segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Quem é Martim Ventura?

Quando se fala em Dakar, os nomes que surgem nas primeiras linhas são, quase sempre, estrangeiros. Mas há uma história portuguesa que merece ser contada: Martim Ventura, um piloto que está a emergir no panorama mundial do Rally Raid e que, apesar do “momentum”, continua a ser praticamente ignorado pela comunicação social. É hora de abrir os olhos e perceber quem é este homem, o seu percurso e o que pode representar para Portugal. 


Martim Ventura nasceu a 6 de dezembro de 2000 e cedo encontrou na moto o seu caminho. Cresceu entre trilhos, lama e provas de Todo o Terreno nacionais, onde rapidamente se destacou pela combinação rara de velocidade, consistência e inteligência estratégica. 

No Campeonato Nacional de TT, conquistou títulos e vitórias que o colocaram no radar dos grandes. A Baja Portalegre 500, a prova mais icónica de TT em Portugal, foi o seu palco para provar que não se tratava de mais um piloto promissor: venceu, consolidando um nome que o mundo do rally não podia ignorar. 

A CAMINHO DO DESERTO 
A ambição de Martim ia além das pistas portuguesas. O próximo passo era claro: Rally Raid internacional. Em 2025, participou no Abu Dhabi Desert Challenge, terminando 12º geral e 5º na categoria Rally2, garantindo “o apuramento” para o Dakar 2026. Não foi sorte, foi trabalho, estratégia e adaptação a terrenos que poucos portugueses conhecem de facto. 


Antes disso, a vitória no Carta Rally 2025 provou que Ventura não só conseguia manter se entre os melhores, como tinha capacidade para atacar etapas longas, técnicas e extenuantes. Cada conquista consolidava o caminho para o grande objetivo: Dakar.

DAKAR 2026 — O INÍCIO DE UMA ESTRELA PORTUGUESA 
A Monster Energy Honda HRC apresenta este ano a sua estrutura alargada, com a equipa Rally2. Competindo sob o mesmo nome, identidade e visão competitiva da equipa RallyGP, esta iniciativa reforça o compromisso de longo prazo da Honda em desenvolver novos talentos e fortalecer o seu programa global de rally-raid. A equipa Monster Energy Honda HRC Rally2 conta com dois pilotos promissores, ambos representando a nova geração de talentos do rally-raid, entre eles o português Martim Ventura. 

O português e ex-piloto Rúben Faria, Team manager da equipa, mostrou-se no inico deste Dakar entusiasmado com o novo projeto e com Martim: é um piloto muito jovem na equipa que começa a dar grandes passos no mundo do rally. Estamos a desenvolver a moto e estamos muito satisfeitos com o seu desempenho. O principal objetivo para este Dakar é que tente terminar no top 5 da sua categoria e no top 15 da classificação geral. 

No prólogo do Dakar 2026 em Yanbu, Martim mostrou desde o primeiro momento que não vinha para cumprir calendário: foi o melhor português, com um 21.º lugar geral e 8.º entre os Rally2, assinando uma estreia que muitos gostariam de ter. 

Logo na primeira, Martim deixou realmente uma marca: concluindo a tirada no 11.º lugar absoluto nas motos e como segundo classificado da classe Rally2, a uma diferença de 11:31 minutos do vencedor — e isto no seu ano de estreia no Dakar. 

Hoje, dia 5 de janeiro e à segunda etapa do Dakar 2026, Martim Ventura fez 6.º lugar absoluto na etapa e venceu também a classe Rally2. Ainda houve um momento crítico em que uma penalização de dois minutos parecia ter-lhe tirado a vitória, mas acabou por ser anulada, garantindo assim o triunfo na classe. E isto é histórico por vários motivos. Desde logo porque esta é a primeira vitória da icónica HRC na a classe Rally2. “Estou muito feliz de como correu a etapa e de poder dar esta vitória à Honda e a Portugal. Continuamos focados que a corrida é muito longa”, disse o jovem piloto.


Isto não é um resultado qualquer. Um top 6 absoluto numa etapa do Dakar, num terreno tão complexo e perante uma concorrência onde há campeões mundiais e nomes históricos, diz muito sobre o seu ritmo, resistência e capacidade de leitura do deserto. Martim não se limitou a terminar — ele competiu verdadeiramente. 

QUEM É O HOMEM POR DETRÁS DO PILOTO 
Martim Ventura não é só números e tempos de prova. É alguém com disciplina, ambição e humildade. Cresceu num ambiente que valorizava esforço e perseverança, e mantém se fiel a esses princípios. Cada vitória é celebrada, mas cada falha é analisada e transformada em aprendizagem. 


É um piloto que valoriza família e mentores, reconhecendo o papel de cada pessoa que contribuiu para a sua carreira. Ao mesmo tempo, mantém uma postura reservada, focada no treino, na preparação física e mental, e na evolução contínua. 

O que Martim está a fazer é interessante. Um piloto português a conquistar resultados significativos no Dakar e noutras provas internacionais de Rally Raid. Mas há um estranho silêncio desconcertante da comunicação social. Isto revela duas realidades claras: o talento nacional é subvalorizado se não vier acompanhado de narrativa comercial ou de audiência garantida; o público perde a oportunidade de conhecer a história de quem representa Portugal no deserto mundial — e isso é um erro editorial grave. 


Não é apenas uma questão de orgulho. É reconhecer que um português está a ter andamento para níveis de destaque numa prova onde a diferença entre terminar no pelotão da frente e no fundo é de capacidade, estratégia e sangue frio. 

PARA ONDE VAI MARTIM VENTURA? 
A trajetória é clara: do nacional para o internacional, das Bajas para o Rally Raid de topo, da promessa para uma estrela emergente. O objetivo declarado? Lutar por pódios, ganhar etapas e, um dia, disputar seriamente o topo do Dakar


Se há um piloto para seguir com atenção, este é Martim Ventura. Cada quilómetro percorrido, cada etapa completada, é um passo para recolocar Portugal no mapa do Rally Raid mundial. E, por muito que a comunicação social continue a ignorar, nós sabemos o que se está a passar.

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