segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Limalhas de História #45 – 9 de Outubro de 1994


Terceiro, primeiro, segundo. Primeiro, primeiro, primeiro, primeiro, primeiro, primeiro. Segundo, primeiro, terceiro, primeiro e, finalmente, segundo. Eishhhhh…, incrível. Cuidado! Se pensam que já leram isto aqui (link) estão enganados. Reparem… 

Faz hoje exactamente vinte e três anos. European Motorcycle Grand Prix, Circuito da Catalunha, Montmeló, arredores de Barcelona. Mick Doohan leva a NSR500 Honda-HRC ao segundo lugar logo atrás de Luca Cadalora e confirma o seu primeiro título mundial, fazendo pódio em todasssssss as corridas da época. Brutal!

domingo, 8 de outubro de 2017

Pela “Route des Grandes Alpes” (VII)

A jornada que aqui (link) vos contei, estava longe de terminar em Andermatt – basta soletrear esta palavra para me sentir no sonho da viagem… 

Oberalpass ainda surgia no menu do dia. Tal como a perigosa descida para Disentis/Múster bem como o Lukemanierpass, onde nunca tinha passado mas onde também não deixei grande saudade. 

A saída desta riquíssima secção do Templo Alpino fez-se para sul (aí quem me dera…, o teletransporte em sentido contrário no momento em que escrevo estas palavras), regressando ao trânsito, tempo quente e estradas rápidas. 

Despedia-me, até breve, da Suíça por Locarno e beijava o Lago Maggiore um pouco mais a frente. 

O dia seguinte seria passado, em terras transalpinas (literalmente) a digerir o sumptuoso banquete da primeira incursão na alta montanha. Entre mergulhos no Maggiore e no vizinho Lago d’Orta. Entre pizza em forno de lenha, sauvignon blac italiano e Limoncello fresquinho. Tudo algures entre o triângulo Orta San Giulio, Stresa e Arona. O Lago d’Orta é amiúde esquecido pelo viajante. O que faz dele, da sua Isola San Giulio e do Sacro Monte Orta, locais ideais para fugir à multidão de turistas apressados e ao calor húmido - por vezes quase sufocante que invade estas paragens nos meses de verão. 

A próxima etapa corria para Ocidente; tempo de iniciar os preparativos finais para o ataque ao conjunto de estradas que me tinham trazido estrada fora (link): Descobrir e percorrer a “Route des Grandes Alpes”.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Motos de Portugal na Casa do Design em Matosinhos

A Casa do Design, em Matosinhos recebe desde 21 de setembro e até ao fim do ano a exposição "Motos de Portugal", apresentando uma visão da produção nacional de motociclos, enquadrada na história do século XX em Portugal e no Mundo. 

"Motos de Portugal" terá em exposição algumas das mais míticas motorizadas de fabrico português, desde a Casal Boss, SIS Sachs Andorinha, Confersil Dina 104, Macal, Famel Zundapp GT25, Vilar, V5 ou Cinal Pachancho, assim como catálogos, cartazes, vídeos, documentos e fotos de época.

Durante a exposição, um programa de atividades paralelas irá permitir interações com especialistas, colecionadores, autores e intervenientes da indústria nacional, referiu o mesmo documento. 

Com curadoria de Emanuel Barbosa, 'designer' e docente da Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos, a mostra pretende recordar a produção nacional de motociclos e ciclomotores, através da criação de um percurso ao longo do tempo, e proporcionar uma visão panorâmica das características destes veículos e da sua utilização. 

Pensada como uma experiência cultural, a exposição assume-se também como um reflexo da evolução da sociedade portuguesa e do desenho de produto que presidiu à conceção e divulgação de um conjunto de máquinas que marcaram "indelevelmente" o quotidiano de várias gerações e a sociedade contemporânea. 

Organizada pela Câmara Municipal de Matosinhos e pela ESAD IDEA, Investigação em Design e Arte, a "Motos de Portugal" apresenta as motorizadas nacionais enquanto veículos de lazer e de trabalho, exercício tecnológico e utensílios indispensáveis ao desempenho de atividades essenciais à sobrevivência das populações. 

A Casa do Design Matosinhos, que pretende afirmar-se como um espaço central de exposição, divulgação e produção crítica de conhecimento em design, com um enfoque no design português, está aberta de segunda a sexta-feira, das 09:00 às 12:30 e das 14:00 às 17:30 e, aos sábados, das 15:00 às 18:00. 

[Cá no Escape somos pobrezinhos mas honestos; o texto vai em itálico pois adapta uma notícia da Lusa reproduzida aqui (link) pelo DN; a imagem que acompanha o post foi “gamada” na página de facebook de Osvaldo Garcia, a quem peço desculpa pelo roubo descarado e assumido]

Saca! #29



segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Pela “Route des Grandes Alpes” (VI)

Depois de um dia no carrossel magico alpino (link) nada melhor do que um segundo dia…, no carrossel mágico alpino. Após tanto “trabalho” para aqui chegar, era tempo de desfrutar em pleno de cada passagem de montanha, cada curva, cada milímetro de asfalto épico. 

O dia começou bem cedo com a ascensão ao ainda hoje pouco conhecido Nufenenpass, descida para Ulrichen, subida para Gletsch e ascensão ao Grimselpass (sim, outra vez, desta feita de sul para norte). O carrossel continuava…, descida fantástica até Innertkichen e subida ao sumptuoso Sustenpass. 

A subida ao Sustenpass acabou por ser, sem dúvida, um dos pontos altos desta viagem alpina. Da única vez que por aqui tinha passado fiz a subida em sentido contrário. Desta vez, da vertente ocidental para a vertente oriental da montanha, pude extrair o máximo de gozo na condução. Ao segundo dia de alta montanha, muito mais adaptado ao estranho (pelo menos para mim) eixo dianteiro da Honda CRF 1000L Africa Twin DCT, todos os esforços para estar ali, nos Alpes, naquele momento, pareciam fazer sentido. 

“Apenas” com Nufenen, Grimesel e Susten no papo, o dia estava plenamente ganho. Enquanto subia de Wassen para nova passagem pela mágica vila de Andermatt (que parece estar a ser consumida por um crescente turismo de inverno) uma certa nostalgia apoderava-se de mim, pela primeira vez, nesta viagem. 

O diamante das estradas apaixonantes tinha sido uma vez mais vagamente polido pela borracha de um motociclo por mim conduzido. Para quem ama verdadeiramente andar de mota este é local: Suíça Central.

Sabemos quando estamos, nunca sabemos se e quando voltamos.

sábado, 30 de setembro de 2017

Dessas e das outras #50


Meia centena de infinitas boas curvas comemorada com classe. Imagem de uma motociclista portuguesa, aos comandos de uma máquina de um construtor icónico, maquina essa a passear nas ruas de Lisboa no DGR do passado domingo. O click é do Mestre Manuel Portugal (link).

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Limalhas de História #44 – 27 de Setembro de 1987

Há trinta anos o Mundial de Velocidade decidiu começar a tentar falar português. Mas a etapa portuguesa foi parar aos arredores de Madrid e a etapa brasileira ao meio do mato bem no centro do país. 

Faz hoje exactamente trinta anos. Brasilian Motorcycle Grand Prix, Goiânia, Estado de Goiás. Hoje, Autódromo Internacional Ayrton Senna. O Brasil teve de esperar pela segunda metade dos anos oitenta para ver de perto, talvez demasiado perto no caso da imagem, o Mundial de Velocidade. Wayne Gardner vence na sua NSR500 Rothmans Honda-HRC e leva para Wollongong, Nova Gales do Sul, o primeiro título australiano na Classe Rainha.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Triumph Bonneville Bobber à prova

Mas que raio. Tenho uma Bonneville Bobber lá em baixo parada. Quase que a consigo ouvir, “anda, leva-me a passear…”. Irresistível. E se eu trocasse a habitual tasca da esquina com as caras do costume, a comida de sempre…, por um rápido e animado “luch ride”?!? 

Não é tarde nem é cedo…, rumo ao Oeste próximo, às suas encostas tingidas de outono e ao seu asfalto apetitoso. Esta é a pequena história de uma hora de almoço diferente. 


Visão, a nossa janela para o mundo. A Bobber não deixa ninguém indiferente, quanto mais a nós, motociclistas. As pessoas param, espreitam, questionam. Há muito que não era tantas vezes abordado na rua por causa de uma mota. Até as miúdas, no trânsito, sorriem e deitam um olhar traquina. A primeira coisa a fazer é então olhar para a Triumph Bonneville Bobber, para os seus detalhes, aqueles todos que já ouviram falar numa qualquer revista de motas e que eu não vou aqui repetir. Visão, a Bobber pede que olhemos para ela com olhos de olhar, sempre e imediatamente antes de a colocar a trabalhar. 

Audição, a percepção do som pelo ouvido. Após a visão este é o segundo sentido barbaramente estimulado pela Bonneville Bobber. Desde o suave ralenti até ao grito rouco lá junto as 6000 rpm, onde chega a potência máxima, passando por todas as rotações intermédias, o duplo escape da Bobber delicia, encanta mesmo. 

Tato, percepção resultante da activação de receptores neuronais. Apesar da sua longaaaaaaaaa distancia entre eixos, devido ao seu baixo centro de gravidade e equilíbrio generalizado, rapidamente a Triumph Bonneville Bobber se desenvencilhou do trânsito de uma Lisboa agora em permanente hora de ponta. Já na A8, rumo a Loures, “meto uma abaixo”, tranco o acelerador electrónico, arqueio me ligeiramente, fecho um pouco os braços e aperto as pernas no suave deposito. Tais estímulos são transformados em impulsos nervosos e enviados ao sistema nervoso central, no qual são interpretados e respondidos. Interpretados como prazer, respondidos com um largo sorriso. É uma experiencia de quase-sensualidade. A Bobber ronca, rapidamente coloca o binário máximo de cerca de 100Nm no chão, vibra um pouco ao ultrapassar as 5000 rpm e empurra-me contar o vento…, ah…, deliciaaaaa….! 


Olfato, podemos adivinhar o que está ao nosso redor apenas pelo cheiro do ar que respiramos. Abandono a auto-estrada e no Fanqueiro tomo a N374. Em Sete Casas o trânsito desaparece e a Bonneville Bobber rapidamente engole a subida até Montachique e as suaves curvas até perto da Granja, onde rumo a umas vielas ingremes que me levam ao encontro do Sobral de Monte Agraço. Já perto da delícia referenciada por N115 detenho-me. Tiro o capacete. Acerto o enquadramento. Fotografo. Fecho os olhos. Cheira a restolho, a restolho da vinha por aqueles dias vindimada. 

Quedo-me. Miro as cercanias. Oiço a passarada e um cavalo que por ali perto, preso, relincha. Toco as ervas à beira da estrada. E encho os pulmões de ar limpo. Quedo-me de novo e repito o processo sensorial já com os 1200cc do bicilíndrico paralelo em funcionamento. 

O regresso faz-se pela N115, a tal delicia tão negligenciada pelos motociclistas da capital. Não é sequer necessário procurar os limites da Triumph Bonneville Bobber para dela recolher prazer, até porque a travagem é apenas clássica, estado longe de ser moderna; é eficaz mas requer alguma adaptação. Assim, basta um ritmo certo, vivo, por vezes estimulado outras mais pausado…, não sei se me faço entender.

Para os mais atentos à leitura…, visão, audição, tato, olfacto, falta um sentido. E o paladar? Agora é que arranjei um problema… 

Paladar, mesmo com os olhos vendados e o nariz tapado, somos capazes de identificar um alimento que é colocado dentro de nossa boca. Esta Bobber não se trinca nem enche a barriga mas alimenta a alma de uma forma extraordinária. Os 77 CV reclamaram 4,8 litros por cem quilómetros de estilo e sedução, pedindo a Triumph Portugal 12.900.00€ para a retirar do stand. Honestamente, se os pudesse dar, seriam dos euros mais bem empregues da minha vida.

domingo, 24 de setembro de 2017

“And now for something completely different!” ou nem tanto

Nos últimos dias, semanas, têm sido muitas as palavras simpáticas e elogiosas que tenho recebido pelo trabalho que vou publicando aqui no Escape. Obrigado a todos, são esses "rateres" positivos que me vão dando combustível para o motor continuar a pulsar.

Do outro lado da moeda vem, quase sempre, a ideia que o Escape tem um lindo rugido mas a sua forma precisa de ser revista e melhorada. 

Não é tarefa fácil, confesso. Em resumo: a plataforma blogger desilude, a mudança para o Sapo não adicionaria muito mais, WordPress é uma hipótese mas não domino, alojamento próprio e desenho personalizado, bem, enfim, o Escape não tem receitas próprias, como sabem. 

Aqui chegados, basta de lamúrias e vamos lá tentar algo diferente. O possível. E o possível passa por esta Hyde Octavia BMW X Challenge. Quem? 

A Octavia é uma Café Racer de aspecto futurista baseada na BMW G650 X Challenge e no seu comprovado monocilíndrico Rotax, construída pelo estúdio Hyde Designs, localizado em Cape Town, Africa do Sul (link). 


A imagem é do também sul-africano fotógrafo e motociclista, Davin Paisley (link) e mostra-nos um “night ride” da modelo Sanela Bozic. 

Espero que ninguém se zangue lá no hemisfério sul mas…, a boa da Sanela fotografada pelo David a passear na noite da Cidade do Cabo com a exclusiva Hyde Octavia BMW X Challenge, fica a encabeçar este vosso Escape.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Primeira Tertúlia do Escape

Os sorrisos na imagem falam por mim. 


A primeira Tertúlia do Escape foi surpreendentemente ecléctica e juntou velhos amigos, companheiros de estrada, a malta nova que mal conheço. Velhos Lobos da Estrada a Novos Aventureiros. Foi muito bom! Bebeu-se, confortavelmente, um copo, recordaram-se velhos tempos e desafiamo-nos mutuamente para novas curvas e petiscos. 

Só posso agradecer. Primeiro, ao Paulo Moniz por ter aberto a sua Casa e a todos ter recebido com a sua habitual simpatia e hospitalidade. Depois, a todos aqueles que apesar do trabalho e vida familiar lá conseguiram arranjar um bocadinho para partilhar vida à volta das motas, motociclismo e viagens. Muito obrigado! 

A Tertúlia do Escape voltará em breve.
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