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terça-feira, 29 de novembro de 2022

Brixton Crossfire 500 XC à prova

Escrevo. É uma manhã cinzenta e chuvosa de Novembro. É outono. Em bom rigor o inverno meteorológico já se instalou. Dias curtos, pouca luz natural, muita chuva e humidade. Nem sempre foi assim. E ainda há dias, quando apanhávamos em imagens esta Crossfire 500 junto ao Atlântico, lá onde a terra acaba e o mar começa, o suor escorria pelo corpo e os pulmões enchiam-se de clorofila. Como se estivéssemos no meio do oceano. Algures nos Açores? Sonho… 

Foto: Gonçalo Fabião

É o tempo que passa. Quando fazia o habitual direito na página Facebook que suporta este blogue (link) dizia que…, tínhamos tido aqui no ESCAPE a Brixton Crossfire 500 - modelo de onde parte esta urbana XC de inspiração scrambler – “recentemente”. Fui confirmar agora. Já lá vão praticamente dois anos desse momento (link). 

Foto: Gonçalo Fabião

Recordemos pois que a marca austríaca estava habituada a produzir motos de baixa cilindrada de inspiração mais ou menos clássica. Até ao momento que decidiu procurar outros segmentos de mercado. A expansão começou então por se fazer com a Crossfire 500, uma moto que parece ter sido desenvolvida para os dias que vivemos: descomplicada, divertida e que fica gira à brava nas imagens que publicamos nas nossas redes sociais. A Brixton não parou. E já tem em comercialização nalguns países europeus a muito aguardada Cromwell 1200. 

Foto: Gonçalo Fabião

A Brixton Crossfire 500 XC tem pois na sua génese o muito elogiado (fora de portas) motor Gaokin de 486 cc (47 CV, 42 Nm). As suspensões são KYB – forquilha invertida ajustável na dianteira – a travagem J.Juan assistida por sistema ABS Bosh, jantes raiadas 19’’-17’’ rematadas pela sempre bela e excelente borracha Pirelli Scorpion Rally STR. 

DETALHES E QUALIDADE 
Como todos notam, estamos perante uma urbana fotogénica. Despida e com o pé sempre a fugir para um passeio no campo. Uma festivaleira? Possivelmente…, tal a quantidade de detalhes cuidadosamente pensados. O caos ordenado, como se quer em qualquer momento de celebração. 

Foto: Gonçalo Fabião

A posição de condução é agradável graças ao guiador alto e proeminente. Todavia a moto é algo larga na zona do encontro do banco com o belo e clássico depósito de combustível. E tal pode ser incomodativo para os menos avantajados em altura. O acerto das suspensões é rijinho o que acaba por ser positivo para espremer um motor que se apresenta muito redondo e com uma caixa precisa e bem escalonada. Não admira que esta unidade motriz seja muito elogiada. 

Foto: Gonçalo Fabião

Nota muito positiva para a travagem. Mordacidade, progressividade, eficácia. Tudo impecável. Há um salto qualitativo gigante entre a Crossfire 500 e esta Crossfire 500 XC, o que prova o que dizemos amiúde: estas marcas novas que agora nos chegam aprendem depressa com os erros e achatam a cura da evolução qualitativa de forma muito rápida. 

Foto: Gonçalo Fabião

Sendo assim a moto é perfeita, oh ESACPE? Claro que não. Só no universo cor-de-rosa das publicações ditas da especialidade é que todas as motos do universo são tendencialmente perfeitas. Notas menos positivas para uns espelhos questionáveis em dimensão e eficácia, o lindo tampão de gasolina fica na mão no momento de abastecer e, tendo em conta que há algo ali na frente da moto para compor o desenho, esse algo podia perfeitamente ser trabalhado no futuro para conferir alguma protecção aerodinâmica. Tudo detalhes. 

COMPROMETIDA COM O PRAZER 
No que verdadeiramente importa, a moto apresenta uma frente muito incisiva que facilita muito o negócio na cidade. No burgo, nada a declarar. Em estrada torcida a elasticidade do conjunto confere prazer e chega a ser entusiasmante

Foto: Gonçalo Fabião

Apesar da Crossfire 500 XC vir equipada com várias protecções - tampas laterais, farol dianteiro, radiador, depósito, motor e um pack de barras de protecção, bem como um guarda-lamas dianteiro de natureza Off-road – quando o asfalto termina temos moto para o quintal e para aquele passeio suave a um qualquer ermo jardim secreto da nossa vida. Não contem, obviamente, com uma aventureira para vos levar em jornadas infinitas por esse mundo fora. Vamos ser pragmáticos! 

Foto: Gonçalo Fabião

A Brixton Crossfire 500 XC reclamou quatro litros certos do tal líquido inflamável que tanto nos alegra por cem quilómetros de sorrisos e sabor a endless summer, solicitando a marca uma transferência bancária de 7.999€ para que os vossos dias fiquem mais luminosos.

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Motorama Madrid abre portas já amanhã na capital espanhola

Sim! As grandes Feiras estão de regresso. E ainda antes do Salão de Colónia brilhar (link), o Pavilhão de Cristal da Casa de Campo abrirá portas de 30 de Setembro a 2 de Outubro para receber uma nova edição do Motorama Madrid. O Salão Comercial da Moto regressa este ano nos primeiros dias de outono com o objectivo de incentivar as vendas no sector das duas rodas no último trimestre do ano, num mercado ainda afectado pelas consequências da pandemia e problemas de abastecimento logístico mundial. 


A área de exposição interior do Motorama Madrid 2022 cresce 51 por cento em relação à edição de 2021, e a tal devem ser adicionados os espaços comerciais que ficarão localizados fora do recinto. Importadores e concessionários que representam mais de 25 marcas de motos (BMW, Harley Davidson, Indian, Brixton, Aprilia, Guzzi, Triumph, Kymco, Lambretta, Benelli, Keeway e Wottan, entre outras) estarão presentes no Salão com algumas novidades em todos os segmentos. 

A ampla oferta do evento conta ainda com a participação de empresas e profissionais que comercializam dezenas de equipamentos e empresas auxiliares da indústria. Contem ainda com um programa de actividades paralelas que ocorrem no âmbito do Salão. Os visitantes terão a oportunidade de testar o desempenho de vários modelos das marcas Triumph, Harley Davidson e Indian no programa de passeios que estas marcas montaram. 

A Motorama Madrid 2022, é uma iniciativa organizada pela empresa Expo Motor Events. A Feira de Motos permanecerá aberta ao público na sexta e sábado das 10h às 21h e no domingo das 10h às 18h. 

Dada a lotação limitada, a organização recomenda a compra de bilhetes online, o que garante o acesso ao evento e evita aglomerações e esperas nas bilheteiras. Crianças até 12 anos têm acesso gratuito.

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Brixton Crossfire 500 à prova

Wolfgang Amadeus Mozart, Franz Kafka, Sigmund Freud. Alpes, Großglockner-Hochalpenstraße e a bonita edelweiss. Kasekrainer, uma lager bem fresca e um wiener apfelstrudel à sobremesa. Como não amar a Áustria? Eu amo a Áustria. E agora, nós motociclistas, temos mais uma boa razão para a amar a Áustria, esse país ligeiramente mais pequeno que Portugal, com menos um milhão de habitantes que a nossa terra, todavia superiormente mais rico – mais do dobro do PIB nominal per capita, segundo os últimos dados conhecidos (FMI). 

Foto: Gonçalo Fabião

A Brixton Motorcycles, apesar da sonoridade too british do nome, nada tem a ver com terras de Sua Majestade. A Brixton Motorcycles faz parte do universo em expansão do denominado KSR Group que detém para além de marca própria, nomes sonantes e clássicos da indústria italiana como a Lambretta, Malaguti e Italjet, para além de interesses na chinesa CF Moto. A Brixton Motorcycles é então um emblema austríaco, pensado, desenvolvido e nascido no espaço do velho Império da Casa dos Habsburgos. 

DESCOMPLICADA E MUITOOOOOOOOO INSTAGRAMÁVEL 
Habituada a produzir motos de baixa cilindrada e inspiração mais ou menos clássica, a Brixton decidiu agora procurar outros mercados. A expansão faz-se com esta Crossfire 500, uma moto que parece ter sido desenvolvida para os dias que vivemos: descomplicada, divertida e que fica gira à brava nas imagens que publicamos nas nossas redes sociais

Foto: Gonçalo Fabião

O primeiro olhar revela um desenho clássico com toques de contemporaneidade. O belíssimo depósito de carburante que simula um X e termina naquele rebordo que brilha ao sol de inverno é onde tudo parece ter começado. Farol redondo, tal como os eficazes “manómetros” digitais. Banco cuidado e traseira recortada como agora se usa. Belas jantes raídas de 17 polegadas em que poucos parecem reparar. 

O guiador proeminente salta à vista. E conduz-nos num primeiro momento a questionar a posição de condução. Contudo rapidamente as dúvidas ficam desfeitas. Dos comandos às peseiras tudo se encontra no sítio e a posição de condução revela-se como tudo nesta moto: fácil de entender. 

Foto: Gonçalo Fabião

HIPSTER QUINHENTOS 
Dinamicamente a natureza descomplicada acentua-se. Motor bicilindrico paralelo de 48cv e 43 Nm - compatível com a carta de condução A2 - sempre vivo e agradável. Suspensões (KYB) algo secas mas eficazes e, enfim, um aspecto claramente negativo nesta moto: a travagem espanhola J.Juan não satisfaz de forma nenhuma, desiludindo quando chamada a esforço intenso ainda que sem comprometer a segurança de todo o conjunto graças ao Bosch ABS. 

Foto: Gonçalo Fabião

Em bom rigor esta Brixton Crossfire 500 satisfaz bastante e surpreendeu imenso. Não senti que seja uma moto apenas para “Cristãos Novos”, aqueles neófitos que só agora abraçam a “religião” do motociclismo. Pelo contrário é uma moto que pode satisfazer qualquer tipo de motociclista. Todo o conjunto está pensado para o divertimento em especial se o andamento for vivo sem contudo cair no exagero de passar toda a viagem em busca dos limites da moto. 

Foto: Gonçalo Fabião

BOA TAMBÉM NA CARTEIRA 
Por falar em viagem…, fiquei curioso para saber ao que saberá partir com esta média cilindrada simpática para uma pequena viagem de fim-de-semana. Os pontos cardiais no farol dianteiro apontam o rumo, indicando também que, como costumo defender, as novas gerações de motociclistas têm muita sorte em poder contar com motos assim que nos despertam os sentidos, desenhos e sonhos. 

Foto: Gonçalo Fabião

A Crossfire 500 ainda tem uma expressão exígua no mercado. A sua natureza e qualidades precisam de continuar a ser comunicadas e partilhadas. Uma dessas qualidades é também a economia. Esta Bullet Silver que parece ter sido desenhada para alimentar o nosso instagram reclamou apenas 3,8 litros do tal líquido inflamável que tanto gostamos por cada cem quilómetros de escape urbano, pedindo a marca 6.200€ para que levem uma giraça destas para a vossa garagem.
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