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domingo, 17 de maio de 2026

Grupo Piaggio poderá estar a caminho da Multimoto

Há dias recebemos uma mensagem simples. Curta. Daquelas que ficam imediatamente a ecoar na cabeça. “Tu que gostas de dar notícias… fica com esta.”. Do outro lado surgia uma informação que, a confirmar-se, poderá representar mais uma mudança importante no panorama motociclístico nacional: o Grupo Piaggio poderá estar a caminho do universo Multimoto. Esta é a história, os rumores e aquilo que nos parece cada vez mais evidente.


Falamos de um grupo que dispensa apresentações. Piaggio Group significa Aprilia, Moto Guzzi, Vespa e a própria Piaggio. E também nomes como Gilera, Derbi e Scarabeo. Marcas históricas, icónicas, profundamente ligadas à cultura motociclista europeia e com décadas de presença em Portugal. 

E no caso da Aprilia, importa dizê-lo, atravessando provavelmente um dos momentos desportivos mais fortes da sua história recente. A marca italiana voltou a instalar-se entre os protagonistas da categoria rainha do motociclismo de velocidade, algo que inevitavelmente reforça o peso e a relevância do grupo no mercado internacional. 

Da competição ao commuting urbano, das scooters premium às motos desportivas, das clássicas italianas às soluções de mobilidade elétrica e até à robótica, o Grupo Piaggio tornou-se um dos grandes pilares industriais do motociclismo europeu contemporâneo

SERÁ VERDADE? 
Perante uma informação desta dimensão, fizemos aquilo que qualquer pessoa séria deve fazer: tentar confirmá-la. Contactámos responsáveis ligados à operação atual do Grupo Piaggio em Portugal. Houve conversa. Houve cordialidade. E não houve comentários. 


Foi-nos transmitido que este é um rumor que circula há bastante tempo nos bastidores do setor o que, honestamente, até nos surpreendeu, porque não tínhamos ainda percebido a dimensão com que o assunto aparentemente já circulava entre algumas pessoas da área. 

Mais tarde, durante a inauguração da nova concessão da Triumph no Porto, aproveitámos também para falar com responsáveis da Multimoto. A resposta foi, novamente, prudente. Muito respeito por todos. Nenhuma vontade de alimentar especulação. E nenhuma declaração oficial sobre o tema. E é aqui que entramos no território mais delicado: a interpretação.

Porque uma coisa são os factos confirmados. Outra, diferente, é a leitura dos sinais, dos silêncios, das cautelas e das conversas paralelas que inevitavelmente vão acontecendo nos bastidores de um setor pequeno, onde quase toda a gente se conhece. 

A NOSSA APOSTA 
E se nos perguntassem hoje, sem rodeios, qual é a nossa leitura? Diríamos isto: se tivéssemos de apostar, apostaríamos que o Grupo Piaggio acabará por passar para a esfera da Multimoto em Portugal. 


Fundado em 1989, o Grupo Multimoto tem construído ao longo de décadas uma posição sólida como um dos maiores importadores e distribuidores de motociclos em Portugal. Atualmente, representa Kawasaki, Bimota, Kymco, Benelli, Keeway e mais recentemente Triumph, Morbidelli, Cyclone e Benda para além da CFMOTO, assegurando não apenas a distribuição nacional, e também redes de concessionários, serviços pós-venda e logística especializada. 

Não sabemos quando. Não sabemos em que moldes. E é perfeitamente possível que nem todos os intervenientes saibam neste momneto ainda e exatamente quando ou como tudo poderá acontecer. 

Todavia olhando para o conjunto das conversas, dos silêncios e do ambiente que rodeia o tema, diríamos que essa possibilidade nos parece, neste momento, bastante forte. Setenta? Oitenta por cento, de tal suceder? Talvez. 

E se estivermos errados, cá estaremos para assumir isso com total frontalidade. Sem apagar textos. Sem editar memórias. Sem fingir que nunca escrevemos o que escrevemos. 

Também acreditamos que quem acompanha o motociclismo merece mais do que comunicados mornos e silêncio coreografado. Merece bastidores. Merece contexto. Merece análise. Merece independência. 

E sobretudo merece perceber que ainda existem espaços onde se pode falar de motociclismo sem pedir autorização para pensar. No Escape Mais Rouco continuaremos exatamente assim. Livres para ouvir. Livres para perguntar. E livres para contar aquilo que vemos. O ESCAPE é cada vez mais o lugar onde o motociclismo continua adulto.

segunda-feira, 6 de março de 2023

Vespa GTS Super 300 Sport à prova

Setembro de 1945. Apesar da inexistência de consenso acerca da data precisa do fim da Segunda Guerra Mundial, é aquele o momento que geralmente se aponta como o fim do conflito militar global mais abrangente da história. Para o tema que nos interessa agora, sabemos que a indústria e a economia da Itália pós Guerra - assim como de muitos outros países da Europa e do mundo - estava absolutamente destruída. Tal como a maioria das estradas do país. 

Foto: Gonçalo Fabião

No fim da Guerra, a Piaggio - construtora de navios e principal construtora de aviões italiana - estava como tudo em Itália: na miséria. A empresa abandonou então a aeronáutica e decide entrar na indústria dos veículos de massas, um pouco inspirada na ideia de Henry Ford, isto é, fabricar veículos utilitários e baratos que chegassem ao maior número de potenciais compradores. 

A primeira tentativa de Enrico Piaggio, baseada numa pequena moto utilizada por paraquedistas, foi um modelo de moto conhecido como “MP5” e apelidada de ”Paperino” (o nome italiano do Pato Donald) devido ao seu desenho peculiar. Não estando totalmente satisfeito com o resultado final, Piaggio terá pedido a Corradino D’Ascanio para criar um veículo simples, robusto e barato. A moto deveria ser fácil de conduzir tanto para homens como mulheres, ser capaz de transportar um passageiro e – muito importante - não deixar as roupas de quem nela andavam sujas. 


Todavia D’Ascanio, um engenheiro aeronáutico responsável pela criação e construção do primeiro helicóptero moderno fabricado pela Agusta, não tinha grande interesse por motos, considerando-as mal cheirosas, barulhentas, desconfortáveis e pouco práticas. Corradino D’Ascanio acaba por aplicar a sua paixão aeronáutica ao motociclismo. A sua moto teria de ser uma espécie de pequeno avião. Para reduzir o barulho e a sujidade colocou o motor junto à roda traseira. E com a ajuda de Mario D’Este, acaba por criar o primeiro projecto de Vespa que viria a ser fabricada na nova reinaugurada fábrica da Piaggio em Pontedera em abril de 1946. 

A Vespa é enfim apresentada ao mundo na primavera de 1946, no Golf Club de Roma. Os jornalistas que foram ao evento dividiram-se perante uma “moto que se assemelhava a um brinquedo”: uns fascinados, outros céticos. Na feira de Milão desse ano venderam-se as primeiras 50 unidades e a partir daí as estradas de todo o mundo nunca mais seriam as mesmas. Em dez anos, mais de um milhão de unidades da scooter foram produzidas. Incrível? Até a língua italiana ganhou mais uma palavra, “Vespare”, que significa "ir a algum lugar de Vespa".


Para esta inacreditável história de sucesso muito contribui um momento singular. Sendo um veículo destinado às massas a Vespa nunca deixou de tentar conquistar as elites. A partir dos anos 50 Hollywood veio dar uma ajuda absolutamente determinante. 

Em 1953 – precisamente há 70 anos -, Gregory Peck e Audrey Hepburn surgem montados numa Vespa, no filme “Férias em Roma”, de William Wyler, a provocar um simpático caos nas ruas da Cidade Eterna. Com este momento que aos olhos de hoje até pode ser considerado algo ingénuo ou mesmo apalermado, a popularidade da Vespa deu um salto considerável, nomeadamente no estrangeiro, tendo as suas vendas disparado. Na verdade, após estas imagens, a Vespa conquistou uma aura de facilidade de utilização mixada com glamour e cosmopolitismo que nunca mais viria a perder. 

 

Quatro anos após o lançamento da última versão, esta nova gama Vespa GTS vem cheinha de detalhes clássicos e deliciosos que dá gosto descobrir lentamente e inclui quatro versões, cada qual com o seu espirito próprio: a clássica e elegante Vespa GTS, a contemporânea GTS Super, a desportiva GTS Super Sport, e a tecnológica Vespa GTS Super Tech, todas propulsionadas pelo motor mono EURO 5 300 HPE (23 CV, 26Nm) de quatro válvulas. O quadro pouco mudou. Como sempre foi o caso ao longo da história da Vespa é feito estritamente de aço, um material sustentável porque é 100% reciclável. Notem que de que este chassi continua a ser, de certa forma, um exclusivo mundial Vespa. 

UMA LARANJA RICA EM VITAMINA 
Mas afinal quantas vezes já andaste de Vespa? Quantos quilómetros já terás feito numa lenda viva assim? Pois…, foi já aos comandos desta laranja mecânica que me apercebi que esta era uma linha importante em falta no meu extenso e glorioso curriculum motocilistico. 

Foto: Gonçalo Fabião

A versão aqui provada foi a Vespa GTS Super 300 Sport. E rapidamente me apercebi que não tinham sido assim tantas as vezes de Vespa e os quilómetros de Vespa na minha vida. E não há lugar para dúvidas. Assim que nos sentamos na moto, muito rapidamente compreendemos que estamos perante um veículo único. Pelo seu desenho e sobretudo pelo seu comportamento. 

Foto: Gonçalo Fabião

Arrumar e desarrumar a Vespa do estacionamento é a coisa mais fácil de todos os tempos. E para todos: menino ou menina, adolescente ou velhinho. A posição de condução é proeminente face à moto. Quero eu dizer com isto que vamos sentados de uma forma diferente face a outras moto da mesma tipologia o que todavia nos permite que estejamos sempre prontos para espetar o ferrão desta GTS Super 300 Sport na primeira fila de automóveis que encontramos pelo caminho. 

Foto: Gonçalo Fabião

A dinâmica fluída e única da Vespa faz-nos ainda sentir que estamos muito perto do asfalto, numa permanente corrida com todos os outros utilizadores das ruas da cidade ou mesmo das estradas dos arredores. 

Foto: Gonçalo Fabião

As novas suspensões - o clássico monobraço dianteiro com monoamortecedor e um duplo amortecedor traseiro com ajuste de pré-carga - em conjunto com a soberba rigidez do quadro em ferro, provocam um sentimento de conforto, segurança e eficácia desconcertantes, ao ponto de questionarmos: estamos mesmo a conduzir uma scooter com pequenas rodas de 12 polegadas? 

DIAS FELIZES
Julgamos que tudo isto aproveita a todos na sua diária vida urbana, no entanto caso a Vespa GTS Super 300 Sport nos sussurrar a pedir um passeio por uma qualquer bonita praia ou montanha da região é de dizer que sim, obviamente. 

Foto: Gonçalo Fabião

Temos motor, desempenho e conforto. Só não temos protecção aerodinâmica e essa aqui é mesmo a natureza das coisas. A vocação turística e até itinerante que as Vespas de grandes porte sempre encarnaram contínua intacta tendo mesmo sido incrementada com um banco surpreendente confortável. 

Foto: Gonçalo Fabião

Os dias em que tive comigo esta “Laranja Impulsivo” foram dias divertidos. Dias em que a Vespa GTS Super 300 Sport coloriu a cidade, as estradas dos arredores e sobretudo coloriu a minha vida com sorrisos e boa disposição enquanto provocava com a sua fluidez os cinzentos e aborrecidos automobilistas. O Vespão reclamou pouco mais de três litros e meio de líquido inflamável por cada cem quilómetros de esbanjamento de estilo, solicitando a marcar uma transferência bancária de 7.600€ para que este veículo icónico transforme os vossos dias em dias muito mais felizes.

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

INTERMOT 2022 As Grandes Feiras estão de regresso

O clássico Bike Show de Outubro voltou! 

Estreias, inovações e eventos. Para os apaixonados do motociclismo e para o comércio especializado do mundo inteiro este é o primeiro grande certame do ano: INTERMOT, a Feira Internacional do motociclo, scooter e E-Bike, de 4 a 9 de Outubro de 2022 em Colónia na Alemanha, organizado pela Koelnmesse GmbH, e patrocinado pela Associação Alemã da Indústria de Motociclos (IVM) que tem sede em Essen. 

Os números impressionam. São cerca de 500 empresas e marcas, de cerca de 29 países, incluindo muitos grandes nomes com vontade de apresentar as suas novidades. 

Além de motos e scooters, a oferta da INTERMOT também abrange acessórios, roupas, peças e customização, equipamentos de viagem e oficina. Contem, entre outros, com a presença da Benelli, BMW Group, Energica, Honda Deutschland, HOREX Motorcycles GmbH, Kawasaki Motors Europe NV, KTM, MSA com a marca Voge, o Grupo Piaggio com as marcas Aprilia, Moto Guzzi e Vespa, SUZUKI Deutschland GmbH, Triumph Motorrad Deutschland GmbH e ZERO Motos

Enquanto os dias 4 e 5 de Outubro de 2022 estão reservados para negócios e reuniões intensivas e discussões para o comércio, a partir de 6 de Outubro de 2022, o evento está aberto a todos os entusiastas do motociclismo para descobrir os destaques do mundo das duas rodas motorizadas. 

A Feira oferecerá ainda eventos especiais, espectáculos vários e teste de novos modelos. Uma festa. Fiquem atentos ao "som do" ESCAPE e das suas redes sociais!

domingo, 4 de abril de 2021

Piaggio Beverly 300 à prova

Tabu. Palavra de origem obscura, ou seja, origem pouco clara ou mesmo confusa. Entre outras coisas mais que não nos dizem respeito, tabu é um medo ou proibição de natureza que pode ser religiosa. Um assunto que não se pode ou não deve falar, interdito, proibido. Falar de scooters entre motociclistas é um verdadeiro tabu. É, não é? 

Foto: Gonçalo Fabião

Se por um lado há cada vez mais motociclistas experientes que escolhem a scooter como veiculo diário urbano e até extra-urbano, por outro, muitos ainda vilipendiam esta maravilha do motociclismo. Os primeiros, os sábios a quem a experiência oferece a scooter como solução, evitam falar da sua racional escolha. Os segundos, os ignorantes, são apenas isso, fanfarrões de conhecimento e formação insuficiente. Uma coisa tem em comum: evitar falar de scooters. 

Foto: Gonçalo Fabião

Este ESCAPE não gosta de scooters. Este ESCAPE adoraaaaaaaaaa scooters. Pela sua simpatia, pela sua ligeireza, pela sua facilidade de utilização, pela sua beleza, pela sua economia. Bolas. Quantos argumentos são precisos para amarmos estes doces veículos. 

SEDUTORA DE CLASSE 
Rinaldo Piaggio fundou a sua companhia de locomotivas e vagões – seja lá o que isso for – em 1884. Em 137 anos a Piaggio, de aviões a funiculares, já construiu um pouco de tudo. Curiosamente é a eterna Vespa o veículo mais conhecido da muito italiana Piaggio. A mesma Piaggio que nos oferece esta contemporânea Beverly, que vai ao novo mundo, arredores de Los Angels, buscar o seu nome.

Foto: Gonçalo Fabião

A Beverly não é propriamente uma novidade. Todavia, face à norma EURO 5, o gigante italiano decidiu atualizar profundamente uma scooter de enorme relevância no mercado europeu. Se na Europa das scooters Portugal é uma particularidade - por optar pelas scooters de 125cc e roda de menores dimensões - Portugal é também uma oportunidade, pois há muita margem de evolução para estes veículos em termos de mercado. Quebrar tabus é ou não é uma delícia? 

Foto: Gonçalo Fabião

A nova Piaggio Beverly 300 é sedutora. Linhas envolventes, a nascer de uma secção dianteira a flertar com a história da marca e que terminam numa traseira urbana e agressiva que remete para um quadro de futurismo. O primeiro olhar revela detalhes de pura classe como o banco luxuoso e bem acabado e os instrumentos, num painel LCD de cinco polegadas e meia objectivo e pragmático. 

POTÊNCIA E SEGURANÇA 
O motor é um monocilíndrico de quatro válvulas (300cc, 26cv e 26NM) da família HPE já conhecido deste ESCAPE da peculiar da MP3 (link). Toda a engenharia - notem a baixa disposição do depósito de combustível - pensou num conjunto com baixo centro de gravidade e ligeiro, cerca de 185Kg. Aspecto absolutamente determinante é a dimensão das suas rodas. Com jante de 16’ na dianteira e 14’ no eixo traseiro, temos assim um conjunto pronto a dominar a cidade e os seus múltiplos obstáculos.

Foto: Gonçalo Fabião

Sucede, que a Beverly 300 impõem-se pela sua natureza como um veículo bem mais ecléctico. Gosta de sair dos centros urbanos e apresenta uma condução deliciosa, eficaz, e acima de tudo prazerosa nas estradas que envolvem as colinas dos arredores da cidade. O motor é vivo e surpreende na subida de rotação, ao ponto de quando entramos naquela via rápida do dia-a-dia, a moto nos enviar para velocidades bem acima do limite legal. A travagem também surpreende pela sua suavidade e as suspensões Showa tornam o conjunto confortável. 

Foto: Gonçalo Fabião

Cereja no topo do bolo da segurança é o controlo de tracção que tem duas funções. A primeira é garantir que algum excesso em mau piso não resulta em prejuízo. A segunda função é a pura diversão. Ou seja, podendo esse controlo de tracção ser desligado, podem os mais atrevidos fazer umas brincadeiras com o belo binário que o motor HPE nos oferece. 

DESCOMPLICADA E INTENSA
Nota muito positiva para dois destaques. O espaço debaixo do assento é generoso, cabendo dois capacetes abertos ou uma daquelas mochilas cheias de tralha para um dia de trabalho, ginásio e afazeres vários. Já o sistema Keyless, permite fazer todas as operações necessárias sempre com a chave no bolso, facilitando muito os dias stressantes - onde temos de andar de um lado para o outro, parar a moto aqui e acolá - evitando assim que nos preocupemos um segundo com trancar malas ou direcção. Uma delícia absoluta. A prova a esta novíssima Piaggio Beverly foi extensa e intensa. 

Foto: Gonçalo Fabião

Há sempre a tentação de apontar defeitos apenas por apontar. Não havendo motos perfeitas, ao contrário do que alguns afirmam, tenho dificuldade em vislumbrar sequer aspectos menos bons nesta bela italiana. Talvez o consumo pudesse ser mais simpático. A Beverly reclamou quatro litros redondos do tal líquido inflamável que faz a nossa felicidade por cem quilómetros de sorriso nos lábios. A Piaggio solicita uma transferência bancaria de 6.300€ para quebrarem o vosso tabu. Com classe!

domingo, 3 de janeiro de 2021

Vespa Elettrica L3 (versão equiparável a 125cc) à prova

Em criança, muito miúdo, era costume passear com os meus pais pelas ruas de Lisboa. Nos anos 70 do século XX, a vida nas cidades era substancialmente diferente do que é hoje. Mesmo numa cidade como Lisboa, a vida era claramente mais lenta e andar a pé seria as mais das vezes uma excelente opção. Nesse tempo nem havia veículos automóveis lá por casa. Naqueles passeios, muitas vezes dados pela mão do meu pai, eu puto, muito puto mesmo, estancava o passo à porta das velhas oficinas. Aqueles locais fascinavam-me os sentidos. As máquinas abertas ao olhar, os sons de motores e ferramentas, e sobretudo, os cheiros. Sim…, aquele odor intenso, uma mescla de gasolina com óleos vários, faziam-me parar e inalar fundo…, eu adorava “aquele cheirinho”. Entendo zero de oficina, confesso. Nem sou daqueles que gosta sequer de meter a mão na massa. Mas aquele odor inebriante era e ainda é para mim o mais poderoso dos elixires. 

Foto: Gonçalo Fabião

Esta orgia para os sentidos está em dramático processo de extinção. A contemporaneidade parece odiar o mundo em que nascemos e crescemos, e um admirável mundo novo, silencioso e supostamente mais limpo, está aqui e agora. Negar este advento é apenas parvo. Não há muito que possamos fazer a não ser conservar o que nos deixarem do que resta do nosso velho mundo e adaptarmo-nos às novas realidades. Uma delas tem por nome electricidade. As motos eléctricas estão a chegar e vieram para ficar. Até podemos não simpatizar. Mas não vale a pena meter a cabeça na areia e fingir que o mundo vai parar porque o nosso egoísmo assim o reclama. 

A experiência em electrões deste ESCAPE é quase nula, com excepção desta aqui (link) relatada. Na verdade, sou cada vez mais fã do serviço que a eColltra oferece e, reafirmo, para mim quando dele necessito, bate qualquer transporte público, uber e afins. Ao ser convidado a conhecer a Vespa Elettrica, confesso que esbocei um aborrecido “interessante”. Mas a experiência foi bem engraçada. E sobretudo silenciosa. 

Foto: Gonçalo Fabião

FÁCIL DE ENTENDER FÁCIL DE UTILIZAR 
A Vespa Elettrica é desde logo uma peça de design - trabalho premiado que nos rouba sorrisos espontâneos - inspirada num icon absoluto: o primeiro modelo Primavera de 1968. 

O motor da Elettrica de 4000 Watts (4KW) gera apenas pouco mais de 5 cv, mas gera também uns colossais 200 Nm. É alimentado por baterias desenvolvidas pela própria marca - de iões de lítio de 4.2 Kwh e 48 Volts - arrefecidas por um sistema de ventilação que opera automaticamente durante o carregamento de quatros horas para uma carga completa do zero aos cem por cento. Este motor disponibiliza dois modos de entrega de potência, “Power” e “ECO”, para além de um terceiro modo, “Reverse”, que pode ser muito útil em pequenas manobras de parqueamento nos espaços mais apertados das nossas cidades. 

Foto: Gonçalo Fabião

Para aqueles que como eu fazem umas valentes centenas de quilómetros de scooter por essa Lisboa fora, todos os meses, a adaptação a esta Vespa contemporânea é imediata. Não há aqui qualquer segredo escondido, a não ser uma vigorosa resposta do motor ao rodar do acelerador, fruto de binário de motor a combustão “gigante”. A travagem é suficiente, mas há que ter atenção à ausência de ABS – confesso qua aprendi por trauma com um bloqueio da roda traseira fruto de uma situação clássica do trânsito lisboeta, com uma “mercedola” arrogante novinha em folha a sair me ao caminho sem o obrigatório sinal de mudança de direção. As suspensões são algo secas o que a somar à “roda pequena” faz transmitir em parte as habituais deformações do asfalto para o condutor. 

CONFIANÇA E ADAPTAÇÃO 
Importante, fundamental mesmo num veículo eléctrico, é conhecer muito bem a sua autonomia, para que o dia-a-dia seja planeado sem uma surpreendente pausa para uma carga “de emergência”. E aqui, o que pude verificar, foi que de um modo geral podemos confiar na informação que a marca apresenta - e isso é bom, pois como todos sabemos confiança é a trave mestra de qualquer relação. 

Foto: Gonçalo Fabião

Em modo “Power” não vamos encontrar mais do que setenta quilómetros no depósito de electrões Já em modo “ECO” teremos cerca de cem quilómetros de autonomia, todavia neste modo não contem com mais de cinquenta quilómetros hora de velocidade máxima – setenta quilómetros hora de velocidade máxima em modo “Power”. Notem que a velocidade máxima de 50 Km/h é suficiente as mais das vezes para uma condução eficaz em centros históricos ou mesmo na malha cada vez mais apertada da circulação urbana. Notem ainda que a Elettrica conta com um sistema de recuperação de energia – uma espécie de KERS (Kinetic Energy Recovery System) que é activado em desaceleração, mas não se fiem muito nele para vos dar uns electrões extra. 

Foto: Gonçalo Fabião

Assim sendo, para uma utilização o mais eficaz possível da Vespa Elettrica desenvolvi uma espécie de modo “ESCAPE” que consistia no uso do modo “ECO” em “terreno urbano apertado” passando rapidamente, de forma muito simples, mesmo em andamento, para o modo “Power” sempre que entrava numa via rápida ou avenida ampla. 

ENJOY THE SILENCE 
Nesta prova o ESCAPE contou ainda com a agradável colaboração da Tânia Moreira Rato (link), conhecida motociclista e um dos elementos do destemido colectivo Dust Girls. Foi uma manhã gelada à beira Tejo, e com muitos sorrisos ao redor do charme silencioso da Elettrica. A Tânia divertiu-se e só sentiu falta de um descanso lateral que auxiliasse no momento de entrar/sair da Vespa.
 
Foto: Gonçalo Fabião

A marca solícita cerca de 7000€ para aproveitar o silêncio temperado com o mero som da brisa que a beleza e suavidade da Vespa Elettrica proporciona, garantindo que as baterias sobrevivem a mil ciclos de carregamento o que, bem planeado, nos oferece cinquenta a setenta mil quilómetros com carregamentos a 100%. Carregamentos que podem ser facilmente efectuados numa comum tomada eléctrica. Tal, adicionado ao facto de que a manutenção não inclui óleos e filtros típicos de motores a combustão, faz nos cogitar em contas e pensar que a mobilidade eléctrica está a crescer afirmando-se como opção, sem, contudo, perdermos o encanto muito próprio do prazer de um veículo de duas rodas.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Duas "vespas" pela Índia fora


O Jorge é um viajante e pêras..., um dia foi dar uma volta (link) e nunca mais quis voltar. A sua nova aventura não tem linha orientadora para além de ser uma viagem de mota pela Índia fora; dois meses, pelo menos. Pura e simples aventura...
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