quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Amazonas AME 1600 a moto brasileira

Como assim? O Brasil já produziu motos de grande cilindrada? Já pois…, quer dizer…, a Amazonas AME 1600 é filha de uma guerra comercial dos anos 70 (proibição no Brasil às importações) do espirito inventivo “zuca” e da paixão motociclistica. Querem ler? 


Em 1976 dois mecânicos de São Paulo, Luiz Antonio Gomide e José Carlos Biston, construíram a Motovolks, um protótipo com motor boxer VW de 1.500 cm³ e caixa manual de quatro velocidades. A parte superior do quadro usava uma mescla de componentes Harley e Indian enquanto a parte inferior era feita sob medida para encaixar o motor boxer e a transmissão manual com origem no “Carocha”.

Ferreira Rodrigues, um empresário de São Paulo, tomou conhecimento da moto e achou que ela seria a solução perfeita para outro problema: a falta de motos na frota da Polícia Militar, que à época utilizava H-D “sucateadas” por falta de manutenção e peças. Não havia outra moto de grande porte fabricada no Brasil e a Motovolks seria a solução. O projecto básico da Motovolks foi, então, comprado por Ferreira Rodrigues e modificado para produção em série. 

A Amazonas montava o abundante, no mercado brasileiro, motor VW 1600 do Brasília de 64 cv que recebeu dois carburadores Solex, um de cada lado, dando desde logo à moto um ar proeminente. Este aspecto possante era maximizado por um enorme depósito de vinte e quatro litros, farol rectangular, carenagens dianteiras e laterais atrás do motor, tudo apimentado com aqueles cromados que faziam as delícias dos motociclistas da época. 

Entre os 1976 e 1988 foram fabricados no total cerca de quatrocentos e cinquenta exemplares - cem deles destinados à Polícia Militar de São Paulo e à Polícia Rodoviária Federal – chegando mesmo a ser exportadas unidades para vários países, como EUA, Japão e Reino Unido. Com o passar do tempo a AME 1600 sofreu diversas modificações no quadro, suspensões, estética e motorização, até a sua total extinção em Outubro de 1988.

Enorme, pesada, desengonçada, gastadora, poluidora mas robusta e de muito fácil manutenção, assim foi a Amazonas AME 1600. Hoje raríssima, começa no Brasil a ser objecto de culto. Será que andará alguma por Portugal?

Limalhas de História #58 – 16 de Agosto de 1969

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, zzzZZZzzzZZz…, vinte! Vinte? Sim, vinte! 


Faz hoje exactamente quarenta e nove anos. Irlanda do Norte, Lisburn, Dundrod Circuit, Ulster Grand Prix - sim, até 1971 a actual “fastest road race in the world” fazia parte do calendário do mundial de velocidade. Faz hoje exactamente quarenta e nove anos, escrevia eu, que Giacomo Agostini conseguia a sua vigésima vitória consecutiva na Classe Rainha. Não é erro, nem gralha, nem “mentira para contar a turistas”, Ago e a sua MV Agusta ganharam sempre, consecutivamente, de 21 de Abril de 1968 ao dia 16 de Agosto de 1969. Vinte corridas! Sem (mais) palavras…

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Limalhas de História #57 – 13 de Agosto de 1989

Mil novecentos e oitenta e nove podia ter sido o ano Kevin Schwantz, só que não. Numa corrida de gala em Suzuka o Texano abre o ano a ganhar. Contudo, até voltar às vitórias, soma quatro abandonos e apenas um segundo lugar. Foram estes os únicos três resultados de Schwantz durante a época: ganhar, quase ganhar ou desistir. Schwantz era o amante do risco… 


Faz hoje exactamente vinte e nove anos anos. Suécia, Anderstorp, Scandinavian Raceway, Swedish Motorcycle Grand Prix. Os pilotos que defendiam a “Stars and Stripes” dominam. Mas Schwantz voltava a abandonar e o dia acabou por ser de duelo entre Wayne Rainey e Eddie Lawson. Num raríssimo erro, Rainey abandona e deixa a vitória numa bandeja para Lawson. Este, com mais dois segundos lugares, viria mesmo a conquistar o bicampeoanato - com a curiosidade de o ter feito com duas cores distintas: Marlboro Agostini Yamaha (1988) e Rothmans Kanemoto Honda (1989).

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A week in a paradise called Portugal (III)

Após uma primeira incursão no Parque Nacional Peneda-Gerês (link), o programa de Domingo, 22 de Julho, indicava um passeio pelo coração do Parque Nacional Peneda-Gerês. Percurso que veio a revelar-se demasiado ambicioso face à beleza e encanto desta deslumbrante região cá do retângulo. 

Primeiro houve que cruzar a Serra Amarela por estreitas estradas municipais até à barragem de Vilarinho das Furnas. Caminho sinuoso que levou a CRF ao solo, devido ao atrevimento para mais uma “foto daquelas”. Queda compensada com o curioso encontro com um animado grupo de motociclistas do Norte, organizado a partir de uma rede social, cujo foco é dar ricos passeios minhotos (uma abraço a todos!). 

Dali, Mata de Albergaria e Geira. Geira? Sim…, a Via Romana nº 18 do Itinerarivm Antonini (um roteiro do séc. IV que chegou até nós), popularmente conhecida por “Geira”, é uma das estradas militares construída no último terço do séc. I d.C., ligando Bracara Avgvsta a Astvrica Avgvsta (actual Astorga), num percurso de 215 Milhas. A justificação da sua construção encontra-se na necessidade que as legiões sentiram de penetrar mais rapidamente nas montanhas desta região. Com o seu traçado bem estruturado, por permitir galgar vários tramos de montanha sem subidas ou descidas muito acentuadas, encurtou-se a ligação entre aquelas duas cidades, até ali só possível por Aquae Flavaie (actual Chaves). As características da estrada romana da “Geira” e o facto de ser durante séculos a melhor, talvez única, via que atravessava a Serra do Gerês, levaram-na a ser restaurada, praticamente, até ao início do século XX.

No final desta pequena aventura um mergulho inesquecível nas águas frescas da barragem. Dali rumo à localidade de Campo de Geres e à serpenteante N304 que passa em São Bento da Porta Aberta até ao primeiro encontro desta viagem com a épica N103, que me levou neste dia até perto da Ponte da Misarela, já no “longínquo” concelho de Montalegre. O regresso à Barca passou por Cabril e Fafião. O cansaço traiu-me e falhei a Cascata do Arado mas não o apaixonante Miradouro da Pedra Bela, a passagem por Portela do Homem e uma pequena incursão em Espanha, aproveitando para reabastecer em Lobios. 

Uffff…, felizmente que tal como no dia anterior (link) o Moinho em Ponte da Barca estava novamente à minha espera, com um belo cabrito no forno acompanhado de delicioso arroz de miúdos. 

[continua…]

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Mercado com primeiro semestre bem positivo mantém tendência em Julho

Os dados são oficias, referem-se a matrículas de motociclos novos (>125cc) nos primeiros sete meses do ano, e revelam uma subida de vendas de quase 20% face a igual período do ano passado. O Mercado dá sinais positivos e vai à boleia de Honda, Yamaha e…, Benelli.


Esta nova vida da histórica marca italiana não pára de surpreender. O crescimento está sólido e a manter tais níveis o ataque ao terceiro lugar da BMW será uma realidade. Do lado positivo destaque ainda para a KTM a crescer mais de 60%. 

A nota menos positiva vai para BMW, H-D e Triumph, com vendas, até este momento, abaixo de níveis de 2017. 

De regresso à Benelli e olhando rapidamente para dados referentes a matrículas de motociclos novos (>50cc), confirmamos o seu crescimento explosivo. Ai a italiana é já terceira colocada com um crescimento, nestes primeiros sete meses de 2018, de quase 300%. Brutal!

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Limalhas de História #56 – 7 de Agosto de 1988

1988. Eu repito, mil novecentos e oitenta e oito. Bush, o primeiro, é presidente Norte Americano. Nasce Rihanna enquanto os Sonic Youth lançam um dos álbuns mais importantes para o rock alternativo, Daydream Nation. Por cá, o Sport Lisboa e Benfica vencia o seu vigésimo oitavo título de campeão nacional, num ano marcado pelo trágico incêndio que destruiu o Chiado, em Lisboa. Trinta anos, pah… 


Faz hoje exactamente trinta anos. Reino Unido, Inglaterra, East Midlands, North West Leicestershire, Donington Park. Wayne Rainey, na sua primeira temporada em 500cc, alcançava com a YZR do Lucky Strike Roberts Yamaha a sua primeira vitória. Foi também a primeira vitória de uma moto equipada com disco de travão dianteiro feito em carbono.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

A week in a paradise called Portugal (II)

Se bem se recordam, eu esforcei me para encontrar tempo e meter-me à estrada. Fui parar ao Porto. E pelas suas ruas carregadinhas de beleza e história andei a deambular num magnífico fim de tarde, início de noite (link). 

O dia seguinte, sábado, 21 de Julho, começou preguiçoso mas novamente luminoso. Porque os próximos dias seriam longe do mar, aproveitei para um refrescante passeio nas margens do Douro e uma ida até à foz, encher os pulmões com a fresca e limpa maresia nortenha. 

Dai, voltei a colocar as borrachas na auto-estrada, rumo a Ponte da Barca. Após o check-in no Hotel dos Poetas e um almoço rápido mas delicioso numa das muitas novas casas que animam a bela Barca, o Petisc’art, primeira incursão no Parque Nacional Peneda-Gerês, 

O único Parque com classificação “Nacional” em território Português, situa-se no extremo noroeste de Portugal, na zona raiana entre Minho, Trás-os-Montes e Galiza. O seu perímetro territorial abrange todo o território florestal que se estende desde a Serra da Peneda até a Serra do Gerês, englobando ainda a Serra do Soajo e a Serra Amarela, sendo recortado por dois grandes rios, o Lima e o Cávado, numa área total de cerca de 70 290 hectares.

Finalmente tinha chegado às “outras estradas” como lhes chamam os políticos. Nossa Senhora da Peneda, Castro Laboreiro, descida para Lindoso e regresso à Barca pela curvilínea N203 fizeram parte do menu da tarde. E por falar em menu, o jantar foi de classe superior no restaurante O Moinho; salpicão, bolinhos de bacalhau, posta barrosã acompanhada de arroz de feijão e legumes, leite-creme e um bagaço caseiro com aquela suavidade dos deuses. Depois de um dia tão cheio, ainda houve tempo para assistir, de sorriso no rosto, a um mais ou menos espontâneo Vira do Minho, dançado por quem o faz há décadas na velhinha Praça da República na Barca. 

[continua…]

Limalhas de História #55 – 6 de Agosto de 1983

Spencer (HRC-Honda), Spencer, Spencer. Roberts (Marlboro Agostini-Yamaha), Spencer. Roberts, Spencer. Roberts, Roberts, Roberts. Empate a cinco. A duas corridas do encerramento do mundial apenas estes dois tinham tido a honra e glória de serem os primeiros a ver o xadrez. Mais, empatados também em desistências - uma para cada. Mais ainda, só não estavam rigorosamente empatados no topo da tabela porque Spencer tinha um terceiro e um quarto, contra dois quartos Roberts. É difícil imaginar melhor batalha entre as eternas rivais japonesas… 

Faz hoje exactamente tinta e cinco anos. Suécia, Anderstorp, Scandinavian Raceway, Swedish Motorcycle Grand Prix. Spencer chega à Escandinávia com dois magros pontos de vantagem na frente da tabela. Kenny Roberts e a Yamaha já eram tricampeões. Freddie Spencer (com apenas 21 anos) e a Honda nunca tinham provado o sabor do título. Com muita polémica e um toque entre ambos nas últimas curvas, Spencer leva a Honda ao primeiro lugar, uma vitória que viria a revelar-se determinante para que o norte-americano levasse a Asa Dourada ao seu primeiro ceptro de campeã do mundo na Classe Rainha.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Comparativo SuperEnduro 2018 MOTOCICLISMO Itália


Um dos melhores e mais dinâmicos meios de comunicação da especialidade da Europa, provavelmente do mundo, oferece-nos este mês de Agosto um comparativo de classe. 

As protagonistas desta análise são: BMW F850GS, KTM 1090 AdventureR, Honda CRF1000L Africa Twin e Triumph Tiger 800XCa. O cenário é de gala: alpes Italianos na olímpica e apaixonante zona de Sestriere. Os analistas sabem da coisa e a realização do clip chega a assumir, a espaços, rigor cinematográfico. 

Eu gostei muito e recomendo a visualização. Fiquem confortáveis e apostem quinze minutos da vossa vida a deliciarem-se com isto. E, no fim, tirem as vossas próprias conclusões. 


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Limalhas de História #54 – 23 de Agosto de 1998

Hoje é dia 1 de Agosto. “E tudo em mim, é um fogo posto. Sacola às costas, cantante na mão, enterro os pés no calor do chão”. Eishhhh, calma. Não será tanto assim como cantavam os Xutos, mas pensem lá um bocadinho. Quantos anos esperaram por “este dia”? É que está ai, já no fim-de-semana, o início de ponta final de mundial de velocidade mais emocionante das nossas vidas. Porquê? Um português, o Miguel, entra na fase decisiva da temporada pós-paragem de verão a lutar por um título mundial, o de Moto2. 


Mas como estamos em semana de Grande Prémio na histórica Brno, segunda maior cidade da Republica Checa, nada como recordar este M-O-M-E-N-T-O absolutamente inesquecível. Biaggi vencia com a sua, parcialmente oficial, Honda do Marlboro Team Kanemoto na frente de mais três Honda (Crivillé - Repsol, Barros - Gresini e Okada - Repsol). E comemorava da forma que a imagem documenta. Um wheelie para lá de abusado e absurdo. Único!
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