terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Há novos e fascinantes motores para 2026

O mundo das motos prepara-se para um abanão mecânico como há muito não víamos. Entre arquiteturas improváveis, cilindros extra e soluções de engenharia que pareciam exclusivas das corridas, o ano de 2026 marca o início de uma nova vaga tecnológica. 


Há um pouco de tudo: desde twins para carta A2, passando por V4 e V3 com compressor, até cinco cilindros e seis cilindros dignos de ficção. É o tipo de diversidade que faz bater mais forte o coração de quem vive a combustão não apenas como técnica, mas como emoção. 

BMW F 450 GS — O TWIN A2 MAIS TÉCNICO DE SEMPRE
A BMW prepara para 2026 a nova F 450 GS, equipada com um motor que, apesar do nome, é um dois-cilindros em linha de 420 cc, afinado para aproveitar até ao último cavalo permitido pela carta A2: 48 cv às 8.750 rpm. Aliás, já falamos dela aqui (link).


O detalhe mais curioso? Algo absolutamente inédito numa twin desta categoria: O inovador desfasamento da cambota a 135 graus assegura o ponto ideal em termos de oscilações e vibrações e cativa ainda com um som encorpado criando ainda intervalos de ignição assimétricos (225° e 495°). Em português claro: um som mais encorpado, um palpitar mais irregular e um carácter mais “vivo”, a pedir mão direita decidida. 

A embraiagem automática ERC – Easy Ride Clutch, combinada com quickshifter, promete uma experiência quase “sem manete”, especialmente útil para quem começa… ou para quem, simplesmente, não quer perder ritmo nos ziguezagues do dia-a-dia. 

BENDA — BOXER HÍBRIDO, BOXER DE 700 CC E UM SEIS-CILINDROS GIGANTE 
A marca chinesa Benda continua a reinventar-se com uma agressividade que já ninguém pode ignorar. Na CIMA, em Chongqing, apresentou a P51 Concept: um boxer de 250 cc aliado a um motor eléctrico — híbrido, 62,5 cv combinados, transmissão automática e tração por corrente. 


Seguem-se um boxer de 700 cc arrefecido a água e, mais ousado ainda, o anúncio de um seis-cilindros em linha com cerca de 1.700 cc, ultrapassando o bloco da BMW K 1600. Para este colosso, a Benda revelou uma caixa de dupla embraiagem eletromecânica (EM-DCT). Ainda sem motos confirmadas, mas com ambições que lembram os tempos em que os construtores japoneses tentavam sempre “mais um cilindro” só porque sim. 


CFMOTO — V4 PARA SUPERBIKE COM MAIS DE 200 CV 

A CFMOTO já não brinca às marcas emergentes. E o motor V.04 “Core of Speed” é talvez o exemplo mais convincente da sua maturidade técnica. Trata-se de um V4 a 90°, 997 cc, curso curtíssimo (81 × 48,4 mm) e componentes em titânio. 



Um arranjo digno de paddock de MotoGP. Os números anunciados são dignos de engolir a seco: 212 cv às 14.500 rpm e 114 Nm às 12.500 rpm. Se a versão de estrada chegar perto disto com homologação Euro 5+, estaremos perante uma das superbikes mais impressionantes do mercado — chinesa ou não. 




HONDA — V3 DE 900 CC COM COMPRESSOR ELÉCTRICO 
A Honda apresentou em 2025 o conceito V3R 900 E-Compressor, suportado por um motor de três cilindros em V, com dois cilindros frontais e um traseiro, em ângulo de 75°. Um arranjo raro que já por si seria interessante, mesmo sem mais nada. 


Mas há mais: um compressor eléctrico que promete elevar potência e binário para patamares de motos bem maiores. A marca fala em mais de 100 cv e mais de 100 Nm, mas garante sensações próximas de um 1200 cc, com a vantagem de um conjunto mais compacto, mais leve e — teoricamente — mais eficiente. Se a Honda cumprir o que promete, este V3 poderá ser um dos motores mais marcantes da década. 

MV AGUSTA — CINQUE CILINDRI

A MV Agusta, fiel à sua tradição de exotismo mecânico, apresentou o enigmático “Cinque Cilindri”, um motor de cinco cilindros cuja arquitectura ainda está envolta em algum segredo.


A marca mencionou inicialmente uma única árvore de cames, mas depois falou em duas — reacendendo o mistério. Cilindrada estimada: 800–1150 cc. Potência anunciada: até 240 CV. Binário: 135 Nm. Redline previsto: 16.000 rpm


Os coletores de escape divididos entre frente e traseira do bloco parecem oferecer uma vantagem térmica rara, resolvendo um dos problemas clássicos dos cinco-cilindros: o calor acumulado. Se há marca capaz de tornar este conceito não apenas viável, mas desejável, é a MV Agusta. 

QJMOTOR — UM NOVO TRICILÍNDRICO DE 900 CC 
O grupo Qianjiang prepara um três-cilindros de cerca de 900 cc, mostrado pela primeira vez na QJMotor Rino 900 ADV. Ainda sem ficha técnica completa, a expectativa aponta para mais de 100 cv.

A QJMotor está a preparar a Rino 900 ADV, uma trail de grande cilindrada com lançamento apontado para 2026, pensada claramente para o mercado europeu. O motor é uns três cilindros em linha com cerca de 900 cc. Há referência a uma caixa automática AMT opcional, uma solução semelhante ao DCT da Honda, o que mostra que a marca quer jogar no campo do conforto e da utilização em viagem, não apenas no preço. 


Em termos de ciclística, a Rino 900 surge com uma configuração típica de trail “a sério”: rodas raiadas 19” à frente e 17” atrás, tubeless, suspensão dianteira invertida e mono-amortecedor traseiro, com componentes fornecidos pela Marzocchi sob especificação da marca. Nos travões, a aposta é clara e sem disfarces: duplo disco dianteiro com pinças radiais Brembo, sinal de que a QJMotor quer afastar-se da imagem de compromisso técnico.

No equipamento, a lista é extensa e pouco ambígua: painel TFT, controlo de velocidade de cruzeiro, conectividade, punhos e banco aquecidos e descanso central deverão fazer parte do pacote. A leitura simples é esta: a QJMotor não está a tentar reinventar o segmento, está a replicar a fórmula das trails médias-grandes europeias e japonesas, mas com uma abordagem agressiva em equipamento e, previsivelmente, em preço. Se a execução estiver ao nível da ambição, isto já não é “mais uma chinesa” — é concorrência directa. 

ZXMOTO — TRICILÍNDRICO DE 819CC E BOXER DE 1000 CC 
A ZXMoto apresentou um surpreendente três cilindros de 819cc com apenas 55 kg, DOHC, 4 válvulas por cilindro e projeção de 150 cv às 13.000 rpm. Com taxa de compressão de 14,0:1 e curso curto, é um motor claramente desenhado para altas rotações. A marca mostrou já vários prototipos: 820 ADV; 820 R (naked); 820 RR (desportiva). 


E ainda anunciou um futuro boxer de 1000 cc com cardã, previsto para 2027, com potência acima dos 100 cv. Claramente uma investida para disputar o espaço da BMW — pelo menos em aparência – e deste também já falamos aqui (link). 

UM FUTURO MECÂNICO INESPERADAMENTE RICO
O que se aproxima nos próximos anos não é apenas mais potência: é diversidade mecânica. De twins para carta A2 a híbridos boxer, de V3 com compressor a V4 de competição, de cinco cilindros a seis cilindros gigantes, o espectro de soluções é mais vasto do que em qualquer outro momento recente. 


Este renascimento de criatividade parece um sopro de ar fresco num mercado que muitos julgavam condenado à vulgarização e à eletrificação imediata. Em vez disso, a combustão interna pode estar a entrar numa fase final gloriosa — mais audaz, mais complexa e mais apaixonada. E para nós, que vivemos das sensações, das pulsações e das explosões de cada motor, que bela forma de celebrar a mecânica enquanto ainda a temos.

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