segunda-feira, 8 de junho de 2026

Kawasaki Z650 S 2026 à prova

Há motos que nos conquistam imediatamente. Outras obrigam-nos a insistir um pouco mais nelas até começarem verdadeiramente a revelar-se. A Kawasaki Z650 S 2026 pertence claramente ao segundo grupo. E talvez seja precisamente aí que reside grande parte do seu encanto. 


Quando surgiu o convite para conhecer esta moto, a reação inicial foi tudo menos entusiasmada. Um encolher de ombros quase automático. Afinal, à distância, a Kawasaki Z650 S 2026 parece apenas mais uma naked média cilindrada japonesa, equipada com um bicilíndrico paralelo de 650 centímetros cúbicos — fórmula já vista, já testada, já discutida até à exaustão. No entanto havia aqui um detalhe importante: eu nunca tinha conhecido verdadeiramente esta plataforma da Kawasaki. E isso acabou por despertar alguma curiosidade. 


Na verdade, a Kawasaki Z650 S 2026 ocupa um lugar extremamente importante dentro da gama Kawasaki. Não é a naked mais potente da marca, nem a mais exuberante, nem sequer a mais tecnológica. Mas talvez seja uma das mais relevantes. Porque representa o coração racional da família Z — uma plataforma construída para utilização real, para o dia-a-dia, para a cidade e para aquele motociclismo simples que tantas vezes esquecemos no meio da obsessão moderna por potência, modos de condução e especificações. 

SOLUCIONADORA 
A origem desta moto remonta, de certa forma, diretamente à antiga ER6-n, uma das médias cilindradas japonesas mais importantes das últimas décadas. E isso continua muito presente na Kawasaki Z650 S 2026. A filosofia mantém-se praticamente intacta: leveza, facilidade, acessibilidade e uma utilização descomplicada. A Kawasaki foi refinando o conceito ao longo dos anos, melhorando eletrónica, ciclística, ergonomia e imagem, e sem destruir aquilo que sempre funcionou bem nesta plataforma. 


Visualmente, a Kawasaki Z650 S 2026 segue claramente a linguagem Sugomi da Kawasaki, com linhas agressivas, frente compacta e uma postura musculada que lhe dá mais presença do que os números realmente sugerem. Não é uma moto consensual do ponto de vista estético, e também nunca parece banal. Há aqui um equilíbrio interessante entre agressividade moderna e simplicidade mecânica, particularmente visível no quadro em treliça e no desenho do braço oscilante traseiro. 


No centro da moto continua o conhecido bicilíndrico paralelo de 649 cc, um motor que há muito deixou de precisar de provar a sua fiabilidade. Não é uma mecânica particularmente exuberante ou emocional, sobretudo ao nível da sonoridade, mas acaba por revelar outras qualidades mais importantes no mundo real: elasticidade, facilidade de utilização e uma entrega de potência extremamente acessível. É um motor que funciona melhor quanto mais quilómetros fazemos com ele. Num mercado cada vez mais dominado pelo excesso — mais potência, mais electrónica, mais radicalismo — a Z650S segue um caminho quase oposto. Não procura impressionar constantemente o condutor. Procura apenas funcionar bem. E honestamente? Isso começa a ser cada vez mais raro no motociclismo moderno. 

COMPACTA E ACESSÍVEL 
A primeira abordagem à moto é curiosa porque começa logo por lançar sinais contraditórios. Esteticamente, a Kawasaki Z650 S 2026 vive algures num território intermédio difícil de definir. Não é uma moto arrebatadora nem particularmente exótica, e também nunca cai na banalidade. Tem presença. Sobretudo graças à linguagem visual agressiva da frente, ao desenho do quadro tubular e, muito particularmente, ao belíssimo braço oscilante, que ajuda a criar uma traseira leve e mecanicamente interessante. É uma naked compacta, mas visualmente muito equilibrada. 


Depois começamos a subir para cima dela… e é aí que a moto começa verdadeiramente a ganhar pontos. A ergonomia é um dos seus maiores trunfos. A posição de condução é extremamente envolvente, quase intuitiva. Ficamos encaixados na moto com naturalidade, abraçamos muito bem o depósito com as pernas e tudo parece cair imediatamente no sítio certo. 


É uma moto compacta, acessível e pouco intimidante, especialmente interessante para motociclistas mais baixos ou para muitos condutores que estão agora a chegar ao motociclismo — incluindo cada vez mais mulheres, realidade que felizmente se torna cada vez mais visível nas estradas. 


Curiosamente, quando carregamos no botão de arranque, chega talvez o primeiro momento de alguma desilusão. O trabalhar do motor, apesar do esforço visual colocado pela Kawasaki na panela de escape, não impressiona particularmente. A baixa rotação, a sonoridade oscila entre o discreto e o desinteressante. Falta-lhe aquele carácter mecânico que certas motos conseguem transmitir logo ao ralenti. E mesmo em rotações mais elevadas, nunca se transforma verdadeiramente numa moto emocional do ponto de vista acústico. 

E DEPOIS COMEÇAMOS A ANDAR 
E é precisamente aí que a Z650 S começa a revelar aquilo que realmente vale. A leveza do conjunto, a agilidade em ambiente urbano, a facilidade quase absurda com que muda de direção e a forma intuitiva como se move no trânsito tornam-se rapidamente viciantes. 

A moto parece sempre pequena, leve e disponível. Não luta connosco. Não exige adaptação. Não tenta parecer mais séria ou mais extrema do que realmente é. Pelo contrário: assume exatamente aquilo que é. E talvez essa honestidade seja uma das suas características mais interessantes. 

A suspensão dianteira convencional poderá não impressionar os defensores da moda das forquilhas invertidas, mas a verdade é que, utilizada dentro da proposta da moto, funciona bastante bem. A frente é previsível, segura e suficientemente competente para um ritmo vivo em estrada. E quando a estrada começa a encadear curvas, a Kawasaki responde com uma naturalidade muito agradável. 

A travagem merece também destaque claro. O duplo disco dianteiro oferece potência, progressividade e facilidade de doseamento acima da média do segmento. O travão traseiro acompanha muito bem o conjunto e transmite sempre segurança. O mesmo se pode dizer da caixa de velocidades e da embraiagem: leves, suaves, precisas e extremamente fáceis de utilizar no dia-a-dia. 

SERÁ ESTA A TUA MOTO?
E aqui a Z650S volta novamente a dividir opiniões. Porque o bicilíndrico paralelo de 649 cc tanto consegue parecer algo banal… como, alguns quilómetros depois, nos apanha desprevenidos pela eficácia com que entrega potência utilizável. Não há brutalidade, não há explosão, não há drama. E existe disponibilidade real, elasticidade e uma capacidade muito competente de transformar uma simples deslocação urbana num momento genuinamente divertido. 


Com cerca de 190 kg em ordem de marcha, jantes de 17 polegadas e uma ciclística muito equilibrada, a Z650 S acaba por construir uma experiência extremamente eficaz para utilização diária. Tudo nela parece pensado para funcionar bem no mundo real. E talvez seja precisamente isso que a torna interessante. Não é uma moto perfeita. Não é uma moto consensual. E ainda bem. Porque há motos que tentam desesperadamente impressionar toda a gente. A Z650 S parece muito mais confortável em assumir exatamente aquilo que é: uma naked média, honesta, ágil, fácil de utilizar e surpreendentemente divertida quando começamos realmente a conhecê-la. 


A verdadeira força da Kawasaki Z650 S 2026 está precisamente na forma como tudo trabalha em conjunto. O peso contido, a ergonomia envolvente, a agilidade em cidade, a facilidade de condução e a honestidade dinâmica transformam esta naked numa moto incrivelmente intuitiva. Não tenta parecer mais extrema do que realmente é. E talvez seja precisamente isso que a torna tão competente. 


E no final do dia, talvez o maior elogio que lhe podemos fazer seja precisamente este: quando chega a hora de a devolver… apetece continuar a andar nela. Sorveu apenas quatro litros e meio de liquido inflamável cheio de impostos por cada cem quilómetros de agilidade citadina, pedindo a marca uma transferência bancária no valor de 7.690€ para a levarem convosco por essa cidade fora. 

Raterometro ******* (7/10)

terça-feira, 2 de junho de 2026

Zontes 703RR à prova

A Zontes 703RR é o resultado de uma estratégia industrial chinesa que já não vive de replicar soluções alheias, e sim de tentar disputar o jogo em campo europeu com as mesmas regras — e, em alguns pontos, até com armas mais afiadas do que se esperava há um par de anos.


A Zontes pertence ao grupo Tayo Motorcycle Technology, sediado em Guangdong, um dos grandes centros industriais da China. E convém começar por aqui: abandonamos a “produção de baixo custo com aspirações”. Agora contem com engenharia integrada, com design, desenvolvimento e produção controlados internamente, fortemente robotizados, com recurso a CNC e com uma aposta clara em motores próprios. Não são plataformas recicladas com outro logótipo colado por cima. 


Isto muda imediatamente a leitura da Zontes 703RR. Não estamos perante uma imitação. Estamos perante uma tentativa declarada de entrar no segmento desportivo europeu com identidade técnica própria. 


A produção é integralmente chinesa, em fábricas altamente automatizadas, com foco em exportação — e a Europa é, sem grande disfarce, um dos alvos principais desta ofensiva industrial. O discurso da marca é simples e agressivo: mais tecnologia por menos dinheiro. O problema, como sempre, está no que isso significa quando sai do papel. 

AGENTE PROVOCADOR 
A Zontes 703RR posiciona-se no coração do segmento das desportivas de média cilindrada. E aqui entra no território onde já se movem propostas como a Yamaha R7, a Aprilia RS 660 ou a Honda CBR650R. A leitura comercial é clara: competir com japonesas e europeias estabelecidas, mas com um argumento diferenciador forte — um motor de três cilindros desenvolvido de raiz. E esse motor é, de facto, o centro da discussão. 

Falamos de um tricilíndrico em linha, 699 cc, DOHC, quatro válvulas por cilindro, refrigeração líquida e uma taxa de compressão elevada de 13:1. A Zontes declara 95 cv às 11.500 rpm e 76 Nm de binário. Há ainda uma versão limitada a 47 cv para carta A2. 

Este não é um motor pensado para suavidade. É um motor desenhado para rotação, para resposta viva e para uma entrega claramente orientada ao uso desportivo. O curso curto e a vontade de subir de regime confirmam isso mesmo. A caixa de seis velocidades é acompanhada por quickshifter e embraiagem assistida o que reforça a ambição de utilização mais agressiva. No entanto motor sozinho não constrói uma moto. 

O quadro é uma estrutura em alumínio, com subquadro integrado. Não há aqui atalhos estruturais evidentes. É uma solução típica do segmento desportivo moderno, com foco em rigidez e contenção de peso. A suspensão recorre a forquilha invertida ajustável à frente e monoamortecedor atrás, com assinatura habitual da Marzocchi em muitos mercados. A travagem aposta em duplo disco de 300 mm à frente e disco de 240 mm atrás, com pinças que podem variar por mercado, incluindo soluções Brembo em algumas configurações. É o caso. O conjunto coloca a moto dentro da geometria clássica do segmento: estabilidade em alta velocidade sem matar totalmente a agilidade. 

Em termos de massa, falamos de cerca de 203 kg em ordem de marcha, com depósito de 16 litros e uma distância entre eixos de 1450 mm. A ergonomia está alinhada com o que se espera de uma supersport moderna: altura de assento a 820 mm e uma posição que não perdoa muito tempo em cidade. 

AGRESSIVA E TECNOLÓGICA
Onde a Zontes realmente força o sistema é no equipamento. Aqui não há subtileza. Há ataque direto ao valor percebido. TFT a cores de grandes dimensões, keyless total (incluindo tampa de depósito), modos de condução, controlo de tração, ABS, quickshifter, TPMS, iluminação full. Em alguns mercados ainda surgem extras como punhos aquecidos. É o caso. Num segmento onde muitas japonesas continuam a cobrar extra por metade disto, a leitura é óbvia: a Zontes compra atenção com tecnologia


O desenho acompanha essa lógica. A frente é agressiva, estreita, quase predatória. As laterais têm recortes aerodinâmicos e incluem winglets integrados que já não são apenas decoração. A traseira é curta, elevada e minimalista, com assinatura LED simples. O objetivo não é subtil: parecer mais extrema e mais cara do que o preço sugere. 


A posição de condução é o primeiro choque positivo. Já não andava numa desportiva há algum tempo. E, mais importante ainda, desportivas não são propriamente o território habitual deste blogue. Por isso, a abordagem foi feita com alguma reserva. E aqui veio a primeira surpresa. 


Sim, existe postura desportiva. Sim, existe compromisso físico. Mas não estamos perante uma moto de ergonomia radical ou punitiva. Pelo contrário — há aqui uma tentativa clara de tornar a experiência mais acessível. E isso nota-se. 


Ao longo dos quilómetros, a adaptação foi mais rápida do que o esperado. E o mais curioso é que, em determinados momentos, a sensação de conforto chega a ser superior a outras motos de filosofias menos extremas.

PERSONALIDADE ACIMA DA SUAVIDADE 
O coração da 703 RR é um tricilíndrico, sublinhamos. E aqui há um ponto importante: não é um motor imediato. Em baixas e médias rotações demora a revelar o seu melhor carácter. Não é explosivo desde o primeiro toque no acelerador. Exige rotação, exige intenção. E quando entra na zona certa… muda completamente de personalidade. E há algo que se destaca de imediato: não é mais um motor “polido e neutro”. Tem vida. Tem som. Tem vibração mecânica. Tem presença. O quickshifter, nesse contexto, comporta-se de forma exemplar — nunca falhou, nunca comprometeu, sempre previsível. 


Em andamento, a 703 RR revela-se mais competente do que muitos poderiam antecipar. A inserção em curva é muito eficaz. A moto mostra-se ágil, direta, fácil e intuitiva. A ciclística transmite confiança e permite um ritmo interessante sem sensação de esforço excessivo. A travagem dianteira merece leitura mais matizada. Em condução normal cumpre sem reservas, mas em ritmo mais forte nota-se alguma progressividade excessiva. Não é um defeito crítico, mas é um ponto a registar. 


A Zontes aposta forte no equipamento, e isso nota-se. Mas nem tudo é perfeito. O TFT e, sobretudo, a lógica de navegação através dos comandos laterais, não está ao nível do restante conjunto. Não é intuitivo, não é particularmente agradável de usar e denuncia claramente onde ainda há margem de evolução. É provavelmente o ponto mais fraco de toda a moto. 

SERÁ ESTA A MOTO QUE TU DESEJAS? 
Sem números rigorosos de longa distância, a estimativa de consumo situa-se na casa dos 6 litros aos 100 km. Naturalmente, este valor varia bastante com o ritmo de condução. É uma moto que, pela natureza do motor e do conjunto, convida constantemente a explorar o acelerador. Não é uma máquina de passeio passivo. É uma moto que pede envolvimento. 

Depois de alguns quilómetros, a conclusão é mais equilibrada do que expectável. A Zontes 703RR não é uma revolução. Mas também já não é um exercício de curiosidade industrial. É uma moto com personalidade própria, com argumentos reais e com um nível de maturidade surpreendente para a posição que ocupa no mercado. 

E a pergunta final: para quem é esta moto? Não é uma pergunta simples. Não é para quem procura tradição consolidada de marca. Não é para quem quer histórico longo de fiabilidade comprovada. Não é para quem procura refinamento absoluto de referência japonesa ou europeia. Pode ser para quem quer entrar no universo das desportivas com uma proposta moderna, equipada e acessível — sem pagar a entrada emocional e financeira das opções mais estabelecidas. 

Talvez a questão mais interessante não seja o que esta moto é hoje. E sim o que representa no contexto atual do mercado. E isso, por si só, já justifica que falemos dela com atenção. No fundo, a leitura honesta é esta: a Zontes 703RR é uma moto tecnicamente séria, com engenharia própria e um nível de equipamento que desestabiliza a referência do segmento. 


A Zontes 703RR tem performance real de desportiva média e uma presença visual que joga acima do seu preço – pedindo a marca 7.800€ por ela. E também é um projeto ainda em construção no que toca a refinamento, consistência e legado industrial. Não é uma revolução. No entanto também já não é uma mera curiosidade exótica.

Raterómetro ******** (8/10)

domingo, 31 de maio de 2026

Benda DarkFlag 500 Commander à prova

Num tempo em que grande parte da indústria parece obcecada com racionalidade, eficiência, plataformas partilhadas e folhas Excel, a Benda decidiu fazer uma pergunta muito simples: “e se voltássemos a construir motos que despertam curiosidade antes mesmo de serem compreendidas?”.


O resultado é esta Dark Flag 500 Commander. Uma cruiser média cilindrada. E também uma das propostas mais ousadas, estranhas, interessantes e divisivas que chegaram recentemente ao motociclismo europeu. E talvez isso seja precisamente aquilo de que o mercado precisava. A marca chinesa Benda ainda é relativamente jovem no panorama internacional, todavia já percebeu algo importante: entrar no mercado apenas pelo preço é uma guerra impossível de ganhar a longo prazo. Por isso decidiu fazer outra coisa. 


Enquanto muitas marcas orinetais procuraram inicialmente copiar fórmulas já estabelecidas, a Benda começou gradualmente a construir uma identidade própria, muito assente em design agressivo, soluções técnicas pouco habituais e motos emocionalmente fortes. 


A Benda DarkFlag 500 Commander é talvez o melhor exemplo dessa filosofia. Porque esta moto não tenta ser discreta. Não tenta agradar a toda a gente. E definitivamente não tenta passar despercebida. 

UMA CRUISER QUE PARECE SAÍDA DE UM CONCEITO FUTURISTA 
O primeiro impacto visual da Benda DarkFlag 500 Commander é brutal. Baixa, comprida, musculada e com uma presença cénica muito acima daquilo que esperaríamos de uma 500cc, a moto parece maior, mais pesada e mais ameaçadora do que realmente é. 


Os enormes escapes laterais dominam imediatamente o olhar. E vão dividir opiniões. Há quem os ache excessivos. Há quem adore precisamente esse exagero. Mas uma coisa é certa: a Benda desenhou esta moto para ser vista


O depósito esculpido, as linhas tensas, os painéis laterais agressivos e a iluminação full LED ajudam a criar uma linguagem muito própria, quase cyberpunk, muito distante do revivalismo clássico que domina grande parte do segmento cruiser. Esta não é uma moto nostálgica. É uma interpretação moderna da ideia de cruiser. E isso faz toda a diferença. 

O DETALHE TÉCNICO QUE MUDA A CONVERSA 
Depois chega o momento em que se olha para a ficha técnica e se percebe porque esta moto está a gerar tanta discussão. Porque no centro da Benda DarkFlag 500 Commander vive algo extremamente raro neste segmento: um motor V4. 

Num mercado dominado por bicilíndricos paralelos ou V-twin tradicionais, a Benda decidiu colocar numa cruiser de média cilindrada um compacto V4 de 496 cc refrigerado a líquido. Só isto já bastaria para transformar a moto numa curiosidade mecânica. No entanto o mais interessante é a personalidade do motor. Em utilização descontraída, o V4 revela-se suave, relativamente dócil e bastante agradável para rolar sem pressas, aproveitando o flow da estrada. 

Depois, quando baixamos uma mudança e aceleramos com mais decisão, surge quase uma segunda personalidade: o motor ganha vida, sobe de tom e oferece uma experiência sensorial muito própria, sobretudo ao nível da sonoridade. Não é o clássico pulsar grave americano. É outra coisa. Mais mecânica. Mais limpa. Mais moderna. E precisamente por isso acaba por criar identidade própria. 

SUSPENSÃO PNEUMÁTICA NUMA 500 CC? SIM, ACONTECEU 
Se o V4 já parecia inesperado, a suspensão traseira pneumática automática eleva ainda mais o nível de estranheza técnica desta moto. A Dark Flag ajusta automaticamente a suspensão em função da carga transportada

Num segmento onde muitas motos continuam presas a soluções bastante tradicionais, ver este tipo de tecnologia numa cruiser é, no mínimo, surpreendente. E é aqui que a Benda começa realmente a diferenciar-se: não apenas pela estética, e sim pela vontade de experimentar soluções pouco comuns. 


A isto junta-se: transmissão final por correia; suspensão invertida na dianteira; luminação full LED; cruise control; painel TFT. Tudo elementos que reforçam a ideia de que esta moto quer posicionar-se acima daquilo que normalmente esperamos neste patamar de cilindrada. 

Notem ainda que ao falamos da Benda como “marca chinesa”, estamos apenas parcialmente corretos. Sim, a capacidade industrial e produtiva da marca é chinesa. Mas a realidade atual da Benda é bastante mais complexa — e também mais interessante — do que a ideia simplista de uma mera “mota chinesa”. 


A marca opera hoje na Europa através da Benda Moto Europe GmbH, sediada em Salzburgo, na Áustria, estrutura responsável por showroom, marketing, posicionamento de produto, apoio à rede de distribuição europeia e gestão de pós-venda e peças. Mais do que isso, existe também uma clara influência europeia ao nível do desenvolvimento, design industrial e adaptação do produto às exigências do mercado europeu.

E talvez isso explique parte daquilo que sentimos quando contactamos com motos como esta Dark Flag: há aqui uma tentativa evidente de construir algo mais sofisticado do que simplesmente “equipamento barato”. No fundo, o que a Benda parece estar a tentar fazer é combinar duas forças: capacidade industrial e escala produtiva chinesa; com desenvolvimento, design e orientação de produto muito focados no mercado europeu. O resultado é uma proposta híbrida, que procura juntar preço competitivo, tecnologia, impacto visual e posicionamento emocional. 

INTREPRETAÇÃO MODERNA DA IDEIA DE CRUISER
Ao tocarmos a moto o primeiro impacto é claro. O duplo escape lateral, sublinhamos, domina completamente a presença da moto. Talvez até em excesso. É grande, largo, visualmente agressivo e dá imediatamente à Commander uma aparência musculada e poderosa. Quem não conhece a moto dificilmente imagina estar perante uma 500 cc. Os painéis laterais, o depósito esculpido, a postura baixa e comprida e toda a linguagem estética criam a sensação de uma cruiser muito maior e mais cara do que realmente é. 

O depósito merece aliás destaque especial. Parece literalmente esculpido à mão. O encaixe das pernas funciona bem e contribui para aquela sensação de integração com a moto que uma cruiser deve sempre proporcionar. 

Depois vem talvez a segunda grande surpresa: a posição de condução. Com cerca de 1,80 m de altura, encontrei facilmente uma posição confortável, descontraída e natural. Pés avançados, braços esticados, costas relaxadas. Tudo encaixa rapidamente sem esforço. E é precisamente nessa posição tranquila e despreocupada que esta moto começa verdadeiramente a fazer sentido. 

Porque esta não é uma moto para perseguir números. Nem para procurar prestações absurdas. Nem para andar permanentemente em modo ataque. Quanto mais desaceleramos, mais a Commander parece respirar. É uma moto que pede flow. Estrada aberta. Ritmo relaxado. Vento na cara. Motor cheio mas descontraído. E talvez seja exatamente aí que ela revela a sua melhor faceta. 

O motor V4 acaba por reforçar essa dualidade. Existe claramente uma personalidade dupla. Em andamento calmo, a moto circula de forma suave e relaxada, quase tranquila demais. Mas basta baixar uma mudança e abrir acelerador para surgir outra resposta completamente diferente. Parece literalmente existir um “modo dois” escondido dentro do motor. A entrega ganha vida, o escape acorda e toda a experiência sensorial muda de intensidade. 


E aqui a sonoridade merece destaque. O trabalho acústico desta moto está muito bem conseguido. Existe presença, profundidade e personalidade no som. E isso conta muito numa cruiser. Talvez mais do que muitos gostam de admitir. 


Dinamicamente, a Commander revelou-se confortável, previsível e segura. Nota-se cuidado no acerto das suspensões e existe uma sensação geral de estabilidade que inspira confiança. Não é uma moto que intimida. Pelo contrário. Convida a usufruir dela sem pressão. 


Nem tudo, naturalmente, é perfeito. O cruise control funciona, mas o sistema de acionamento não é particularmente intuitivo numa primeira abordagem. Inicialmente parece até que não está operacional, até percebermos exatamente o movimento necessário para o ativar. 

O painel de instrumentos continua também a ser um dos pontos menos conseguidos. Já tinha ficado essa sensação noutras Benda. Visualmente é interessante e moderno, mas na prática a legibilidade fica bastante comprometida quando a luz bate diretamente no ecrã. Outro pequeno detalhe menos conseguido é o tampão do depósito, que não fica preso ao abrir, algo simples e que merece claramente revisão futura. 

Ainda assim, no balanço geral, a experiência acaba por ser muito positiva. Porque no final do dia, mais importante do que discutir fichas técnicas ou preconceitos, está a sensação genuína de prazer que motos destas conseguem oferecer. E a verdade é que sabe bem usar esta moto. Sabe bem olhar para ela. Sabe bem ouvi-la. Sabe bem circular devagar sem sentir necessidade de provar nada a ninguém. E talvez seja precisamente aí que esta Benda Dark Flag 500 Commander encontra o seu verdadeiro valor.

ESTA MOTO É PARA TI? 
É uma pergunta mais difícil do que parece. Porque esta Benda não encaixa totalmente nas caixas tradicionais do motociclismo. Não é uma cruiser clássica. Não é uma power cruiser pura. Não é uma naked mascarada. Não é uma touring. É quase uma interpretação contemporânea da ideia de moto emocional. E talvez seja precisamente por isso que tanta gente fala dela. 


A Benda Dark Flag 500 Commander não é racional. E ainda bem. Porque o motociclismo nunca viveu apenas de racionalidade. Vive de motos que despertam curiosidade. Que dividem opiniões. Que criam conversa. Que fazem parar para olhar. E esta Benda faz exatamente isso. Consumiu cerca de cinco litros de sumo de dinossauro por cada cem quilómetros de coolness esbanjados, pedindo a Benda Lisboa uma transferência bancaria de 8.590€ para levarem a Commander a passear. 


A Benda Dark Flag 500 Commander pode não conquistar toda a gente. Pode nunca ter o prestígio histórico das grandes referências americanas ou japonesas. Todavia uma coisa parece já garantida: indiferente, ela não consegue ser.

Raterometro ******* (7/10)

domingo, 24 de maio de 2026

Gran Canaria – o Nürburgring esquecido no Atlântico

Gran Canaria. À primeira vista é só mais uma ilha no Atlântico. Geograficamente não há discussão possível. Mas essa definição explica muito pouco do que se sente quando se começa a rodar por ali. Porque o erro começa logo aí: tratá-la como um destino. A Gran Canaria não se visita. Percorre-se. E mesmo isso é curto. 


O que existe ali é outra coisa. Um sistema. Um organismo rodoviário vivo, construído não por intenção humana, e sim por camadas de tempo, vulcões, erosão e necessidade. E quando se entra nele de moto, a leitura muda por completo.


Não há linhas retas suficientes para ganhar conforto. Não há sequência previsível de curvas para criar rotina. Não há, sequer, a ideia de “acabou”. Há apenas continuidade. E decisões. 

DIA 1 OU QUANDO A ILHA PARECE CONTROLÁVEL
O primeiro dia começa sempre com um erro silencioso: a ilusão de controlo. Maspalomas, no extremo sul da ilha, recebe-nos como recebe quase todos os que chegam ao ali — sol, calor, previsibilidade. Tudo parece simples. Tudo parece alinhado com a ideia de um passeio bem planeado.


Levantar a moto, ajustar equipamento e parca bagagem, sair. Sem pressa. Sem suspeita. E é exatamente aí que Gran Canaria começa a trabalhar. A subida pela GC-60 é a primeira escolha e o primeiro aviso sério, ainda que disfarçado de prazer. É uma estrada que seduz. Curva após curva, ritmo após ritmo, vai construindo confiança. Há fluidez, há asfalto consistente, há visibilidade. Tudo o que um motociclista interpreta como “está a correr bem”. Mas esse é o truque. 


A estrada liga a zona de Maspalomas à pitoresca vila de Tejeda, no centro da ilha. É um trajeto de contrastes extremos: começas ao nível do mar entre dunas e palmeiras e terminas a cerca de 1.000 metros de altitude, rodeado por picos vulcânicos e florestas de pinheiros. 

Ao longo da GC-60, encontras alguns dos locais mais emblemáticos da ilha. Destaques? Mirador de la Degollada de la Yegua é uma paragem clássica logo no início da subida, com vistas panorâmicas sobre o Barranco de Fataga e as dunas ao fundo. San Bartolomé de Tirajana, uma vila charmosa que serve de porta de entrada para as altas montanhas e é famosa pela sua produção de cerejas e damascos. 

Tejeda é o destino final da estrada, sendo frequentemente eleita uma das vilas mais bonitas de Espanha, está situada numa enorme caldeira vulcânica. A GC-60 não é difícil. É convincente. E isso é mais perigoso do que qualquer dificuldade técnica. 

O plano do dia ditava que terminada a GC-60, seria tempo de percorrer a icónica GC-210. A GC-210 é uma das estradas mais cénicas, dramáticas e desafiantes da ilha de Gran Canaria, muitas vezes referida como a estrada "mais solitária" ou uma das mais "insanas" da ilha. Localizada no coração da montanha, oferece uma experiência de condução radical, longe das praias turísticas, ligando áreas como Artenara e La Aldea de San Nicolás 

Aqui muda tudo. Até Artenara, a estrada ainda cumpriu a promessa: isolamento, paisagem dramática, sensação de altitude crescente. Mas a partir daí, a ilha mudou de linguagem sem aviso. O nevoeiro fechou. A luz desapareceu. A humidade entrou no asfalto e até nos ossos. A visibilidade reduzida ao essencial. 


Não foi uma mudança climática. É sim uma mudança de regras. E nessa altura há uma decisão que separa experiência de teimosia: continuar a insistir ou recuar. Nem todas as estradas existem para serem concluídas no mesmo dia. E esse é um ponto difícil de aceitar para quem gosta de “fechar percursos”. Não estávamos preparados para aquelas condições e nem sequer estávamos equipados para tal. Visibilidade zero implica parar. 

Segue-se a GC-15, quase como um intervalo. Mais larga, mais relaxada, menos exigente. A GC-15, também muito frequentada pelos motoiclcistas locais, é a principal estrada que liga a capital, Las Palmas, às terras altas do interior e ao centro montanhoso da Gran Canaria. É conhecida como a "Rota do Norte" para o cume da ilha, oferecendo uma transição impressionante entre paisagens costeiras e picos que ultrapassam os 1500 metros de altitude. 

O recuo pela GC-15 e a descida pela GC-42 – outra classica de montanha, caracterizada por ser muito sinuosa, com sucessivas curvas apertadas não foram um desfecho épico do dia. E sim uma adaptação pura. Vistas à distância, acabam por ser mais importantes do que qualquer vitória forçada. Porque ali percebe-se uma coisa simples: nesta ilha, o plano é sempre negociável. 

A moto — neste caso a BMW F900XR — esteve sempre no meio disto tudo como deve estar uma boa máquina: a cumprir. Sem drama. Sem protagonismo. Apenas resposta ao que o terreno exigia. No fim do dia, confesso, não houve sabor a conquista. Sobrevivemos a uma aventura que não pedimos – tanto… 

DIA 2 OU QUANDO A ILHA MOSTRA O QUE REALMENTE É 
Se o primeiro dia testou a nossa confiança, o segundo começou a testar a compreensão. E começou de forma estranha: sem o sol que tanta gente associa automaticamente ao arquipélago. Cinzento, fresco, instável. Um cenário que não encaixa na ideia turística da “ilha perfeita”. 


A GC-500 abria o dia com uma função clara: colocar-nos dentro do ritmo. Não impressiona. Não desafia. Não marca memória pela técnica. Mas prepara. A GC-500 é uma das estradas costeiras mais cénicas da ilha de Gran Canaria. É famosa por serpentear ao longo da costa sul, oferecendo vistas impressionantes sobre o Oceano Atlântico e passando por várias das principais estâncias turísticas da ilha. A estrada estende-se por aproximadamente 50 quilómetros, ligando zonas como Maspalomas/Meloneras a Puerto de Mogán, passando por Arguineguín e Patalavaca. Historicamente, era a principal via de ligação do sul antes da construção da autoestrada GC-1.


Seguiu-se a GC-200. E aqui já não há espaço para linguagem moderada. A GC-200 é uma das estradas mais completas que se podem fazer numa ilha desta dimensão. Não por ser apenas bonita, e sim por ser variável de forma constante: falésias sobre o Atlântico, curvas sucessivas, mudanças de ritmo, zonas abertas seguidas de segmentos técnicos, tudo encostado à costa oeste como se a estrada estivesse sempre a negociar com o mar. 

Há momentos em que se conduz sobre a linha da costa. Outros em que se entra quase num túnel natural de rocha e vegetação. E isso repete-se sem aviso. Não há monotonia possível. É uma estrada que exige atenção contínua, não por perigo, mas por intensidade. Amiúde é comparada a um cenário do tipo Parque Jurassico pela imponência e dramatismo. 


La Aldea aparece pelo meio como uma espécie de pausa estrutural. Não acrescenta emoção, mas também não precisa de acrescentar. Funciona como intervalo entre blocos mais exigentes. 

Pelo meio não resistimos a uma incursão no que está aberto da GC-605. Aqui o tom muda outra vez. A estrada promete algo raro: subida e descida técnica, acentuada, com ritmo próprio, quase cirúrgico. Um daqueles segmentos onde a condução deixa de ser turística e passa a ser precisa. A comparação com o Stelvio italiano é real e não é gratuita — não pela semelhança estética, mas pela exigência de leitura contínua do traçado. O problema é simples: está interrompida por um deslizamento brutal. E isso muda tudo. 

Ainda assim, o que existe já é suficiente para perceber o tipo de conversa que ali se poderia ter com qualquer moto. Travagem, transferência de massas, consistência de suspensão. Sem margem para erro. Aqui a resposta da a BMW F 900 XR foi sólida e surpreendente sobretudo na eficácia da travagem que levei ao limite possível numa condução a dois. 


O dia encerrou em Puerto de Mogán. Um contraste quase artificial depois da intensidade da GC-200 e da promessa interrompida da GC-605. Um espaço de pausa mais mental do que mecânico. Puerto de Mogán, situada no sudoeste da Gran Canaria, é uma encantadora vila piscatória e estância turística, frequentemente chamada de "Pequena Veneza" devido aos seus canais, pontes pitorescas e arquitetura mediterrânica. É conhecida pelo seu ambiente tranquilo, ruas floridas, casinhas brancas e por ter um dos melhores climas da Europa. O regresso a “casa” pela GC-500 não precisa de análise. Serve apenas para reorganizar o que o dia deixou em aberto. 

O QUE FICA DESTES DOIS DIAS 
Dois dias depois, a conclusão não é de conquista. É de aprendizagem incompleta — e isso é importante assumir. Fizemos mais de 500 km. Vimos muito. No entanto, mais relevante ainda, percebemos o quanto ficou por ver. 


A Gran Canaria não se comporta como um destino fechado. Não se esgota em itinerários. Não se deixa reduzir a “melhores estradas”. Funciona como sistema aberto: altitude que muda o jogo em minutos, microclimas que quebram qualquer plano, estradas que alteram carácter sem aviso. Num momento estás em verão. No seguinte, em inverno. 


Talvez por isso a sensação dominante não seja de conclusão, mas de continuidade interrompida. Há contas por acertar. E isso, neste tipo de território, é o que mais interessa. Porque isto, no fundo, confessamos não foi uma viagem completa. Foi apenas o primeiro contacto sério com uma ilha que não aceita ser tratada como ilha. 

A LOGÍSTICA TAMBÉM DEFINE A QUALIDADE DA VIAGEM. 


Em Maspalomas, a experiência com a Pic y Poc Motos Canarias foi direta e sem ruído. Desde o primeiro contacto, ainda em Lisboa, até à entrega no local e hora combinados, tudo funcionou com precisão. Sem atrasos, sem improvisos, sem fricção desnecessária. 

Nascida em Maspalomas pela mão de dois irmãos viciados em asfalto, a Pic y Poc não é apenas mais uma rent-a-bike frio. É um projeto de família onde a transparência e o estado impecável do material são a prioridade — algo que qualquer motociclista que se preze valoriza antes de se atirar à primeira curva. 



Nada de motos cansadas ou manutenção duvidosa. A frota é moderna, focada em modelos BMW e scooters para quem quer algo mais descontraído. 


O aluguer já inclui o "kit de sobrevivência" essencial: capacete e luvas; suporte de telemóvel com carregamento (fundamental para o GPS não te deixar pendurado); localizador GPS e cadeado de segurança. Com varias classificações de 5 estrelas, o feedback é unânime; o atendimento é próximo e o conhecimento técnico da ilha é impar. 



A moto atribuída — escolhida em articulação com o ESCAPE — chegou em excelente estado, com cerca de 15.000 km, e sem sinais de desgaste relevante. Não é sobre luxo, é sobre adequação: uma moto equilibrada, razoavelmente confortável para dois e amplamente competente para as estradas técnicas da ilha. 


Um detalhe simples acabou por fazer diferença no uso: a inclusão de uma top case. Espaço extra para bagagem leve, organização mais fácil e um nível adicional de segurança nas paragens. No essencial, a experiência confirma o que interessa neste tipo de serviço: funciona. Sem distrações, sem falhas. 

[Este é apenas o primeiro de vários textos sobre a Gran Canaria. Ainda vamos entrar em detalhes importantes e nas decisões de condução que realmente marcam esta viagem]

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