sábado, 2 de novembro de 2019

X.VILIJORD a grande novidade NEXX para 2020

Segurança primeiro, segurança sempre. Sempre em primeiro. Se o elemento tecnológico mais avançado das nossas motos são os pneus, o elemento tecnológico mais avançado do nosso equipamento é, ou devia de ser, o capacete. E a portuguesa NEXX apresenta uma crescente qualidade superior, como aliás este ESCAPE comprova, quer em viagem, quer em intensiva circulação urbana diária, desde há cerca de ano e meio. 

A NEXX, uma das poucas marcas portuguesas de referência mundial no mercado motociclistico, volta a surpreender. Com cerca de duzentos designs, a nova Colecção 2020 apresenta como enorme destaque o X.VILIJORD, um capacete segmento Adventure, modular, com pala para uso off-road. Na mitologia norueguesa “Vili” surge como um dos Ases - clã de Deuses que residem em Asgard - que ficou conhecido em tal mitologia por ter oferecido à humanidade os dons da emoção e do pensamento. Em norueguês contemporâneo a palavra “jord” significa terra, pó, solo. 

O X.VILIJORD vem reforçar a linha de capacetes premium da NEXX. Projetado para ser versátil e simples, foca no que é mais importante para os exigentes viajantes de aventura. Enquanto a maioria dos capacetes de motociclismo é projetado ou para o uso em estrada, ou para uso off-road, X.VILIJORD colmata a ligação que faltava entre ambos, diz a empresa lusa. 

Destaques são ainda a nova linha de capacetes desportivos em fibra de carboncomo o bem novos e sofisticados modelos citadinos. Características comuns a todos eles são os tecidos e acabamentos de qualidade, os originais detalhes de assinatura, grafismos arejados, cores de vanguarda e acima de tudo, o incessante compromisso da NEXX com a segurança de alta tecnologia e desenho inovador. 

Não basta simpatizar, há que dar força a indústria nacional.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

As novidades Honda no Salão de Tóquio

A Honda anunciou os modelos que levará ao muito aguardado 46º Salão de Tóquio, a decorrer de 23 de Outubro a 4 de Novembro. Um dos destaques será a CT 125. Com base na Super Cub. A CT 125 é uma actualização do modelo que ainda é vendido no Japão e deseja oferecer uma ideia de pequena e versátil scrambler. 


A CT 125, ou Trial Cub como alguns lhe chamam, não é uma ideia nova. A Honda tem produzido este tipo de modelos variante Off-Road desde 1964. Não havendo nenhuma pista ainda se a CT125 vem para a Europa, o foco no oitavo de litro sugere que a tremos entre nós em breve. 

Ainda a pensar nos novos ventos da mobilidade, as scooters eléctricas Benly e Gyro também farão a sua estreia no evento. Ambas possuem vocação para pequenos percursos urbanos além do transporte de alguma carga. 

Presentes estarão ainda as novíssimas CRF1100L Africa Twin e Africa Twin Adventure Sports (link) bem como a ADV 150 (link) que todos desejam poder vir a ser disponibilizada na Europa com motorização de 125cc. 

No salão caseiro, o espaço Honda comemora ainda dois momentos importantes. As seis décadas de participação em Grandes Prémios mundiais bem como do nascimento da família CB.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Ai estão as novas Honda CRF1000L Africa Twin e Africa Twin Adventure Sports

A moto de aventura mais popular da Honda recebe para 2020 importantes actualizações tecnológicas com destaque para um novo motor bicilíndrico paralelo de 1.100 cm³ com homologação Euro5, potência máxima de 75 kW e binário máximo de 105 Nm. Cinco quilos mais leve, apresenta face ao modelo actual 10% de melhoria na relação peso/potência, graças a diversas medidas de redução do peso em áreas chave, incluindo motor, quadro e braço oscilante.  


O Novíssimo ecrã TFT Multi-Informações de 6,5 polegadas também é desataque, inclui protocolo Apple CarPlay® e conectividade Bluetooth, tudo controlado pelo toque dos dedos tal como os quatro modos de condução pré-definidos e dois modos personalizáveis pelo utilizador – permitem alterar e aperfeiçoar parâmetros tais como Potência (P), Travagem do Motor (EB), sistema HSTC de controlo de tração, Controlo Anti-cavalinho e função de ABS em curva. 

É também de sublinhar o Sistema HSTC de controlo de tração, juntamente com função de controlo anti-cavalinho e anti-levantamento da roda traseira, agora todos geridos pela unidade IMU de medição de inércia; o controlo da velocidade de cruzeiro é equipamento de série. 


A CRF1100L Africa Twin deseja ter uma orientação ainda maior para a condução fora-de-estrada. Já a CRF1100L Adventure Sports está ainda mais preparada para as viagens de longa distância – estando também disponível com o sistema opcional de suspensões SHOWA. Ambos os modelos continuam disponíveis com caixa DCT de dupla embraiagem 

A CRF1100L Africa Twin vai estar no mercado nas cores Vermelho Grand Prix Red e Preto Ballistic Metalizado Mate, complementadas as duas por um sub-quadro vermelho. A versão Adventure Sports estará disponível em acabamento Tricolor Branco Pérola Glare – a fazer lembrar a clássica XRV650 original – e em Preto Metalizado Darkness. 

Desde que o modelo foi lançado em 2016, já foram vendidas mais de 87.000 unidades da Africa Twin. Com este conjunto abrangente de actualizações – cujo desenvolvimento envolveu 21 pedidos de novas patentes – a Honda deseja chegar a milhares de novos clientes, partilhando por todos o seu conceito "True Adventure".

domingo, 22 de setembro de 2019

Piaggio MP3 300 HPE à prova


Há alguém por ai que se recorde da minha vizinha – mulher bonita, simpática e inteligente? Ou melhor…, da sorte que eu tive com a vizinha nova que “ganhei” há pouco mais de dois anos? Eu relembro ainda que sucintamente… 

Foi num fim de tarde/início de noite no verão de 2017. A C., chamemos-lhe assim, veio ao meu encontro porque tinha estado uns dias de férias em Barcelona e Paris, tendo ficado boquiaberta com a quantidade de “motinhas”- como ela carinhosamente lhes chama – que tinha visto. 

Umas “motinhas” em especial tinham chamado a atenção de C. Aquelas “fofinhas de três rodas”, mas “como não percebo nada do assunto, o Pedro quer passar depois do jantar lá em casa para tomar um café e me dar umas dicas?” Ui…, de repente sentia ser Natal em Agosto. Ouvia sininhos e jingle bells. E até me cheirava a arroz doce acabado de fazer. Se quiserem conhecer um pouco mais desta bela história é só seguirem esta ligação (link). 

Quando soube que ia ter a Piaggio MP3 300 HPE rapidamente abri o WhatsApp. Entre trabalho, ginásio, compras e saídas com as amigas a C. é demasiado ocupada. Esta seria mais uma vez a minha deixa para passar algum tempo na sua agradável companhia. Procurei uma sugestiva foto da 300 HPE e questionei sarcasticamente: “em tua casa ou na minha?”, questão seguida com os respectivos emojis de quem quer…, enfim…, vocês sabem… 

SEDUÇÃO, PERSONALIDADE E SEGURANÇA 
Tal como quando estamos na presença da C., não é tarefa difícil nos deixarmos seduzir pela Piaggio MP3 300 HPE. Há ali algo de personalidade e segurança que cativa ao primeiro olhar. E tais características iriam ser confirmadas na cidade, mas também na deslocação suburbana permitida pelas qualidades desta renovada Piaggio. 

A personalidade vem de todo o conjunto com destaque para o soberbo eixo dianteiro de duas rodas que todos os abusos de condução em curva permite e também pela vivacidade do motor (278 cc, 26 cv e 26 Nm) que surpreende ao nos colocar em velocidades acima do limite legal de forma muito rápida e linear. 

A segurança (máxima segurança) é consequência disto tudo. Arranque de semáforos que nos fazem sentir a saltar de uma grelha de partida potenciados pelo sistema de controlo de tração ASR (Acceleration Slip Regulation) - muito útil em situação de piso degradado ou falta de qualidade do asfalto -, saídas rápidas daquelas situações de perigo em que os automobilistas tanto gostam de colocar uma scooter, travagem soberba cortesia dos três discos de travão que podem ser accionados de forma combinada a partir de um pedal. 

CHARME E ECONOMIA 
Personalidade e segurança concorrem assim para o dinamismo que hoje o trânsito das cidades solícita e também para o conforto das deslocações suburbanas, ou, quem sabe ainda para um passeio bem agradável por praias e campos dos arredores das cidades. 

É verdade! Foram dias bem catitas os que passei com a Piaggio MP3 300 HPE. Deixei-me seduzir por ela como me deixo seduzir pela C. E para todos ficarmos felizes, também a C. se deixou seduzir por esta nova proposta da Piaggio que solicitou pouco mais de três litros e meio daquele derivado do petróleo essencial à nossa sanidade mental por cem quilómetros de charme espalhado por ai. A C. vai ter de desembolsar 7.100€ por esta versão Sport da MP3 300 HPE.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Limalhas de Historia #80 – algures em 1922

Faz hoje exatamente noventa e sete anos. Não faz nada. Estou a brincar. Mas vamos fazer de conta que sim, pois o Bol d’Or de 2019 está prestes a partir. Vaujours, Clichy-sous-Bois e Livry-Gargan, hoje pequenas localidades situadas no nordeste de Paris, a grande capital francesa, recebiam a primeira edição de uma das mais notáveis corridas de motos dos nossos dias. 


Tony Zind e a MotoSacoche limpam a primeira edição – haveriam de fazer o mesmo no ano seguinte já em St. Germain-en-Laye. E conta-nos o jornalista Luís Carlos Sousa: tal como outros heróicos pioneiros da época, Zind (que era francês de Lyon e não suíço, como aparece referido em muitos locais, talvez por a moto ser suíça) venceu num tempo em que as pistas eram em terra batida e com uma moto de quadro rígido (sem suspensões traseira) e em que cada máquina era conduzida por um único piloto - regra que se manteve até 1953. Nesses primeiros anos eram permitidas quatro horas de descanso, repartidas por períodos de uma hora, mas Tony Zind não parou. Em 1923, ano a que remonta esta foto, percorreu 1400 quilómetros. No ano passado a FCC-TSR fez cerca de 3960 quilómetros rumo à vitória. Bem repartido por Di Meglio, Foray e Hook, dá 1320 km a cada um... 

O Bol d’Or de 2019 pode ser acompanhado no EUROSPORT 2 já amanhã, sábado, das 13h45 até às 23h30 e também domingo das cinco da madrugada até às 14h30. São mais de dezoito horas de transmissão em direto.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Limalhas de História #79 – 16 de Setembro de 1990

125cc, Loris Capirossi, Italia, Honda, vence e sagra-se o campeão mais jovem de sempre na categoria. 250cc, John Kocinski, EUA, Yamaha, bate a Honda do espanhol Carlos Cardús e vence o título na classe intermédia. 500cc, Gardner e Doohan, dois australianos da Honda, travam batalha épica com Rainey e Lawson, dois norte- americanos da Yamaha, batalha vencida pelo Wayne australiano na consagração do título mundial do Wayne norte-americano. 


Faz hoje exactamente vinte e nove anos. Australian Grand Prix. Phillip Island Circuit. Vitoria. Austrália. Vivemos um dia inesquecível e um dos mais espectaculares Grandes Prémios da história. Prova que encerrou uma época marcada, por um lado, por alguns acidentes “provocados” pelos alienígenas motores V4 a dois tempos e, por outro, pelo início da era Rainey com a Marlboro-Yamaha

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Motorcycle Pool Party 2019


Podem ir escolhendo a vossa melhor sunga ou bikini. No próximo sábado, 14 de Setembro, teremos em Lisboa trinta graus à hora do evento (a partir das 15h.) e um mergulho refrescante entre duas cervejas geladas vai saber pela vida. 


Pelo terceiro ano consecutivo o Lisbon Motorcycle Film Fest vai juntar amigos e motos à volta da piscina do Lisbon Marriott Hotel com a promessa de não faltar boa música e muita animação. Os Catman and The Blues Doozers vão tocar e algumas motos estarão expostas – com destaque para a nova R1250 RS da BMW. A Motorcycle Pool Party 2019 será ainda a ocasião para anunciar as datas da 5ª edição do LxMFF. No exterior podem encontrar um parque de estacionamento exclusivo para motos, no entanto lugares não faltam nas imediações do hotel. 


A entrada é livre, mas limitada à lotação do espaço. E quem quiser chegar mais cedo, poderá ainda usufruir do Pool Brunch do Marriott (para mais informações e valor por pessoa, contacta o Lisbon Marriott Hotel). A recomendação aqui é da sempre: não esquecer, por favor, de cortar a unha do pé.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Husqvarna Svartpilen 701 à prova

Eis aqui este sambinha feito numa nota só 
Outras notas vão entrar, mas a base é uma só 
Esta outra é consequência do que acabo de dizer 
Como eu sou a consequência inevitável de você 

Svartpilen. Que é como quem diz flecha negra. Flecha negra feita de uma nota só. Quem é como quem diz um único cilindro dos grandes com quase, quase os tais setecentos e um inscritos no deposito. Dizem, o maior monocilindro atualmente em produção. 

Outras notas vão entrar, mas a base é uma só. E a base é a soberba KTM Duke 690 que oferece motor (74 CV), quadro e braço oscilante a um exercício de estilo tão polémico como atraente, ao qual se junta uma posição de condução que roça a perfeição. Consequência do que acabo de dizer: alguém com a minha estatura, cerca de metro e oitenta, funde-se em uníssono com a moto ao primeiro abraço. Como no sambinha, tornamo-nos imediatamente consequência inevitável da flecha negra. 

Quanta gente existe por aí que fala tanto e não diz nada 
Ou quase nada 
Já me utilizei de toda a escala e no final não sobrou nada 
Não deu em nada 

Confesso! Apesar de até ter sido apresentada em Lisboa na primavera passada, liguei cerca de patavina a esta nova interpretação daquilo que é um instrumento de prazer feito pela casa sueca, agora sediada em Mattighofen - sede da austríaca KTM. Tal como reza a épica canção bossa nova (samba salpicado com muito jazz) pincelada por Tom Jobim com letra de Newton Mendonça, “utilizei de toda a escala e no final não sobrou nada, não deu em nada” perdido na discussão se estamos perante uma moto urbana, flat track, scrambler ou assim-assim. 

Há uma estranha e incompreensível tendência da comunicação social especializada para rotular e meter num caixa estanque toda a moto diferente (esquisita?) que hoje apareça. Desta terraplanagem feita de banalidades não sobra nada. Não dá em nada. 

E voltei pra minha nota como eu volto pra você 
Vou cantar em uma nota como eu gosto de você 
E quem quer todas as notas: Ré, mi, fá, sol, lá, si, dó 
Fica sempre sem nenhuma, fica numa nota só 

De regresso à minha nota…, não foi comigo que a Husqvarna Svartpilen 701 conheceu a cidade. Levei-a arejar. Conhecer montes, encostas, vinhas e pomares. Ver o verde dos campos pontuados pelo fim do estio e pelo suave cheiro a uva fresca. 

Cantando numa nota como dela gostei, escrevo-vos que conheci uma fun bike construída a partir de um motor que é uma absoluta referência e de um chassi rigoroso como poucos que nos oferece um comportamento irrepreensível e um superior prazer de condução. 

No mais…, aquele único disco dianteiro não gera receio e é mais do que suficiente para parar todo o soberbo conjunto; os pneus mistos Pirelli MT 60 RS são uma bela supressa: excelentes no asfalto, cumpridores fora dele. No menos, espelhos (não eram de origem) e painel de instrumentos não cumprem; um controlo de tração faseado e a opção de desligar o ABS traseiro seria bem-vindo para maximar o prazer, tal como uma seleção de caixa mais precisa. 

A Husqvarna Motorcycles Portugal solicita uma transferência bancaria de 11.500€ por este lindo samba de duas rodas e uma nota só, que solicitou cinco litros do tal liquido inflamável de que tanto dependemos por cem quilómetros de saudade que deixou.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Décima quarta Tertúlia do Escape

Após a “pausa” de verão o ESCAPE decidiu marcar o ritmo e antecipar a rentrée. Em boa hora o fizemos. Numa data algo arriscada, com muitos ainda de férias e outros tantos em “depressão pós”, enchemos mais uma vez o Espaço Rod’aventura. 



Tito da Costa aka Rad Raven trouxe do seu algarve a mala cheia de boas histórias, muito vídeo e até algum cinema raro. Tudo isto resultou numa longa noite de Tertúlia que apaixonou todos os que nela quiseram participar. 

É muito bom organizar estes encontros e poder inspirar motociclistas. É muito bom ter um motociclista de catorze anos encartado e atrevido na velha “LC” da sua mãe, que veio beber tudinho e participar de forma brilhante (catorze anos, repito). É muito bom rever amigos de quando tínhamos nós catorze anos e com quem aprendemos a andar de moto. É extraordinário receber os vossos parabéns no fim da noite! 


A Tertúlia do Escape é isto: partilha, paixão, viagem e emoção. Obrigado a todos por mais uma noite tão boa. A Tertúlia espera regressar em breve.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

BMW R 1250 R à prova


Tão cedo não vou esquecer aquele nosso primeiro dia juntos. Assim que fomos apresentados rumamos à beira mar, onde uma luz matinal de suave agosto explodia no azul do rio onde este se faz mar. Ainda assim a perfeição não morava ali. Havia que ir ao sabor da brisa que naquele dia substituía a já insuportável nortada que nos roubou parte do sabor do verão. Fácil. Aquele sentimento do “alinhar dos astros” começava a fazer-se notar. 

Para sul. Sem destino. Apenas em busca de (mais) luz e sal. Entre pedaços de vida congelados na câmara do telemóvel e frescos mergulhos de mar, se fez o dia. E quando este já desejava ser noite, lá encontrei o local ideal para que a “Stardust Option 719” seduzisse na perfeição o horizonte. 

No regresso trazia um sorriso no bolso. Rapidamente o ofereci à mulher atraente de pele bronzeada que se deixou conquistar pela dupla que naquele dia eu fazia com R1250R. Ela, convictamente, deixou-me passar à sua frente no momento de pagar a portagem na velha ponte lisboeta. Do sorriso oferecido recebi em troca um aceno e esta memória…, já no tabuleiro , a “hora dourada” pintava o Tejo e tudo, num cenário de fim de tarde épico. Perfeito para emoldurar um dia como deviam ser todos os dias. Apontei ao céu. A um qualquer lugar no universo. E murmurei um agradecimento. 

LEVE E BEM DEFINIDA 
Verdade. Escrevi, li e reli diversas vezes. Não é demais, juro. É isto mesmo que a novíssima BMW R1250R provoca: sentidos despertos, emoções vivas e “momentos Kodak”, daqueles para mais tarde recordar. 

A BMW R 1250 R faz uso do já conhecido (link) e muito aplaudido novo motor Boxer de 1254cc (136 CV, 143 Nm) que recorre ao sistema variável de distribuição, denominado BMW ShiftCam, tecnologia neofita que oferece as melhores prestações em todos os regimes de motor. Motor que aqui funciona também como elemento autoportante de um quadro bipartido mas muito ligeiro. Para compreendermos a R 1250R temos ainda de decorar desde logo outro número: 220 (quilos). É abaixo dele que se encontra o peso a seco desta maravilha. Não será necessário ser um ás em matemáticas ou engenharias para sabermos estar perante uma equação mágica. 

CICLÍSTICA DE TOPO 
Mas tais números sozinhos de pouco valeriam se a eles não fosse adicionada uma ciclística de topo onde brilha, no eixo dianteiro, uma forquilha invertida de 45 mm e, no eixo traseiro, um monobraço oscilante com Paralever e amortecedor WAD; tudo auxiliado pelo tremendo sistema de ajuste eletrónico Dynamic ESA. Para parar todo este músculo contamos com aquilo que alguma comunicação social internacional denomina de peças de joelharia da Brembo – quem sou eu para os contrariar. 

Músculo. Leram bem. Apresentada como uma roadster, a R 1250 R vai mais além e faz se sentir como uma moto musculada. Mas notem. Não é aquele músculo quadrado e anabolizado do tipo
“ArnoldSchwarzenegger Mister Olympia anos 80”. Nada disso. A BMW R 1250 R é muito moderna e faz um regime alimentar saudável sendo praticante assídua de Crossfit e HIIT (High Intensity Interval Training). 

Duas notas muito pessoais. A posição de condução, um pouco inclinada para a frente mas sem cansar pulsos, requer alguma (rápida) adaptação. Tal como a utilização do travão traseiro. Esta roadster tem forte veia desportiva o que obriga “patudos” como eu a dosear a travagem no eixo traseiro que deve ser usado apenas como mero equilibrador de todo o conjunto. 

DESPIDA PARA A LUXURIA 
O resultado de tudo isto é uma moto absolutamente insanaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa (chega?) em qualquer tipo de terreno asfaltado. Daquelas, poucas, que quando chegamos a casa de um passeio mais veloz por montes e campos circundantes…, desligamos o motor, respiramos fundo e agradecemos aos Deuses e demais Universo o facto de estarmos de regresso à nossa garagem e terem sido boas, mas tão boas, as horas de prazer que passamos com ela. 

Despida para a luxuria, esta singular interpretação do novo boxer surpreende ainda nas contas finais. Apenas cinco litros e meio daquele belo e cheiroso liquido inflamável que tanto adoramos por cem quilómetros de desassossego do bom. Solicitando a BMW Motorrad Portugal 14.773€ pelo preço base, aos quais se deve adicionar 1.000€ para o Castanho stardust metalizado, 530€ pelo pack Comfort, 1.710€ pelo Pack Touring (inclui Dynamic ESA), 1.000€ pelo Pack Dynamic que inclui um absolutamente perfeito assistente à passagem de caixa, e mais 2.000€ pelo sistema de navegação Navigator VI e bela ponteira de escape Akrapovic.

[Texto actualizado nesta parte final quanto aos valores a 03-09-2019 22:40]

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Escape (com) Vida - ir para fora cá dentro com João Krull (III)

Após o primeiro e segundo capitulo de viagem que podem ser recordados aqui (link) e aqui (link)...

Dia 6 (Arraiolos – Tróia) 120 km 


Este dia esperava-se tranquilo, chegar antes do almoço a Tróia era um objectivo fácil e assim foi. Com uma manhã a prometer subir as temperaturas, rapidamente nos fizemos à estrada. Continuámos pela N370 e M370 até Santiago do Escoural para irmos apanhar a N253 que nos levaria até à Comporta e de seguida para Tróia.

Com bastante tempo, parámos em Alcácer para um café e beber uma água. A boa temperatura que estava, já não se alterava devido à aproximação da Costa Atlântica. Chegado ao destino metemos a moto na garagem do Hotel e fomos tranquilamente almoçar num dos muitos restaurantes da Marina. O Hotel Tróia Design - mesmo em frente à Marina - é magnífico com os quartos enormes com uma kitchenette oculta nos armários, lembrando que podia ser um belo apartamento para passar umas boas férias. 

Ficámos num 7º andar com varanda virada para trás e vista para o mar. Bastante atenciosos, os empregados estão sempre a oferecer brindes, sejam eles, bolinhos, fruta, água, café e chocolates..., uns queridos, mas torna-se chato se estivermos no quarto a descansar, caso contrario entram e deixam por lá as ofertas.

A piscina no 3º piso é pequena, já a área dos chapéus e camas é enorme e foi aqui que passámos o resto da tarde ventosa e imprópria para ir á praia. Interessantes são os três elevadores panorâmicos que vão até ao 15º andar (claro que fomos até lá só porque sim..., para ver a sensação e as vistas). O jantar foi numa pizzaria na Marina, muito boa sem dúvida, massa fina e crocante, mas esperámos quase 40 minutos para sentar! 

Dia 7 (Tróia - Carnaxide) 75 Km 


Acordar esta manhã depois de uma semana bem passada e memorável, fazia-nos sorrir e dizer um para o outro que era o último dia desta viagem. Queríamos aproveitar cada momento. Depois de tomado o excelente pequeno-almoço fomos até á praia mesmo ali ao lado, sem vento e sem gente por aquela hora, foi uma tranquilidade merecida, com direito a banho naquelas águas geladas.

O regresso a casa estava previsto para a tarde, apanhámos o barco para Setúbal e fomos comer o famoso choco frito, desta vez ao Restaurante “Cantinho dos Barris”, mesmo no final da Luísa Todi logo á entrada da N10-4 para fazer a Serra da Arrábida pela N379 no caminho para casa. 

Tudo correu bem e como previsto. Fazer uma viagem de moto é sempre algo que procuramos e que nos enche, nos carrega baterias e limpa os pensamentos. Cada viagem são memórias que ficam, são imagens que registamos, são horas, minutos e segundos que passam a correr mas que valem a pena. 

Chegar a casa satisfeitos por tudo ter corrido bem, sem problemas ou contra tempos indesejáveis é de facto o melhor final feliz. Esta viagem teve os requisitos que elaborei no inicio do dia 1 cumpridos à regra, apenas paguei a portagem de passar a ponte 25 de Abril, gastei três depósitos de gasolina (cerca de 60€ na BMW GS800), com média de 4,1L/100, percorrendo 980 km de porta a porta.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Escape Mais Raven em Tertúlia


Já nos tínhamos cruzado antes. Mas foi aqui (link), no 2º Encontro Nacional CRF1000L Africa Twin PT em Castelo Branco, que os planetas se começaram a alinhar. Não consigo realizar quem desafiou quem. Mas do desafio nasceram encontros, recuos, avanços e finalmente aquele que muito provavelmente é o vídeo realizado em português de Portugal com maior sucesso no cada vez mais incontornável tube (link). 


Esta Tertúlia foi pensada desde logo para comemorar as 100.000 (cem mil) visualizações de tal clip. Mas no momento em que vos escrevo as visualizações já ultrapassam os 108K, o que nos deixa ufanos e plenos de orgulho. Temos pois de encontrar mais motivos de comemoração. 

Assim, nesta Tertúlia “Escape Mais Raven”, teremos muito com que nos entreter. Vamos conhecer o Rad Raven mas também o cineasta Tito da Costa que lhe dá corpo e alma. Sim! Leram bem: cineasta. Não sabiam? Vamos também exibir num ecrã de dimensões consideráveis o confronto entre a Honda CRF 250 Rally e a Royal Enfield Himalayan e revelar alguns segredos e detalhes “behind the scenes”. Mas vamos fazer mais. Muito mais. 

Não desejando para já revelar todo programa da noite, é sempre de recordar que tertúlia – pois a cada diferente edição, temos o prazer de receber novos tertulianos - é na sua essência uma reunião de amigos, familiares ou simplesmente frequentadores de um local, que se juntam de forma mais ou menos regular, para discutir vários temas e assuntos. Nas Tertúlias do Escape pretende-se discutir motas, motociclismo e viagens. À maneira antiga. Longe dos teclados, cara a cara e com uma cafezada por companhia. 

É o que faremos uma vez mais! Na próxima quarta-feira dia 4 de Setembro, a partir das 21h00 no Espaço Rod’aventura, Avenida da Quinta Grande nº10-A, 2610-159 Alfragide. 

Apareçam! Porque entre as surpresas – e são varias – que vos vamos oferecer, iremos exibir uma Curta absolutamente inédita em Portugal. Quase diria ser uma absoluta estreia mundial. Uma Curta surpreendente.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Escape (com) Vida - ir para fora cá dentro com João Krull (II)

Após o primeiro e segundo dia de viagem que podem ser recordados aqui (link)...

Dia 3 (Aguieira – Gouveia) 102 km 


As manhãs nestes dois dias abriam encobertas, mas rapidamente o sol começava a aparecer. Evitando a IP3 e a N17, fomos por estradas municipais até vila Cova de Alva apanhar a N342 que nos levou até á lindíssima vila de Avô, com uma fantástica e bonita praia fluvial. 

Seguindo pelas N342, N230 (passando pela Ponte das Três Entradas), N338 e N231 (estradas de curvas e contracurvas) fomos dar a Seia, onde (num pequeno desvio de cerca de três quilómetros) fomos almoçar ao tão já conhecido e fantástico Restaurante “Museu do Pão”. 

Atestados de comida e a pouco mais de 20 km do Hotel, lá nos pusemos à estrada pela M522 até Vinhó, concelho de Gouveia, onde fica localizado a Quinta Madre de Água. Esta Quinta no sopé da Serra da Estrela conta com um Hotel Rural, um restaurante, uma coudelaria, sendo ainda produtora de vinhos, queijos e compotas - tudo de excelente qualidade com a marca Madre de Água. A simpatia, os quartos, a piscina e a comida (jantar e pequeno almoço) são de uma excelência única. Um contacto com a natureza no seu estado puro e com a vontade de lá voltar. 

Foi um dia com muitas curvas, estas estradas serranas não nos cansam pelo prazer de conduzir, de apreciar as paisagens e de sabermos que tudo isto é nosso, aqui dentro, aqui tão perto. 

Dia 4 (Gouveia – Alcongosta) 90 km 


A manhã, depois de um reconfortante pequeno-almoço na quinta Madre de Água, começou com um passeio pela quinta apreciando as vinhas, os pomares, os cavalos e os cães serra da estrela, entre outros. De seguida partíamos para a tradicional travessia da sempre bela Serra da Estrela rumo a outra serra, a da Gardunha. 

Pelo caminho na N232, CM1125 e N339 as imensas fotos, da cabeça do velho, da Lagoa comprida, da torre, do santuário e das centenas de curvas que fazem as delícias dos imensos motards que as percorrem. Na descida, já na entrada para a Covilhã, fizemos uma paragem num parque florestal para comer uma fruta, bolachas, um ovo cozido (este sempre aproveitado dos pequenos almoços) e beber água, pois tencionávamos fazer um bom lanche no destino. Percorrendo a N18 desde a Covilhã, saímos para Alcongosta para começar a subir a Serra da Gardunha até ao nosso destino o Natura Glamping. 

O local é fantástico muito sossegado, com uma vista para a Serra da Estrela e para as cidades da Covilhã e Fundão; de cortar a respiração. No final da tarde, subi um pouco mais, por uma estrada de terra batida até a uma torre de vigia para ver o pôr-do-sol. Ali a vista de 360º é até onde a vista pode alcançar, uma maravilha. O Natura Glamping tem 6 “Domos” (2 deles com opção de jacuzzi no exterior) bastante acolhedores, com duas camas de casal e todo o conforto necessário. O seu isolamento de sons e temperaturas é excelente. A piscina de uma beleza fantástica tem água vinda da nascente. O restaurante é muito bom e agradável, lanchámos umas boas tostas e um belo sumo de Cereja (típico da região) com maça. 

Dia 5 (Alcongosta – Arraiolos) 225 Km 



Este dia esperava-se longo e queríamos ter saído mais cedo para evitar as altas temperaturas que se avizinhavam, mas a pressa nunca esteve presente e saímos um pouco antes das 10h. 

Começámos por descer pela M1068 para apanhar a N238 e logo de seguida a pouco conhecida e fantástica N352 que termina um pouco depois de Alcains. Mas decidimos, antes de chegar a S Vicente da Beira, virar para a não menos surpreendente M525 (onde não se vê viva alma), onde parámos em Almaceda para um café e apreciar a sua pequena praia Fluvial. 

Continuando a descer, passamos por Sarzedas a caminho de Vila Velha de Rodão pela M546. A partir dai a N18 e a M526 levaram-nos até Nisa. Uma vez que por aqui não existe nenhuma referência para comer, fizemos um desvio de 11 km até Alpalhão, para nos regalarmos com um excelente almoço no Restaurante “A Regata”. 

De barriga cheia lá nos fizemos de novo à estrada e…, claro, a alta temperatura bateu nos 37º. Andávamos pela N369 e N370, quando decidimos fazer uma paragem em Avis, na mais conhecida Albufeira do Maranhão para ir a banhos no parque de campismo. Duas horas aqui…, e a 40 km de Arraiolos a N370 levou-nos até lá. 

Pernoitámos no centro de Arraiolos, na Casa do Plátano, uma bem recuperada típica casa alentejana, com uma pequena piscina que nestes dias é uma bênção. Não foi preciso andar nem procurar onde comer, pois mesmo em frente (do outro lado do jardim) e aberto há pouco mais de um ano, existe um maravilhoso Restaurante de nome “Republica dos Petiscos”. Pois bem, lá vieram eles (uns cogumelos salteados, um queijo de cabra derretido com orégãos, uns ovos rotos (que delicia) com cebola caramelizada e por fim um pica pau de porco preto). A acompanhar o excelente vinho da região da famosa adega Monte da Comenda Grande, delicioso. E assim lá se foi todo o ginásio ou dieta que se possa ter feito. Foi simplesmente brutal este jantar - com a vontade de ir lá hoje de novo.

(continua...)

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

A estrada, a moto e o telefone esperto – Estrada Nacional 114


Quanto tempo tens para percorrer uma estrada? Depende, desde logo, do seu tamanho obviamente. E se a estrada tiver aproximadamente duzentos quilómetros? Duzentos serão muitos ou poucos quilómetros? Duas, três, quatro…, serão horas suficientes? E uma semana para percorrer tais duzentos quilómetros, seria demais?

Bem podemos olhar para os mapas. Sejam eles reais ou virtuais. Apenas quando nos fazemos à estrada encontramos a absoluta noção da realidade. Esta Estrada Nacional 114 (N114) - que poucos sabem onde acaba e nenhuns onde nasce - podia ser coisa para dias, semanas talvez, tal a riqueza histórica, social e cultural que abraça.

A N114 nasce em pleno oceano atlântico, entre Peniche e o pequeno Arquipélago das Berlengas, no Cabo Carvoeiro. Presume-se (presunção ilidível) que o nome Peniche provém do latim vulgar pinniscula (península), o que em principio significa que o termo se refere a um lugar e não a um povoado; povoado este que teve origem durante a conquista romana da Península Ibérica. Esta tese aparece aliás sustentada nos mais recentes achados arqueológicos em Peniche e nas Berlengas que parecem confirmar esta hipótese. 

A estrada avança terra adentro e ainda mal esquecemos o paladar da maresia quando temos o primeiro encontro com sabor da história. Ao cruzar a Nacional 8 (link) a nossa 114 encontra Óbidos e mais adiante não passa longe das Caldas da Rainha, duas paragens obrigatórias porque a história e o conhecimento assim o designam.

A partir de Gaeiras e da muito perigosa interceção com a Nacional 115 – a próxima a figurar aqui neste vosso ESCAPE – a estrada deixa para trás em definitivo o odor a mar e a fresca brisa do atlântico norte passando o seu traçado a acompanhar o relevo natural do terreno – um aspeto clássico das Nacionais nascidas do Plano Rodoviário de 1945 (link). 

À medida que mergulhamos no interior a beleza muda de tom (pomares e vinhas pontuam a paisagem) mas o abandono, em especial dos campos agrícolas, faz nos lamentar que mesmo não muito longe do litoral as assimetrias notam-se. Ainda antes de chegar a Santarém, Rio Maior salta-nos ao caminho, sendo tempo de saudar a minha “Estrada Mãe” – Nacional 1 (link).

Santarém - onde cruzamos a Nacional 3 (link) - desilude um pouco mais a cada visita. Absorvida cada vez mais por doses massivas de betão e asfalto saúda o viajante da N114 com uma surpresa totalmente dispensável: a primeira estrada cortada desta minha saga. 

É absolutamente inconcebível que a imbecil classe política que nos administra, ao mesmo tempo que destrói com mais cimento a anteriormente bela e até romântica Scalabis não consiga há cinco anos, eu repito, cinco anos, resolver a pequena derrocada de Agosto de 2014 na encosta de Santa Margarida que corta a cidade da icónica ponte D. Luís (link). Não tenho palavras.

Atravessado o rio que dá nome à região estamos no coração do Ribatejo. A planície toma conta da paisagem e surgem as longas retas da nossa Nacional 114, que tanto prazer nos está a dar percorrer. Ainda antes de Coruche a estrada entra em modo “profunda crise de identidade” e julga chamar-se IC10 – nome horripilante para uma estrada que mais parece apelido de um qualquer droide de um filme de ficção científica. 

Quando chegamos a Montemor-o-Novo já sentimos bem na pele a canícula da secura alentejana. Saudamos as Nacionais 2 (link) e 4 (link) e partimos, enfim, para Évora destino final da Estrada Nacional 114, uma das mais arrebatadoras e desconhecidas deste nosso Portugal.

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Quem, o quê, onde, como, quando e porquê – não necessariamente por esta ordem… 


A Estrada Nacional 114, não é mas podia muito bem ser conhecida qualquer coisa como a “A Última Circular Norte e Este da Grande Região de Lisboa”. Tem o seu início no Cabo Carvoeiro, cabo que se situa no extremo da Península de Peniche, sobre o Oceano Atlântico, no concelho de Peniche, Distrito de Leiria e terminus na denominada Porta do Raimundo, cerca medieval de Évora, também referida como cerca nova de Évora ou muralhas fernandinas de Évora. Foi por este ESCAPE percorrida no final de Junho de 2019 aos comandos de uma Royal Enfield Interceptor 650 que gastou uns “ridículos” quatro litros de líquido inflamável do bom nos seus cerca de 200 quilómetros. A N114 não é uma estrada qualquer e é credora do nosso respeito. Apesar de abandonada, retalhada ou maltratada, desempenha ainda hoje papel fundamental no desenvolvimento socioeconómico das populações que serve. Da frescura do atlântico à nobreza do Alentejo corre grande parte da história de Portugal. Localizando-se num país anglo-saxónico seria “vendida” como roteiro turístico de absoluta Classe Mundial.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Escape (com) Vida - ir para fora cá dentro com João Krull (I)


Confesso! Dos pequenos projectos dentro da realidade do blogue este foi aquele que levou mais tempo a dar ao kick start. Confesso ainda que o João não foi a minha primeira escolha. Mas foi o primeiro a abraçar sem pestanejar o desafio. Obrigado João! 

João Krull é um Motociclista, assim, com letra grande. À utilização diária da moto junta a paixão pelo mototurismo e o desafio do fora de estrada. Um verdadeiro biker que em tempos colaborou pontualmente no domínio das viagens com a saudosa MOTOCICLISMO. O ESCAPE não podia estar mas satisfeito por ser o João a inaugurar esta nova rubrica com a sua recente viagem por este nosso Portugal. Dela resultou um conjunto de textos apaixonados que relatam uma semana de férias motociclísicas por estradas e estradinhas pouco “navegadas” e que nos trazem muito do melhor que o nosso país tem para oferecer. 

Hoje e nas próximas duas semanas, sempre à terça-feira, fiquem com “ir para fora cá dentro com João Krull”. E sintam-se a viajar… 

Dia 1 (Carnaxide – Charruada) 170 km 


Uma vez que a nossa viagem à Sardenha ficou adiada para o próximo ano, resolvemos assim ir para fora cá dentro. Tínhamos uma semana e resolvi elaborar uma viagem diferente. Comecei por escolher os hotéis e a partir daí delinear o trajecto. Os requisitos da viagem visavam evitar a passagem por grandes cidades, fazer somente estradas nacionais, municipais ou secundárias (poupando gasolina e portagens), podendo assim gastar mais no conforto de Hotéis de melhor qualidade. 

Os percursos diários seriam feitos pela manhã, sem pressas para sair, sem pressas para chegar, usufruir das paisagens e as tardes nas piscinas dos hotéis (requisito obrigatório). 

No primeiro dia saímos pelas 10h de casa, atravessámos a grande Lisboa rumo a Charruada, um lugar da freguesia de Assentiz, concelho de Torres Novas. Tínhamos 170 quilómetros para fazer e pelo caminho passámos pela vila de Meca (desconhecendo eu que havia uma Meca em Portugal) entre muitas outras vilas, com destino a Santarém onde almoçámos no Tascá, uma simpática tasca com excelente comida, bem no centro desta cidade. Continuando pelas pitorescas estradas chegámos a Charruada onde pernoitámos na Quintinha da Eira, uma bela quinta com bonitos recantos, quartos óptimos em ambiente familiar, uma tranquilidade muito reconfortante e recebidos por quem tão bem sabe receber. O preço da noite foi de 85€ com um excelente pequeno-almoço, talvez o melhor. 

Uma vez que não servem jantares, aconselharam ir a Vilar dos Prazeres, sete quilómetros de boas curvas pela N349, para jantar no Restaurante “O Álvaro”. Este primeiro dia de viagem permitiu revelar estradas desconhecidas, sendo que tal descoberta veio a ser uma constante durante toda a semana. 

Dia 2 (Charruada – Aguieira) 140 km 

Ao sair da Quintinha da Eira fomos visitar a um quilómetro o que dizem ser a maior concentração de Moinhos da Europa, são nove moinhos (não nas suas melhores condições ou estado de conservação) num espaço de cem metros. Depois disso iniciámos a nossa viagem de cerca de 140 km rumo à Aguieira. 


A apenas quinze quilómetros de Charruada, encontrámos a recente e bela praia Fluvial do Agroal, situada na estrada CM1088, freguesia de Formigais e Concelho de Ourém. Localizada na maior nascente do Rio Nabão é conhecida pelas suas características terapêuticas e água muito fria. 

Seguimos por estradas municipais até Miranda do Corvo e depois até Portela do Mondego para a apanhar a N110 até Penacova, onde almoçámos no Restaurante “Côta D' azenha” mesmo junto à ponte - barato e muito bom. 

Sem pisar a IP3 lá seguimos junto ao Mondego pelas mais pitorescas estradas com belas paisagens, passando pela Barragem do Coiço e por fim chegada à Barragem da Aguieira também conhecida por Barragem da Foz do Dão, localizada no Rio Mondego, município de Penacova (distrito de Coimbra, margem esquerda) e de Mortágua (distrito de Viseu, margem direita), nas freguesias de Travanca do Mondego e Almaça, respectivamente. 


Ali fica o conhecido Hotel Lake Resort & Spa Montebelo Aguieira onde pernoitámos. Um complexo enorme com apartamentos e garagens privadas num ambiente de luxo onde existem inclusive apartamentos com piscinas privadas. O ambiente é de pouco sossego, tanto na área da piscina, como no restaurante, devido à época balnear. O restaurante ao jantar só serve em regime buffet e achei caríssimo para a oferta dada. Ao almoço tem a opção de bar onde servem comida rápida (pizzas, hambúrgueres, tostas, etc). Acredito que em outra altura do ano, com bom tempo se aproveite mais o espaço, o silêncio e os vários desportos aquáticos existentes junto à marina ali ao lado. O apartamento é sossegado (felizmente) e com uma área assinalável, mas o que gostei mesmo foi da box privada para a “mãe”.

(continua...)

domingo, 11 de agosto de 2019

Moto Guzzi V85 TT à prova

“Então?!? Estas aqui ao lado do santuário Guzzi e não vais visitar o museu?”, questionava-me o Hadrian com a sua “subtileza” germânica. Antes que pudesse esboçar resposta o Joseph assegurou: “é imperdível, Pedro!”. O bom das viagens é (também) isto: as memórias que perduram até que um dia a nossa massa cinzenta as deixe desvanecer. 

Aquele pedaço de vida completou há dias quatro anos. Passou-se em Abaddia Lariana, uma pequena mas encantadora povoação que mergulha os seus pés nas águas do arrebatador Lago Como na Lombardia italiana. Já não eram horas decentes para jantar. E fazia muito calor. À minha Diavola bem carregada de olio piccante al peperoncino, acompanhada pelo mezzo litro de jovem tinto local, tinha acabado de se juntar o Hadrian e o Joseph, velhos lobos da estrada da europa central, que assim me “recordavam” que estava paredes meias com a antiga e icónica maternidade de uma das mais lendárias marcas de motos europeias e mundiais: a Moto Guzzi. 

Durante a prova à Moto Guzzi V85 TT relembrei amiúde este episódio passado neste dia (link) da viagem alpina de 2015 – que pode ser toda recordada aqui (link) – e a consequente visita ao Museu Moto Guzzi, situado em Mandello del Lario. É impossível compreender o presente sem conhecer o passado. Logo…, é impossível compreender esta V85 TT sem conhecer, ainda que sucintamente, a historia da marca e mesmo do motociclismo. 

CLÁSSICA MODERNA 
Sejamos claros. Depois de conhecer a sua ficha técnica e após fitar a Guzzi nos olhos, este ESCAPE julga que estamos perante uma feliz interpretação de um novo conceito tão em voga. Se o olhar da Guzzi nos diz que estamos perante um raro objecto que evoca as gigantes trails dos gloriosos anos 80, os argumentos são claramente dos dias de hoje. Não vale a pena inventar novos segmentos só porque sim ou porque eventualmente parecemos mais inteligentes. A V85 TT é uma clássica moderna. Ponto. 

O guiador largo aliado a uma posição de condução eficaz que faz uma síntese curiosa entre o “sentado” e o “montado”, induz de imediato no primeiro contacto citadino, facilidade de utilização e prazer. Desenvolta e muito equilibrada na lide citadina, a Guzzi V85 TT pede estrada, com a sua jante 19’’ a enamorar em permanência o asfalto. Lá, em estrada, o novo motor “em fisga” da histórica marca italiana é suave e eficaz - um pouco mais de alma a baixas rotações seria desejável – e adiciona vida a todo uma ciclística que incute “boa vibração” – os entendidos vão entender :) e a piada está feita, mas deixem-me esclarecer que a suave vibração que sentimos parados ou a baixas velocidades é tão só a charmosa assinatura da classe de quem nasceu nas margens do lago Como… 

ESTILOSA E SEM MEDO DO PÓ 
Na Moto Guzzi V85 TT não há muito a lamentar. Objectivamente, a proteção aerodinâmica podia ser mais eficaz, na verdade. Subjetivamente, não me apaixonei pela “digitalidade TFT” dos instrumentos. O que tenho mesmo pena é de não ter levado a V85 TT para o Tuto Terreno que lhe dá nome. Os Metezeler Tourance Next – excelentes no asfalto (já os tive na minha CRF) - não me passam confiança fora dele. Assim, as incursões em estradão foram suaves mas assinalaram aquele equilíbrio e leveza que a maioria dos tímidos aventureiros – como eu – gosta. 

Esta estilosa Cinza Atacama (sim, a Amarelo Sahara e a Vermelho Kalahari são bem mais “luminosas”) revelou um simpático consumo de menos de cinco litros do raro líquido inflamável por cem quilómetros de condução descontraída mas encantadora, solicitando a marca 11.874€ pelos 853cc, 80 CV e 229 Kg deste conjunto pleno de personalidade.

terça-feira, 30 de julho de 2019

A estrada, a moto e o telefone esperto – Estrada Nacional 113

René Descartes (século XVII) foi um filósofo, físico e matemático francês. Notabilizou-se sobretudo pelo seu trabalho revolucionário na filosofia e na ciência. Alguns atribuem-lhe a fundação da filosofia moderna, outros apelidam-no de "pai da matemática moderna" (resta saber quem terá sido a mãe…). Descartes terá dito um dia não existirem métodos fáceis para resolver problemas difíceis. Confesso – até porque algum dia teria de acontecer – não será nada fácil escrever sobre a Estrada Nacional 113 (N113). E quem é este ESCAPE para contrariar o pensamento cartesiano? 

Todavia, foi com espanto que encontrei o seu “marco zero”, ou o que resta dele; perdido num canteiro de ervas daninhas junto à Estrada Nacional 1(link). É nesse ponto que começa então aquele que um dia foi ou quis ser o “Eixo do Centro de Portugal”. 

Assim que começa, a N113 mergulha na “número um” para uns metros mais adiante ter um gigante crise de identidade e se transformar num mutante com perfil de auto-estrada denominada A8-1, também conhecida como “Variante dos Pousos”. Leiria – é onde estamos – deixou de ser aquela pacata e até pitoresca vila que atravessávamos nos longínquos anos 70 e inico de 80 do século passado rumo ao Norte, para se metamorfosear numa horrorosa cidade rica (?!?) emoldurada por betão e asfalto – é o progresso, dizem… 

Mas a ruralidade não anda longe, surgindo por volta do quilómetro nove. Pelos campos, ora abandonados ora mal-amanhados, a estrada segue sem história nem gloria até Ourem, situada a cerca de vinte cinco quilómetros da casa da partida – o que significa aqui meio caminho. 

Ourém, renomeada a partir de Vila Nova de Ourém, é uma cidade pertencente ao distrito de Santarém, província da Beira Litoral, na região do Centro e sub-região do Médio Tejo. Ourém recebeu foral em 1180, atribuído pela infanta D. Teresa de Portugal, Condessa da Flandres, filha do rei D. Afonso Henriques e da rainha Mafalda de Saboia. Em tal documento é referido que aquele lugar se chamava em latim Auren. O seu castelo, Monumento Nacional, que se ergue no topo de uma colina, na cota de 330 metros acima do nível do mar, apresenta planta no formato triangular irregular, com torres nos vértices e tem origens remotas tendo sido alvo de destruição e posterior reconstrução bastas vezes. Tendo tempo, merece a visita. 

Dali segue a nossa N113, agora ainda mais pobre e mais abandonada, competindo neste sector com o neófito e aborrecido IC9 até a gloriosa Tomar, outrora “Capital” dos Templários e hoje tomada pelo turismo pois o Convento de Cristo, principal Monumento da cidade, foi considerado Património Mundial pela UNESCO em 1983. 

De facto, Tomar, depois de conquistada aos mouros pelo Rei Afonso Henriques, foi doada como feudo à Ordem dos Templários. Dali, estes governavam vastas possessões do centro do Reino de Portugal, que estavam obrigados a defender dos ataques vindos dos estados islâmicos a sul. 

No momento da visita deste ESCAPE, Tomar celebrava a espetacular Festa dos Tabuleiros. Realizada de 4 em 4 anos no princípio do mês de julho. Esta é uma das tradições mais antigas de Portugal, estando a sua origem nas festas de colheita à deusa Ceres. Neste ano o ponto alto das Festas juntou, segundo a comunicação social, cerca de meio milhão de pessoas. 

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Quem, o quê, onde, como, quando e porquê – não necessariamente por esta ordem… 


A Estrada Nacional 113, não é mas podia muito bem ser conhecida como “diz que é uma espécie de Eixo do Centro de Portugal”. A N113 é uma via estruturante com inicio em Leiria, na também estruturante Nacional 1 (link), e términus em Tomar na importante Nacional 110. Foi por este ESCAPE percorrida no início de Julho de 2019 aos comandos de uma Honda CB500X que fez um consumo de PCX, tendo gasto de combustível o equivalente a uma garrafinha daquelas de litro e meio de água, nos seus cerca de cinquenta quilómetros. 

A N113 não é uma estrada qualquer e é credora do nosso respeito. Apesar de relativamente abandonada, continua a desempenhar importante papel para a vida e desenvolvimento das populações (essencialmente rurais) que dela se servem, bem como do Santuário de Fátima e dos seus fevrosos peregrinos.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Dust Girls - A Curta metragem

[texto adaptado] Quatro mil quilómetros. Cinco mulheres em duas rodas. São estes os números da aventura da Marta Garcez, da Ângela Mendes, da Tânia Moreira Rato, da Marta Araújo e da Pipa Pereira. Elas são as Dust Girls, um grupo de “mulheres que se conhecem e gostam muito de andar de moto”. Juntas partiram em direção a Marrocos. Com elas levaram não só a vontade de conhecer o mundo mas também o Manuel Portugal que registou esta aventura numa Curta. Quem não a consegui-o ver o último Lisbon Motorcycle Film Fest (LXMFF) tem aqui a oportunidade ideal para o fazer! No próximo dia 23 de Julho, pelas 19h. na Longitude009. 


É o meu caso. Não estive no momento da exibição da Curta no LXMFF, estarei amanhã na Longitude009. Não há mais nada a dizer. Não? 

As Dusty já não requerem apresentação. Até porque estiveram recentemente na Tertúlia do Escape – para recordar aqui (link) e aqui (link). Não requerem apresentação mas merecem atenção. 

Na REV #52 em banca o Marcos decidiu traze-las para o seu Editorial: “[As Dust Girls] Em pouco tempo atingiram um nível mediático que não procuravam e têm tido uma influência grande (…). Muitas vozes avessas, mesmo de ódio, se levantaram nas redes sociais (haters will always hate). As “Dust” chegaram onde chegaram graças ao seu trabalho”. 

Fico feliz que as palavras que aqui acabo de reproduzir não sejam minhas. Mas sublinho que as subscrevo na totalidade. E digo mais. Os odiadores vão ter mais um motivo para odiar. Força nisso…, mas apareçam. Tirem a mascara. Apareçam, despidos da armadura do teclado e do capacete do ecrã. Mostrem a face e confrontem as miúdas com o vosso fel..., seus heróis do teclado… :) Aquelas mulheres teriam muito prazer em vos conhecer… 

Amanhã, dia 23 de Julho, pelas 19h. na Longitude009, ali ao pé do Mar da Palha!

domingo, 21 de julho de 2019

Honda CB500X à prova


A pequena e leve aventureira de média cilindrada da casa nipónica, é uma velha conhecida deste ESCAPE. Aqui (link), em meados de Abril de 2017, sublinhei a agilidade, economia e diversão desta “quinhentos xis”, uma moto concebida para as difíceis batalhas diárias das grandes cidades e seus arredores sem, todavia, deixar de “solicitar” ser levada a sair por esse mundo fora. 

Para 2019 a Honda decidiu fazer alguns ajustes nesta sua “meio litro” de sucesso, melhorando detalhes no sentido de ir ao encontro dos cada vez mais exigentes “cristãos novos” (motociclistas neófitos). 

MAIS FACTOR X 
Melhor proteção contra o vento e demais elementos, suspensão de maior curso, jante dianteira de 19 polegadas, guiador de espessura variável, tudo no sentido de apontar a um estilo “fora de estrada” mais robusto onde o “factor X” surja em evidência - indo também ao encontro de apresentar um aspecto bastante aventureiro inspirado na Africa Twin. Para além de uma embraiagem assistida, o novo painel de instrumentos LCD e piscas de direção de LEDs completam a gama de actualizações juntamente com um novo escape de dupla saída que emite uma sonoridade bem mais agradável. 

Já a conhecida unidade motriz mantém-se idêntica - 35 kW de potência de pico necessários para este modelo continuar a poder ser conduzido por detentores de carta A2 – oferecendo contudo mais 4% de potência e de binário entre as 3.000 e as 7.000 rpm, graças às revisões introduzidas na admissão, no escape e na distribuição. 

BABY TWIN 
O primeiro olhar revela um certo ar de família que nos leva a apelidar a 500X 2019 de “baby twin”. E nos primeiros quilómetros sorrimos de agrado. As modificações introduzidas revelam uma posição de condução mais simpática e correta; dois aspectos altamente positivos desta moto surgem de imediato em evidência. A nova “jante 19” faz com que a moto abrace o asfalto de uma forma intensa e apaixonada e a protecção aerodinâmica apresenta-se simplesmente perfeita, deixando-me a desejar que tivesse existido trabalho idêntico na minha CRF 1000L. 

Mas há ainda, na opinião deste ESCAPE, detalhes que podem melhorar. Não gostei, de todo, do tacto e desenho do banco, fazendo com que lá onde as minhas costas acabam sentisse desconforto arreliante. Já os pneus, apesar de evoluírem positivamente face à versão 2017, podem ainda ser mais eficazes – o mercado já oferece qualidade superior neste detalhe rigorosamente fundamental. 

MODERADAMENTE OFF-ROAD 
No capítulo do “fora de estrada” há claras melhorias no desempenho mas sempre limitadas pela escolha que a marca fez ao nível das jantes. E atrevo-me a dizer mais: se a este excelente conjunto de ciclística e motor fossem adicionadas jantes de raios e pneus apropriados, poderíamos estar perante uma moto absolutamente ideal para a esmagadora maioria daqueles que procuram uma aventura suave mas determinada por maus caminhos. 

Esta Honda CB500X em tons Grand Prix Red ofereceu-me doses massivas de divertimento com uma economia arreliante [ironic mode]. Foram gastos menos de três litros e meio do tal líquido inflamável de que tanto precisamos para nos deslocarmos com prazer, por cem quilómetros de condução descontraída. Pedindo a marca um cheque de 6.850€ em troca desta “levezinha” desejosa de abandonar a “loucura diária” e partir por ai a explorar o mundo.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Honda revela X-ADV 150 na Indonésia

Foi o Rui Belmonte e a MotoJornal que nos alertaram. No Gaikindo International Auto Show, tendo como base a Honda PCX - da qual aproveita o motor, braço-oscilante e ciclística - a Honda apresentou uma nova uma X-ADV 150. Que pode vir a ser disponibilizada na Europa com motorização de 125cc.


Esta fresca e surpreendente proposta revela, segundo o site da decana revista (link) [texto adaptado] uma forquilha dianteira convencional com um único disco de travão a integrar o sistema combinado CBS e com sistema ABS, dois amortecedores Showa na secção traseira com depósito separado, rodas de 14 polegadas na dianteira e 13 polegadas na traseira - ambas com pneus de uso misto. O painel de informação é semelhante ao que podemos encontrar em vários modelos da marca, o ecrã de protecção é regulável e a iluminação segue as tendências “Full-LED”, com as linhas que tornaram a versão 750cc um modelo de sucesso

Acrescento. Estará encontrado o novo veiculo citadino – e não só – deste ESCAPE? :)

quinta-feira, 18 de julho de 2019

A estrada, a moto e o telefone esperto – Estrada Nacional 112


O Grossglockner é uma majestosa montanha que separa a região da Caríntia e do Tirol sendo o ponto mais alto da Áustria. Tem 3797 m. de altitude e 2423 m. de proeminência topográfica. É a segunda montanha mais proeminente dos Alpes, depois do Monte Branco. A mais alta dos Alpes a leste do Brennerpass

O Grossglockner é cruzado pela Grossglockner High Alpine Road. Esta é a mais alta estrada asfaltada da Áustria. Alguns dizem que ao agendar uma viagem de mota pelos Alpes, aquela é uma estrada de alta montanha a percorrer com caracter de obrigatoriedade, pois o asfalto enquadra-se na paisagem de forma absolutamente perfeita. A Grossglockner High Alpine Road é de facto notável pelo seu traçado curvilíneo mas também pala soberba qualidade do asfalto, sem dúvida um dos melhores “tapetes” da Europa. 

Ao percorrer os primeiros quilómetros da Estrada Nacional 112 (N112) recordei-me das minhas passagens pela Grossglockner High Alpine Road. Cá no nosso rectângulo não temos montanhas da dimensão e dramatismo dos Alpes mas ainda vamos encontrando pedaços de asfalto que são verdadeiras jóias. E esta, a N112, é uma das que mais brilham na coroa das estradas portuguesas. 

Há uns anos largos que não fazia esta verdadeira diagonal à região Centro de Portugal. E tinham-me alertado que vindo de Gois pela Nacional 2 (link), negociados que fossem os primeiros quilómetros até à Pampilhosa da Serra, a vontade seria a de parar, respirar e repetir tudo uma, e outra e outra vez. 

Confirmado! Esta primeira secção da N112 merece ser visitada com o devido tempo para ser desfrutada mais do que uma vez. Será, sem dúvida, um dos mais estimulantes troços de estrada em Portugal. 

Da Pampilhosa até Castelo Branco, atravessando o Zêzere em Cambas, a festa continua, ainda que em ritmo mais moderado. Festa que contudo não é mais colorida devido à verdadeira devastação – quase total – provocada pelo abandono destas paragens e consequentes incêndios florestais dos últimos anos. Uma lástima. Que transforma ainda uma das mais belas estradas de Portugal numa estrada sem qualquer tipo de fotogenia. 

No fim, já em terras albicastrenses, apenas um desejo. O de voltar. De voltar rapidamente. E com mais tempo. Porque esta é uma das mais apetecíveis estradas portuguesas para a o mototurismo em modo sport. 

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Quem, o quê, onde, como, quando e porquê – não necessariamente por esta ordem… 


A Estrada Nacional 112, não é mas podia muito bem ser conhecida como a “Grossglockner Road portuguesa” (perdoem-me o parolismo) devido não à paisagem que cruza mas ao seu traçado de classe mundial e ao seu tapete de asfalto de elevada qualidade. Tem o seu inicio num local (nem é lugar, muito menos aldeia) denominado Portela do Vento, num cruzamento com a Nacional 2 (link) e acaba na Pampilhosa da Serra. Quer dizer…, em bom rigor termina apenas em Castelo Branco pois entre a Pampilhosa e Castelo Branco a estrada mantem-se tendo sido apenas regionalizada (mais uma tontice dos senhores políticos). 

A N112 foi por este ESCAPE percorrida no início de Julho de 2019, aos comandos de uma Triumph Bonneville Speed Twin que gastou pouco menos de cinco litros de líquido inflamável do bom nos seus quase 100 quilómetros. 

A N112 não é uma estrada qualquer e é credora do nosso respeito. Tal como vertido no Plano Rodoviário Nacional de 1945, o objectivo original desta estrada estruturante era o de unir as outras igualmente estruturantes N2 e N18, passando pelas Serras da Lousã e Oleiros, ligando rapidamente duas capitais de Distrito, Coimbra e Castelo Branco, usando ainda a Nacional 17 como auxiliar deste percurso muito sinuoso.
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