Muito para lá de um aniversário, esta é a história de uma empresa portuguesa que recusou seguir o caminho mais fácil e conquistou lugar entre as grandes referências internacionais dos capacetes premium.
Durante as últimas duas décadas, tornou-se quase um lugar-comum assistir à deslocalização da indústria europeia. À medida que os custos aumentavam, muitas empresas optaram por transferir produção para outras geografias, privilegiando economias de escala e mão de obra mais barata. A lógica era simples: produzir mais, gastar menos.
Na Amoreira da Gândara, no concelho de Anadia, alguém decidiu seguir precisamente o caminho inverso. Em vez de abandonar Portugal, apostou em produzir cá. Em vez de depender de terceiros, investiu em conhecimento próprio. Em vez de competir apenas pelo preço, decidiu fazê-lo através da engenharia, do design e da inovação. Vinte e cinco anos depois, essa aposta tem um nome: NEXX Helmets.
Hoje, os seus capacetes chegam a motociclistas de mais de 60 países e a marca portuguesa afirma-se como uma das referências europeias no segmento premium, disputando espaço com alguns dos fabricantes mais prestigiados do mundo. Um percurso construído sem atalhos e que continua profundamente ligado às suas origens.
Foi precisamente para assinalar este quarto de século de atividade que a NEXX reuniu parceiros, distribuidores, comunicação social especializada, riders e colaboradores numa celebração onde O Escape Mais Rouco marcou presença.
Todavia, mais do que uma festa de aniversário, aquele encontro acabou por revelar algo bastante mais interessante: a forma como uma empresa portuguesa conseguiu construir a identidade própria num dos mercados mais competitivos da indústria do motociclismo.
MUITO MAIS DO QUE FABRICAR CAPACETES
Quando se fala na NEXX, é fácil pensar imediatamente nos seus modelos Adventure, Touring ou Racing. Afinal, são esses produtos que chegam às estradas e às mãos dos motociclistas. Contudo, limitar a marca aos capacetes seria ignorar aquilo que verdadeiramente a distingue.
Ao longo destes 25 anos, a empresa foi construindo uma cultura onde o desenvolvimento de produto começa muito antes da primeira linha desenhada num computador e termina muito depois do capacete chegar ao mercado.
Na NEXX, design, engenharia, investigação e produção convivem diariamente sob a mesma visão. Não existem departamentos isolados que apenas comunicam quando necessário. Existe uma filosofia de trabalho que aproxima quem desenha, quem testa, quem fabrica e quem conhece as necessidades dos motociclistas. É uma abordagem pouco comum numa indústria onde muitos fabricantes dependem de estruturas dispersas por vários países.
PERMANECER EM PORTUGAL FOI UMA DECISÃO ESTRATÉGICA
Uma das ideias mais interessantes que sobressai durante as conversas com a equipa da NEXX é que permanecer em Portugal nunca foi encarado como um obstáculo. Foi uma escolha. Ao longo dos anos, teria sido relativamente simples seguir o caminho de tantos outros fabricantes e transferir parte da produção para mercados mais baratos. Não aconteceu.
A empresa preferiu investir em investigação, em processos produtivos próprios e na criação de conhecimento interno, mantendo a conceção e o fabrico lado a lado. Essa decisão permitiu preservar algo difícil de medir numa folha de Excel: a capacidade de controlar cada etapa do desenvolvimento de um capacete.
É precisamente esta filosofia que explica porque razão a NEXX continua a falar em produção “in-house”, mesmo numa época em que tantas empresas optaram por externalizar processos.
UMA MARCA GLOBAL SEM PERDER IDENTIDADE
Há um dado que ajuda a perceber a dimensão do crescimento. Aquela pequena fábrica que nasceu em 2001 exporta hoje para mais de sessenta mercados espalhados pelo mundo E talvez mais importante do que esse número seja a forma como esse crescimento aconteceu.
Em vez de adaptar constantemente a sua identidade às tendências do momento, a NEXX foi consolidando uma linguagem própria. Uma linguagem onde o design arrojado, a aposta na segurança, a inovação tecnológica e a produção nacional deixaram de ser apenas argumentos comerciais para passarem a fazer parte do ADN da marca.
É essa consistência que explica porque tantos motociclistas reconhecem imediatamente um capacete NEXX, independentemente do segmento a que pertence. Ao fim de 25 anos, a empresa portuguesa celebra naturalmente os resultados alcançados. A sensação que ficou durante este encontro foi outra: a de que o aniversário não representa um ponto de chegada. Representa, acima de tudo, o início de uma nova fase.
DENTRO DA NEXX: ONDE O DESIGN ENCONTRA A ENGENHARIA
Se existe uma ideia que ficou clara durante as comemorações dos 25 anos da NEXX, é que um capacete nunca começa por ser um capacete. Começa por uma pergunta. Como reduzir o ruído aerodinâmico sem comprometer a ventilação? Como tornar um capacete mais leve sem sacrificar a resistência? Como oferecer maior proteção sem aumentar o volume? E, talvez a mais difícil de todas: como responder às necessidades de um motociclista que utiliza a moto diariamente, viaja milhares de quilómetros por ano ou enfrenta pistas de competição, mantendo uma identidade comum a todos os produtos?
É nesta procura permanente de respostas que nasce cada novo projeto da marca portuguesa. Ao contrário daquilo que muitos imaginam, o processo não se resume ao trabalho de um departamento de design. Na NEXX, designers, engenheiros, especialistas em investigação e desenvolvimento, produção, marketing e até equipas comerciais trabalham em estreita ligação desde as primeiras fases de desenvolvimento.
A empresa chama a este espaço de colaboração FUEL, um ambiente onde as ideias circulam rapidamente e onde as decisões podem ser tomadas sem as barreiras tradicionais entre departamentos. O resultado é um processo muito mais dinâmico, capaz de transformar uma ideia num protótipo, testá-la, corrigir detalhes e voltar a testar num curto espaço de tempo.
O “WOW FACTOR” NÃO É APENAS ESTÉTICA
A NEXX fala frequentemente do seu “WOW Factor”. À primeira vista, a expressão pode parecer apenas um conceito de marketing. No entanto, analisando a filosofia da empresa, percebe-se que significa algo bastante diferente. O objetivo nunca foi desenhar capacetes extravagantes apenas para chamar a atenção. Pelo contrário.
Cada linha, cada entrada de ar, cada spoiler ou cada superfície nasce de uma necessidade funcional. A estética surge como consequência desse processo e não como o seu ponto de partida. É precisamente essa combinação entre função e emoção que permite criar produtos imediatamente reconhecíveis, sem cair no exagero ou em soluções demasiado radicais.
Esta abordagem torna-se particularmente evidente na coleção Adventure, uma das mais emblemáticas da marca. O motociclista deste segmento já não corresponde a um único perfil. Pode utilizar a moto diariamente para trabalhar, atravessar fronteiras durante as férias ou aventurar-se em caminhos de terra ao fim de semana. É por isso que o feedback recolhido junto dos utilizadores assume um papel tão importante no desenvolvimento de novos produtos.
PRODUZIR EM PORTUGAL É TAMBÉM UMA FERRAMENTA DE INOVAÇÃO
Num mercado globalizado, produzir na Europa representa um desafio económico evidente. No entanto, para a NEXX, manter investigação, desenvolvimento e produção concentrados em Portugal oferece uma vantagem que dificilmente seria possível alcançar através de processos totalmente externalizados.
A proximidade entre quem desenha e quem fabrica permite experimentar novas soluções praticamente em tempo real. Uma alteração proposta pela engenharia pode ser validada rapidamente na produção. Um detalhe identificado durante os testes pode regressar ao departamento de desenvolvimento sem semanas de espera ou longas cadeias logísticas.
Esta flexibilidade traduz-se numa capacidade de inovação contínua e ajuda a explicar porque razão a empresa continua a investir em materiais próprios, novas soluções construtivas e processos de fabrico cada vez mais sofisticados. Mais do que uma fábrica, a NEXX procura funcionar como um verdadeiro laboratório de desenvolvimento.
TECNOLOGIA QUE FAZ SENTIDO NA ESTRADA
Há uma tendência frequente na indústria do motociclismo: transformar cada novo produto numa sucessão interminável de siglas, materiais exóticos e soluções técnicas que, para muitos utilizadores, acabam por significar muito pouco. A NEXX parece seguir uma lógica diferente.
Em vez de desenvolver tecnologia apenas para enriquecer uma ficha técnica, a marca portuguesa procura que cada inovação responda a um problema concreto sentido por quem passa horas dentro de um capacete. Pode parecer uma diferença subtil, mas é precisamente ela que separa a inovação útil da inovação meramente comercial. Um bom exemplo são os materiais utilizados nas calotas.
Menos peso significa menos fadiga sobre os músculos do pescoço durante uma viagem longa. Um melhor equilíbrio reduz o esforço necessário para contrariar o vento, sobretudo em motos sem grande proteção aerodinâmica. E uma estrutura otimizada permite aumentar a proteção sem recorrer a soluções excessivamente volumosas.
A LUTA CONTRA UM INIMIGO INVISÍVEL
Há, no entanto, outro fator que influencia profundamente o conforto de condução e que raramente recebe a atenção que merece: as microvibrações. Quem percorre centenas de quilómetros de autoestrada sabe que o cansaço nem sempre resulta apenas do peso do capacete. Pequenas oscilações constantes provocadas pela turbulência do ar acabam por gerar tensão muscular, aumentando progressivamente a fadiga.
Foi precisamente para responder a esse fenómeno que a NEXX desenvolveu o Anti-Vibration EPS System. O conceito parece simples, mas obrigou a um enorme trabalho de investigação. Para compreender o comportamento do ar à volta de um capacete não basta desenhar formas apelativas. É necessário recorrer a ensaios em túnel de vento, analisar o fluxo aerodinâmico com precisão e perceber de que forma pequenas alterações podem melhorar a estabilidade em velocidade.
O objetivo não é apenas tornar o capacete mais silencioso. É reduzir o esforço físico do motociclista ao longo de uma viagem. E essa talvez seja uma das características menos valorizadas quando alguém experimenta um capacete durante apenas alguns minutos numa loja.
SEGURANÇA TAMBÉM É PENSAR NO PIOR CENÁRIO
Quando se fala em segurança, a maioria das pessoas pensa imediatamente na capacidade de um capacete resistir ao impacto. Mas existe um momento igualmente crítico: a sua remoção após um acidente. É precisamente aqui que entra outra das soluções desenvolvidas pela marca portuguesa.
O Fast Release System (F.R.S.) permite retirar rapidamente os enchimentos laterais do interior do capacete, reduzindo a pressão exercida sobre a cabeça e o pescoço durante a remoção. Para as equipas de emergência, esta solução pode facilitar significativamente uma operação delicada, diminuindo o risco de agravar lesões cervicais.
No dia a dia, o mesmo sistema acaba também por simplificar a desmontagem do interior para limpeza e manutenção. É um exemplo claro da filosofia seguida pela NEXX: uma tecnologia criada para responder a um cenário extremo acaba igualmente por melhorar a utilização quotidiana.
UM CAPACETE PARA CADA MOTOCICLISTA SEMPRE COM O MESMO ADN
Entrar hoje no catálogo da NEXX é perceber que a marca já deixou há muito de se dirigir a um único tipo de motociclista. Há quem utilize a moto exclusivamente para as deslocações diárias na cidade. Há quem atravesse continentes em grandes viagens de turismo. Há quem procure a adrenalina da pista e quem faça do fora de estrada uma forma de explorar o mundo.
São universos muito diferentes entre si. E, no entanto, todos colocam a mesma exigência ao equipamento que utilizam: segurança, conforto e confiança. Foi precisamente para responder a essa diversidade que a NEXX construiu um portefólio capaz de abranger praticamente todos os grandes segmentos do motociclismo, do urbano ao Sport Touring, passando pelo adventure e pelo universo racing.
Curiosamente, é o segmento Adventure que assume hoje maior relevância para a marca. Não será por acaso. O motociclista Adventure moderno representa talvez melhor do que ninguém aquilo que é hoje o motociclismo: alguém que utiliza a mesma moto para trabalhar durante a semana, atravessar fronteiras durante as férias e descobrir caminhos de terra sempre que surge oportunidade. É um utilizador extremamente exigente, que pede versatilidade sem aceitar compromissos na segurança ou no conforto.
QUANDO A COMPETIÇÃO SERVE A ESTRADA
Embora o universo Adventure tenha um peso crescente, continua a ser na competição que muitas das soluções técnicas são levadas ao limite. Modelos como o X.R3R, homologado segundo os exigentes regulamentos da FIM, representam muito mais do que um capacete destinado aos circuitos.
Funcionam como verdadeiros laboratórios de desenvolvimento. É em ambiente de competição que materiais, aerodinâmica, ventilação e estabilidade são sujeitos às condições mais extremas, permitindo recolher informação valiosa que dificilmente seria obtida em utilização convencional.
Grande parte desse conhecimento acaba por ser adaptado aos capacetes destinados às viagens de longa distância e ao uso quotidiano. É assim que modelos como o X.TR beneficiam diretamente da experiência acumulada no universo Racing.
Naturalmente, um motociclista que percorre milhares de quilómetros em estrada não procura exatamente as mesmas características de um piloto de competição. Ainda assim, princípios como a redução do peso, a estabilidade aerodinâmica, a ventilação eficiente e o controlo do ruído mantêm toda a sua importância.
A diferença está apenas na forma como essas soluções são ajustadas às necessidades de cada utilização. No fundo, a competição continua a ser o laboratório onde a NEXX testa os seus limites. A estrada é o local onde esse conhecimento ganha verdadeiro significado.
OUVIR QUEM UTILIZA OS CAPACETES
Talvez um dos aspetos menos visíveis do trabalho desenvolvido pela NEXX seja também um dos mais importantes. Não se trata apenas de analisar estatísticas de vendas ou acompanhar tendências de mercado. A empresa procura compreender como as pessoas utilizam realmente os seus capacetes.
Quantos quilómetros percorrem. Em que condições climatéricas circulam. Que dificuldades encontram durante uma viagem. Que detalhes fazem diferença ao fim de oito horas consecutivas de condução. Esta informação regressa depois às equipas de design, engenharia e desenvolvimento, alimentando um processo contínuo de aperfeiçoamento.
O PRÓXIMO CAPÍTULO JÁ COMEÇOU
Enquanto muitas marcas aproveitam este tipo de efemérides para olhar apenas para trás, a fabricante portuguesa aproveitou o momento para apresentar, em anteestreia, aquele que será um dos modelos mais importantes da sua próxima geração: o novo X.R5R.
Mais do que substituir um capacete de sucesso, este modelo representa a continuidade de uma filosofia que tem acompanhado a marca desde a sua fundação. Levar mais longe aquilo que já funciona. Refinar. Experimentar. Questionar.
Entre os projetos anunciados para os próximos anos encontra-se a construção de uma nova unidade fabril nas imediações das atuais instalações, um investimento que permitirá aumentar a capacidade de desenvolvimento e produção, mantendo a filosofia que sempre distinguiu a empresa: conceber, testar e fabricar sob o mesmo teto.
Num tempo em que tantas empresas dispersam processos por diferentes continentes, a NEXX continua a acreditar que a proximidade entre engenharia, design e produção é uma vantagem competitiva e não um custo a reduzir. A filosofia da NEXX continua a ser surpreendentemente conservadora no melhor sentido da palavra: qualquer inovação só faz sentido se melhorar efetivamente a segurança, o conforto ou a experiência de condução. É uma posição particularmente interessante numa época em que a indústria parece, por vezes, mais preocupada em apresentar novidades do que em justificar a sua utilidade.
A REFLEXÃO DE O ESCAPE MAIS ROUCO
Ao longo dos anos, tivemos oportunidade de acompanhar a evolução de dezenas de fabricantes de motociclos, equipamentos e acessórios. Estes 25 anos agora assinalados são importantes, mas não constituem, por si só, o verdadeiro motivo de celebração. O que merece destaque é a consistência demonstrada ao longo de todo este percurso.
A capacidade de manter produção em Portugal quando tantos optaram pela deslocalização. A decisão de investir em conhecimento próprio quando seria mais simples comprar tecnologia desenvolvida por terceiros. E, sobretudo, a convicção de que um capacete premium não se define apenas pelos materiais que utiliza ou pelas homologações que ostenta. Define-se pela confiança que transmite a quem o coloca na cabeça antes de ligar a ignição.
Talvez seja essa a maior conquista da NEXX. Não fabricar apenas capacetes e sim fabricar confiança. E, olhando para aquilo que foi apresentado durante esta celebração, fica a sensação de que os primeiros vinte e cinco anos representam apenas o início de uma história que ainda tem muitos quilómetros pela frente.
















































