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segunda-feira, 9 de março de 2026

O último vencedor esquecido do Brasil

Em março de 2026, o MotoGP regressa ao Brasil. Demorou mais de vinte anos. E há um detalhe delicioso nesta história: quase ninguém se lembra da última corrida que lá se disputou. Muito menos de quem a venceu. 

Tamada competiu na classe rainha entre 2003 e 2007

A última passagem da categoria rainha aconteceu a 4 de julho de 2004, no já desaparecido Autódromo Internacional Nelson Piquet, no Rio de Janeiro. Na grelha estavam os protagonistas da época: Valentino Rossi, Sete Gibernau, Max Biaggi e Nicky Hayden. Era o centro do poder do campeonato. 

No entanto a corrida recusou obedecer ao guião. Rossi caiu. Gibernau caiu. E de repente a corrida abriu-se. No meio do caos apareceu um nome que poucos esperavam ver no topo: Makoto Tamada. Quem? 

O japonês da Honda venceu com autoridade, à frente de Biaggi e Hayden. Foi a primeira vitória da sua carreira na classe principal — e continua a ser uma das vitórias mais esquecidas da história recente do campeonato. 

Há, no entanto, um detalhe que transforma esse dia em algo maior do que uma simples surpresa. A vitória de Tamada foi também a primeira vitória da Bridgestone no MotoGP. Na altura, a Michelin dominava o campeonato e poucos levavam a sério a ameaça japonesa. O que aconteceu no Rio foi o primeiro sinal de que a guerra dos pneus estava a mudar de rumo. Alguns anos mais tarde, a Bridgestone tornar-se-ia fornecedora única da categoria. 

Brasil 1999 e o inesquecível"Norick" Abe
Em 2004, o campeonato ainda era o velho Mundial de Velocidade, com as três classes clássicas. Enquanto Tamada vencia na MotoGP, o triunfo nas 250cc ficou para Manuel Poggiali, Aprilia e um tal de Dani Pedrosa foi segundo em Honda. Nas 125cc para Héctor Barberá em Aprilia com um tal de Casey Stoner em KTM em P2. Era o final de uma era que acabaria por desaparecer quando Moto2 e Moto3 substituíram as antigas categorias de dois tempos. 

Apesar da surpresa de 2004, há um nome que domina a história brasileira do campeonato: Valentino Rossi. O italiano venceu seis vezes em território brasileiro ao longo da sua carreira, tornando-se o piloto mais bem-sucedido nas corridas do Mundial disputadas no país. 

Mas existe ainda uma corrida brasileira que o tempo quase apagou. Em 1999, o Mundial visitou o Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, para uma das corridas mais caóticas da era 500cc. Nesse dia venceu o espectacular Norifumi Abe, à frente de Max Biaggi e de Kenny Roberts Jr.. Foi uma corrida turbulenta, cheia de incidentes e reviravoltas — uma corrida que hoje parece pertencer a outro campeonato.

Barros 1990 e a apaixonante Cagiva

Depois disso, silêncio. O Grande Prémio do Brasil desapareceu do calendário. O circuito de Jacarepaguá foi demolido para dar lugar às infraestruturas olímpicas do Rio, os projetos de novos autódromos fracassaram e o campeonato perdeu um promotor local capaz de sustentar a prova. O resultado foi brutal na sua simplicidade: vinte e dois anos sem MotoGP no maior país da América Latina. 

Essa ausência é ainda mais intrigante se pensarmos na paixão brasileira pelo desporto motorizado. O país que produziu gigantes como Ayrton Senna ou Nelson Piquet nunca conseguiu formar um campeão da categoria rainha do motociclismo. Talento existiu — basta lembrar Alex Barros, vencedor de sete corridas na classe principal — mas faltou uma estrutura capaz de levar pilotos brasileiros até ao topo do campeonato. 

Diogo Moreira a debutar na Tailândia

O regresso de 2026 traz, por isso, um simbolismo especial. Ao mesmo tempo que o MotoGP volta ao país, o Brasil volta também a ter um piloto na grelha com Diogo Moreira, um dos talentos mais interessantes da nova geração. 

Festeja sempre bem pois nunca saberás se vai haver próxima

E há uma ironia bonita nesta história. Quando o MotoGP regressar ao Brasil, quase ninguém se lembrará da última corrida que lá se disputou. Mas essa corrida teve tudo: a queda de dois favoritos ao título, uma vitória inesperada e o primeiro capítulo de uma revolução técnica que mudaria o campeonato. E deixou para a história um nome que o tempo quase apagou. Makoto Tamada. O último vencedor da MotoGP no Brasil.

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Oliveira no exclusivo “clube dos dez mais”

A poucas horas do arranque do Grande Prémio da Austrália, no circuito de Phillip Island, vale bem a pena recordar ainda a vitória do piloto português Miguel Oliveira no Grande Premio da Tailândia, olhando para alguns números e factos que ficaram após mais essa conquista. 


O primeiro número mais relevante já o destaquei na pagina Facebook deste blogue. Com a vitória em Buriram Oliveira conquista a quinta vitória em MotoGP igualando assim Marco Melandri e Franco Uncini, ao mesmo tempo que ultrapassa pilotos absolutamente icónicos como é o caso de John Kocinski e Tadayuki Okada



“Não basta”, “queremos mais”, vociferaram alguns naquela rede social. Oliveira tem de ser comparado “com os melhores”, diziam. Pois bem…, fomos olhar com mais atenção para os números e encontramos diversas curiosidades. 


A maior e mais significativa conclusão a que chegamos é relevante e reveladora: com a vitória na Tailândia, Oliveira entra para um exclusivíssimo clube de apenas dez cavalheiros que consegue cinco ou mais vitórias em três categorias distintas - notem que aqui por categoria distinta consideramos MotoGP, 500cc, 350cc, Noto2, 250cc, Moto3, 125cc. Isto é, Oliveira passa a fazer companhia neste clube a Rossi, Marquez, Hailwood, Pedrosa, Read (recentemente falecido), Biaggi, Capirossi, Melandri e o menos conhecido Gary Hocking. Está bem assim? Mais…, Miguel Oliveira é o primeiro piloto que consegue este resultado (cinco ou mais vitorias) nas categorias de MotoGP, Moto2 e Moto3. Incrível, verdade? 


Miguel Oliveira passa ainda a ser o melhor piloto de sempre KTM no Mundial, isto porque é o primeiro a chegar às cinco vitoria com a marca austríaca na categoria rainha – empatando com Binder no número de vitória totais “ready to race”, desempatando porque tem mais na categoria que realmente conta. Miguel é ainda o primeiro a alcançar sete pódios com a KTM em MotoGP batendo assim Pol Espargaró. 


Miguel Oliveira já é uma lenda. Convençam-se disso que fica mais fácil. Por vezes basta aceitar a realidade para sermos felizes…

quinta-feira, 31 de março de 2022

Limalhas de História #84 – 31 de Março de 1996

1996. Mick Doohan estende o seu domínio na classe 500cc, com oito vitórias. Crivillé, o Espanhol companheiro na Repsol Honda bate-o duas vezes. Ano em que Capirossi vence a sua primeira corrida. Nas 250cc, Max Biaggi, Aprilia, reclama o seu terceiro título consecutivo. E em 125cc é o nipónico Haruchika Aoki que repete a coroa. Todavia a época ficará para sempre marcada por outro facto relevante. 



Saudades das “Limalhas de História”? Sim? Também eu! Faz hoje exactamente vinte e seis anos. Malásia, velho circuito de Shah Alam. Um jovem piloto italiano que tinha chamado a si a atenção nos campeonatos de iniciação por onde tinha passado, vai arrancar para a sua primeira prova no Mundial. Nascia uma lenda. Uma lenda viva. Uma lenda que apenas há meia dúzia de meses atrás abandonou as pistas do motociclismo mundial enquanto piloto. Grazie Mille, Valentino Rossi.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Limalhas de História #83 – 30 de Março de 1975

Cecotto! Quem? Johnny Ceccotto! Como assim? O piloto da Toleman, Formula 1, nos anos oitenta? Sim esse mesmo. O colega de equipa no Toleman-Hart de Ayrton Senna na mágica temporada de 1984? Tal e qual. Mas que raio tem Cecotto a ver com motos? Tudo! Querem ler?


Um dos venezuelanos mais reconhecidos do universo petrolhead, é Johnny Ceccotto. Se na Formula 1 passou a vida no fundo da grelha, tendo disputados apenas dezoito Grades Prémios e conquistado um magro ponto, a sua passagem no mundial de velocidade de motociclismo é bem mais gloriosa. 

Fez, há três dias, exatamente quarenta e seis (46) anos que no lendário circuito francês Paul Ricard em Le Castellet, Occitânica, Sudeste de França, Johnny Ceccotto fez uma das mais impressionantes estreias de que há memoria na história do mundial de velocidade. 

O piloto de Caracas, hoje com 65 anos, venceu naquele dia não uma mas sim duas corridas. A de 250cc e a de 350cc. Nesta extinta classe, a de 350cc, Ceccotto viria mesmo a ser campeão mundial no seu ano de debute nas “barbas” de um tal Giacomo Agostini. 

UM QUARTO DE SÉCULO DE ROSSI NO MUNDIAL
Por falar em 46 e já agora em Agostini, há apenas dois dias celebrámos uma data incrível. A 31 de março de 1996 (link), no velho circuito malaio de Shah Alam, um jovem piloto italiano que tinha chamado a si a atenção nos campeonatos de iniciação por onde tinha passado, arrancava para a sua primeira prova no Mundial. Nascia uma lenda. Uma lenda viva. Uma lenda que passados uns inacreditáveis vinte e cinco anos ainda luta por vitórias. É um quarto de século com Valentino Rossi no circuito mundial. Grazie Mille!



segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Limalhas de História #79 – 16 de Setembro de 1990

125cc, Loris Capirossi, Italia, Honda, vence e sagra-se o campeão mais jovem de sempre na categoria. 250cc, John Kocinski, EUA, Yamaha, bate a Honda do espanhol Carlos Cardús e vence o título na classe intermédia. 500cc, Gardner e Doohan, dois australianos da Honda, travam batalha épica com Rainey e Lawson, dois norte- americanos da Yamaha, batalha vencida pelo Wayne australiano na consagração do título mundial do Wayne norte-americano. 


Faz hoje exactamente vinte e nove anos. Australian Grand Prix. Phillip Island Circuit. Vitoria. Austrália. Vivemos um dia inesquecível e um dos mais espectaculares Grandes Prémios da história. Prova que encerrou uma época marcada, por um lado, por alguns acidentes “provocados” pelos alienígenas motores V4 a dois tempos e, por outro, pelo início da era Rainey com a Marlboro-Yamaha

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Limalhas de História #76 – 26 de Maio de 1985

Ficou para a história como um dos mais talentosos pilotos norte-americanos de velocidade de todos os tempos. Mas aos olhos de hoje é muito difícil compreender a sua trajectória. Chegou, viu, venceu. E praticamente desapareceu… 


Fez ontem exactamente trinta e quatro anos. Nations Motorcycle Grand Prix. Autodromo Internazionale del Mugello. Scarperia e San Piero, Toscânia. Itália – curiosamente no mesmo terreno onde se realizará a próxima etapa do Mundial. Freddie Spencer conquista pela primeira vez uma dupla vitoria, 250cc e 500cc. Como todos sabem “Fast Freddie” viria nesse ano de 1985 a sagrar-se campeão do mundo nas duas classes. O que poucos recordam é que após tal conquista Spencer se transformou numa verdadeira estrela cadente, muito brilhante mas fugaz. Após aquelas vitórias, não mais o piloto norte-americano viria a ganhar; nem a pisar um pódio sequer. Incrível…

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Limalhas de História #74 – 6 de Maio de 1979





Coragem, talento, agressividade. A ordem dos factores apresentava-se absolutamente arbitrária. Nascido a 10 de Novembro de 1959 em San Jose da Califórnia, estreia-se precisamente nesse ano, 1979, e retira-se em 1992 com cento e cinquenta e um grandes prémios disputados, treze vitórias, cinquenta e sete subidas ao pódio, cinco voltas mais rápidas e, sobretudo, quatro “títulos” de vice-campeão mundial que lhe renderam, recentemente, uma polémica subida ao panteão das lendas do MotoGP. 

Faz hoje exactamente quarenta anos. Então Republica Federal Alemanha. Baden-Württemberg. Hockenheimring. Grande Prémio da Alemanha de Motociclismo. Randy Mamola, após vencer no ano anterior o AMA 250cc e ter despertado a atenção de todos ao ponto de ser apelidado de "Baby Kenny" (por referência ao Rei Kenny Roberts), aterra no mundial de velocidade e à segunda corrida aos comados da Bimota conquista a primeira das suas cinquenta e sete subidas ao pódio. Começava assim, de roda da frente a apontar para a lua, umas das carreiras mais espantosas de que há memória no mundial de velocidade.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Limalhas de História #72 – 27 de Março de 1994

Alguns dizem que tinha tanto de génio como de mau feitio. Bate toda a concorrência e leva para casa, 1990, o mundial de 250cc. Ameaça ser um caso sério em 500cc. Não foi! Mais tarde, 1997, viria a ser campeão mundial de Superbike com a Honda. Tentou o “comeback” com a mesma marca nipónica, mas o seu nome e aquele capacete icónico ficam para sempre ligados a um emblema italiano. 

John Kocinski cagiva

Faz hoje exactamente vinte e cinco anos. Australian Motorcycle Grand Prix, Eastern Creek Internacional Raceway - conhecido como Sydney Motorsport Park desde maio de 2012 - Nova Gales do Sul, Austrália. John Kocinski começa a temporada a vencer. Ele e a sua belíssima Cagiva. Todavia, naquele dia…, estávamos todos muito longe de imaginar que esta seria a última vitória para ambos.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Limalhas de História #64 – 13 de Setembro de 1964

125cc, 250cc, 350cc, 500cc, [Formula 1, Formula 5000, Formula 2, 24 Horas de Le Mans]. De 1958 a 1974, setenta e seis vitórias e nove títulos mundiais nas diferentes categorias. [Campão Europeus de Formula 2]. Genial no “road race”. Para muitos, o melhor piloto de motos de todos os tempos. Um verdadeiro Petrolhead. Mas também um senhor. Que encontrou uma morte extemporânea e absolutamente estupida!


Faz hoje exactamente cinquenta e quatro anos. Grande Prémio das Nações, Autódromo Nazionale Monza, Lombardia, Itália. Stanley Michael Bailey Hailwood aka Mike Hailwood aka "Mike The Bike" vence a sétima corrida da temporada na Classe Rainha (todas aquelas em que partiu) e, naturalmente, conquista o campeonato do mundo. O terceiro de quatro seguidos, o sétimo de dezassete incríveis títulos “in a row” da MV Agusta. Lenda!

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Limalhas de História #63 – 12 de Setembro de 1993

                                                                                                                                                                          Alguns dizem que tinha tanto de génio como de mau feitio. Vence o mundial de 250cc em 1990 e ameaça ser um caso sério na Classe Rainha. Não foi! Mais tarde, 1997, viria a ser campeão mundial de Superbike com a Honda. Tentou o “comeback” com a mesma marca nipónica, mas o seu nome e aquele capacete icónico ficam para sempre ligados a um emblema italiano 

Faz hoje exactamente vinte e cinco anos. Laguna Seca Raceway hoje conhecido por WeatherTech Raceway Laguna Seca, Monterey County, Califórnia, Estados Unidos da América. Já todos sabiam que a carreira de Wayne Rainey tinha terminado abruptamente aqui (link) e que Kevin Schwantz seria o campeão mundial nesse ano. John Kocinski aproveita a oportunidade e oferece à Cagiva a sua primeira vitoria em piso seco - Eddie Lawson tinha vencido a corrida de Hungaroring à chuva em 1992, onde uma escolha acertada de pneu fez toda a diferença. 


terça-feira, 22 de maio de 2018

Limalhas de História #53 – 20 de Maio de 1973

15:15. Quarta corrida do dia. A de 250cc, partida! O alemão Dieter Braun assume a liderança. Depois da recta da meta surgia o lendário Curvone, feito a fundo. Pasolini perde o controlo da moto. Bate nas protecções. A sua Harley Davidson volta à pista e colhe a Yamaha de Saarinen. Começa um incêndio e dá-se a queda de mais doze pilotos. Pasolini e Saarinen têm morte imediata. Walter Villa fica gravemente ferido. Jansson, Kanaya, Mortimer, Giasanti e Palomo saem feridos com menor gravidade.

Faz hoje exactamente quarenta e cinco anos e dois dias. A calamidade bate à porta do Grande Prémio das Nações em Monza, nos arredores de Milão, Itália. Num ápice o mundial de velocidade perde o campeão e vice-campeão do mundo de 250cc.

Saarinen foi “apenas” aquele que revolucionou o estilo de pilotagem, o primeiro piloto "moderno", com o joelho para fora e o domínio da moto com a roda traseira. Estilo importado dos anos nas corridas no gelo e que tanto impressionou Kenny Roberts. Pasolini não foi tão brilhante mas era ainda assim um piloto carismático, contemporâneo de Agostini, e amado pelos italianos. 

A “Tragédia de Monza”, como ficou tristemente conhecida, fez no passado domingo quarenta e cinco anos. Ora, no passado domingo correu-se em França, Le Mans. Não consta que quer organização quer comunicação social tenham gasto uma linha, uma palavra que fosse, a homenagear aqueles que tombaram para termos hoje uma velocidade cada vez mais segura. Muito mau!


Homenageamos nós! O Escape presta aqui a sua enorme vénia e respeito às vitimas da “Tragédia de Monza”.

domingo, 13 de maio de 2018

Do que falamos quando falamos de MV Agusta

Se dissermos que Cascina Costa é uma zona rural a poente de Samarate, comuna italiana da região da Lombardia, província de Varese, poucos mais visualizamos que os campos verdejantes e as suaves colinas que emolduram a paisagem desta lindíssima região italiana. 

Se, todavia, dissermos que Cascina Costa é uma zona rural a nascente do gigante aeroporto Milão-Malpensa, talvez alguns franzam o sobreolho e outros digam mesmo, “já lá andei por perto”. 


Assim, Cascina Costa aparece entalada, literalmente, entre a vedação de um dos maiores aeroportos da europa e campos agrícolas lendários povoados desde que o homem se sente como tal. 

O lugar onde olhamos o mundo pela primeira vez importa. E Cascina Costa é o berço da MV Agusta. Perdão, Meccanica Verghera Agusta. E com estas pequenas linhas se começa a entender muita coisa 

Fundada em 1923 pelo Conde Giovanni Agusta – que se diz ter construído o seu primeiro avião em 1907 - a empresa começa por se dedicar à aeronáutica. Depois de muitas voltas do planeta ao sol, a Agusta do conde Giovanni, faz hoje parte do gigante construtor de helicópteros AugustaWestland. 

Giovanni morre em 1927 deixando a empresa à sua mulher e filhos Domenico, Vincenzo, Mario y Corrado. 

Recuando ao fim da segunda guerra mundial, Domenico e Vincenzo criam a MV Agusta, como meio de salvar postos de trabalho. E a fábrica decide, e muito bem, dedicar-se ao motociclismo. O primeiro protótipo data de 1945 e denominou-se “Vespa 98”. 

Nas décadas de 50, 60 e início de 70, ao mesmo tempo que produzia motas de pequena e media cilindrada, a MV Agusta granjeou fama e glória no mundial de velocidade. As suas motas venceram seis títulos de 125cc, quatro de 250cc, dez de 350cc e uns incríveis dezoito (18!!) títulos na classe rainha de 500cc.


Com a morte do Conde Domenico Agusta em 1971, a empresa entrou em decadência e a partir de 1980 deixou mesmo de produzir. Já em 1991, a Cagiva adquire a marca registada MV Agusta e em 1998 ressuscita-a, apresentando a F4, desenhada pela pena do mago Massimo Tamburini e do seu CRC (Cagiva Research Center).

Os anos seguintes foram de incerteza. Fusões e aquisições várias fizeram a marca passar por mãos tão distintas como Proton e Harley Davidson com BMW, Husqvarna e até Mercedes “ao barulho”. Em meados de 2010 o empresário Giovanni Castiglioni assume o controlo da empresa e aparentemente o complexo processo de restruturação financeira e estratégica está enfim concluído. 

É de todo este lendário percurso de que falamos quando falamos de MV Agusta. E se pensam que este post traz “gasolina nos zeros e uns”, é porque provavelmente traz mesmo. Fiquem atentos ao Escape…

sexta-feira, 9 de março de 2018

Limalhas de História #47 – 9 de Março de 2008


“Stop the press”! Ou…, parem as máquinas. Desliguem os motores, vá. A penúltima limalha foi escrita há exactamente cinco meses (link), a última há pouco mais de quatro (link). Qual motociclo da classe rainha, o tempo passou a voar. Incrível! Ai estão elas de volta, as “Limalhas de História”, sinal de que os escapes do mundial de velocidade estão preparados para voltar a roncar. Vamos a isso! 

Faz hoje exactamente dez anos. Commercialbank Grand Prix of Qatar, Circuito Internacional de Losail, Qatar, emirado absolutista e hereditário comandado pela Casa de Thani desde meados do século XIX. Gadea, Aprilia, 125cc; Pasini, Aprilia, 250cc; Stoner, Ducati, MotoGP. Três motas italianas fazem a festa na primeira corrida nocturna MotoGP de sempre!

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Limalhas de História #46 – 6 de Novembro de 2011

Bicampeão (1990 e 1991) nas 125cc (Honda). Campeão (1998) nas 250cc (Aprilia). Doze temporadas entre 500cc e MotoGP, sem títulos e com apenas oito magras vitórias. Vinte e dois anos é muito tempo? Não sabemos, mas tudo tem um fim… 


Faz hoje exactamente seis anos. Gran Premio Generali de la Comunitat Valenciana, última ronda da Temporada 2011. Aos comandos de uma Ducati, Loris Capirossi despede-se da Velocidade ao mais alto nível. E nesta “última valsa” troca o seu eterno dorsal #65 pelo #58 do malogrado Marco Simoncelli. Emocionante!

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Limalhas de História #34 – 1 de Agosto de 1993


Mil novecentos e noventa e três. Hora de trocar de mota e de marca de tabaco? Sim, para Luca Cadalora. O piloto de Emilia Romagna decide abandonar a Rothmans Honda, onde se sagrara bicampeão mundial em 250cc e ingressa na classe rainha com a Marlboro Yamaha. 

Faz hoje exactamente vinte e quatro anos. Donington park, North West Leicestershire. Que é como quem diz, bem no centro da Inglaterra (acho que já tinha escrito isto antes….). Desobedecendo às ordens de equipa, Luca, vence o seu primeiro Grande Prémio em 500cc batendo um lesionado Rainey. Niaal Mackenzie fecha um pódio todo Yamaha. E um tal de Carl Fogarty aparece, qual estrela cadente, para levar a sua bela Cagiva ao quarto posto.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Limalhas de História #31 – 12 de Junho de 1967

Houve um tempo em que motociclismo rimava com romantismo. Querem ler esta pequena limalha apaixonante? 


Faz hoje exactamente 50 anos. Atlântico Norte. Bem no coração do Mar da Irlanda. Verde e húmida Ilha de Man. Início da quarta etapa do então campeonato mundial de velocidade em motociclismo. No primeiro de quatro dias de TT, Mike Hailwood limpava a categoria de 250cc aos comandos da mítica Honda de seis cilindros. Mas Mike “The Bike” não ficou por aqui na Ilha, vencendo ainda durante a semana a classe 350ccc e 500cc tendo sido nesse ano campeão do mundo de 250cc e 350cc e vice-campeão de 500cc. Fantástico!

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Limalhas de História #23 – 30 de Setembro de 1967





Sabiam que houve um e apenas um Grande Prémio do Canadá? 

Faz hoje exactamente quarenta e nove anos. Mosport Park, actual Canadian Tire Motorsport Park, Bowmanville, Província de Ontário. Penúltima corrida da temporada. O icónico Mike Hailwood, Honda, limpava as corridas de 250cc e 500cc. Nesse ano seria campeão mundial em 350cc e 250cc. E ficaria com os mesmo pontos que o campeão Agostini na classe rainha. Incrível…

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Limalhas de História #19 – 13 de Setembro de 1964



No passado fim-de-semana, Dani Pedrosa teve o prazer de igualar o número de vitórias desta Lenda Viva.

Faz hoje exactamente cinquenta e dois anos. Regressamos a Itália, Monza. Grande Premio das Nações, 250cc. O mítico britânico Phil Read vencia. E dava assim o primeiro título mundial à Yamaha.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Limalhas de História #14 - 1 de Setembro de 1996

Ralf Waldmann, alemão. De mil novecentos e oitenta e sete até ao ano de dois mil e dois, venceu vinte grandes prémios. Tantos como Crivillé e mais dois que Gardner, por exemplo. 

Faz hoje exactamente vinte anos. Imola, Emilia-Romagna, Bolonha, Italia. A bela Itália. Waldmann, Jaque, Ukawa e Fuchs, em 250cc, fazem o poker para a Honda. Brilhante. O alemão viria a lutar taco a taco pelo título desse ano. Biaggi na sua Aprilia levaria a melhor sobre a armada Honda. E Waldmann nunca conseguiria ser campeão do mundo.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Limalhas de História #11 - 25 de Agosto de 1991



Temos de regressar a Brno.

Bicampeão mundial com apenas 18 anos. É obra!

Faz hoje exactamente vinte e cinco anos. Com apenas 18 anos, Loris Capirossi, Honda, alcançava o seu segundo título consecutivo em 125cc. O piloto italiano, de Castel San Pietro Terme, convertia-se assim numa das grandes promessas do motociclismo mundial. Todavia, a partir daqui, Loris encetou uma carreira errante entre 250cc e 500cc. Foi campeão na classe intermédia em 1998.
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