Chegaram dois capacetes novos cá a casa. Dois NEXX Helmets X.TR. Um para mim, outro para a Miss Yoshimura. E isto, para mim, não é um detalhe. Não uso um capacete integral desde 1998. O último que tive foi comprado em 1992 e foi até ao fim — literalmente. Cumpriu o seu ciclo, fez perto de 200 mil quilómetros e ficou por aí. Desde então, nunca mais voltei ao formato integral. Nunca senti necessidade. Até agora.
O NEXX X.TR reclama para si “uma nova referência na inovação das viagens desportivas, a derradeira fusão de desempenho, conforto e tecnologia de ponta” (link).
UM CONTEXTO QUE NÃO PODE SER IGNORADO
A NEXX Helmets faz 25 anos. E isto não é só uma nota de rodapé. Estamos a falar de uma marca portuguesa que conseguiu afirmar-se num dos mercados mais exigentes que existem. Exporta para todo o mundo, compete com nomes muito maiores e, mais importante do que isso, tem vindo a evoluir de forma consistente.
Quem acompanha a marca percebe isto sem esforço: de coleção para coleção, há melhorias claras. Não é marketing — é produto. E isso pesa na decisão. Porque quando escolhes um capacete, não estás só a olhar para o objeto. Estás a confiar num percurso.
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Depois, a ventilação. Entradas de ar bem distribuídas, saídas pensadas para criar fluxo contínuo. Parece básico, mas não é. Um capacete mal ventilado torna-se rapidamente insuportável, sobretudo em cidade ou em dias mais quentes.
O interior segue a linha que hoje já é exigida: removível, lavável, pensado para conforto prolongado. A questão aqui é simples — aguenta horas sem criar pontos de pressão? Mantém-se estável? Não aquece em excesso?
Uma nota relevante: o F.R.S® patenteado permite que ambas as protecções das bochechas sejam removidas rapidamente e sem ferramentas em apenas alguns passos simples. Concebido para facilitar a limpeza e a utilização em caso de emergência, permite que equipas de emergência medica retirem o capacete em segurança com o mínimo de fricção na cabeça do condutor. Basta levantar os braços de borracha, deslizar os botões vermelhos para trás e as proteções das bochechas soltam-se instantaneamente.
FUNCIONA NO PAPEL. E COM LUVAS CALÇADAS?
Há um ponto onde muitos capacetes falham, e raramente é falado: usabilidade. Não interessa ter bons sistemas se depois são difíceis de operar. Os mecanismos funcionam bem com luvas? A viseira responde rápido a mudanças de luz? Os ajustes são intuitivos ou obrigam a habituação? O fecho inspira confiança ou levanta dúvidas?
Nada disto vem explicado de forma útil num manual. E é exatamente isto que separa um bom produto de um produto realmente bem resolvido.
Voltar a um integral ao fim de mais de duas décadas não é neutro. Habituei-me a outras soluções. Mais abertas, mais leves, mais “descomplicadas”. O integral, na minha cabeça, sempre ficou associado a peso, isolamento excessivo e alguma perda de liberdade. A pergunta agora é simples: será que este X.TR consegue contrariar essa ideia? Se não conseguir, dificilmente fica.
O QUE VAI ACONTECER A SEGUIR?
Estes NEXX X.TR não vão ficar por uma volta ao quarteirão com sessão de fotos incluida. Vão sim ser usados — a sério. Nos próximos dias, e sobretudo numa viagem que temos pela frente, vão ser colocados à prova em condições reais: trânsito; calor; vento; horas seguidas de condução; ritmos diferentes. Sem filtros. Sem ambiente controlado. É aqui que um capacete se revela.
Notem. Não fazemos “reviews”. Fazemos quilómetros. Convém deixar isto claro. Não nos interessa fazer análises de catálogo nem cumprir listas de verificação só porque sim. Interessa-nos perceber como é que o produto se comporta quando deixa de ser novo e começa a ser usado.
Os X.TR vão ser sujeitos a isso. E daqui por umas semanas, com contexto e quilómetros acumulados, traremos conclusões. Sem pressa. Sem guião. Como deve ser.



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