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terça-feira, 23 de junho de 2026

CFMoto 1000MT-X à prova

A CFMoto 1000MT-X não é apenas mais uma novidade no segmento das trail de grande cilindrada. É sim o modelo com que a marca chinesa assume, sem rodeios, a ambição de competir no patamar mais exigente do mercado adventure europeu.


Até aqui, a CFMoto construiu grande parte da sua reputação oferecendo um nível de equipamento difícil de igualar pelo preço pedido. Com a 1000MT-X, a estratégia evolui. O foco deixa de estar apenas na proposta de valor e passa a centrar-se na credibilidade técnica, no comportamento dinâmico e na capacidade de enfrentar rivais estabelecidas de igual para igual. 


Olhar para esta moto apenas como “uma chinesa inspirada na KTM” é uma leitura redutora. O que está verdadeiramente em causa é a tentativa da CFMoto de consolidar uma plataforma adventure de alcance global, apoiando-se na experiência industrial adquirida ao lado da KTM, numa engenharia cada vez mais madura, numa forte capacidade de integração tecnológica e numa agressividade comercial que muitos fabricantes tradicionais parecem ter perdido. 

RUMO AO TOPO 
Dentro da gama MT, a CFMoto 1000MT-X assume naturalmente o lugar de topo. É a nova referência da família adventure, a montra tecnológica da marca e, provavelmente, o modelo que mais irá influenciar a perceção da CFMoto na Europa. Porque lançar uma trail de pequena cilindrada é relativamente simples; convencer motociclistas experientes a atravessar continentes, enfrentar pistas remotas e acumular dezenas de milhares de quilómetros numa maxi-trail é um teste de outra dimensão. 


A estratégia é clara. Enquanto algumas marcas continuam a empurrar o segmento para motos cada vez mais caras, sofisticadas e pesadas, a CFMoto apresenta uma proposta que procura combinar a presença e o desempenho de uma maxi-trail com um posicionamento económico significativamente mais competitivo. Se resultar, poderá obrigar muitos concorrentes a repensar a sua oferta.


Também a configuração da moto revela intenções sérias. As rodas de 21 polegadas à frente e 18 atrás, as suspensões de longo curso, a ergonomia vertical e a distribuição das massas denunciam uma verdadeira vocação para utilização fora de estrada. A 1000MT-X aproxima-se mais da filosofia de uma adventure preparada para enfrentar terra e longas expedições do que de uma simples estradista com estética aventureira. 


O motor, um bicilíndrico paralelo de 946,2 cc com cerca de 113 cv e 105 Nm de binário, evidencia igualmente essa abordagem. Mais do que procurar números impressionantes no topo da rotação, privilegia uma entrega de força consistente nas médias rotações, precisamente onde uma moto deste género passa a maior parte da sua vida útil. 

PONTO DE VIRAGEM? 
Na ciclística, o quadro tubular em aço cromomolibdénio, as suspensões KYB totalmente ajustáveis e o sistema de travagem Brembo com ABS em curva suportado por uma IMU Bosch colocam-na num nível técnico que já não admite condescendência. Não se trata de equipamento surpreendente “para uma moto chinesa”; trata-se, objetivamente, de equipamento de topo. 

O mesmo se aplica à eletrónica. Modos de condução, controlo de tração, quickshifter bidirecional, cruise control, monitorização da pressão dos pneus, painel TFT de oito polegadas, conectividade, punhos e assento aquecidos fazem parte de uma dotação que rivaliza diretamente com motos substancialmente mais caras. 

Apesar disso, a verdadeira prova não será passada na ficha técnica. Será decidida na estrada. A reputação continua a construir-se com quilómetros, fiabilidade, disponibilidade de peças, qualidade da assistência e confiança conquistada junto dos proprietários. É precisamente aí que a CFMoto ainda tem de demonstrar que consegue competir com marcas cuja credibilidade foi construída ao longo de décadas. 

Há riscos que não devem ser ignorados. A elevada complexidade eletrónica levanta dúvidas sobre o comportamento a longo prazo, os 222 kg em ordem de marcha continuam a fazer-se sentir quando a moto vai ao chão e, como acontece com qualquer plataforma nova, só o tempo permitirá avaliar a sua robustez e o valor residual no mercado. 


Por outro lado, o potencial é enorme. A combinação entre equipamento, desempenho e preço torna a 1000MT-X uma das propostas mais competitivas do segmento, precisamente numa altura em que muitos motociclistas mostram saturação perante a escalada de preços e a crescente elitização do mercado. 


Se corresponder às expectativas em utilização real, a CFMoto 1000MT-X poderá marcar um ponto de viragem. Não apenas para a marca, mas para todo o setor, demonstrando que os fabricantes chineses deixaram definitivamente de ser vistos como alternativas económicas para passarem a ocupar um lugar entre os protagonistas do universo adventure

QUATROCENTOS QUILÓMETROS PARA PRIMEIRO CONTACTO 
Fomos então convidados pela Multimoto para conhecer a moto e levantar a unidade de prova nas instalações da Oliveira de Azeméis. Foi um dia agradável, rodeado de pessoas que vivem intensamente o motociclismo e de uma empresa que há muitos anos se mantém entre os principais protagonistas do mercado nacional. 

E quando finalmente encontrei a CFMoto 1000MT-X nas instalações da Multimoto, percebi imediatamente que as fotografias não lhe fazem justiça. A moto é grande. Muito mais imponente ao vivo do que parece nos ecrãs. É alta, larga, cheia de presença e transmite uma sensação de solidez difícil de ignorar. As suspensões totalmente ajustáveis, a travagem Brembo e o enorme depósito de combustível compõem um conjunto que parece dizer, sem necessidade de palavras, que veio para jogar noutra divisão. 

A partir daí começava aquilo que realmente interessa. A estrada. Decidimos regressar a Lisboa por estradas nacionais. O dia estava quente, muito quente, e a ideia era simples: conhecer a moto sem pressas, procurar o litoral e deixar que os quilómetros revelassem aquilo que nenhuma ficha técnica consegue mostrar. E revelaram. 

Logo nos primeiros 150 quilómetros começaram a surgir as primeiras certezas. E também os primeiros pontos que merecem ser revistos. Vamos começar pelo mais evidente. O calor. É um tema que não vale a pena esconder porque existe. Em determinadas circunstâncias, sobretudo em cidade, a baixa velocidade ou quando as temperaturas exteriores são elevadas, existe calor a chegar à zona das pernas. Não acontece constantemente. Não transforma a experiência numa tortura. E durante a esmagadora maioria do tempo, sobretudo em andamento normal, simplesmente desaparece. Todavia quando aparece, nota-se. 


E sendo um modelo tão competente em tantos outros aspetos, é um detalhe que merece atenção da marca em futuras evoluções. Outro aspeto que encontrámos prende-se com algumas pequenas indecisões eletrónicas ao nível da gestão da entrega de potência. Nada de dramático, nada que comprometa a utilização, no entanto existem momentos pontuais em que se percebe que ainda há margem para afinar determinados comportamentos nomeadamente a nível da entrada do controlo de tração. 


Já no capítulo da instrumentação, encontramos um painel TFT de oito polegadas extremamente completo, moderno e rico em informação. Pessoalmente, continuo a preferir soluções menos dependentes da digitalização absoluta de todas as funções da moto. E também tenho de reconhecer aquilo que encontrei aqui. Pela primeira vez em muitos anos de testes, consegui emparelhar rapidamente o meu telefone e utilizar o Apple CarPlay sem dramas, sem complicações e sem perder tempo. E isso permitiu-me fazer toda a viagem até Lisboa com navegação integrada de forma simples e eficaz. Uma pequena vitória tecnológica que merece ser assinalada. 

QUALIDADE INQUESTIONÁVEL 
Passemos ao essencial. Àquilo que verdadeiramente define esta moto. O motor impressiona. Tem força em toda a faixa de utilização, responde com vigor sempre que solicitado e apresenta uma sonoridade agradável, ainda que inevitavelmente condicionada pelas exigências da norma Euro 5+. 

As suspensões são excelentes. A travagem é excelente. A afinação geral do conjunto transmite uma maturidade surpreendente. Apesar da sua dimensão, a 1000MT-X nunca parece excessivamente pesada. A baixa velocidade mantém-se previsível e fácil de gerir. Em andamento ganha uma leveza inesperada para uma moto desta categoria. 

E depois surgem as curvas. E é aí que muitos preconceitos começam a cair. A 1000MT-X curva muito melhor do que a sua aparência sugere. Os Pirelli Scorpion Rally STR assentam-lhe de forma distinta e ajudam a criar uma confiança imediata. Tanta, aliás, que em vários momentos dei por mim a imaginar esta moto equipada com pneus puramente de estrada. Na minha opinião, a verdadeira vocação da CFMOTO 1000 MT-X não está nos trilhos apertados nem nos caminhos técnicos. Está na viagem. Está nas estradas secundárias. Está nos milhares de quilómetros percorridos com conforto, estabilidade e prazer. Utilizei vários capacetes diferentes durante o ensaio e nunca senti razões para criticar a proteção aerodinâmica do conjunto. Também realizei bastantes quilómetros com pendura e a sensação geral foi sempre muito positiva. Como em qualquer moto, a carga e a presença de malas vão obrigar a pequenos ajustes de ritmo e afinação, mas o conforto geral esteve sempre a um nível elevado. 

Outro aspeto que merece destaque é o consumo. Porque a MT-X consegue algo raro: combinar prestações muito convincentes com consumos surpreendentemente baixos. Em utilização normal, pouco mais de quatro litros por cada cem quilómetros são perfeitamente alcançáveis. Mesmo quando o ritmo sobe, ultrapassar os cinco litros exige já alguma determinação. 

E QUANTO AO FORA DE ESTRADA? 
Aqui importa ser honesto. Fiz pouco. Muito pouco. Não porque a moto não seja capaz. E sim porque, para o tipo de utilização off-road que encontramos habitualmente em Portugal, existem soluções mais leves, mais simples e mais adequadas. Agora, se falarmos de grandes viagens, de estradões rápidos, de travessias continentais, de Marrocos, ou até quem sabe da Rota da Seda, da Ruta 40 ou de qualquer aventura onde a distância pesa mais do que a dificuldade técnica, então a conversa muda completamente. 


E aí a MT-X revelará ter argumentos muito sérios. Há ainda uma ideia que merece ser desmontada. A de que esta moto é simplesmente uma evolução da 800. Não é. Não estamos perante uma 800 maior. Estamos perante uma moto diferente. Com outra missão. Outro posicionamento. Outro nível de equipamento. Outro nível de acabamentos. Outra ambição. A 1000 MT-X não substitui a 800. Convive com ela. E dirige-se a um motociclista diferente. 

É ESTA A MOTO COM QUE SONHAVAS? 
Talvez seja precisamente aqui que reside a sua importância. Porque esta moto não representa apenas um novo modelo. Representa uma declaração de intenções. A CFMOTO está a dizer ao mercado que pretende sentar-se à mesma mesa das referências históricas do segmento por um preço de 10.490€. E, mais importante ainda, está a apresentar argumentos para o fazer. Ainda é cedo para saber se será a moto do ano. Todavia seria um erro não a colocar imediatamente nessa conversa. Porque poucas motos lançadas recentemente conseguiram provocar tanto debate, tanta curiosidade e tanta reflexão.


E depois de vários dias e centenas de quilómetros na sua companhia, uma conclusão tornou-se inevitável. Se hoje estivesse à procura de uma grande viajante para ocupar a minha garagem, a CFMOTO 1000 MT-X entraria imediatamente na lista de finalistas. E não entraria por ser chinesa. Nem por ser diferente. Entraria porque é, simplesmente, uma moto muito competente.

Raterometro ******** (8/10)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

QJ Motor SRT 900SX à prova

A QJ Motor SRT 900SX chega com uma presença que não deixa margem para dúvidas: “estou aqui para trabalhar, não para picar o ponto”. Aqui não há, desde logo, artifícios nem exageros desnecessários. A SRT900 SX veste-se sólida, funcional e carregada de argumentos que saltam à vista e à experiência: promete motor cheio, electrónica completa, equipamento pensado para viajar, malas de série e seis anos de garantia. Tudo isto com um preço que desafia a lógica do segmento. 


A QJ Motor SRT 900SX é o tipo de moto que, logo à primeira vista, te diz que não veio para ser mais uma. Vem para fazer diferença com o seu suor e isso sente-se mesmo antes de a ligar. 

QUE MOTO É ESTA, AFINAL? 
A QJ Motor SRT 900SX é uma Adventure/Touring de média-alta cilindrada, equipada com um bicilíndrico paralelo de 904 cc, claramente pensada para quem quer viajar longe, com conforto, autonomia, capacidade de carga e uma margem de potência séria — sem entrar no território financeiro das grandes trails “premium”. Não é uma trail extrema. Não é uma estradista disfarçada. É uma moto de compromisso inteligente, com vocação turística assumida e capacidade real para sair do asfalto (pelo menos nesta versão SX) quando o caminho o exige — desde que não se confunda aventura com enduro. 


Visualmente, a SRT900 SX cumpre aquilo que promete. A postura é alta, sólida, musculada. A frente impõe-se com uma óptica full-LED moderna, bem integrada, flanqueada por proteções aerodinâmicas eficazes. O guarda-lamas dianteiro elevado, o guiador largo e a roda de 19 polegadas à frente colocam-na imediatamente no universo trail — sem ambiguidades. 


O quadro tubular em aço fica visível e assume um papel estrutural e estético., elementos como os handguards reforçados e o conjunto de três malas em alumínio (de série) não são adereços: são declarações de intenção. Aqui não há maquilhagem leve. Há equipamento funcional, pensado para uso real. 


O painel TFT de grandes dimensões, a iluminação integralmente em LED, os acabamentos corretos e a sensação geral de robustez colocam a SRT900 SX claramente acima do que, há poucos anos, esperaríamos de uma proposta neste preço. 

ONDE ESTA MOTO COMEÇA REALMENTE A FALAR ALTO 
É no capítulo técnico que a QJ Motor decide não ser discreta. O bicilíndrico paralelo de 904 cc, com refrigeração líquida e dupla árvore de cames à cabeça, debita cerca de 95 cv e um binário robusto, disponível cedo e com especial expressão nos regimes médios — exatamente onde uma moto destas deve ser forte. 

A entrega é cheia e progressiva, pensada para viajar carregado, com pendura, sem stress mecânico nem fadiga do condutor. A caixa de seis velocidades conta com quick-shifter bidireccional, e a embraiagem assistida e deslizante ajuda tanto na condução descontraída como nas reduções mais decididas. 

O quadro é acompanhado por um braço oscilante em alumínio. As suspensões são Marzocchi, totalmente ajustáveis na dianteira e parcialmente atrás (pré-carga e extensão) — um detalhe que não é de somenos e que revela ambição técnica. Aqui não se poupa onde faz diferença.

ELECTRÓNICA - AQUI ESTÁ A SURPRESA
Na travagem contem à frente com dois discos de grande diâmetro com pinças radiais Brembo, apoiados por ABS Bosch. Atrás, um disco generoso – e muito agradável e eficaz - igualmente com assinatura Brembo. É um sistema de travagem ao nível do que se exige a uma moto que pesa, viaja e anda depressa. Rodas 19”/17”, pneus tubeless de vocação mista e um depósito de 24 litros colocam a autonomia no centro da equação. Esta é uma moto pensada para fazer quilómetros — muitos. 


A QJ Motor SRT 900SX apresenta um nível de equipamento que, honestamente, desconcerta pelo preço reclamado: modos de condução; controlo de tracção; cruise control; painel TFT com conectividade; punhos e banco do condutor aquecidos; sensores de pressão dos pneus; sistema de aviso de ângulo morto; tomadas USB; conjunto de três malas em alumínio e de qualidade incluído de série. Nada disto é decorativo. Tudo isto soma valor real na utilização diária e, sobretudo, em viagem. 

ADAS OU QUANDO A ELETRÓNICA COMEÇA A TRABALHAR CONNOSCO
Falar de ADAS numa moto ainda soa estranho para muitos motociclistas. Durante décadas, a segurança activa resumiu-se a bons travões, bom tacto de acelerador e, mais recentemente, a ABS e controlo de tracção. A QJ Motor decidiu ir mais longe na SRT 900SX e integrar um verdadeiro sistema de assistência avançada ao condutor — não como truque de marketing, mas como ferramenta real de apoio à condução. 

O sistema ADAS da SRT 900SX assenta numa lógica simples: ver antes de nós, avisar antes de ser tarde e ajudar sem se impor. Para isso, recorre a sensores dedicados, sobretudo na traseira da moto, que monitorizam constantemente o que acontece à nossa volta, cruzando essa informação com a electrónica central da moto. Na prática, isto traduz-se num conjunto de funções que actuam sobretudo na prevenção — e esse é o ponto mais importante.

Uma das componentes centrais é o controlo de ângulo morto. O sistema monitoriza as zonas laterais e traseiras que escapam ao campo visual direto do condutor, algo particularmente crítico em estrada rápida ou em trânsito denso. Quando um veículo se aproxima numa dessas zonas, o sistema emite um alerta visual no painel, chamando a atenção para um risco que, de outra forma, só seria detetado tarde demais. Não impede a manobra, não toma decisões por nós — avisa, que é exatamente o que se pede. 


Associado a isto surge a assistência à mudança de faixa. Sempre que a moto inicia uma trajetória lateral potencialmente perigosa, sem indicação clara ou com um veículo detetado na proximidade, o sistema alerta o condutor. Não há aqui correções automáticas de direção — estamos numa moto, não num automóvel —há sim um reforço claro da consciência situacional. 

FUTURISTA E AMBICIOSO 
Outro pilar do ADAS da SRT 900SX é a travagem automática de emergência assistida. Em situações de risco iminente de colisão — diferença brusca de velocidade para o veículo da frente ou surgimento inesperado de um obstáculo — o sistema atua em dois tempos: primeiro alertando o condutor, depois assistindo a travagem caso a reação humana não seja suficientemente rápida. Importa sublinhar: não se trata de uma travagem autónoma total, mas de uma intervenção de apoio, integrada com o ABS Bosch, pensada para reduzir velocidade e gravidade do impacto. 

Existe ainda deteção de obstáculos à retaguarda, particularmente útil em circulação urbana ou em desacelerações rápidas, onde a aproximação de veículos por trás pode passar despercebida. Mais uma vez, o sistema não substitui espelhos nem experiência — complementa. 

Tudo isto funciona em articulação com o restante pacote eletrónico da moto: ABS de dois canais, controlo de tração, cruise control e sistema de monitorização da pressão dos pneus. O ADAS não vive isolado; faz parte de um ecossistema eletrónico coerente, algo pouco comum neste segmento de preço. Convém também ser honesto quanto às limitações. Este não é um sistema autónomo nem pretende ser. A eficácia depende de condições ambientais, da limpeza dos sensores e, sobretudo, da atenção do condutor. O ADAS da SRT 900SX não conduz por nós, mas aumenta de forma clara a margem de segurança — e isso, em estrada real, conta. 


O resultado final é simples de explicar, mas difícil de ignorar: a QJ Motor está a trazer para este segmento tecnologias que até há pouco tempo eram exclusivas de motos muito mais caras. Não como promessa futurista, mas como equipamento funcional, utilizável no dia-a-dia. E isso diz muito sobre a ambição deste projeto. 

PRIMEIRO ESTRANHAS... 
Saltei de uma moto com números semelhantes — cilindrada, potência, promessa no papel — e de repente nada bateu certo aqui nos primeiros metros. É por isso que continuo a insistir: larguem as fichas técnicas, larguem o marketing, larguem sobretudo aquilo que o megafone vetusto da comunicação dita social vos diz que estas motos são. Os números são só números. A experiência real é outra conversa. 


Dias depois, comecei a olhar para a SRT 900SX com menos preconceito e mais atenção. Sim, tem jante raiada à frente, sim, tem jante 19, sim, parece uma trail. Mas basta esquecer os rótulos para perceber que estamos muito mais perto de uma turística disfarçada do que de uma verdadeira “Adventure”. Chega a ser desconcertante ver esta moto — e até a versão S com jante 17 — a ser tratada como “Adventure” por alguma comunicação social especializada. Não é. Pelo menos, não na forma como anda, como se sente e como se entrega.


A posição de condução é cavada, o banco é largo, a ergonomia é neutra e correta, mas exige adaptação. Especialmente no primeiro arranque. Antes mesmo de rolar, há duas verdades difíceis de contornar: é uma moto alta e larga. A acessibilidade não é o seu ponto forte. Obriga a levantar bem a perna, obriga a atenção. Imagino-a com três malas montadas — e a dificuldade cresce. Essa primeira sensação, parada, não é simpática. E tudo muda quando a moto rola. 

DEPOIS VAIS ENTRANHAR 
Em andamento, a SRT900SX apaga quase por completo o peso que denuncia parada. Mais: revela equilíbrio. Basta um exercício banal — uma inversão de marcha a baixa velocidade — para perceber que a ciclística está bem resolvida. É estável, previsível e surpreendentemente fácil de manobrar. Ultrapassada a fase de desadaptação, comecei a deixar-me envolver pelo conjunto. E aqui há coisas muito bem feitas. A suspensão não é apenas competente: é confortável. Absorve, dialoga com o piso e não se mostra nervosa. A travagem, com destaque para o travão traseiro — que uso muito — transmite qualidade e confiança. 


A eletrónica merece um parágrafo à parte. O ADAS exige, sim, um período de adaptação, mas rapidamente começa a fazer sentido. Especialmente em contextos suburbanos e de vias rápidas — IC19, Segunda Circular, Eixo Norte-Sul — aquele território fértil de entradas e saídas constantes que quem anda em Lisboa conhece bem. Quando se percebe o sistema, ele passa de estranho a aliado. 


Quanto ao motor, não concordo com a ideia de que “não é cheio”. É. E é desde baixo. Os modos de condução são bem diferenciados. Curiosamente, o Rain revelou-se excelente em cidade: entrega de potência suave, moto mais dócil, menos vibrações a baixa rotação. Fica a sugestão. O Sport, por outro lado, é quase feroz. É um motor que gosta de rodar, que sobe rápido e que pede estrada aberta. 


Nem tudo é ideal. A proteção aerodinâmica fica aquém das ambições turísticas da moto. Falta envolvência e, sobretudo, falta regulação. O quickshifter, quando sujeito a pressão — como tantos outros — falha pontualmente. A acessibilidade e o peso parado já foram referidos como pontos menos positivos. E depois há o painel de instrumentos: completíssimo, mas esteticamente infeliz. Gráficos que fazem lembrar jogos eletrónicos baratos dos anos 80, excesso de informação e zero elegância. Está tudo lá, mas podia estar muito melhor. É claramente um ponto a evoluir. 

DESEJO DE VIAGEM
No final, a experiência é clara: esta moto começa como um ponto de interrogação e revela-se rapidamente como aquilo que é — uma turística, ou até uma sport-turismo, com roupagem de trail. Pede viagem. Pede estrada. É confortável, divertida e tem uma eletrónica bem integrada


E depois há o fator absolutamente decisivo: o preço. 9.000 euros. Com três malas de qualidade incluídas — facilmente 1.500 euros poupados— e seis anos de garantia. Isto não é detalhe. É um statement. Brembos, Marzocchis, ADAS, 95 cv, equipamento a sério. É muita moto. Muita mesmo. E uma relação preço-qualidade das mais agressivas do mercado. Uma marca que continua a surpreender — e que, se cumprir o que promete para 2026, vai obrigar muita gente a rever certezas. 


A QJ Motor SRT900SX é uma moto para quem quer andar, não para quem quer apenas mostrar e solicitou cerca de cinco litros e meio de liquido inflamável dos nossos sonhos por cada cem quilómetros de asfalto deglutido com gosto. Contem aqui com uma proposta madura, tecnicamente sólida e comercialmente muito bem pensada. Uma moto que não reinventa o segmento, mas que o obriga a justificar preços e escolhas. 

Raterómetro ******** (8/10)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Voge DS800 Rally à prova

A Voge DS800 Rally chega ao nosso horizonte como quem cruza o nevoeiro do amanhecer com a certeza de que pertence ao trilho, à poeira e também às estradas largas que Portugal oferece. Há motos que se apresentam com timidez; esta não. A DS800 Rally tem aquela postura firme de quem conhece o seu próprio destino: ser uma moto de aventura séria, de desafio autêntico, capaz de levar-te ao limite sem exigir o pagamento de uma prestação mensal de uma maxi trail premium


A primeira impressão começa sempre pelo olhar, e aqui a Voge joga forte. O desenho é nitidamente inspirado no universo rally-raid, com aquela frente esguia, pensada para abrir caminho no pó, e um corpo atlético que deixa espaço ao movimento do condutor, tanto sentado como em pé. O acabamento a imitar carbon flare nos painéis, as proteções robustas, os faróis auxiliares LED, os protetores de mãos musculados e o enorme depósito de 24 litros dão-lhe aquele ar sério de moto que não veio para fazer figuração. 


Esta é uma trail que parece ter sido moldada pelas mesmas mãos que idealizam dunas infinitas e vales solitários — e depois polida para agradar aos olhares urbanos quando regressa à cidade. O ecrã TFT vertical de 7 polegadas, a conectividade completa com o smartphone e os pequenos luxos como punhos e assento aquecidos mostram que a Voge não abdica do conforto moderno, mesmo quando veste fato de competição.

MOTOR NOVO VIDA NOVA
Por baixo desta carenagem de aventura bate o coração de um novissimo bicilíndrico paralelo de 798 cc, com ordem de ignição a 270 graus — aquele pulsar quente e irregular que dá alma. São quase 94 cavalos a 9.000 rpm, e 81 Nm de binário que surgem cheios, com aquela tração que nos empurra para a frente quando o trilho aperta e a adrenalina pede espaço. 


A embraiagem deslizante torna tudo mais dócil nas reduções agressivas; a caixa de seis velocidades responde com precisão. É um bloco que não pretende reinventar a física, mas antes entregar confiança, vibração certa e uma personalidade que se quer sentir nas mãos, no corpo e no caminho. 


A ciclística foi montada com pensamento claro: ser forte, previsível e capaz. Suspensões KYB totalmente ajustáveis, com 200 mm de curso à frente e 190 mm atrás, alimentam aquela sensação de “pernas longas” que tanto apreciamos nas trails vocacionadas para o fora de estrada. O quadro em aço, o braço oscilante em alumínio, as jantes de raios 21/18 calçadas com Pirelli Rally STR e a altura ao solo de 220 mm deixam muito claro que esta moto terá sempre vontade própria de sair do alcatrão. Detalhes como o amortecedor de direção ajustável, o guarda-cárter em alumínio e os pedais articulados fazem lembrar que alguém, na Voge, também gosta de se sujar. 


Os travões Nissin com duplo disco à frente sem deslumbrar inspiram confiança, e o ABS e o controlo de tração — ambos desligáveis — dizem-nos que esta moto não teme piso solto nem escorregadio. Os sensores TPMS e o descanso central são pormenores práticos que tornam a vida do aventureiro mais fácil. E o depósito de 24 litros? Esse é o passaporte para longas jornadas, para meter quilómetros até onde a paciência dos outros acaba. 

AFIRMAÇÃO!
Para compreender verdadeiramente esta moto é preciso colocá-la no seu contexto: numa era em que as marcas chinesas já não chegam com a postura tímida de outrora, e sim com propostas cheias de engenharia, ambição e qualidade palpável. A Voge, marca do grupo Loncin, tem posto os pés no terreno europeu com determinação. E a DS800 Rally representa isso mesmo: uma afirmação. Não chega para competir com o segmento — chega para o inquietar.


É inevitável compará-la às grandes referências do mundo Adventure de média cilindrada. No papel, e sobretudo no preço, a Voge mete respeito: oferece equipamento que, noutras marcas, só aparece bem acima da fasquia psicológica dos dez mil euros. A suspensão ajustável, o arsenal eletrónico, a autonomia generosa, o hardware de travagem e até pequenos mimos como os aquecimentos seriam argumentação suficiente. No enatanto o que mais impressiona é o equilíbrio: esta não é uma maxi trail que assusta os iniciados, nem uma trail leve que se esgota aos primeiros quilómetros de autoestrada. É o ponto intermédio certo — aquela terra de ninguém onde tantos motociclistas procuram uma companheira que dê confiança no cascalho, comodidade na viagem e capacidade para o dia-a-dia. 

PARA LÁ DO EQUILÍBRIO HÁ A FACILIDADE 
Mesmo que esta Prova tivesse sido longa, mesmo que o calendário tivesse oferecido sol em vez de chuva, nevoeiro e vento, mesmo que os quilómetros fossem muitos — a sensação teria sido a mesma: saberia a pouco. 


E talvez essa seja, logo à partida, a melhor nota que posso dar a esta moto. A verdade é que esta prova ficou marcada por condições atmosféricas profundamente desagradáveis. A estrada molhada, o frio húmido que se entranhou, o céu permanentemente cinzento. Tudo parece ter conspirado para encurtar aquilo que eu gostaria que tivesse sido uma longa jornada. Todavia a DS800 Rally fez aquilo que as boas motos fazem: iluminou as horas escuras. Como podem ver nas imagens 


O que realmente aqui surpreende é a facilidade com que tudo acontece. Há um “teste” que não vem em nenhuma ficha técnica: o de fotografar uma moto. Empurra-se para a frente, puxa-se para trás, roda-se um pouco para encontrar o ângulo certo…, e aí percebe-se o seu equilíbrio natural. A DS800 Rally passa esse teste com distinção. Move-se com leveza, transmite naturalidade a baixa velocidade e revela logo aquilo que mais tarde confirmamos a conduzir: há aqui uma plataforma muito bem pensada

ALMA E PRAZER PURO 
Na cidade a Voge DS800 Rally sente-se segura, no estradão diverte, e em estrada… curva que se farta. A ciclística — suspensões, travões e geometria — está afinada com um cuidado pouco comum neste segmento. Não é uma moto de catálogo; é uma moto de engenharia. A travagem, não sendo referencial, está ao nível certo: consistente, previsível, sem comprometer o ritmo. 

No entanto, sublinhamos, o grande protagonista é o motor. O novo bloco criado especificamente para esta moto, já sem amarras de licenças ou parcerias, é uma das maiores surpresas do teste. Sobe de rotação com vitalidade, com vontade própria, com uma sonoridade que se torna viciante a partir das 3.000 ou 4.000 rpm. É um motor com alma — e não digo isto com ligeireza. É daqueles que nos fazem procurar mais uma curva, mais uma reta, mais uma oportunidade para ouvir o eco do escape.

No fora de estrada ligeiro, mesmo com chuva e piso traiçoeiro, a DS800 Rally ofereceu sempre momentos genuínos de prazer. É uma moto que gosta de mexer o corpo — e isso sente-se

Há pontos a melhorar, naturalmente. O controlo de tração é o mais evidente. É demasiado interventivo quando começamos a abusar — e intervém de forma algo errante. É seguro? É. Mas pode (e deve) ser refinado em futuras versões ou atualizações electrónicas. Depois, o interface entre os botões e o painel de “instrumentos” podia estar mais intuitivo. Nada grave, mas nota-se. Finalmente, numa moto tão bem equipada, fazem falta dois elementos que elevavam a experiência para outro patamar: quickshifter, para completar a personalidade do motor e Cruise Control, porque esta moto pede estrada larga e viagens maiores. 

QUEREM AVENTURA? 
Para quem está a preparar a Voge DS800 Rally para viagens mais longas, a marca disponibiliza duas soluções completas desenvolvidas em parceria com a SHAD. A primeira aposta num conjunto de bolsas macias, composto pelas ferragens específicas para a DS800 Rally, dois alforges TR30, um saco traseiro TR50 e um saco de depósito TR10CL. Os alforges laterais TR30 usam suportes rígidos dedicados, são impermeáveis e têm fecho com chave tanto para ficarem bloqueados à moto como para a sua abertura. O saco traseiro TR50 oferece uma capacidade generosa, suficiente para transportar até dois capacetes modulares integrais, e também fica bloqueado ao suporte superior da moto. Já o saco de depósito TR10CL, totalmente impermeável, prende-se através do sistema rápido Click System e inclui igualmente bloqueio por chave no tampão do depósito. Até 31 de dezembro, este kit pode ser adquirido por 888 € mediante a compra da moto. 


A segunda solução disponível opta por malas rígidas em alumínio, igualmente com ferragens dedicadas à DS800 Rally, e inclui as duas malas laterais SHAD TR36 e o top case TR55. As laterais TR36 destacam-se pela construção sólida, pelo mecanismo de fecho duplo e pela pega retráctil que facilita o transporte fora da moto. O top case TR55, com características equivalentes, é um dos baús de alumínio mais leves da sua categoria com capacidade para dois capacetes modulares integrais. Até 31 de dezembro, este conjunto pode ser adquirido por 1 198 € com a compra da moto. 


Ambas as propostas dão à DS800 Rally a versatilidade necessária para viagens mais longas, seja com equipamento macio e mais leve, seja com a robustez das malas rígidas de alumínio — sempre com a vantagem da compatibilidade directa e da montagem pensada especificamente para este modelo. 

SERÁ ESTA A MOTO IDEAL PARA TI?
É também por isso que esta moto se dirige a vários tipos de motociclistas. Aos aventureiros que gostam de explorar pistas e serras ao fim de semana, que procuram uma máquina que aguente maus tratos e que não seja um monstro de 250 kg. 


Aos viajantes que fazem quilómetros sem olhar para trás e que valorizam autonomia, conforto e uma postura de condução natural. Aos motociclistas que querem uma trail para evoluir no fora de estrada, mas que recusam abdicar de tecnologia e de uma estética com presença. E, claro, aos que descobriram que o mercado chinês já está muito acima daquele estigma antigo: hoje, marcas como a Voge entregam motos maduras, bem equipadas, bem pensadas — e com um preço que continua a desafiar a concorrência. 


No fundo, a Voge DS800X Rally é uma moto com algo para provar — e com todas as armas para o fazer. Não tenta ser perfeita. Tenta ser verdadeira: aventureira, robusta, prática e apaixonada por caminhos onde o silêncio pesa e a liberdade cresce. E isso, no universo d’O Escape Mais Rouco, conta muito. 


Por razões várias, a prova não permitiu um cálculo rigoroso de consumos, mas a nosssa estimativa aponta para cerca de cinco litros de sumo de dinossauro bebidos por cada cem quilómetros de prazer honesto de condução. E depois, o preço. Menos de 7.900 € por tudo aquilo que esta moto oferece é, francamente, difícil de acreditar. É o tipo de valor que nos faz voltar atrás nas notas, reler tudo e pensar: “sim… está aqui qualquer coisa especial.” 


A Voge DS800 Rally não é perfeita e sim apaixonante. É honesta, divertida, surpreendente, muito bem construída e equipada. E, acima de tudo, é uma moto que nos deixa sempre com vontade de fazer mais quilómetros. E talvez seja esse o maior elogio que se pode dar a uma moto: quando a devolvemos com a sensação de que ficámos a meio da história. 

Raterometro ******** (8/10)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

CFMOTO 1000MT-X num primeiro olhar

A CFMOTO 1000MT-X surgiu no EICMA 2025 como a nova grande aposta da marca chinesa no segmento das maxi-trail, prometendo rivalizar com modelos de referência europeus e japoneses. Notem que a CFMOTO emprega agora mais de 9.000 profissionais especializados e fornece a mais de 7.000 concessionários numa rede que se estende por 100 países e milhões de clientes. 


Com base no prestígio crescente da gama MT, a marca apresentou com entusiasmo a nova moto topo de gama — a 1000 MT-X. A moto posiciona-se no topo do espectro MT graças, em parte, à plataforma do motor paralelo de 946,2 cc, que debita 83 kW (111 cv) às 8.500 rpm e um binário máximo de 105 Nm às 6.250 rpm. O sistema Bosch MSE 9.0 EFI pretende ajudar a afinar a resposta suave e linear ao acelerador, refinamento alcançado após mais de 100.000 km de testes de resistência. Esta big trail topo de gama da família MT foi concebida para viagens de longo curso, com capacidade para enfrentar tanto as estradas mais exigentes como caminhos fora de estrada, oferecendo uma experiência completa de aventura. 

AMBIÇÃO E MODERNIDADE 
No coração da 1000MT-X temos, pois, um motor bicilíndrico em linha de 946,2 cc, refrigerado a líquido, com duplo comando de válvulas e oito válvulas. Este bloco, uma evolução do conhecido LC8c da CFMOTO, acoplado a uma caixa de seis velocidades com quickshifter e embraiagem deslizante. A capacidade de combustível é de 22,5 litros oferece autonomia para mais de 450 km, enquanto o peso a seco, anunciado em 199 kg, promete agilidade e facilidade de manobra, surpreendentemente leves para uma moto deste segmento. A altura do assento ajustável, entre 830 mm e 870 mm, permite que concutores de diferentes estaturas encontrem a posição ideal de condução. 


A ciclistica da 1000MT-X não desilude. Suspensões KYB totalmente reguláveis, com forquilha invertida à frente e mono amortecedor atrás, garantem um equilíbrio sólido entre conforto e capacidade fora de estrada. A travagem fica a cargo da Brembo, com dois discos frontais de 320 mm e um disco traseiro de 260 mm, assegurando controlo e confiança em todas as situações. As jantes de raios e os pneus Pirelli Scorpion Rally STR (21″ à frente e 18″ atrás) consolidam o perfil misto estrada/off-road, tornando a moto capaz de enfrentar trilhos exigentes sem comprometer a estabilidade em asfalto. 


No campo da eletrónica e conforto, a 1000MT X mostra ambição e modernidade. Um painel TFT de 8″, vertical e de fácil leitura, exibe todas as informações essenciais, enquanto o sistema IMU de 6 eixos oferece modos de condução selecionáveis, ABS em curva, controlo de tração e outras ajudas à condução que elevam a segurança e a performance. A bordo, o motociclista encontra ainda quickshifter, assento e punhos aquecidos, cruise control, guiador e para-brisas ajustáveis. 

PROMESSA DE ROBUSTEZ
A CFMOTO 1000MT-X posiciona-se, assim, como concorrente séria no segmento das grandes trail, oferecendo um pacote completo de motor potente, electrónica moderna, componentes de qualidade e capacidade de autonomia que a tornam adequada tanto para o dia-a-dia como para aventuras de longo curso. Apesar de prometer uma verdadeira experiência off-road, a avaliação prática em trilhos exigentes ainda é um ponto a confirmar. 

Com cores que se destacam, como o Zephyr Blue e o Tactical Green, e um design que transmite robustez sem comprometer a leveza, a 1000MT X é uma proposta que combina desempenho, tecnologia e versatilidade. Para o motociclista português que procura aventura real sem os custos e o peso de algumas rivais europeias, esta moto surge como uma opção bastante interessante

A EXPETATIVA ELEVADA DE RAD RAVEN 
A CFMOTO 1000MT-X foi já vista numa fase muito preliminar, através de um modelo de demonstração de pré-produção. Um dos poucos a ter acesso próximo à moto foi o nosso amigo Rad Raven, que esteve entre as primeiras pessoas no mundo a poder observá-la ao vivo, tocar nela e perceber as suas proporções e soluções, num belo exclusivo, ainda sem possibilidade de a ligar ou conduzir. Desse primeiro toque resultou também o vídeo que acompanha este texto aqui (link), bem como algumas impressões iniciais que partilhou comigo e que deixo de seguida. 

O que mais me surpreendeu na CFMOTO 1000 MT-X foram as semelhanças com a 800. No início até duvidei se não estaria mesmo a mexer numa 800, porque ao toque tudo parecia muito familiar. Mas basta olharmos com um pouco de mais atenção, para percebermos que está tudo num patamar mais elevado: desde as pinças dos travões a ostentarem o logo da Brembo, ao reservatório do amortecedor traseiro, o KYB bem visível nos garfos, e o amortecedor de direção agora montado junto ao guiador. Parece literalmente uma 800 MT-X com um kit de upgrades de alta qualidade instalado de fábrica

Mas a cereja no topo deste bolo parece mesmo ser o motor. E se o da 800 já me tinha deixado uma excelente impressão nas estradas serpenteantes dos Alpes, este novo bloco com 946 centímetros cúbicos promete ser ainda mais vigorante. Mais torque a meio das rotações, mais potência, mais facilidade para viajar carregado e com pendura, e a promessa de uma dose extra de adrenalina quando enrolarmos o punho

Tendo em conta o excelente centro de gravidade ao estilo CFMOTO, aliado à geometria afinada da plataforma MT-X, a expectativa está naturalmente em alta! Agora falta mesmo é provar este pudim azul de aspeto delicioso para formar uma opinião final. Mas algo me parece óbvio... este segmento ficou mais competitivo, e a marca deve estar a apontar para um preço bastante agressivo

A grande questão é se este motor será um ponto de viragem, para uma CFMOTO mais livre das restrições da KTM, tendo antecipado a tão aguardada 990 ADV…


Assim, a CFMOTO 1000MT-X aparenta ser uma big trail equilibrada, capaz de oferecer a promessa de viagens épicas com conforto, segurança e estilo. É uma aposta que poderá surpreender o mercado e, mais importante, os motociclistas que apreciam uma combinação de tecnologia moderna, comportamento ágil e capacidade para explorar estradas e caminhos com confiança. É fácil imaginar viagens longas, estradas secundárias ou caminhos de aventura, com a CFMOTO 1000MT-X.
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