terça-feira, 30 de outubro de 2018

Orçamento novo assalto novo

Advertência prévia: este post não é contra ninguém em particular. Este post é a favor de todos nós, contribuintes e consumidores. Este post é sobre factos! 

Quando este governo decidiu em 2016 criar uma sobretaxa de 6 cêntimos por litro na gasolina e gasóleo via Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), prometeu que tal aumento seria "neutral", ou seja, quando os preços subissem e o Estado arrecadasse mais em IVA, baixaria o ISP. Palavra dada, palavra não cumprida, palavra não honrada! 

Na verdade a proposta de Orçamento do Estado hoje mesmo aprovada, prevê que a receita do ISP cresça 211 milhões de euros em 2019, ou seja, mais 6% do que este ano, maioritariamente justificada pela evolução da taxa de carbono (link). Contas feitas apontam para um impacto superior a 1 cêntimo por litro, próximo de 1,5 cêntimos, na gasolina e gasóleo. 

Assim, apesar de este Governo ter prevista uma redução do ISP na gasolina que se faz via portaria (link) em 3 cêntimos, em bom rigor o ISP vai subir cerca de 1 cêntimo no gasóleo e descer apenas 2 cêntimos na gasolina, quando devia descer 7 cêntimos no gasóleo 4 cêntimos na gasolina. 

Na realidade, em 2019, o conjunto das famílias e das empresas vai empobrecer mais 211 milhões de euros. E os cofres do Estado engordar esses mesmos 211milhoes de euros em impostos sobre combustíveis. 

Não deve ser só a mim que logro e embuste me parece uma boa definição para tudo isto. Lamentável!

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Triumph Bonneville Speedmaster à Prova

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O ano passado, mais ou menos por esta época do ano, tive o prazer de Provar durante uns dias a Triumph Bonneville Bobber, uma moto que me alimentou a alma de uma forma extraordinária, como podem ler aqui (link). 

A Bobber é ainda aqui chamada porque esta Bonneville Speedmaster partilha alguns elementos com aquela sua irmã, a saber: motor (ainda que “arredondado”), quadro, transmissão, suspensões e alguns detalhes como o cubo da roda traseira com aspecto de travão de tambor, os guarda-lamas em aço e a caixa da bateria. Já o duplo disco na roda dianteira é herdado da nova Bobber Black, corrigindo desta forma um aspecto que mereceu, para alguns, nota menos na Bonneville Bobber 2017. 

Mas com alguns subtis toques a Speedmaster afasta-se claramente da sua mana. O sub-quadro traseiro que permite montar lugar para o passageiro, o farol dianteiro (DRL) com carcaça do ripo “nacelle” (um dos elementos mais marcantes das clássicas dos aos 50 e 60) e, sobretudo, a colocação dos “estribos” numa posição que permite “pés-pá-frente” tal como a montagem de um guiador do tipo “beach bar”, isto é, inclinado para trás.

Estes dois últimos elementos concorrerem para a natureza descomprometida e descontraída da Triumph Bonneville Speedmaster, natureza essa confirmada quando ligamos o motor e ouvimos o rouco ronronar. Engatada primeira, soltada a embraiagem docilmente assistida, tudo flui com elegância e suavidade assim que nos habituamos (rapidamente) à posição de pés e mãos.

Com dois modos de condução (Road e Rain), a Speedmaster revelou-se uma Cruiser clássica e romântica, que convida a sossegados passeios à beira mar ou rumo ao pôr-do-sol. Uma verdadeira “moto de marginal” - marginal, a estrada, entenda-se – que veio mesmo a calhar para ilustrar esta (link) serie de textos e deambular pela mítica (sim, esta sim, é mesmo mítica) Estrada Nacional 6 - para ler mais tarde aqui neste ESCAPE.

Suspensão traseira um pouco seca, espelhos bonitos mas ineficazes e um lugar de passageiro demasiado exíguo para o tamanho de certos “backside”, são aspectos menos positivos. Tudo amplamente compensado quando decidimos despir a pele de cordeiro à Speedmaster e colocamos os 106 Nm de binário máximo no asfalto (logo às 4000 rpm) no asfalto. 

Tal como a Bobber, a Triumph Bonneville Speedmaster desperta atenções, alimenta a alma e afaga o ego de quem a conduz. Tudo com uma economia deslumbrante. Foram gastos apenas 4,3 litros daquele líquido com cheiro forte e inflamável que tanto prazer nos dá gastar por cem quilómetros de brisa no rosto. A Triumph Portugal solicita-vos um cheque de 14.600€ para levarem uma delícia destas convosco.

domingo, 28 de outubro de 2018

MV Agusta F4 Claudio ou a última excentricidade de Massimo Tamburini


A MV AGUSTA é uma marca que deseja mover emoções e demover quaisquer comparações que se possam fazer com outros emblemas. 

É a esta luz que se compreende a chegada desta F4 Claudio, uma criação do mago Massimo Tamburini onde se pretende prestar uma homenagem a Claudio Castiglioni – e não a Giovanni Castiglioni, seu filho, como erradamente já pude ler por ai 

De sublinhar que esta é uma edição limitada a apenas uma centena de unidades numeradas, distinta pela autenticidade e pela simbologia. 

O preço a praticar em Portugal será de 76.500€ acrescido de todas as despesas de legalização e taxas associadas. Uauuuu…

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Novas Triumph Scrambler 1200 XC e Scrambler 1200 XE

Ontem, quarta-feira, ao início da noite, a Triumph decidiu “roubar a cena” a partir de Londres; e numa operação bem montada, conseguiu colocar toda a gente - old media e new media – em todas as plataformas, a falar durante horas nas novíssimas Scrambler 1200 XC (on-road e off-road) e Scrambler 1200 XE (on-road e off-road plus). Bom trabalho! 


Atrevida, sedutora, natureza e substancia clássicas mas muita qualidade moderna. Alguns destaques? Motor bicilíndrico Bonneville “High Power” de 1200cc, 90cv às 9700rpm e binário bruto de 110 Nm às 3950 rpm. Suspensão traseira Ohlins, Forquilha Showa de curso longo completamente ajustável. Seis modos de condução, incluindo o Off-Road Pro na XE. ABS e controlo de tracção optimizados em curva. Comandos retro-iluminados. Keyless (arranque sem chave). Cruise control.

A personalização é também uma possibilidade com a Triumph a disponibilizar uma linha de mais de oitenta acessórios específicos em dois kits de equipamento disponíveis: kit “Escape”, que monta suportes de bagagem mais focado na viagem de aventura e kit “Extreme”, a montar acessórios que reforçam as capacidades off-road da moto. 

Desejosos de conhecê-la melhor, tal como eu? Certo, mas ainda vamos ter de aguardar um bocadinho…, os preços ainda não foram divulgados e as novas Scrambler só devem chegar ao mercado em meados de Março do próximo ano.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

O que é que o “Quartas em Azeitão” tem?

Azeitão já foi município português. Mas foi extinto a 24 de Outubro de 1855 e integrado no concelho de Setúbal. Hoje a localidade é formada pelas antigas freguesias de São Lourenço e São Simão, mais conhecidas por Vila Nogueira de Azeitão, Brejos de Azeitão, Vendas de Azeitão e Vila Fresca de Azeitão. Partilham o nome "de Azeitão", graças aos extensos olivais que na época árabe dominaram aquelas paragens.


Hoje o olival deu lugar à vinha premiada internacionalmente, ao queijo perfumado e delicioso, às tortas gulosas e…, ao motociclismo todas as quartas feiras à noite. “Quartas em Azeitão” apresenta-se de forma desassombrada como um “spot no centro de Azeitão todas as Quartas a partir das 21h. para quem gosta de motas”.

Este ESCAPE vai aproveitar a noite de hoje, que promete ser um das últimas da temporada com temperaturas agradáveis para andar de moto, e dar “um salto” à pacata vila da margem sul do Tejo para tentar compreender afinal o que é que o “Quartas em Azeitão” tem.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

A estrada, a moto e o telefone esperto – Estrada Nacional 3


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Estrada Nacional 3 (N3)? Onde fica isso?? A questão é recorrente. Ao falar na “três” ninguém sabe dizer onde fica, para onde vai ou onde nos pode levar. Todos sabemos que a N1 (link) liga Lisboa ao Porto. Todos sabemos que a N2 (link) cruza o interior português de Chaves a Faro. Mas a três, a N3…, é a primeira das últimas, das abandonadas pelo Estado e esquecidas pela Lei. 

A Nacional 3 não é uma estrada qualquer. Mas as dúvidas dos meus interlocutores são legítimas. Não é fácil compreender onde o Estado perdeu a N3. O actual Plano Rodoviário Nacional parece indicar-nos que a N3 começa no Carregado e termina em Parceiros de São João, concelho de Torres Novas, Distrito de Santarém. Tomando como boa esta informação a estrada teria pouco mais de sessenta e cinco quilómetros. Todavia, o Plano Rodoviário que nos interessa (link) é o de 1945. E neste a N3 assume uma dimensão verdadeiramente Nacional ao ligar os arredores da capital do país ao Distrito de Castelo Branco. Rodas ao caminho antes que se faça tarde. 

O quilómetro zero da N3 encontra-se assinalado na vila do Carregado, vila plena de história e intimamente ligada à comunicação em Portugal. A primeira viagem feita de comboio em Portugal começou aqui; e aqui o serviço da mala-posta no século XIX encontrou importante entreposto. 

Os primeiros quilómetros da Nacional 3 são desinteressantes com a estrada a cortar paisagem incaracterística, desumanizada pela indústria. A zona da Azambuja apresenta-se como um dos troços de estrada mais perigosos de Portugal. Todavia, atravessada que seja Santarém - apesar de ser chamada de "Capital do Gótico" é hoje uma cidade com um mero vislumbre de todo o património arquitectónico que já possuiu - a estrada ganha dimensão rural e pitoresca quando sobe e desce as suaves colinas que deixam para traz a lezíria.

Já nos arrabaldes de Torres Novas, abandonamos o rumo Norte a passamos a viajar para nascente. A estrada beija o Tejo na sua margem direita e encontra um troço absolutamente bucólico na zona de Tancos e Constância, lá, onde o Zêzere encontra o Tejo. 

Mas a grande surpresa está reservada depois de ultrapassada a cidade de Abrantes. Ali a estrada começa a subir serra acima, por locais onde nunca passamos, cortando Mouriscas e Penhascoso até chegar a Mação. São mais de trinta quilómetros de estrada deserta com bom asfalto e centenas de curvas para todos os gostos. 

Quando finalmente começa diversão à grande, o inesperado acontece em Mação. A Nacional 3, de forma absolutamente misteriosa, desaparece. E tão misteriosamente como desaparece, volta a aparecer decepada pela A23 umas dezenas de montes e vales adiante, já na zona de Fratel, E vai enfim seguindo assim, esfacelada, até Castelo Branco. 

As Obras Públicas e o Legislador de 1945 quiseram com a Estrada Nacional 3 oferecer às populações uma via principal que estabelecesse uma diagonal fulgurante entre interior e litoral, Região de Castelo Branco e Capital, aproveitando o relevo do terreno ao mesmo tempo que conectava populações. O Legislador moderno e as suas vias rápidas contemporâneas lançaram com total desprezo a magnífica, por vezes linda, N3 para o caixote do lixo da história. Como seguramente tantas outras, hoje a N3 é lamentavelmente um corpo em acelerada decomposição.

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Quem, o quê, onde, como, quando e porquê – não necessariamente por esta ordem… 

A Estrada Nacional 3, também conhecida como “Estrada da Estremadura”, apesar de retalhada por juristas engenheiros e sobretudo por gente daquela classe imprópria para consumo a que chamam políticos, tem actualmente o seu início na Vila do Carregado e o seu términus algures a norte de Castelo Branco, presumivelmente na saída número 23 da A23 (é mesmo assim e não gralha). Foi por este ESCAPE percorrida em ambos os sentidos no início de Setembro de 2018 aos comandos de uma Ducati Scrambler 1100 que gastou cinco litros de líquido inflamável do bom por cem quilómetros de bucolismo e abandono. Se não for pelo seu valor histórico, a N3 é credora do nosso respeito, especialmente do Estado, pois dela se servem diariamente populações, algumas delas muito afectadas pelo drama dos fogos florestais do passado recente. A Nacional 3 apresenta ainda um potencial turístico relevante, totalmente desbaratado pelo Estado.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Arruda MotorCycle Market dá cor ao outono no Oeste

Arruda dos Vinhos será palco de um evento que irá conjugar a paixão das duas rodas com animação, street food e prova de vinhos. 

Além de ser fora dos locais habituais onde este tipo de eventos ocorre, o Arruda MotorCycle Market (AMM) têm um cariz social, já que toda a receita reverte a favor da Associação Humanitária dos Bombeiros locais. 

Com entrada livre, o AMM pretende ser um convite para que famílias de possuidores, aspirantes ou simplesmente amantes das duas rodas, venham em conjunto passar um dia ou o fim-de-semana num evento que terá muito mais para ver para além de motos. 

Nos espaços dos expositores irão estar alguns dos nomes mais conceituadas no capítulo da transformação, customização ou restauro de motos, havendo representações de norte a sul do país. 

O AMM terá também no seu programa um “AMM talk’s” na tarde de sábado onde convidados irão falar e debater com o público presente alguns dos temas actuais do panorama motociclistico. Este ESCAPE foi convidado e lá estará, obviamente. Presente entre um painel de “convidados de luxo” nas palavras da organização. Obrigado! 

Em suma: motos, acessórios, petiscos, animação e bem receber por Arruda dos Vinhos. A não perder!

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Um fim-de-semana cheiinho de motociclismo e partilha

Decorreu no fim-de-semana passado, 12 a 14 de Outubro, o 2º Encontro Nacional CRF1000L Africa Twin PT. E tal como em 2017 teve sede em Castelo Branco. No menu tivemos passeios na estrada e fora dela, um belo e surpreendente passeio de barco no Tejo junto às Portas do Rodão, petiscos, workshops vários e muitas partilhas de viagens. 

Mas, como em tudo na vida, o melhor são as pessoas. Este evento teve uma característica, não diria singular, mas rara. Apesar de relativamente pequeno conseguiu juntar motociclistas das mais diversas gerações que se entretiveram a fazer aquilo que mais gostam de fazer quando conseguem estar parados: partilhar sentimentos e histórias de motociclismo e viagens. 

Nunca fui adepto de clubes monomarca muito menos monomodelo por isso estou à vontade para dizer que o ESCAPE adorou este evento. Por esta simples razão: o coletivo CRF1000L Africa Twin PT montou um fim-de-semana à imagem das pessoas que o constituem: simples, humilde mas muito enriquecedor. Parabéns malta! 

Num plano mais pessoal, foi muito bom estar com o povo “das Rainhas”, rever alguns amigos de sempre e fazer novas amizades. Foi muito bom ter sido convidado para partilhar algumas vivências de viagens, adorei o momento. Foi ainda muito bom ouvir de muitos palavras mais do que simpáticas pelo trabalho honesto que este blogue vai produzindo. Como costumo dizer, o blogue é vosso; a comunicação só faz sentido com vocês ai desse lado.

Cereja no topo do bolo, domingo, no regresso, “enganei-me” na saída de Castelo Branco. Estrada Nacional (EN) 18 para Norte, EN230 para Oeste, EN 231 de novo para Norte e enfim a surpreendente EN 338 pela Serra da Estrela acima: fui conhecer aquele a que já chama Looriga Pass. Onde? Perguntem aqui (link) ao Quilometro Infinito que ele explica melhor que ninguém. 

Obrigado a todos por um fim-de-semana cheiinho de motociclismo e partilha!

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

BMW F 850 GS à Prova

Muito amor. Algum ódio também. Paixão, definitivamente. E muita inveja, sem duvida. Sentimentos são estados e reacções que o corpo humano é capaz de expressar diante de factos e acontecimentos vivenciados pelos indivíduos. E se existe fábrica que hoje é capaz de fazer despertar em todos nós motociclistas sentimentos diversos, ela é a Bayerische Motoren Werke. 

teste ensaio review prova bmw f850gs bmwf850gsBMW e ESCAPE não podiam continuar a viver assim. De motores e costas voltadas. Não posso pois deixar de começar esta Prova de forma diferente, agradecendo à BMW Motorrad Portugal (e particularmente a todos os que o tornaram possível) a possibilidade de aceder ao seu Parque de Imprensa. É mais um forte sinal que a brincar a brincar este ESCAPE é para ser levado bem a serio. Muito obrigado! 

Apresentada no EICMA do ano passado, esta F 850 GS é uma moto verdadeiramente nova. E fiz muito bem em despi-la das práticas malas laterais com que me foi entregue para a apreciar na sua plenitude. O primeiro olhar revelou algo que curiosamente já tinha acontecido numa das recentes Provas: esta BMW é bem mais bonita quando o olhar a toca directamente, revelando uma moto mais sedutora daquela que vemos nas imagens - também porque esta unidade surge equipada com um belo Akrapovic no lugar da não tão conseguida ponteira de escape original. 

A primeira sensação é de simplicidade e facilidade de utilização. Mas foi necessário um esforço adicional da minha parte para esquecer a natural comparação com a minha Honda CRF 1000 L. Para rapidamente mudar o chip parei passados alguns metros com o objectivo de “estudar” o funcionamento do ecrã TFT de 6,5 polegadas e dos seus diversos menus. Tudo se revelou preciso e conciso. A habituação ao contemporâneo universo digital é aqui quase imediata. 

Esta Gelände Strasse (fora de estrada/estrada) transpira rapidamente a sua natureza. Ciclística impecável – com destaque para as excelentes suspensões electrónicas - travagem eficaz apesar de alguma suavidade na frente, motor (95 cv e 92Nm) surpreendentemente elástico, linear e sempre disponível. 

Os primeiros quilómetros revelaram ainda uma posição de condução correta, mas com o passar dos mesmos o conforto acaba por sair algo penalizado pela parca protecção aerodinâmica e por um banco cujos materiais merecem ser revistos – tal como a dimensão dos espelhos (com demasiado angulo morto). Detalhes que não me demoveram a aproveitar o fim-de-semana para fazer uma Prova bem longa ainda que fundamentalmente asfáltica. 

Pude então explorar os diferentes modos de condução e demais parafernália digital (fiquei fã da utilidade do sistema keyless), numa pitoresca e triangular incursão alentejana, que incluiu a totalidade da Estrada Nacional (EN) 5 - para ler a seu tempo aqui no ESCAPE - um troço da EN2 já em pleno Alentejo profundo, e regresso a casa via EN4 onde esta BMW F 850 GS transpirou eficácia e ofereceu prazer. Ainda me atrevi um pouco nos estradões que delimitam vinha e montado na zona do Poceirão, onde esta nova F 850 GS se revelou uma moto tão dócil quanto atrevida. O fora de estrada pode muito bem ser a sua praia. 

A economia foi outra das boas surpresas desta nova F. No global foram gastos 4,6 litros de líquido inflamável por cem quilómetros de sorrisos no rosto, tendo ainda ficado com a ideia de que a velocidades mais pacatas a moto consome, facilmente, o valor indicado pela fábrica, isto é, menos meio litro do que consegui. 

A BMW Motorrad Portugal pede 11.950€ para desembrulhar a versão base desta nova F. Se lhe adicionarmos os pacotes Confort, Dynamic, Touring, Iluminação e ainda outras opcionais como malas laterais, escape Akrapovic, sistema de navegação e de chamada de emergência, serão necessários perto de 19.000€ para partir com esta F 850 GS.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Limalhas de História #65 – 4 de Outubro de 1998

Mil novecentos e noventa e oito. A última temporada com menos de quinze etapas. A última temporada que viu alguém levantar o título na classe rainha com o número “1” na frente da sua moto. A última temporada do reinado Honda-Doohan. 


Faz hoje exactamente vinte anos. Qantas Australian Grand Prix. Phillip Island Grand Prix Circuit. Vitoria. Austrália. Para além do nome do Estado australiano onde se encontra aquela pista icónica, vitória foi também o nome do meio de Michael Doohan. Ao vencer (sétima em oito na temporada) em casa, o aussie assegurava o seu pentacampeonato. Não sabíamos, mas este seria também o principio do fim de uma era…

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

2º Encontro Nacional CRF1000L Africa Twin PT

Quem passa a vidinha a mal dizer as Redes Sociais devia conhecer o grupo CRF1000L Africa Twin PT. As pessoas já existiam, a paixão pelo motociclismo também, o desejo de trocar experiências com os demais que partilham o gosto pela vida e pela nova Africa Twin é apenas consequência de tudo isto. O Facebook serviu de mero ponto de encontro. 

Assim nasceu o grupo CRF1000L Africa Twin PT. Dos encontros na estrada e fora dela a amizade honesta foi ganhando forma. De passeio em passeio já vão, vamos, para o 2º Encontro Nacional - novamente em Castelo Branco, de 12 a 14 deste mês de Outubro -, com o Motoclube Tuku Tuku a prestar o seu apoio logístico. 

São vários os destaques do programa: Workshops CRF1000L com a participação de Rui Lucas (LucasPower, 2RentMotos), da MXT Suspensions e de André Hattingh (Box46). Passeio turísticos on-road, passeio off-road – com apenas um único percurso e um nível de dificuldade talhado para as CRFs -, passeio de barco nas “Portas de Ródão”. Haverá ainda um espaço para conversas: “Marrocos sobre Rodas” com Manuel Duarte, Tiago Silva e Armando Polónia, apresentação do “Epic Tour 2018” por Hugo Ramos e Rad Raven e uma edição especial da Tertúlia do Escape, com este vosso escriba a partilhar algumas ideias sobre viagens, com destaque para os Alpes e a recente incursão na Sardenha e Córsega. 

Naturalmente…, um programa assim preenchido estimula a sede e o apetite. Petiscos, comes e bebes não irão faltar. 

E se não tens uma Honda CRF1000L Africa Twin tal não é obstáculo. É vir na mesma. Todos são bem-vindos. É consultar aqui (link) o programa. E avançar aqui (link) com a inscrição.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

A estrada, a moto e o telefone esperto – Estrada Nacional 2


portugal estrada nacional 2 honda crf1000l africatwin n2 lesalesA Estrada Nacional 2 (N2) não é uma estrada qualquer. Há mais de dois milénios que se conhecem escritos, ora grandiloquentes, ora insignificantes, referentes ao conjunto de caminhos hoje conhecido por N2. Quando o Império Romano se estabeleceu naquilo que hoje conhecemos por Portugal, foram abertas inúmeras vias que coincidem com aquilo que é hoje a N2. Após a “longa noite” da Idade Media, o sentido de viagem estradal só se recupera em meados do século XIX. Todavia, a atual N2 é o produto de um projeto político-económico do Estado Novo, plasmado no Plano Rodoviário Nacional de 1945. 

Apesar de ser a “dois” os números impressionam. Os seus cerca de 738 quilómetros cruzam onze distritos outros tantos rios, trinta e quatro municípios e…, zero pórticos de portagem. É a mais longa estrada portuguesa, rivalizando mesmo em comprimento com muitas e belas estradas por esse mundo fora. Mas é também a estrada da moda. 

Comecei a viajar de mota em 1992. E não me recordo, nesses tempos, que ligássemos qualquer tipo de importância especial à N2. Mais tarde, no virar do século e do milénio, aparece o Trofeu Nacional de Moto Ralis Turísticos. E também não me recordo que existisse um foco especial nessa estrada. Não consigo pois identificar o tempo em que nasceu a “febre N2”. 

Salvo honrosas exceções, que não são para aqui chamadas, sou avesso a “febres” e unanimismos. Assim, durante algum tempo, olhei com algum desprezo o folclore que se foi construído ao redor da N2 – um exemplo: apelidar a N2 de “Route 66 portuguesa” é não ter noção do que foi e representou a “Route 66” para o povo norte-americano, do zero absoluto que ela é hoje e, acima de tudo, do que é ser português. Seria pois mais inteligente apelidar a N2 de “Ruta 40 portuguesa”, mas para tal os “wannabe” que escrevem essas coisas teriam de saber onde é e o que significa a tal “Ruta nacional 40”. Adiante… 

Ao longo da vida já me cruzei inúmeras vezes com a N2, muitas delas sem saber que era dela que se tratava. Como sou um ser social e curioso, não sou imune a “febres” e “folclores”. Tinha de encontrar uma bela desculpa para calcorrear a “mítica Estrada”, como lhe chamam os “vendilhões do Templo”. Este (link) possível best-off de Portugal Continental, das suas estradas, montanhas, planícies e praias, pareceu-me o momento adequado. Estava encontrada a desculpa.

Hoje não é difícil encontrar roteiros mais ou menos pormenorizados sobre a N2. Há quem consiga escrever centenas de páginas sobre o tema, livros inteiros. E há até quem se disponibilize a fazer “visitas guiadas”, agências de viagem, imaginem. Sorrio…, infelizmente não tenho tempo para passar mais de dois dias a percorrer o interior do país. Ele há tanto caminho a percorrer por esse mundo fora. E o tempo, já sabemos, é o maior dos luxos. Uma coisa vos garanto: não é aqui, no ESCAPE, que vão encontrar a derradeira e imperdível história da “espantosa e espectacular” “épica”, “colossal”, “divinal” e “imperdível” N2-Route-66-portuguesa. 

Apesar de não ser de modas, fiz-me à estrada e encontrei na N2 uma absoluta experiência. Encontrei mais. Encontrei uma bela metáfora da vida, no sentido em que cada qual dela traz o que bem desejar. A N2 não é a “Route 66 portuguesa” nem a tal estrada “mítica” ou “mágica” de que tanto por ai se fala hoje. A N2 é o que é; e é bem real. Tem caracter e personalidade. Tem mesmo brilho próprio, valendo por si mesma. 

Mas a N2 é também neste momento uma oportunidade perdida. Desde logo uma oportunidade perdida no plano da exploração turística. Neste sentido tudo está por fazer, nomeadamente recuperá-la e embrulhá-la no papel de “Estrada Histórica” que é, como tão bem fazem os países anglo-saxónicos – sempre sem esquecer que está lá, em primeira linha, para servir as populações e o seu bom desenvolvimento económico e social. 

Apenas adorei fazer a N2, percorrendo de fio a pavio o interior de Portugal. Tão bom. Quero voltar. E quero já! 

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Quem, o quê, onde, como, quando e porquê – não necessariamente por esta ordem… 

A Estrada Nacional 2 (N2), também conhecida como “A Estrada Mais Longa”, apesar de alguns “génios” da nossa Administração a terem reclassificado, desclassificado e até retalhado nalguns sectores, “rasga” Portugal pelo interior, de Norte a Sul, de Chaves a Faro durante cerca de 738 quilómetros. Foi pelo ESCAPE percorrida no final de Julho de 2018, aos comandos de uma Honda CRF1000L DCT que gastou 5,5 litros de “ouro inflamável” por cada cem quilómetros de absoluta experiência. A N2 é credora do nosso respeito, especialmente do Estado, devido ao seu valor histórico – as suas mais antigas raízes datam de tempos imemoriais – mas também devido ao seu elevado potencial turístico que conduzirá ao desenvolvimento económico das populações de algumas regiões interiores do país, tradicionalmente olvidas pelo clássico e latente centralismo lisboeta.
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