Uma moto duas experiências. Durante cerca de um mês, a Kawasaki Eliminator 500 fez parte da nossa garagem, da nossa rotina e das nossas viagens. Não foi uma passagem rápida “pela redação”, nem aquelas poucas centenas de quilómetros que permitem formar uma primeira impressão e pouco mais. Eu e a Inês andámos nela, separadamente e juntos, em cidade, em estrada e em viagem. Tivemos tempo para nos habituarmos à moto, para perceber os seus consumos, a sua resposta, a sua agilidade e também aquilo que nos agradou menos. Ultrapassámos os mil quilómetros e, nessa altura, já não estávamos a falar de uma novidade: estávamos a falar de uma moto que conhecíamos.
E foi precisamente aí que esta experiência ganhou um interesse especial. Porque a Kawasaki Eliminator 500 foi vivida por duas pessoas muito diferentes. Eu cheguei a ela com muitos anos de motociclismo, milhares de quilómetros e hábitos muito definidos. A Inês chegou com uma experiência muito mais curta e com uma relação ainda em construção com as duas rodas. E as nossas primeiras impressões não podiam ter sido mais diferentes.
Inicialmente, estranhei a posição de condução. O guiador relativamente fechado, os pés algo avançados, o banco muito baixo e aquela relação particular entre o depósito, o guiador e o corpo fizeram-me sentir, nos primeiros quilómetros, que estava sentado numa moto que ainda não conseguia entender. A Inês, pelo contrário, adaptou-se quase imediatamente. Aquilo que para mim exigiu algum tempo tornou-se, para ela, uma fonte de confiança.
Isso acabou por ser uma das coisas mais interessantes desta experiência. A mesma moto pode transmitir sensações completamente diferentes dependendo de quem está sentado nela. E a Eliminator obrigou-me, de certa forma, a fazer aquilo que nem sempre é fácil para um motociclista experiente: deixar de comparar uma moto com todas as outras que já conduzi e tentar percebê-la pelo que ela realmente é. E antes de falarmos da nossa experiência, vale a pena perceber o que é esta Eliminator e porque é que este nome tem tanto peso na história da Kawasaki.
UM NOME COM HISTÓRIA
O nome Eliminator ocupa um lugar muito particular na história da Kawasaki. Não nasceu agora, nem é uma invenção da atual vaga de motos de estilo “custom”. Pelo contrário, remonta à década de 1980, quando a marca japonesa procurava afirmar-se no segmento das cruisers através de uma abordagem diferente daquela seguida pelos fabricantes americanos. A primeira Eliminator surgiu em 1985. Em vez de privilegiar apenas o conforto e a imagem clássica, a Kawasaki decidiu criar uma moto de linhas longas e baixas, mas equipada com motores derivados das suas desportivas e naked de quatro cilindros. Daí nasceram modelos como a ZL400, ZL600, ZL900 e a impressionante ZL1000 Eliminator, equipada com o motor da Ninja GPZ1000RX.
Quase quarenta anos depois, a Kawasaki recuperou esta designação para uma nova geração de motociclistas. A Eliminator regressa profundamente diferente das suas antecessoras. Já não pretende ser uma muscle cruiser extrema. Em vez disso, assume-se como uma cruiser moderna, acessível, leve e fácil de conduzir, construída para conquistar novos utilizadores e para responder às exigências da carta A2.
LIMPA E MINIMALISTA
A Kawasaki Eliminator apresenta uma linguagem estética extremamente limpa e minimalista. À primeira vista destaca-se pela silhueta muito longa e baixa. O depósito prolonga-se visualmente até ao banco, criando uma linha contínua que conduz naturalmente o olhar até à traseira curta e bastante depurada. Não existem elementos decorativos em excesso. Quase todas as superfícies são lisas, tensas e desprovidas de ornamentos, transmitindo uma imagem moderna em vez de retro.
Na frente encontra-se um farol circular totalmente em LED. Embora mantenha uma forma clássica, o seu interior possui uma assinatura luminosa contemporânea que denuncia imediatamente tratar-se de um modelo atual. As forquilhas convencionais de 41 mm apresentam um acabamento escurecido, reforçando a imagem sóbria da moto. O depósito possui formas suaves, sem vincos agressivos, privilegiando elegância em detrimento da agressividade. O banco situa-se apenas a 735 mm do solo, praticamente fundindo-se com a restante carroçaria. A posição extremamente baixa constitui um dos elementos visuais mais marcantes da Eliminator.
A traseira é curta, limpa e compacta. O escape surge colocado numa posição baixa e paralela ao solo, sem chamar excessivamente a atenção, reforçando o carácter discreto do conjunto. Grande parte da mecânica permanece visível. O motor bicilíndrico é assumido como elemento integrante da estética, ocupando visualmente o centro da moto sem recurso a coberturas plásticas. O resultado final transmite uma imagem equilibrada entre o universo cruiser tradicional e o design contemporâneo japonês.
PLATAFORMA COMPLETAMENTE MODERNA.
O quadro é um tubular em aço de elevada rigidez torsional, desenvolvido especificamente para privilegiar facilidade de condução, estabilidade e baixo peso. No seu interior encontra-se um motor bicilíndrico paralelo de 451 cm³, refrigerado por líquido, com dupla árvore de cames à cabeça (DOHC) e quatro válvulas por cilindro. A potência máxima situa-se nas 45 cv, valor perfeitamente enquadrado no limite da carta A2.
O peso em ordem de marcha ronda os 176 kg, valor extremamente competitivo dentro da categoria. O depósito de combustível possui capacidade para aproximadamente 13 litros. A ergonomia constitui um dos aspetos mais trabalhados da Eliminator. O banco muito baixo permite que praticamente qualquer motociclista consiga apoiar ambos os pés no solo com facilidade, aumentando significativamente a confiança durante manobras e circulação urbana. A iluminação é integralmente em tecnologia LED.
PERSONALIDADE DINÂMICA
Apesar da imagem cruiser, a Eliminator não se conduz como uma cruiser tradicional. A geometria da ciclística aproxima-se muito mais da de uma naked do que da maioria das motos deste segmento. A direção é rápida. O peso reduzido facilita - uns "anoreticos" 176 Kg em ordem de marcha - mudanças de trajetória. O centro de gravidade é muitíssimo baixo e transmite enorme sensação de controlo. O motor revela uma resposta particularmente agradável em utilização quotidiana, permitindo circular em cidade praticamente sem esforço e oferecendo capacidade suficiente para viagens em estrada nacional e autoestrada.
É precisamente aí que reside uma das maiores virtudes da Eliminator. A Kawasaki Eliminator não pretende competir diretamente com cruisers tradicionais de maior cilindrada. O seu verdadeiro objetivo consiste em oferecer uma porta de entrada para o universo cruiser sem os compromissos habituais associados a motos pesadas, difíceis de manobrar ou excessivamente especializadas.
E se para um motociclista experiente a Eliminator pode exigir algum tempo de adaptação, a história da Inês, a Miss Yoshimura, começou de uma forma completamente diferente. Quando recebeu a chave daquela Kawasaki com zero quilómetros, ainda estava a dar os primeiros passos no motociclismo. Tinha a sua Honda CL500, tinha já alguma experiência, no entanto continuava a existir uma enorme diferença entre saber conduzir uma moto e sentir que somos realmente capazes de conduzi-la em qualquer situação.
Foi nesse contexto que começou esta experiência. E talvez seja por isso que o testemunho da Inês seja tão importante para perceber esta Kawasaki. Não é o olhar de quem procura potência, prestações ou tecnologia. É o olhar de alguém que procura, antes de tudo, confiança. E foi precisamente aí que a Eliminator começou a surpreendê-la.
“A PRIMEIRA VEZ” COMEÇOU AINDA ANTES DA ELIMINATOR
No dia 14 de julho saí de casa sabendo que ia viver uma experiência nova. Na verdade, ainda não sabia quantas primeiras vezes caberiam nos 30 dias seguintes. A primeira começou logo antes de conhecer a Kawasaki Eliminator. Pela primeira vez, saí de casa na minha Honda CL500 para atravessar Lisboa e ir buscar outra moto. Para quem tem muitos anos de motociclismo isto provavelmente não significa absolutamente nada. Para uma recém-encartada como eu, significa autocarros, semáforos, carros mal estacionados, buzinas, trânsito e uma quantidade considerável de pensamentos a acontecer ao mesmo tempo dentro do capacete.
Cheguei ao stand da Kawasaki com o Pedro e com aquele misto estranho de entusiasmo e nervosismo. À minha frente estava uma Kawasaki Eliminator novinha em folha. Quilómetro zero. Matriculada para começar precisamente ali esta experiência. E eu ia levá-la. A ideia destes 30 dias era simples: dar-me oportunidade de ganhar quilómetros, experiência e confiança numa moto da mesma cilindrada da minha Honda CL500, no entanto mais baixa e particularmente fácil de conduzir. Na teoria parecia uma excelente ideia. Na prática, significava que alguém me estava a entregar a chave de uma moto com zero quilómetros e a dizer: “Agora vai.”
O PRIMEIRO VERMELHO
Não precisei de muitos quilómetros para perceber que alguma coisa estava a acontecer. A primeira sensação foi física. A moto é baixa, permite-me colocar os pés no chão com enorme naturalidade e, para a minha estrutura, a posição de condução revelou-se extremamente confortável.
O banco, que sei que não provoca exatamente a mesma sensação em todas as pessoas, para mim foi uma surpresa muito positiva. Mesmo depois de várias horas em cima da moto, senti-me confortável na zona lombar e na coluna, e a posição das mãos no guiador nunca me obrigou a andar tensa ou excessivamente inclinada. Isto pode parecer um detalhe, mas quando ainda estamos a ganhar experiência, sentirmo-nos fisicamente bem em cima da moto liberta-nos mentalmente para aquilo que realmente interessa: conduzir.
E houve outro pormenor que, enquanto mulher e enquanto condutora ainda recente, valorizei imenso: os comandos no guiador. Estavam exatamente onde eu precisava que estivessem. Os piscas, os quatro piscas, os sinais de luzes, os travões, o botão de emergência — tudo me pareceu intuitivo, acessível e adequado ao tamanho normal de uma mão feminina.
Nesta fase, em que ainda estou a transformar muitos destes gestos em automatismos, isso é muito importante. Ainda existe aquele pequeno milésimo de segundo em que o cérebro pensa “onde está o pisca?” ou “qual é o botão que quero carregar?”. Na Eliminator, senti que tudo estava disposto de forma muito natural.
Também gostei muito da suavidade geral da moto. Na travagem, nunca senti respostas bruscas ou intimidantes. Nas irregularidades da estrada, a suspensão transmitia-me uma sensação de conforto e estabilidade que, para alguém ainda a construir confiança, vale muito. Não sei explicar estas coisas como alguém que faz ensaios técnicos de motos — e também não quero. Consigo apenas explicar aquilo que senti. E o que senti foi uma moto que não me obrigava a lutar com ela.
Saímos da RG Motor Lisboa em direção ao centro da cidade e, no primeiro semáforo vermelho em que fiquei lado a lado com o Pedro, olhei para ele com um sorriso impossível de esconder.
— Isto é muito giro!
A resposta dele foi imediata:
— Eu avisei-te.
E tinha avisado.
A ELIMINATOR COMEÇOU A FAZER PARTE DOS MEUS DIAS
Seguimos até à Praia da Torre e, poucas horas depois de me sentar naquela moto pela primeira vez, eu tinha a estranha sensação de que já a conhecia. É talvez esse o primeiro grande elogio que consigo fazer à Eliminator: não exige que lutemos com ela para começarmos a divertir-nos. E, para alguém que ainda tem receios e que não esconde que conduzir no centro de Lisboa continua a exigir bastante concentração, isso faz uma diferença enorme. No regresso, com o trânsito de verão acumulado na Marginal, dei por mim a circular naturalmente entre o movimento, a trocar cumprimentos com outros motociclistas e a sentir uma coisa que até então ainda aparecia apenas em pequenos momentos: eu pertencia ali.
Depois veio a missão: “Agora vais andar nela.”. E andei. Por coincidência, o meu ginásio habitual estava em obras e eu tinha decidido treinar noutro local. De repente, aquilo que poderia ser apenas um inconveniente tornou-se a desculpa perfeita. Mochila às costas, equipamento vestido, chave na mão. Casa-ginásio. Ginásio-casa. Pequenos percursos, é verdade. Mas quando estamos a ganhar experiência numa moto, são precisamente esses quilómetros aparentemente insignificantes que começam a mudar tudo.
Instalei também um suporte de telemóvel no guiador. Sou do Porto e, apesar de já me orientar bastante bem em Lisboa, conduzir uma moto exige de mim uma atenção diferente. Quero estar concentrada na estrada, nos outros veículos, em ser vista e em antecipar o que acontece à minha volta. Não quero gastar parte dessa atenção a tentar lembrar-me se era na próxima saída ou na seguinte. O GPS deu-me liberdade. E, pouco a pouco, a Eliminator deixou de ser “a moto que me emprestaram” para se tornar simplesmente a moto em que eu saía de casa.
ATÉ QUE APARECEU UMA IDEIA.
“E se formos os dois, cada um na sua moto?”. O Pedro tinha alguns dias livres e outra moto para ensaiar. Porque não fazermos uma pequena viagem? E desta vez de uma forma que nunca tínhamos feito. Cada um na sua moto. Curiosamente, também seria uma primeira vez para ele. Em tantos anos de viagens de moto juntos, nunca tínhamos feito uma viagem em que eu conduzisse ao lado dele.
O destino surgiu rapidamente: Góis. Encontrámos alojamento, desenhámos o percurso e, algures entre o entusiasmo da decisão e a chegada a casa, ocorreu-me uma pequena questão: no que é que eu me fui meter? Até então, a minha viagem maior enquanto condutora tinha sido até Évora. Agora falávamos de centenas de quilómetros. Estradas nacionais. Curvas. Serra. Calor. Vários dias.
IA MESMO ACONTECER.
Eu estava a conduzir a minha própria viagem. Na manhã da partida estava tudo preparado. Equipamento completo, cinta lombar, luvas, capacete, viseira limpa, telemóvel no suporte e uma regra muito simples entre nós: cada um faria a viagem ao seu ritmo. O Pedro marcou previamente cada paragem no GPS. Eu sabia para onde ia e não precisava de tentar acompanhá-lo. Se ele chegasse primeiro, esperava por mim. Se eu chegasse primeiro, esperava eu.
Essa liberdade acabou por ser uma das coisas mais importantes de toda a viagem. Eu estava a conduzir a minha própria viagem. Ponte Vasco da Gama. Camiões. Estrada nacional. O ar fresco da manhã. Paisagens que eu já conhecia de outras circunstâncias, mas que pareciam completamente diferentes vistas de cima de uma moto que era eu a conduzir. E houve um pensamento que me acompanhou várias vezes: “Inês, vais fazer 50 anos daqui a pouco tempo e estás a fazer coisas pela primeira vez.”
Talvez tenha sido isso que tornou tudo tão especial. Eu já fiz milhares de quilómetros de moto enquanto passageira. Conheço o prazer de viajar atrás. Conheço a paisagem, os cheiros, as paragens, a sensação de estrada. Mas desta vez eram as minhas mãos no guiador. Era eu que travava. Era eu que acelerava. Era eu que decidia quando reduzir. Era eu que escolhia a trajetória. E comecei finalmente a perceber uma parte daquilo que o Pedro sente há tantos anos.
VIAJAR DE MOTO A CONDUZIR É OUTRA COISA.
Viajar de moto como passageira é maravilhoso. Viajar de moto a conduzir é outra coisa. Paramos, fotografámos, conversámos, encontrámos pessoas. E comecei também a viver uma imagem que tantas vezes tinha observado do lado de fora: aquele grupo de motociclistas que chega a algum lado e, no meio deles, está uma mulher na sua própria moto. Agora essa mulher era eu.
Depois chegaram as curvas. E com elas chegou provavelmente a parte mais importante da experiência. Não tinha ninguém no ouvido a dizer-me como devia fazer uma curva. Não havia instruções constantes sobre quando travar, quando reduzir ou que trajetória escolher. Tinha aquilo que tinha aprendido, algum bom senso e uma Kawasaki Eliminator debaixo de mim. E fui fazendo. Às vezes mais devagar. Às vezes sabendo perfeitamente que um carro atrás de mim provavelmente gostaria que eu fosse mais depressa.
E aprendi uma coisa importantíssima: não me deixar pressionar. Fiz a minha estrada ao meu ritmo. O Pedro esperava por mim sem me apressar. Nunca me pressionou. Nunca tentou obrigar-me a acompanhar um ritmo que não era o meu. E, para minha surpresa — e também para a dele — muitas vezes a espera era bastante mais curta do que imaginávamos.
Cheguei a Góis cansada, naturalmente. O joelho direito já protestava um pouco contra tantas horas na mesma posição e o corpo lembrava-me que aquilo também era esforço. Mas cheguei. Na minha moto. Depois de centenas de quilómetros. E com uma enorme vontade de voltar a fazê-lo.
O MEU PEQUENO STELVIO PORTUGUÊS
No segundo dia deixámos as motos descansar. No terceiro regressámos a Lisboa. E, como aparentemente já não bastava tudo aquilo que eu tinha feito pela primeira vez, escolhemos um percurso ainda mais longo e desafiante. Serra. Subidas. Descidas. Curvas fechadas. Daquelas estradas em que olhamos em frente e pensamos: “Eu vou passar por ali?”
Passei. Com calma. Com respeito. Com algum medo, evidentemente. Mas passei. Em alguns momentos senti que estava a fazer o meu pequeno Stelvio português. E aconteceu então uma coisa difícil de explicar racionalmente. Durante muitos anos pratiquei hipismo e conheço aquela sensação em que cavalo e cavaleiro deixam de parecer duas entidades separadas. Há uma altura em que começamos simplesmente a funcionar em conjunto. Foi algo parecido que senti com a Eliminator.
TRINTA DIAS DEPOIS
O mês passou demasiado depressa. Ainda fizemos uma sessão fotográfica antes da despedida e aconteceu uma coisa curiosa: sempre que voltava a sentar-me na Eliminator havia ainda aquele pequeno frio na barriga. Só que agora vinha acompanhado de outra sensação. Confiança.
Eu não fui entregá-la ao stand e – quando vos escrevo - ainda não voltei a conduzir a minha Honda CL500 desde então. Por isso ainda não sei exatamente tudo aquilo que estes 30 dias vão mudar quando voltar à minha moto. Mas há coisas que já sei. Sei que fiz uma viagem que, poucas semanas antes, provavelmente me pareceria demasiado grande. Sei que atravessei cidades, enfrentei trânsito, fiz nacionais, conduzi durante horas, subi e desci serras, fiz curvas que me assustavam e aprendi a não conduzir ao ritmo dos outros. Sei que continuo a ter respeito — e algum medo — por andar de moto.
Só que agora sei também que consigo fazer muito mais do que imaginava. A Kawasaki Eliminator não veio substituir a minha Honda. Veio ensinar-me a ser melhor motociclista.
Talvez tenha sido esse o verdadeiro objetivo destes 30 dias. Há motos que experimentamos e devolvemos. E depois há motos que ficam associadas a uma fase da nossa vida. Esta vai ficar para sempre ligada às minhas primeiras vezes.
E existe ainda um pequeno pormenor de que gosto particularmente: aqueles primeiros quilómetros daquela matrícula foram feitos por mim. Esses já ninguém mos tira. Estou quase a fazer 50 anos. E se estes 30 dias me ensinaram alguma coisa que vá muito além do motociclismo, foi isto: ainda tenho imensas primeiras vezes para viver.
Nestes 30 dias percebi também que ensinar alguém a ganhar confiança numa moto não é dizer-lhe para acelerar mais, fazer melhor ou ter menos medo. Às vezes é simplesmente estar lá. Dar espaço. Esperar. Respeitar. E deixar a outra pessoa descobrir, quilómetro após quilómetro, aquilo de que é capaz. Eu não teria vivido esta experiência da mesma forma sem ti.
À Kawasaki Portugal e à RG Motor, um enorme obrigada pela confiança e pela cedência desta Eliminator. Trouxe quilómetros. Trouxe histórias. Trouxe primeiras vezes. Trouxe confiança. E trouxe uma ligação muito especial a uma moto que ficará para sempre associada a esta fase da minha vida. Por isso, obrigada por me terem permitido viver tudo isto. Há experiências que terminam quando entregamos a chave. Esta não terminou.
SIMPLICIDADE E CARISMA
Sublinho. Durante cerca de um mês, a Kawasaki Eliminator 500 fez parte da nossa garagem, da nossa rotina e das nossas viagens. Não foi uma passagem rápida “pela redação”, nem aquelas poucas centenas de quilómetros que permitem formar uma primeira impressão e pouco mais. Mais do que uma prova, esta foi uma autentica experiencia criada por nós, para vos oferecer uma visão global desta moto.
Esta Kawasaki Eliminator 500 Metallic Flat Spark Black reclamou, em média, cerca de três litros e meio de combustível por cada cem quilómetros de prazer tranquilo que nos ofereceu. Notem que este consumo é cerca de dez por cento abaixo do anunciado pela marca. Existe ainda um conjunto de acessórios que podem enriquecer ainda mais a vossa Eliminator, sendo que destaco um banco ainda mais baixo e um Escape Arrow preto mate com proteção térmica em carbono e ponteira em carbono, um sistema mais leve em comparação com o sistema de escape de série e que promete oferecer um som profundo e desportivo. A Kawasaki pede-vos uma transferência bancara de 6.890€ por esta moto simples todavia carregada de crisma.
Raterómetro ******** (8/10)
















































