrada, a moto e o telefone esperto”, a nova serie de textos deste ESCAPE por mim aqui (link) anunciada e aqui iniciada (link) pretende pois mergulhar bem fundo nas “outras estradas”. Perseguir e recuperar o Plano Rodoviário Nacional de 1945. E ir mesmo mais longe do que isso, quando necessário for. 

Abandonadas pelo Estado, esquecidas pela Lei, “as outras estradas” têm um passado para contar. E, muitas delas, um presente bem vibrante. Venham dai. Vamos fazer um diz que é uma espécie de arqueologia rodoviária!

terça-feira, 17 de julho de 2018

O fabuloso destino do André

“De vez em quando temos a sorte de nos cruzar com um bom selvagem. Daqueles que nos fazem parar tudo e recordar que há uma vida para ser vivida.”. Foi desta forma que vos falei aqui (link) do André e da sua pequena loucura saudável de querer correr a América do Sul numa simples Honda 125cc. 

O André não pára. E não pára de nos surpreender. O que vão encontrar infra não foi escrito por mim mas sim pelo André nas suas redes sociais – palavras por mim subtraídas (porque penso que merecem ser lidas) às quais apenas “dei um jeitinho” para soltar algum do pó da estrada... 


Depois de três dias no meio do nada, sem rede e com mais de trezentos quilómetros de puro todo-o-terreno nos Andes, consegui chegar a Uyuni! Saí de San Pedro de Atacama em direcção à Bolívia, quando chego à fronteira percebo que não existe estrada neste país, simplesmente o pior piso que vi na minha vida. Até aqui tudo bem, faço mais uns quilómetros e chego à entrada do Parque Nacional, onde um dos trabalhadores me diz que só podem entrar no parque veículos 4x4 e motos de enduro ou trail. Ouvi que principalmente sozinho não podia, que a moto dificilmente passava na zona para onde eu tinha de ir e, para além disso, em caso de queda não tinha rede nos próximos 300km, a temperatura durante a noite era sempre inferior a 10 graus negativos e poucos veículos circulavam nessas estradas. Depois de ter dito que ia à minha responsabilidade, lá consegui a permissão para entrar. No primeiro dia tive que me dirigir a uma aduana que ficava a 80km para tratar dos papéis da moto na Bolívia, depois voltei uns quilómetros atrás para poder dormir num refúgio que não tinha água nem luz mas tinha algo muito melhor, umas termas com água a 40°, onde estive no fim de tarde e durante a noite a ver o fantástico céu dos Andes com temperaturas negativas no exterior! 

O segundo dia foi o dia mais duro! Saí bem pela manhã e fui visitar os géisers, que estão a 5200m de altitude, novo record, visitei a laguna colorada, e sempre com estradas péssimas, perto de cair mais de vinte vezes, sem qualquer exagero! A minha média era de 20km/h a andar bem, sempre entre 4000 e 5000m de altitude, passado oito horas ao a conduzir em pura areia de deserto, o sol a pôr-se, o peso todo na traseira da moto e o pueblo mais perto a 50km! Resultado 3 quedas, umas valentes cambalhotas, umas pisaduras, GPS e telemóvel partido, tudo em apenas uma hora. Ao longo de todo o dia só vi de manhã os 4x4 que fazem os tour aventura aqui! Por fim, consegui chegar ao pueblo já de noite e encontrar um alojamento! Sempre terra compacta, como auto-estrada. 

Impressiona ainda o relato que o André faz da sua experiência de visita às minas de Potosi.

Foram as maiores minas de prata do mundo. Morreram mais de 8 milhões de pessoas nestas minas desde o início da sua exploração. Ainda hoje, só de derrocadas, morrem cerca de 14 pessoas por mês (…). Estes trabalhadores não comem nada durante mais de oito horas de trabalho, só mascam folhas de coca e bebem álcool de cana-de-açúcar puro, a 96% de volume, para aguentarem o calor louco do interior das minas, a falta de oxigénio que existe nos túneis e a altitude de mais de 4000 metros! A esperança média de vida destes trabalhadores é de 40 anos devido aos gases e químicos presentes nestas minas! (…). 

Sigam a viagem do André no instagram em @voltaamericademoto

segunda-feira, 16 de julho de 2018

A estrada, a mota e o telefone esperto – Estrada Nacional 1

Era uma manhã fresca de céu azul em Julho. 1978. É fácil recordar o ano. É fácil recordar muito mais. Ainda o sol não tinha nascido, seriam pouco mais do que seis da manhã, e a minha avó veio despedir-se de lagrima no canto do olho, como se fossemos para muitoooooooo longe. E íamos mesmo. 

Primeiro a Avenida Almirante Reis absolutamente deserta. Após poucos quilómetros de auto-estrada, igualmente deserta, a Nacional 1. A memória já só guarda a outrora temível subida ao Alto da Serra, alí para as bandas de Rio Maior. Depois, Leiria e o seu castelo a saudar-nos lá do alto. Coimbra e o mondego. O calor, já dia largo. E o caos, fumo, transito e muitos camiões em Águeda, Oliveira de Azeméis e sobretudo na lentíssima travessia de São João da Madeira. Chegámos. Ponte da Barca. Não sem antes termos passado Porto, Braga e Vila Verde. Uma verdadeira aventura de mais de doze horas. 

1978! É fácil recordar o ano porque eu tinha acabado de fazer seis anos. O meu pai tinha comprado o seu Volkswagen Carocha 1300. Amarelo. Pleno de personalidade e lentidão. 34 CV para quase tonelada e meia de engenheira alemã da boa. E um consumo absurdo na casa dos nove litros de Galp Super. 

Eu tinha vivido o dia intensamente. Não adormeci um único segundo e ainda bem. Recordo. Esta e muitas outras viagens, anos a fio, sempre para Norte. Um denominador comum: Nacional 1. É a minha “estrada mãe”. No sentido em que foi nela que provavelmente encontrei o amor e respeito pela estrada. 

Ao escrever este texto, noto agora que ele serve ainda para comemorar o quadragésimo aniversário da minha primeira “road trip”. Mas uma comemoração plena é difícil, impossível talvez. Actualmente vários troços foram transformados em via expresso, como é o caso dos que atravessam Rio Maior, Leiria ou Coimbra. Noutros troços a estrada passou a ser conhecida por IC2. Para além disso, parte da travessia de São João da Madeira, por exemplo, foi convertida em zona pedonal e não mais verá os camiões fumarentos ou o GA-39-96, o Carocha do velho Lourenço. 

Ainda assim fiz-me à estrada. Novamente numa manhã fresca de Julho, mas sem o azul brilhante do céu de há quarenta anos. Não foram necessários muitos quilómetros para compreender que a estrada para mim “mãe” está hoje transformada em estrada ruina. Piso em mau estado é uma constante. Asfalto que se desfaz. Sinalização tapada pela vegetação quando não mesmo destruída. Um cenário de abandono e tristeza que se repete em muitos dos edifícios e construções à beira da estrada.

É este o estado da outrora espinha dorsal económica de Portugal. A Nacional 1, quando não desapareceu engolida pelo decrepito IC2, apresenta um grau de degradação como nem em países do terceiro mundo encontramos. No entanto resiste. Continua a ser diariamente utilizada como estrada local e até regional. E resiste ainda como prova viva do Estado mais ou menos falhado que somos. 

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Quem, o quê, onde, como, quando e porquê – não necessariamente por esta ordem… 

A Estrada Nacional 1 (N1), também conhecida como Estrada do Norte, tem actualmente o seu início em Vila Franca de Xira e o seu términus em Carvalhos. Foi pelo ESCAPE percorrida em ambos os sentidos em Julho de 2018 aos comandos de uma Honda CRF1000L DCT que gastou 4,6 litros de “líquido mágico” por cada cem quilómetros de belas memórias recordadas. A N1 é credora de respeito por parte de todos, Estado incluído, devido à sua importância histórica; pois durante 40 anos (entre 1945 e 1985) assumiu o papel de principal via de comunicação entre a Grande Lisboa e a Região Norte de Portugal. A N1 é também credora de uma urgente intervenção sob pena de, entre outras desgraças, sucumbir aos “milhões” de eucaliptos que de forma selvagem, nas bermas, crescem e eliminam tudo à sua volta.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

NIKEN Demo Tour chega a Portugal em Setembro

Com a exclusiva tecnologia de inclinação em várias rodas (LMW) da Yamaha, a NIKEN dispõe de um funcionamento e sensação de condução como nenhuma outra moto na estrada. A NIKEN Demo Tour é a primeira oportunidade do público para conduzir a revolução. 


O projecto da tecnologia de inclinação em várias rodas (LMW) da YAMAHA foi apresentado pela primeira vez no Tokyo Motor Show em 2013 e despertou imediatamente as atenções. O desenho único da NIKEN proporciona ao condutor um controlo inigualável sobre a sua experiência de condução. A estabilidade extra criada pelo quadro inovador faz com que qualquer pessoa possa conquistar a estrada e proporciona ao condutor da NIKEN aquela que poderá ser a mais emocionante experiência numa moto do mundo. Alie esta revolução em design a um motor CP3 de 847 cc especialmente afinado para obter uma máquina que não só tem uma capacidade de resposta incrível como combina potência e performance. 

A NIKEN Demo Tour iniciou-se em Junho e prolongar-se-á até Outubro de 2018. Estará em Portugal entre 20 e 23 de Setembro com demonstrações e orientação especializada; sendo o momento perfeito para conduzir a revolução em primeira mão.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Novo espaço Honda no centro de Lisboa em modo “work in progress”


Era algo que os “alfacinhas” apaixonados e clientes da marca da asa dourada há muito desejavam. A Honda, enquanto marca líder do mercado português, já merecia ter um espaço na capital digno dessa liderança na tabela de vendas. Ai está ele. 

A Wingmotor, novo concessionário oficial Honda, já abriu portas bem no coração da cidade, R José Estêvão 74 D, não muito longe do Saldanha. Mas para já labora apenas a meio gás. 

O ESCAPE teve oportunidade, hoje mesmo, de passar por lá e ser convidado para uma rápida visita às novas instalações. As obras decorrem a bom ritmo e, segundo José Arsénio, "o desejo é que no final de Agosto tudo esteja pronto". 


São cerca de mil e quinhentos metros quadrados para exposição, stand e oficina num espaço que os responsáveis desejam ser de referência não “só em Lisboa mas também mas também no país”. 

É bom saber que no que diz respeito a motociclismo Lisboa está fervilhante. Novos espaços como o que a Wingmotor está a construir são também exemplo disso mesmo.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

A estrada, a moto e o telefone esperto – quilómetro zero

Era uma vez um miúdo. Muito miúdo. Verão. E ao domingo de manhã, bem cedo, o miúdo descia a calçada na zona da mouraria onde morava, pela mão do pai. Pelo passeio da Rua do Ouro ansiava chegar ao Terreiro do Paço. O rio, largo. O barco, para a outra banda. E em Cacilhas, o velho autocarro que o levaria até à eterna Caparica e ao seu mar refrescante. Mas antes, na Cova da Piedade, quando o autocarro dava a única curva digna desse nome durante a curta viagem, os olhos do nosso garoto prendiam-se num sinal, uma placa, que indicava na direcção mais ou menos oposta à do petiz: “Algarve EN10”. 

Não sei o que mais me fazia sonhar. A doce e vagamente exótica fonética al-gar-ve ou aquele número magico, “dez”, precedido do importante – pensava eu…. - “EN”. Que um dia soube significar “Estrada Nacional”. 

A verdade é que por vezes somos traídos pela fonética, e a Estrada Nacional 10 não nos leva sequer ao Algarve. Mas a memória sobreviveu até hoje. Quando passo na zona ainda me lembro. Sempre. Esticava o pescoço até não puder mais, olhos postos naquela placa de pedra branca com letras a negro pintadas. O mistério. Sempre o mistério. O que estará para além da curva. Como será o caminho? A paisagem? A estrada? O destino? 

“A estrada, a moto e o telefone esperto” começa aqui. E surge do sonho e do mistério. Passados tantos anos as questões persistem: como será o caminho? A paisagem? A estrada? O destino? Porque como um dia escreveu Saramago na sua obra-prima mais ou mesmo olvidada, Viagem a Portugal, “o fim duma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já”. 

“A estrada, a mota e o telefone esperto” não pretende ser um conjunto de textos onde imperem os mais ou menos apalermados lugares comuns do género “Nacional 2, a route 66 portuguesa” ou “Nacional 222, a melhor estrada do mundo”.

“A estrada, a moto e o telefone esperto” pretende ser um conjunto de textos em modo western spaghetti 2.0. Sem o mau. E muito menos sem o vilão. 

Uma estrada, uma moto e um mero dispositivo móvel no bolso, que ajude a perpetuar a memória. Simples! O viajante volta já.
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