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domingo, 17 de maio de 2026

Grupo Piaggio poderá estar a caminho da Multimoto

Há dias recebemos uma mensagem simples. Curta. Daquelas que ficam imediatamente a ecoar na cabeça. “Tu que gostas de dar notícias… fica com esta.”. Do outro lado surgia uma informação que, a confirmar-se, poderá representar mais uma mudança importante no panorama motociclístico nacional: o Grupo Piaggio poderá estar a caminho do universo Multimoto. Esta é a história, os rumores e aquilo que nos parece cada vez mais evidente.


Falamos de um grupo que dispensa apresentações. Piaggio Group significa Aprilia, Moto Guzzi, Vespa e a própria Piaggio. E também nomes como Gilera, Derbi e Scarabeo. Marcas históricas, icónicas, profundamente ligadas à cultura motociclista europeia e com décadas de presença em Portugal. 

E no caso da Aprilia, importa dizê-lo, atravessando provavelmente um dos momentos desportivos mais fortes da sua história recente. A marca italiana voltou a instalar-se entre os protagonistas da categoria rainha do motociclismo de velocidade, algo que inevitavelmente reforça o peso e a relevância do grupo no mercado internacional. 

Da competição ao commuting urbano, das scooters premium às motos desportivas, das clássicas italianas às soluções de mobilidade elétrica e até à robótica, o Grupo Piaggio tornou-se um dos grandes pilares industriais do motociclismo europeu contemporâneo

SERÁ VERDADE? 
Perante uma informação desta dimensão, fizemos aquilo que qualquer pessoa séria deve fazer: tentar confirmá-la. Contactámos responsáveis ligados à operação atual do Grupo Piaggio em Portugal. Houve conversa. Houve cordialidade. E não houve comentários. 


Foi-nos transmitido que este é um rumor que circula há bastante tempo nos bastidores do setor o que, honestamente, até nos surpreendeu, porque não tínhamos ainda percebido a dimensão com que o assunto aparentemente já circulava entre algumas pessoas da área. 

Mais tarde, durante a inauguração da nova concessão da Triumph no Porto, aproveitámos também para falar com responsáveis da Multimoto. A resposta foi, novamente, prudente. Muito respeito por todos. Nenhuma vontade de alimentar especulação. E nenhuma declaração oficial sobre o tema. E é aqui que entramos no território mais delicado: a interpretação.

Porque uma coisa são os factos confirmados. Outra, diferente, é a leitura dos sinais, dos silêncios, das cautelas e das conversas paralelas que inevitavelmente vão acontecendo nos bastidores de um setor pequeno, onde quase toda a gente se conhece. 

A NOSSA APOSTA 
E se nos perguntassem hoje, sem rodeios, qual é a nossa leitura? Diríamos isto: se tivéssemos de apostar, apostaríamos que o Grupo Piaggio acabará por passar para a esfera da Multimoto em Portugal. 


Fundado em 1989, o Grupo Multimoto tem construído ao longo de décadas uma posição sólida como um dos maiores importadores e distribuidores de motociclos em Portugal. Atualmente, representa Kawasaki, Bimota, Kymco, Benelli, Keeway e mais recentemente Triumph, Morbidelli, Cyclone e Benda para além da CFMOTO, assegurando não apenas a distribuição nacional, e também redes de concessionários, serviços pós-venda e logística especializada. 

Não sabemos quando. Não sabemos em que moldes. E é perfeitamente possível que nem todos os intervenientes saibam neste momneto ainda e exatamente quando ou como tudo poderá acontecer. 

Todavia olhando para o conjunto das conversas, dos silêncios e do ambiente que rodeia o tema, diríamos que essa possibilidade nos parece, neste momento, bastante forte. Setenta? Oitenta por cento, de tal suceder? Talvez. 

E se estivermos errados, cá estaremos para assumir isso com total frontalidade. Sem apagar textos. Sem editar memórias. Sem fingir que nunca escrevemos o que escrevemos. 

Também acreditamos que quem acompanha o motociclismo merece mais do que comunicados mornos e silêncio coreografado. Merece bastidores. Merece contexto. Merece análise. Merece independência. 

E sobretudo merece perceber que ainda existem espaços onde se pode falar de motociclismo sem pedir autorização para pensar. No Escape Mais Rouco continuaremos exatamente assim. Livres para ouvir. Livres para perguntar. E livres para contar aquilo que vemos. O ESCAPE é cada vez mais o lugar onde o motociclismo continua adulto.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

A liberdade urbana com a Piaggio MP3 310 HPE

A nova Piaggio MP3 310 HPE surge como a mais recente evolução da icónica gama de scooters de três rodas da marca italiana, e deseja posicionar-se como uma alternativa prática, segura e eficiente para a mobilidade urbana, especialmente pensada para quem procura estabilidade e versatilidade sem abrir mão do estilo. 


No coração da MP3 está um motor monocilíndrico de 310 cc, a 4 tempos, com refrigeração líquida, Euro 5+, a debitar cerca de 26,4 cv às 7.500 rpm e 27,3 Nm de binário às 6.000 rpm. Esta unidade motriz assegura uma entrega de potência suave e progressiva, ideal para os ambientes citadinos, com respostas ágeis ao arranque e facilidade em recuperações, mesmo com dois ocupantes. 


Após um longo interregno, hoje voltamos a passar os comandos deste blogue à Miss Yoshimura que começa logo por confessar: “nunca tinha conduzido uma scooter. Muito menos uma com duas rodas à frente; a Piaggio MP3 foi a minha estreia absoluta neste tipo de condução… e deixou marca”. Sejamos honestos. Aqui vão sobretudo encontrar uma inusitada experiência de alguém que é muito mais automobilista do que motociclista. 

EQUILÍBRIO QUE SE SENTE (MESMO NO CAOS URBANO) 
Se achas que três rodas é sinónimo de limitação ou de algum tipo de ajuda para iniciantes, pensa outra vez. A experiência foi exatamente o oposto: liberdade, confiança, conforto. Uma condução surpreendentemente divertida, que me fez questionar porque é que nunca me tinha cruzado com esta possibilidade mais cedo. 


Lisboa tem dias em que parece uma selva. Asfalto irregular, trânsito imprevisível, mudanças de direção repentinas. Mas a Piaggio MP3 respondeu a tudo com elevada serenidade. O sistema de suspensão, aliado às duas rodas dianteiras, garante uma estabilidade absurda — mesmo em pisos mais castigados. Curvar, parar, arranques em subidas… tudo flui com naturalidade. É um tipo de equilíbrio que se sente no corpo e que nos faz querer explorar mais. 

DISPONIBILIDADE PRATICA SEM ESFORÇO 
Há detalhes que fazem a diferença, especialmente no uso urbano. Não precisar de tirar a chave do bolso para ligar a moto é um deles. Foi a primeira keyless que conduzi, e agora percebo o vício


Outro ponto muito bem conseguido é o espaço sob o banco. Cabe o essencial do dia a dia: capacete, mala pequena, até o casaco — com organização, claro. Isto transforma cada deslocação num processo mais simples. E mais estiloso, já agora. 

UMA CONDUÇÃO QUE TREINA A TUA CONFIANÇA 
Ao longo da semana com a Piaggio, percebi que não estava só a deslocar-me. Estava a treinar. Treinei o meu olhar nas curvas. Treinei o uso do corpo para comandar a moto com mais fluidez. Treinei a confiança para entrar e sair da garagem sem stress. A Piaggio MP3 oferece essa margem para crescer, mesmo para quem — como eu — ainda está em fase de construção de hábitos sobre rodas. 


Nem tudo é perfeito, e há um detalhe que merece melhoria: o botão dos quatro piscas. Está num local pouco intuitivo, especialmente para quem quer acioná-los rapidamente numa situação inesperada. Não compromete a experiência, mas merece ser dito. 

UMA RECOMENDAÇÃO HONESTA
Não escrevo este texto como entusiasta de dados técnicos. Escrevo como alguém que viveu uma semana de deslocações reais, com desafios urbanos reais. E o que posso dizer, com total convicção, é que a Piaggio MP3 é uma excelente opção para quem quer: mais liberdade na cidade; mais segurança no dia a dia; e uma transição suave entre o mundo dos carros e o das motos. Eu fiz a viagem. E recomendo vivamente que a faças também. 


Na minha opinião a Miss Yoshimura sentiu na plenitude a natureza da Piaggio MP3 310 HPE. O ponto diferenciador da MP3 310 HPE está no seu sistema de suspensão dianteira que confere um nível de estabilidade e confiança superior, sobretudo em pisos irregulares, pavimento molhado ou em travagens de emergência. A adoção do ABS de três canais - com sistema de travagem combinada no pedal - e controlo de tração (ASR), agora mais refinado, reforça o compromisso da Piaggio com a segurança ativa. A travagem está a cargo de um sistema de discos em ambas as rodas dianteiras (258 mm) e um disco traseiro de 240 mm, oferecendo uma travagem potente, previsível e equilibrada, com repartição bem conseguida entre os eixos. 


O assento largo e bem acolchoado, em conjunto com o para-brisas de média altura, garante uma boa proteção aerodinâmica. A posição de condução é natural e confortável, com espaço suficiente para as pernas e para o passageiro. Há ainda um compartimento debaixo do assento com capacidade para um capacete integral – nem todos os modelos lá cabem - bem como uma tomada USB e um prático gancho porta-sacos no escudo frontal. Contem ainda na MP3 310 com um painel digital LCD de cinco polegadas de fácil leitura, com informação completa.


A nova Piaggio MP3 310 HPE é conduzível com carta B apresentou-se fácil de manobrar em baixa velocidade. O seu eixo dianteiro oferece também uma maior estabilidade em paragens ou arranques frequentes, graças ao sistema de bloqueio da suspensão dianteira. Contem com elevada capacidade para enfrentar empedrados, carris ou alcatrão em mau estado. E um maior nível de confiança do que uma scooter convencional. Obviamente que aqui vão encontrar menor impacto ambiental e custo de utilização reduzido, face a um automóvel nos centros urbanos. A MP3 310 HPE teve por estes dia um consumo médio de três litros e meio por cada cem quilometros de cidade devorada, solicitando a marca 8.199€ por uma igual a esta.

segunda-feira, 6 de março de 2023

Vespa GTS Super 300 Sport à prova

Setembro de 1945. Apesar da inexistência de consenso acerca da data precisa do fim da Segunda Guerra Mundial, é aquele o momento que geralmente se aponta como o fim do conflito militar global mais abrangente da história. Para o tema que nos interessa agora, sabemos que a indústria e a economia da Itália pós Guerra - assim como de muitos outros países da Europa e do mundo - estava absolutamente destruída. Tal como a maioria das estradas do país. 

Foto: Gonçalo Fabião

No fim da Guerra, a Piaggio - construtora de navios e principal construtora de aviões italiana - estava como tudo em Itália: na miséria. A empresa abandonou então a aeronáutica e decide entrar na indústria dos veículos de massas, um pouco inspirada na ideia de Henry Ford, isto é, fabricar veículos utilitários e baratos que chegassem ao maior número de potenciais compradores. 

A primeira tentativa de Enrico Piaggio, baseada numa pequena moto utilizada por paraquedistas, foi um modelo de moto conhecido como “MP5” e apelidada de ”Paperino” (o nome italiano do Pato Donald) devido ao seu desenho peculiar. Não estando totalmente satisfeito com o resultado final, Piaggio terá pedido a Corradino D’Ascanio para criar um veículo simples, robusto e barato. A moto deveria ser fácil de conduzir tanto para homens como mulheres, ser capaz de transportar um passageiro e – muito importante - não deixar as roupas de quem nela andavam sujas. 


Todavia D’Ascanio, um engenheiro aeronáutico responsável pela criação e construção do primeiro helicóptero moderno fabricado pela Agusta, não tinha grande interesse por motos, considerando-as mal cheirosas, barulhentas, desconfortáveis e pouco práticas. Corradino D’Ascanio acaba por aplicar a sua paixão aeronáutica ao motociclismo. A sua moto teria de ser uma espécie de pequeno avião. Para reduzir o barulho e a sujidade colocou o motor junto à roda traseira. E com a ajuda de Mario D’Este, acaba por criar o primeiro projecto de Vespa que viria a ser fabricada na nova reinaugurada fábrica da Piaggio em Pontedera em abril de 1946. 

A Vespa é enfim apresentada ao mundo na primavera de 1946, no Golf Club de Roma. Os jornalistas que foram ao evento dividiram-se perante uma “moto que se assemelhava a um brinquedo”: uns fascinados, outros céticos. Na feira de Milão desse ano venderam-se as primeiras 50 unidades e a partir daí as estradas de todo o mundo nunca mais seriam as mesmas. Em dez anos, mais de um milhão de unidades da scooter foram produzidas. Incrível? Até a língua italiana ganhou mais uma palavra, “Vespare”, que significa "ir a algum lugar de Vespa".


Para esta inacreditável história de sucesso muito contribui um momento singular. Sendo um veículo destinado às massas a Vespa nunca deixou de tentar conquistar as elites. A partir dos anos 50 Hollywood veio dar uma ajuda absolutamente determinante. 

Em 1953 – precisamente há 70 anos -, Gregory Peck e Audrey Hepburn surgem montados numa Vespa, no filme “Férias em Roma”, de William Wyler, a provocar um simpático caos nas ruas da Cidade Eterna. Com este momento que aos olhos de hoje até pode ser considerado algo ingénuo ou mesmo apalermado, a popularidade da Vespa deu um salto considerável, nomeadamente no estrangeiro, tendo as suas vendas disparado. Na verdade, após estas imagens, a Vespa conquistou uma aura de facilidade de utilização mixada com glamour e cosmopolitismo que nunca mais viria a perder. 

 

Quatro anos após o lançamento da última versão, esta nova gama Vespa GTS vem cheinha de detalhes clássicos e deliciosos que dá gosto descobrir lentamente e inclui quatro versões, cada qual com o seu espirito próprio: a clássica e elegante Vespa GTS, a contemporânea GTS Super, a desportiva GTS Super Sport, e a tecnológica Vespa GTS Super Tech, todas propulsionadas pelo motor mono EURO 5 300 HPE (23 CV, 26Nm) de quatro válvulas. O quadro pouco mudou. Como sempre foi o caso ao longo da história da Vespa é feito estritamente de aço, um material sustentável porque é 100% reciclável. Notem que de que este chassi continua a ser, de certa forma, um exclusivo mundial Vespa. 

UMA LARANJA RICA EM VITAMINA 
Mas afinal quantas vezes já andaste de Vespa? Quantos quilómetros já terás feito numa lenda viva assim? Pois…, foi já aos comandos desta laranja mecânica que me apercebi que esta era uma linha importante em falta no meu extenso e glorioso curriculum motocilistico. 

Foto: Gonçalo Fabião

A versão aqui provada foi a Vespa GTS Super 300 Sport. E rapidamente me apercebi que não tinham sido assim tantas as vezes de Vespa e os quilómetros de Vespa na minha vida. E não há lugar para dúvidas. Assim que nos sentamos na moto, muito rapidamente compreendemos que estamos perante um veículo único. Pelo seu desenho e sobretudo pelo seu comportamento. 

Foto: Gonçalo Fabião

Arrumar e desarrumar a Vespa do estacionamento é a coisa mais fácil de todos os tempos. E para todos: menino ou menina, adolescente ou velhinho. A posição de condução é proeminente face à moto. Quero eu dizer com isto que vamos sentados de uma forma diferente face a outras moto da mesma tipologia o que todavia nos permite que estejamos sempre prontos para espetar o ferrão desta GTS Super 300 Sport na primeira fila de automóveis que encontramos pelo caminho. 

Foto: Gonçalo Fabião

A dinâmica fluída e única da Vespa faz-nos ainda sentir que estamos muito perto do asfalto, numa permanente corrida com todos os outros utilizadores das ruas da cidade ou mesmo das estradas dos arredores. 

Foto: Gonçalo Fabião

As novas suspensões - o clássico monobraço dianteiro com monoamortecedor e um duplo amortecedor traseiro com ajuste de pré-carga - em conjunto com a soberba rigidez do quadro em ferro, provocam um sentimento de conforto, segurança e eficácia desconcertantes, ao ponto de questionarmos: estamos mesmo a conduzir uma scooter com pequenas rodas de 12 polegadas? 

DIAS FELIZES
Julgamos que tudo isto aproveita a todos na sua diária vida urbana, no entanto caso a Vespa GTS Super 300 Sport nos sussurrar a pedir um passeio por uma qualquer bonita praia ou montanha da região é de dizer que sim, obviamente. 

Foto: Gonçalo Fabião

Temos motor, desempenho e conforto. Só não temos protecção aerodinâmica e essa aqui é mesmo a natureza das coisas. A vocação turística e até itinerante que as Vespas de grandes porte sempre encarnaram contínua intacta tendo mesmo sido incrementada com um banco surpreendente confortável. 

Foto: Gonçalo Fabião

Os dias em que tive comigo esta “Laranja Impulsivo” foram dias divertidos. Dias em que a Vespa GTS Super 300 Sport coloriu a cidade, as estradas dos arredores e sobretudo coloriu a minha vida com sorrisos e boa disposição enquanto provocava com a sua fluidez os cinzentos e aborrecidos automobilistas. O Vespão reclamou pouco mais de três litros e meio de líquido inflamável por cada cem quilómetros de esbanjamento de estilo, solicitando a marcar uma transferência bancária de 7.600€ para que este veículo icónico transforme os vossos dias em dias muito mais felizes.

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Piaggio MP3 530 hpe Exclusive à prova

Alguns dizem que jornalismo é a actividade de recolha, investigação e análise de informações com o objectivo de produzir e distribuir relatórios que digam respeito a eventos, factos, ideias e pessoas que de alguma forma são notícia, isto é, afectam a sociedade em algum grau. Tal actividade aplica-se à ocupação (profissional ou não), aos métodos de recolha e sua organização. O jornalismo inclui, inegavelmente, a Internet. Hoje este texto é muito mais do que uma prova de mais uma moto. É um pedaço de jornalismo. O jornalismo que os profissionais teimam em se recusar a fazer. Só Deus saberá por que raio… 

Foto: Gonçalo Fabião

Pessoas da minha geração, que iniciaram a sua vida enquanto motociclistas algures no final dos anos oitenta, inicio dos noventa do século passado, suponham que, chegados aqui, ao fim do ano da graça de 2022, uma boa parte da população tinha facilmente entendido que a melhor forma de os indivíduos se deslocarem nas grandes cidades seria em veículos de duas rodas com motor. Para nós, tal era, à época, uma evidência. Nem sequer carecia de demonstração. Fácil… 

Foto: Gonçalo Fabião

Sucede que “já desconfiávamos e os dados confirmam: o trânsito em Lisboa e Porto está muito pior” (link). A notícia é do fim de Setembro, todavia muito interessante e perfeitamente actual. E é dada pela NiT que cita “O “Expresso”, que teve acesso aos dados do Waze” - a aplicação de navegação GPS que é propriedade da Google. 

Foto: Gonçalo Fabião

Ainda segundo a NiT este “aumento do tráfego reflecte-se no stress e na ansiedade de quem vive esses momentos e na qualidade do ar, prejudicada pela poluição que os carros emitem”. Sendo que segundo a mesma notícia “as soluções passam por criar novos corredores BUS, segundo as propostas debatidas no ciclo de conferências sobre os desafios da mobilidade nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto”. É uma solução que nos agrada tendo em conta que hoje os motociclos podem circular nesses corredores supostamente privilegiados. Será suficiente? 

O ESCAPE foi investigar um pouco mais e encontrou esta (link) notícia bem recente da insuspeita RTP: “Aumenta o congestionamento de trânsito em Lisboa e no Porto”. Vejam a notícia em vídeo, por favor. Como aqui nesta Casa somos muito curiosos, temos muito tempo livre – segundo as más-línguas – e, vejam só, temos uma máquina de calcular à mão, fomos, com base na notícia da insuspeita RTP, sublinhamos, fazer algumas contas. 

Foto: Gonçalo Fabião

Se um indivíduo perde, para além daquilo que seria normal, mais 2 (duas) horas por dia encarcerado no seu automóvel parado no trânsito, tal significa ao fim de uma semana 14 (catorze) horas de vida perdidas. Ao fim de um mês esse indivíduo terá perdido 60 (sessenta) horas de vida no trânsito. E ao fim de um ano esse mesmo indivíduo deitou ao lixo umas escandalosas 730 (setecentas e trinta) horas de vida o que perfaz quase de forma exacta 30 (trinta) dias perdidos para o stress. Trinta dias num ano! Um mês! Perdido! 

Leram bem. Eu repito. Duas horas perdidas por dia para o trânsito significam um mês de vida deitado ao lixo ao fim de um ano. Um escândalo? Nem por isso. Ainda há muita gente que julga que isto se chama vida. E é por esta razão que os chamados jornalistas de motociclismo deixaram de exercer a sua actividade e passaram a fazer outra coisa qualquer (entretenimento?). O jornalismo incomoda! E nem eles nem as pessoas no geral gostam de ser aborrecidas com a verdade. 

Foto: Gonçalo Fabião

Neste cenário a chegada da novíssima Piaggio MP3 530 hpe Exclusive só pode ser por todos saudada. E é com profunda tristeza que vejo motociclistas, alguns decanos, a zombar deste tipo de veículo que se assume como solução e se afasta do problema. É uma moto para automobilistas, dizem. Pois é. E isso é excelente. 

A TRÊS RODAS MAIS AVANÇADA DO MERCADO 
A Piaggio MP3 530 hpe Exclusive foi apresentada no passado verão em Paris e consubstancia-se como um passo em frente numa gama que já vendeu quase 250.000 unidades desde que nasceu, há cerca de década e meia. Mais do que uma renovação estamos perante uma evolução. Sobretudo tecnológica. 

Foto: Gonçalo Fabião

Com um desenho inspirado na indutaria automóvel, assume-se como a três rodas mais avançada do mercado, vindo equipada com o motor 530 cc Euro 5 High Performance Engine (44CV, 50 Nm) cruise control (muito, muito útil e bem vindo), marcha-atrás e câmara traseira. Contem ainda com iluminação full LED, sistema keyless, painel TFT a cores de 7 polegadas, uma porta USB num compartimento por cima do painel de instrumentos e o sistema Piaggio MIA que conecta o telefone esperto ao veículo para gerir navegação, chamadas telefónicas, mensagens e música. Há ainda controle de tração e três efetivos modos de condução que alteram a resposta do motor: Sport, Confort e ECO. Ufaaaaaa… 

Foto: Gonçalo Fabião

Todavia o grande “statement” tecnológico é, na opinião deste ESCAPE, o novo Sistema de Segurança ARAS (Advanced Rider Assistance System) e a sua tecnologia 4D Imaging Radar, com sublinhado no Sistema BLIS (BLind Spot Information System) para o alerta da presença de veículos no ângulo morto. Tal tecnologia informa-nos no painel de instrumentos - melhor seria nos espelhos retrovisores como acontece em motos de maior cilindrada - através de luminosos triângulos laranjas, sobrepostos à informação normal do painel de instrumentos, da presença de “estranhos” por perto. 

Foto: Gonçalo Fabião

De sublinhar ainda que a marcha-atrás pode ser accionada de forma muito simples através de um botão comutador (D/R) situado na parte de trás do “avental” de protecção. O comando é eléctrico e a marcha-atrás é usável através do botão do motor de arranque - todavia com uma resposta que se deseja mais suave em próximas versões. Accionada que esteja a marcha-atrás, no painel de instrumentos destaca-se um écran com as imagens da câmara traseira. Estranha-se. Todavia entranha-se com uma facilidade inacreditável. E acaba por ser bem útil se quisermos estacionar em locais apertados e zonas históricas de cidades que fervilham de gente e veículos. 

FLUIDEZ IMPONENTE 
A Piaggio MP3 530 hpe Exclusive assume dimensões generosas e possui um aspeto imponente. Apesar da cura de emagrecimento face à geração anterior, ainda se apresenta com uns significativos 280 Kg. Depois de investirmos algum tempo a conhecer toda a tecnologia da moto e como ela se expressa no generoso TFT, devemos abordar com alguma cautela os primeiros quilómetros. Notem: mesmo para quem está familiarizado com a gerigonça no eixo dianteiro.

Foto: Gonçalo Fabião

Contudo…, nada a temer. É só deixar fluir. Muito rapidamente compreendemos o funcionamento do conjunto. E num ápice começamos a desfrutar de todo o conforto e sobretudo da segurança generalizada. Desta vez até aprendi a tirar partido do bloqueio da suspensão dianteira que nos permite o equilibrio ao parar no semáforo sem ser necessário colocar os pés no chão. Por falar em amortecimento, o acerto na dianteira é algo seco e tal não compromete o conforto. A travagem combinada é eficaz e não gostamos do tacto algo duro das manetes, ao ponto de me ter habituado muito facilmente a usar o pedal de travagem combinada do lado direito da plataforma. Nota altíssima para a soberba protecção aerodinâmica do conjunto.

Foto: Gonçalo Fabião

Já o monocilíndrico é uma alegria. Fácil, suave e cheio em todos os momentos. Um verdadeiro gozo no modo Sport, para vencer a “batalha dos semáforos” e de uma bela e suave eficácia no consumo de combustível no modo ECO. O modo “Conforto” acaba por ser intermédio e o mais equilibrado. Todavia foi o que menos usei na prova.

UMA RESPOSTA VERDADEIRAMENTE EXCLUSIVA 
Sejamos honestos e claros. Esta Piaggio MP3 530 hpe Exclusive não é para nós motociclistas e sim para “eles” automobilistas. Enquanto ferramenta para diminuir o cada vez caótico trânsito citadino esta Piaggio não é uma moto, e sim uma bênção. Em mercados mais “open mind” com o são o francês e italiano – com destaque para as cidades de Paris e Roma – as MP3 há muito que são parte da paisagem urbana e uma verdadeira resposta. Infelizmente, por cá e de forma absolutamente incompreensível estas motos mantém a dificuldade de se assumir como solução. 

Foto: Gonçalo Fabião

A Piaggio MP3 530 hpe Exclusive é isso mesmo: exclusiva! Pedindo a marca uma transferência bancária de 13.200€ para que esta referência tecnológica te ajude a ti “enlatado” a ganhar autonomia e anos de vida. Cada um fará as contas ao tempo ganho e o juízo de valor que tal pode representar. Esta Blu Oxygen Matt reclamou cinco litros certos de líquido inflamável carregadinho de impostos por cada cem quilómetros de carisma esbanjado pelas ruas e avenidas da cidade de Lisboa.

domingo, 4 de abril de 2021

Piaggio Beverly 300 à prova

Tabu. Palavra de origem obscura, ou seja, origem pouco clara ou mesmo confusa. Entre outras coisas mais que não nos dizem respeito, tabu é um medo ou proibição de natureza que pode ser religiosa. Um assunto que não se pode ou não deve falar, interdito, proibido. Falar de scooters entre motociclistas é um verdadeiro tabu. É, não é? 

Foto: Gonçalo Fabião

Se por um lado há cada vez mais motociclistas experientes que escolhem a scooter como veiculo diário urbano e até extra-urbano, por outro, muitos ainda vilipendiam esta maravilha do motociclismo. Os primeiros, os sábios a quem a experiência oferece a scooter como solução, evitam falar da sua racional escolha. Os segundos, os ignorantes, são apenas isso, fanfarrões de conhecimento e formação insuficiente. Uma coisa tem em comum: evitar falar de scooters. 

Foto: Gonçalo Fabião

Este ESCAPE não gosta de scooters. Este ESCAPE adoraaaaaaaaaa scooters. Pela sua simpatia, pela sua ligeireza, pela sua facilidade de utilização, pela sua beleza, pela sua economia. Bolas. Quantos argumentos são precisos para amarmos estes doces veículos. 

SEDUTORA DE CLASSE 
Rinaldo Piaggio fundou a sua companhia de locomotivas e vagões – seja lá o que isso for – em 1884. Em 137 anos a Piaggio, de aviões a funiculares, já construiu um pouco de tudo. Curiosamente é a eterna Vespa o veículo mais conhecido da muito italiana Piaggio. A mesma Piaggio que nos oferece esta contemporânea Beverly, que vai ao novo mundo, arredores de Los Angels, buscar o seu nome.

Foto: Gonçalo Fabião

A Beverly não é propriamente uma novidade. Todavia, face à norma EURO 5, o gigante italiano decidiu atualizar profundamente uma scooter de enorme relevância no mercado europeu. Se na Europa das scooters Portugal é uma particularidade - por optar pelas scooters de 125cc e roda de menores dimensões - Portugal é também uma oportunidade, pois há muita margem de evolução para estes veículos em termos de mercado. Quebrar tabus é ou não é uma delícia? 

Foto: Gonçalo Fabião

A nova Piaggio Beverly 300 é sedutora. Linhas envolventes, a nascer de uma secção dianteira a flertar com a história da marca e que terminam numa traseira urbana e agressiva que remete para um quadro de futurismo. O primeiro olhar revela detalhes de pura classe como o banco luxuoso e bem acabado e os instrumentos, num painel LCD de cinco polegadas e meia objectivo e pragmático. 

POTÊNCIA E SEGURANÇA 
O motor é um monocilíndrico de quatro válvulas (300cc, 26cv e 26NM) da família HPE já conhecido deste ESCAPE da peculiar da MP3 (link). Toda a engenharia - notem a baixa disposição do depósito de combustível - pensou num conjunto com baixo centro de gravidade e ligeiro, cerca de 185Kg. Aspecto absolutamente determinante é a dimensão das suas rodas. Com jante de 16’ na dianteira e 14’ no eixo traseiro, temos assim um conjunto pronto a dominar a cidade e os seus múltiplos obstáculos.

Foto: Gonçalo Fabião

Sucede, que a Beverly 300 impõem-se pela sua natureza como um veículo bem mais ecléctico. Gosta de sair dos centros urbanos e apresenta uma condução deliciosa, eficaz, e acima de tudo prazerosa nas estradas que envolvem as colinas dos arredores da cidade. O motor é vivo e surpreende na subida de rotação, ao ponto de quando entramos naquela via rápida do dia-a-dia, a moto nos enviar para velocidades bem acima do limite legal. A travagem também surpreende pela sua suavidade e as suspensões Showa tornam o conjunto confortável. 

Foto: Gonçalo Fabião

Cereja no topo do bolo da segurança é o controlo de tracção que tem duas funções. A primeira é garantir que algum excesso em mau piso não resulta em prejuízo. A segunda função é a pura diversão. Ou seja, podendo esse controlo de tracção ser desligado, podem os mais atrevidos fazer umas brincadeiras com o belo binário que o motor HPE nos oferece. 

DESCOMPLICADA E INTENSA
Nota muito positiva para dois destaques. O espaço debaixo do assento é generoso, cabendo dois capacetes abertos ou uma daquelas mochilas cheias de tralha para um dia de trabalho, ginásio e afazeres vários. Já o sistema Keyless, permite fazer todas as operações necessárias sempre com a chave no bolso, facilitando muito os dias stressantes - onde temos de andar de um lado para o outro, parar a moto aqui e acolá - evitando assim que nos preocupemos um segundo com trancar malas ou direcção. Uma delícia absoluta. A prova a esta novíssima Piaggio Beverly foi extensa e intensa. 

Foto: Gonçalo Fabião

Há sempre a tentação de apontar defeitos apenas por apontar. Não havendo motos perfeitas, ao contrário do que alguns afirmam, tenho dificuldade em vislumbrar sequer aspectos menos bons nesta bela italiana. Talvez o consumo pudesse ser mais simpático. A Beverly reclamou quatro litros redondos do tal líquido inflamável que faz a nossa felicidade por cem quilómetros de sorriso nos lábios. A Piaggio solicita uma transferência bancaria de 6.300€ para quebrarem o vosso tabu. Com classe!

domingo, 3 de janeiro de 2021

Vespa Elettrica L3 (versão equiparável a 125cc) à prova

Em criança, muito miúdo, era costume passear com os meus pais pelas ruas de Lisboa. Nos anos 70 do século XX, a vida nas cidades era substancialmente diferente do que é hoje. Mesmo numa cidade como Lisboa, a vida era claramente mais lenta e andar a pé seria as mais das vezes uma excelente opção. Nesse tempo nem havia veículos automóveis lá por casa. Naqueles passeios, muitas vezes dados pela mão do meu pai, eu puto, muito puto mesmo, estancava o passo à porta das velhas oficinas. Aqueles locais fascinavam-me os sentidos. As máquinas abertas ao olhar, os sons de motores e ferramentas, e sobretudo, os cheiros. Sim…, aquele odor intenso, uma mescla de gasolina com óleos vários, faziam-me parar e inalar fundo…, eu adorava “aquele cheirinho”. Entendo zero de oficina, confesso. Nem sou daqueles que gosta sequer de meter a mão na massa. Mas aquele odor inebriante era e ainda é para mim o mais poderoso dos elixires. 

Foto: Gonçalo Fabião

Esta orgia para os sentidos está em dramático processo de extinção. A contemporaneidade parece odiar o mundo em que nascemos e crescemos, e um admirável mundo novo, silencioso e supostamente mais limpo, está aqui e agora. Negar este advento é apenas parvo. Não há muito que possamos fazer a não ser conservar o que nos deixarem do que resta do nosso velho mundo e adaptarmo-nos às novas realidades. Uma delas tem por nome electricidade. As motos eléctricas estão a chegar e vieram para ficar. Até podemos não simpatizar. Mas não vale a pena meter a cabeça na areia e fingir que o mundo vai parar porque o nosso egoísmo assim o reclama. 

A experiência em electrões deste ESCAPE é quase nula, com excepção desta aqui (link) relatada. Na verdade, sou cada vez mais fã do serviço que a eColltra oferece e, reafirmo, para mim quando dele necessito, bate qualquer transporte público, uber e afins. Ao ser convidado a conhecer a Vespa Elettrica, confesso que esbocei um aborrecido “interessante”. Mas a experiência foi bem engraçada. E sobretudo silenciosa. 

Foto: Gonçalo Fabião

FÁCIL DE ENTENDER FÁCIL DE UTILIZAR 
A Vespa Elettrica é desde logo uma peça de design - trabalho premiado que nos rouba sorrisos espontâneos - inspirada num icon absoluto: o primeiro modelo Primavera de 1968. 

O motor da Elettrica de 4000 Watts (4KW) gera apenas pouco mais de 5 cv, mas gera também uns colossais 200 Nm. É alimentado por baterias desenvolvidas pela própria marca - de iões de lítio de 4.2 Kwh e 48 Volts - arrefecidas por um sistema de ventilação que opera automaticamente durante o carregamento de quatros horas para uma carga completa do zero aos cem por cento. Este motor disponibiliza dois modos de entrega de potência, “Power” e “ECO”, para além de um terceiro modo, “Reverse”, que pode ser muito útil em pequenas manobras de parqueamento nos espaços mais apertados das nossas cidades. 

Foto: Gonçalo Fabião

Para aqueles que como eu fazem umas valentes centenas de quilómetros de scooter por essa Lisboa fora, todos os meses, a adaptação a esta Vespa contemporânea é imediata. Não há aqui qualquer segredo escondido, a não ser uma vigorosa resposta do motor ao rodar do acelerador, fruto de binário de motor a combustão “gigante”. A travagem é suficiente, mas há que ter atenção à ausência de ABS – confesso qua aprendi por trauma com um bloqueio da roda traseira fruto de uma situação clássica do trânsito lisboeta, com uma “mercedola” arrogante novinha em folha a sair me ao caminho sem o obrigatório sinal de mudança de direção. As suspensões são algo secas o que a somar à “roda pequena” faz transmitir em parte as habituais deformações do asfalto para o condutor. 

CONFIANÇA E ADAPTAÇÃO 
Importante, fundamental mesmo num veículo eléctrico, é conhecer muito bem a sua autonomia, para que o dia-a-dia seja planeado sem uma surpreendente pausa para uma carga “de emergência”. E aqui, o que pude verificar, foi que de um modo geral podemos confiar na informação que a marca apresenta - e isso é bom, pois como todos sabemos confiança é a trave mestra de qualquer relação. 

Foto: Gonçalo Fabião

Em modo “Power” não vamos encontrar mais do que setenta quilómetros no depósito de electrões Já em modo “ECO” teremos cerca de cem quilómetros de autonomia, todavia neste modo não contem com mais de cinquenta quilómetros hora de velocidade máxima – setenta quilómetros hora de velocidade máxima em modo “Power”. Notem que a velocidade máxima de 50 Km/h é suficiente as mais das vezes para uma condução eficaz em centros históricos ou mesmo na malha cada vez mais apertada da circulação urbana. Notem ainda que a Elettrica conta com um sistema de recuperação de energia – uma espécie de KERS (Kinetic Energy Recovery System) que é activado em desaceleração, mas não se fiem muito nele para vos dar uns electrões extra. 

Foto: Gonçalo Fabião

Assim sendo, para uma utilização o mais eficaz possível da Vespa Elettrica desenvolvi uma espécie de modo “ESCAPE” que consistia no uso do modo “ECO” em “terreno urbano apertado” passando rapidamente, de forma muito simples, mesmo em andamento, para o modo “Power” sempre que entrava numa via rápida ou avenida ampla. 

ENJOY THE SILENCE 
Nesta prova o ESCAPE contou ainda com a agradável colaboração da Tânia Moreira Rato (link), conhecida motociclista e um dos elementos do destemido colectivo Dust Girls. Foi uma manhã gelada à beira Tejo, e com muitos sorrisos ao redor do charme silencioso da Elettrica. A Tânia divertiu-se e só sentiu falta de um descanso lateral que auxiliasse no momento de entrar/sair da Vespa.
 
Foto: Gonçalo Fabião

A marca solícita cerca de 7000€ para aproveitar o silêncio temperado com o mero som da brisa que a beleza e suavidade da Vespa Elettrica proporciona, garantindo que as baterias sobrevivem a mil ciclos de carregamento o que, bem planeado, nos oferece cinquenta a setenta mil quilómetros com carregamentos a 100%. Carregamentos que podem ser facilmente efectuados numa comum tomada eléctrica. Tal, adicionado ao facto de que a manutenção não inclui óleos e filtros típicos de motores a combustão, faz nos cogitar em contas e pensar que a mobilidade eléctrica está a crescer afirmando-se como opção, sem, contudo, perdermos o encanto muito próprio do prazer de um veículo de duas rodas.

domingo, 22 de setembro de 2019

Piaggio MP3 300 HPE à prova


Há alguém por ai que se recorde da minha vizinha – mulher bonita, simpática e inteligente? Ou melhor…, da sorte que eu tive com a vizinha nova que “ganhei” há pouco mais de dois anos? Eu relembro ainda que sucintamente… 

Foi num fim de tarde/início de noite no verão de 2017. A C., chamemos-lhe assim, veio ao meu encontro porque tinha estado uns dias de férias em Barcelona e Paris, tendo ficado boquiaberta com a quantidade de “motinhas”- como ela carinhosamente lhes chama – que tinha visto. 

Umas “motinhas” em especial tinham chamado a atenção de C. Aquelas “fofinhas de três rodas”, mas “como não percebo nada do assunto, o Pedro quer passar depois do jantar lá em casa para tomar um café e me dar umas dicas?” Ui…, de repente sentia ser Natal em Agosto. Ouvia sininhos e jingle bells. E até me cheirava a arroz doce acabado de fazer. Se quiserem conhecer um pouco mais desta bela história é só seguirem esta ligação (link). 

Quando soube que ia ter a Piaggio MP3 300 HPE rapidamente abri o WhatsApp. Entre trabalho, ginásio, compras e saídas com as amigas a C. é demasiado ocupada. Esta seria mais uma vez a minha deixa para passar algum tempo na sua agradável companhia. Procurei uma sugestiva foto da 300 HPE e questionei sarcasticamente: “em tua casa ou na minha?”, questão seguida com os respectivos emojis de quem quer…, enfim…, vocês sabem… 

SEDUÇÃO, PERSONALIDADE E SEGURANÇA 
Tal como quando estamos na presença da C., não é tarefa difícil nos deixarmos seduzir pela Piaggio MP3 300 HPE. Há ali algo de personalidade e segurança que cativa ao primeiro olhar. E tais características iriam ser confirmadas na cidade, mas também na deslocação suburbana permitida pelas qualidades desta renovada Piaggio. 

A personalidade vem de todo o conjunto com destaque para o soberbo eixo dianteiro de duas rodas que todos os abusos de condução em curva permite e também pela vivacidade do motor (278 cc, 26 cv e 26 Nm) que surpreende ao nos colocar em velocidades acima do limite legal de forma muito rápida e linear. 

A segurança (máxima segurança) é consequência disto tudo. Arranque de semáforos que nos fazem sentir a saltar de uma grelha de partida potenciados pelo sistema de controlo de tração ASR (Acceleration Slip Regulation) - muito útil em situação de piso degradado ou falta de qualidade do asfalto -, saídas rápidas daquelas situações de perigo em que os automobilistas tanto gostam de colocar uma scooter, travagem soberba cortesia dos três discos de travão que podem ser accionados de forma combinada a partir de um pedal. 

CHARME E ECONOMIA 
Personalidade e segurança concorrem assim para o dinamismo que hoje o trânsito das cidades solícita e também para o conforto das deslocações suburbanas, ou, quem sabe ainda para um passeio bem agradável por praias e campos dos arredores das cidades. 

É verdade! Foram dias bem catitas os que passei com a Piaggio MP3 300 HPE. Deixei-me seduzir por ela como me deixo seduzir pela C. E para todos ficarmos felizes, também a C. se deixou seduzir por esta nova proposta da Piaggio que solicitou pouco mais de três litros e meio daquele derivado do petróleo essencial à nossa sanidade mental por cem quilómetros de charme espalhado por ai. A C. vai ter de desembolsar 7.100€ por esta versão Sport da MP3 300 HPE.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Mercado mantem tendência de alta


Os dois primeiros meses deste ano confirmam a tendência. A venda de motas novas está em alta. Hoje trago-vos os números de vendas ”motociclos novos +50cc” e são inequívocos: o mercado sobe mais de 25% face ao ano passado! 


Destaques positivos para a líder Honda, para a Yamaha que a precede mas, sobretudo, para a cada vez mais surpreendente Benelli que neste quadro assume já o quarto lugar, com um crescimento absolutamente explosivo. Também a KTM e Husqvarna crescem assinalavelmente, com quase o dobro das matriculas face a igual período do ano passado. 

Nota negativa para Suzuki e Triumph. Embora não apareçam neste quadro, ambas as “históricas” estão a matricular um pouco menos do que em Janeiro e Fevereiro de 2017.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Bloco de notas do Lisboa Moto Show

Bom..., giro... mas..., será eficaz?
Pessoas do século XXI não consomem informação feita por pessoas do século XX realizada com tecnologia do século XIX. 

Falo de todos. Eu estou incluído. Há algo errado na forma como comunicamos. Uns mais que outros, naturalmente. Mas todos podemos comunicar melhor, de forma mais agradável e eficaz. Para outros é mesmo dramático. Há algo profundamente errado na forma como comunicam. Por onde começo? 

Pela própria organização do certame. É miserável a comunicação oficial. A Feira não existe fora da nossa bolha. Muito, muito mau! Quem também não existe é a KTM que decidiu nem sequer aparecer… 

Depois, a Yamaha, por exemplo. Os motociclistas querem motociclistas. Se há algo genuíno é o motociclismo. Para os motociclistas óleo é no motor e na corrente. O que faz a Yamaha? Convida uns azeiteiros para tirar um boneco ao lado das motas. E está profundamente convencida que isto resulta… 

E o que dizer dos números de vendas absolutamente dramáticos do grupo Piaggio (Aprilia e Moto Guzzi) em Portugal? Qual a resposta? Mais azeite! “Dar” uma “vespa” a uma tal de Luciana Abreu conhecida por…, bem…, não vou dizer. Noutro plano, conhecendo algumas ideias da marca, ficamos sem perceber se o negócio do grupo Piaggio são as motas ou o imobiliário. É grave! 

Depois há quem tenha aprendido a lição e corrija o tiro. A Triumph está explosiva. Mas pode fazer muito mais e melhor. Contem com eles… 

E há a Honda. A sorte dá uma trabalheira tremenda. A PCX vende muito porque o produto é bom e não porque tem azeiteiros a piscar o olho. Há quem se queixe que a Honda não produz motas de culto. Mas é líder. Há anos. E não se é líder por acaso. O mercado tem sempre razão.

Há mais marcas representadas no certame como a Suzuki, AJP, Ducati, BMW, HD, Benelli, e Kawasaki, entre outras. Mas cerca de dois dias de Feira não me chegaram para comunicar com elas. E aqui o problema, será, provavelmente meu. Também eu tenho de tentar comunicar melhor. Temos todos. 

E, Sublinho. Pessoas do século XXI não consomem informação feita por pessoas do século XX realizada com tecnologia do século XIX.
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