Mostrar mensagens com a etiqueta frança. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta frança. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

NEXX X.LIFETOUR PRO MILE e quado a liberdade começa na cabeça

Há capacetes que te protegem. E depois há o NEXX X.LIFETOUR PRO MILE – que te envolve, que te acompanha e que, acima de tudo, se torna parte da tua viagem. Não é apenas um capacete, é um companheiro de viagem. Foi esse o elo que criei com ele ao longo de milhares de quilómetros: da brisa salgada da Sardenha (link) às curvas sem fim dos Alpes (link), e agora também pelo nosso Portugal fora (link). É com ele que me sinto preparado para tudo, com a confiança de quem sabe que leva o melhor na cabeça.


O X.LIFETOUR PRO MILE nasceu precisamente em Portugal, mas é pensado para conquistar o mundo. E não, não é só um modular. É um capacete que cruza o melhor de dois mundos: a versatilidade de um modular com a rigidez e a leveza de um capacete premium. 

A começar pela calota em carbono 3K, ultraleve e altamente resistente a impactos. Mas vamos ser rigorosos: este capacete pesa apenas cerca de 1700 g, algo impressionante para um modular com homologação P/J. Traduzido? Podes andar com a queixeira aberta (posição Jet) ou fechada (posição Integral) com total legalidade e segurança. A liberdade de escolher o estilo de condução, sem comprometer a proteção. 

A AERODINÂMICA QUE FAZ SILÊNCIO 
Na estrada, o silêncio é ouro. E o X.LIFETOUR é um dos capacetes mais silenciosos que já tive, graças à sua forma cuidadosamente esculpida e ao Sistema Vortex que gere de forma inteligente o fluxo de ar. Assim o X.LIFETOUR possui um design avançado de insonorização que inclui geradores de vórtice no queixo para minimizar a resistência aerodinâmica e o inovador Silent Travel Seal - uma dupla vedação de borracha à volta da viseira e da zona de fecho da máscara para um isolamento acústico superior. Mesmo a velocidades mais elevadas nos Alpes suíços, senti um nível de ruído muito controlado, algo raro nos modulares. 

A viseira clara oferece um campo de visão panorâmico de 15% superior à média, com preparação para Pinlock (e já vem incluído o Pinlock® 120XLT® MaxVision™ — o topo de gama). A proteção contra o embaciamento é total, mesmo nas manhãs húmidas de montanha. 

CONFORTO PREMIUM — QUILÓMETRO APÓS QUILÓMETRO 
A forração interior X-Mart Dry é um verdadeiro ninho para a cabeça. Tem efeito de memória, é lavável, anti-alérgico e seca duas vezes mais rápido que os tecidos convencionais. E sim, é termo-regulador, o que significa que te mantém fresco no calor escaldante da Sardenha e aconchegado nos vales frios dos Alpes. O capacete tem ainda um interior ergonómico com corte tridimensional, adaptando-se como uma luva ao contorno da cabeça. As espumas são suaves, mas firmes. 

Não há touring sem comunicação. E aqui a NEXX jogou à frente: o X.LIFETOUR vem preparado para o X-COM3, o sistema de comunicação desenvolvido em parceria com a SENA, totalmente integrado. O resultado? Nada de caixas salientes nem barulhos parasitas. A estética e a aerodinâmica mantêm-se impecáveis. Além disso, está pronto para sistemas de vídeo e câmara, com espaço específico para instalação limpa e sem adaptações de recurso. 

TECNOLOGIA PENSADA PARA O MOTOTURISMO MODERNO 
O sistema de ventilação é digno de nota. Na parte superior há duas entradas de ar ajustáveis, complementadas por uma ventilação frontal na queixeira e duas saídas de ar traseiras. O fluxo de ar interno é canalizado com eficácia, mantendo o interior arejado mesmo nas subidas puxadas pelas estradas da Suiça Cenral ou nos dias tórridos a sul de Itália. 

Este capacete na versão ZERO PRO “Milha Profissional” é, visualmente, um colosso. O padrão de carbono à vista, o acabamento mate e os detalhes gráficos minimalistas tornam-no sofisticado, moderno e absolutamente apaixonante. O trabalho de pintura e acabamento da NEXX é de luxo. E o facto de ser fabricado em Portugal, numa linha de produção com controlo de qualidade apertado, garante não só segurança mas orgulho — porque sim, este capacete é português e bate-se taco-a-taco com os melhores do mundo. 

A NOSSA EXPERIÊNCIA 
Usamos o X.LIFETOUR em diferentes cenários: no calor de verão da Sardenha, com paisagens deslumbrantes e velocidades médias elevadas, e nas alturas dos Alpes, com nevoeiro, frio e exigência. O conforto nunca vacilou. O silêncio foi uma constante aliada. E a versatilidade de poder levantar a queixeira em zonas urbanas ou durante pequenas pausas é uma liberdade que aprendes a valorizar.

No lugar de passageira a Miss Yoshimura também tem viajado protegida pelo NEXX e destaca: a minha experiência com o novo NEXX X.LIFETOUR PRO MILE não podia ser melhor: é o meu primeiro capacete da NEXX e surpreendeu-me desde o primeiro quilómetro. Sendo modular, é extremamente prático nas viagens e, acima de tudo, destaca-se pelo conforto — leve, silencioso e estável, mesmo em longas horas na estrada. Também no cuidado e manutenção, a simplicidade faz jus ao conforto que oferece, e não podia estar em melhores mãos. Sem dúvida, um capacete que tornou cada passeio ainda mais prazeroso


O NEXX X.LIFETOUR PRO MILE é um capacete pensado por quem anda de moto, para quem vive de moto. Combina tecnologia, conforto, proteção e estilo de forma magistral. É o capacete que nos tem protegido e acompanhado numa das fases mais intensas da nossa vida sobre duas rodas. E isso, para nós, vale mais do que qualquer especificação técnica. Se procuras um modular sem compromissos, leve, silencioso, confortável e com ADN português — este é o teu capacete.

domingo, 10 de agosto de 2025

Sardenha e Alpes - HONDA NT1100 DCT ES em viagem (II)

Há dias que ficam gravados na memória como tatuagens na pele. Este foi um deles. Acordámos em Sant’Antiocco com o cheiro salgado do mar ainda colado ao capacete do dia anterior. Era cedo, mas o calor já prometia apertar. Estava na hora de rasgar a espinha dorsal da Sardenha. O destino: Santa Teresa di Gallura. A rota? A icónica Estrada 125 e o imperdível Passo Ghenna Silana. 


Saímos de Sant’Antiocco com os depósitos atestados e os corações cheios de expectativa. A NT1100 DCT ES estava com fome de asfalto, e nós estávamos prontos para a alimentar com curvas, vistas e emoções. A 125, conhecida pelos locais como Orientale Sarda, é mais do que uma estrada — é um poema em asfalto que serpenteia por montanhas, penhascos e florestas, sempre com o mar como pano de fundo, mesmo quando desaparece por momentos. 

**Recorda aqui (link) a primeira metade desta inesquecível viagem!**

A ALMA SARDA PELA ICONICA SS125 
Os primeiros quilómetros foram suaves, um aquecimento para o que aí vinha. O trânsito dissipou-se assim que deixámos para trás a sempre aborrecida Cagliari e começámos a subir para as zonas mais altas da ilha. A estrada começou a dançar entre as montanhas, os rails surgiram como avisos sussurrados, e cada curva parecia ter sido desenhada por um engenheiro com alma de piloto. 

E então, como quem sobe ao palco no momento certo, apareceu o Passo Ghenna Silana. Aproximámo-nos com respeito. Esta não é uma daquelas passagens alpinas com neve e postais, mas tem uma presença crua, quase tribal. A natureza ali impõe-se: rochas despidas, vegetação agreste e aquele silêncio cortado apenas pelo eco dos escapes. Parámos no miradouro. Respirámos fundo. Silêncio. Montanhas até onde a vista alcança e uma sensação estranha de que ali, naquele ponto, a Sardenha mostra a sua verdadeira alma. Selvagem. Indomada. Linda. 

De regresso à estrada, voltámos a atacar as curvas com prazer. A 125 continuava a entregar tudo à NT: curvas longas, cotovelos apertados, zonas de visibilidade ampla e outras que nos obrigavam a guiar com instinto. É uma estrada que exige, mas retribui em dobro. Uma estrada que nos liga à moto como poucas. Uma estrada que não se faz para chegar, mas para viver. 

Santa Teresa di Gallura - a nossa segunda e última base na Sardenha - surgiu ao fundo no final da tarde, banhada pela luz dourada do sol poente. Estávamos cansados, suados, e absolutamente felizes. Não foi só mais um dia de viagem — foi um daqueles capítulos especiais que fazem de uma ilha como a Sardenha um destino de sonho para quem ama motos, curvas e horizontes largos. 

ONDE A ESTRADA SE MISTURA COM O MAR 
Viver o Nordeste sardo, para além da descoberta dos inúmeros segredos da poética Santa Teresa di Gallura implica a visita as vizinhas ilhas de La Maddalena e Caprera: onde a estrada se mistura com o mar. Na verdade O arquipélago Maddalena é constituído por sete ilhas principais (Maddalena, Caprera, Santo Stefano, Spargi, Budelli, Santa Maria e Razzoli) e outras ilhotas menores. 


Há viagens que não se contam apenas com palavras. Vivem-se na pele, no cheiro do sal, no sopro quente do vento que passa por entre a viseira entreaberta. Assim foi o dia em que deixámos Santa Teresa di Gallura para embarcar rumo ao arquipélago de La Maddalena. A travessia de ferry já nos dá o primeiro aperitivo: o mar de um azul translúcido, impossível de definir com uma só cor, separa a Sardenha continental deste pequeno paraíso recortado. Quando a roda da moto toca o asfalto da ilha, algo muda. O tempo abranda, os sentidos aguçam-se. A estrada serpenteia suavemente pelas colinas e baías, sempre com o mar como pano de fundo. Cada curva oferece um postal novo — enseadas escondidas de águas calmas, rochedos esculpidos pelo vento, vegetação rasteira perfumada de maresia e sol. 

La Maddalena acolhe-nos com ruas estreitas e uma simplicidade encantadora, mas é Caprera que nos tira o fôlego. Ligadas por uma ponte estreita, as duas ilhas convidam literalmente a perder o rumo e seguir apenas o instinto e o brilho da luz no horizonte. Em Caprera, o silêncio impera. Quase não há trânsito, apenas o som do motor ao ralenti e o chilrear das aves. É um local com alma, onde a natureza parece falar connosco. As praias? Inacreditáveis. A liliputiana Cala Coticcio, por exemplo, faz-nos duvidar se ainda estamos no Mediterrâneo. Areia branca como farinha, água que vai da esmeralda ao azul puro — um convite impossível de recusar. 

Mas o que mais marca é a leveza de andar ali de moto. Não há pressa. Não há multidões. Apenas nós, a estrada, e a beleza crua daquelas ilhas. Cada paragem para contemplar a paisagem torna-se um momento de gratidão. E cada metro percorrido reforça a certeza de que estar sobre duas rodas é a melhor forma de sentir o mundo. Ali, no coração do arquipélago, compreendemos que viajar não é apenas chegar a destinos. É encontrar lugares que tocam dentro. E La Maddalena e Caprera… tocam fundo. 


O capitulo Santa Teresa di Gallura acabou por encerar esta visita de dez dias a terras Sardas. A viagem já vai longa ainda assim nem a meio vai. O regresso ao continente europeu foi feito novamente coma GNV para Génova. Daqui seguiu-se a maior etapa desta viagem com cerca de 600 quilómetros de auto estrada até não muito longe de Montpellier já na Occitânia. 

OCCITÂNIA: ONDE O MAR FALA COM A AREIA DOURADA 
A pouco conhecida, entre nós, costa da Occitânia, estende-se como um poema que o mar escreve todos os dias. Aqui, entre enseadas serenas e extensas praias de areia clara, o tempo abranda e o espírito respira fundo. É um sul de França menos apressado, onde a luz quente do Mediterrâneo beija dunas suaves e o vento transporta o perfume do sal e dos pinhais. 

Estas praias encantadoras — como a de Palavas-les-Flots, a longa faixa dourada de La Grande-Motte ou os cenários quase tropicais de Leucate e Argèles-sur-Mer — são o coração pulsante de um verão que respira e sabe a liberdade. O azul do mar funde-se com o céu num horizonte que convida a contemplar ou simplesmente deixar-se ir, enquanto os pés se enterram na areia fina, morna e quase branca. Este ano com o “plus” de uma agua do Mediterrâneo de temperatura absolutamente tropical em pleno mês de junho. 

Mais do que um destino de férias, a costa da Occitânia é uma experiência sensorial: o som ritmado das ondas, o brilho dourado das tardes sem pressa, os pores-do-sol que parecem incendiar o céu, e o toque leve da brisa que percorre os cabelos como um afago antigo. Cada praia é um convite ao hedonismo simples, ao prazer puro de estar — de verdade — presente. 

RUMO AOS ALPES E À CATEDRAL DA CONDUÇÃO 
O tempo, horas e minutos, assumem uma estranha dimensão quando nos estamos a divertir. Ganha uma espécie de natureza inversamente proporcional. Quando mais te divertes mais depressa o tempo parece passar. Esta viagem caminhava depressa demais para o seu capitulo final. Se havia que regressar a Milão para voltar a entregar a moto aos cuidados do Nuno Almeida, então que tal fosse feito em grande estilo: Alpes, pois então. 


Ah, os Alpes… Nenhum motociclista regressa igual depois de os ter percorrido. Aqui, a natureza ergue-se em muralhas colossais, desafiando-nos com altitudes que tocam o céu e curvas que esculpem a estrada com precisão quase religiosa. As cada vez mais frequentadas passagens alpinas são verdadeiros santuários do asfalto, onde a comunhão entre homem, máquina e montanha atinge o seu auge. O rugido contido do escape, a resposta milimétrica da suspensão ativa, a estabilidade nos ganchos — tudo faz sentido neste cenário sublime. Os Alpes não são só um destino, são uma experiência espiritual, sobretudo ao guiador de uma moto que, como a Honda NT 1100 2025, sabe respeitar a grandiosidade do momento. 

A MAGIA DA ROUTE DES GRANDES ALPES 
Antes de um Sonho em Altitude, a estada levou-nos até Briançon - cidade mais alta de França e segunda mais alta da Europa – pela N94 francesa que ficou credora de outra atenção. 


Há estradas que nos levam a destinos, e há outras que nos transportam para dentro de nós. A Route des Grandes Alpes pertence, sem dúvida, à segunda categoria. Não é apenas um percurso; é um ritual de passagem para quem vive sobre duas rodas. Acordamos com o ar fresco da montanha a anunciar que algo especial nos esperava. Mal arrancamos com a Honda NT 1100 2025, entendemos que o dia prometia mais do que curvas — prometia emoção, paisagens irreais e aquele arrepio que só a comunhão entre máquina e montanha pode provocar. E uma incomodativa dor na cervical que chegou a colocar este final de viagem em causa. Até na dor a HONDA NT1100 DCT ES ajudou. Com uma moto menos confortável provavelmente não teria havido final feliz

Os Alpes franceses são uma ópera visual em crescendo. A cada quilómetro, o cenário muda como num filme: vales verdejantes que parecem pintados à mão, precipícios dramáticos que testam os sentidos, lagos alpinos de um azul impossível e, lá no topo, os colossos de pedra e gelo a vigiar tudo, eternos e silenciosos. Passar pelo Col du Galibier, a 2.645 metros, foi quase místico. O motor da NT 1100 ronronava com segurança e elegância, mesmo quando o oxigénio rareava. Era como se a moto também respirasse melhor ali em cima, como se compreendesse a grandeza do que estávamos a viver juntos. Olhamos em volta e, por instantes, não havia mais nada. Só nós, a estrada e o infinito. 


Há curvas nesta rota que se desenham diretamente no coração. E há miradouros onde a alma se detém para absorver cada nuance de luz, de vento e de altura. Mesmo nos troços mais exigentes, a NT mostrou-se incansável – confortável, estável e pronta a responder a cada provocação da montanha. A Route des Grandes Alpes não é apenas um dos percursos mais belos do mundo – é uma viagem iniciática, uma carta de amor às estradas, à liberdade, e à alma de quem nunca desiste de procurar horizontes. Despedimos-mos de terras gaulesas em Saint-Jean-d'Aulps já no Departamento da Alta-Saboia. Era tempo de rumar à Suiça tendo o Furkapass como grande protagonista de uma autentica sinfonia alpina. 

ONDE AS ESTRADAS TOCAM O CÉU
Passar junto a Interlaken e não dar “um salto” ao vale de Lauterbrunnen é com ir a Roma e não ver o papa. Cumprimos a tradição, obviamente. Cruzar a Suíça Central é como atravessar um postal vivo, onde cada curva parece desenhada à mão por um artista obcecado com a perfeição. Mas há um momento onde tudo se intensifica, onde o coração bate mais forte e a respiração se prende só para absorver a grandeza à nossa volta: o Furkapass. A Honda NT 1100 2025 estava pronta, como sempre, silenciosamente cúmplice. E à medida que os vales se transformavam em muralhas e as rectas davam lugar a serpentinas dramáticas, a emoção crescia. 

O Furkapass não é apenas uma estrada — é um desafio aos sentidos, um abraço entre o homem e a montanha. A cada curva apertada, o olhar é sugado por precipícios vertiginosos e glaciares que parecem suspensos no tempo. É impossível não parar. Não respirar fundo. Não sentir um arrepio ao olhar para trás e ver o caminho esculpido no granito alpino, como uma assinatura divina. 

Aqui, o silêncio tem som. O som do vento que corta as encostas. O som do motor que sobe, firme e confiante. A NT 1100 mostrou-se sublime – equilibrada, com uma ciclística que inspira confiança mesmo quando a estrada parece desaparecer no céu. A proteção aerodinâmica fez-se sentir, assim como o conforto inabalável que a moto oferece, quilómetro após quilómetro. 

E depois há aquele momento – aquele miradouro famoso, eternizado em filmes como Goldfinger, onde James Bond e o seu Aston Martin também se renderam à magnitude do Furka. Ficamos ali. Só nós, a moto e o silêncio de um mundo que parece suspenso a milhares de metros de altitude. 

No entanto o Furkapass é só parte do encanto. Antes e (ou) depois dele, há Grimselpass, Sustenpass, Nufenenpasse e Oberalpass, estradas onde o tempo não tem pressa. Onde se come devagar, onde se escuta o sino das vacas e se admira o recorte das montanhas com um respeito quase religioso. A Suíça Central não é apenas uma rota — é um hino. Uma celebração da condução, da natureza e da liberdade. E neste palco de emoções e abismos, a NT 1100 foi muito mais que transporte. Foi parceira. Foi alma gémea. 


Por falar nisso. O que terá a Miss Yoshimura a dizer sobre tudo isto? Esta viagem foi, sinceramente, das experiências mais suaves e seguras que já vivi numa moto. Entre Sardenha, o sul de França e os Alpes, senti-me sempre bem acompanhada — não só pelo piloto, mas pela própria moto. Mesmo nas estradas mais irregulares, nunca houve aquele impacto seco ou aquele desconforto típico de longas horas como passageira. Parecia que a moto se ajustava a tudo, como se soubesse exatamente o que o nosso corpo precisava. E isso, para quem vai atrás a ver o mundo a passar, faz toda a diferença. 

Durante a viagem, fui também a responsável pelos registos — fotos, vídeos, momentos que quero guardar para sempre. E o facto de me sentir segura, sem abanar desnecessariamente, sem esforço extra para me equilibrar, deu-me liberdade para captar tudo com calma. Foi como se a moto me deixasse espaço para viver a viagem com os olhos abertos e o coração tranquilo. E quando isso acontece… tudo flui. Foi bonito. Foi mesmo especial.

REGRESSO A MILÃO 
Regressar nunca é apenas voltar. É carregar tudo o que se viveu, é olhar para trás com um sorriso e para a frente com nostalgia antecipada. E quando o caminho de regresso passa pelo Passo de São Gottardo, a viagem transforma-se numa despedida em grande estilo – como um último acto de uma ópera épica. 

O São Gottardo, com os seus dois caminhos — o moderno túnel que engole o tempo e o velho traçado da Tremola, em empedrado, que resiste como uma relíquia viva — oferece duas almas muito distintas. Eu escolhi a alma antiga, claro. A Tremola é brutal, primitiva, desconcertante. Uma serpente de paralelos que dança encosta acima, onde cada curva é um teste à técnica e à paixão. Ali, a condução deixa de ser racional. É visceral. É puro prazer de comunhão com a estrada e com a história.

No topo, o vento sopra histórias de viajantes antigos. E ao nosso lado, a NT 1100 continuava impecável – mesmo neste troço mais rústico, a suspensão filtrava com elegância cada irregularidade, enquanto o conforto do assento e a eletrónica discreta ajudavam a manter a fluidez da condução. Uma tourer moderna que chega até a revelar alma de exploradora

A descida trouxe uma mudança radical de cenário. À medida que me aproximava da Itália, o verde intenso das montanhas foi dando lugar a colinas suaves e, finalmente, ao brilho líquido do Lago Maggiore. O lago parecia respirar em paz. 


Contornar as margens do Maggiore foi como um bálsamo depois da dureza dos Alpes. Casas senhoriais escondidas entre ciprestes, vilas encantadoras como Stresa ou Cannobio, cafés à beira da água e aquela brisa quente a dizer: “chegaste”. Ali, entre reflexos de montanha na superfície calma do lago, percebi que a viagem tinha mudado algo em mim. A Honda NT 1100 2025 levou-nos por quilómetros de descoberta e paisagens que marcaram a pele e a alma. E agora, no regresso a Milão, levavamos mais do que memórias — levavamos uma nova sede de estrada.

Recorda aqui (link) a primeira metade desta inesquecível viagem!

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Pela “Route des Grandes Alpes” (IX)

Esta estória (link) já vai longa, eu sei. Mas na verdade só agora chegamos ao "olho do furacão".

A “Route des Grandes Alpes” é uma invenção humana, um itinerário turístico composto por diversas estradas ou trechos de estradas. Cerca de 720 quilómetros que riscam os Alpes franceses de norte a sul. Lá pelo meio vamos encontrar dezassete cols (passagens de montanha), seis deles acima dos 2000 metros de altitude. Partindo de Thonon-les-Bains, nas margens do charmoso lago Léman, conduz o viajante a beijar o Mediterrânico em Nice – num acumulado de 17000 metros de desnível.

Neste primeiro dia decidi trocar as voltas ao mapa e percorrer parte da “Route des Grandes Alpes” de sul para norte. A aposta viria a revelar-se acertada. 

Após uma noite de chuva copiosa a manhã apresentou-se fresca mas limpa, e o asfalto seco. Que maravilha! 

Deixando a charmosa Megève e a pitoresca Flumet para trás…, “voilà, enfin le Route des Grandes Alpes”. Col des Aravis, a bela Le Grand-Bonard e Col de la Colombière serviram de delicioso aperitivo para o que viriam a ser os próximos dias. 

Estradas bem desenhadas com asfalto de qualidade como palco; suaves encostas alpinas e enormes montanhas a nos fitarem lá do alto como cenário; milhares de motociclistas como protagonistas desta história. A “Route des Grandes Alpes” não desiludia, pelo contrario satisfazia e de que maneira. 

Este foi mais um dia calmo e curto para saborear bem “todos os bocadinhos”. Do “la Colombière” foi tempo de descida vertiginosa para Taninges e subir o Col des Gets - que se assume como a primeira, suave, passagem de montanha para quem arranca para esta viagem no seu início, isto é, Thonon-les-Bains. 

Como Thonon e as margens do lago Léman já eram por mim conhecidas (link) a opção aqui foi a visita às Gorges du Pont-du-Diable, uma sucessão de gargantas no rio Dranse e a escalada dos Col´s du Grand Taillet e de Trechauffe que permitem vistas quase aéreas das margens sul do Léman. 

O regresso a Sallanches fez-se pelo percurso mais rápido. A meteorologia apontava nova chuvada copiosa para o início da noite e o dia seguinte era de “etapa rainha”.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Pela “Route des Grandes Alpes” (VIII)

A sétima jornada da viagem foi de sossego e descanso, como puderam ler aqui (link). 

Com um último delicioso expresso italiano e os olhos no Maggiore despedi-me da bela Itália. 

O dia começava com o regresso fugaz a estradas helvéticas e a passagem pelo pouco interessante, em termos de condução, Simplonpass. A descida para Brig convidada a esquecer o roadbook e rumar novamente ao diamante das estradas apaixonantes (link). Não era possível, havia que seguir as águas cristalinas do rio Ródano e apreciar aquele vale sumptuoso do cantão suíço do Valais. 

Brig, Sion e Martigny depressa ficaram para trás. A despedida helvética fez-se no magnífico Col de la Forclaz. As boas vindas aos alpes franceses foram me dadas pelo Col de Montets já no “Département de la Haute-Savoie”. 

Foi um dia solarengo, rápido e fácil que permitiu um almoço tranquilo na bela estância francesa de Chamonix que mira cá de baixo, temeraria, o imponente Monte Branco. Um dos dias mais tranquilos desta incursão alpina. Descobrir e percorrer a “Route des Grandes Alpes” começava “já amanhã”.

domingo, 27 de agosto de 2017

Pela “Route des Grandes Alpes” (IV)

Uma das vantagens do airbnb é esta: recolher junto dos anfitriões elementos preciosos para enriquecer ainda mais a viagem. Foi o caso, com a aldeia de Yvoire. 

Yvoire, aldeia francesa medieval fortificada, iria passar totalmente ao lado desta viagem (quer dizer, em bom rigor eu é que passaria ao lado dela) e acabou por se tornar no melhor ponto de partida possível para um dia a bordejar o fresco lago Léman.

Dali, foi tempo de marchar às margens ocidental e norte do lago, já na Suiça. Genebra e Nyon, rapidamente ficaram para trás. O destaque deste dia vai para as perfumadas vinhas de Lavaux. 

A região vinícola de Lavaux, situada no cantão suíço de Vaud, tem vinhas centenárias e assumem-se desde 2007 como património mundial da UNESCO. Virada a nascente, o Sol reflecte-se no lago e os muros de pedra concentram o calor. Com uma grande variedade de solos e microclimas, a região produz uma rica variedade de vinhos mas o destaque vai para a pouco conhecida entre nós casta Chasselas. O Chasselas é um vinho fresco e frutado. Os aromas mais associados aos vinhos produzidos com essa variedade são frutas cítricas, maçã verde e pêssego. Com o envelhecimento ganha notas de mel e nozes, bem como um tom mais dourado. 

Foi então tempo de um passeio a pé pelas vinhas - a beleza ombreia com o nosso belo Douro apesar da dimensão ser bem menor - petiscar algo e beberricar um copo de branco fresco. Tudo entremeado com um mergulho no lago, em Rivaz. 

O regresso a Thonon-les-Bains fez-se pela margem oriental do lago com mais um revigorante mergulho junto à celebre Évian-les-Bains. 

No regresso ao meu airbnb, tinha saborosos queijos regionais e vinho local à minha espera, cortesia da minha anfitriã. Bem melhor que ir para o hotel, não? 

Sono profundo…, que os próximos dois dias prometiam. Não…, eu não arrancaria já para a descida da “Route des Grandes Alpes”. É irresistível estar tão perto da Suíça Central e não me empanturrar com as melhores e mais deliciosas estradas europeias…

domingo, 20 de agosto de 2017

Pela “Route des Grandes Alpes” (III)

Um dia irei compreender por que diabo uma viagem desta sumptuosidade não encontra espaço (mesmo que “vendida” a preço de saldo) numa qualquer publicação em papel da especialidade, nomeadamente na MOTOCICLISMO, onde colaboro pontualmente há décadas. Ou então não irei compreender nunca. Desde logo porque não sou eu o director da mesma e não conheço, obviamente, todas as dificuldades e especificidades do sector. 

Sem stress. Copo meio cheio. Desta vez vou escrever o que quero, como desejo, sem estar preocupado com a chancela editorial. É para mim, para minha recordação e simples prazer da escrita que o faço. E, naturalmente, para vocês, amigos e leitores do Escape. 

Agora parece estar em crescente moda uma nova modalidade de mototurismo, onde a mota é enviada numa palete para junto do destino e o motociclista vai fresquinho no ar condicionado do avião ter com ela. É o chamado mototurismo cocoon ou de casulo. Alerta…, nada contra! Eu próprio espero vir um dia a recorrer a tal expediente. Obrigado…, mas este ainda não é o momento para tal. 

Em dois dias, até Thonon-les-Bains, Portugal, Espanha e França foram assim atravessados sem grande dificuldade (como se costuma dizer “ia para a festa”, notem) pela Honda CRF 1000L Africa Twin DCT. 

Quase dois mil quilómetros partilhados entre o cinza escuro do asfalto e o azul do céu. Temperaturas amenas, em especial em França, também facilitaram a viagem. A escala foi feita em Dax no Ibis Budget – não conhecia a cadeia e fiquei imediatamente fá (facilidade, limpeza, sossego e economia). 

A chegada a Thonon foi feita bem a tempo de tomar um banho fresquinho no primeiro agradável e económico airbnb da viagem, pesquisar no TripAdvisor a melhor Pizza da terra e confirmar com a minha anfitriã essa mesma informação. O caminho foi feito a pé para relaxar os músculos de tantas horas sentado, com ajuda do Google Maps.

Viajar de mota na era da conectividade é isto: só faz estranhas e erradas escolhas quem não sabem utilizar as ferramentas que estão ao dispor na Rede 

No dia seguinte haveria passeio em redor do lindíssimo lago Léman. Um pequeno sonho antigo estava prestes a realizar-se…

domingo, 13 de agosto de 2017

Pela “Route des Grandes Alpes” (II)

Antes, durante e depois. Os três momentos chave da Viagem. 

Foi aqui. Agosto de 2016. Quando vi e comprei a excelente Road Trip (#37) – “Les Carnets de Voyage Motos”. O “antes” começou a desenhar-se com cerca de um ano de antecedência. 

Alpes. Outra vez Alpes? Sim, Alpes. Para sempre Alpes! Já havia mote. Descobrir e percorrer a “Route des Grandes Alpes”. Parte dela já conhecida, outra parte novidade. Tudo seria olhando com outros olhos, percorrido com outros sorrisos. O asfalto a ser “surfado” por outras borrachas, propulsionadas por cavalos diferentes dos da última vez.

Mas que raio vem a ser isso da “Route des Grandes Alpes”? 

Invenção humana, é um itinerário turístico composto por diversas estradas ou trechos de estradas. Cerca de 720 quilómetros que riscam os Alpes franceses de norte a sul. Lá pelo meio vamos encontrar dezassete cols (passagens de montanha), seis deles acima dos 2000 metros de altitude. Partindo de Thonon-les-Bains, nas margens do charmoso lago Léman, conduz o viajante a beijar o Mediterrânico em Nice – num acumulado de 17000 metros de desnível.

Relançada no final do seculo XX, a “Route des Grandes Alpes” está hoje aberta na sua totalidade sensivelmente de Junho a Setembro, dependendo do degelo sazonal. Ainda no primeiro momento da viagem, o “antes”, compus o itinerário para que algumas capelas do gigantesco tempo alpino (link) não ficassem sem a respectiva visita e “digníssima oração”. 

Feita a viagem, na segunda quinzena de Julho passada, chegamos pois ao momento do “depois”. Relanço o repto: venham comigo pela “Route des Grandes Alpes”.

domingo, 6 de agosto de 2017

Pela “Route des Grandes Alpes” (I)

Alpes. Outra vez Alpes? Sim, Alpes. Para sempre Alpes! 

Religião é Cultura. Está ai, opõem-se à Natureza que nos é dada. A Religião é produto dos Homens. É um sistema ou conjunto de sistemas. De crenças. De visões do mundo. Estabelece símbolos. A Religião tem comportamentos organizados. 

Os Alpes estão lá, na Natureza, foram-nos dados. Nos Alpes os Homens construíram e mantêm estradas. Estradas belas como a Natureza mas produto do labor humano. São Cultura. Como cultura é abraçar aquelas estradas com máquinas de duas rodas. 

É isso mesmo que fazem todos os verões milhares de motociclistas que de todo o mundo ali acorrem. É um comportamento mais ou menos organizado. 

Os Homens são naturalmente hedonistas, buscam o prazer. Neste caso o prazer daqueles homens (e cada vez mais mulheres) é circular naquelas estradas. As estradas transformam-se assim em templos. As estradas como locais de uma prática religiosa. De uma visão do mundo, recordamos. 

O Mototurismo (visão do mundo) enquanto comportamento organizado, assume ali uma natureza próxima da prática religiosa. E as estradas alpinas são os locais de tais práticas. 

Ou seja, encontramos nas estradas alpinas os Templos perfeitos para a prática da Religião pagã do mototurismo. Deus é a máquina que conduzimos. A crença é no prazer. E o Templo assume, como escrevi (link) em tempos a forma de descomunal Disneylândia. 

Venham comigo pela “Route des Grandes Alpes”...

terça-feira, 26 de maio de 2015

Atenção viajantes




Segundo a Solo Moto (link), a partir de 1 de Janeiro de 2016, todos os motociclistas que circulem em território francês, devem levar na sua moto, obrigatoriamente, um colete reflector homologado.


Mesmo não estando a pensar circular em França nos próximos tempos, habituemo-nos à ideia…, mais tarde ou mais cedo acabará por chegar até nós.
Site Meter