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domingo, 17 de maio de 2026

Grupo Piaggio poderá estar a caminho da Multimoto

Há dias recebemos uma mensagem simples. Curta. Daquelas que ficam imediatamente a ecoar na cabeça. “Tu que gostas de dar notícias… fica com esta.”. Do outro lado surgia uma informação que, a confirmar-se, poderá representar mais uma mudança importante no panorama motociclístico nacional: o Grupo Piaggio poderá estar a caminho do universo Multimoto. Esta é a história, os rumores e aquilo que nos parece cada vez mais evidente.


Falamos de um grupo que dispensa apresentações. Piaggio Group significa Aprilia, Moto Guzzi, Vespa e a própria Piaggio. E também nomes como Gilera, Derbi e Scarabeo. Marcas históricas, icónicas, profundamente ligadas à cultura motociclista europeia e com décadas de presença em Portugal. 

E no caso da Aprilia, importa dizê-lo, atravessando provavelmente um dos momentos desportivos mais fortes da sua história recente. A marca italiana voltou a instalar-se entre os protagonistas da categoria rainha do motociclismo de velocidade, algo que inevitavelmente reforça o peso e a relevância do grupo no mercado internacional. 

Da competição ao commuting urbano, das scooters premium às motos desportivas, das clássicas italianas às soluções de mobilidade elétrica e até à robótica, o Grupo Piaggio tornou-se um dos grandes pilares industriais do motociclismo europeu contemporâneo

SERÁ VERDADE? 
Perante uma informação desta dimensão, fizemos aquilo que qualquer pessoa séria deve fazer: tentar confirmá-la. Contactámos responsáveis ligados à operação atual do Grupo Piaggio em Portugal. Houve conversa. Houve cordialidade. E não houve comentários. 


Foi-nos transmitido que este é um rumor que circula há bastante tempo nos bastidores do setor o que, honestamente, até nos surpreendeu, porque não tínhamos ainda percebido a dimensão com que o assunto aparentemente já circulava entre algumas pessoas da área. 

Mais tarde, durante a inauguração da nova concessão da Triumph no Porto, aproveitámos também para falar com responsáveis da Multimoto. A resposta foi, novamente, prudente. Muito respeito por todos. Nenhuma vontade de alimentar especulação. E nenhuma declaração oficial sobre o tema. E é aqui que entramos no território mais delicado: a interpretação.

Porque uma coisa são os factos confirmados. Outra, diferente, é a leitura dos sinais, dos silêncios, das cautelas e das conversas paralelas que inevitavelmente vão acontecendo nos bastidores de um setor pequeno, onde quase toda a gente se conhece. 

A NOSSA APOSTA 
E se nos perguntassem hoje, sem rodeios, qual é a nossa leitura? Diríamos isto: se tivéssemos de apostar, apostaríamos que o Grupo Piaggio acabará por passar para a esfera da Multimoto em Portugal. 


Fundado em 1989, o Grupo Multimoto tem construído ao longo de décadas uma posição sólida como um dos maiores importadores e distribuidores de motociclos em Portugal. Atualmente, representa Kawasaki, Bimota, Kymco, Benelli, Keeway e mais recentemente Triumph, Morbidelli, Cyclone e Benda para além da CFMOTO, assegurando não apenas a distribuição nacional, e também redes de concessionários, serviços pós-venda e logística especializada. 

Não sabemos quando. Não sabemos em que moldes. E é perfeitamente possível que nem todos os intervenientes saibam neste momneto ainda e exatamente quando ou como tudo poderá acontecer. 

Todavia olhando para o conjunto das conversas, dos silêncios e do ambiente que rodeia o tema, diríamos que essa possibilidade nos parece, neste momento, bastante forte. Setenta? Oitenta por cento, de tal suceder? Talvez. 

E se estivermos errados, cá estaremos para assumir isso com total frontalidade. Sem apagar textos. Sem editar memórias. Sem fingir que nunca escrevemos o que escrevemos. 

Também acreditamos que quem acompanha o motociclismo merece mais do que comunicados mornos e silêncio coreografado. Merece bastidores. Merece contexto. Merece análise. Merece independência. 

E sobretudo merece perceber que ainda existem espaços onde se pode falar de motociclismo sem pedir autorização para pensar. No Escape Mais Rouco continuaremos exatamente assim. Livres para ouvir. Livres para perguntar. E livres para contar aquilo que vemos. O ESCAPE é cada vez mais o lugar onde o motociclismo continua adulto.

domingo, 12 de outubro de 2025

Triumph poderá vir a ser representada em Portugal pela Multimoto

Corre nos bastidores do sector das duas rodas em Portugal um rumor que, a confirmar-se, poderá redesenhar o mapa da representação de marcas premium no nosso país. Alguns dizem de que a Triumph Motorcycles poderá passar a ser oficialmente representada e distribuída em Portugal pelo Grupo Multimoto já em 2026. 


Ainda nada foi confirmado — todavia há peças neste tabuleiro que encaixam com demasiada precisão para ser ignoradas. 

TRIUMPH MOTORCYCLES — HISTÓRIA, IDENTIDADE E ESTRATÉGIA GLOBAL 
A história da Triumph remonta a 1902 no Reino Unido, quando Siegfried Bettmann lançou as bases daquela que viria a ser uma das mais emblemáticas marcas britânicas de motos. Ao longo das décadas, a Triumph passou por períodos de glória e crise, ressurgindo nos anos 1990 com uma nova filosofia industrial e de design. 

Hoje, a marca tem a sua sede e centro de desenvolvimento em Hinckley, no Reino Unido. Parte significativa da produção continua a ser feita em solo britânico, nomeadamente nos modelos de maior valor acrescentado, no entanto uma fatia relevante da montagem é assegurada nas instalações da marca na Tailândia, reforçando a sua competitividade global sem abdicar do ADN europeu. Este equilíbrio entre tradição e escala industrial tem sido uma das chaves do sucesso moderno da Triumph no mercado mundial. 

GRUPO MULTIMOTO — UMA POTÊNCIA NACIONAL SOBRE DUAS RODAS 
Fundado em 1989, o Grupo Multimoto tem construído ao longo de décadas uma posição sólida como um dos maiores importadores e distribuidores de motociclos em Portugal. Atualmente, representa marcas como Kawasaki, Bimota, Kymco, Benelli, Keeway e mais recentemente Morbidelli, Cyclone e Benda para além da CFMOTO, assegurando não apenas a distribuição nacional, mas também redes de concessionários, serviços pós-venda e logística especializada. 


Com presença em todo o país, a Multimoto tornou-se uma referência no sector, combinando conhecimento técnico com uma estrutura operacional robusta. O seu historial e experiência tornam-na uma parceira natural para marcas internacionais que procuram consolidar presença no mercado português. 

GRUPO SALVADOR CAETANO — UM GIGANTE AUTOMÓVEL A ENTRAR NO MUNDO DAS MOTOS 
O Grupo Salvador Caetano é um dos maiores grupos de distribuição automóvel em Portugal, com décadas de experiência no sector automóvel. Recentemente, o grupo adquiriu cerca de 75% da Multimoto, numa operação que não passou despercebida no mercado. 


Enquanto o Grupo Salvador Caetano traz consigo uma estrutura financeira sólida e know-how em gestão de redes de distribuição automóvel, a Multimoto oferece experiência profunda no universo das duas rodas. Esta complementaridade entre os dois grupos abre novas perspetivas estratégicas — e é aqui que a possível entrada da Triumph em cena ganha especial relevo. 

O RUMOR — TRIUMPH E MULTIMOTO, UM ENCAIXE LÓGICO? 
Até recentemente, circulava a informação de que a representação da Triumph em Portugal poderia vir a ser assumida diretamente pela Grupo Salvador Caetano a partir de 2026. No entanto, com a aquisição da maioria do capital da Multimoto por parte do Grupo Salvador Caetano, a equação poderá ter mudado. 

O rumor aponta agora para que a operação possa ser conduzida pela Multimoto, o que, olhando para a experiência e posicionamento de cada grupo, faz todo o sentido. O Grupo Salvador Caetano mantém o controlo estratégico, enquanto a Multimoto assume a gestão operacional — numa jogada que poderá beneficiar tanto a marca como os concessionários e clientes portugueses.


Atualização – 12 de outubro de 2025, 17h20 

Este post foi actualizado para corrigir um lapso importante. Onde se lia Caetano Baviera ou apenas Baviera, deve agora ler-se Grupo Salvador Caetano. Esclarecemos que não é a Baviera que detém 75% do Grupo Multimoto, mas sim o Grupo Salvador Caetano. 

A Caetano Baviera é apenas uma das empresas que integram este grupo. A Baviera, enquanto empresa, não tem qualquer relação directa com o Grupo Multimoto, excepto por fazer parte do Grupo Salvador Caetano. 

Sublinhamos que o Grupo Salvador Caetano é, de facto, o accionista maioritário do Grupo Multimoto e de todas as empresas que dele fazem parte a nível mundial.

terça-feira, 13 de agosto de 2024

Um olhar pelo Mercado

Já há muito, muito tempo que não fazemos aqui uma analise, ainda que sucinta, ao que se passa no mercado de motos novas em Portugal. Tenho-o feito a titulo pessoal, todavia, hoje sinto que devo partilhar convosco aquilo que os números indicam. É importante que todos estejamos atentos ao que se vende ou deixa de vender. Informação é poder. 

Foto Gonçalo Fabião

Vamos olhar apenas para as matriculas de motociclos novos acima dos 125cc. Ou seja, e sublinho, estes números oficiais excluem as denominadas scooters urbanas e afins. Para que fique ainda mais claro: os motociclos de até 125cc estão fora desta analise. 

A grande, enorme mesmo, nota de destaque vai para o crescimento absolutamente explosivo das marcas da vaga chinesa. Surpresa? Não para nós e para os mais atentos. Estes já antecipavam que boa fatia do mercado iria rapidamente tocar à industria do gigante asiático. Assim, CFMOTO, Benelli, Voge e QJ Motor já dividem entre si perto de 1/5 do mercado. Provavelmente, isto será apenas o inicio... 

No entanto olhando em primeiro lugar para numero globais, vemos um crescimento de quase de dez por cento nas matriculas de motociclos novos acima dos 125cc nos primeiros sete meses deste ano, de janeiro até ao fim de julho. A Honda mantém a sua liderança histórica, todavia não está, este ano, a acompanhar este crescimento e diminui em cerca de 10% as sua vendas. Ainda assim Honda arrebata só ela mais de ¼ do mercado. Yamaha mantem o segundo posto e BMW o terceiro, ambas com crescimento ligeiramente abaixo do mercado no geral. 


De parabéns está a CFMOTO. Já ocupa o quarto posto à geral e aos dias de hoje já matriculou seguramente mais de mil motos este ano. Explode mais de 140%, este ano e ultrapassa mesmo a Benelli que ainda assim cresce uns incríveis 70%. 

Em P6 temos a histórica Kawasaki, também ela com crescimento assinalável de quase 25% face a 2023. As marcas Multimoto brilham alto, sem duvida. Logo a seguir segue outra chinesa, a Voge do gigante Loncin, outra das campeãs do crescimento a vender mais 130% do que em 2023. 

O oitavo posto vai para a KTM que desaponta e não acompanha o crescimento – surpresa zero. A histórica Suzuki também surpreende pela positiva ao vender quase mais 30% que no ano anterior. A fechar o top dez outra histórica, a Triumph cresce bem e isso é noticia

Decidimos ainda fazer mais algumas referências. A campeã do crescimento é mesmo a QJ Motor, ocupa P11 e quase triplica as matriculas novas face a 2023. A Ducati fecha o nosso Top e está em linha com o ano anterior. 

Nota final para duas históricas. Harley Davidson em queda e apenas com um misero ponto de penetração de mercado. Resultado ainda mais deprimente para a Moto Guzzi, também ela em queda e a representar uma migalha de 0,5% do mercado nacional. 

As conclusões são mais que obvias e reforçam a tendência dos últimos anos. A ideia de moto paixão está em profunda crise. Apenas a BMW resiste com a Triumph – surpresa? – a dar um “gás de sua graça”. 

O Senhor Mercado procura hoje soluções de mobilidade. Honda e Yamaha são as que melhor se adaptaram ao novo paradigma. E as marcas chinesas vieram mesmo para se impor. Já dividem vinte por cento do mercado. A duvida é: até onde os chineses vão conseguir chegar?

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Benelli TRK 702 X à prova

Quarenta horas de motociclismo desafiador, intenso e apaixonado. Em síntese, foi assim no passado mês de Outubro aqui (link) na Benelli Adventure Experinece. Desses dias trouxemos memórias de uma moto divertida com linhas impactes. Gostamos mais da versão X que nos pareceu mais afinada e eficaz. Todavia faltava fazer uma prova mais ecléctica, com tempo e asfalto secos, onde fosse possível dar o salto para a terra. 

Foto: Gonçalo Fabião

Aqueles dias de temporal desfeito em Outubro passado, deixaram-me a sensação que esta moto valia muito mais do que foi possível provar no evento da marca, limitado por condições meteorológicas desafiantes – quando não foram verdadeiramente avassaladoras. A marca aceitou o desafio do ESCAPE. E agora podemos oferecer uma visão mais completa do que é e do que vale a Benelli TRK 702 X. Aliás, os leitores deste blogue não esperam menos do que rigor. E isso é muito bom. 

Foto: Gonçalo Fabião

Falar ou escrever sobre Benelli é sempre muito bom pois gera paixão. Amor e ódio andam de mãos dadas e quando o olhar descansa na TRK 702 X o barulho estala. Quem feio ama, bonito lhe parece, diz o ditado. Sim, as linhas da moto são desafiantes. Cada qual encontra aqui referências à marca que mais lhe convém. Normal. Querem saber a minha opinião? Eu gosto. Como lhe fica bem, TRK 702 X, esse dramatismo. 

FRANCAMENTE APTA 
Nestas linhas arrojadas a marca monta num quadro tipo treliça um motor bicilindrico paralelo (698cc, 70 CV, 70 Nm). O conjunto tem um deposito de cerca de 20 litros de combustível e não é propriamente um conjunto leve, pesando 235 Kg em ordem de marcha. Tal como o motor, suspensões e travagem são desenvolvidas pela marca. Na frente a opção foi por uma jante raiada de 19’. 

Foto: Gonçalo Fabião

A TRK 702 X revela de imediato uma posição de condução bastante correta. A habitabilidade é boa graças a uma protecção aerodinâmica decente e eficazes “handguard”. O painel de instrumentos é espartano, todavia legível em todas as circunstâncias. 

Foto: Gonçalo Fabião

A revelação começa logo na cidade onde encontramos uma moto perfeitamente adaptada ao ritmo diário, muito graças ao seu são equilíbrio. Optamos por rodar com malas laterais, todavia sem a inestética top case. 

Foto: Gonçalo Fabião

A presença daquela revela-se algo elevada face ao centro de gravidade da moto. E tal é suficiente para retirar algum equilíbrio ao conjunto. Apenas foi por nós utilizada quando verdadeiramente necessária. Nos espaços apertados a Benelli TRK 702 X surpreende pela forma como se adapta ao terreno urbano. A utilização é fácil e o comportamento ágil e facilitador. 

Foto: Gonçalo Fabião

Na estrada comprovamos a elasticidade da unidade motriz. Os regimes médios são a praia deste motor que é satisfatório para uso diário. Sentimos alguma vibração nos poisa pés sempre que elevávamos o ritmo em autoestrada para lá do que a lei estradal permite. No entanto, o que queríamos mesmo era ver o fim do asfalto. A intuição dizia-nos que esta moto seria uma bela surpresa por maus caminhos. 

Foto: Gonçalo Fabião

E a intuição estava…, certa. Aqui notamos uma enorme evolução face a TRK 502 X (recordar aqui). Não querendo estabelecer comparações muito menos comparativos, é, todavia, impossível deixar de sentir que as suspensões já admitem aqui uma boa dose de aventura off-road, ainda que o eixo dianteiro possa vir a ser melhorado ao nível da eficácia de amortecimento.

Foto: Gonçalo Fabião

O equilíbrio mantém-se. E a condução apenas não é mais viva e efectiva pois não é possível desligar o auxílio ABS na roda traseira. Uma mordacidade mais pronta na travagem seria igualmente apreciada. 

BEST BUY MOTORCYCLE 2023? 
E a Benelli TRK 702 X é isto. Uma moto polivalente. Agrada a todos os que a provam. Ao menino. À menina. Ao urbano. Ao modesto viajante. Aquele que gosta de passear no quintal poeirento. Ao sonhador com mundos de aventura. E agrada ainda ao motociclista experiente que deseja ter algo menos corpulento na sua garagem. 

Foto: Gonçalo Fabião

A 702X agrada ainda pela sua economia. Esta Brown Orange Really Nice -nome da cor por nós agora inventado :) – solicitou pouco mais de quatro litros e meio de sumo doirado de dinossauro por cada cem quilómetros de boa disposição oferecida, pedindo a marca uma transferência bancaria de 7.890€ para a levarem convosco.

Foto: Gonçalo Fabião

Notem ainda que a marca oferece, por estes dias, o conjunto de malas originais Benelli. A Campanha é reservada aos modelos TRK 702 X e TRK 702 matriculados até 31/12/2023, nos concessionários aderentes e limitado ao stock existente.

terça-feira, 24 de outubro de 2023

Benelli Adventure Experience

5:30 AM. Pimmm, pimmmm, pimmm, pinnnmmmmmm!! O despertador toca com a energia de um adolescente que dormiu doze horas. Sucede que aqui não há adolescentes e eu acabo de dormir doze horas sim, todavia divididas pelas últimas três noites. Ainda assim acordo rápido. Tomo um duche ainda mais rápido, enquanto alguém que só pode ter muita pachorra para me aturar, faz um litro de café, pois acorda à mesma hora só para me dar boleia até à famosa estação do Oriente em Lisboa. Este seria o ponto de encontro daqueles que Adriano Duarte, 56 anos, CEO da MULTIMOTO, bem mais tarde, ao jantar deste longo dia, apelidaria de “elite do jornalismo de motos em Portugal”. 


Se este primeiro parágrafo vos sugere uma história de paixão, isso significa que estão no bom caminho. Na verdade este é o relato de pouco mais de quarenta horas de motociclismo desafiador, intenso e apaixonado. Horas que na verdade espelham o ser em si de uma marca histórica e notável – podem recordar aqui (link) do que falamos quando falamos em Benelli. Notável e sobretudo notório como na verdade só a Benelli sabe ser neste momento em Portugal. Por estes dias, sempre que se fala de Benelli a plateia divide-se entre o amor e ódio. É paixão. E isso é muito bom. 

UM PORTUGAL DESCONHECIDO ESPERA POR TI 
Seguimos viagem num shuttle madrugador que nos deixou em Ul. Sim Ul, leram bem. Mais concretamente no parque temático molinológico de Ul, não muito longe de Oliveira de Azeméis e da sede da MULTIMOTO, empresa que nos últimos anos se tem afirmado como uma das mais destacadas do sector moto, se não mesmo a mais distinta. 


Reforçada a alimentação e a cafeína, devidamente brifados sobre o que viria a seguir, partimos rumo a uma pequena mas mágica viagem pela região centro de Portugal, um dia que se viria a revelar memorável a vários níveis, em especial a travessia do que resta da antiga Estrada Nacional 338 entre Vide e Manteigas, estrada a que alguns chamam de “Loriga Pass” só que…, em bom rigor, nem em Loriga a estrada passa. 


Todavia, quem deseja viver momentos de motociclismo épicos a meio da semana, para além de ter de acordar a meio da noite, antes mesmo da madrugada, também tem de lamber quilómetros de paisagem estranha e sem característica, antigas vilas e aldeias dizimadas pelo suposto desenvolvimento comercial e industrial. Tudo começou a mudar ali na desconhecida e inóspita serra da Penoita. Sim Penoita, segundo alguns “terra dura e linda onde vivem pastores, pedras e cinzas” ali meio caminho entre o Caramulo e a Freita. Dizem que há quartzo, pedra de Ançã e xisto pelo caminho. Há mais pedras, sossego e paz. Há pelo menos um dólmen e um açude. 

SEDE DE AVENTURA 
Ali chegados já tínhamos cerca de cem quilómetros efectuados na Benelli TRK 702 X (bicilindrico paralelo desenvolvido pela Benelli com 698cc, 70CV). O primeiro contacto físico com a moto é impactante. Linhas trabalhadas e voluptuosas. Sensuais, mesmo – desenvolvida sem Itália no Centro Stile Benelli. Posição de condução elevada e belo encaixe entre condutor e moto. Banco rijo todavia confortável.


Dinamicamente o conjunto revelou um motor presente, vivo e sobretudo surpreendentemente elástico, em especial porque a unidade que me calhou era praticamente nova. Ciclística afinada (suspensões e travagem também desenvolvida pela marca) com destaque para uma travagem eficaz e amortecimento aceitável num conjunto que naquela manhã teve de ultrapassar estradas lentas, sujas e molhadas pelas condições outonais. 


Da serra da Pernoita seguimos para a velha vila de Coja, a Princesa do Alva como lhe chamam – provavelmente por estar situada nas duas margens do Rio Alva na confluência da Ribeira da Mata e pela dualidade que existe entre a água e a Vila. O sol sorria e o estômago também com um sublime petisco de almoço tardio que não foi mais do que uma “entrada” para o verdadeiro festival gastronómico que foram também estas horas. Aqui trocamos de moto. A mim calhou me uma Benelli TRK 702 - sem o X, isto é a versão de natureza mais estradista. A jante 19 na roda dianteira foi assim “trocada” por uma jante 17 e respectivos pneus exclusivamente estradistas, dos Pirelli Scorpion Rally STR para os Pirelli Angel GT


Honestamente, este conjunto não me convenceu tanto como a equilibrada X. Os mapas de motor pareceram-me ligeiramente diferentes e a travagem não apresentou, definitivamente, a mesma qualidade. Detalhes de afinação de pedais também não me agradaram face à X que me pareceu muito afinada, sublinho. 


Já quase no Piódão para fotografia pedi ao Domingos Janeiro, agora director da revista Motos, para me ceder a TRK com que ele rolava e era idêntica à minha, isto é, a dita versão normal, sem X, mais estradista. E aí voltei a encontrar uma moto afinada e equilibrada todavia não tão eficaz em travagem e negócio em curva como a versão X de jante de raios e roda 19. Surpreendente! 


Sugere o nosso Turismo que a Aldeia Histórica do Piódão, incrustada na maravilhosa Serra do Açor, apresenta-se como um conjunto arquitectónico de rara beleza pelo seu enquadramento natural e também pela sua antiguidade, unidade e estado de preservação das construções. Há quem lhe chame “aldeia presépio” dada a sua configuração que se espraia pela encosta do monte com as casas em xisto e lousa e as janelas e portas pintadas de azul, em anfiteatro. Sabe-se também que a aldeia do Piódão serviu de abrigo a muitos que se pretendiam esconder ou por questões políticas em épocas mais severas, ou até por questões jurídicas. 

TENSÃO NA MONTANHA DESAFIANTE 
Após o Piódão, com a luz do dia a apagar-se rapidamente, seguimos então para Vide e para o desafio memorável desta viagem relâmpago, a incrível Nacional 338 que corta a meio o Parque Natural da Serra da Estrela. 


A subida é ingreme e o asfalto glorioso. Os primeiros quilómetros pediram atrevimento. Todavia tudo mudou junto a uma placa que indicava “1700 metros”. Chuva forte, vento lateral e cortante, nevoeiro cerrado e impenetrável. O grupo, todo composto por motociclistas muito experientes, diminuiu o ritmo e viveu momentos de alguma tensão. Tateamos as curvas da Grande Serra. Todos os sentidos em alerta a perscrutarem a estrada. E quando paramos já a descer para Manteigas junto ao vale glaciar e com condições atmosféricas menos cortantes, acabamos por dar aquele sorriso de momento intenso e desafio cumprido. 


Já no novíssimo hotel Vila Galé Serra da Estrela em Manteigas, despimos o fato, relaxamos. Apresentadas em detalhe as novas TRK, jantamos um tornedó perfeito acompanhado por um belo tinto do Douro. Aqui foi tempo de viver mais paixão. A equipa da MULTIMOTO revelou uma energia incrível para que tudo estivesse impecável. Detalhes, amor à camisola, sintonia entre hierarquias, valores e princípios bem definidos. Aqui há trabalho. E paixão, repito. O crescimento desta empresa e das marcas que representa não é um acaso. Parabéns a todos! 


O dia seguinte acordou ainda mais mal disposto. A tempestade denominada Aline castigava fortemente a paisagem. Tivemos de encontrar um plano B. Em definitivo não encontramos condições para produzir imagens de qualidade. O motociclismo deixa de o ser quando o desafio dá lugar ao sacrifício. Fica sem sentido e sem valor. Assim o contacto com o fora de estrada terá de ficar para outro momento. De qualquer forma a dona Alice, as suas brasas impecáveis e a carne incrível do “talho confiança” - que segredo tão bem guardado - esperavam nos já no regresso ao distrito de Aveiro. 

VERDADEIRA EXPERIÊNCIA DE AVENTURA 
A Benelli Adventure Experience revelou-se isso mesmo. Uma surpreendente experiência de aventura. Em tempos existiu um slogan que dizia “há sempre um Portugal desconhecido à sua espera”. E há mesmo. A serra da Penoita foi uma surpresa. A escalada da Nacional 338 um puro prazer. As condições atmosféricas no topo de Portugal um desafio surpreendente. A gastronomia, já sabemos, sempre épica


A tudo isto as novas Benelli TRK 702 e 702 X responderam “quero mais”. No entanto uma prova mais completa terá de ficar para outra ocasião que integre alguns quilómetros de fora de estrada. Na verdade, estas motos já são um best seller incrível no mercado português. Provavelmente ainda este ano a MULTIMOTO colocará no mercado nacional cerca de mil unidades da 702 e 702 X. É verdade. Como verdade é que ruídos à parte o Senhor Mercado tem sempre razão. No mais, o ESCAPE só pode agradecer. Obrigado a todos!


[Passem aqui (link) e aqui (link) no site da marca para mais especificações técnicas, preços e campanhas em vigor.]

NOTA: Texto actualizado às 21:57 do dia da publicação. O erro é um privilégio dos activos e o ESCAPE errou. São cerca de mil as TRK 702 de ambas as versões que a marca julga vir a colocar no mercado nacional ainda em 2023. E não o dobro de tal valor, como de forma manifestamente errada aqui se escreveu.

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

QJ MOTOR entra em Portugal

O dia de hoje ficará para a história do motociclismo português como o dia em que a QJ MOTOR entra oficialmente no nosso mercado. Será num evento para a comunicação, hoje, ao fim do dia, início de noite em Lisboa que vamos saudar a chegada de mais uma marca aqui ao rectângulo. 


QUEM?
A QJ MOTOR é propriedade de um gigante chinês denominado Grupo Qianjiang Motorcyle. Nascido em 1971, tal Grupo leva o nome da cidade onde nasceu, localizada na província de Hubei. O Grupo produz hoje mais de 50 (cinquenta!) milhões de motos por ano. Por sua vez a Qianjiang Motorcyle integra hoje o vasto e reconhecido Grupo Gelly, o gigante chines dos automóveis que controla marcas icónicas como a Volvo, Lotus e Proton. Já agora…, Geely, em mandarim, significa “sortudo” ou “auspicioso”. 

ONDE?
O Grupo tem hoje unidades de produção em todos os continentes e produz muito mais do que veículos de duas rodas. 


O QUÊ? 
Empresa estatal quando nasceu, antes de 2005 já contava com participação da malaia Gold Lion Steel. Desde ai, a Qianjiang desenvolve a sua distribuição internacional em cerca de quarenta países, estando cotada no Top-50 das indústrias de engenharia do mundo. No que nos interessa que é o motociclismo, as suas marcas denominadas Lifan Motor, Jialing e Zongshen, entram pontualmente na Europa no início deste milénio. O Grupo Qianjiang criou também uma marca de motos, cujo nome foi propositadamente escolhido por ser facilmente pronunciável na Europa: Keeway. A oportunidade de comprar uma marca histórica aconteceu. E em 2005 o grupo Qianjiang compra a Benelli. 

COMO? 
Ao que tudo indica esta primeira vaga da QJ MOTOR no mercado português far-se-á com sete modelos dos segmentos Adventure, Street e Custom. 

No segmento Adventure contem com dois modelos de media-alta cilindrada, que a marca deseja que sejam polivalentes e naturalmente prontos para vários terrenos. A saber: SRT 800 (Road) e SRT 800X (Off Road), ambas com motor bicilíndrico em linha (754cc e 76 CV) com preços (em Espanha) anunciados abaixo dos 10.000€. O segundo modelo deste segmento é a SRT 550, motor bicilíndrico de 554cc e 47 CV (6.500€, preço também em Espanha). 


O segmento Strett será para já composto por três modelos: SRK 700, SRK 400 e SRV 550, motos de inspiração naked e neo-retro. A SRK 700 com 698cc e 72CV poderá beneficiar da fiscalidade esdrúxula que se pratica entre nos para se assumir como um dos destaques da marca. 

Por fim segmento Custom com as pequenas SRV 300 e SRV 125 na busca de Cristãos-novos. 

QUANDO? 
É a única pergunta chave para a qual ainda não temos (no momento em que escrevo este texto) resposta concreta: quando será que posso espreitar, conhecer, testar, comprar uma QJ MOTOR? O ESCAPE sabe que as primeiras unidades já estão em Portugal e que A MB Motor Portugal, que passou a ser a empresa responsável pela distribuição e comercialização em Portugal da QJ (bem como da espanhola Macbor) está a esforçar-se - sob a liderança do experiente Paulo Sérgio Anjos – para nos satisfazer o mais rapidamente possível a curiosidade 

PORQUÊ? 
“Nascemos para fazer motos para pessoas de hoje. Livres. Inconformadas. E sem preconceitos”, diz a marca. E sublinha: always forward

Huānyíng QJ MOTOR!

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Motorama Madrid abre portas já amanhã na capital espanhola

Sim! As grandes Feiras estão de regresso. E ainda antes do Salão de Colónia brilhar (link), o Pavilhão de Cristal da Casa de Campo abrirá portas de 30 de Setembro a 2 de Outubro para receber uma nova edição do Motorama Madrid. O Salão Comercial da Moto regressa este ano nos primeiros dias de outono com o objectivo de incentivar as vendas no sector das duas rodas no último trimestre do ano, num mercado ainda afectado pelas consequências da pandemia e problemas de abastecimento logístico mundial. 


A área de exposição interior do Motorama Madrid 2022 cresce 51 por cento em relação à edição de 2021, e a tal devem ser adicionados os espaços comerciais que ficarão localizados fora do recinto. Importadores e concessionários que representam mais de 25 marcas de motos (BMW, Harley Davidson, Indian, Brixton, Aprilia, Guzzi, Triumph, Kymco, Lambretta, Benelli, Keeway e Wottan, entre outras) estarão presentes no Salão com algumas novidades em todos os segmentos. 

A ampla oferta do evento conta ainda com a participação de empresas e profissionais que comercializam dezenas de equipamentos e empresas auxiliares da indústria. Contem ainda com um programa de actividades paralelas que ocorrem no âmbito do Salão. Os visitantes terão a oportunidade de testar o desempenho de vários modelos das marcas Triumph, Harley Davidson e Indian no programa de passeios que estas marcas montaram. 

A Motorama Madrid 2022, é uma iniciativa organizada pela empresa Expo Motor Events. A Feira de Motos permanecerá aberta ao público na sexta e sábado das 10h às 21h e no domingo das 10h às 18h. 

Dada a lotação limitada, a organização recomenda a compra de bilhetes online, o que garante o acesso ao evento e evita aglomerações e esperas nas bilheteiras. Crianças até 12 anos têm acesso gratuito.

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

INTERMOT 2022 As Grandes Feiras estão de regresso

O clássico Bike Show de Outubro voltou! 

Estreias, inovações e eventos. Para os apaixonados do motociclismo e para o comércio especializado do mundo inteiro este é o primeiro grande certame do ano: INTERMOT, a Feira Internacional do motociclo, scooter e E-Bike, de 4 a 9 de Outubro de 2022 em Colónia na Alemanha, organizado pela Koelnmesse GmbH, e patrocinado pela Associação Alemã da Indústria de Motociclos (IVM) que tem sede em Essen. 

Os números impressionam. São cerca de 500 empresas e marcas, de cerca de 29 países, incluindo muitos grandes nomes com vontade de apresentar as suas novidades. 

Além de motos e scooters, a oferta da INTERMOT também abrange acessórios, roupas, peças e customização, equipamentos de viagem e oficina. Contem, entre outros, com a presença da Benelli, BMW Group, Energica, Honda Deutschland, HOREX Motorcycles GmbH, Kawasaki Motors Europe NV, KTM, MSA com a marca Voge, o Grupo Piaggio com as marcas Aprilia, Moto Guzzi e Vespa, SUZUKI Deutschland GmbH, Triumph Motorrad Deutschland GmbH e ZERO Motos

Enquanto os dias 4 e 5 de Outubro de 2022 estão reservados para negócios e reuniões intensivas e discussões para o comércio, a partir de 6 de Outubro de 2022, o evento está aberto a todos os entusiastas do motociclismo para descobrir os destaques do mundo das duas rodas motorizadas. 

A Feira oferecerá ainda eventos especiais, espectáculos vários e teste de novos modelos. Uma festa. Fiquem atentos ao "som do" ESCAPE e das suas redes sociais!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Benelli TRK 502X à prova

Confinado. Escrevo-vos da minha sala. Tenho uma janela alta e larga à minha frente. Chove, “puxada a vento” – como diria a minha mãe – vento de sudoeste vagamente quente e muito húmido, 100% de humidade relativa - não pode haver pior para mim. Lá fora vejo árvores e arbustos a serem fustigados pelo vendaval, tal como nós seres humanos temos vindo a ser fustigados pelo efeitos dramáticos provocados pelo devastador coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2). O “bicho” que provoca a estranha doença COVID-19 não para de melhorar a sua eficácia. E a para já denominada estirpe britânica voltou a fazer com que os governos do mundo mandassem os seus cidadãos para casa numa tentativa de salvar a sua pele, pois temem o desmoronar dos frágeis sistemas de saúde face a tamanho inimigo invisível. Contrastando com tudo isto, restos de papelinhos e confettis largados pelos vizinhos de cima na noite de passagem de ano, ainda abrilhantam e poluem o chão laranja barro do terraço que me separa do mundo… 

Foto: Gonçalo Fabião

É esta cinzenta e incontornável moldura com que parto para aquilo que já são apenas memórias. Durante os primeiros dias deste ano novo que sabe a velho, sentimos tempo seco e frio. Não sabíamos era que aqueles arrepios que sentíamos, eram também um sintoma da liberdade que tantos amamos a esgueirar-se de nós como se de areia numa mão se tratasse. Duas motos se cruzaram comigo neste instante. A primeira delas de que vamos falar hoje, foi esta Benelli. Atrevida, imponente e popular. Sinal dos tempos ou mesmo motociclismo para as massas? 


MOTORCYCLE FOR THE MASSES? 
Foi em 1987 que o coletivo britânico Depeche Mode deu a conhecer ao mundo o seu sexto álbum de estúdio, Music For The Masses. Três anos antes do épico Violator, de onde saíram alguns dos hits incontornáveis da banda, já Dave Gahan e companhia trabalhavam para construir uma posição de destaque num mundo cada vez mais habituado à música electrónica e ao estilo Dance. De Music For The Masses costuma dizer-se que o rock, o pop e a electrónica entram num bar. Será que poderemos dizer da TRK 502 X que o urbano, o trail e o turístico entraram pela nossa vida adentro? 

Foto: Gonçalo Fabião

As características técnicas da Benelli TRK 502X são por demais conhecidas e podem ser consultadas nos locais habituais. Se chegaram aqui neste texto penso que já terão percebido isso mesmo e nunca é demais alertar a navegação. Nesta Benelli começamos por encontrar o tal ar atrevido e imponente. Atrevimento, nas linhas profundas que desenham e sublinham esta meio-litro que pode ser conquistada até por Cristãos Novos, pois pode ser possuída por detentores de carta A2. Imponência, em todo o conjunto denominado Pack Terra - versão que inclui duas malas Laterais SHAD em alumínio de 47 e 37 litros e ainda top case também SHAD em alumínio de 48 litros. 

TRAIL URBANO 
Para começo de festa, entrar e sair da moto, pode nem ser a tarefa mais fácil. O banco largo e confortável permite um belo encaixe com todo o conjunto. Todavia a altura da moto deixa-nos pouca margem de pés para tocar no chão quando necessário, algo que devemos ter sempre em linha de conta em especial nos dias urbanos desta moto.

Foto: Gonçalo Fabião

Iniciando a nossa viagem por ai mesmo, pela cidade, esta Benelli demonstra agilidade e adaptação mais do que suficiente ao combate citadino, até porque as malas laterais são facilmente desmontáveis deixando a moto com mais liberdade para circular. Em estrada aberta a TRK revela um motor surpreendente, sempre vivo, sempre cheio, que gosta de ser levado a rotações elevadas sem que algumas ligeiras vibrações cheguem para incomodar. Aqui um aspecto claramente negativo se evidencia: a travagem é lenta e pouco mordaz, sendo apenas suficiente; não satisfaz, apesar da segurança não estar em causa, comprometendo sim a eficácia do comportamento. 

TRAIL TURÍSTICO 
Longe da cidade sentimos o natural chamamento dos maus caminhos. A resposta a tal solicitação aconteceu em algumas dezenas de quilómetros de suave fora de estrada onde todo o conjunto respondeu positivamente. A largura do depósito dificulta um pouco a condução em pé e a suspensão dianteira facilmente revela a sua limitação para estas andanças, sendo claramente possível um passeio fora do asfalto desde que aceitemos a natureza desta moto. 

Foto: Gonçalo Fabião

Por falar em natureza das coisas, tal como o pop, o rock e a electrónica entram pelo bar no célebre disco dos Depeche aqui recordado, também o apelo pelo turismo se junta à utilização diária de inspiração trail e nos avassala quando conduzimos a TRK 502 X. 

Foto: Gonçalo Fabião

Facilidade de utilização, conforto, boa protecção aerodinâmica aliam-se aqui e convidam-nos à viagem, fazendo desta Benelli uma verdadeira ferramenta de motociclismo para as massas, tendo também em conta a parcimónia de apetite do biclindrico desde que utilizado de forma racional e sobretudo o preço pedido pela marca por todo este conjunto. 

POPULISMO MOTO 
Nesta prova intensa e em que nunca andei devagar a 502 X solicitou pouco mais de cinco litros do tal líquido inflamável que tanto nos faz sorrir por cem quilómetros de populismo motociclistico. 

Foto: Gonçalo Fabião

Não há como o esconder. A Benelli TRK 502 X possui carisma, detém uma linguagem simples e que fala objectivamente para as massas. Solicitando a marca uns quaisquer 7.550€ para que este conjunto versátil e ecléctico seja vosso, contribuindo desta forma para que a massa que se deseja critica aumente e se multiplique, no que ao motociclismo diz respeito.

domingo, 13 de dezembro de 2020

Benelli 752s à prova

A centenária marca italiana, agora na órbita da gigante chinesa Qianjiang, prepara-se para encerrar 2020 - pelo segundo ano consecutivo - no top five das motos mais vendidas em Portugal. E estará seguramente em posto idêntico no quociente de emoção que arrebata aos motociclistas portugueses. Por cada apaixonado seguidor, terá outros tantos detractores. É assim com a Benelli e é assim com as marcas mais vendidas em Portugal e no mundo. E isso é bom para o motociclismo em geral e sobretudo para a marca em particular. 

Foto: Gonçalo Fabião

Esta estradista despida não é excepção quanto às emoções que provoca. Basta determo-nos e olhar para ela com atenção para amarmos ou odiarmos a sua aprimorada silhueta de inspiração mediterrânica. Contemplando a mecânica, compreendemos que a marca tentou aqui uma espécie de síntese entre a tese italiana e a antítese nipónica – notem que a ordem dos factores é aqui absolutamente arbitrária, escolham vós a vossa tese e consequente antítese. A quadratura do círculo é sempre um exercício estimulante. Terá o velho emblema conseguido vencer a batalha? 

Foto: Gonçalo Fabião

ROADSTER ATREVIDA 
No desenho, a clara inspiração MV e ducatisti fica bem à 752s. Não sendo este ESCAPE o maior apreciador do traço das naked contemporâneas, é impossível ficar indiferente àquele quadro tubular onde assenta toda a moto. Sendo verdade que a apreciável linha de escape sobressai desta negra, verdade é que a objectiva do Gonçalo teria preferido os tons encarnados ou mesmo verdes de outras opções cromáticas do mesmo modelo. Ao nível do desenho apenas lamentamos um radiador algo sobredimensionado. 

Foto: Gonçalo Fabião

O primeiro contacto dinâmico com a moto não é soberbo. A posição de guiador é algo fechada e o pedal de travão traseiro exige adaptação para uma travagem eficaz. O desconforto inicial é apenas aparente e, sendo esta uma moto sem qualquer protecção aerodinâmica, é obviamente uma moto física que vamos aprendendo a saborear. Esta natureza física deve-se também a um peso algo desajustado tendo em conta o minimalismo do conjunto - bem como ao conhecimento do que vai fazendo a concorrência. 

Foto: Gonçalo Fabião

Ao rolar com esta Benelli, cedo notamos que o bicilindrico paralelo (76 cv e 67Nm) é a estrela do conjunto. Titubeante a baixos regimes vai ganhando alma com a subida de rotação, oferecendo “lá em cima” uma condução alegre e divertida potenciada pela sonoridade muito agradável daquela peculiar ponteira de escape. 

ALEGRE E DIVERTIDA 
As suspensões algo secas – ambas reguláveis – e a travagem eficaz, apesar da sensibilidade da manete do travão dianteiro não deslumbrar, contribuem para uma experiência honesta, a espaços divertida, apesar da manete de embraiagem se ter revelado algo dura, pedindo também ela alguma adaptação. 

Foto: Gonçalo Fabião

Esta Benelli 752s, roadster atrevida, é actualmente o topo de gama da marca. Longe de ser perfeita como alguns a querem fazer parecer, assume-se uma moto honesta e muito sedutora. Sim…, não nos parece carismática. Mas poderá transformar-se em tal no futuro, limadas que sejam algumas arestas relevantes. Solicitou pouco mais de cinco litros do tal líquido inflamável fundamental à nossa salubridade, pedindo a marca uma transferência bancaria de 7.480€ para quem a levem a passear por essa estrada fora.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Mercado mantém sinais positivos

Com o ano a terminar, ficando apenas em falta os números deste mês que corre, Dezembro, é tempo de fazer um novo “resumo da matéria dada” no que à venda de motociclos novos diz respeito. 

Apesar da situação sanitária por todos conhecida, estamos a ter um ano de sinais positivos e encorajantes. Os números que tivemos acesso, números que sublinhamos desde já são números oficiais ACAP, Associação Automóvel de Portugal, apontam para uma queda de apenas 5,3% no mercado global, ou seja, ciclomotores, motociclos, triciclos e quadriciclos, com o passado mês de Novembro a regista uma surpreendente evolução favorável de 19,6 por cento. 

Todavia, na opinião deste ESCAPE, os números a reter e discutir são os números que dizem respeito aos motociclos tal como nós os conhecemos, isto é, veículos acima dos 125cc. Aqui em Novembro o mercado subiu quase 14% face a igual período do ano anterior, 2019. Este sinal positivo ajuda a amenizar o resultado do catastrófico confinamento registado no segundo trimestre deste ano, onde marcas houve que durante semanas a fio não venderam um único motociclo. 



De Janeiro a Novembro o mercado de motociclos regista então uma queda de pouco mais de sete por cento. Ainda assim, sublinhamos, queda bem menos acentuada do que poderíamos esperar no primeiro semestre deste estranho 2020. 

Olhando para as marcas…, a Honda apesar de ter um ano de evolução negativa mantém uma liderança solida – fica com bem mais de um quarto do total das vendas – mas vê Yamaha e BMW acrescerem na quota de mercado com destaque para a marca germânica que está a ter um ano glorioso, a crescer quase 20%. 

Nos lugares secundários, as marcas de uma forma geral seguem a tendência geral de mercado. Com sinal positivo vale a pena destacar a chinesa Zontes, a manter um lugar no top ten, e o mês excelente da Triumph onde coloca quase o dobro dos veículos no mercado face a igual mês de Novembro de 2019. Sinal menos para Kawasaki e H-D com quebras anuais de cerca de um terço nas vendas. 

Uma das lições deste 2020 é a de que há espaço, muito espaço, para crescer. Seria importante encontrar estratégias e tácitas que potenciassem esse crescimento. Face ao esforço que se fez noutros países europeus pelo uso da moto, campanhas como aquela que a ACAP promoveu este ano denominada “Vai de Moto” dá dó e mesmo vergonha alheia, de tão paupérrima que é. Não nos podemos contentar com o “é melhor que nada” e o “poucachinho”. Sejamos ambiciosos. E apaixonados pelo que fazemos. Todos!

domingo, 4 de outubro de 2020

Novidades Trail 2021- Aprilia, Benelli, Ducati e Honda

Ducati. “Quatro é mais leve do que dois. Também pode ser mais compacto. 15 de Outubro. Estejam prontos para mudar o paradigma“. Não é preciso ser bruxo. Tudo indica que a Multistrada V4 vai ser revelada já no próximo dia 15. De recordar que o V4 fez a sua estreia na superdesportiva Panigale dando depois origem à Streetfighter V4 – aqui (link) recentemente provada por este ESCAPE. Claudio Domenicali nunca escondeu que o foco seria a Multistrada receber este motor. Alguns dizem que estaremos perante uma moto praticamente nova e não apenas uma versão revista e ampliada da actual Multistrada. Úúúééépáááhhhhh…, a especulação por essa Rede fora aponta para um motor a debitar 180 cavalos, ou até um pouco mais. Desejamos tanto, mas tanto que tudo isto seja verdade. Dia 15 <3  



Aprilia. Tuareg, o modelo lendário da Aprilia parece estar de regresso. Já lá vai cerca de um quarto de século desde que em Noale se produziu a última Tuareg. Nesse dia começou a espera. E a espera parece estar a chegar ao fim. Ainda em testes, as imagens vindas a público sugerem jantes de raios de 21 e 18 polegadas, suspensões de longo curso, motor bicilindrico paralelo 660cc que já equipa a RS e a Tuono (100Cv?) e electrónica contemporânea tudo adicionado num conjunto que visa ombrear com Yamaha Tenere 700, BMW F 750 GS, KTM 790 Adventure R e, quem sabe uma possível Honda Africa Twin 800cc. Alguns dizem que aqui a espera pode ainda demorar. Ninguém sabe se a versão final a comercializar estará disponível já em 2021 ou apenas no ano seguinte. 



Benelli. A QJ Motor, marca chinesa com a qual a Zhejiang Qianjiang, proprietária da Benelli vende algumas das suas motos, tem estado muito ativa nas últimas semanas. Uma das novidades é a QJMotor SRB750 que ao que tudo indica será muito mais do que a base da tão aguardada nova Benelli TRK 800. Esta deverá partilhar quadro e motor da irmã QJ. Podem contar com inspiração no desenho da bem sucedida TRK 502, suspensões de longo curso seguramente de origem Marzocchi e um motor bicilindrico a debitar cerca de oitenta cavalos. 


Honda. Young Machine é a publicação que todos consultam e ninguém, consegue ler. Porque é escrita em…, japonês. Há dias os nipónicos levantaram o rumor que a Honda estava a trabalhar numa versão 250cc da Africa Twin. Os caçadores de cliques não perderam nem um segundo e partiram rapidamente para a clássica “invenção”. Faz parte. E até é divertido, no fundo. O que sabemos, porque o passado nos ensina, é que em tempos tivemos uma (saudosa) Honda NX 250 que era uma verdadeira pequena africana e mais recentemente assistimos até a uma Honda XL 125 Varadero. O Rumor de uma CRF em versão 800cc mantém-se também activo – até neste texto. Mas nada se sabe para além da mera especulação. 

Nota final para dar conta do cancelamento do Salão de Tóquio agendado para Março de 2021 devido a atual crise sanitária.
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