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sexta-feira, 23 de julho de 2021

Será esta a primeira praia motociclista em Portugal?

Confesso. É um sonho antigo. Para quem ama motos e praia de igual forma, não haveria nada melhor do que uma praia onde o motociclismo fosse Rei. Será esta? Será agora? 

Mas deixem-me iniciar este texto de forma diversa, começando não com uma declaração de interesses mas sim com uma declaração de desinteresses. Não tenho, enquanto autor deste blogue, qualquer motivação política. Ou seja, para que fique bem claro, o ESCAPE, é totalmente apolítico. Ficou mesmo claro? Espero que sim! Escrito isto, deixem-me elogiar Setúbal e os seus responsáveis políticos, por favor. 


Ao contrário de Lisboa, onde vivo, local onde o motociclismo e os motociclistas são desconsiderados pelos loucos econtontos que nos administram, Setúbal tem marcado pontos com uma política de mobilidade racional, onde o uso do motociclo enquanto alternativa ecológica é alvo de discriminação positiva.

Em Lisboa, local onde vivo, sublinho, as faixas de rodagem têm vindo a ser reduzidas na sua largura quando não totalmente obliteradas, provocando dificuldade na circulação e até o caos nalgumas artérias fundamentais, como é o caso do crime que foi levado a cabo na Avenida Almirante Reis – nem ambulâncias e outros veículos de socorro passam. 

Já em Setúbal, desse 2018, os únicos veículos motorizados que livremente durante o verão podem aceder às melhores praias da Arrábida - por alguns considerados as melhores da Europa - são os motociclos. Parece impossível, não é? Mas é verdade. As melhores praias da Europa estão mesmo em modo “motorcycle only”. 

E agora Setúbal foi mais longe. As queixas no que toca à segurança das motos parqueadas junto das praias da região, pode mesmo ter encontrado um fim. Tudo por culpa deste parque de estacionamento, literalmente na praia, onde as motos ficam ao alcance do olhar, e se nos distraímos está por ali um segurança que pode ser útil. Alí cabem seguramente, pelo menos, umas cinquenta motos. 

É de aproveitar este raro sintoma de racionalidade dos nossos políticos. O Portinho da Arrábida, mais concretamente a Praia do Creiro, pode assim ser a primeira praia motociclista em Portugal. Usem-na com educação e respeito. Não tirando nada e deixando apenas as vossas pegadas. Obrigado!! 

Aqui no ESCAPE não somos ingénuos e sabemos que estamos em tempo de eleições autárquicas, já no fim de Setembro. Sabemos que a responsável autárquica de Setúbal concorre agora a Almada, aqui junto a Lisboa. E honestamente, que vença e continue o bom trabalho em prole dos interessa dos motociclistas e do motociclismo, a única coisa que interessa politicamente a este blogue.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

A REV #45 que ainda está me banca

Noite de Santo António em Lisboa. A noite épica. A mais longa do ano em terreno alfacinha. E eu em casa profundamente deprimido (link). Opto pela cama. Acordar cedo, passar pelo ginásio e aproveitar o resto do feriado na praia. Tenho vontade de ler e passo por uma das poucas boas lojas, que se mantêm em Lisboa, onde podemos encontrar imprensa internacional. O objectivo era fazer update quanto ao Mundial de futebol que ai está. Mas a Paixão maior fez-me parar na estante “das motas”. Folheio a deliciosa francesa “Road Trip” e a gigante italiana “Motociclismo”. Mas foi a bem cheirosa portuguesa REV que trouxe, literalmente, debaixo do braço. Já vos tinha dito que adoro o cheiro da REV? 

Tenho andado algo distante da bimestral. Acho que a revista perdeu alguma da sua identidade original e ainda não tinha tido oportunidade de dar atenção à #45, ainda em banca. Mas, na mão, aquela excelente imagem de capa comemorativa do oitavo aniversário é poderosa. Nem perdi mais um segundo e paguei a revista. 

Tenho por hábito ler a REV de fio a pavio. E logo no editorial o Marcos dá me uma excelente novidade: o decano e icónico Alan “quando for grande quero saber escrever como ele” Cathcart passa a colaborar com a revista; maravilha. Excelente é também o texto do Vítor, “A Ressaca”. Quando quer, o Vítor tem aquela suave magia de conseguir colocar por palavras sucintas algo que sentimos, e por mais que desejemos não conseguimos verter num conjunto de letras. Também gostei das curiosas sugestões de cinema que a Dora nos oferece. Salto “testes e contactos” e mergulho na conversa do Hugo com o mítico Charley Boorman – senti-me lá, com eles, de copo na mão; acho que está tudo dito. Mais umas paginas saltadas e invisto longos minutos a deliciar-me com as imagens do Mestre Manel sacadas no Dusty Track. Antes de repousar, por longos minutossssssssssssssss…, os olhos na página 114…, ainda encontro tempo para me reencontrar com o velho Cathcart e o “Berço nórdico” da Husqvarna. 

Esta que descrevo é a REV que me move; urgente e intemporal ao mesmo tempo. O resto será lido quando calhar. Compreendo, a publicidade não cai do céu e há que dar espaço a quem torna tudo isto possível. Mas o que eu queria mesmo dizer, e já disse ao meu querido amigo Marcos Leal, é que esta #45 está excelente. Lê-se com aquela sofreguidão do prazer. 

Nunca é tarde. A REV #45, Maio/Junho 2018, ainda está em banca. Nela, com vai dito, encontramos momentos de verdadeira “motorcycle culture”. E isso só pode ser bom.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

As melhores praias da Arrábida em modo “motorcycle only”

Adoro praia. Adoro motos. E tive de ir ver. E quando vi, nem queria acreditar. É mesmo verdade. Já cá ando há uns anos e pela primeira vez vejo o motociclismo e os motociclistas serem alvos de uma verdadeira descriminação positiva. É pontual mas pode ser significativo. Saibamos estar à altura desta prova de confiança! Querem ler? 

O jornalismo acéfalo e acrítico limita-se a reproduzir aquilo que, para aquelas cabeças de vento, é o obvio. Reparem no seguinte parágrafo de uma notícia recente (link) publicada no Observador: “durante a época balnear, no troço da Estrada Nacional 379-1 compreendido entre a praia da Figueirinha e o portinho da Arrábida, apenas vai ser permitida a circulação de viaturas de residentes, viaturas em serviço devidamente autorizadas, transportes públicos e viaturas de emergência e socorro.”. 

Sejamos rigorosos! Primeiro erro, a restrição não é entre a Figueirinha e o Portinho mas sim apenas entre a Figueirinha e o Creiro. Depois, onde se lê “viaturas” deve ler-se apenas e só “automóveis”. Sim? Então e os motociclos? A verdade é que os motociclos foram (BRAVO!) descriminados positivamente, podendo circular livremente. 

Para ser mais claro. Na Arrábida, durante o verão, a Câmara Municipal de Setúbal decidiu proibir a circulação automóvel na Estrada Nacional 379-1 entre a Figueirinha e o Creiro. Dessa proibição estão excluídos veículos autorizados, transportes públicos e motociclos.

Assim, os únicos veículos motorizados que livremente durante o verão podem aceder às melhores praias da Arrábida, por alguns considerados as melhores da Europa, são os motociclos. Parece impossível, não é? Mas é verdade. As melhores praias da Europa estão mesmo em modo “motorcycle only”. 

Não faço ideia de que partido político é a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira. Mas gabo lhe a coragem de ter tomado uma decisão que pode vir a ser polémica. Muitos irão perguntar, “por que raio as motos podem circular e os automóveis não?”. 

Agora…, agora os motociclistas terão de provar que estão à altura desta responsabilidade. Os motociclistas devem respeitar peões, ciclistas, transportes públicos e viaturas autorizadas. Não pode haver “problemas” neste primeiro ano. Para que nos próximos continuemos a conduzir as nossas motos até bem perto das singulares praias da região de Setúbal. 

terça-feira, 12 de maio de 2015

Verão novo vida velha

Por vezes tenho a estranha e até certo ponto desconfortável sensação que nós, enquanto motociclistas, somos uns estranhos numa terra estranha…, uma estripe de filhos de um Deus Maior. 

Algures na Grande Lisboa, a Norte do Tejo, Sábado passado, hora de jantar, um qualquer telejornal na televisão sempre ligada 

- “Não te disse, M´nel…, já ontem Eles diziam que ia estar muita calor”. 
- “Sim, maria, amanhã vamos mazé prá Costa”. 
- “Mas levamos a Vanessinha..., a menina precisa de apanhar sol”. 
- “E o piloto…, Eles agora como não é veram ainda deixem os cães andarem na praia”. 

Domingo, trinta graus. Dia mais quente do ano. Quase verão. Verão novo, vida velha. Os anos passam e o caos é sempre o mesmo nestes primeiros dias de tempo quente. Se a ida para a Caparica faz-se bem, o regresso é a hidra monstruosa e caótica de sempre. 

É de todo inacreditável como ano após ano, verão após verão, até de moto é difícil sair das praias mais a sul da cidade da Costa. Aquele estacionamento anárquico, leia-se caminho esburacado de terra mal batida, de acesso à Praia do Rei e demais praias a sul daquela, torna-se intransitável a meio da tarde; com aqueles que ainda querem chegar à praia a cruzarem-se com os demais que já dela estão fartos! 

Para nós, motociclistas, é terrivelmente estranho como ano após ano, verão após verão, nos cruzamos com as mesmíssimas pessoas - pelo menos assim nos parece ser – ali, horas e horas fechadas dentro das latas primeiro para chegar, depois para partir, por fim para atravessar a Ponte. 

Nos piores dias do ano passado, varias pessoas amigas contaram-me ter demorado mais de três horas para sair da Praia Morena, chagar à chamada “via rápida” e, por fim, atravessar a ponte. 

Isto é vida? Ou somos nós motociclistas uns seres estranhamente muito inteligentes?
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