sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Qual a verdade por detrás dos números de vítimas mortais onde intervém motas e ciclomotores?

Não há como dar a volta, este foi um dos temas do ano que agora finda. Em Abril passado deixei aqui (link) estas questões: "alguém se lembra de uma campanha de segurança rodoviária em que os motociclistas sejam protagonistas? Alguém se lembra de uma campanha de segurança rodoviária em que os motociclistas se vejam protegidos? Alguém se lembra de uma campanha de segurança rodoviária que alerte para a fragilidade dos motociclistas?".


O que foi feito? Nada!

Entretanto, aparentemente, a rapaziada da ANIECA, ACP, PRP e ANCIA têm-se entretido a comprar publicidade mascarada de jornalismo nos decrépitos e falidos jornais portugueses. Em dia de Natal, este (link) pedaço de lixo – não encontro outra forma de dizer isto – é o exemplo supremo.

A Comissão de Mototurismo da FPM tem feito (como sempre!) a nossa defesa enquanto motociclistas. Tomei a liberdade de compilar algumas dessas palavras, escritas na sua página no facebook, que seguem aqui em baixo em itálico e são credoras da vossa atenção.

Os índices de acidentes de moto têm sido alvo de alarmantes notícias em diversos órgãos de comunicação social nos últimos tempos. De uma forma desonesta (porque mente) e imoral (porque tenta tirar proveitos da desgraça), a ANCIA-Associação Nacional de Centros de Inspecção Automóvel está em cada “esquina” à espera dessas notícias e da oportunidade para argumentar que o que faz falta para diminuir o número de acidentes são as inspecções às motos…, quando todos sabem que apenas 0,3% dos acidentes de moto são provocados por falha mecânica; este é um dado baseado num estudo (MAIDS) apresentado por um professor do Instituto Superior Técnico e estudioso desta matéria, durante um colóquio promovido pela própria ANCIA. 

O problema da sinistralidade rodoviária existe e é transversal em termos de utentes das estradas mas, o que não podemos aceitar como motociclistas é que andem a tentar aproveitar-se disso para um negócio (inspecções) e que por detrás de cada notícia relacionada com o assunto venha a sistemática mensagem de que as motos são perigosas e “matam que se fartam”. As motos estão aí para ficar, porque cada vez mais são a melhor resposta, em termos de solução particular, aos crescentes problemas de mobilidade. Justamente por isso, as motos estão em Portugal a invadir os grandes centros urbanos numa escala ainda muito reduzida em comparação com o que se passa no resto da Europa Ocidental e até quase pelo Mundo inteiro. 

Afinal qual a verdade por trás dos números de vitais mortais onde intervém motas e ciclomotores? Fomos analisar números e esta tem sido a evolução dos últimos 23 anos em termos de vítimas mortais em acidentes com ciclomotores e motos: ano de 1995 – 610 mortes / 1996-564 / 1997-522 / 1998-488 / 1999-444 / 2000-348 / 2001-321 / 2002-298 / 2003-325 / 2004-265 / 2005-258 / 2006-205 / 2007-189 / 2008-164 / 2009-152 / 2010-187 / 2011-173 / 2012-161/ 2013-129 / 2014-134 / 2015-115 / 2016-103 / até Out 2017-110 mortes. 

Vamos agora ver a evolução dos números do nosso parque de duas rodas com motor nos últimos 10 anos: em 2007 venderam-se 17559 veículos e a evolução tem sempre sido contínua, pois em 2012 venderam-se 20418 e neste ano (2017) até Novembro venderam-se 26666. 

Assim, temos que a venda de motos CRESCEU 52% apenas entre 2007 e 2017. Em igual período (2007/2017) os acidentes com vítimas mortais de moto DECRESCEU 41% e só uma hecatombe motociclista durante estes dois últimos meses do ano poderia alterar este valor de forma significativa; o que não aconteceu. 

E agora, senhores jornalistas arautos da desgraça encomendada, como vão interpretar estes números? Números que até são da ANSR e da ACAP e que nos dizem que em 10 anos tivemos uma subida de 52% de venda de motos e uma diminuição de 41% de mortes na estrada. 

Significativo, se pensarmos ainda que grande percentagem das motos vendidas neste período são as tais 125cc compradas por automobilistas..., sim, aqueles que são apontados como os "grandes culpados" do alegado aumento da sinistralidade. Afinal vimos que não são porque nem sequer há esse aumento, bem pelo contrário. 

Perante estas evidências, obviamente que não podemos ficar indiferente a três situações: 1- que houve uma evolução muito positiva em termos de números de vítimas mortais de acidentes de moto nos últimos 23 anos; 2- que estes números ainda podem e devem baixar mais e que isso depende também muito de nós motociclistas; 3- que a campanha “alarmante” que está a acontecer nos órgãos de comunicação social em relação a este assunto, não é mais do que algo encomendado e bem orquestrado contra as motos e os motociclistas.

Posto isto, resta-me desejar que não nos falte, a nós motociclistas, vida e saúde para que no ano que agora começa seja possível, por um lado, combater a mentira organizada e, por outro, disfrutar livre e conscientemente dos veículos que amamos.

Boas curvas!

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

O mercado tem sempre razão (II)



Com o fim da MOTOCICLISMO (link) - pelo menos por agora e tal como a conhecíamos - perdemos, por exemplo, aquele pequeno resumo do que “ia fazendo” o Mercado. 

Com o ano a acabar e como o Escape deseja que não vos falte nada, aqui vos deixo os mais recentes números. Notem, estamos a falar de números oficias (ACAP) de vendas de motociclos + 125cc. 

Com o mercado a subir globalmente mais de 36%, o destaque vai para a líder Honda que vende quase tanto como Yamaha e BMW juntas. A Honda está a ter um 2017 espantoso e vende mais 50% que no ano anterior. Brilhante! 

Com crescimento relativo idêntico, encontramos Harley e Triumph, os seus responsáveis estão também de parabéns. A estas junta-se a Benelli que explode nos números absolutos e relativos, entranhando-se de forma algo surpreendente no top5. 

Sinal menos apenas para Yamaha e KTM. Sendo certo que incrementaram as suas vendas em pouco mais de dez por cento, certo é que são amplamente batidas pelo mercado. 

Volto às palavras que vos deixei aqui (link). Estes são os números, cotejem com as estratégias de marketing, pensem e tirem as vossas próprias conclusões. Eu já tirei as minhas, e não foram precipitadas.  

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O Escape no instagram





Sim. O Escape sempre foi um blogue e continuará a ser. Logo, vive da disponibilidade do seu autor. Sim, estive de férias. Sim, já voltei. E sim, “meteram-se” as Festas. 

No entanto, aproveitei para avançar com mais um “ratere” por essa Rede fora. O Instagram é, definitivamente, “A” Rede Social do momento. Há muito que o Escape merece ter a sua conta própria que se confundia até agora com a minha conta pessoal. 

Se, porventura, chegaram agora de outro planeta e não conhecem ou não usam por preguiça ou outra razão qualquer o instagram…, estão fora! É muito o motociclismo que atravessa o instagram a todo o momento. Merece a vossa atenção. 

Em fase de arranque o Escape está aqui (link). Usem, abusem, “assinem”, partilhem e divulguem, pois a ideia é ter por lá alguns conteúdos exclusivos. 

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O Escape está loucooo #3

Luvas. Adoro luvas. Se pudesse tinha uma gaveta em casa cheia delas. Uma para cada ocasião. Não é possível. É necessário fazer escolhas. 

Já há algum tempo que procurava umas luvas, digamos, “mais touring”. Esta viagem que vos vou contando por aqui (link) já foi feita com luvas desadequadas. Não podia esperar mais. 

Depois de alguma procura a escolha recaiu nestas Clover SW (link). Apesar de serem apresentadas como luvas de verão, parecem-me adequadas para uma utilização intensa durante grande parte do nosso ano. Confirmei isso mesmo nesta passeata (link) onde apanhámos alguma amplitude térmica. 

Se é certo que existem escolhas mais praticas e económicas para uma utilização urbana, certo é que as Clover SW se apresentaram de adaptação imediata, confortáveis e eficazes. Fica a dica…, até porque estamos a entrar na época natalícia, comprinhas e tal… 

Para além da loja on-line, podem encontrar as Clover SW na loja física da Rod’aventura a um preço de 89,99€.

Zé Pedro...


terça-feira, 28 de novembro de 2017

eCooltra à prova

O QUE É? 
A eCooltra - que deseja ser uma nova forma de mobilidade urbana – é um serviço de aluguer de motas eléctricas que está, desde a passada primavera, disponível na cidade de Lisboa, para qualquer pessoa com carta de condução válida. Espalhadas por toda a cidade (onde os últimos utilizadores as deixaram) – numa área que cobre a frente ribeirinha, de Algés ao Parque das Nações, e do rio Tejo ao Lumiar e aeroporto -, têm uma tarifa fixa, que inclui seguro, baterias carregadas, manutenção assegurada e dois capacetes. Custa 0,24 euros por minutos para uma franquia de 500 euros ou 0,29 euros para uma franquia de 99 euros. O aluguer das motas pode ser feito entre as seis da manhã e a meia-noite.


COMO FUNCIONA? 
Primeiro, é preciso descarregar a aplicação, gratuita e disponível para Android e iOS. No ecrã, aparece um mapa e a zona de utilização da eCooltra assinalada a azul. Como não existem locais fixos, a scooter pode ficar estacionada em qualquer lado, desde que dentro da zona de operação. Com georreferenciação é possível ver a mota que está mais próxima e reservá-la. Depois, tem 15 minutos para chegar à scooter e iniciar a viagem. O cancelamento não tem custos e assim que encontra a mota, pode desbloquear o assento para levantar o capacete. A mota liga-se (e desliga-se) através da aplicação, sem ser necessária uma chave. Quando o utilizador chega ao destino, e termina o serviço, o custo da viagem é debitado automaticamente no cartão de crédito ou débito indicado. As scooters têm autonomia para 45 quilómetros. A bateria é assegurada por uma equipa que anda num veículo com baterias carregadas, responsável pela sua substituição. 

PORQUE PRECISEI?
Na passada quinta-feira tive de me deslocar à Motocenter para conhecer estes pneus (link). Fui de PCX. Mas num ápice precisava de ter ali a CRF1000L para efectuar a montagem. Deixei a PCX na Motocenter e “apanhei” uma eCooltra que estava estacionada por ali perto. Vim a casa, larguei a eCooltra e levei a CRF1000L à oficina onde depois pude seguir a minha vida já de PCX. Quando fui levantar a CRF1000L, ao fim do dia de sexta-feira, fiz o percurso inverso. Este é apenas um exemplo prático. Quantas vezes no nosso dia-a-dia não precisamos de nos movimentar de forma rápida, dinâmica, económica e eficaz, no caos crescente do trânsito de Lisboa? 

A MINHA EXPRIÊNCIA 
A aplicação é intuitiva e funciona muito bem. O registo - que deve ser feito antecipadamente - foi fácil e rápido. As motas são lentas mas muito fáceis de conduzir. Nesta abordagem inicial ao serviço acabei por conduzir três diferentes eCooltra durante um total de vinte e cinco minutos. Apanhei de tudo em termos de manutenção, do excelente ao patético – a uma das motas faltavam pequenos pedaços e os espelhos estavam soltos o que pode comprometer a segurança. Confesso que esta primeira experiência foi altamente positiva. Porquê? Simples…, qual teria sido a alternativa para revolver o meu problema de deixar uma mota algures na cidade para ir buscar outra a casa? Transporte público colectivo? Taxi? Uber? A eCooltra não bate tudo isto. A eCooltra esmaga tudo isto! Mais…, mesmo para quem vem para a cidade numa mota de grande cilindrada e precisa de se descolocar de forma prática e rápida no centro histórico de Lisboa, a eCooltra poderá constituir-se como hipótese dada a sua facilidade de utilização e economia. A única coisa de que senti falta sempre que precisei de uma eCooltra foi de…, ter mais eCooltra’s, isto é, maior raio de acção do serviço e mais motinhas disponíveis.

POSSO EXPERIMENTAR GRATUITAMENTE?
Querem experimentar a eCooltra durante trinta minutos de forma totalmente gratuita? Usem por favor o código que está na imagem à direita aquando do vosso registo. Ganham vocês e ganha este vosso Escape. Agradecido.

[Parte deste texto vem adaptado daqui (link)].

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O Escape está loucooo #2

Quando criei aqui (link) esta rubrica, a ideia era escrever um pequeno texto sobre coisas e coisinhas que fossem adicionando felicidade à minha vida de motociclisata. Mas, como disse lá (link) eu não sou a Pipoca (link) e nem o motociclismo é o mundo cor-de-rosa onde algumas pessoas vivem (link) - nada contra, é simplesmente a cena delas. Assim, como a este Escape ninguém dá nada, tenho de poupar e juntar uns trocados se quero escrever um post assim, adiante. 

Vai-me chegando ao ouvido algum feedback menos positivo em relação à Motocenter. É natural. Quando se tem sucesso há sempre alguém que aparece insatisfeito. Reparem, é mesmo natural, porque o sucesso traz mais clientes – até aqueles chatos “como à porra” e que mais ninguém quer aturar – e que nunca ficam satisfeitos com nada nem em lado nenhum. Pois eu devo dizer que nunca confiei tanto em quem calça as minhas motas. 

Como disse aqui (link) na sequência desta noite (link) da passada quarta-feira, fiquei necessitado (“para ontem”) de uns pneus adaptados a outros pisos que não o alcatrão. Honestamente, nem fui ouvir mais opiniões do que aquelas que já tinha memorizado em relação ao tema. Na passada quinta-feira de manhã passei na Motocenter, falei com Ricardo e com o Francisco, aconselharam-me, deram-me preços e condições, pediram me a mota e…, apesar de uma serie de peripécia, na sexta-feira ao fim do dia estava a levantar a CRF 1000L com novo calçado. Há duas atitudes na vida: podemos estar do lado do problema ou do lado da solução. Na minha relação com a Motocenter tenho sentido que ela tem estado sempre do lado da solução. E eu gosto disso. 

A escolha recaiu sobre estes Mitas E07, pneu aparentemente de origem Checa – corrijam-me se estiver enganado, por favor. Ora bem, sendo a primeira vez que uso algo do género, não serei a pessoa indicada para fazer aqui uma “tese de doutoramento” sobre o tema. Ainda assim digo-vos que gostei destes primeiros (quase) trezentos quilómetros, uma boa parte deles fora de alcatrão. Adorei o pneu em pisos de terra duros com alguma pedra. Na lama pareceram-me muito maus, na areia preciso de aprender a lidar. No asfalto, depois de estranhar muito no início, acho que me estou a adaptar bem. 

Sabiam que os pneus são o elemento tecnológico mais evoluído das vossas motas? Já repararam que são eles e apenas eles que vos prendem ao solo? Pois…, informem-se, partilhem e divulguem. O tema pneus é inesgotável. E aqui devemos confiar em quem verdadeiramente sabe do assunto.

domingo, 26 de novembro de 2017

Qual o prazo de validade dos sonhos?

Desde que ando de mota (e já lá vão uns anitos) - provavelmente antes mesmo - que sonho sair por ai, fora do alcatrão. Queria tanto, tanto, que um dia comprei um livro que explicava ao leitor como ir de Lisboa ao Algarve fora de estrada. Foi há muito tempo. Era um livro publicado pelo Clube Aventura, acho. E mais não era do que uma espécie de roadbook. O livro perdeu-se, algures. O sonho de circular por maus caminhos não. Aqui e ali fui dando pequenos passos. Até fui a Marrocos um par de vezes. Da última delas aventurei me sozinho de Erfoud até perto de Merzouga. De Honda Pan-European. Absolutamente à rasca e sem grande prazer, confesso. O sonho foi sendo adiado. 

Nos últimos anos de Pan-European comecei a desejar uma mota mais polivalente. Optei então pela Crosstourer – aquela mota que até alguns dos proprietários que a veneram se vêm livres dela na primeira ocasião. Não me serviu, como sabem (link). Defeito meu, certamente 

A CRF já cá anda há pouco mais de um ano. Até já tinha escrito aqui (link) estar provavelmente no momento de parar de inventar desculpas e trocar de sapatos. Mas só agora me deixei atingir pelo “disparo”. Mais concretamente, nesta noite (link). Quinta-feira passada fui chagar a paciência dos senhores da Motocenter. Queria uns “cardados” para ontem – tema para futuro post. 

Ontem lá estava à hora marcada. Nas primeiras “dunas” verifico que não consigo andar. Sim, aqueles pedaços de areia para mim eram dunas tenebrosas. Esvaziámos os pneus. Seguem-se umas retas entre vinhas. Vinhas de onde vem aquilo que se chama “vinho de areia”. Mais dores de crescimento, foi o que senti. Finalmente terra firme e pedra solta. “Não tenhas medo”, gritava-me alguém enquanto por mim passava com uma roda para cada lado…, malditos sonhos… 

Lá chegamos a Santa Susana, devia ter acendido uma velinha. Um café e um cigarro depois, Pego do Altar ou seria Er Rachidia tal a secura. Fui-me soltando, levantando, acelerando, sorrindo… 

Foi uma manhã fantástica, de sonho tornado realidade. Comemorei. Eu os meus sete magníficos companheiros de aventura alentejana. Comemoramos com um belo repasto, na casa do senhor Coelho. Salada de polvo, fígado e pão alentejano do verdadeiro. Enguias fritas, queixadas estufadas e uma cabidela dos Deuses. Tarte de requeijão, maça assada e pudim. Chega? Não! 


“Agora vamos para Alcácer, fora de estrada”. Como é o caminho, pergunto. “Não sabemos”. Ninguém sabia. 

Estão a ver aquela foto lá em cima? Aproveitei uma pequena paragem do grupo para ir andando. Poucas centenas de metros depois estava sozinho. Desligo, desmonto, fotográfo e oiço o silêncio. E o silêncio pergunta-me: “Que terra magnifica é esta, onde à porta de casa podes cumprir os teus sonhos e ainda por cima de barriga cheia de comida caseira, excelente e em conta? Que terra magnífica é esta, onde à porta de casa podes encher a tua alma?”.

Se calhar ainda bem que não encontrei resposta. Voltei à estrada e minutos depois a CRF estava no chão. Só ela. A mim não me apeteceu cair. Havia muita lama. Faz parte, dizem. Mas desta parte nunca gosto. 

Quando regressámos ao cinzento e monótono asfalto já o sol se escondia a oeste. Reabaster e até à próxima, um abraço. Era tempo de “acordar” e voltar. 

Se leram até aqui foi porque gostaram do que leram. E seguramente preceberam que ontem senti-me vivo. Era só o que eu tinha para contar. 

Ah…, duas coisas. Primeira, obrigado a todos. Segunda, quero mais! Pois os sonhos não têm prazo de validade…

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Segunda Tertúlia do Escape

Uma vez mais, os sorrisos na imagem falam por mim.

A segunda Tertúlia do Escape voltou a surpreender. Mais Tertulianos, mais boa disposição, mais convívio, mais reencontros, mais desejos de passeios e petiscos. A Tertúlia cresceu tão rápido que nem me apercebi que paralelamente já havia malta a iniciar o convívio mais cedo, com um jantar nas proximidades. 


São estes os propósitos da Tertúlia do Escape. Fugir dos teclados, abandonar os afazeres diários, esquecer, por momentos, as obrigações e nos entregarmos ao prazer da conversa sobre a nossa paixão: o motociclismo. 

Muito obrigado a todos os presentes. Em especial ao Paulo Moniz e à Rod’aventura por nos saber receber tão bem, fazendo-nos sentir em casa. 

A Tertúlia do Escape voltará em breve. Provavelmente algures no inicio do próximo ano. Já não falta muito. Até lá: andemos de mota!

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Tertúlias do Escape – edição Outono

Tertúlia. É, na sua essência, uma reunião de amigos, familiares ou simplesmente frequentadores de um local, que se juntam de forma mais ou menos regular, para discutir vários temas e assuntos.

Nas Tertúlias do Escape pretende-se discutir motas, motociclismo e viagens. À maneira antiga. Longe dos teclados, cara a cara e com uma cafezada por companhia. 

A primeira Tertúlia do Escape, aconteceu no fim do Verão e foi um momento muito engraçado, como podem ler aqui (link). Bebeu-se, confortavelmente, um copo, recordaram-se velhos tempos e os tertulianos desafiaram-se mutuamente para novas curvas e petiscos. 

A segunda Tertúlia do Escape vai acontecer já na próxima quarta-feira dia 22 de Novembro, a partir das 20h30 no Espaço Rod’aventura, Avenida da Quinta Grande nº10-A, 2610-159 Alfragide. 


A Rod’aventura assume-se, cada vez mais, como uma loja de acessórios de excelência e referência na Grande Lisboa. Mas quer ser bem mais do que isso. Um Espaço onde os motociclistas se podem reunir confortavelmente. 

Estão todos convidados. No dia 22 de Novembro, todos são bem-vindos!

domingo, 19 de novembro de 2017

Honda X-ADV à prova

Ufffff…, a espera terminou, enfim. Desde que soubemos, oficialmente, que a Honda City Adventure entraria em produção com o nome de X-ADV (link) que esperávamos este momento: provar aquela que (com base nesta – link) dá novo significado à actividade de andar de mota; ou por palavras menos interessantes, aquela mota que inaugura um novo segmento. Convenhamos…, não e todos os dias. 

A Honda é assim. Onde se mete, geralmente é de forma inovadora, com qualidade e para vencer. É a história da marca que o afirma. Estranham-na? Mais tarde vão entranha-la…

“Espera, estou a olhar para aquela mota nova da Honda, a X-ADV, é bem gira, é a primeira que estou a ver”, dizia um jovem adulto, em conversa ao telemóvel, junto a um dos milhões de semáforos lisboetas. Para início de conversa, podemos dizer que a X-ADV é assim, tem aquele charme das coisas novas. Desperta! 

Passou um ano desde que foi apresentada em Milão e a Honda X-ADV contínua sem rival. (também) Por isso apreciamo-la antes de a conduzir. As suas linhas angulosas transpiram qualidade; o braço oscilante, os elementos vindos de classes superiores, suspensões, travões, plásticos e afins. Tudo solido e bonito, no gosto deste Escape. Até a “digitalidade” dos instrumentos conquistam este vosso escriba conservador: eficazes! 

Dinamicamente, depressa nos sentimos a conduzir em cima do eixo dianteiro. “Uauuuu…, isto não é uma mota!!!!” exclamamos aos primeiros metros. É uma posição de condução de mais ou menos ataque, dependendo se nos queremos posicionar mais junto à parte dianteira do banco. Mas é sempre de ataque. E isso reflecte-se na condução. Não são necessários muitos quilómetros para sabermos que existe um denominador comum quando rodamos na Honda X-ADV; fun, fun e mais fun

Quer na cidade quer na estrada duas notas se destacam: equilíbrio e polivalência. Equilíbrio mesmo a muito baixa velocidade, o que facilita muito o uso diário, aquelas pequenas manobras e a luta no trânsito. Polivalência, porque facilmente a suavidade dá lugar à eficácia de toda a ciclística quando passamos para a estrada e exigimos do conjunto.

Por falar em ciclística, é tudo tão certo e afinado que até ficámos com a sensação que existe aqui algum sobredimensionamento ou…, será um simples desejo de mais motor? Já agora o Escape deseja também que as marcas investiam um pouco mais na qualidade dos pneumáticos com que entregam as motas aos seus clientes. 

No mais…, ficámos com ganas de explorar mais e melhor aquelas geometria e aquelas rodinhas simpáticas fora de estrada. As pequenas incursões realizadas revelaram que ai, por maus caminhos, a X-ADV (sem ser uma “cabra do monte”) pode revelar todo o seu gigante potencial de puro gozo. 

A Honda pede 11.500€ para retirar das suas instalações esta “pearl glare white”. Por sua vez, os 55 CV e 68 Nm da jovem aventureira da Honda - que como as miúdas interessantes não vai para o céu mas vai a todo o lado - reclamaram 4,2 litros por cem quilómetros de irreverência e personalidade.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Todos os dias são bons dias para… (VI)

Hoje não é um dia qualquer. É Dia Internacional da Tolerância, Dia Mundial da Filosofia, Dia de Santa Gertrudes e, last but not least, Dia Nacional do Mar. 

Hoje decorrem várias iniciativas em Portugal tendo em vista mostrar a importância do mar para a economia e para o desenvolvimento nacional. O mar assume uma importância estratégica para Portugal, sendo um sector vital para a economia portuguesa e para o produto interno bruto (PIB). De acordo com dados divulgados em 2013, o mar português dá trabalho a 100 mil pessoas e representa uma riqueza anual de 8 mil milhões de euros. 

A celebração do Dia Nacional do Mar teve origem na "Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar", que entrou em vigor a 16 de Novembro de 1994. Portugal ratificou o documento em 1997. Esta convenção é fundamental pois é a partir dela que são estabelecidos, entre outros, os limites marítimos inerentes à Zona Económica Exclusiva e à Plataforma Continental. 

Portugal é um país fortemente ligado ao mar, ficando marcado para a posterioridade como o país dos Descobrimentos marítimos. 

Todos os dias são bons dias para andar de mota. Celebremos. No seu dia nacional, hoje teremos mais um dia em modo "verão de São Martinho". Celebremos então. Com um passeio de mota junto ao azul do mar. Se possível, de cabelos ao vento.

domingo, 12 de novembro de 2017

RoadMiles Sul: suave outono

Na passada primavera, nascia entre nós um novo conceito de mototurismo: RoadMiles, percurso de navegação a roadbook, podendo ser efectuado a solo ou em pequenos grupos, com o objectivo de realizar num só dia as 300 ou 500 milhas propostas; percurso este escolhido criteriosamente pela organização, em função da sua beleza paisagística, histórica e cultural. A primeira edição do RoadMiles, um sucesso instantâneo, decorreu na zona centro e pode ser recordada aqui (link), aqui (link) e até aqui (link). 

Já em pleno Outono, o Rui, o Luis e o Jorge decidiram convocar todos os “roadmilers” para rumar a Sul. E como a sorte protege os audazes, as dezenas de mototuristas que aceitaram o desafio, reencontraram o tempo primaveril que nos tinha acompanhado pela outrora verdejante região centro de Portugal. 

Já sabemos, o Roadmiles não é para todos mas apenas para aqueles que amam verdadeiramente andar de mota; e depois do acolhimento na noite de sexta-feira no excelente Balaia Golf Village, junto a Albufeira, a manhã de sábado começou bem antes do sol nascer. 


Sol a bater nos retrovisores da Honda CRF 1000L Africa Twin (versão caixa de velocidades século XX) enquanto rumava à Ponta de Sagres para umas fotos, foi uma das imagens que retive deste RoadMiles Sul. 

Se esta primeira madrugadora centena de quilómetros, pelo coração do litoral algravio, não impressionou os mototuristas, tudo mudaria a partir daqui com novo rumo: Norte pela N268. 

Ultrapassada que foi Vila do Bispo, nunca mais tivemos sossego. Foi um sumptuoso banquete pelas melhores estradas do Algarve e até do Baixo Alentejo. Um exemplo: conhecem o troço da N267 entre Monchique e São Marcos da Serra? Não? Nunca precisaram de lá passar, certo? Pois não imaginam o que perdem. É este um dos trunfos do Roadmiles, dar-nos a conhecer algumas das nossas melhores estradas perdidas nas “traseiras” do nosso Portugal. 

O desafio decorreu de forma perfeita com gente animada e motivada para cumprir os seus objectivos, como podemos constatar em CP2, Ameixial, no coração da Serra do Caldeirão, pontuada por um dos melhores troços da clássica N2. O Roadmiles também é isto, cada qual traça o seu “goal” sendo que este passa pela superação pessoal. 

Se fomos para a estrada sem sol e este beijou, ao nascer, os nossos espelhos, agora que era tempo de regressar ao “Quartel General”, o sol caia lá no Ocidente deixando aquele dourado do Sul nas nossas memórias. 

O Roadmiles para além de desafio e superação pessoal é um excelente produtor de boas memórias. A “loucura” da Regularidade foi ganha, nas 300 milhas, pelo Team Triumph (Luis Silva e Filipe Mafaldo), acompanhados pela Honda do Jose Gorgulho. Estes rapazes são "irritantemente" regulares, ao ponto dos erros de navegação se aproximarem do zero. Já nas 500, Tiago Mendes e a sua Yamaha formaram o conjunto mais regular 

O Roadmiles nasceu este ano e promete crescer em 2018. Reservem já o fim-de-semana de 14 e 15 de Abril para uma visita às melhores estradas da zona norte de Portugal. 

NOTA (também pessoal): Este texto, ou um idêntico, só é possível porque aceitei o convite da MOTOCICLISMO para rumar a Sul. Fiz um esforço enorme, por motivos profissionais, para aceitar estar presente na segunda edição do Roadmiles. É com muita pena, muita mesmo, que ele não passa deste Blogue. A vida é isto…, não é por acaso que o velho Churchill está omnipresente neste Escape: “o sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiamo”.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Mais mudanças ou uma caixa completa

Primeira: é oficial, a comunicação social - falamos de motociclismo, obviamente - está definitivamente a mudar. 

Segunda: alguém, do qual não memorizei o nome – peço desculpa – abespinhava-se há uns dias na página FB (link) que suporta este Escape que…, sim senhora, o mesmo é muito bom mas é patrocinado. Errado! Aqui não há publicidade. Aqui há apenas paixão. Paixão que rima com “quem me dera ser patrocinado e estar neste momento em Milão”. 

Terceira: este Escape humilde é, mas não é parvo. E, aqueles (poucos, eu sei) que estiverem atentos aos detalhes, reconhecerão que aquilo que tem sido feito por aqui, e na tal página de FB citada, tem vindo a influenciar algumas das coisas que vão sendo apresentadas por ai de forma diferente. 

Quarta: temos um novo meio! Eu não disse que estávamos a mudar? Motopt (link). O site (ou a pagina – não faço ideia como querem ser chamados) que se assume como “uma equipa de sonho” defende que “as motos são muito mais que uma paixão para nós, são um estilo de vida” e que “(…) dará diariamente a melhor e mais completa informação sobre a moto, na sua vertente de comércio e industria, desportiva e de culto” (link). 

Quinta: feito por alguns motociclistas de longa data, entre eles o meu querido amigo e compagnon de route Marcos Leal, não espero mais do que o melhor entre o que se faz “em rede”. Para mim a fasquia está elevadíssima. Enrolem o punho! 

Sexta, a fundo. Alguns comentários que li, na “rede social do lado, a este post (link) são absolutamente lamentáveis. Não vou responder diretamente. Somos motociclistas. Supostamente gente inteligente, mais inteligente. Gente liberal e arejada. Gente solidária e respeitadora. Gente que se assume apaixonada e com um estilo de vida - como se viu acima. Consumam pois informação nossa. Feita por nós. Em português. Partilhem, comentem e divulguem. Paguem, se for o caso por tal informação. Suportem. Apoiem. Sejam exigentes. Sejam honestos. E andem de mota…

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Limalhas de História #46 – 6 de Novembro de 2011

Bicampeão (1990 e 1991) nas 125cc (Honda). Campeão (1998) nas 250cc (Aprilia). Doze temporadas entre 500cc e MotoGP, sem títulos e com apenas oito magras vitórias. Vinte e dois anos é muito tempo? Não sabemos, mas tudo tem um fim… 


Faz hoje exactamente seis anos. Gran Premio Generali de la Comunitat Valenciana, última ronda da Temporada 2011. Aos comandos de uma Ducati, Loris Capirossi despede-se da Velocidade ao mais alto nível. E nesta “última valsa” troca o seu eterno dorsal #65 pelo #58 do malogrado Marco Simoncelli. Emocionante!

sábado, 4 de novembro de 2017

Será este o último número da MOTOCICLISMO?

Aqui está um texto que nunca pensei vir a escrever. Mas…, de nada vale esconder a cabeça na areia. 

O Escape sabe que este pode mesmo ser o fim. Jornalistas e colaboradores não estão a ser pagos. As máquinas estão paradas. Os mais atentos já terão reparado que o on-line não está a ser actualizado. Dezembro de 2017 será o primeiro mês sem MOTOCICLISMO nas bancas desde o distante Maio de 1991. 

As causas que aqui nos conduziram são múltiplas e de ordem diversa. Porventura, não será este o tempo para discutir o assunto. Este é o tempo de enviar um forte abraço a todos os meus amigos que com elevado esforço e dedicação têm levado a revista às costas nestes últimos meses (anos!!). 

Com maior ou menor dificuldade a MOTOCICLSIMO, e o grupo que a editava, ultrapassou a pior fase da crise económico-financeira. Paradoxalmente, ameaça cair quando o Mercado das maquinas que amamos vive um momento absolutamente áureo que só não bate os gloriosos anos 90. Como tal este é também o tempo de apelar ao esforço de todos, nomeadamente marcas e leitores, para que seja possível salvar este ícone da comunicação social especializada.

Não há muito mais a dizer neste momento. Um momento, muito, muito triste.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Pela “Route des Grandes Alpes” (VIII)

A sétima jornada da viagem foi de sossego e descanso, como puderam ler aqui (link). 

Com um último delicioso expresso italiano e os olhos no Maggiore despedi-me da bela Itália. 

O dia começava com o regresso fugaz a estradas helvéticas e a passagem pelo pouco interessante, em termos de condução, Simplonpass. A descida para Brig convidada a esquecer o roadbook e rumar novamente ao diamante das estradas apaixonantes (link). Não era possível, havia que seguir as águas cristalinas do rio Ródano e apreciar aquele vale sumptuoso do cantão suíço do Valais. 

Brig, Sion e Martigny depressa ficaram para trás. A despedida helvética fez-se no magnífico Col de la Forclaz. As boas vindas aos alpes franceses foram me dadas pelo Col de Montets já no “Département de la Haute-Savoie”. 

Foi um dia solarengo, rápido e fácil que permitiu um almoço tranquilo na bela estância francesa de Chamonix que mira cá de baixo, temeraria, o imponente Monte Branco. Um dos dias mais tranquilos desta incursão alpina. Descobrir e percorrer a “Route des Grandes Alpes” começava “já amanhã”.

domingo, 22 de outubro de 2017

RoadMiles Sul: duro e espetacular!

Ponta de Sagres 9 da manhã, a quente luz matinal a aquecer o RoadMiles
Após a edição inaugural em abril passado (link), a fasquia do mais recente desafio mototuristico de navegação a roadbook estava altíssima. Iria a organização conseguir replicar a Sul o sucesso do primeiro evento? 

Este Escape teve novamente a sorte de estar presente, mas não quer adiantar muito ao que podem ler na MOTOCICLISMO do próximo mês de Dezembro. Ainda assim, deixem-me sublinhar já que o sucesso da primeira edição veio para ficar! 

No final, a opinião geral dos “repetentes” era de que no Algarve encontramos um desafio mais técnico do que na zona centro mas que a espetacularidade se manteve. Já os “caloiros” acabaram, ontem à noite, em modo “choque e espanto”. Hoje de manhã, após o merecido descanso, já sorriam e prometiam voltar. Imagino como se sentem agora já em casa: “…, falta muito para o próximo?”. O RoadMiles é isto, não deixa ninguém indiferente. 

Agora é só esperar pela MOTOCICLSIMO de Dezembro para quem não foi ler o que perdeu. E para quem foi recordar o inesquecível fim-de-semana que viveu.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Limalhas de História #45 – 9 de Outubro de 1994


Terceiro, primeiro, segundo. Primeiro, primeiro, primeiro, primeiro, primeiro, primeiro. Segundo, primeiro, terceiro, primeiro e, finalmente, segundo. Eishhhhh…, incrível. Cuidado! Se pensam que já leram isto aqui (link) estão enganados. Reparem… 

Faz hoje exactamente vinte e três anos. European Motorcycle Grand Prix, Circuito da Catalunha, Montmeló, arredores de Barcelona. Mick Doohan leva a NSR500 Honda-HRC ao segundo lugar logo atrás de Luca Cadalora e confirma o seu primeiro título mundial, fazendo pódio em todasssssss as corridas da época. Brutal!

domingo, 8 de outubro de 2017

Pela “Route des Grandes Alpes” (VII)

A jornada que aqui (link) vos contei, estava longe de terminar em Andermatt – basta soletrear esta palavra para me sentir no sonho da viagem… 

Oberalpass ainda surgia no menu do dia. Tal como a perigosa descida para Disentis/Múster bem como o Lukemanierpass, onde nunca tinha passado mas onde também não deixei grande saudade. 

A saída desta riquíssima secção do Templo Alpino fez-se para sul (aí quem me dera…, o teletransporte em sentido contrário no momento em que escrevo estas palavras), regressando ao trânsito, tempo quente e estradas rápidas. 

Despedia-me, até breve, da Suíça por Locarno e beijava o Lago Maggiore um pouco mais a frente. 

O dia seguinte seria passado, em terras transalpinas (literalmente) a digerir o sumptuoso banquete da primeira incursão na alta montanha. Entre mergulhos no Maggiore e no vizinho Lago d’Orta. Entre pizza em forno de lenha, sauvignon blac italiano e Limoncello fresquinho. Tudo algures entre o triângulo Orta San Giulio, Stresa e Arona. O Lago d’Orta é amiúde esquecido pelo viajante. O que faz dele, da sua Isola San Giulio e do Sacro Monte Orta, locais ideais para fugir à multidão de turistas apressados e ao calor húmido - por vezes quase sufocante que invade estas paragens nos meses de verão. 

A próxima etapa corria para Ocidente; tempo de iniciar os preparativos finais para o ataque ao conjunto de estradas que me tinham trazido estrada fora (link): Descobrir e percorrer a “Route des Grandes Alpes”.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Motos de Portugal na Casa do Design em Matosinhos

A Casa do Design, em Matosinhos recebe desde 21 de setembro e até ao fim do ano a exposição "Motos de Portugal", apresentando uma visão da produção nacional de motociclos, enquadrada na história do século XX em Portugal e no Mundo. 

"Motos de Portugal" terá em exposição algumas das mais míticas motorizadas de fabrico português, desde a Casal Boss, SIS Sachs Andorinha, Confersil Dina 104, Macal, Famel Zundapp GT25, Vilar, V5 ou Cinal Pachancho, assim como catálogos, cartazes, vídeos, documentos e fotos de época.

Durante a exposição, um programa de atividades paralelas irá permitir interações com especialistas, colecionadores, autores e intervenientes da indústria nacional, referiu o mesmo documento. 

Com curadoria de Emanuel Barbosa, 'designer' e docente da Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos, a mostra pretende recordar a produção nacional de motociclos e ciclomotores, através da criação de um percurso ao longo do tempo, e proporcionar uma visão panorâmica das características destes veículos e da sua utilização. 

Pensada como uma experiência cultural, a exposição assume-se também como um reflexo da evolução da sociedade portuguesa e do desenho de produto que presidiu à conceção e divulgação de um conjunto de máquinas que marcaram "indelevelmente" o quotidiano de várias gerações e a sociedade contemporânea. 

Organizada pela Câmara Municipal de Matosinhos e pela ESAD IDEA, Investigação em Design e Arte, a "Motos de Portugal" apresenta as motorizadas nacionais enquanto veículos de lazer e de trabalho, exercício tecnológico e utensílios indispensáveis ao desempenho de atividades essenciais à sobrevivência das populações. 

A Casa do Design Matosinhos, que pretende afirmar-se como um espaço central de exposição, divulgação e produção crítica de conhecimento em design, com um enfoque no design português, está aberta de segunda a sexta-feira, das 09:00 às 12:30 e das 14:00 às 17:30 e, aos sábados, das 15:00 às 18:00. 

[Cá no Escape somos pobrezinhos mas honestos; o texto vai em itálico pois adapta uma notícia da Lusa reproduzida aqui (link) pelo DN; a imagem que acompanha o post foi “gamada” na página de facebook de Osvaldo Garcia, a quem peço desculpa pelo roubo descarado e assumido]

Saca! #29



segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Pela “Route des Grandes Alpes” (VI)

Depois de um dia no carrossel magico alpino (link) nada melhor do que um segundo dia…, no carrossel mágico alpino. Após tanto “trabalho” para aqui chegar, era tempo de desfrutar em pleno de cada passagem de montanha, cada curva, cada milímetro de asfalto épico. 

O dia começou bem cedo com a ascensão ao ainda hoje pouco conhecido Nufenenpass, descida para Ulrichen, subida para Gletsch e ascensão ao Grimselpass (sim, outra vez, desta feita de sul para norte). O carrossel continuava…, descida fantástica até Innertkichen e subida ao sumptuoso Sustenpass. 

A subida ao Sustenpass acabou por ser, sem dúvida, um dos pontos altos desta viagem alpina. Da única vez que por aqui tinha passado fiz a subida em sentido contrário. Desta vez, da vertente ocidental para a vertente oriental da montanha, pude extrair o máximo de gozo na condução. Ao segundo dia de alta montanha, muito mais adaptado ao estranho (pelo menos para mim) eixo dianteiro da Honda CRF 1000L Africa Twin DCT, todos os esforços para estar ali, nos Alpes, naquele momento, pareciam fazer sentido. 

“Apenas” com Nufenen, Grimesel e Susten no papo, o dia estava plenamente ganho. Enquanto subia de Wassen para nova passagem pela mágica vila de Andermatt (que parece estar a ser consumida por um crescente turismo de inverno) uma certa nostalgia apoderava-se de mim, pela primeira vez, nesta viagem. 

O diamante das estradas apaixonantes tinha sido uma vez mais vagamente polido pela borracha de um motociclo por mim conduzido. Para quem ama verdadeiramente andar de mota este é local: Suíça Central.

Sabemos quando estamos, nunca sabemos se e quando voltamos.

sábado, 30 de setembro de 2017

Dessas e das outras #50


Meia centena de infinitas boas curvas comemorada com classe. Imagem de uma motociclista portuguesa, aos comandos de uma máquina de um construtor icónico, maquina essa a passear nas ruas de Lisboa no DGR do passado domingo. O click é do Mestre Manuel Portugal (link).

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Limalhas de História #44 – 27 de Setembro de 1987

Há trinta anos o Mundial de Velocidade decidiu começar a tentar falar português. Mas a etapa portuguesa foi parar aos arredores de Madrid e a etapa brasileira ao meio do mato bem no centro do país. 

Faz hoje exactamente trinta anos. Brasilian Motorcycle Grand Prix, Goiânia, Estado de Goiás. Hoje, Autódromo Internacional Ayrton Senna. O Brasil teve de esperar pela segunda metade dos anos oitenta para ver de perto, talvez demasiado perto no caso da imagem, o Mundial de Velocidade. Wayne Gardner vence na sua NSR500 Rothmans Honda-HRC e leva para Wollongong, Nova Gales do Sul, o primeiro título australiano na Classe Rainha.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Triumph Bonneville Bobber à prova

Mas que raio. Tenho uma Bonneville Bobber lá em baixo parada. Quase que a consigo ouvir, “anda, leva-me a passear…”. Irresistível. E se eu trocasse a habitual tasca da esquina com as caras do costume, a comida de sempre…, por um rápido e animado “luch ride”?!? 

Não é tarde nem é cedo…, rumo ao Oeste próximo, às suas encostas tingidas de outono e ao seu asfalto apetitoso. Esta é a pequena história de uma hora de almoço diferente. 


Visão, a nossa janela para o mundo. A Bobber não deixa ninguém indiferente, quanto mais a nós, motociclistas. As pessoas param, espreitam, questionam. Há muito que não era tantas vezes abordado na rua por causa de uma mota. Até as miúdas, no trânsito, sorriem e deitam um olhar traquina. A primeira coisa a fazer é então olhar para a Triumph Bonneville Bobber, para os seus detalhes, aqueles todos que já ouviram falar numa qualquer revista de motas e que eu não vou aqui repetir. Visão, a Bobber pede que olhemos para ela com olhos de olhar, sempre e imediatamente antes de a colocar a trabalhar. 

Audição, a percepção do som pelo ouvido. Após a visão este é o segundo sentido barbaramente estimulado pela Bonneville Bobber. Desde o suave ralenti até ao grito rouco lá junto as 6000 rpm, onde chega a potência máxima, passando por todas as rotações intermédias, o duplo escape da Bobber delicia, encanta mesmo. 

Tato, percepção resultante da activação de receptores neuronais. Apesar da sua longaaaaaaaaa distancia entre eixos, devido ao seu baixo centro de gravidade e equilíbrio generalizado, rapidamente a Triumph Bonneville Bobber se desenvencilhou do trânsito de uma Lisboa agora em permanente hora de ponta. Já na A8, rumo a Loures, “meto uma abaixo”, tranco o acelerador electrónico, arqueio me ligeiramente, fecho um pouco os braços e aperto as pernas no suave deposito. Tais estímulos são transformados em impulsos nervosos e enviados ao sistema nervoso central, no qual são interpretados e respondidos. Interpretados como prazer, respondidos com um largo sorriso. É uma experiencia de quase-sensualidade. A Bobber ronca, rapidamente coloca o binário máximo de cerca de 100Nm no chão, vibra um pouco ao ultrapassar as 5000 rpm e empurra-me contar o vento…, ah…, deliciaaaaa….! 


Olfato, podemos adivinhar o que está ao nosso redor apenas pelo cheiro do ar que respiramos. Abandono a auto-estrada e no Fanqueiro tomo a N374. Em Sete Casas o trânsito desaparece e a Bonneville Bobber rapidamente engole a subida até Montachique e as suaves curvas até perto da Granja, onde rumo a umas vielas ingremes que me levam ao encontro do Sobral de Monte Agraço. Já perto da delícia referenciada por N115 detenho-me. Tiro o capacete. Acerto o enquadramento. Fotografo. Fecho os olhos. Cheira a restolho, a restolho da vinha por aqueles dias vindimada. 

Quedo-me. Miro as cercanias. Oiço a passarada e um cavalo que por ali perto, preso, relincha. Toco as ervas à beira da estrada. E encho os pulmões de ar limpo. Quedo-me de novo e repito o processo sensorial já com os 1200cc do bicilíndrico paralelo em funcionamento. 

O regresso faz-se pela N115, a tal delicia tão negligenciada pelos motociclistas da capital. Não é sequer necessário procurar os limites da Triumph Bonneville Bobber para dela recolher prazer, até porque a travagem é apenas clássica, estado longe de ser moderna; é eficaz mas requer alguma adaptação. Assim, basta um ritmo certo, vivo, por vezes estimulado outras mais pausado…, não sei se me faço entender.

Para os mais atentos à leitura…, visão, audição, tato, olfacto, falta um sentido. E o paladar? Agora é que arranjei um problema… 

Paladar, mesmo com os olhos vendados e o nariz tapado, somos capazes de identificar um alimento que é colocado dentro de nossa boca. Esta Bobber não se trinca nem enche a barriga mas alimenta a alma de uma forma extraordinária. Os 77 CV reclamaram 4,8 litros por cem quilómetros de estilo e sedução, pedindo a Triumph Portugal 12.900.00€ para a retirar do stand. Honestamente, se os pudesse dar, seriam dos euros mais bem empregues da minha vida.

domingo, 24 de setembro de 2017

“And now for something completely different!” ou nem tanto

Nos últimos dias, semanas, têm sido muitas as palavras simpáticas e elogiosas que tenho recebido pelo trabalho que vou publicando aqui no Escape. Obrigado a todos, são esses "rateres" positivos que me vão dando combustível para o motor continuar a pulsar.

Do outro lado da moeda vem, quase sempre, a ideia que o Escape tem um lindo rugido mas a sua forma precisa de ser revista e melhorada. 

Não é tarefa fácil, confesso. Em resumo: a plataforma blogger desilude, a mudança para o Sapo não adicionaria muito mais, WordPress é uma hipótese mas não domino, alojamento próprio e desenho personalizado, bem, enfim, o Escape não tem receitas próprias, como sabem. 

Aqui chegados, basta de lamúrias e vamos lá tentar algo diferente. O possível. E o possível passa por esta Hyde Octavia BMW X Challenge. Quem? 

A Octavia é uma Café Racer de aspecto futurista baseada na BMW G650 X Challenge e no seu comprovado monocilíndrico Rotax, construída pelo estúdio Hyde Designs, localizado em Cape Town, Africa do Sul (link). 


A imagem é do também sul-africano fotógrafo e motociclista, Davin Paisley (link) e mostra-nos um “night ride” da modelo Sanela Bozic. 

Espero que ninguém se zangue lá no hemisfério sul mas…, a boa da Sanela fotografada pelo David a passear na noite da Cidade do Cabo com a exclusiva Hyde Octavia BMW X Challenge, fica a encabeçar este vosso Escape.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Primeira Tertúlia do Escape

Os sorrisos na imagem falam por mim. 


A primeira Tertúlia do Escape foi surpreendentemente ecléctica e juntou velhos amigos, companheiros de estrada, a malta nova que mal conheço. Velhos Lobos da Estrada a Novos Aventureiros. Foi muito bom! Bebeu-se, confortavelmente, um copo, recordaram-se velhos tempos e desafiamo-nos mutuamente para novas curvas e petiscos. 

Só posso agradecer. Primeiro, ao Paulo Moniz por ter aberto a sua Casa e a todos ter recebido com a sua habitual simpatia e hospitalidade. Depois, a todos aqueles que apesar do trabalho e vida familiar lá conseguiram arranjar um bocadinho para partilhar vida à volta das motas, motociclismo e viagens. Muito obrigado! 

A Tertúlia do Escape voltará em breve.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Nova Yamaha X-MAX 125

Um dia usei a seguinte frase, hoje repito-a. 

Isto não é um post. É um comunicado de imprensa, boletim de imprensa ou press release, como lhe quiserem chamar. Uma comunicação feita por um indivíduo ou organização visando divulgar uma notícia ou um acontecimento (ao qual fiz o corte e costura que achei mais conveniente). É apenas o que a Yamaha tem para oferecer aos leitores do Escape… 


Para 2018, a nova X-MAX 125 dispõe de um design ainda mais dinâmico que foi inspirado na última geração dos modelos X-MAX 300 e X-MAX 400. Os faróis LED duplos desportivos e as luzes de presença LED sublinham o visual imponente da família MAX, e a sensação de alta qualidade é complementada pela instalação de luzes traseiras e luzes de mínimos LED. 

Juntamente com a respectiva iluminação LED e um novo sistema de controlo da tração, bem como uma prática ignição sem chave Smart Key, a X-MAX 125 de 2018 oferece mais do que nunca - dando a cada condutor a oportunidade de começar com o melhor. 

A fim de oferecer a cada condutor o máximo de controlo em condições variáveis, a nova X-MAX 125 está equipada com um sistema de controlo de tração (TCS) como parte do equipamento de série. Os sensores electrónicos monitorizam constantemente a roda traseira, e se for detectada qualquer derrapagem, o sistema reduz imediatamente a potência até as rodas recuperarem a tração. 

O TCS electrónico utilizado na X-MAX 125 é semelhante ao sistema utilizado nos modelos X-MAX 300 e X-MAX 400, e ao aumentar o controlo e a estabilidade em condições de piso molhado ou escorregadio, reforça a confiança do condutor. 

No coração desta scooter desportiva existe um motor monocilíndrico de 125 cc SOHC a 4 tempos com refrigeração líquida em conformidade com a norma EU4 que dá à X-MAX 125 uma aceleração dinâmica rápida em semáforos - juntamente com uma velocidade de cruzeiro elevada em auto-estradas ou estradas circulares. 

A sua transmissão V-belt (trapezoidal) totalmente automática proporciona uma aceleração "twist and go" perfeita - e o funcionamento extremamente silencioso e o baixo consumo de combustível do motor com injecção de combustível torna a X-MAX 125 a scooter ideal para deslocação urbana e suburbana. 

A X-MAX 125 está equipada com suspensão dianteira telescópica tipo moto que fornece uma ação de suspensão suave e controlável, tornando esta scooter de especificações de alta qualidade uma das scooters com melhor performance desportiva na categoria. Equipada com uma leve roda dianteira de 15 polegadas, esta suspensão dianteira de 110 mm ajuda a absorver os impactos para proporcionar uma condução suave e confiante na cidade e na auto-estrada - e também garante o máximo conforto e controlo nas travagens e nas curvas. 

Para tornar cada viagem ainda mais conveniente e agradável, a X-MAX 125 inclui um novo sistema de ignição sem chave Smart Key. Este sistema eletrónico inteligente permite-lhe ativar a ignição sem ter de encontrar e colocar as chaves na ignição. 

Desde que tenha a Smart Key consigo, poderá ligar a X-MAX 125 da forma habitual, poupando tempo precioso. Esse é outro componente tecnológico que foi concebido para ajudar a tornar cada viagem mais tranquila - e, se necessário, os condutores da X-MAX 125 também podem optar por desligar a Smart Key. 

A X-MAX 125 mais recente tem uma das maiores capacidades de carga na sua classe, e no modelo de 2018 é possível guardar 2 capacetes integrais por baixo do banco. Com uma luz útil, este compartimento de armazenamento generoso por baixo do banco salienta o carácter prático e funcional da X-MAX 125 no dia-a-dia. Independentemente do que necessita de transportar, a X-MAX 125 oferece um dos maiores espaços de arrumação na categoria - e se precisar de ter ainda mais, pode montar uma das malas Top Case genuínas da Yamaha. 

Nas cores Radical Red, Sonic Grey, Phantom Blue e Blazing Grey estará disponível já no próximo mês de Outubro.

Ufff.., digo eu.

Limalhas de História #43 – 20 de Setembro de 2003

Pedrosa, de Angelis, Barberá, Perugini, Dovizioso, Stoner, Cecchinello, Kalio, Bautista, Simoncelli e até um “rapaz do meu tempo” chamado Emilio Alzamora. O que terá toda esta gente ilustre em comum? Tal como Lorenzo disputaram o mundial de 125cc no ano da graça de 2003 


Faz hoje exactamente catorze anos. Cinzano Rio Grand Prix, Autódromo Internacional Nelson Piquet, que é como quem diz Jacarepaguá (sempre adorei dizer este nome), Cidade Maravilhosa, a mais linda de todas, diria. Faz hoje exactamente catorze anos que “o meu primo” Lorenzo, Jorge Lorenzo, conquista o primeiro pódio e logo no seu lugar mais alto. Amado por uns, odiado por muitos outros, certo é que o “Pirata” de Maiorca, só na Classe Rainha, terminou oito (em dez) temporadas no top3 – já contando com a actual. É obra!!

terça-feira, 19 de setembro de 2017

O Espirito Motard vive

Aselhice das grandes, confesso!

Quando levantei a Triumph Bonneville Bobber reparei que estava na reserva. Uns semáforos à frente, paro junto ao passeio e espreito para dentro do deposito…, ah.., “tranquilo”, tem gasolina bastante…, deve ser o computador de bordo baralhado. 

Fim de tarde. Marquês, A5, Jamor, N6 Marginal, Cascais, N247 Guincho, Malveira da Serra…, “Cabo da Roca não porque está algum vento” – mal eu sabia que foi a minha sorte – Pé da Serra, Serra acima na 247-3.

Inebriado pela condução apaixonante proporcionada pela Bobber, não mais me lembrei da “luz da reserva”, de repente brrrróóóóuuuuuuuuuuuu…, aquele som inconfundível de que falta palha aos cavalos. 

Embraiei, o objectivo surgiu claro; estava a anoitecer e eu tinha de sair rapidamente da Serra, tinha de conseguir conduzir a mota até ao centro da Vila de Sintra e depois sim, lá resolvia o problema. Consegui voltar a pegar a mota duas ou três vezes nas subidas, as descidas eram feitas recorrendo à força da gravidade. Ainda empurrei uns vinte metros e enfim chego ao cruzamento com a secular Estrada da Pena. Ufffff…, dali foi sempre a serpentear a serra com a mota desligada. E agora? 

A solução parecia ser caminhar (para lá e para cá, entenda-se) até uma de duas BP, a do Ramalhão ou a de Portela de Sintra…., quilometro, quilometro e meio para cada lado. Não seria nada de bíblico mas eu queria mesmo era despachar-me e não abandonar por muito tempo a sedutora Bobber assim…, sozinha na rua.

Passa um Tuk Tuk e peço para parar; o objectivo inicialmente seria questionar qual a bomba mais perto e caminho mais rápido pelas vielas de Sintra até ela. 

Mas era o João que lá vinha com o seu Piaggio a dois tempos, encarnado e branco, rodas pequeninas, barulhento e de ar patusco. Contei a minha história ao João. Ele estava no fim do seu dia de trabalho que nem tinha sido por ai além frutuoso. O João hesitou mas lá se prontificou a me dar uma boleia para baixo até à Portela de Sintra. Despedimo-nos. Mas passado uns minutos o João voltou com a desculpa que também tinha de abastecer. Eu cá suspeito que o João teve pena de me imaginar àquela hora, já com o estomago a reclamar pelo jantar, a subir as esquinas da Velha Sintra. 

Foi um problema convencer “Os Senhores da Bomba” a me desenrascarem. Problema maior foi mesmo a “bruxa má”, dona lá do sítio, que tudo parecia querer fazer para que a peripécia NÃO tivesse um final feliz – já lá diz o velho ditado: “se queres ver um pobre soberbo, dá lhe a chave de um palheiro”.

Nas calmas e se calhar sem se aperceber, o João do Tuk Tuk, talvez por ali ser cliente diário, lá acabou por funcionar como o polo de energia positiva que fez pender o prato da balança para o meu lado, na batalha contra o negrume maquiavélico “Dos Senhores da Bomba”. 

João, pah…, se estás a ler isto, quero dizer-te que foste O Maior. Prescindiste de ganhar mais uma nota grande em detrimento de uma nota pequenina, mas optaste por ajudar um motociclista apeado. Eu sei que também és motociclista mas nada te obrigava a deixar o teu dever para me ajudar. 

O João do Tuk Tuk ainda é um jovem adulto mas demonstrou um gigante, como se chama, “Espirito Motard”, algo raro e quase desaparecido nos dias de hoje. 

Se passarem por Sintra e tiverem um pequeno azar, espero que tenham a sorte de encontrar o João do Tuk Tuk encarnado e branco, ou alguém com os seus elevados Princípios. 

Desejo também que não precisem de nada de nenhuns “Senhores da Bomba” que para exercerem a sua patética actividade económica, em vez de se colocarem do lado da solução teimam em fazer parte do problema. 

Obrigado João, forte abraço e que a vida nunca te roube os Bons Valores!
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