terça-feira, 18 de agosto de 2026

A minha moto urbana porque a escolha é minha.

Há dias em que uma simples viagem vale mais do que uma reunião, uma conferência ou uma discussão nas redes sociais. Hoje é um desses dias. Estou de folga. Trabalhei algum tempo no blog durante a manhã, fiz umas compras e decidi rumar à Costa da Caparica. É agosto. A meio da travessia da Ponte 25 de Abril, com o trânsito já bastante mais leve do que aquele caos habitual das horas de ponta, dei por mim a olhar para uma gaivota que voava livre sobre o Tejo. 


E pensei precisamente nisso. Na liberdade. Na liberdade de escolher. Na liberdade de sermos quem somos, sem termos de prestar contas a desconhecidos que acreditam conhecer-nos porque viram dois vídeos ou leram meia dúzia de publicações. Enquanto a gaivota desaparecia no horizonte, os meus olhos voltavam ao painel de instrumentos da minha Honda Forza 125, que segue alegremente a caminho dos 60 mil quilómetros. E sorri. Porque, afinal, a minha escolha continua exatamente a mesma. 

Houve uma altura em que me incomodava profundamente ler comentários a dizer que eu era “influencer”, que estava “vendido” a esta ou àquela marca, ou que determinada opinião só podia existir porque alguém me tinha pago. Hoje já não. Hoje acho apenas curioso. Na maioria das vezes, nem sequer é maldade. É apenas pura ignorância. Quem escreve isso não sabe quem eu sou, nunca me conheceu, não faz ideia do que faço profissionalmente, nem do percurso que tenho na vida.

HONESTE VIVERE, ALTERUM NON LAEDERE, SUMM CUIQUE TRIBUERE 
Vivo do meu trabalho. Da minha profissão. Da minha formação. Não vivo das redes sociais. Nem do blog. Nem dos testes de motos. Nem dos vídeos. Nem dos likes. O blog nunca foi um negócio. Sempre foi um exercício de liberdade. Um espaço onde escrevo porque gosto de motociclismo e porque continuo a acreditar que vale a pena pensar sobre ele. 

As redes sociais existem apenas para dar voz ao trabalho do blog. São uma ferramenta. Não são um modo de vida. Isso distingue-me de muitos criadores de conteúdo que hoje aparecem um pouco por todo o lado. E não há qualquer problema nisso.

OS NOVOS PROVADORES "DE COISAS" 
Há quem hoje experimente uma moto, amanhã um automóvel, depois uma bicicleta, no dia seguinte uma pizza, um gelado, um telemóvel ou uma prancha de surf, sempre com o mesmo entusiasmo e o mesmo sorriso. Cada um faz o seu caminho. E esse não é o meu. Eu não vivo de provar coisas. Vivo o motociclismo. E isso faz toda a diferença. Aliás, há dias ouvi alguém contar num video, com enorme entusiasmo, que tinha estado na Islândia… de moto. Até aqui, tudo perfeito. O problema foi a conclusão. Disse que teria preferido fazer a viagem de carro. 

Fiquei a pensar nisso durante alguns segundos. Há quem olhe para uma moto e veja apenas um meio de transporte. Eu continuo a olhar para ela e a ver uma forma de viver. São perspetivas diferentes. Talvez seja por isso que nunca senti necessidade de agradar a marcas, a grupos ou a tribos. 

Não sou fiel a logótipos. Sou fiel ao motociclismo. E, acima de tudo, sou fiel à minha liberdade de escolha. É precisamente essa liberdade que explica porque continuo a considerar a Honda Forza 125 a melhor moto urbana para aquilo que é a minha utilização. E sublinho a expressão: para a minha utilização. Porque não existe uma resposta universal. Existe apenas a resposta certa para cada motociclista. 

ESCREVE A TUA HISTÓRIA 
Nas últimas semanas, muito se falou da Zontes 368G. Com razão. É uma scooter cheia de argumentos, tecnologicamente muito interessante, com prestações que impressionam e uma personalidade muito própria. E uma boa moto não obriga automaticamente a mudar de moto. É aqui que muitos se esquecem de olhar para o conjunto. Há fatores que contam tanto como a potência, o equipamento ou a velocidade máxima. Um deles chama-se manutenção. A Forza, equipada com o moderno motor eSP da Honda, faz revisões a cada 6.000 quilómetros. A Zontes, na versão 2025, continua nos 4.000. 

Pode parecer uma diferença pequena. Não é. Quem utiliza diariamente uma scooter sabe exatamente o impacto que isto tem. Há muitos anos também tive motos com intervalos de manutenção semelhantes. E lembro-me perfeitamente da sensação de estar constantemente a marcar visitas à oficina. Para quem acumula quilómetros com facilidade, isso pesa. E pesa bastante. 

Claro que este não é o único critério. Nem pretende desvalorizar as qualidades da Zontes. Significa apenas que uma decisão inteligente nunca depende de um único argumento. É sempre a soma de vários. Conforto. Fiabilidade. Custos de utilização. Assistência. Equipamento. Prazer de condução. Disponibilidade. Histórico. Tudo entra na equação. 

É por isso que me faz alguma confusão quando vejo pessoas a tentar convencer os outros de que existe uma única escolha correta. Não existe. Cada motociclista escreve a sua própria equação. A minha continua a dar Honda Forza 125. A tua poderá dar outra completamente diferente. E está tudo bem. Porque é exatamente isso que significa ser motociclista. Ser livre para escolher. Sem pedir autorização. Sem precisar da aprovação das redes sociais. Sem andar atrás da opinião da moda. 

No fim de contas, talvez a gaivota que vi sobre o Tejo tenha resumido melhor do que eu alguma vez conseguiria. A liberdade não está apenas em voar. Está em escolher o rumo. E essa escolha continuará sempre a ser minha.

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