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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Flávia ou um sonho de uma madrugada de verão

O amor à primeira vista existe? Por esse mundo fora há quem jure que sim, o amor à primeira vista existe, podendo a qualquer pessoa bastar uma fugaz troca de olhares para que tal aconteça. Já os cientistas, esses seres aborrecidos como uma velha e abandonada bota militar, são peremptórios: o amor à primeira vista não é possível, mas a paixão sim. A atracção é sobretudo química, dizem. O aspecto físico e o cheiro podem desencadear uma reacção imediata que nos faz apaixonar. Mas na escolha para uma relação estável, são as referências culturais e sociais que fazem a diferença, dizem os putativos especialistas. Geralmente o que acontece com a maioria das pessoas é um atracção inicial que é puramente sexual. Ei, ei, ei…, calmaaaaaaaa, láá…. 

Foto: Gonçalo Fabião

FOGO QUE ARDE SEM SE VER 
Apaixonei-me pela Flávia por foto. Não tenho vergonha de o dizer. Quem nunca…, no Tinder e assim. Pois, é não é?!? Eu cá, foi no instagram, quando vi umas imagens de Tiago Almeida, O Senhor Tigas, (link) realizadas para ele e para a Unik Motorcycles (link). Booooooomm! Naquele momento senti uma explosão. Mesmo!! Eu tinha de cheirar e tocar a Flávia

O que eu não poderia saber era…, não ser o único. Não, eu não era o único nesse estado catatónico, ridículo, patético: o amor. E com este veio o ciúme. Quando vi a Flávia na capa da REV #58 de Julho/Agosto passados. Ao menos ela, a Flávia, estava bem entregue, à Maria e à lente do Manel. Menos mal para o mal que eram os meus pecados. 

Foto: Gonçalo Fabião

“FERIDA QUE DOÍ E NÃO SE SENTE” 
Dorido, enraivecido, triste, deprimido e humilhado. Dizem que é assim que se sente o ciumento. Não tive tempo para tanta coisa. Eu cá só queria um fugaz abraço da Flávia e sentir o seu hálito a octanas. Fiz por fazer acontecer num sonho de uma madrugada de verão. 

A história de Shakespeare com nome idêntico é desafiadora para glosar, pois são diversas as histórias, que, de alguma maneira, se entrelaçam na obra. De forma divertida, o célebre poeta e dramaturgo inglês explora em “Sonho de Uma Noite de Verão” a idolatria amorosa em oposição ao amor verdadeiro. Pelo menos em Shakespeare, que ao que se sabe nunca foi cientista, as paixões súbitas, tão ardentes como passageiras, são mesmo reais. A leitura de “Sonho de Uma Noite de Verão” permite uma reflexão sobre os não-amores e sobre a valorização da arte e dos seus profissionais. 

Foto: Gonçalo Fabião

CONTENTAMENTO DESCONTENTE 
Foi, pois, assim, numa noite de verão, já de madrugada, uma espécie de after hours - como havia antigamente quando o Novo Fascismo Covideiro não existia e éramos livres para sair à noite -, que dancei com a Flávia e lhe senti o forte odor a carburante que me embriagou ainda com mais desejo. Numa madrugada limpa e luminosa na Lisboa de fim de verão. Iluminados por aquela luz apalermada e inebriante como só Lisboa nos sabe oferecer. 

Exercícios e jogos de palavras à parte, a realidade é feroz. Flávia é possuída por outrem. Simpático, o seu dono e senhor cedeu-a por momentos para esta experiência. Fez bem, pois o sentimento de posse vai ficando cada vez mais vetusto, até nas relações humanas quanto mais nas demais relações. Na verdade, Flávia foi enfim por mim escolhida para substituir a incrível Hulk que tão bem tomou conta deste blogue durante dois anos, captada pelo olhar mágico do Manuel Portugal, a quem agradeço uma vez mais a sessão “UNIKA” que deu origem à imagem agora decaída. 

Foto: Gonçalo Fabião

Chegou assim o tempo de renovar a cara desta página. Também para saudar de forma inequívoca o excelente trabalho do Gonçalo Fabião, exercício esse que os mais atentos têm conhecido e reconhecido, aqui, nos meses recentes. 

DOR QUE DESATINA SEM DOER 
Flávia, variante feminina de Flávio, tendo raiz no nome romano Flavius, significa "dourado, louro". Tal como muitos outros nomes a sua origem decorre de uma característica física. Assim, teria sido o nome utilizado para nomear indivíduos que tivessem os cabelos claros. O original em latim Flavius foi utilizado no Império Romano como nome próprio por vários imperadores, sendo o mais conhecido Constantino, o Grande. Flávia é também o nome de uma santa católica e ortodoxa: Santa Flavia Domitilla, que terá vivido no século I d.C. 

Foto: Gonçalo Fabião

Flávia é aqui a décima sétima criação da Unik Motorcycles foi transformada durante o ano de 2019 com o intuito de homenagear uma senhora, partindo de uma histórica Honda CBX 750 de 1986. Flávia apresenta como principais detalhes uma traseira encurtada cerca de 16 centímetros, suspensão da frente original (bainhas invertidas) da Kawa Ninja ZX9, amortecedor traseiro no lugar da suspensão a gás original, jantes Honda CBR de 17’, pinça traseira Brembo, avanços adaptados ao espaço disponível, mesa de direcção desenhada e cortada a laser, manómetro digital no painel original, piscas led, filtro de ar cónicos, caixa de bateria por baixo do motor recolocando todos os competentes electrónicos, guarda-lama e pintura custom sem uso de vinis. 

Parecendo difícil não é nada fácil fazer a quadratura de círculo de tudo o que vai dito. É óbvio, há aqui emoção. Flávia nascida e criada prateada para homenagear uma senhora, acabou assim como podem ver nas excelentes imagens do Gonçalo – este camarada não pára de nos surpreender – por fazer jus ao nome e brilhar dourada como o seu nome nos braços da Lisboa que alguns dizem ser de Ulisses e todos sabemos ser um lugar simbólico de fronteira e de passagem. 

Foto: Gonçalo Fabião

Ou…, não terá passado tudo isto de um mero sonho de uma madrugada de verão…

domingo, 24 de maio de 2020

“Afinal nunca estamos perdidos”

Domingo, sete da manhã. Terminava naquele preciso instante algo que até há algumas semanas para mim seria impensável: sete dias seguidos a trabalhar num turno de oito horas entre as vinte e três horas de um dia e para lá do nascer do sol do dia seguinte. 

Foram dias de desadaptação, confesso, e por vezes sentia me mesmo um pouco perdido. Desempenhando com lealdade as funções que me foram confiadas, com o som do espaço que a noite traz. Ora apenas o silêncio, uma rega automática que nunca imaginei estar ali, a passarada que teima em acordar diariamente uma hora antes do sol nascer. Agora, chegavam enfim as merecidas folgas. 

Após algum sono de descanso, decido inverter o foco do trabalho para o lazer. “Vou-me enfiar debaixo do chapéu-de-sol, entre passeios à beira mar e mergulhos de mar salgado”, pensei. Mas não vou sozinho. Finalmente encontrava tempo para ler a REV #57 que comemora o décimo aniversário da revista do poço do bispo - no jornalismo antigo havia esta tradição de, forma carinhosa, indicar ao leitor onde o objecto era feito. Serve então este post, desde logo, para saudar a REV e todos aqueles que a tem levado a cabo durante esta década: muitos parabéns a todos! 

Serve ainda este post para admitir algo; para mim mesmo e até de forma pública e publicada. A maior decepção que este ESCAPE me deu foi, nos seus já mais de cinco anos, nunca ter visto uma única linha ou sequer palavra escrita na comunicação social especializada sobre o trabalho que aqui se idealiza, realiza, produz, escreve, fotógrafa, edita, pública e promove. Aqui, neste O Escape Mais Rouco. Um trabalho individual. Em que a equipa é apenas de cerca de 1 (um). 

Foi ao ler as primeiras páginas desta edição aniversário que me lembrei de trazer este tema aqui. O arranque desta REV #57 é feito com um conjunto de textos onde se celebra, e bem, o trabalho realizado em dez anos. Curiosamente o escrito mais surpreendente e que claramente se destaca dos demais é o de Miguel Tiago, motociclista e ex-deputado do Partido Comunista Português à Assembleia da Republica cujo título roubo para esta espécie de crónica. 

“Afinal nunca estamos perdidos” escreve o Miguel a propósito de um pequeno episódio de uma burguesa viagem de moto pelas deliciosas Córsega e Sardenha. E, paradoxalmente, encontrei a paz com a decepção que vos conto, ao ler, precisamente a “Rusty Tale” da Marta Garcez. Sem saber que me iria reabrir a ferida, nunca falamos sobre isso - obviamente- a Marta escreve que outro fenómeno que “ajudou a mudar a forma de ver o mundo das duas rodas” foi a “organização de encontros que nos puseram a todos em contacto regular” citando alguns deles e esquecendo as Tertúlias do Escape. 

Tendo inclusive a Marta sido uma das pouquíssimas Tertulianas repetentes, esteve aqui (link) e aqui (link), confesso que me entristece ver por ela citado o quase irrelevante Social Riders Club e esquecidas as magníficas Tertúlias do Escape com catorze edições duas delas fora de Lisboa, uma em Évora (link) outra Porto (link). “Eventos que moldaram essa cultura e tornaram a sociedade motociclistica bem melhor de se viver e saborear”. São palavras que muito eu gostaria, confesso, de ver associadas a este blogue ou pelo menos à sua Tertúlia - agora suspensa pelos motivos que todos conhecem 

Recentemente aprendi, e pratico com regularidade, a ideia de que não podendo nós controlar as ações externas, de outro, podemos sim controlar o impacto que essas acções têm em nós mesmos. O silêncio ensurdecedor que a comunicação social especializada encerra sobre mais de cinco anos deste ESCAPE e do seu trabalho diz muito mais sobre quem o ignora do que do ESCAPE ignorado. 

Depois da leitura do texto da Marta, fechei a revista, dei mais um mergulho, dormitei um pouco à sombra e ao sabor da brisa do atlântico norte. Quando acordei rasurei estas palavras nas notas do meu telefone esperto. Repousei. Lancei da mão da compaixão e voltei à leitura da magnífica REV, celebrando assim o seu décimo aniversário. É continuar o trabalho, meus queridos. Os motociclistas e o motociclismo precisam de vós!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Em defesa dos "new media" do motociclismo português

Uma destas noites levei o Marcos comigo para a cama. Sim, o Leal. Ele e a revista inteira, a REV #49 em banca. Coubemos todos. Gostei de ler as suas intenções – recordo apenas que as intenções para que se concretizem têm de ser praticadas – e por ali continuei a percorrer a revista, apesar da pestana querer apagar. Deixei o texto do Grilo a meio, li a Marta e gostei, percorri as REV’S e os Contactos… 

Quando já pensava em interromper a leitura e apagar a luz surge a “Conversa com” Mário Figueiras. Ponto prévio (ou morto, utilizado terminologia de petrolhead) para saudar o facto das entrevistas, ainda que esta seja curta e aparentemente efectuada por escrito, estarem vivas. Urra!! 

O que Mário Figueiras pensa sempre me interessou. Pessoa há décadas ligada à comunicação do motociclismo em Portugal na comunicação social e ao nível de marcas relevantes. A dado ponto é-lhe perguntado… 
- Como vês a realidade da imprensa/meios de comunicação na actualidade? 
 - (…) Há muita gente a escrever online e parece que todos sabem de tudo, mas a verdade é depois de tudo bem “espremido” sai pouco sumo (…)”. 

Tentei mas não posso ficar indiferente a este comentário que apesar de acreditar ter sido proferido em modo “go with the flow” e recorrendo a lugares comuns doeu – dai fugir deles, dos lugares comuns, como o Diabo foge da cruz - ups, tropecei. O Mário quer ser dono da “verdade”, só que não…, e estas palavras merecem ser devidamente aqui comentadas, da forma mais elegante possível. 

Nunca falei muito com o Mário para além dos cordiais cumprimentos. Mas sobre ele em si, e não sobre o que disse, podia comentar duas coisas. Primeira, comentar o único contacto que tivemos via correio electrónico a propósito este ESCAPE – não o vou fazer porque não se comentam conversa privadas no espaço público. Segunda, comentar o trajecto profissional do Mário, também não o vou fazer porque respeito muito quem faz da comunicação no campo do motociclismo vida profissional. Não comento mas tenho uma ideia sobre estes dois aspectos que guardo para mim. 

Como amor com amor se paga (ups, voltei a tropeçar) peço, mais, exijo respeito. O trabalho que este ESCAPE realiza desde o dia 13 de Abril de 2015 é antes de tudo o mais um trabalho comprometido e apaixonado. Comprometido e apaixonado com o motociclismo. É um trabalho honesto. Não é um trabalho remunerado. Aqui não há publicidade, este ESCAPE não é um veículo comercial. É ainda um trabalho transparente. Está aqui todo, todinho, nem uma palavra foi apagada desde o início do blogue. E todas essas palavras podem ser consultadas a qualquer momento, não se escondem numa estante ou dentro de uma caixa de papel bafienta algures num canto de uma arrecadação. 

Exijo respeito para mim e para as demais realidades comunicacionais digitais no âmbito ao motociclismo. Hoje, sobre motociclismo, temos blogues excelentes e temos blogues bons. Temos contas de instagram tão boas ou melhores do que aquelas que se fazem lá fora – algumas acompanham com belos textos a sua excelente qualidade fotográfica. E também temos algumas páginas de facebook com interesse. Colocar toda a farinha no mesmo saco (voltei a tropeçar, um lugar comum) - recordo, disse o Mário: “parece que todos sabem de tudo” - para além de deselegante apenas revela uma coisa: ignorância. Ignorância de quem profere essas palavras. E é grave? É pois! Estamos a falar de um profissional da comunicação com anos disto. Desculpa Mário mas tenho de ser honesto. Comigo, com os meus leitores e contigo também. 

Estamos no mês de Janeiro de 2019. Já basta de meter toda a comunicação digital do liliputiano universo motocilsitico português no mesmo saco! Urge separar o trigo do joio (glup, mais um tropeção). E se calhar urge ainda deixar de ouvir pessoas que não se souberam adaptar, não têm existência porque a Rede não as reconhece, ficaram lá longe frisadas no século XX e, em bom rigor, as novas gerações de motociclistas nunca ouviram falar delas.

Lamento. E se acham que fui duro, devo dizer ainda que me contive bastante.

domingo, 2 de setembro de 2018

REVIVAL pela REV

Continuo a consumir em doses regulares jornalismo de motos. Leio a net toda e compro as revistas. Inclusive, voltei ao hábito de comprar alguma revistas em língua estrangeira que me dão uma trabalheira a ler, nomeadamente as francesas e italianas. 

Por princípio sou muito crítico do trabalho dos meus queridos amigos jornalistas cá do rectângulo. Crítico e exigente. Mas também honesto. Quando critico tento faze-lo de forma construtiva. “Não compro revista de motas porque não prestam e tenho a internet” não é crítica mas apenas analfabrutismo e parvoíce. 

Ao longo da vida deste ESCAPE tenho feito chamadas de atenção mas também tenho elogiado quando gosto do que leio. Mas há uma diagonal fulgurante a tudo o que tenho escrito sobre o tema “jornalismo motociclistico em Portugal”. Esse denominador comum é: é possível fazer mais e melhor!

E é mesmo. A primeira edição da REVIVAL feita pela REV que conta (uma) “Historia da Industria Alemã” é nada mais, nada menos, do que sumptuosa. Feita com assumida paixão (e mesmo carinho) é uma revista de enorme qualidade em qualquer parte do mundo. Acreditem! 

Luis Carlos Sousa, anterior director da MOTOCICLISMO, está de parabéns pois é dele parte significativa do trabalho. Mas estão também de parabéns todos os demais intervenientes no processo: Hugo, Marcos, Pedro, Antonio, Miguel e o eterno Cathcart, tal como está de parabéns a BMW Motorrad Portugal por suportar o projecto que é agora realidade (espero não me estar a esquecer de ninguém). 

A “bola” está o nosso lado, leitores. Cabe nos a nós dizer que queremos mais pequenos luxos destes. E se acham que 7.95€ é caro por tanto (e tão bom) conhecimento adquirido, experimentem a ignorância.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

MotoJornal com nova vida

Neste post (link) recomendava-se, entre outros, um texto de Vítor Sousa. Aí, a páginas tantas, o Vítor escrevia a propósito do panorama da imprensa especializada nacional que o “papel” se encontra em mudança “para sobreviver e a “net”” ganha estatuto. Este post é sobre isso mesmo. 

Na verdade a icónica Motojornal acaba de mudar de Editor e é o ESCAPE que dá conta disso. 


Os mais atentos terão notado que a MotoJornal teve um pequeno interregno na sua publicação, de 25 de Maio até ao passado dia 22 de Junho. Pelo meio o ESCAPE entrou em contacto com Domingos Janeiro, director da MotoJornal, que nos garantiu haver novidades e que a normalidade quinzenal seria reposta em breve. Na verdade a revista em banca surge com um novo Editor, nada mais nada menos que a Fast Lane II. Quem? O proprietário e Editor da REV e do site moto.pt (link). 

Assistimos então àquele fenómeno que os economistas apelidam de “fusões e aquisições” no nano universo da imprensa especializada nacional. E isso só pode ser bom. 

Só pode ser bom e é mesmo. Porquê? Porque sabemos que a icónica Motojornal não caiu em mãos estranhas ao sector, bem pelo contraio, foi adquirida por pessoas deste lado, do nossa lado, do lado dos motocicilistas e do motociclismo. Por apaixonados! 

Em conversa com Marcos Leal, Diretor da REV, o ESCAPE pode adiantar que a ideia “para já, é manter a MotoJornal tal com se encontra, sob a direção de Domingos Janeiro, reforçar a redacção e conferir mais quantidade e qualidade aos conteúdos, mantendo ainda colaborações de referência” como o Tó-Manel e sua histórica “Coluna dos Motocilistas”. Hugo Ramos, Editor da REV, confirmou tudo isto e adiantou um pouco mais, “vamos fazer algumas alterações, numa revista que nos enche de orgulho ter entre nós, mas apenas a partir do fim do verão, talvez, em Setembro”. Tal como fez in loco este ESCAPE reclama o regresso de uma MotoJornal semanal. A réplica não se fez esperar, “tudo depende de como o mercado responder ao reforço da qualidade da melhoria da nossa oferta”. 

De sublinhar ainda que a redacção da Fast Lane II partilha as suas instalações com outros “players” do sector, nomeadamente, a bela loja Longitude 009 que importa e comercializa marcas de equipamento para motas e motociclistas com destaque, entre outras, para alemã Touratech e a norte americana Klim – para não falar da actividade que dali parte no âmbito das viagens e seguros para as duas rodas.

Bannngggggg!!! Alguém se está posicionar muito bem para dominar a comunicação, e não só, do motociclismo nacional nos próximos anos.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

A REV #45 que ainda está me banca

Noite de Santo António em Lisboa. A noite épica. A mais longa do ano em terreno alfacinha. E eu em casa profundamente deprimido (link). Opto pela cama. Acordar cedo, passar pelo ginásio e aproveitar o resto do feriado na praia. Tenho vontade de ler e passo por uma das poucas boas lojas, que se mantêm em Lisboa, onde podemos encontrar imprensa internacional. O objectivo era fazer update quanto ao Mundial de futebol que ai está. Mas a Paixão maior fez-me parar na estante “das motas”. Folheio a deliciosa francesa “Road Trip” e a gigante italiana “Motociclismo”. Mas foi a bem cheirosa portuguesa REV que trouxe, literalmente, debaixo do braço. Já vos tinha dito que adoro o cheiro da REV? 

Tenho andado algo distante da bimestral. Acho que a revista perdeu alguma da sua identidade original e ainda não tinha tido oportunidade de dar atenção à #45, ainda em banca. Mas, na mão, aquela excelente imagem de capa comemorativa do oitavo aniversário é poderosa. Nem perdi mais um segundo e paguei a revista. 

Tenho por hábito ler a REV de fio a pavio. E logo no editorial o Marcos dá me uma excelente novidade: o decano e icónico Alan “quando for grande quero saber escrever como ele” Cathcart passa a colaborar com a revista; maravilha. Excelente é também o texto do Vítor, “A Ressaca”. Quando quer, o Vítor tem aquela suave magia de conseguir colocar por palavras sucintas algo que sentimos, e por mais que desejemos não conseguimos verter num conjunto de letras. Também gostei das curiosas sugestões de cinema que a Dora nos oferece. Salto “testes e contactos” e mergulho na conversa do Hugo com o mítico Charley Boorman – senti-me lá, com eles, de copo na mão; acho que está tudo dito. Mais umas paginas saltadas e invisto longos minutos a deliciar-me com as imagens do Mestre Manel sacadas no Dusty Track. Antes de repousar, por longos minutossssssssssssssss…, os olhos na página 114…, ainda encontro tempo para me reencontrar com o velho Cathcart e o “Berço nórdico” da Husqvarna. 

Esta que descrevo é a REV que me move; urgente e intemporal ao mesmo tempo. O resto será lido quando calhar. Compreendo, a publicidade não cai do céu e há que dar espaço a quem torna tudo isto possível. Mas o que eu queria mesmo dizer, e já disse ao meu querido amigo Marcos Leal, é que esta #45 está excelente. Lê-se com aquela sofreguidão do prazer. 

Nunca é tarde. A REV #45, Maio/Junho 2018, ainda está em banca. Nela, com vai dito, encontramos momentos de verdadeira “motorcycle culture”. E isso só pode ser bom.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Estradas do amanhã

Deixo aqui a minha humilde colaboração na realização da REV #34, em banca. O texto que vai aqui publicado surge numa versão “uncut”, não correspondendo exactamente à versão papel. 

Há quem diga que uma viagem é sempre composta por três distintos momentos, antes, durante e depois. 

Apenas tive oportunidade de conhecer o BMW Motorrad Riding Experience em 2015, no ano passado. Adorei. E passei o resto do ano a salivar com o evento deste ano. Se o consideraremos como uma pequena viagem, em bom rigor, a viagem de 2016 começou logo ali quando ainda no paddock do Estoril peguei na mota e regressei a casa. Começava o antes. 

O “antes” de que vos falo, prosseguiu nos dias anteriores ao que eu previa ser a data do Riding Experience 2016. De manhã, à tarde e à noite, consultava as redes socias em busca de um sinal que indicasse luz verde para arrancar para a pista das inscrições on-line. Confesso. Tive sorte. As inscrições esgotaram em pouco mais de uma hora e eu estaria lá. Notem…, falo-vos das inscrições para rodar em pista, uma parte, apenas, do lauto festim que a marca bávara preparou paras os seus clientes e amigo”.

O “antes” atingia, enfim, o seu climax. Momento de partir na verdadeira viagem, o “durante”. Este ano, a marca da hélice, a propósito do seu primeiro centenário, decidiu rever e alargar o evento e integra-lo numa verdadeira festa, que não se resumiu às duas rodas, denominada “The Next 100 Years. Roads Of Tomorrow”. 

Sábado, 14 de Maio, era o meu dia e aproveitei para chegar bem cedo para, com calma, me inscrever nas diferentes actividades. Confesso, devo ter sido o primeiro a chegar. Foi bom, pois por um lado, consegui dar dois dedos de conversa com alguns dos amigos que por ali andam na organização do evento, por outro, pude apreciar aqueles pequenos pormenores que fazem deste um evento absolutamente singular no panorama motociclístico português. 

O desporto ensina-nos coisas boas. Uma delas é que em equipa vencedora não se mexe. Chegada a hora do meu turno em pista, e assim que me deram liberdade para tal, caminhei para uma BMW S1000R, a poderosa SuperNaked de 160cv que já conhecia de 2015. 

Tal como no ano passado a experiência em pista revelou-se algo aterrador e sublime. É difícil, muito difícil conduzir uma besta de potência, um mastodonte de travagem, uma brutalidade de ciclística no ambiente adverso e em boa verdade desconhecido de uma pista de velocidade. Na volta efectuada o mais próximo possível dos escapes do instrutor Mário Sobral, tudo correu, digamos, normal, nas demais…, uma simples falha de centímetros numa trajectória, ou de metros numa travagem complicam determinante a eficácia em pista. Mas…, é algo inesquecível. Para nós, apaixonados das duas rodas, amantes do vento e da velocidade, mas meros mortais utilizadores da via pública, esta é uma experiencia inesquecível. E que faz tremer aqueles que julgamos ser os mais sólidos alicerces das nossas convicções.

Dois dedos de conversa com os amigos que iam chegado, entremeados pela prova do excelente catering e por cerca de meia hora a tentar reinar ao drift nas quatro rodas de um Mini, e passou o tempo sem darmos conta. Estava na hora Scenic Drive BMW Motorrad. 

Aqui a escolhida foi a impressionante K1600GTL. Apesar das suas dimensões, a Grande Turismo de seis cilindros não oferece dificuldades a uma rapidíssima adaptação aos motociclistas mais experientes. A panóplia digital, com destaque para as magnificas suspensões electrónicas, deslumbra desde logo. Assim que em andamento a manobrabilidade choca e espanta pela tamanha simplicidade. O peso depressa deixa de ser um problema, passando a ser parte da solução, contribuindo para uma estabilidade digna de rainha do asfalto. Ficamos com muita vontade de sair dali e ir passar o resto do fim-de-semana às estradas serpenteantes dos Pirenéus espremendo da GTL tudo o que ela tem para oferecer. 

E o “depois”, questiona ao leitor atento. O depois são momentos como este, de escrita livre e critica que acabam por perpetuar na memoria o “durante” e nos a fazem ansiar por um novo “antes” e pelas estradas do amanhã.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Às bancas povo das motas


Este Escape tem o enorme prazer de colaborar, ainda que de forma humilde, na REV #34. “Estradas do Amanhã” é o texto escapista que ali podem encontrar; um texto que tenta relatar um dia diferente, um dia no BMW Motorrad Riding Experience do passado més de Maio. 

Razões não faltam para lermos a REV. Esta…, é apenas mais uma. E logo na “edição Kevin Schwantz”. 

Rateres…, que orgulho, pah!!

quarta-feira, 6 de maio de 2015

REVisão da matéria dada

Arrumado: bem arranjado e limpo; resolvido, terminado. Marcado (nas cartas de marear) conforme o rumo. 

Lá em casa, em pequenas arrumações. Dou de caras com a REV #2. Perdida no fundo de uma montanha épica de jornais, revistas, artigos soltos e outros papeis em geral, uns lidos, outros por ler. É o prazer da desarrumação organizada. Que conduz, invariavelmente, ao prazer da descoberta.

Depressa me sentei onde calhou e a desarrumação ficou bem menos organizada. Foi com prazer que desfolhei esta descoberta. A REV #2 saiu na segunda metade do ano de 2010. É uma revista algo diferente, por exemplo, da última REV. A REV #2 é uma revista bonita, redondinha e anafada; substancialmente maior que a REV actual. A REV #2 é uma revista pesada e cheira bem apesar de ter ido à praia – recordo-me que falhei a compra da #1 e esta foi comprada algures em Troia. 

Na REV #2 duas coisas saltam logo aos nossos sentidos. Por um lado, a imagem muito, muito cuidada, com destaque para as excelentes fotografias do Manuel Portugal – maxime o portefólio da Concentração de Faro desse ano. Por outro, o texto evocativo da Suzuki GSX-R 750, “25 anos de uma lenda”, muito bem escrito por Roland Brown. 

Mas há muito mais para ler e ver. De certa forma, parece uma revista intemporal. Feliz acaso, esta descoberta. Como já tinha pouco…, lá arranjei (ainda) mais para ler, reler e mais tarde arrumar.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Cristãos-novos

Cristão-novo ou converso era a designação dada em Portugal, Espanha e Brasil aos judeus e muçulmanos convertidos ao cristianismo em contraposição aos cristãos-velhos, isto é, aqueles que compunham o segmento maioritário da população portuguesa e espanhola durante o denominado Antigo Regime. 

Vítor Sousa, decano motociclista e jornalista especializado, assina um artigo na REV 25 intitulado “o novo motociclista”. Para ele o novo motociclista “trata-se de uma geração formada nos fóruns da internet – essa grande fossa séptica da opinião – onde o lixo opinativo é debitado como ciência e a imbecilidade se torna verdade absoluta (…). Andam muito mal de moto e não sabem nada de motos, da sua história, nem da sua essência”. 

Confesso que ao ler o texto completo não gostei. Tenho (tinha) alguma simpatia por este género de cristãos-novos. Achei tudo manifestamente exacerbado. 

Mas, as palavras do Vítor andavam cá a remoer há algum tempo - mais a mais agora que ando muito mais atento devido a este blogue. Hoje (ontem), dois episódios – um real, nas ruas de Lisboa, outro virtual, nas autoestradas da Web – vieram desmoronar por completo o meu ceticismo e dar completa razão às palavras do meu antigo diretor na MOTOCICLISMO. 

Os dois episódios que vivi são tão ridículos que inenarráveis. O que o faltou dizer ao Vítor é que tudo isto é uma questão de Cultura, ou melhor de falta dela. Falta de Cultura motociclistica, falta de Cultura da vida em geral, falta de Cultura Social. Mais, muito mais, ainda: falta de Educação, uma das mais importantes manifestações de Cultura. 

Posto isto, como não aprecio generalizações, termino – por ser verdade - com a mesma nota do Vítor nesse texto: “Felizmente, a sensatez, a humildade e a inteligência não se sumiram e conheço muitos (alguns pessoalmente) que se preocupam, quotidianamente, em aprender e evoluir. E têm-no conseguido”.
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