domingo, 25 de junho de 2017

Córdoba e Toledo por Estradas Nacionais (II)

Seguramente que há mais de vinte anos sonhava com esta pequena voltinha..., regresso agora a ela depois de ter deixado aqui (link) a primeira parte do relato.

Domingo foi tempo de calcorrear a cidade, para a frente a para trás, na peugada do Al-Andaluz. O destaque vai claramente para a jóia da coroa Andaluza. Já poucas coisas na vida me vão valendo um valente Uaaauuuuu…, a Mesquita-Catedral é de ficar boquiaberto, foi declarada Património da humanidade pela UNESCO em 1984 e merece por si só a passagem pela cidade. O jantar fez-se junto ao Guadalquivir no restaurante La Tinaja, comida local deliciosa, com charme, a preço decente.

No dia seguinte, rumo a Norte pela N-420 cruzando o Parque Natural da Serra de Cardeña e Montoro, primeiro até Ciudad Real e depois rumo ao destino Toledo. Sair cedo foi fundamental para aproveitar a tarde com o Tejo aos nossos pés na cidade das três culturas. Toledo é monumental e fascinante. Aqui ou temos tempo e paciência para mergulhar na historia e visitar todo o pedaço de doce passado ou optamos simplesmente por nos perdermos nas apertadas calçadas. Foi esta última a minha opção. 

Tristemente, o tempo de jantar chegou demasiado rápido e o petisco fez-se ali, bem no coração da cidade, junto à Praça Zocodober no Cucharra De Palo…, mais cañitas, mais tapas, mais sorrisos e simpatia, mais comida local e deliciosa – só diz que se come mal aqui no vizinho do lado quem não sabe procurar.

(Continua...)


quinta-feira, 22 de junho de 2017

Limalhas de História #33 – 22 de Junho de 2008




Quinze. Quinze anos. Quatro. Quatro meses. Quinze anitos e quatro mesitos e já sacava pódios como tu sacas sagres fresquinhas do frigorifico nestes dias de calor. Bueno, no exageremos… 

Faz hoje exactamente nove anos. Donington park, North West Leicestershire. Que é como quem diz, bem no centro da Inglaterra. Enquanto Rossi, Stoner, Pedrosa e Lorenzo já brilhavam no MotoGP, o adolescente catalão Marc Márquez conquistava, na sua KTM, a sua primeira subida ao lugar mais baixo do pódio. 2008 e 2009 foram tempos de aprendizagem…, o resto da historia é sobejamente conhecida.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Todos os dias são bons dias para… (II)

Os mais atentos terão reparado. 04h24. A hora a que o servidor deu à luz este texto. Não há coincidências. Já lá vamos… 

Sabiam que o hoje é Mundial da Girafa? Devia ser feriado. Mas é também Dia Europeu da Musica. Dia Mundial do Yoga. Mas, sobretudo, hoje e desde os tempos em que os animais falavam, comemora-se o Solstício de Verão, comemora-se o início de verão. 


O termo "solstício" chega-nos do Latim. Sendo composto pelas palavras sol e sistere (que não se mexe). Visto da Terra, o sol parece parado, mantendo uma posição fixa ao nascer e ao se pôr, durante algum tempo. Este ano o solstício do verão acontece precisamente agora, 21 de Junho, às 04h24. 

Celebremos o verão. O verão sempre foi a minha estação preferida. Desde miúdo que o verão me apaixona. Os longos dias, as noites quentes, as brincadeiras na rua, a liberdade, o dolce fare niente. Gelados e bolas de Berlim. Mergulhos refrescantes nas outrora geladas águas da Caparica e fins de tarde “(…) a ver o por do sol, patrocinados por uma bebida qualquer”. 

Celebremos o verão. Mais tarde vieram as motas e o verão reforçou o número um do meu top “estações do ano preferidas”. Concentrações, acampar junto a barragens, a loucura de Faro e os mergulhos nas águas tépidas algravias. Mais tarde viagens. Longas viagens por essa Europa na peugada de montanhas, curvas e paisagens frescas e verdejantes 

Todos os dias são bons dias para andar de mota. Apesar de no verão ser obviamente mais fácil. Celebremos. No momento em que chega o verão, celebremos a vida. Celebremos as viagens. Celebremos o prazer. Celebremos toda esta paixão. Celebremos a andar de mota.

terça-feira, 20 de junho de 2017

O “Grande Prémio” de Oeiras de 1989

Praia da Amorosa 1988, era assim a Velocidade nos anos 80. Foto de Alex Laranjeira
A história da velocidade nacional encontra episódios épicos. Os que melhor vivi foram os circuitos da OTA, na base aérea, algures nos anos 90. Ainda antes da OTA há histórias lindas de Santo André, corrida que se realizou vários anos e da Praia da Amorosa. Mas nada bate o “Grande Prémio” de Oeiras de 1989. O acidente de Germano Pereira e da sua Ducati andou anos no anedotário nacional. Recentemente encontrei aqui (link) um relato de Alberto Pires que agora, recupero. 

O "GP" de Oeiras foi um momento infeliz. A pista não tinha condições e a organização não conseguiu controlar os acontecimentos. Foi uma espécie de "prova de feira" com motos potentes, e acabou mal. Os treinos das 125 misturavam as duas classes e o momento da partida é elucidativo do nível da organização. A classe 125 Promoção teve em Luis Catarino o seu vencedor, seguido por Jorge Dias e em terceiro Artur Martins. 

Na 125 Livre Jorge Dias levou a melhor sobre todos, impondo um excelente andamento desde o início. Pedro Geirinhas ainda tentou seguir o piloto da Cagiva mas acabaria por sofrer uma queda violenta. Acabaria por ser Joaquim Cidade a terminar em segundo, depois de se libertar do grupo em que andava, e Luis Catarino voltou a subir ao pódio, ao ficar na terceira posição.  

As SBK resumiram-se aos treinos. A falta de condições era de tal forma evidente que a organização decidiu que os pilotos dessem duas voltas de apresentação, antes de se iniciar a corrida, por forma a que o público se organizasse melhor e os pilotos se habituassem à moldura humana existente. Simplesmente, não avisaram todos os pilotos. Germano Pereira foi um deles. Quando acabou de dar a volta de aquecimento e passou na meta deve ter pensado que não esperaram por ele para dar a partida, e continuou. Simplesmente, quando voltou a passar na meta, que ficava pouco depois de uma curva rápida, deparou-se todos os pilotos parados, com os assistentes ao lado, e entrou pelo meio deles depressa, muito depressa, atirando várias motos ao chão e mandando alguns pilotos e mecânicos para o hospital. A organização foi obrigada a anular a corrida.

125 Livre from Alberto Pires on Vimeo.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Todos os dias são bons dias para… (I)

Sabiam que o hoje é Dia de Corpo de Deus? Por isso é feriado. Mas é também Dia de Santa Germana. Dia Mundial da Consciencialização da Violência Contra a Pessoa Idosa. E Dia Mundial do Vento. 

Falemos de coisas alegres. O vento é coisa seria. O vento é companheiro. Por vezes compincha. Outras, traiçoeiro. O vento é inseparável do motociclismo. Sempre de braço dado com o motociclista.  


Celebremos o vento. De preferência com os cabelos a ele dados. Eu sei, é perigoso, não se deve. Como tanta outra coisa. Uma vez, há anos, fiz centenas de quilómetros na Tailândia sem capacete. Cabelos ao vento, ao perigo. Inesquecível. Ainda bem que o fiz. Adoro andar de mota de cabelos ao vento. Nem que seja numa fugaz voltinha ao quarteirão. Só para matar saudades da liberdade e beijar ternamente o perigo. Sentir que estou vivo.

Todos os dias são bons dias para andar de mota. Celebremos. No seu dia mundial, hoje teremos vento norte com fartura. Celebremos então. Com um passeio de mota junto ao azul do mar. Se possível, de cabelos ao vento.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Limalhas de História #32 – 14 de Junho de 1992

Uma, duas, três, quatro vitorias seguidas. Um, dois segundos lugares seguidos. Uma quinta vitoria. E quase a tragedia na prova seguinte. 

Faz hoje exactamente 25 anos. Hockenheim, Baden-Württemberg, sudoeste da Republica Federal da Alemanha. Mick Doohan, o fantástico piloto da Golden Coast australiana, vencia a sua quinta corrida da temporada. A estas vitórias juntava mais dois segundo lugares. Esmagador. Esmagador foi também o acidente na ronda seguinte em Assen que impediu o primeiro título mundial do “aussie”. Doohan…, remontaria nos anos seguintes. E ofereceu um pentacampeonato à HRC! Notável.

Saca! #24



terça-feira, 13 de junho de 2017

Lisbon Motorcycle Film Fest em modo afirmação

Com muita pena…, este ano o Escape não esteve presente Lisbon Motorcycle Film Fest. O desafio foi gigante, mas com a ajuda de todos os patrocinadores e parceiros, a organização sente que ultrapassou largamente as suas próprias expectativas. 


No segundo dia de evento já havíamos ultrapassado o número total de bilhetes vendidos nos 3 dias da primeira edição, a participação do público nas Talks foi bastante superior, no sábado à noite tivemos mais de 120 motos a rodar pelas ruas de Lisboa na primeira Night Ride que organizámos e no domingo de manhã conseguimos que cerca de 150 fãs do MotoGP viessem apoiar o piloto nacional Miguel Oliveira, na corrida de Moto 2, transmitida em directo na Sala Manoel de Oliveira, graças à Sport TV.

Fiquem atentos ao website e redes sociais do Lisbon Motorcycle Film Fest, pois ainda este ano a organização promete algumas boas surpresas para quem tal como este Escape é apaixonado por motos e cinema.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Regresso ao Futuro parte VI e última ufffff...


[Uma Dominator que não foi mais do que um sonho de verão, fim de odisseia....]

“Congelado” em mil novecentos e noventa e dois (link), restou-me uma boleia no velho Corsa, um banho gelado, a tal posta suculenta e uma noite quente mas de sono profundo graças ao cansaço. 

Mas antes, preocupado, chateei meio mundo para me tentar desenrascar. A moto não tinha assistência em viagem e precisava de dois pneus novos com caracter de urgência. E, fundamentalmente, não queria gastar os meus parcos dias de férias preso no passado, em mil novecentos e noventa e dois, repito. 

Com ajuda do meu amigo Moniz da Rod’aventura cheguei à fala com o Ricardo que julgava ser o Francisco, da Motocenter. O Ricardo teve a real pachorra de interromper o seu jantar de sábado, várias vezes, devido à minha insistência de querer dois pneus novos, para uma Dominator do século passado, e tudo isto para ontem 

No dia seguinte continuei preso no século passado. Passeei num velho barco do Pinhão ao Tua. Alheira caseira e queijos suaves com nacos de pão para o almoço e uma tarde em perfeito “dolce fare niente” entre um pedaço de relva e uns mergulhos no Douro.

Chegamos a segunda-feira. Bem cedinho encontro enfim o veículo que me iria trazer de regresso para o futuro. Um Mercedes enorme, vermelho, bonito, ai com mais de cinquenta lugares, propriedade da Auto Viação Tâmega. Fui de avião para o passado. O regresso ao futuro foi feito de Expresso. 



A coisa haveria de se compor com a boa vontade da Tranquilidade, a minha seguradora há anos. Adoraria ter visto a cara do Sr. Paulo quando na manhã de terça-feira lá chegou o reboque de outro Senhor qualquer para ir recolher a velha “Domie”. A Dominator demoraria cerca de uma semana a viajar até Lisboa – “sabe como é…, reboques, verão…, calor, férias”, sim sei. Os pneus chegaram muito mais rapidamente à Motocenter.

Naturalmente, já não foi necessário nova viagem ao Douro com os pneus na mão. Descer pela N2 de regresso ao futuro vai ter que ficar para outra oportunidade. Entretanto, a Honda NX650 Dominator já anda por ai nas suas voltinhas…, qual DeLorean DMC12.

Limalhas de História #31 – 12 de Junho de 1967

Houve um tempo em que motociclismo rimava com romantismo. Querem ler esta pequena limalha apaixonante? 


Faz hoje exactamente 50 anos. Atlântico Norte. Bem no coração do Mar da Irlanda. Verde e húmida Ilha de Man. Início da quarta etapa do então campeonato mundial de velocidade em motociclismo. No primeiro de quatro dias de TT, Mike Hailwood limpava a categoria de 250cc aos comandos da mítica Honda de seis cilindros. Mas Mike “The Bike” não ficou por aqui na Ilha, vencendo ainda durante a semana a classe 350ccc e 500cc tendo sido nesse ano campeão do mundo de 250cc e 350cc e vice-campeão de 500cc. Fantástico!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

“Navegar” é preciso

Um destes dias estive na Motocenter a apreçar umas borrachas novas para a CRF1000L. Perguntaram-me pela Dominator. E ficamos por ali durante uns breves mas deliciosos minutos a falar de motas e motociclismo. Gosto de ser cliente na Motocenter. Como costumo dizer, vender algo não tem de ser apenas um negócio. 

Acabei por vir para casa a pensar como seria bom poder racionalizar muito melhor o tempo de forma a investi-lo mais em duas coisas que adoro. Andar de mota e escrever sobre motociclismo.

O Escape voltou a ficar cheio de pó, aqui, parado na garagem dos blogues. E a máquina até tem alguma gasolina no depósito…, leia-se, alguns textos para publicar e outros aqui entranhados na alma. 

Vamos a isso…, “navegar” é preciso!

Limalhas de História #30 – 8 de Junho de 1986


Há locais assim. Tão bonitos quanto perigosos. Três longas rectas. Meia dúzia de curvas encadeada. Tudo emoldurado por suaves e verdejantes colinas. 

Faz hoje exactamente 31 anos. Salzburgring. Alpes austríacos. Não muito longe de uma das mais belas zonas lacunares do mundo, Salzkammergut. Eddie Lawson, na frente de Gardner e de Mamola, faz o tri de um tetra de vitórias que catapulta a sua Marlboro-Yamaha para o título de 500cc nessa temporada.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Já basta!

Na primavera. Todos os anos é isto. Mas este ano tem sido demais. Com uma frequência quase diária morre mais um motociclista nas estradas portuguesas. Uma tristeza. 

Algumas páginas, em especial da rede facebook, tornaram-se por estes dias verdadeiras páginas de necrologia. É demais! De manhã já me questiono. Quem será hoje? Um amigo? Um conhecido? Eu próprio? Será que hoje é o meu dia? 

Aqui não há espaço para culpados. Aqui todos são vítimas. Quem parte, os sobreviventes, quem fica. 

Alguém se lembra de uma campanha de segurança rodoviária em que os motociclistas sejam protagonistas? Alguém se lembra de uma campanha de segurança rodoviária em que os motociclistas se vejam protegidos? Alguém se lembra de uma campanha de segurança rodoviária que alerte para a fragilidade dos motociclistas? 

Não, não, não e nunca. O dinheiro dos impostos que pagamos, o dinheiro das multas que pagamos podem servir para muito mas nunca para proteger o motociclista. Se calhar já basta, não? 

E se o Estado nada faz e continua a assobiar para o lado enquanto saca taxas e taxinhas por mais um funeral de um motociclista, se calhar cabe nos a nós fazer alguma coisa, não? Se calhar cabe nos a nós, motociclistas, fazer mais do que um pequeno lamento, escrever um “RIP”, um “DEP”, um “não acredito”. 

Onde anda a Federação? Onde estão os Moto Clubes? Onde estão os Grupos motards? E as revistas? Por que raio não avançamos nós com campanhas dignas que ajudem a parar com esta carnificina diária? 

Perdoem me o desabafo. Mas…, já basta! E contem desde já com este Escape para o que for necessário!

terça-feira, 18 de abril de 2017

Honda CB500X à prova

Agilidade, diversão e economia. Não se esqueçam daquilo que acabei de escrever. Foi desta forma que caracterizei (link), em Junho do ano passado, a Honda CB500F. E desde que a provei que fiquei muito curioso em conhecer a versão X da família. Só agora foi possível abraça-la… 

Confesso que a primeira impressão não foi apaixonante. Quando a fitei com atenção até me deixei levar pelas suas linhas fluidas. Todavia, o primeiro toque não arrebata. Tendo em conta a posição de condução, tudo parece liliputiano e, sobretudo, um encaixe de pernas algo recuado deixou-me algo apreensivo.

As vantagens de podermos realizar algumas centenas de quilómetros numa mota que não conhecemos são inúmeras. As primeiras impressões podem ser facilmente desmontadas e o conhecimento que vamos adquirido da máquina lança-nos luz sobre aspetos que nem imaginávamos. 

Agilidade, disse eu. Se por um lado acabei por me habituar facilmente à ergonomia da Honda CB500X - esquecendo rapidamente a posição algo recuada das minhas pernas - por outro, pude conhecer uma mota absolutamente adaptada às exigências da condução urbana, o terreno de eleição desta utilitária. 

Diversão, disse eu. Quando saímos para a estrada, a proteção aerodinâmica oferecida pelo pequeno ecrã surpreende pela eficácia. Surpresa não tive pelo belo motor desta “quinhentos”. Já o conhecia e aqui, na X, o coração parece bater de forma ainda mais perfeita do que na pequena F. 

Economia. Mais economia. À agilidade e diversão que conhecia da F e voltei a encontrar na X junta-se a economia. Mais economia, na verdade. Consegui um consumo absolutamente ridículo de 3,6 litros de gasolina por cem quilómetros de cidade devorada – e não andei propriamente a poupar. 

Mais três notas. Uma negativa: pneus; apesar de apenas ter rodado em piso seco, fiquei com a sensação de que em pisos menos abrasivos a borracha de origem não satisfaz. Duas positivas: a iluminação dianteira, mais no aspeto de ser visto do que de ver (engraçado como as “latas” se afastam como se de um grade motão lá viesse.) e os instrumentos sempre legíveis com quaisquer condições de luminosidade 

Sejamos honestos. Se pensa que com uns miseráveis 6400€ vai comprar uma mota para dar a volta ao mundo então…, tem razão. Aqui está ela. Se até há quem vá de PCX ao Nepal… Mas a Honda CB500X não foi construída para tal. A Honda CB500X foi concebida para a batalha diária das grandes cidades e seus arredores, terrenos onde se move a roçar a perfeição. Contudo, se lhe pedir para ir mais longe, ela irá. E fá-lo-á sem se queixar.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Córdoba e Toledo por Estradas Nacionais (I)

Seguramente que há mais de vinte anos sonhava com esta voltinha. Incrivelmente, por este ou aquele motivo vinha sendo adiada, até ao final do passado mês de Fevereiro. Enfim, os astros alinharam-se, e a pequena “pausa” de carnaval foi a data escolhida. “Por estradas nacionais” foi apenas o tempero para passar mais tempo na estrada e tornar o passeio menos dispendioso. 

Por sorte, o tempo apresentou-se nesses dias algo frio mas seco. Passado o Tejo para sul, a N4 e a N114 levaram-me até Évora – tempo para uma cafezada, visitar a MOTODIANA que se apresenta de cara lavada, e dois dedos de conversa com os amigos alentejanos. Dali a N256 levou-me até Monsaraz, ao seu castelo e às margens do Guadiana. O almoço fez-se de um lauto cozido de grão na Adega Velha – bom, honesto mas nada de soberbo.

De barriguinha cheia, demasiado até, foi tempo de cruzar a fronteira e ser abraçado por umas, já nessa época, lindíssimas amendoeiras em flor. O caminho até Córdoba faz-se, maioritariamente, pela N-432. Tudo demasiado calmo, com um verde profundo deixado pelas intensas chuvas de inverno a emoldurar a viagem, apenas com alguma animação em forma de curvas rápidas já nos montes a norte deste primeiro destino. 

Córdoba revelou-se uma rica surpresa. Para além da monumentalidade reconhecida mundialmente, a cidade está cheia de movida (potenciada pela época carnavalesca), bons e acolhedores restaurantes com preços simpáticos. Naquele sábado não resisti a “tapas e cañitas” num local muito parecido com o Mercado Time Out em Lisboa…, e até um pezinho de dança se deu…, sinal que os quinhentos quilómetros na Honda CRF 1000L Africa Twin DCT não tinham deixado mossa. 

(Continua...)


domingo, 16 de abril de 2017

Só para quem ama verdadeiramente andar de mota

Foto Luís Duarte - MOTOCICLISMO

É assim, nem mais nem menos, que qualifico o Road Miles. Como vos disse aqui (link) tive o privilégio de estar presente na edição inaugural deste desafio a convite da MOTOCILCISMO. O texto completo sobre o evento poderá ser lido na edição de Maio da revista mas…, já podem espreitar aqui (link), no sítio da revista, um pouco do que foi este dia em que Rui Baltazar, Luís Lourenço e Jorge Gameiro decidiram tirar os mototuristas portugueses (alguns espanhóis também estiveram presentes) da sua zona de conforto.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

The road is still under construction


Dois anos de Escape. Era uma segunda-feira. Dia 13 de Abril do ano da graça de 2015. Finalmente materializava aqui (link) e aqui (link) uma ideia antiga. Uma página, em forma de blogue, onde fosse possível plasmar esta Velha Paixão do motociclismo. 

Tal como há dois anos atrás a estrada mantem-se em construção. Porque, se o caminho se faz andando, a estrada faz-se escapando. 

Uma palavra para vocês que por aqui e pela página do facebook deste blogue vão passando. Cada vez são mais, cada vez interagem mais e sem vocês esta viagem não teria graça nenhuma. Obrigado a todas e a todos, boas curvas…

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Triumph Tiger 800 XRx à prova

Uma dúzia de provas feitas aqui no Escape. Esta é exactamente a décima segunda. E tal como a primeira (link), a fonte da prova vem de terras de Sua Majestade. Curiosidades. E para comemorar em grande, esta é a maior prova deste Escape. Foram mais de setecentos quilómetros aos comandos da sedutora XRx. É obra… 

O que e que a Tiger 800 XRx tem? Desde logo personalidade. Num primeiro olhar a mota parece fitar-nos descaradamente. Anda dai, motociclista, leva-me a passear, sussurram-me as suas linhas peculiares. 

A XRx é a versão mais estradista da alargada família Tiger 800. O primeiro contacto físico é desde logo muito agradável. O corpo encaixa bem e com conforto, o guiador parece colocado na posição correta, os instrumentos de leitura fácil e rápida habituação. 

Dinamicamente, ainda na cidade, facilmente descubro uma elasticidade na unidade motriz tricilíndrica para lá do normal. Caixa suave, precisa e embraiagem leve. Em via rápida rumo ao campo testo o cruise control. Fácil de usar apenas com o polegar direito, será de extrema utilidade, mais tarde, para quando os quilómetros se acumulam no corpo. Quando a estrada se encarquilha, a Triumph Tiger 800 XRx surpreende pela agilidade e leveza, tudo certo e bem afinado. 

Acumulei quilómetros e quilómetros na 800 XRx. Com ecrã regulado (manualmente) na posição de altura máxima, só sinto algum desconforto em velocidades bem acima do limite legal. Ai, na velocidade pura, o pequeno Tigre não está tão à vontade, este não é o seu terreno de eleição. A “sua praia” são sem dúvida os passeios em estrada secundárias ou os grandes espaços, mas sempre em ritmo moderado. Em percurso urbano o equilíbrio também se faz notar. A utilização diária na cidade e arredores não lhe é estranha.

Excelente surpresa está guardada para o regresso à bomba de gasolina. Bolas, são três cilindros e noventa e cinco cavalos. Todavia, a factura fixa-se por pouco mais de cinco litros de líquido inflamável por cem quilómetros rodados. 

A personalidade sedutora no primeiro olhar confirma-se com a utilização. A polivalente Triumph Tiger 800 XRx deu carradas de prazer. Só fiquei triste com um pormenor..., ter de devolver o pequeno Tigre malandro ao seu dono.

terça-feira, 11 de abril de 2017

O mercado tem sempre razão


Aqui estão os mais recentes números de venda de motociclos novos. A tendência mantem-se em alta com o mercado a subir 25% em Março e 15% no primeiro trimestre deste ano – face a idênticos períodos do ano passado. 

São boas notícias. Boas noticias também para a Honda que consolida a sua liderança inequívoca. A marca da asa dourada cresce 25% no mês e no trimestre e é dona de cerca de um terço do mercado. Muito forte! 

Quem não acompanha este crescimento são, entre outras, Yamaha (a cair 8% no trimestre) e BMW, esta a manter os seus números. 

Destaque positivo ainda para a Triumph. Como se disse aqui (link) a marca vive um momento de explosão; cresce na casa dos três dígitos, vendeu quase tantas motas neste primeiro trimestre de 2017 como no ano todo de 2015 e ameaça escalar no top ten. 

Estes são os números, cotejem com as estratégias de marketing, pensem e tirem as vossas próprias conclusões. Eu já tirei as minhas, e não foram precipitadas.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Triumph Tiger uma lenda viva

Triumph Tiger 80, a original. Em baixo a Tiger 900 de 1993


Oitenta anos. Não é brincadeira. Sim, a Triumph Tiger comemora este ano o seu octogésimo aniversário. Quantas motas se podem orgulhar desta fantástica idade? 

Ainda na fase pré-twin, a primeira Tiger 80 nasce em 1937 nas fábricas da Triumph Engineering. Monocilíndrico de 350 cc e caixa de quatro velocidades. Naqueles anos, imediatamente anteriores à terrível Segunda Guerra Mundial, a indústria britânica estava pujante. Depois, logo em 1939, surge a Tiger 100, o primeiro twin paralelo de 500cc. A lenda começava a ganhar forma…

Dos destroços da Guerra, milhares de Triumph Tiger se ergueram para criarem um dos nomes mais afamados da história do motociclismo. 

Após o apogeu (sessentas e setentas) e queda (oitentas) a Tiger regressa em 1993 já pela mão da Triumph Motorcycles ltd. A actual Tiger 800 nasce em 2010, equipada com um moderno tricilíndrico. 

Com aqui (lnk) vos contei, tive a sorte de no passado fim-de-semana ter participado na edição inaugural do Road Miles. E, por vezes, a sorte é como o azar, um golpe não vem só. No Road Miles tive a companhia de uma Triumph Tiger 800 XRx. 

Rica forma de comemorar os oitenta anos desta Velha Senhora…, para ler em breve…

domingo, 9 de abril de 2017

Primeira edição do Road Miles numa palavra: sucesso!

Pequeno Éden, Rio Alviela, nascente dos Olhos d'Água, CP1 do Road Miles 
Quando, ainda no final do ano passado, se começou a falar do Road Miles fiquei imediatamente fascinado. O panorama do mototurismo em Portugal estava há demasiado tempo cristalizado nas receitas do costume. Uma proposta…, navegar durante trezentas ou quinhentas milhas pelas excelentes estradas da zona centro do nosso Portugal, excelente… 

Mas não aceitei a proposta. A vida é feita de escolhas. O preço da inscrição parecia-me considerável e, como provavelmente tantos outros, optei por não me apresentar à chamada. 

Eis quando, a apenas uma semana do evento, o telefone toca. Era o “velho” Luís Carlos Sousa, diretor da MOTOCICLISMO. Pedro, queres avançar, pergunta-me. Nem hesitei. Conta comigo!

Que sorte. Tive assim o privilégio de estar presente na edição inaugural deste desafio. Desafio é mesmo a palavra-chave. Não é fácil. Para ninguém. Para quem parte, para quem fica a ver na internet e, sobretudo, para quem organiza. 

É para estes últimos a minha primeira palavra: sucesso! Uma organização tão discreta quanto eficaz. De parabéns estão também todos os que aceitaram o desfio: bravos! 

Uma palavra ainda para o profissionalismo do fotógrafo Luís Duarte quem me acompanhou na realização da reportagem para a MOTOCICLISMO: acho que fizemos uma bela equipa. 

O trabalho de imagem do Luís e as minhas palavras sobre o evento vão poder ser por vós conhecidos na edição de Maio da MOTOCICLISMO. Lá, vão poder ficar a saber tudo o que se passou no dia que mudou a face do mototurismo de aventura em Portugal. 

Por falar em edição de Maio da MOTOCICLISMO…, nela vão ainda encontrar o fabuloso destino de Artur Brito e da sua Honda PCX a caminho do Nepal. Sim, o Artur esteve no Road Miles, concluiu a prova “menos grande” – 300 milhas – e eu tive o privilégio de o ter à mesa no jantar de sábado. Numa palavra: que maravilha…

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Bloco de notas do Lisboa Moto Show

Bom..., giro... mas..., será eficaz?
Pessoas do século XXI não consomem informação feita por pessoas do século XX realizada com tecnologia do século XIX. 

Falo de todos. Eu estou incluído. Há algo errado na forma como comunicamos. Uns mais que outros, naturalmente. Mas todos podemos comunicar melhor, de forma mais agradável e eficaz. Para outros é mesmo dramático. Há algo profundamente errado na forma como comunicam. Por onde começo? 

Pela própria organização do certame. É miserável a comunicação oficial. A Feira não existe fora da nossa bolha. Muito, muito mau! Quem também não existe é a KTM que decidiu nem sequer aparecer… 

Depois, a Yamaha, por exemplo. Os motociclistas querem motociclistas. Se há algo genuíno é o motociclismo. Para os motociclistas óleo é no motor e na corrente. O que faz a Yamaha? Convida uns azeiteiros para tirar um boneco ao lado das motas. E está profundamente convencida que isto resulta… 

E o que dizer dos números de vendas absolutamente dramáticos do grupo Piaggio (Aprilia e Moto Guzzi) em Portugal? Qual a resposta? Mais azeite! “Dar” uma “vespa” a uma tal de Luciana Abreu conhecida por…, bem…, não vou dizer. Noutro plano, conhecendo algumas ideias da marca, ficamos sem perceber se o negócio do grupo Piaggio são as motas ou o imobiliário. É grave! 

Depois há quem tenha aprendido a lição e corrija o tiro. A Triumph está explosiva. Mas pode fazer muito mais e melhor. Contem com eles… 

E há a Honda. A sorte dá uma trabalheira tremenda. A PCX vende muito porque o produto é bom e não porque tem azeiteiros a piscar o olho. Há quem se queixe que a Honda não produz motas de culto. Mas é líder. Há anos. E não se é líder por acaso. O mercado tem sempre razão.

Há mais marcas representadas no certame como a Suzuki, AJP, Ducati, BMW, HD, Benelli, e Kawasaki, entre outras. Mas cerca de dois dias de Feira não me chegaram para comunicar com elas. E aqui o problema, será, provavelmente meu. Também eu tenho de tentar comunicar melhor. Temos todos. 

E, Sublinho. Pessoas do século XXI não consomem informação feita por pessoas do século XX realizada com tecnologia do século XIX.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Lisboa Moto Show 2017

Abre hoje as portas e não vai faltar animação… 

Para além dos lançamentos e apresentações nacionais de modelos novos das principais marcas importadoras (…) os visitantes terão oportunidade de fazer test drives com motos de menor cilindrada na área exterior, entre os pavilhões 2 e 3 da FIL, e com motos de maior cilindrada na Praça FIL. Também as demonstrações de Free Style vão, com toda a certeza, proporcionar, um ambiente de festa (…). 

Esta edição tem como grande novidade a realização do Motor Racing, no pavilhão 3 da FIL, realçando a vertente mais desportiva da moto (…). A partir daqui os apaixonados por este estilo de vida podem ver, em directo, transmissões dos treinos e da prova do Grande Prémio da Argentina, onde participa o piloto nacional Miguel Oliveira. 

A não perder… 

[Ah, e para o ano, caros amigos, tentem fazer um comunicado de impressa legível e facilmente publicável sem corte-e-costura. Obrigado!]

terça-feira, 4 de abril de 2017

Edição inaugural do Road Miles na estrada no próximo sábado

Quem se recorda do primeiro Lés a Lés? Eu! 

Século passado, Junho de mil novecentos e noventa e nove (1999!), Piaggio Hexagon, partida em Rio de Onor, vinte e quatro horas na estrada…, chegada em…, oppss, não me lembro. Fiquei pelo caminho, algures perto de Gouveia. A pequena italiana destruída na frente de uma valente Honda Gold Wing que fazia uma patética inversão de marcha. Podia ter corrido melhor? Podia…, mas enquanto durou foi muito divertido. Nessa primeira edição eramos poucos e quase todos conhecidos do Nacional de Moto Ralis. Como já disse anteriormente, o Lés a Lés hoje não tem graça nenhuma. 

O Road Miles - Motorcycle RoadBook Challenge é um evento que consiste num percurso de navegação a roadbook, podendo ser efetuado a solo ou em pequenos grupos, com o objetivo de realizar num só dia as 300 ou 500 milhas propostas. O percurso foi escolhido criteriosamente em função da sua beleza paisagística, histórica e cultural. 

O que tem o Road Miles em 2017 a ver com o Lés a Lés de 1999? Muita coisa. Novidade, desafio, um reduzido grupo de ambiciosos com vontade de sair da zona de conforto. Se calhar, daqui por dezoito anos, alguém estará a escrever como eu: eu estive no primeiro. 

Eu vou estar no primeiro. Curiosamente, tal como há dezoito anos, abraçado à MOTOCICLSIMO. Não vou realizar nenhum dos desafios mas estarei em reportagem para a revista parceira do evento. Estando eu, também estará o Escape, ainda que de forma, digamos, comedida. Haverá reportagem para ler na edição de Maio da revista. 

Entretanto…, algumas curiosidades. A Honda patrocina parte do evento mas a marca mais representada na estrada será, de forma clara a BMW. Com destaque para os seus BMW Motorrad Fans que abraçaram, fortemente, o desafio maior das 500 milhas.

Limalhas de História #29 – 4 de Abril de 1993



Mil novecentos e noventa e três. Ano do malfadado acidente que deixou marcas para a vida do fantástico piloto californiano.

Faz hoje exactamente vinte e quatro anos. Shah Alam. Malásia. Calor e humidade insuportáveis. A Yamaha YZR 500 escreve mais um capítulo do seu domínio insolente. Wayne Rainey, tricampeão mundial, saca a sua primeira vitória da época a caminho do penta. Não chegou lá. O fabuloso senhor Schwantz viria a sagrara-se campeão mundial.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Yamaha e as novidades no Lisboa Moto Show

Isto não é um post. É um comunicado de imprensa, boletim de imprensa ou press release, como lhe quiserem chamar. Uma comunicação feita por um indivíduo ou organização visando divulgar uma notícia ou um acontecimento. É apenas o que a Yamaha tem para oferecer aos leitores do Escape…

No dia 5 de abril, dia de abertura do salão, a inauguração do stand a YAMAHA terá como convidados especiais algumas figuras publicas bem conhecidas, e alguns deles irão apresentar as novidades YAMAHA para 2017. 

Este desafio que foi bem aceite pela modelo e blogger Mónica Sofia, que falará da sua companheira de viagens a Tricity, assim como o ator Manuel Sá Pessoa, que vai apresentar as caraterísticas da X-MAX 300. Ainda outros dois atores, Alexandre Silva e o portuense Ricardo Trepa, vão mostrar todo o potencial da TMAX e da Scrambler 950, respetivamente. Caberá ao bem conhecido comediante Nilton mostrar a XSR900 Abarth enquanto mais um ator, desta feita, Joaquim Horta falará da YZF-R6. 

A apresentação feita por estas personalidades será mais sucinta menos técnica e muito mais virada para a associação do modelo em questão com a personalidade que o apresenta. Deseja-se com este evento algo diferente das normais apresentações que são mais técnicas e detalhadas em relação às caraterísticas de cada modelo. Neste caso o que se pretende é simplificar e tornar esta apresentação mais próxima do público mais alargado. 

O stand da YAMAHA no Lisboa Moto Show 2017 será ainda inaugurado com uma festa (15:00h) onde estarão presentes diversas outras figuras públicas convidadas, mas o ponto alto será o momento de apresentação (16:00h) das novidades dos modelos YAMAHA para 2017.

domingo, 2 de abril de 2017

Molhar os pés no Guadiana

Desde que me conheço, enquanto motociclista, que gosto de andar noutras superfícies que não o alcatrão. Mas uma coisa é gostar outra fazer. De facto, raramente me aventuro fora de estrada, apesar de já ter tido o prazer de ir duas vezes a Merzouga beijar o Erg Chebi – ambas de Honda ST1100, ambas ainda quando para lá chegar só de pista.

Mas, sublinho, gosto. Gosto muito. Se calhar está na altura de parar de inventar desculpas e trocar de sapatos. Fazer me à estrada, isto é, sair dela e entrar pelo campo fora. 

Calhou ontem, dia das mentiras. O desafio partiu de gente simpática que também adora a CRF 1000L. “Anda dai, Pedro. Mete-te à estrada até Monsaraz. Dai vamos junto ao Guadiana até perto de Olivença. Trincamos um bodadillo, tragamos una cañita e voltamos para casa”. Disseram-me… 

Assim foi, ou quase. Queria regressar cedo a Lisboa e acabei por perder a segunda parte – menos técnica e mais rápida – da jornada. E o restante convívio. Mas…, chega de inventar desculpas. Sabia que a meio da tarde tinha de regressar rapidamente a Lisboa mas fui na mesma. E adorei. 

Se me dissessem, há uns meses, que iria estar a bordejar o Guadiana durante quase cem quilómetros, com uma “mil” equipada com pneus de trazer por casa, eu diria que só podia ser mentira…, mas não foi. Foi e foi verdade, apesar de ter sido no dia das mentiras. Curiosidades… 

Resta-me agradecer àqueles que insistiram para que me metesse nestes trabalhos e que tão bem me guiaram a mim, e outros “verdinhos” como eu, pelos encantos da bela paisagem junto ao eterno Wadi Ana

Quando repetimos…?

segunda-feira, 27 de março de 2017

Ser motociclista

O texto não é meu. O texto é do Tó Manel. E sem a sua autorização reproduzo-o neste Escape. Com o Tó aprendi muita coisa, entre elas, a ser motociclista. O Tó Manel é responsável por muito do que é hoje o motociclismo em Portugal. Devia ser ouvido e lido com atenção. O Tó Manel é credor de mais respeito. Boas curvas Tó…, dessas e das outras… 

Antes de mais… é Motociclista quem anda de moto. É que nem vale a pena, nós Motociclistas, estarmos a perder tempo a pôr-nos em bicos de pés, uns perante os outros, porque somos todos o mesmo, Motociclistas. Porque gostamos de motos, ou porque gostando “mais ou menos”, simplesmente nos são bastante úteis. Não há cilindradas, tipos, cores nem panos que consigam separar-nos…, até porque já estão separados aqueles que pensam o contrário. 

Fui durante muito tempo um “motociclista fundamentalista”. Não foi por andar por aí em grupo a intimidar e a meter medo a quem quer que fosse…, aliás, este triste dado é recente no nosso país. Fui “fundamentalista” por andar na estrada desde os 16 anos e só tirar carta de carro quando fiz 50; e a razão foi simples: sempre gostei mesmo foi e é de andar de moto; para além do jeito que deu durante 30 anos para ir todos os dias de casa para o trabalho, foi sempre o modo como me desloquei em lazer. 

Para além dessa faceta utilitária diária, fui a muito lado de moto, passei muitas fronteiras, fui a sítios onde nunca voltarei, porque agora com 60 quero continuar a descobrir novos caminhos, de moto claro. Porque o carro, sempre que me lembro que existe, tem de ficar a carregar a bateria…. 

Utilizando algumas palavras de um poeta português direi que ser Motociclista viajante é “não caber no berço onde se nasceu… ultrapassar fronteiras uma a uma… e morrer sem nenhuma…” Miguel Torga escreveu estas palavras num poema dedicado a Fernão de Magalhães. Aqueles que hoje partem por aí à descoberta seja de barco, comboio, carro ou moto, têm todos um pouco de descobridores no sangue. 

E nós portugueses temos muito, até por culpa da situação geográfica que nos dá aquele sentimento de termos de partir à descoberta do que está para lá do horizonte. A moto serve para muita coisa; para nos levar para o trabalho, para ir à horta buscar uma saca de batatas, para ir-mos buscar uma botija de gaz, para irmos ao supermercado, enfim, para tudo isto e muito mais que nos facilite a vida do dia-a-dia… e no fundo a sua génese está precisamente aí, facilitar-nos a vida. Foi por isso que tiveram as suas grandes missões na sociedade em épocas de grande crise a seguir às duas Grandes Guerras (1918 e 1945). 

Tempos houve em que no nosso país a profissão de Motociclista até teve o seu auge; foi quando me cheguei a considerar mais Motociclista… quando tive a profissão de “Mensageiro Motociclista” na década de 80, no tempo do “PonyExpress”. Ainda há por aí alguém que se lembre desta empresa de entrega de mensagens e encomendas? Na empresa “CTT/TLP”, passava 8, 10 e muitas vezes 12 horas por dia a distribuir telegramas; depois das horas na empresa chegava a fazer “biscates” para a televisão a ir buscar cassetes onde fosse necessário no país. 

E nas férias pegava na moto e ia para a Turquia, para a Grécia, para o Cabo Norte, para o Egipto, para Marrocos, etc… mas, era o acumular das horas de trabalho que me fazia sentir mais Motociclista. Ser motociclista hoje, ainda é e será sempre tudo isso que se faz de moto…, ir à horta, ir ao supermercado, ir para o trabalho, ir à praia, viajar à descoberta. 

Ser motociclista é tudo isso e engana-se quem pensa que é mais motociclista só porque dá um uso diferente à moto, portanto, que se distingue pela forma. Quanto muito, é mais motociclista aquele que mais uso dá à mota. Esta é a única diferença que pode distinguir dois motociclistas um do outro O resto…, são alter-egos.

domingo, 26 de março de 2017

Eu compro motas a quem as quer vender

Eu cá agora tenho uma Honda CRF 1000L Africa Twin DCT. Então mas, oh Pedro, tinhas comprado há pouco tempo uma Crossturer nova? 

Onde é que vocês ficaram, pá?!? Sim, tinha mas…, desde que “bati com a cabeça” e decidi desfazer-me da minha ST1100 (link) nunca mais tive sossego. Foi a VFR 1200X…, agora é a AT DCT, pelo meio já existiu uma Dominator, como podem ler por ai, e ainda existe a CB 750 e a pequena PCX - esta já está comigo desde Julho de 2013. 

Como não tenho parança, um destes dias liguei para a Bomcar. Quis saber se era possível trocar a minha nova AT DCT por uma nova, mas em segunda mão, BMW S1000XR. 

Sim, sim, possível é, disseram-me. Mas…, mas de forma nada surpreendente e apesar de eu ter alertado para que isso não acontecesse, os valores apresentados foram absolutamente patéticos. Mais uma vez não me quiseram vender uma BMW.., é assim desde…, 1997. Não estou a brincar. 

De facto, eu compro motas a quem as quer vender. Na MOTODIANA foi possível trocar a nova Crosstourer por uma AT a estrear. Sem dramas, sem desculpas, sem dificuldades. Apenas focados na solução e não no problema. E ainda com amizade e boa mesa alentejana. 

Por isso é que eu já disse ao meu amigo José Caniço Nunes. Quando voltar a haver Pan-European eu quero ficar com a primeira que ele vender em Portugal. A encomenda ainda não foi feita porque ainda não existe mota, nem existirá tão cedo. Mas pelo sim pelo não a pré-reserva já foi efectuada. Porque, sublinho, eu compro motas a quem as quer vender.

sábado, 25 de março de 2017

Atenção à circulação nas bermas

Lido por ai e adaptado. 

“Pessoal cuidado à circulação nas bermas das Auto-estradas - coisa normalíssima na A2 no acesso à ponte e na A5. Normalmente as autoridades "fecham os olhos" e ignoram, mas no passado dia 22 (Quarta-feira) houve acção de fiscalização na A5 a seguir às bombas da Galp (sentido Cascais-Lisboa) e estiveram a multar as motas que estavam a passar pela berma! É uma infracção muito grave! São “apenas” 60€ mas tira logo 4 pontos e dá direito a sanção acessória de inibição de condução de 2 meses!”. 

Reproduzo pois o alerta faz todo o sentido. Ficar privado do exercido da condução é bem duro e pode ter consequências terríveis na nossa vida.

Dessas e das outras #35


sexta-feira, 24 de março de 2017

SYM Jet 14 mais uma anti-PCX a chegar

Apesar de ainda faltar mais de uma semana, o Lisboa MotoShow na Fil começa a mexer com a cena motociclista. 

A SYM vai apresentar na FIL mais uma concorrente à digníssima líder do segmento, a Honda PCX. 

Segundo a marca, a SYM Jet 14 apresenta uma configuração “user friendly” onde se destaca uma plataforma plana que confere mais espaço para descansar os pés, e um assento ergonómico garante de maior conforto na cidade. Ainda segundo a marca, a SYM Jet 14 é leve e fácil de manobrar. As suas jantes de 14 polegadas são indicadas para uma condução em cidade e pode ainda beneficiar do seu baixo peso de 122kg para a manobrar com mais facilidade. A SYM Jet 14 oferece um painel de instrumentos LCD cm três secções distintas que apresentam com clareza a informação e maior espaço de arrumação - para além de permitir arrumar um capacete integral debaixo do assento, pode também arrumar as suas luvas no espaço dianteiro. 

A seguir com atenção, pelos amantes do segmento.

Limalhas de História #28 – 24 de Março de 1991

Veni, vidi, vici, terá dito o general e cônsul romano Júlio César em 47 a.C.. César utilizou a frase numa mensagem ao senado romano descrevendo a sua recente vitória sobre Fárnaces II do Ponto na Batalha de Zela. Uauuuuuu…!!! 

Faz hoje exactamente 26 anos. Suzuka. Japão. Arranque do Mundial desse ano. O simpático Noboru Ueda estreia-se na classe 125cc. E logo com uma pole. “Nobby” arranca nesse dia para fazer “barba e cabelo”. À Pole junta a vitoria na corrida e a volta mais rápida da mesma. Que estreia! Ueda realizou doze épocas. Nunca mudou de classe. Venceu mais doze vezes ao longo da sua carreira e o melhor que conseguiu foi ser vice-campeão em 1994. Sempre na Honda. Uauuuuuu…!!!

quinta-feira, 23 de março de 2017

Limalhas de História #27 – 23 de Março de 1985




“Fast Freddie”, eterno “Fast Freddie”! 

Faz hoje exactamente 32 anos. Kyalami. Midrand, Gauteng, Africa do Sul. Recordamos, Kyalami significa “a minha casa” em Zulu. Uma das “casas” que Freddie Spencer deixou pelo mundo fora. Faz hoje exactamente 32 anos, dizia, que Spencer começava a época a vencer em 250cc e a fazer segundo em 500cc. A temporada terminaria com sete mais sete vitórias. E dois títulos mundiais. Lenda!

quarta-feira, 22 de março de 2017

Regresso ao Futuro parte V - e última?

[Uma Dominator que não foi mais do que um sonho de verão. Ainda se recordam?

Aqui (link), aqui (link), aqui (link) e aqui (link) vai parte da história. Longa. Interminável. Mas ainda não acabou.

O regresso ao futuro é para ser feito devagarinho… ]

Preso em mil novecentos e noventa e dois. A primeira ajuda chega montada noutro pedaço desse tempo. Um velho Opel Corsa, literalmente a cair de podre, com algo parecido a dois neo-hippies lá dentro chega em meu socorro. Era o Gustavo e a companheira. Dono da casas onde iria pernoitar por duas noites. Casa fantástica, um pouco mais para Norte, na bela Favaios, terra de grandes vinhos e do famoso Moscatel. Casa, pois claro, estrategicamente situada no meio das vinhas. 

E como é que o Gustavo me queria ajudar? Com uma bomba de encher pneus de bicicleta, daquelas azuis, lembram-se? Bomba essa que tinha de estar assente num fedorento tapete do velho Corsa. Porquê? Porque o dono da bomba, o Sr. Paulo, que tem uma casa de arranjo de bicicletas e motorizadas não queria ver a bomba estragada nem sequer estragada. Isto estava a correr bem… Recordo…, eu “estava” em mil novecentos e noventa e dois. 

Obviamente, nada feito. Bagagem e casaco para dentro do carro, rabo para cima do deposito e siga fazer dez quilómetros em primeira-segunda-primeira até à loja do tal minhoquinhas do Sr. Paulo. 

O Sr. Paulo quando me vê exausto e desidratado a chegar à sua magnífica escura e bafienta oficina do Pinhão, foi peremptório: “que hoje nada a fazer!”. Não?!? Como não? Claro que sim. Vamos dai Sr. Paulo que eu dou uma ajudinha. Pneu desmontado, camara de ar trocada e já está. Tudo resolvido. Oito e tal, estrada acima para Favaios tomar um banho e comer uma suculenta posta. Ou não…

Dois quilómetros depois, junto á lindíssima quinta do Noval (onde crescem uvas que dão dos melhores vinhos do mundo, não sou eu que o digo mas sim os especialistas) com as colinas banhadas pela luz doirada e magica do entardecer a beijar o verde escuro da vinha…, novo furo! Basta! Só me apetecia mandar a pobre “Domie” por quelas ribanceiras abaixo. Ela que fosse para o Diabo que a carregue…, “fartinho disto…, quero voltar para o presente, e quero voltar já!”. Ou não… 

A Dominator lá veio por ali abaixo, devagarinho, devagarinho, até se imobilizar na oficina do Sr. Paulo que, quando me viu, parece ter visto o demónio: “esta mota não fica aqui, não quero cá a sua mota, nem pensar…”. Sim Sr. Paulo. Ou não. Lá ficou a velha NX650 aos cuidados do mau humor endémico do Sr. Paulo que “amanhã. Domingo, ainda tinha de ir para o porto com umas bicicletas”.

(continua, ufffff…, isto já parece uma interminável novela mexicana, ou pior ainda, da TVI).

Saca! #23


terça-feira, 21 de março de 2017

On the road again…




Bueno…, não há desculpa possível, eu sei. 

O Escape fez “pit stop” algures em Novembro passado e nunca mais deu sinal da sua voz rouca. 

Mas quem resiste a uma boa primavera? Tal como as andorinhas, os espirros e o asfalto sequinho, sequinho, o Escape está de regresso. Voltou também com o início do Mundial de Velocidade – já este fim-de-semana - e dos Salões de motos, equipamentos e acessórios a Lisboa – já nos primeiros dias de Abril. 

Querem saber o que diz a placa que a jovem mostra ao piloto? Venham dai…
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