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sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Endless Summer e Motociclismo: O Verão Eterno da Estrada

Há dias em que o calendário mente. O outono está no calendário, mas o calor no asfalto insiste em prolongar a ilusão do verão. O céu é limpo, azul de postal, e a temperatura parece suspender-se, recusando o declínio da estação. Nessas jornadas, o motociclista compreende melhor do que ninguém o conceito de Endless Summer — esse verão eterno que não é apenas uma estação, e sim uma atitude, uma estética, um estado de espírito. 


O termo nasceu longe das estradas portuguesas. Foi forjado nas praias da Califórnia, nos anos sessenta, embalado pelas ondas do Pacífico e pelo imaginário juvenil que via na liberdade e no movimento o antídoto contra a rotina. Mas cedo deixou de pertencer apenas ao surf. Transformou-se em mito cultural global, espalhando-se pela música, pelo cinema e, inevitavelmente, pelo motociclismo. 

A RAIZ: SURF, CINEMA E CALIFÓRNIA
Em 1966, Bruce Brown lançou The Endless Summer, documentário que seguiu dois surfistas em busca da onda perfeita, viajando entre hemisférios para escapar ao inverno. O filme não era apenas sobre surf: era sobre juventude, liberdade, evasão, e a ideia de que a vida podia ser uma viagem infinita, desde que houvesse sol, mar e estrada para perseguir. 

A banda sonora deste imaginário estava a ser escrita em paralelo por um grupo de rapazes de camisas às riscas e vozes harmonizadas: The Beach Boys. A sua música destilava sol, gasolina e mar — canções que falavam de motores, pranchas e amores de verão. Era o som de uma América que queria viver sem fim, embalando a ilusão de uma juventude eterna. 


A Califórnia, com as suas estradas costeiras — a Highway 1 a serpentear entre falésias e praias — tornava-se palco e metáfora: a viagem era infinita, o horizonte nunca se fechava, e o verão era uma promessa que não conhecia calendário. 

O CONTÁGIO: MOTOCICLISMO E CULTURA DE ESTRADA
Seria impossível que o motociclismo ficasse imune a esta onda cultural. Afinal, a moto partilhava a mesma gramática do surf: velocidade, equilíbrio, risco, o corpo exposto aos elementos. Onde o surfista lia a onda, o motociclista lia o asfalto e o pó. Onde o surfista atravessava mares, o motociclista atravessava fronteiras. 

No final dos anos sessenta, o cinema selou esta ponte com Easy Rider (1969). Duas Harley-Davidson a cortar a América profunda, com sol no horizonte e estrada sem fim, condensaram no ecrã o mito do verão eterno aplicado ao motociclismo. A viagem não era apenas deslocação: era manifesto, libertação, experiência total. 


A estética do Endless Summer infiltrou-se nas publicidades de motos japonesas que, nos anos setenta, prometiam liberdade acessível a todos. Revistas exibiam jovens de t-shirt e óculos escuros a rolar por estradas costeiras, como se cada curva fosse uma extensão de Malibu. A Honda, a Yamaha, a Kawasaki, todas beberam desta linguagem: o verão era a estação natural da moto. 

O ECO EUROPEU 
A Europa, sempre fascinada pelo mito americano, reinterpretou-o à sua maneira. Em Itália, a Vespa e a Lambretta, símbolos da dolce vita, tornaram-se veículos de juventude solar, de praias em Rimini e noites em Roma. Em França, a Nouvelle Vague filmou estradas de verão e rapazes de cabelo ao vento. Em Espanha e Portugal, ainda a sair de ditaduras, a ideia de liberdade associada à estrada soava quase subversiva. 

As estradas europeias, menos retas que as americanas, mais antigas e sinuosas, acrescentaram outra dimensão ao mito: a de que o verão eterno podia ser vivido não só em grandes highways, mas em Nacionais com cheiro a pinhal, ladeadas de aldeias e igrejas brancas. A viagem tornava-se também encontro com a memória, com a história, com a paisagem ancestral. 

POÉTICA DO VERÃO ETERNO
Rolar de moto num dia de outubro, com 28 graus, céu limpo e vento morno, é viver o paradoxo de um verão fora de estação. O som do motor converte-se em banda sonora, tão evocativa quanto os Beach Boys ou Jimi Hendrix. O asfalto aquece como se fosse areia. O vento no capacete é sal do mar. 


A moto é uma prancha mecânica. Surfa-se a onda do tempo, prolonga-se o instante, recusa-se o declínio do sol. Cada curva é espuma, cada reta é horizonte. O motociclista é um surfista da estrada, e o seu verão eterno é feito de quilómetros em busca de algo que nunca se alcança, mas que, no fundo, não precisa de ser alcançado. 

O PRESENTE: UM OUTONO AZUL
Portugal, neste início de outono, oferece dias que parecem contradição: calendário diz outono, mas a pele sente verão. É aqui que o mito renasce, atualizado. O motociclista veste o casaco leve, liga a máquina, e o escape rouco anuncia: o verão ainda não acabou. Talvez nunca acabe. 

As redes sociais estão cheias de imagens de estradas douradas pelo sol de outubro, de viagens improvisadas que parecem férias. O espírito do Endless Summer continua vivo, mesmo que já não seja falado em voz alta. É ele que empurra o motociclista para a estrada, que o convence de que cada curva pode ser infinita, cada viagem pode durar para sempre. 

O LEGADO
O Endless Summer deixou de ser apenas um filme, uma música ou uma moda. Tornou-se arquétipo cultural, ideia persistente que atravessa gerações. Para o surfista, para o motociclista, para qualquer viajante: o verão eterno é o símbolo de uma juventude que não envelhece, de uma liberdade que não se prende ao calendário. E enquanto houver motores a rugir sob céus azuis, enquanto houver quem queira fugir pela estrada em busca de um horizonte, o mito continuará vivo. 


O motociclista português que hoje rola pela Serra de Montejunto ou pela Nacional 2 participa na mesma epopeia cultural que começou nas praias californianas há seis décadas. O seu verão não acaba. O asfalto, quente e vibrante, é a prova. O verão eterno não está no calendário. Está no motor que se acende, no horizonte que nunca se alcança, na estrada que insiste em não terminar.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Motorcycle Pool Party 2019


Podem ir escolhendo a vossa melhor sunga ou bikini. No próximo sábado, 14 de Setembro, teremos em Lisboa trinta graus à hora do evento (a partir das 15h.) e um mergulho refrescante entre duas cervejas geladas vai saber pela vida. 


Pelo terceiro ano consecutivo o Lisbon Motorcycle Film Fest vai juntar amigos e motos à volta da piscina do Lisbon Marriott Hotel com a promessa de não faltar boa música e muita animação. Os Catman and The Blues Doozers vão tocar e algumas motos estarão expostas – com destaque para a nova R1250 RS da BMW. A Motorcycle Pool Party 2019 será ainda a ocasião para anunciar as datas da 5ª edição do LxMFF. No exterior podem encontrar um parque de estacionamento exclusivo para motos, no entanto lugares não faltam nas imediações do hotel. 


A entrada é livre, mas limitada à lotação do espaço. E quem quiser chegar mais cedo, poderá ainda usufruir do Pool Brunch do Marriott (para mais informações e valor por pessoa, contacta o Lisbon Marriott Hotel). A recomendação aqui é da sempre: não esquecer, por favor, de cortar a unha do pé.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Décima quarta Tertúlia do Escape

Após a “pausa” de verão o ESCAPE decidiu marcar o ritmo e antecipar a rentrée. Em boa hora o fizemos. Numa data algo arriscada, com muitos ainda de férias e outros tantos em “depressão pós”, enchemos mais uma vez o Espaço Rod’aventura. 



Tito da Costa aka Rad Raven trouxe do seu algarve a mala cheia de boas histórias, muito vídeo e até algum cinema raro. Tudo isto resultou numa longa noite de Tertúlia que apaixonou todos os que nela quiseram participar. 

É muito bom organizar estes encontros e poder inspirar motociclistas. É muito bom ter um motociclista de catorze anos encartado e atrevido na velha “LC” da sua mãe, que veio beber tudinho e participar de forma brilhante (catorze anos, repito). É muito bom rever amigos de quando tínhamos nós catorze anos e com quem aprendemos a andar de moto. É extraordinário receber os vossos parabéns no fim da noite! 


A Tertúlia do Escape é isto: partilha, paixão, viagem e emoção. Obrigado a todos por mais uma noite tão boa. A Tertúlia espera regressar em breve.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Escape Mais Raven em Tertúlia


Já nos tínhamos cruzado antes. Mas foi aqui (link), no 2º Encontro Nacional CRF1000L Africa Twin PT em Castelo Branco, que os planetas se começaram a alinhar. Não consigo realizar quem desafiou quem. Mas do desafio nasceram encontros, recuos, avanços e finalmente aquele que muito provavelmente é o vídeo realizado em português de Portugal com maior sucesso no cada vez mais incontornável tube (link). 


Esta Tertúlia foi pensada desde logo para comemorar as 100.000 (cem mil) visualizações de tal clip. Mas no momento em que vos escrevo as visualizações já ultrapassam os 108K, o que nos deixa ufanos e plenos de orgulho. Temos pois de encontrar mais motivos de comemoração. 

Assim, nesta Tertúlia “Escape Mais Raven”, teremos muito com que nos entreter. Vamos conhecer o Rad Raven mas também o cineasta Tito da Costa que lhe dá corpo e alma. Sim! Leram bem: cineasta. Não sabiam? Vamos também exibir num ecrã de dimensões consideráveis o confronto entre a Honda CRF 250 Rally e a Royal Enfield Himalayan e revelar alguns segredos e detalhes “behind the scenes”. Mas vamos fazer mais. Muito mais. 

Não desejando para já revelar todo programa da noite, é sempre de recordar que tertúlia – pois a cada diferente edição, temos o prazer de receber novos tertulianos - é na sua essência uma reunião de amigos, familiares ou simplesmente frequentadores de um local, que se juntam de forma mais ou menos regular, para discutir vários temas e assuntos. Nas Tertúlias do Escape pretende-se discutir motas, motociclismo e viagens. À maneira antiga. Longe dos teclados, cara a cara e com uma cafezada por companhia. 

É o que faremos uma vez mais! Na próxima quarta-feira dia 4 de Setembro, a partir das 21h00 no Espaço Rod’aventura, Avenida da Quinta Grande nº10-A, 2610-159 Alfragide. 

Apareçam! Porque entre as surpresas – e são varias – que vos vamos oferecer, iremos exibir uma Curta absolutamente inédita em Portugal. Quase diria ser uma absoluta estreia mundial. Uma Curta surpreendente.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Dust Girls - A Curta metragem

[texto adaptado] Quatro mil quilómetros. Cinco mulheres em duas rodas. São estes os números da aventura da Marta Garcez, da Ângela Mendes, da Tânia Moreira Rato, da Marta Araújo e da Pipa Pereira. Elas são as Dust Girls, um grupo de “mulheres que se conhecem e gostam muito de andar de moto”. Juntas partiram em direção a Marrocos. Com elas levaram não só a vontade de conhecer o mundo mas também o Manuel Portugal que registou esta aventura numa Curta. Quem não a consegui-o ver o último Lisbon Motorcycle Film Fest (LXMFF) tem aqui a oportunidade ideal para o fazer! No próximo dia 23 de Julho, pelas 19h. na Longitude009. 


É o meu caso. Não estive no momento da exibição da Curta no LXMFF, estarei amanhã na Longitude009. Não há mais nada a dizer. Não? 

As Dusty já não requerem apresentação. Até porque estiveram recentemente na Tertúlia do Escape – para recordar aqui (link) e aqui (link). Não requerem apresentação mas merecem atenção. 

Na REV #52 em banca o Marcos decidiu traze-las para o seu Editorial: “[As Dust Girls] Em pouco tempo atingiram um nível mediático que não procuravam e têm tido uma influência grande (…). Muitas vozes avessas, mesmo de ódio, se levantaram nas redes sociais (haters will always hate). As “Dust” chegaram onde chegaram graças ao seu trabalho”. 

Fico feliz que as palavras que aqui acabo de reproduzir não sejam minhas. Mas sublinho que as subscrevo na totalidade. E digo mais. Os odiadores vão ter mais um motivo para odiar. Força nisso…, mas apareçam. Tirem a mascara. Apareçam, despidos da armadura do teclado e do capacete do ecrã. Mostrem a face e confrontem as miúdas com o vosso fel..., seus heróis do teclado… :) Aquelas mulheres teriam muito prazer em vos conhecer… 

Amanhã, dia 23 de Julho, pelas 19h. na Longitude009, ali ao pé do Mar da Palha!

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Lisbon Motorcycle Film Fest 4ª edição

A borracha dos pneus das nossas motos vai voltar a beijar o calcário dos belos passeios da baixa lisboeta, pois a cultura motociclista volta pelo quarto ano consecutivo à grande tela do Cinema São Jorge. É já esta semana, nos próximos dias 31 de Maio e 1 e 2 de Junho. 

O programa oficial do Lisbon Motorcycle Film Fest foi apresentado no passado dia 16 na Officina Moto e está disponível aqui (link). Em destaque nesta edição teremos o eterno clássico Easy Rider - que celebra este ano 50 anos -, WAYNE - a história da lenda viva da era dourada do mundial de velocidade Wayne Gardner -, e Oil in The Blood – para muitos o derradeiro filme documental que revela a cultura custom. 

Notem que esta 4ª edição do Lisbon Motorcycle Film Fest arranca já na próxima sexta-feira. Os bilhetes já podem ser comprados no Cinema São Jorge e aqui (link) na bilheteira online Ticketline. A entrada diária custa 5€, mas com tanto para ver o ESCAPE recomenda a compra do passe para 3 dias que fica por uns muito simpáticos 12€.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Lisbon Motorcycle Film Fest quase de regresso

Como terá dito Orson Welles, “o cinema não tem fronteiras nem limites, é um fluxo constante de sonho”. E uma vez mais a cultura motociclista na forma da arte ilimitada de fixar e de reproduzir imagens que suscitam impressão de movimento, volta a ter paragem marcada para Lisboa. 


A quarta (já?!?!) edição do Lisbon Motorcycle Film Fest realizar-se-á de 31 de maio a 2 de Junho de 2019 e promete invadir o Cinema São Jorge com filmes, conversas, exposições, “voltinha noturna” e corridas MotoGP em directo.

O cartaz desta edição já começou a ser desvendado. Os primeiros filmes anunciados são o clássico Easy Rider (link) - que celebra este ano 50 anos -, WAYNE (link) - a história da lenda viva da era dourada do mundial de velocidade Wayne Gardner, nascido em Wollongong, na australiana Nova Gales do Sul -, e Oil in The Blood (link) – para alguns o derradeiro filme documental que revela a cultura custom. Uaaauuuuu, não seria fácil encontrar melhor para "abertura" de Cartaz.

É seguir o evento nas redes sociais para descobrir as novidades que vão sendo preparadas. Façam como este ESCAPE e reservem as datas!

sábado, 8 de setembro de 2018

LxMFF Motorcycle Pool Party

Já terei escrito algo parecido antes. Mas de quando em vez, não faz nada mal me repetir. Até porque ahhh e tal…, continua a ser sempre a mesma cantiga, sempre o mesmo tipo de eventos e nunca ninguém em tempo algum faz algo diferente. Pois, parem as lamúrias, hoje temos a LxMFF Motorcycle Poll Party ou em português, festarola de motas numa piscina de Lisboa. 


Depois do sucesso que foi a primeira edição da Motorcycle Pool Party no Lisbon Marriott Hotel em 2017, este ano o LxMFF volta a convidar os seus amigos e seguidores, para darem um mergulho e passar uma tarde à maneira. 

O programa inclui filmes e música com o concerto da banda Os Cardosos e dj set da dupla The Voodoo Club. Com o apoio da Sailor Jerry e da NEXX Helmets, Nuno Draws Designs vai personalizar um capacete que será oferecido a um ou uma felizarda que estejam na Pool Party. E porque tudo isto dá uma fome do caraças, estará disponível durante toda a tarde um belo Summer Barbecue. 

Tal como aconteceu no ano passado, as primeiras motos a chegar terão acesso ao parque reservado, no entanto o que não faltam são lugares para estacionar a moto bem perto do Lisbon Marriott Hotel. 

A festa começa às 16h00 e termina às 22h00. A entrada é gratuita mas com reserva ao direito de admissão devido à lotação do espaço. Dress code: summer beach rider, seja lá o que isso for. Ah, não esquecer de cortar a unha do pé.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

LxMFF Warm Up Party


Num ambiente descontraído, repleto de motos e boa música, a equipa do LxMFF irá fazer uma pequena antevisão daquilo que se irá passar dentro e fora do Cinema São Jorge. 

Se desejam conhecer o cartaz final e os horários da terceira edição do Lisbon Motorcycle Film Fest 2018 que irá acontecer nos dias 1, 2 e 3 de Junho, é só aparecer.

A entrada é livre e é já amanhã na Officina Moto, ali perto do velhinho Poço do Bispo, a partir das 18h30 e durante o inicio da noite.

O ano passado foi assim...

terça-feira, 24 de abril de 2018

Lisbon Motorcycle Film Fest 3ª edição


Não está fácil acompanhar a cena motociclistica em Lisboa. Os eventos sucedem-se e até os fins de tarde começam a ficar ocupados. Como alguém me dizia um dia destes…, estamos verdadeiramente necessitados de uma agenda cultural motociclistica. E isso só pode ser bom! 

A cultura motociclista volta pelo terceiro ano consecutivo à grande tela do Cinema São Jorge nos dias 1, 2 e 3 de Junho de 2018 e hoje temos a apresentação do programa do Lisbon Motorcycle Film Fest, a decorrer pelas 18h30 no O Purista Barbière - Rua Nova da Trindade 16C, 1200-303 Lisboa. 

Como ainda há uns dias disse na televisão - confesso, sempre quis escrever isto :) - motociclismo também é cultura e o Lisbon Motorcycle Film Fest é um excelente exemplo disso mesmo.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

O que é que uma Bobber tem?

Vamos lá ver uma coisa. Clássicas modernas ou modernas clássicas? Fácil...

Moça bonita ou bonita moça? A Moça é a substância; a beleza é uma qualidade que a moça tem. Moça, substantivo, bonita, adjectivo. Com as motas é tudo igual…, são clássicas pela substância e para além disso possuem a qualidade de serem modernas. Clássicas modernas, estamos entendidos? 

De entre as clássicas modernas vamos encontrar as Bobber. Quem? Isso, querem ler? 

A Honda, por exemplo, anuncia a sua CMX500 Rebel como “uma moto compacta, estilo “Bobber, que alia o estilo tradicional e autêntico à tecnologia moderna”; cá está substância autêntica com atributos (qualidades) modernos.

Já a Triumph defende que a sua “nova Bonneville Bobber (…) sintetiza perfeitamente os princípios de estilo minimalista e a postura musculada de intencionalidade de construção de uma Bobber autêntica”. 

Notem, Honda e Triumph reclamam em uníssono: autenticidade! Pois muito bem, mas de que é feito essa autenticidade, ou, por outras palavras, qual o ser em si, a ontologia de uma Bobber? 

Nascida nos Estados Unidos da América, ainda antes da Segunda Guerra Mundial, a Bobber, originalmente denominada “bob-job”, é uma mota customizadas (modificada, adaptada, personalizada) e surge da necessidade que os motociclistas tinham de se ver livres do peso supérfluo em corridas de “dirt track” e “hill climbing”. Este era, à época, o único processo possível que o motociclista comum tinha de incrementar velocidade e performance à sua máquina. 

Ao falar em “Original Bobbers” temos de, por um lado, recuar aos eventos motociclisticos dos anos 30, 40 e 50 do século passado e, por outro (este bem mais fácil), ver o clássico “The Wild One”, O Selvagem, filmado em 1953 e protagonizado por um jovem Marlon Brando (Johnny) e Lee Marvin (Chino). Ali, Brando conduz a sua Triumph Thunderbird 650 importada e Marvin uma Harley Panhead modificada, segundo alguns, a verdadeira “Oldschool Bobber”.

Pois bem, resta saber se Honda e Triumph conseguem com a CMX500 Rebel e a Bonneville Bobber fazer-nos recuar, ainda que actualizados tecnologicamente, ao espirito selvagem e livre de uma mota com personalidade, simples, leve, rápida e que se destaque esteticamente das demais. 

Sim, adivinharam. Nos próximos dias vamos ter motas diferentes aqui pelo Escape. E isso é mesmo muito bom!

terça-feira, 13 de junho de 2017

Lisbon Motorcycle Film Fest em modo afirmação

Com muita pena…, este ano o Escape não esteve presente Lisbon Motorcycle Film Fest. O desafio foi gigante, mas com a ajuda de todos os patrocinadores e parceiros, a organização sente que ultrapassou largamente as suas próprias expectativas. 


No segundo dia de evento já havíamos ultrapassado o número total de bilhetes vendidos nos 3 dias da primeira edição, a participação do público nas Talks foi bastante superior, no sábado à noite tivemos mais de 120 motos a rodar pelas ruas de Lisboa na primeira Night Ride que organizámos e no domingo de manhã conseguimos que cerca de 150 fãs do MotoGP viessem apoiar o piloto nacional Miguel Oliveira, na corrida de Moto 2, transmitida em directo na Sala Manoel de Oliveira, graças à Sport TV.

Fiquem atentos ao website e redes sociais do Lisbon Motorcycle Film Fest, pois ainda este ano a organização promete algumas boas surpresas para quem tal como este Escape é apaixonado por motos e cinema.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Regresso ao Futuro parte III

Foi então necessária mais uma viagem no tempo, escrevi (link)… 

Mil novecentos e noventa e dois. Maastricht inunda o léxico da comunicação social, cidade holandesa onde á assinado o Tratado da União Europeia. Guterres ainda sabia fazer contas e é eleito secretário-geral do PS. Na música o grunge é luz e farol, Perl Jam, Alice in Chains, Soundgarden e Stone Temple Pilots fazem as delícias de todos nós. No cinema conhecemos Alien, Malcom X, mas também El Mariachi de Robert Rodriguez. No desporto que gostamos Alessandro Gramigni leva a Aprilia ao titulo das 125cc, Luca Cadalora a Honda ao das 250cc e Rainey é tricampeão pela Yamaha. 

Mil novecentos e noventa e dois, mês de Agosto. Mês e ano da venda e matriculação da minha Honda NX650 Dominator. Foi praticamente lá, em mil novecentos e noventa e dois, que venho a encontrar esta mota. Na cidade do Porto e com menos de 8000 km (oito mil quilómetros). Sim, leram bem, uma Honda NX650 Dominator, que não cheirando propriamente a novo (o estojo das ferramentas por acaso cheira) se apresenta praticamente como tal. 

A Honda NX650 Dominator é a moto que definiu um certo estilo de 'urban trail' nos anos noventa. Acarinhada por estafetas e por amantes de estradas secundarias devido ao seu motor pujante, à qualidade de construção e à confortável posição de condução, a “Domie” ainda hoje se faz notar como uma moto de excelente relação preço-qualidade. 

Ah…, e como correu a viagem de regresso a dois mil e dezasseis? Correu tudo bem? Pois… 

(continua)

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Pelas estradas mais altas do mundo



Hoje convido-vos a seguir o fotógrafo e cineasta australiano Dan Greening, e o seu team mate, na busca pela estrada mais alta do mundo. A verdadeira. 

Viajando numa BMW F650GS Dakar e numa KTM 990 Adventure, a dupla percorre paisagens e estradas de cortar a respiração. E acaba por chegar à conclusão que Khardung La pode não ser a estrada transitável mais alta do mundo. 

Vale bem a pena fazer um pit stop na navegação, de pouco mais de seis minutos, para apreciar o clip.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Um fluxo constante de sonho

Como terá dito Orson Welles, “o cinema não tem fronteiras nem limites, é um fluxo constante de sonho”. Enfim…, começa hoje, dia 24 de junho às 20h00 a primeira edição do Lisbon Motorcycle Film Fest. 


Além dos doze filmes que serão exibidos ao longo dos três dias do evento, será possível ainda contemplar cinco motos que estarão expostas no foyer do Cinema São Jorge: Yamaha V-Max 60Th Anniversary, Moto Guzzi Eldorado, BMW Concept Ninety, BMW Concept 101 e BMW Concept Path 22; de sublinhar que é a primeira vez que os três protótipos da BMW Motorrad serão expostos em Portugal. 

Também no foyer do Cinema São Jorge, estará patente a Exposição X-STUDIO promovida pela NEXX Helmets, que desafiou alguns dos melhores artistas, ilustradores e tatuadores portugueses para aplicar o seu talento num capacete, como se fosse uma tela em branco. 

Na vida, tal como no cinema, o tal fluxo constante de sonho fez nascer este festival. Passem pelo São Jorge, vai, seguramente, valer a pena.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Tempo de Cinema

Um Festival de Cinema dedicado às motos, motociclistas e motociclismo não é todos os dias. Em bom rigor, é mesmo a primeira vez que tal coisa acontece entre nós e…, logo aqui em Lisboa. 

O cartaz da primeira edição do Lisbon Motorcycle Film Fest é composto por doze filmes, quatro longas e oito curtas, duas destas produções nacionais: “Salt Fever” e “Nossa Senhora das Corridas”, que terá no dia 25, sábado, a sua estreia mundial no Festival. Ainda nas curtas, destaque para a mais recente produção da Deus Ex-Machina, “South To Sian”. 

Para fechar cada dia do festival, teremos uma longa-metragem: “Out Of Nothing” na sexta-feira, “The Greasy Hands Preachers” no sábado e no domingo, a exibição da sequela “On Any Sunday” e “On Any Sunday: The Next Chapter”. Lamentavelmente todos os filmes serão exibidos na versão original, ou seja, sem legendas – alago certamente a rever em futura edição. 

Não percam!

terça-feira, 26 de abril de 2016

Lisbon Motorcycle Film Fest

Em Junho passado, aqui (link), sugeríamos sub-repticiamente que Lisboa já merecia um pequeno Festival de Cinema dedicado às motos, motociclistas e motociclismo. Passado um ano o Destino comandado pelos Homens faz-nos a vontade. A 24, 25 e 26 de Junho haverá Festa…, e logo na mítica sala da Avenida da Liberdade. 

"O Lisbon Motorcycle Film Fest é um evento cultural de dimensão internacional, destinado aos amantes das duas rodas e do cinema. O evento terá lugar no emblemático Cinema S. Jorge, em plena Av. da Liberdade, nos dias 24, 25 e 26 de junho, estando integrado no Programa Oficial das Festas de Lisboa. O evento irá reunir construtores e transformadores de motos, pilotos, artistas, realizadores e atores que são protagonistas de filmes cuja temática é o universo motociclista.

Esta ideia nasce da nossa vontade de juntar duas paixões: o cinema e as motos. Acreditamos que as paixões fazem nascer e crescer movimentos e comunidades, as quais reúnem esforços para realizar eventos de culto. O nosso objetivo é fazer deste evento um ícone da cidade de Lisboa, crescendo todos os anos, mantendo-se fiel aos seus princípios e transformando-se assim num fenómeno cultural. 

Atualmente, um pouco por todo o mundo estamos a assistir a um boom criativo centrado na cultura das motos e isso tem reflexo no cinema. Há cada vez mais viajantes de moto que registam os seu diários de viagem em vídeo. Há cada vez mais filmes sobre pilotos, construtores e viajantes de motos. 

Este será um evento onde, durante 3 dias e num ambiente informal, se poderá ver, discutir e celebrar esses filmes, onde iremos reunir quem inspira, quem produz, quem realiza, quem protagoniza e quem vê."

A não perder...

terça-feira, 29 de setembro de 2015

“Paper” uma obra-prima em “stop-motion” para a Honda

O último filme comercial da Honda, realizado pelo estúdio PES (link), num ápice se tornou num clássico instantâneo. Filmado inteiramente “in-camera”, todos os elementos deste “Paper” foram manufaturados pelo PES e pelo seu pequeno exército de ilustradores e animadores. 

Obra-prima absoluta.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Bikers (1950-1959)

Esta semana fez furor por essa Rede fora um pequeno vídeo que mostrava uma jovem família, supostamente, a fazer férias numa Lambretta equipada com…, uma caravana associada (link).

A origem do vídeo é o sumptuoso arquivo da British Pathé (link), produtora de pequenos noticiários, cinemagazines e documentários de 1910 a 1970, fundada por Charles Pathé ele próprio um dos pioneiros da sétima arte.

Não é difícil encontrar curiosidades nos arquivos da British Pathé. Deixo-vos esta: Bikers (1950-1959), um pequeno ensaio com imagens “onboard” daquilo que um dia foram as agora denominadas “action cameras” – lamentavelmente o filme não apresenta som.

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