sexta-feira, 19 de julho de 2019

Honda revela X-ADV 150 na Indonésia

Foi o Rui Belmonte e a MotoJornal que nos alertaram. No Gaikindo International Auto Show, tendo como base a Honda PCX - da qual aproveita o motor, braço-oscilante e ciclística - a Honda apresentou uma nova uma X-ADV 150. Que pode vir a ser disponibilizada na Europa com motorização de 125cc.


Esta fresca e surpreendente proposta revela, segundo o site da decana revista (link) [texto adaptado] uma forquilha dianteira convencional com um único disco de travão a integrar o sistema combinado CBS e com sistema ABS, dois amortecedores Showa na secção traseira com depósito separado, rodas de 14 polegadas na dianteira e 13 polegadas na traseira - ambas com pneus de uso misto. O painel de informação é semelhante ao que podemos encontrar em vários modelos da marca, o ecrã de protecção é regulável e a iluminação segue as tendências “Full-LED”, com as linhas que tornaram a versão 750cc um modelo de sucesso

Acrescento. Estará encontrado o novo veiculo citadino – e não só – deste ESCAPE? :)

quinta-feira, 18 de julho de 2019

A estrada, a moto e o telefone esperto – Estrada Nacional 112


O Grossglockner é uma majestosa montanha que separa a região da Caríntia e do Tirol sendo o ponto mais alto da Áustria. Tem 3797 m. de altitude e 2423 m. de proeminência topográfica. É a segunda montanha mais proeminente dos Alpes, depois do Monte Branco. A mais alta dos Alpes a leste do Brennerpass

O Grossglockner é cruzado pela Grossglockner High Alpine Road. Esta é a mais alta estrada asfaltada da Áustria. Alguns dizem que ao agendar uma viagem de mota pelos Alpes, aquela é uma estrada de alta montanha a percorrer com caracter de obrigatoriedade, pois o asfalto enquadra-se na paisagem de forma absolutamente perfeita. A Grossglockner High Alpine Road é de facto notável pelo seu traçado curvilíneo mas também pala soberba qualidade do asfalto, sem dúvida um dos melhores “tapetes” da Europa. 

Ao percorrer os primeiros quilómetros da Estrada Nacional 112 (N112) recordei-me das minhas passagens pela Grossglockner High Alpine Road. Cá no nosso rectângulo não temos montanhas da dimensão e dramatismo dos Alpes mas ainda vamos encontrando pedaços de asfalto que são verdadeiras jóias. E esta, a N112, é uma das que mais brilham na coroa das estradas portuguesas. 

Há uns anos largos que não fazia esta verdadeira diagonal à região Centro de Portugal. E tinham-me alertado que vindo de Gois pela Nacional 2 (link), negociados que fossem os primeiros quilómetros até à Pampilhosa da Serra, a vontade seria a de parar, respirar e repetir tudo uma, e outra e outra vez. 

Confirmado! Esta primeira secção da N112 merece ser visitada com o devido tempo para ser desfrutada mais do que uma vez. Será, sem dúvida, um dos mais estimulantes troços de estrada em Portugal. 

Da Pampilhosa até Castelo Branco, atravessando o Zêzere em Cambas, a festa continua, ainda que em ritmo mais moderado. Festa que contudo não é mais colorida devido à verdadeira devastação – quase total – provocada pelo abandono destas paragens e consequentes incêndios florestais dos últimos anos. Uma lástima. Que transforma ainda uma das mais belas estradas de Portugal numa estrada sem qualquer tipo de fotogenia. 

No fim, já em terras albicastrenses, apenas um desejo. O de voltar. De voltar rapidamente. E com mais tempo. Porque esta é uma das mais apetecíveis estradas portuguesas para a o mototurismo em modo sport. 

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Quem, o quê, onde, como, quando e porquê – não necessariamente por esta ordem… 


A Estrada Nacional 112, não é mas podia muito bem ser conhecida como a “Grossglockner Road portuguesa” (perdoem-me o parolismo) devido não à paisagem que cruza mas ao seu traçado de classe mundial e ao seu tapete de asfalto de elevada qualidade. Tem o seu inicio num local (nem é lugar, muito menos aldeia) denominado Portela do Vento, num cruzamento com a Nacional 2 (link) e acaba na Pampilhosa da Serra. Quer dizer…, em bom rigor termina apenas em Castelo Branco pois entre a Pampilhosa e Castelo Branco a estrada mantem-se tendo sido apenas regionalizada (mais uma tontice dos senhores políticos). 

A N112 foi por este ESCAPE percorrida no início de Julho de 2019, aos comandos de uma Triumph Bonneville Speed Twin que gastou pouco menos de cinco litros de líquido inflamável do bom nos seus quase 100 quilómetros. 

A N112 não é uma estrada qualquer e é credora do nosso respeito. Tal como vertido no Plano Rodoviário Nacional de 1945, o objectivo original desta estrada estruturante era o de unir as outras igualmente estruturantes N2 e N18, passando pelas Serras da Lousã e Oleiros, ligando rapidamente duas capitais de Distrito, Coimbra e Castelo Branco, usando ainda a Nacional 17 como auxiliar deste percurso muito sinuoso.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Sugestão de leitura e outras coisas mais

Sempre segui a carreira daquele miúdo. Um miúdo que a cada fim-de-semana da sua vida superava o seu destino. Apesar de ter idade para ser pai dele, para mim era (é, na verdade) um ídolo. 

Fez há dias um ano. Chegava enfim o momento de nos cruzarmos, durante uma sessão de autógrafos na loja de um amigo de sempre. Alimentei a esperança de falar – um minuto que fosse – com o meu ídolo. A esperança deu lugar à expectativa quando expus o meu desejo a quem da sua comunicação tratava. Foi-me dito para esperar o meu momento. E quando o momento chegou…, chegou também a desilusão. Aquele minuto, que tão bem tinha preparado com um par de perguntas simpáticas para partilhar as respostas com os seguidores do blogue…, afinal não ia acontecer. Fiquei triste, muito triste. Chateado, mesmo. Não desisti e contactei por escrito a tal pessoa que da comunicação dizia tratar. O diálogo, primeiro por mensagem de correio eletrónico depois por telefone, também não correu bem. Acabei a sorrir – o que gerou ira – quando me disseram: “Pedro, você diz-se amador mas é mais duro que os profissionais”. A tal pessoa que devia tratar da comunicação de um piloto prestes a chegar à elite, na ânsia de me magoar mais um pouco, acabava assim por, sem querer, elogiar-me. Fraco consolo. Todos perdemos. 

Hoje, num mundo de ruido, a comunicação é muito mais do que um processo que envolve a troca de informações entre dois ou mais interlocutores. Comunicar hoje é a arte da sedução. Mais. Comunicar hoje é a arte da influência. 

Todos aqueles a quem cabe comunicar - ou a tal tarefa se expõem - no liliputiano meio do motociclismo em Portugal, devem pois esforçar-se no sentido da sedução. Mais, de influenciarem. Do topo das principais marcas ao “zequinha-youtuber-das-motos” que tem um canal com vídeos que só ele assiste, todos, todos, sem excepção, devem ter por objectivo seduzir e influenciar. Em especial aqueles que com tal actividade vendem, logo, lucram. 

Estranho é – muito estranho mesmo – quando nos cruzamos com pessoas do grupo citado que parece que se esforçam, precisamente, no sentido contrário. Isto é, tudo fazem (ou parece) para ignorar, afastar, magoar até, os destinatários daquela que devia ser a sua mensagem. Como é possível? 

Assim chegamos então ao objectivo deste texto algo diferente e peculiar que pretende fazer uma sugestão de leitura: “Fale Menos Influencie Mais”, um livro de Carla Rocha. 

Até ao momento em que tive o contacto com este livro nunca tinha ouvido falar da autora. Não conhecia o seu trabalho. Não conhecia o seu percurso académico. Nem a sua Academia de comunicação que serve algumas das maiores e melhores empresas portuguesas e até o Comité Olímpico de Portugal. 

Notem. Não me estou a colocar fora do barco que navega em águas agitadas – talvez pelo bom momento do mercado (um paradoxo?!?). Temos todos de tentar comunicar melhor. Seduzir melhor. Influenciar mais. Só dessa forma, no mundo da Sociedade da Informação e da Comunicação, o motociclismo vingará. Ser melhor todos os dias deve ser o desafio.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Royal Enfield Interceptor 650 à prova


Para compreender o presente é necessário conhecer o passado. A Interceptor foi uma moto britânica, construída pela Royal Enfield nas décadas de 60 e 70 do século passado, o século XX. A moto original dos idos de 60 era uma versão modificada de um outro modelo da Royal, a Constellation, e montava um motor twin vertical de 692cc (o maior construído até então pela empresa) tendo sido vendida apenas, mas com sucesso assinalável, nos mercados norte-americano e canadiano. Logo em 1962 a companhia apostou num novo motor de 736cc que evoluiu constantemente até ao fim da produção já na década de 70.

Após muitos meses de especulação intensa, a Royal Enfield revelou no EICMA de 2017 as suas primeiras motos globais desde 1994, a Continental GT 650 e esta Interceptor - que agora o ESCAPE teve o prazer de provar – duas motos “despidas” (mas muito honradas) equipadas com o um clássico bicilíndrico paralelo arrefecido a ar-óleo, moderno no seu desenvolvimento e fabrico. 

SIMPLES MAS COM CARÁCTER 
A Royal Enfield Interceptor nasceu de uma folha em branco. Num primeiro olhar é discreta mas nobre. E assim que se coloca o twin em funcionamento revela um trabalhar que induz personalidade. 

Já o primeiro toque na moto não satisfaz. Ainda parado, o banco revela-se pouco largo (bom para baixas estaturas), as pernas tocam nos poisa pés e quando soltamos a embraiagem para o primeiro arranque todo o conjunto nos parece demasiado hirto e até desagradável – admito, porem, que todos este desconforto inicial se deva à irritamente chuva miudinha de verão que me “benzia” no momento do engate da “primeira”. 

HONESTA E SUBTIL 
A estranheza dissipa-se com agradável supressa na agilidade em condução citadina, sendo contudo necessário dar espaço à Interceptor para a compreender na sua globalidade. Em estrada aberta, o motor abandona o modo veludo que o caracteriza até cerca das 2500rpm. Ai ganha nova vida, nova voz e novo desempenho, proporcionando em conjunto com toda a ciclista – sem deslumbrar, cumpre – os quilómetros de prazer que desejarmos. Duas notas mais. Por um lado os pneumáticos que equipam esta unidade são inaceitáveis - provavelmente por também já apresentarem algum desgaste – tendo este ESCAPE ficado com a clara sensação que tudo seria ainda mais divertido com pneus de qualidade. Por outro, todo o conjunto de transmissão (esta é a primeira “caixa de seis” da Royal Enfield) podendo ser mais preciso é de suavidade que merece ser sublinhada. Tal como a leveza da embraiagem. 

Esta foi daquelas provas inequívocas que o ESCAPE adora fazer. Quilómetros sem fim até que o corpo me doa, incluindo a realização da ignorada mas gloriosa Estrada Nacional 114 – lá iremos, a seu tempo. Para além de ser uma excelente base para customização, a Royal Enfield Interceptor 650 revelou uma honestidade absurda. O consumo total da prova foi de uns “patéticos” quatro litros daquele líquido inflamável que faz as nossas delícias por cem quilómetros de subtileza. Sendo necessário entregar um cheque de 6.350€ para retirar uma destas clássicas modernas do stand da marca.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Ainda o Roadmiles Alentejo 2019

Quem acompanha este ESCAPE sabe que sou desde a primeira hora um fã do Roadmiles. O Roadmiles é um evento que consiste num percurso de navegação a roadbook, podendo ser efetuado a solo ou em pequenos grupos, com o objetivo de realizar num só dia as 300 ou 500 milhas propostas. Penso ser um desafio só para aqueles que amam verdadeiramente andar de moto. 


A única edição efetuada este ano cheirou a primavera. O roadbook ofereceu aos participantes desta quarta edição (nas 300 milhas) um percurso variado que nos levou do oceano atlântico que banha o mar da Caparica, o local de partida, até ao Espichel, Arrábida, Setúbal, Pegões, Arraiolos, Alqueva, Reguengos e regresso, por estradas do interior mas também pelas conhecidas Nacional 5 (link) e Nacional 10 (link). Exatamente a tempo para um fim de tarde idílico! 

Com muita vontade de passear mas sem qualquer interesse em navegar, colei-me ao Luís e ao Filipe, os “donos disto tudo” quando toca à perfeição na navegação. Como podem recordar aqui (link) aquela dupla para navegar de forma tão perfeita só pode ser (é certamente) descente afastado de algum dos gigantes navegadores quinhentistas portugueses. 

Connosco, durante boa parte do tempo, rolou também o Rad Raven. Que nos traz agora a sua reportagem em vídeo, excelente como é habitual no seu trabalho. 

Deliciem-se. Sejam audazes e coloquem-se à prova na próxima edição do Roadamiles. Como tenho dito, é bem possível que saiam de lá com um dia intenso mas simplesmente felizes!

domingo, 7 de julho de 2019

Triumph Bonneville Speed Twin à prova

Quando a contemporânea interpretação da Triumph Speed Twin foi apresentada em Lisboa no início deste ano, manifestei de imediato vontade de a conhecer. Não foi possível no momento. Mas eu gosto sempre de ver o copo meio cheio. O tempo chegaria quando teria de chegar… 

Uma sucessão de factos, fizeram alinhar os planetas para que a bíblica tarefa a que me propus de recuperar o Plano Rodoviário de 1945 (link) voltasse à estrada e consequentemente a este blogue. Para retomar tal jornada ansiava por uma moto de personalidade vincada. Solicitei uma à Triumph. O plano A não se concretizou, pois a moto em questão não estava disponível. Surgiu então a possibilidade de enfim sentir o que a Speed Twin me tinha para revelar. E com esta, outra questão veio associada. Não será segredo para ninguém que o mercado não correspondeu às expetativas que a marca tinha para este modelo. O que terá então corrido mal? O produto? Ou a forma com foi vendido? 

NA ESTRADA NOS ENTENDEMOS 
Para responder a tudo isto decidi desafiar-me e desafiar a Triumph Speed Twin a abandonarmos a nossa zona de conforto. Arrancar ao nascer do sol ao encontro da Nacional 2, procurar a porta de entrada da Nacional 112 – aquela que marcará o regresso das Estradas Nacionais a o ESCAPE - e regressar a casa por algumas das melhores roads less travel da zona centro de Portugal. Cerca de seiscentos e cinquenta quilómetros, perto de doze horas, para que tudo fique claro! 

Não seria necessário tanto para compreender o membro mais recente da alargada família Bonneville. As linhas que evocam o classicismo, ainda que pontudas por modernidade, rapidamente dão lugar à contemporaneidade quando descobrimos um encaixe perfeito de todo o elemento humano na engenharia. Rapidamente também, suspeitamos estar perante algo especial. E assim que abandonamos a cinzenta cidade rumo à estrada delimitada pelos campos verdejantes de início de verão, o desassossego toma conta do cenário e a Triumph Bonneville Speed Twin revela-se uma pequena desportiva travestida de moderna clássica. As respostas começam a surgir… 

DESEMPENHO NOTÁVEL 
O duplo berço em aço faz nos olhar de novo a moto quando nos detemos e questionar como é possível tal eficácia numa estrutura aparentemente simples. Os quase 100 CV e os 112 Nm do motor Bonneville HP debitam vida em qualquer ponto do conta-rotações. As suspensões, rijinhas como convém, respondem sempre com eficácia. O peso inferior a 200 kg e o baixíssimo centro de gravidade conferem equilíbrio e confiança quando a estrada enruga. A travagem é garantia de segurança para tanta animação, apesar de não ter gostado da forma como reage ao toque dos dedos a manete que dá ordem ao duplo Brembo dianteiro de 305 mm. Os Pirelli Diablo Rosso 3 - a importância de ter gomas de qualidade num conjunto que a fábrica deseja memorável - são a cereja no topo do bolo que neste caso nos cola ao chão, fazendo a moto curvar como se num carril negociasse uma e oura e outra e outra e outra e outra e outra curva até ao infinito ou até dizermos basta, estou satisfeito. O que no meu caso aconteceu já bem perto de Abrantes, no regresso, com mais de nove horas de motociclismo no corpo e na alma. Ufffff… 

Se o produto é então excelente o que terá afinal corrido mal em termos de mercado nesta Bonneville Speed Twin? A comunicação, obviamente. Todos ficámos com a ideia que esta seria apenas mais uma das muitas modernas clássicas que vão surfando a onda do revivalismo. Só que não! 

HOOLIGAN 
Na verdade a Triumph Bonneville Speed Twin não é mais uma. Pelo contraio. É distinta. Como um hooligan, dá um ar de Velho Estilo e faz-se passar por discreta, apesar de ostentar elementos que lhe dão personalidade e a definem. E se a estrada vem ter com ela, vão precisar de ter “punhos” para lidar com o seu músculo e a sua fibra. 

A Speed Twin reclamou uns muitíssimo satisfatórios 4,7 litros de ouro líquido inflamável por cem quilómetros de absoluto vandalismo (do bom) motociclistico oferecido. A Triumph Motorcycles Portugal exige um cheque de 13.200€ para retirar das suas instalações uma igual à desta prova, que tanto prazer ofereceu a este ESCAPE, estando ainda disponíveis mais de setenta acessórios que permitem acrescentar um cunho mais pessoal. 

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Limalhas de História #78 – 3 de Julho de 1994


Mil novecentos e noventa e quatro. Ano em que a Honda perde na pré-época a Rothmans, o seu patrocinador icónico, para a Williams-Renault. Ano em que Kevin Schwantz sai magoado de um acidente de bicicleta, também ainda na pré-época, e corre seis etapas de braço engessado. Ano em que Luca Cadalora assume o lugar que pertencia a Wayne Rainey, na Yamaha. E em que a Aprilia começou a sua aventura na Classe Maior, com um motor “em fisga” ampliado dos 250cc para 380cc. 


Faz hoje exatamente vinte e cinco anos e um dia. Autódromo Internazionale del Mugello. Scarperia e San Piero, Toscânia, Bella Italia. Michael "Mick" Sydney Doohan, o lendário piloto da Gold Coast australiana, esbanjava estilo e carimba a sua sexta subida ao posto mais alto do pódio na temporada, rumo não a um, nem a dois, nem a três, nem a quatro…, mas sim a um épico penta campeonato mundial.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Adoramos a perfeição porque não a podemos ter

Ponto prévio: a frase que dá título a este post não é minha. É atribuída a Fernando Pessoa e ao seu Livro do Desassossego. Terá Pessoa razão? 

Este ESCAPE, muy querido e estimado blogue, surgiu para textos assim. Escritos ao final de um dia, princípio de noite, de copo numa mão e teclado na outra. Textos que desejam revelar a loucura do dia-a-dia de um qualquer motociclista como eu. Vamos lá… 

A recente viagem à “Bella Italia” fez regressar a CRF1000L DCT carregada de cadáveres, pó e eternas recordações. As últimas guardam-se e estimam-se. Os demais elementos precisam de ser expurgados.

Fui à loja do costume e sai de lá aborrecido. Não tanto por já não efetuarem o serviço de lavagem premium – se fosse simples também eu a faria – mas pela atitude algo leviana do tipo “temos mais que fazer do que lavar motos, ora essa…”. Compreendo, cada qual deve especializar-se no que faz bem. Surgiu assim uma oportunidade de conhecer outras casas e outras pessoas.

Depois de muito indagar via WhatsApp e demais redes sociais - sim, o WhatsApp também é uma rede social - cheguei até à Motocare, casa onde passo à porta quase diariamente para ir ao ginásio mas na qual nem sequer tinha reparado. 

Na Motocare encontrei desde logo simpatia e sobretudo vontade de ser solução e não problema. Caprichei, propositadamente, a ver se tinham pachorra para me aturar. Tiveram. E, sobretudo, apresentaram um resultado final que contraria a frase de Pessoa que titula a este post. Moto lavada e apresentada como nova, corrente – ou que resta dela – afinada, um parafuso do apoio da mala recolocado bem como um conjunto de borrachas da mãe de todas as malas – aka top case – substituído. 

Pára tudo! Se pensam que estou a fazer um frete e me ofereceram alguma coisa para escrever este post estão muito enganados. Fiz questão de pagar tudo o que me foi pedido e a única coisa que em bom rigor me ofereceram foi dedicação e profissionalismo. 

Bom trabalho, Motocare. A vossa dedicação merece destaque e partilha!

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Limalhas de História #77 – 27 de Junho de 1992

Assen. Muito mais que uma mera etapa do mundial de velocidade. Uma semana de adrenalina. O Dutch TT, Tourist Trophy holandês, é um evento que tradicionalmente se efectua no último fim-de-semana do mês de Junho no circuito da província de Drenthe, conhecido como "A Catedral". O Dutch TT é uma das etapas do Mundial de Velocidade e desde 2016 a corrida deixou de se efectuar, como tradicionalmente, ao sábado, passando como todas as outras a ser ao domingo. No passado todas as classes (50 cc, 125 cc, 250 cc, 350 cc, 500 cc e side-cars) fizeram parte do Dutch TT, que se realiza ininterruptamente há quase cem anos - apenas com excepção dos anos de 1940 a 1945 por força da Segunda Guerra Mundial. 


Como devem pois imaginar, esta é uma semana plena de recordações que podiam encher este ESCAPE de belas limalhas. Há que fazer escolhas. Por tudo o que é hoje o mundial de velocidade, o pequeno pedaço de história que escolhi e aqui vos trago parece-me absolutamente determinante. 

Fará amanhã exactamente vinte e sete anos. Mil novecentos e noventa e dois foi o meu primeiro ano pleno de motociclismo enquanto motociclista. E é fácil recordar os factos quando começo a avivar a memória. Wayne Rainey nem treina, devido às sequelas que traz da queda na etapa anterior na Alemanha. A caminho daquele que podia ter sido o seu primeiro título mundial, Michael Doohan, dominador insolente da temporada, cai violentamente nos treinos e deixa tudo em risco, vida inclusive. Kevin Schwantz, Eddie Lawson e Doug Chandler abandonam por queda. Sobra a luta titânica entre Àlex Crivillé, John Kocinski e o brasileiro Alexandre Barros. Crivillé é mais louco e mais forte, leva a Honda do Campsa Team ao lugar mais alto do pódio e, aquilo que hoje é o “combustível diário de todos os fins de semana de corrida” e que à época parecia impossível acontece: um espanhol vence, pela primeira vez, na Classe Rainha.

A corrida no seu todo pode ser vista ou revista aqui (link). Destaque para o minuto 17, momento do espectacular toque entre Schwantz e Lawson.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Royal Enfield Himalayan Adventure à prova


“Nunca voltes ao lugar onde já foste feliz”, dizem. Mas…, por que raio? Lá, nesse lugar, não voltarei a ser feliz? Serão só recordações e reclamações? Não poderei ser ainda mais feliz? Não compro a tese. Se assim fosse não voltaria a tanto lugar. E se substituirmos um lugar por uma moto? Nunca voltes a uma moto onde já foste feliz. Não faz sentido… 


É muito fácil escrever sobre a Royal Enfield Himalayan Adventure. “Easy like a sunday morning”. Uma moto com a qual já fui muito feliz, como podem conhecer ou recordar aqui (link) e (link). Mas aquele longínquo dia de Janeiro, cheio de motociclismo, passado com muito frio nos ossos mas com um gigante sorriso nos lábios, deixou-me com apetite de conhecer ainda melhor a pequena maravilha indiana, cuja fábrica não tem pejo em afirmar ser esta Himalayan “the only motorcycle you will ever need”. Será? 

UM CHARME MUITO SEU 
O visual espartano e clássico com que a Himalayan se apresenta tem a beleza e sedução das coisas simples. E pude comprovar isso mesmo logo no fim de tarde em que a fui buscar, naquilo a podemos apelidar de “teste do semáforo”. Duas pessoas, desconhecidas, um automobilista e outro motociclista como nós, sorriram e meteram conversa comigo apenas porque eu conduzia aquele charme. 

A pouca altura ao solo do banco, o baixo centro de gravidade e a posição correta do guiador, fazem qualquer motociclista sentir-se em casa logo nos primeiros metros de condução da Royal. E o que eu suspeitava quanto à condução citadina foi facilmente comprovável. A Himalayan conquista o caos do trânsito de Lisboa com mesma facilidade com um Sherpa conquista uma qualquer das mais altas montanhas do mundo.


Mas a “boa onda” que esta pequena indiana suscita, instiga a “nadar para fora de pé”. Estando nós junto ao solístico de verão, os dias “ficam mais compridos”. É este o momento do ano ideal para trocar o conforto do sofá pelo pó da estrada rumo a um qualquer por do sol. Dois amigos provocados e ai fomos nós para este pequeno luxo que é atravessar a ponte rumo ao sul próximo com o sol ainda alto, redescobrir caminhos que ali sempre estiveram mas aos quais teimamos em passar ao lado, arrumando enfim o dia na gaveta das boas memórias com uma Sagres fresquinha por companhia 

BOA NA ESTRADA MELHOR NA CARTEIRA
Com excepção de alguma falta de precisão da caixa, quando submetida a propositado stress, a tudo a Royal Enfield Himalayan Adventure respondeu afirmativamente, mesmo quando subtraída à sua zona de conforto. 

Na Índia os números de vendas da Royal Enfield são absolutamente “pornográficos”: 800 mil motos por ano! Tanto como o gigantesco mercado brasileiro inteiro. Para além de ser revelar boa por bons e maus caminhos a Himalayan Adventure revela-se melhor ainda na carteira, tendo reclamando uns “miseráveis” três litros e meio daquele líquido inflamável de que tanto precisamos para ajudar à nossa felicidade por cada cem quilómetros de boa disposição oferecida, sendo necessário efectuar uma transferência bancaria de 5.683€ se quisermos a moto já com malas e protecções de motor ou de 5.082€ sem tais acessórios.

[Imagens: Armando Polónia]

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Federação de Motociclismo de Portugal promove curso de primeiros socorros

A Comissão Médica da Federação de Motociclismo de Portugal (FMP) anunciou a primeira edição do Curso de Primeiros Socorros para Motociclistas. A FMP pretende assim dar resposta a uma necessidade de formação, identificada no seio dos motociclistas que desejam uma prática mais segura e esclarecida. 

Sábado, dia 29 de Junho, a sede da FMP - Largo Vitorino Damásio, 3 C, Pavilhão 1 em Lisboa - vai acolher esta acção que terá a duração total de 8 horas didácticas, teóricas e práticas.

Para a certificação pedagógica o evento conta com a parceria da APIS – Associação Portuguesa de Instrutores de Socorrismo - que teve o cuidado de adaptar os conteúdos pedagógicos para este tipo de público-alvo, conferindo no final certificado de presença.

Os lugares são limitados a trinta vagas (capacidade do auditório da FMP) sendo as respostas atendidas por ordem de inscrição. O preço da inscrição é de 30 euros e inclui a entrega de manual e kit de primeiros socorros para motociclistas.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Honda Forza 300 à prova

Em Abril do ano passado, no “Vive la Moto” - o grande Salão da moto em Madrid - a Honda surpreendeu ao apresentar uma Forza 300 profundamente renovada e refinada. Fiquei imediatamente com vontade de a conhecer, desde logo porque o meu cavalo de batalha diário (Honda PCX 125 de 2013) não estando nem velho nem cansado começa a necessitar de algum sossego – em bom rigor não será bem assim, o “cavaleiro” é que gosta de ter opções…, ou como já dizia “O Magnânimo” D. João V: “nem sempre galinha nem sempre rainha”. Não sei se me faço entender… :) 

JOVEM E ELEGANTE
A “nova” Forza 300 apresenta-se com um aspecto polido e cosmopolita mas ao mesmo tempo jovem e elegante, numa tentativa clara de sedução a um público ecléctico que não dispensa a ágil mobilidade urbana e suburbana mas também não está para fazer concessões ao conforto. Do motociclista experiente que deseja ter uma opção rápida e económica nas deslocações diárias, ao novo motociclista que anseia fazer a sua natural evolução e considera chegado o momento de abandonar a sua “cento e vinte e cinco”, todos contam para a Forza 300. 

Os primeiros quilómetros revelam uma posição de condução que vai ao encontro da descontracção. E uma “habitabilidade” serena onde destaco três notas: a excelente protecção aerodinâmica potenciada por um ecrã operado electricamente que pode ser facilmente ajustado ao longo de um intervalo de 140 mm enquanto conduz; os instrumentos que fazem uma síntese quase perfeita entre a beleza do “analógico” e a eficácia do digital; um silêncio de todo o conjunto que chega a ser desconcertante – nota menos positiva para uns espelhos demasiado salientes de todo o conjunto e, pior ainda, pouco eficazes na sua função. 

NA LOUCURA DO DIA-A-DIA
Mas não vale pena estar a enganar- me a mim nem muito menos aos leitores deste texto. Ao conduzir a Forza 300 durante os dias que a tive ao meu dispor, na minha cabeça esteve sempre presente a questão: pode esta “trezentos” da Honda responder com a mesma eficácia que uma “cento e vinte e cinco” ao desafio diário da economia e da facilidade de utilização”? Vamos por partes… 

Na cidade, o que esta quase “terço de litro” perde para uma “oitavo de litro” em leveza e capacidade de perfuração do trafego ganha substancialmente em dinamismo graças à imediata resposta do motor às solicitações do punho direito. Notem que tal resposta concede-nos ainda doses surpreendentes de segurança para nos livrarmos daquelas situações típicas de cidade que nos podem deixar em maus lençóis. Aqui, potência é também segurança, aspecto fundamental em veículos desta natureza. Neste aspecto – desempenho da unidade motriz e todo o conjunto – o resultado que obtemos nas vias rápidas que limitam a cidade e na estrada é absolutamente incomparável com uma moto de 125cc. 

Superado, embora com argumentos diferentes, o desafio da facilidade de utilização, vamos ao desafio da economia - tendo aqui como padrão os quase setenta mil quilómetros da minha PCX 125 de 2013, que me solicita cerca de dois litros e meio daquele ouro liquido inflamável e visita a oficina a cada 8000 quilómetros percorridos. A Honda Forza 300 terá de efectuar tal visita apenas a cada 12000 quilómetros percorridos e gastou (consumo geral de uma prova que foi muito idêntica ao meu dia a dia de moto por Lisboa e arredores) três litros e meio de combustível. 

COMPETENTE E EFICAZ 
Para além do cheque de 5.800€ que a Honda solicita para retirar esta “Cresent Blue Metalic” de um dos seus concessionários oficiais, podemos então contar com mais (coisa menos coisa) um litro de combustível gasto por cada cem quilómetros de dinamismo - caso o confronto do leitor seja, tal como o meu, face a uma 125cc. 

Sem deslumbrar (possivelmente as minhas expectativas estavam muito altas e são credoras do devido reajuste) a Honda Forza 300 cumpre com elevada eficácia a tarefa para qual foi desenvolvida, assumindo-se como possível solução na cada vez mais árdua batalha diária da mobilidade urbana e suburbana

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Décima terceira Tertúlia do Escape


Por superstição, em muitas culturas o número 13 é um número atribuído ao azar. Assim é desde a Antiguidade Clássica. 13, o portador de coisas más. Nas Sagradas Escrituras o capítulo 13 do livro do Apocalipse faz referência ao anticristo e à besta. E nas corridas é comum os pilotos evitarem tal número. Alguns numerologistas consideram o 13 como o número que atua em desarmonia sobre as leis do universo. 


Cá está a minha deixa…, desarmonia sobre as leis do universo foi o que tivemos de sobra na noite de ontem. E da décima terceira Tertúlia do Escape fizemos uma noite de histórias, viagens, alegria e sorrisos. 

Azar, não vimos algum. Pelo contrário. Foi uma sorte ter por perto as Martas, a Tânia, a Angela e a Filipa. Aliás, é uma sorte ter na Comunidade pessoas como elas que seguem os seus sonhos, não têm medo do risco e da aprendizagem, de sair da sua zona de conforto e..., fazer! 

Honestamente foi das Tertúlias que mais gostei. Com as Dust Girls viajámos pelo eterno exotismo marroquino e ficámos a torcer pela próxima aventura. Não sabemos qual será. Mas sabemos que vamos querer acompanhar. E sorrir! 


Ontem, tal como na semana passada (link), enchemos a casa e a alma. Obrigado ao Paulo e à sua Rod’aventura por nos receber. Obrigado aos aventureiros. Obrigado, sobretudo, a todos os tertulianos que nos quiseram fazer companhia. 

Agora é tempo de pausa. A Tertúlia promete voltar. Só não sabe quando!

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Lisbon Motorcycle Film Fest 4ª edição

A borracha dos pneus das nossas motos vai voltar a beijar o calcário dos belos passeios da baixa lisboeta, pois a cultura motociclista volta pelo quarto ano consecutivo à grande tela do Cinema São Jorge. É já esta semana, nos próximos dias 31 de Maio e 1 e 2 de Junho. 

O programa oficial do Lisbon Motorcycle Film Fest foi apresentado no passado dia 16 na Officina Moto e está disponível aqui (link). Em destaque nesta edição teremos o eterno clássico Easy Rider - que celebra este ano 50 anos -, WAYNE - a história da lenda viva da era dourada do mundial de velocidade Wayne Gardner -, e Oil in The Blood – para muitos o derradeiro filme documental que revela a cultura custom. 

Notem que esta 4ª edição do Lisbon Motorcycle Film Fest arranca já na próxima sexta-feira. Os bilhetes já podem ser comprados no Cinema São Jorge e aqui (link) na bilheteira online Ticketline. A entrada diária custa 5€, mas com tanto para ver o ESCAPE recomenda a compra do passe para 3 dias que fica por uns muito simpáticos 12€.

terça-feira, 28 de maio de 2019

BMW revela Concept R18 “a mãe de todos os boxers”

Sim! “A mãe de todos os boxers”. E antes que acusem este ESCAPE de clickbait esclareço que as palavras não são minhas mas sim de Edgar Heinrich, director de design da BMW Motorrad e um dos putativos pais da criança. 


Para Heinrich “é muito claro que o motor é o núcleo da moto”, sendo a partir desta nova unidade de 1,8 litros - o maior boxer de sempre construído pelo emblema alemão – que todos os demais elementos da moto devem ser interpretados. Sim! Estamos perante uma obra de arte que deve ser olhada e interpretada como todas as outra sobras de arte: com tempo, com detalhe, com minucia, com prazer! 

Ainda segundo Heinrich, hoje “é demasiado fácil tornar as coisas complicadas, mas muito difícil mantê-las simples”, e esta Concept R18 – apresentada no algo presunçoso Concorso D'Eleganza de Villa D’Este – é sobretudo um exercício emocional.


Mas esta nova abordagem, inspirada no modelo R5 (final dos anos 30 do século passado), vai mesmo passar à produção. Aliás, ainda segundo o director de design da BMW Motorrad o que podemos ver “está muito próximo da produção”. E isto e uma excelente notícia. 

Sejamos claros, podemos adaptar a frase e exclamar: “what a time to be a biker”. Vivemos um momento glorioso. Numa dinâmica imparável mas cuja fonte é difícil de escortinar, o mercado auto-alimenta-se. Se por um lado o consumidor não pára de procurar originalidade e inovação, os construtores não cessam de estimular o consumidor com novas propostas que sintetizam a herança e a contemporaneidade. 

Se vos parece que amei esta nova provocação vinda da Baviera, parece-vos muito bem. E estou muito curioso para ver como “a mãe de todos os boxers” se vai materializar nas suas diferentes propostas.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Limalhas de História #76 – 26 de Maio de 1985

Ficou para a história como um dos mais talentosos pilotos norte-americanos de velocidade de todos os tempos. Mas aos olhos de hoje é muito difícil compreender a sua trajectória. Chegou, viu, venceu. E praticamente desapareceu… 


Fez ontem exactamente trinta e quatro anos. Nations Motorcycle Grand Prix. Autodromo Internazionale del Mugello. Scarperia e San Piero, Toscânia. Itália – curiosamente no mesmo terreno onde se realizará a próxima etapa do Mundial. Freddie Spencer conquista pela primeira vez uma dupla vitoria, 250cc e 500cc. Como todos sabem “Fast Freddie” viria nesse ano de 1985 a sagrar-se campeão do mundo nas duas classes. O que poucos recordam é que após tal conquista Spencer se transformou numa verdadeira estrela cadente, muito brilhante mas fugaz. Após aquelas vitórias, não mais o piloto norte-americano viria a ganhar; nem a pisar um pódio sequer. Incrível…

sexta-feira, 24 de maio de 2019

A aventura marroquina das Dust Girls em Tertúlia

A Tertúlia do Escape está em modo frenético! E depois de uma noite absolutamente memorável, na passada quarta-feira, em torno da épica Volta ao Mundo de Francisco Sande e Castro com a sua Honda Crosstourer (link), não vamos baixar o ritmo! 

As Dust Girls, um destemido colectivo de motociclistas, surpreenderam nos recentemente com a sua viagem por terras marroquinas. Atrevidas, seguiram o seu sonho, trabalharam arduamente e juntaram um surpreendente conjunto de apoios que as fez viver o sonho de uma viagem pelo encantador país vizinho do Norte de Africa - um território que se apresenta sempre surpreendente nas suas cores, cheiros, sabores e contrastes culturais e sociais. 


Uma viagem que pudemos acompanhar pelas redes sociais e que as fez regressar com “a mochila” cheia de emoções. Emoções que vamos agora conhecer em modo tertúlia. 


Gosto sempre de recordar que tertúlia - até porque a cada diferente edição, temos o prazer de receber novos tertulianos - é na sua essência uma reunião de amigos, familiares ou simplesmente frequentadores de um local, que se juntam de forma mais ou menos regular, para discutir vários temas e assuntos. Nas Tertúlias do Escape pretende-se discutir motas, motociclismo e viagens. À maneira antiga. Longe dos teclados, cara a cara e com uma cafezada por companhia. 

É o que faremos uma vez mais! É já na próxima quarta-feira dia 29 de Maio, a partir das 21h00 no Espaço Rod’aventura, Avenida da Quinta Grande nº10-A, 2610-159 Alfragide. Apareçam. Vai ser mais uma noite de nos fazer viajar e sonhar!

[...notem só como este blogue fica bem mais rico com as fotografias do Manuel Portugal - obrigado pelas imagens Manel ;) ]

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Décima segunda Tertúlia do Escape

Num tempo em ainda havia jornalismo, na primeira metade dos anos 80 do século passado, surge, entre tantas outras, uma rádio “pirata”, cujo slogan se eternizou na minha memória: “a rádio a cores”.

Aquela pequena frase dizia tudo. Estávamos perante um novo meio de comunicação, que utilizando a velha telegrafia sem fios (a que todos chamamos rádio) não fazia por menos e desejava trazer tanta emoção ao ouvinte que prometia ser como a televisão, a nova televisão, que abandonava o cinzento do preto e branco e nos oferecia o prazer do arco-íris. Numa palavra: a arte do impossível. 


A arte do impossível foi o que tentámos fazer ontem em mais uma feliz edição da Tertúlia do Escape. E a julgar pela casa absolutamente cheia – os últimos a chegar não tiveram lugar na sala – pelos sorrisos rasgados e pelas duas ovações no final: conseguimos! 

À boleia da bem usada Honda Crosstourer, que percorreu mais de cento e quarenta mil quilómetros conduzida pelo Francisco, emocionamo-nos com a hospitalidade de uma família iraniana. Cheirámos a fusão de odores da outrora portuguesa Malaca, na Malásia. Acordámos com a brisa do pacífico na cara na suave Gold Coast Australiana. Tememos pela vida numa descida noturna de barco pelo rio amazonas. Encontrámos a saída matreira do Salar de Uyuni na Bolivia. Saboreamos uma banana fresca acabada de colher junto a uma picada na costa ocidental africana. E “demos cabo das costas” a ajudar o Francisco a levantar a moto naquele pedaço de pista que tinha areia mais solta. Enfim, chegámos a bom porto. Felizes! 

No fim, uma surpresa. Quem veio ter connosco, teve oportunidade de levar para casa um dos primeiros exemplares do primeiro volume do livro que conta a épica volta ao mundo do Francisco. Numa improvisada sessão de autógrafos os primeiros cinquenta livros voaram num ápice. Sortudos! 

Honestamente. É um prazer. Uma honra mesmo, impulsionar e dinamizar noites como esta. Noites onde viajamos, partilhamos e regressamos a casa a sonhar com uma aventura assim. Obrigado Paulo Moniz por nos receberes. Obrigado Francisco pela partilha. Obrigado a todos aqueles que vieram ter connosco: a Tertúlia do Escape é vossa. 

O Francisco volta a falar da sua viagem já no próximo dia 2 de Junho no Lisbon Motorcycle Film Fest (link). 

A Tertúlia do Escape volta já na próxima semana com muito mais emoções. Fiquem atentos. Amanhã teremos novidades!

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Limalhas de História #75 – 22 de Maio de 1966

Marc Márquez ganhou ontem (no passado domingo) em Le Mans, somando assim a subida número 300 de um piloto da Honda ao lugar mais alto do pódio. Com tal triunfo, Márquez, iguala ainda Lorenzo com quarenta e sete vitórias em MotoGP, tendo já na mira (tanto em vitórias como poles conquistadas) a lenda viva australiana Mick Doohan. Impressionante! 


Todavia, se hoje é quase impossível entender a história do mundial de motociclismo sem mencionar a Honda, chegar aqui para a marca da asa dourada não foi propriamente fácil. A chegada da fábrica foi tardia – surge no Mundial apenas dezassete anos apos o início dos mundiais e com a era dourada italiana no seu auge – e o primeiro grande herói da marca foi “apenas” Freddie Spencer, que em 1983 oferece o primeiro título mundial à casa nipónica. Pelo menos dois nomes têm ainda de caber aqui nesta espécie de história telegráfica da Honda no Mundial de Velocidade: Mick Doohan e Valentino Rossi, contribuíram, respectivamente, com cinquenta e quatro e trinta e cinco vitórias para as vitrinas da marca japonesa. 


Tudo isto para recordar que daqui a dois dias, na próxima quarta-feira dia 22, um momento especial fará exactamente cinquenta e três anos. Então Republica Federal Alemanha. Baden-Württemberg. Hockenheimring. Grande Prémio da Alemanha de Motociclismo. James Albert Redman, aka Jim Redman, conduz a marca da asa dourada à sua primeira vitória na Classe Rainha. Estando contudo muito longe de imaginar naquele momento que iniciava assim um ciclo que consagraria a Honda como o emblema mais vitorioso de todos os tempos no Mundial de Velocidade.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

O estranhíssimo caso da volta ao mundo aos bocadinhos de Francisco Sande e Castro com a sua Honda Crosstourer em Tertúlia

Em Outubro de 2012 o Francisco partiu de Honda Crosstourer para uma volta ao mundo por etapas, ou seja, aos bocadinhos. Quando a vida lhe permitia abandonava Portugal, juntava-se à mota deixada algures no planeta e percorria mais uns países, por vezes um continente inteiro. 


Como o Francisco escreve bem e é um excelente contador de histórias, foi com prazer que este ESCAPE acompanhou “religiosamente” o seu blogue (link) - sitio onde foi cristalizando a sua aventura - e se sentiu verdadeiramente como passageiro da Crosstourer por esse mundo fora.

Maio de 2018. Quase seis anos após a partida, sessenta e dois países cruzados e mais de 140 mil quilómetros deixados para trás (onde a Honda Crosstourer praticamente apenas recebeu manutenção básica) o Francisco acaba de regressar a casa. E traz o depósito da mota cheio até transbordar de histórias para contar. 

Recordando que tertúlia é na sua essência uma reunião de amigos, familiares ou simplesmente frequentadores de um local, que se juntam de forma mais ou menos regular, para discutir vários temas e assuntos, é com imenso prazer, orgulho mesmo, que vamos receber o Francisco Sande e Castro com a sua Honda Crosstourer na Tertúlia do Escape. 


É já na próxima quarta-feira dia 22 de Maio, a partir das 21h00 no Espaço Rod’aventura, Avenida da Quinta Grande nº10-A, 2610-159 Alfragide. Apareçam. Vai ser uma noite de nos fazer viajar e sonhar!

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Triumph Scrambler 1200 XE à prova


Numa operação montada com rigor, a partir de Londres, no passado mês de Outubro (link), a Triumph, recorrendo às novas tecnológicas da comunicação e informação, surpreendia o planeta moto com o anúncio de uma nova Scrambler. A mensagem foi clara para quem a quis ouvir: queremos com esta abordagem criar um novo espaço entre segmentos! 

Nesse mesmo dia ficamos esclarecidos com o que ai vinha: atrevida, sedutora, natureza e substancia clássicas mas muita qualidade moderna. Motor bicilíndrico Bonneville “High Power” de 1200cc, 90cv às 9700rpm e binário bruto de 110 Nm às 3950 rpm. Suspensão traseira Ohlins (desenvolvida em conjunto com a Triumph), Forquilha dianteira Showa de curso longo completamente ajustável. Pouco mais de duzentos quilos. Seis modos de condução, incluindo o Off-Road Pro nesta XE. ABS e controlo de tracção optimizados em curva. Comandos retro-iluminados. Keyless (arranque sem chave). Cruise control. 

FOCO E PRAZER 
A espera terminou enfim e chegou o tempo de também este ESCAPE provar a nova proposta britânica. O primeiro olhar surpreende de imediato pois a moto no contacto directo com os nossos sentidos impressiona muito mais do que nas imagens que nos chegavam: o charme atrevido e sedutor revelam ainda mais alma e personalidade ao vivo do que em mera imagem. 

O primeiro toque faz transpirar uma moto alta com uma posição de condução que convida imediatamente ao prazer da condução comprometida. E os primeiros quilómetros ainda na cidade não deixam qualquer dúvida: leveza, agilidade e facilidade de utilização serão sempre aqui palavras-chave. 

Esta natureza (aparentemente) dócil que convida à condução focada, é ampliada quando nos libertamos dos semáforos e encontramos o primeiro asfalto torcido. Nestes terrenos, a eficácia de todo o conjunto da Triumph Scrambler 1200 XE começa a revelar uma natureza que se aproxima de uma verdadeira fun-bike e questionamo-nos mesmo se com outro tipo de jante e pneu não estaríamos perante uma deliciosa Supermotard.

GOOOO SCRAMBLING 
Mas a Scrambler provada foi uma XE, o que significa ter sido arquitectada para enfrentar os mais extremos desafios fora de estrada. E seria de lamentar se não a provássemos por maus caminhos. Desta vez o ESCAPE abusou e aproveitou a quente manhã do feriado de 1 de Maio para lamber o pó de alguns estradões na zona da Serra da Arrábida. Foram algumas dezenas de quilómetros em ritmo vivo que demonstraram inequivocamente toda a natureza desta nova Triumph. Repito. Leveza, agilidade e facilidade de utilização sempre em modo Off-Road, que ajuda e muito à eficácia na obtenção de prazer a todos aqueles que não se sentem “Prós” e, como tal, se escusam a utilizar o modo que desliga todas as ajudas à condução. 

Há ainda três aspectos dignos de nota que resultam, como se costuma dizer, da natureza das coisas. O escape partilha algum do seu calor com o condutor? Claro…, é um escape elevado, esta é uma Scrambler, queriam o quê? Mas tal apenas sucede na cidade e nos momentos mais quentes do dia, apenas incomodando quando paramos demasiadas vezes nos irritantes semáforos da cidade. Confesso que na manhã fora de estrada nem me lembrei por momentos que o escape lá estava. A protecção aerodinâmica é nula? A resposta é idêntica: obvio…, esta é uma Scrambler, queriam o quê? Se tal não vos satisfaz procurem soluções, um pequeno ecrã deve ser ajuda bastante. É muito dinheiro por esta moto, dizem também. Pois…, esta é uma Scrambler de topo com material de qualidade invejável e com um comportamento irrepreensível, queriam o quê? Se acham a qualidade (personalidade e exclusividade, já agora) cara experimentem a frugalidade. 

HEDONISMO 
Com este novo objecto de culto e prazer a Triumph deseja abrir novos espaços mas também cativar aqueles que dando uso às suas maxi-trail (ou maxi-enduro, como quiserem) se sentem demasiado pesados, indo ainda ao encontro do cada vez maior número de “gentlemen bikers” que se inscreve em pequenas competições ou passeios fora de estrada. Tudo isto sem perder a face, o estilo e o caracter. O Senhor Mercado, como sempre, fará o seu julgamento. Da parte deste ESCAPE a única coisa que lamento – e isso tem sido um denominador quase comum a todas as Triumph que tenho provado – é de ter de devolver a moto ao dono cedo demais. 

A Scrambler 1200 XE exigiu uns muitos simpáticos 5.3 litros daquele liquido inflamável de que tanto gostamos por cem quilómetros de hedonismo oferecido, sendo necessários 15.900€ para retirar esta maravilha das instalações da Triumph Motorcycles Portugal.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Mercado: primeiros quatro meses do ano em alta

Aqui (link), no início deste ano, tinha deixado o desejo que o mercado mantivesse a tendência ascendente e se possível a reforçasse. E são excelentes as notícias que vos trago hoje. Noticias que devem fazer sorrir todos aqueles que negoceiam no sector, incluindo aqueles que como eu apenas o fazem emocionalmente. Confirmando a tendência dos últimos meses (anos, mesmo) o mercado cresce e cresce de forma sustentada! 


Alguns números: só em Abril deste ano venderam-se mais 36,7% de motociclos novos (>125cc) do que em Abril de 2018 e, considerado os quatro primeiros meses do ano, venderam-se mais 28,7% de motociclos novos (>125cc) do que em igual período do ano passado. 

As marcas estão todas, sem excepção, de parabéns. Umas mais que outras, obviamente. Destaques? Honda: cresce acima do mercado e reforça liderança. Yamaha: ainda que mais timidamente também cresce acima do mercado e reforça o segundo posto. Kawasaki: também bate o mercado e é quem mais cresce neste momento. Benelli: é o único destaque menos positivo; depois do crescimento explosivo dos últimos anos é a única marca a não conseguir acompanhar a tendência dominante.

Notem. Os dados que aqui se apresentam são oficiais. E, sublinho, referem-se a matrículas de motociclos novos (>125cc). Isto é, motociclos até 125cc – como por exemplo as cada vez mais populares scooters que podem ser conduzidas com carta de ligeiros – não estão incluídos nos números apresentados no quadro.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Limalhas de História #74 – 6 de Maio de 1979





Coragem, talento, agressividade. A ordem dos factores apresentava-se absolutamente arbitrária. Nascido a 10 de Novembro de 1959 em San Jose da Califórnia, estreia-se precisamente nesse ano, 1979, e retira-se em 1992 com cento e cinquenta e um grandes prémios disputados, treze vitórias, cinquenta e sete subidas ao pódio, cinco voltas mais rápidas e, sobretudo, quatro “títulos” de vice-campeão mundial que lhe renderam, recentemente, uma polémica subida ao panteão das lendas do MotoGP. 

Faz hoje exactamente quarenta anos. Então Republica Federal Alemanha. Baden-Württemberg. Hockenheimring. Grande Prémio da Alemanha de Motociclismo. Randy Mamola, após vencer no ano anterior o AMA 250cc e ter despertado a atenção de todos ao ponto de ser apelidado de "Baby Kenny" (por referência ao Rei Kenny Roberts), aterra no mundial de velocidade e à segunda corrida aos comados da Bimota conquista a primeira das suas cinquenta e sete subidas ao pódio. Começava assim, de roda da frente a apontar para a lua, umas das carreiras mais espantosas de que há memória no mundial de velocidade.

domingo, 5 de maio de 2019

Honda CB650R à prova

A Honda surpreendeu os visitantes do último Salão EICMA de Milão ao apresentar a nova CB650R. Após a introdução em 2018 do trio de modelos naked CB1000R, CB300R  e CB125R, a marca japonesa vem agora propor esta CB650R também vestida na forma de Neo Sports Café - aspecto moderno e minimalista, mixando uma inspiração retro (café racer) com formas muito compactas num resultado que vai ao encontro dos jovens motociclistas. 

Para além da CB300R (link) e CB125R (link) este ESCAPE teve ainda oportunidade, há pouco mais de um ano, de provar a CB650F (link), moto que considerei desassossegada, rápida e muito ágil mas à qual ficava a faltar controlo de tração e uns pneus de qualidade – já lá iremos… 

Se, tal como eu, estão à espera de apenas encontrarem nesta “érre” uma mera actualização estética face à anterior “éfe” podem tirar os quase noventa e cinco cavalos do tetraclindrico nipónico da chuva. 

O TÉDIO NÃO MORA AQUI 
Logo nos primeiros metros com esta CB650R rapidamente compreendemos que face à anterior CB650F encontramos uma posição de condução menos descontraída e mais tensa, cortesia de um novo posicionamento do guiador mas também da colocação dos pousa pés numa posição mais recuada e alta. Sejamos claros: a eficácia numa condução desportiva até pode sair beneficiada mas o conforto sai penalizado. 

Mas esta não foi das provas mais afortunadas a que o ESCAPE teve acesso. Depois de semanas a fio de sol e tempo seco, as datas agendadas coincidiram com um princípio de Abril (águas mil…) chuvoso que quase impediu obtenção de asfalto seco para disfrutar plenamente da qualidade da CB650R. 

Ainda assim…, houve tempo para confirmar a natureza jovem, irrequieta e irreverente desta “seiscentos e cinquenta érre” que, tal como no ano passado, deixou me a sonhar com um passeio pelo asfalto seco e abrasivo do “Estoril”. 

DETALHES QUE CONTAM 
Uma nota curiosa…, indicador de mudança engrenada, controlo de tração e uns pneus de qualidade foram aspectos notados por este ESCAPE em falta na CB650F. Agora, podemos encontrar todos estes detalhes (no caso do controlo de tração parece me mesmo essencial) nessa nova “érre”. Tal significa que o ESCAPE “esta lá…” e que a Honda sabe reconhecer quando pode melhorar os seus produtos. 

A Honda solicita uma transferência de 7.990€ para a sua conta bancaria em troca desta CB650R Neo Sports Café Graphite Black - que reclamou 5,5 litros por cem quilómetros de natureza desportiva - à qual pode ser adicionada um sport pack (como instalado na moto provada) que inclui protecção de cárter, tampa de banco de passageiro, protecção de deposito e sobretudo sistema de passagem de caixa automática quickshifter.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Décima primeira Tertúlia do Escape

Depois da passagem pelo Porto (link), onde a Ton-Up foi pequena para receber tanto tertuliano que se quis juntar ao ESCAPE, ao Quilometro Infinito (link) e ao Wanderlust.Africa Twin (link), a Tertúlia regressou a casa, à Rod’aventura, e voltou a receber a marca que desde o primeiro momento acreditou neste formato de comunicação mais descontraído, mais humano, mesmo, de partilha de histórias e vivências de motos, motociclismo, motociclistas e viagens. 


E o foco da noite foi mesmo este: cultura motociclistica. É uma sorte ter o Vitor Sousa por perto para nos falar sobre o passado do motociclismo. O Vitor trouxe-nos a sua visão das origens do movimento Scrambler sem olhar a marcas em concreto mas, naturalmente, tendo como referência a marca que representa em Portugal, a Triumph. 


Na sala tivemos ainda a atrevida Triumph Scrambler 1200 XE que todavia não esteve sozinha. Foi acompanhada pela mais urbana Triumph Street Scrambler e por cerca de trinta tertulianos que aproveitaram o regresso das agradáveis temperaturas nocturnas para tirar a moto da garagem, nos ouvir e participar. 

Verdade. Foi das tertúlias menos concorridas mas foi também das tertúlias mais enriquecedoras pelo percurso histórico que o Vitor nos trouxe. E claramente a menos trabalhosa de moderar. Bem bom! 

Parece fácil…, mas desde Dezembro passado quando recebemos o Manuel Portugal (link) que a Tertúlia tem sido uma abusadora e lá tem aparecido, em média, uma vez por mês. Vamos la ver se é desta que a realidade nos deixa fazer uma pausa. Até lá…, é andar de moto!

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Limalhas de História #73 – 24 de Abril de 1994

Nasceu em Tóquio. Cresceu nas minibikes mas viajou ainda muito jovem para a Califonia onde experimentou o dirt track. Cedo despertou a atenção de todos. Mas o carismático líder da HRC, Youichi Oguma, era da opinião que devia crescer primeiro em casa. Esta viria a sua primeira e única corrida numa Honda – no caso numa equipa satélite mas apoiada oficialmente pela marca. 


Faz hoje exactamente vinte e cinco anos e…, cinco dias. Marlboro Grand Prix of Japan, circuito de Suzuka. Norifumi Abe, apenas 18 anos, campeão japonês de 500cc, conquista um wild card para o seu Grande Prémio. E estreia-se de forma absolutamente insolente lutando ombro a ombro com lendas vivas como Kevin Schwantz e Mick Doohan, até cair. Mais tarde, na sua biografia, Valentino Rossi viria a escrever que esta estreia fulgurante viria a ser uma das suas grandes inspirações, vendo a repetição desta corrida numa velha cassete de VHS até a fita se destruir. Norick Abe deixou-nos em 2007, num acidente de estrada, de forma dramática.

domingo, 28 de abril de 2019

Tertúlia do Escape “Go Scrambling”

O ESCAPE está de regresso. Depois de cerca de duas semanas de ausência, dias estes passados numa viagem absolutamente épica por uma das regiões mais deslumbrantes do território Norte Americano, talvez de todo o planeta, é tempo de regressar a casa. 


E para não perder o “andamento” nada melhor do que voltar reunir a Tertúlia. As Tertúlias do Escape começam a dispensar a respetiva apresentação. Todavia, nunca será demais recordar que uma tertúlia é e sempre será, na sua essência, uma reunião de amigos, familiares ou simplesmente frequentadores de um local que se juntam de forma mais ou menos regular para discutir vários temas e assuntos. Nas Tertúlias do Escape pretende-se discutir motas, motociclismo e viagens. À maneira antiga. Longe dos teclados, cara a cara e com uma cafezada por companhia. 

É bom ainda recordar que a Triumph Motorcycles Portugal teve um papel fundamental e decisivo no crescimento e consolidação destes momentos. No ano passado, 2018, aqui (link) e aqui (link) tivemos a honra e o prazer de nos reunir em torno das novas Tiger 1200 e 800. 

Entretanto, a Tertúlia fez-se também ela à estrada e este ano  - para além de uma edição onde contamos com o “velho” Tó Manel (link) - já visitámos Évora (link) e o Porto (link). 

É então tempo, sublinho, de voltar a casa – a Rod’Aventura – e receber mais uma vez a Triumph Motorcycles Portugal e o seu Director de Vendas e Marketing, Vítor Sousa. Mas não “caminharemos” sozinhos. Connosco estará uma das motos que veio claramente para marcar a temporada: a novíssima atrevida e sedutora Scrambler 1200.

Estão todos convidados! Aproveitem o regresso do tempo seco e de noites mais amenas. No dia 2 de Maio, quinta-feira, venham de lá, à partir das 20h30, encher o Espaço Rod’aventura - Avenida da Quinta Grande nº10-A, 2610-159 Alfragide. Todos são bem-vindos!

segunda-feira, 8 de abril de 2019

O estranhíssimo caso da volta ao mundo aos bocadinhos de Francisco Sande e Castro com a sua Honda Crosstourer está de regresso

Maio de 2015. Dava este ESCAPE os seus primeiros rateres. Aqui (link), entre outras coisas mais, escrevia eu assim: sempre que oiço o nome Francisco Sande e Castro invariavelmente recordo-me de uma de três coisas. Dos seus fantásticos textos no Caderno 3 (ou Indy) - das melhores coisas que aconteceram no jornalismo português - do saudoso Independente; da sua épica participação num Dakar qualquer ao volante de um UMM sem assistência; da sua loucura corajosa ao fazer chumbar o Mercedes Classe A no teste do alce, no Rotações da RTP – lá num século muito distante… sim, chegou a haver Serviço Público de televisão. 


A estas três memórias, passei também a associar o nome do Francisco à sua apaixonante Volta ao Mundo por etapas que começou em Outubro de 2012 e chega agora ao seu momento final. Durante estes anos todos, a seguir atentamente o seu blogue, sinto que fui um pouco “à pendura” do Francisco por esse mundo fora. Não quero faltar à última etapa… 


Ficaram curiosos? Façam como eu, saltem para o lugar de trás da Crosstourer e vamos subir África com o Francisco (link).
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