domingo, 24 de outubro de 2021

O que é que a nova Honda NT1100 tem?

Bom dia! Bom dia? Sim, bom dia. É sábado e pouco passa das sete horas da manhã quando vos escrevo este texto. Já acordei há algum tempo, fiz a minha rotina matinal incluindo o meu galão escuro e lá fora ainda é noite cerrada. E está fresco. Mas avizinha-se um dia de sol. Hoje e amanhã (ou seja, hoje domingo, quando este texto for publicado). 


Deixei escapar este fim de semana para vocês. Espero que o tenham aproveitado bem. Já eu…, tenho muito que fazer e que escrever. Os últimos dias foram muito intensos e chegou enfim a hora de ficar em frente ao computador, escrever, editar, publicar, partilhar, divulgar, moderar…, que cá na casa deste ESCAPE não existe uma redação. 

Vamos ao que interessa. De facto, os últimos dias foram cheiinhos de motociclismo. Desde logo com a presença na Convenção Ibérica da CFMOTO e da MITT motorcycles, que juntou em Matosinhos e Baltar comunicação e concessionários da marca, para um evento muito especial. Em breve terá o seu devido destaque aqui no vosso blogue de cultura motociclista. 

Estávamos então em Baltar quando nas nossas caixas de correio eletrónico caiu a informação relativa ao press release a revelar a tão esperada “New Touring Era”, que a Honda pretende inaugurar com a NT1100.


O ESCAPE falharia assim a publicação da notícia que rapidamente se espalhava por esse mundo fora. A verdade - passadas que estão apenas algumas dezenas de horas desde a notícia - é que já todos sabem tudo sobre o que é a Honda NT1100. É um dos dramas dos tempos que correm. As novidades nunca viajaram tão depressa e nunca antes como hoje o que é novo passa de novíssimo a velhinho em tão pouco tempo. 

Sucede que apesar de já todos saberem tudo sobre o que é a Honda NT1100, muito poucos pararam para aferir o que não é a Honda NT1100. O que ninguém conhece também é ao que sabe a Honda NT1100. Quanto a este último tema o ESCAPE tem a noticia que a moto será apresentada em breve algures na Europa ao pessoal do costume que nos irá trazer a noticia do costume: “a nova Honda NT1100 é uma moto perfeita para:_________________”. [complete o leitor ao seu gosto]. 

CONHECER O PASSADO
Ora bem…, como os que me conhecem melhor sabem, eu sou uma triste e infeliz viúva da Honda ST1100 Pan-European, a melhor moto que tive (link) – foram dezassete anos de feliz matrimónio – e que provavelmente sempre terei. Assim, quando a Honda fala em nova era do touring…, quase que choro. Quando limpo as lágrimas vou ver melhor e…, é uma NT. E se pensam que NT significa” new tourer” estão muito bem enganados… 


O nome que damos a algo, pessoas e até coisas, é um momento importante. Ao denominar a sua nova moto de turismo de NT a Honda vai ao estranho encontro da Honda NTV 650 (link). Nascida no final dos anos oitenta a NTV 650 – também denominada consoante os mercados de Hawk GT, Bros, Revere - tinha desde logo o ainda mais estranho nome de código RC31. 

Desenhada por Toshiaki Kishi a NTV foi a segunda Honda equipada com suspensão "Pro-Arm" após a notável RC30. Suspensão que aqui se aliava a uma transmissão final por veio. E sabem…, vistas as coisas assim…, será que a NTV 650 de 1988 era mais ambiciosa tecnologicamente que a neófita Honda NT1100? Pergunta inconveniente, não é? 

Monótona, aborrecida, entediante, economia, super fiável e absolutamente eficaz. Tive uma Honda NTV 650, cor preta, de 1994 a 1998, que me ofereceu quase cem mil quilómetros de prazer e aventuras diárias, com destaque para uma viagem aos Picos de Europa e Galiza onde até fora de estrada fez - a dois, carregada com top case, tenda, colchões e um saco de depósito cheio de latas de atum e feijão que mal me deixava ver a estrada. Outros tempos… 


Ah…, quase me esquecia. Notem ainda que a muito apreciada em Portugal Honda Deauville nasceu em 1998 como NT650V e cresceu como NT700V, num total de três gerações que fizeram as delícias de muitos motociclistas portugueses até 2013.

COMPREENDER O PRESENTE 
Já agora vamos ouvir a marca. Diz Koji Kiyono, principal responsável do projeto NT1100: na Honda, temos uma já longa tradição de ouvir os proprietários dos nossos modelos e percebemos que estes queriam uma moto de turismo "tradicional". Os nossos modelos anteriores, as Pan-European e as Deauville tiveram sempre seguidores muito leais ao longo dos anos. Por isso, quando chegou a altura de conceber um novo modelo de turismo, quisemos produzir algo que tivesse impacto, com eco no passado - e que também tivesse una atracão bastante ampla - exactamente para os clientes de motos tradicionais de turismo. Mas também quisemos chamar a atenção e despertar o desejo dos condutores de todas as idades e gostos, que procuram uma moto divertida, genuinamente nova e versátil. Foi por isso que criámos a NT1100, com performances totalmente modernas, uma plataforma divertida e fácil de usar, um conjunto de tecnologias modernas e um estilo distinto e totalmente novo

Mais importante do que aqui vai dito por Koji Kiyono importa entender o que não vai dito. Repito, se pensavam que NT significa ”new tourer” estão muito bem enganados. A Honda não esconde ao que vem (só não vê quem não quer ver) procurando apenas a monotonia da eficácia na nova NT1100. E procura sobretudo - para enorme pena minha - afastar-se, provavelmente enterrar para sempre, a sigla ST e tudo o que ela significou (choro compulsivo). 


Em bom rigor, esta NT apesar de ser uma moto totalmente nova não partiu propriamente de uma folha em branco e isso, como bem sabemos nem sempre são boas notícias. Sucede que a base da NT é solida. São meia dúzia de anos a desenvolver e aperfeiçoar a CRF 1100L. A Africa Twin, moto de inegável capacidade e sucesso, está no ADN da nova NT. 

Surpreendentemente – e aqui os copiadores de press releases claudicaram deixando a ideia de não entenderem nada do que se passa à sua volta - o destaque da NT vai para as suas jantes 17. É um fortíssimo sinal de que a NT pretende ter sangue na guelra e ser divertida quando a estrada torce. Ao afastar a jante 19 na dianteira, a Honda tenta dar um pontapé na tal monotonia da eficácia. E isso é bom!

FALHAR O FUTURO
No entanto algo incomoda o viajante. Tive problemas com esse resquício do século XIX denominado transmissão final por corrente na última viagem grande que fiz com a minha CRF 1000. Saí de Lisboa com a corrente absolutamente perfeita, mas aquela foi dando sinais que afinal já estava em fim de vida, tendo de ser afinada pelo caminho, primeiro na Calábria depois na Sicília e mais tarde na Sardenha. Quando chegou a Lisboa, após esta apenas normal viagem pelo mediterrânico, a transmissão final estava absolutamente destruída. Transmissões finais por corrente numa moto que se pretende turística são uma aberração. Não há outra forma de dizer isto com mais urbanidade, vá… 


Sabem o que eu penso muito honestamente? Com esta NT1100 a Honda não está a vender uma moto mas sim uma ideia de moto. E nisto a marca tem sido eximia nos últimos anos. Por exemplo…, quantos dos proprietários da Africa Twin a colocaram realmente fora de estrada? E já agora, quantos não acabaram por comprar uma CRF 250 por ser uma moto onde todos podem verdadeiramente desfrutar do prazer de um belo passeio fora do asfalto? 

Duas notas finais. Primeiro para saudar a presença de origem de um sistema de anti levantamento da roda dianteira (anti-wheeling) com 3 níveis de controlo – algo que os mais atentos notaram me fez muita falta numa moto que vai directamente concorrer com esta, a Kawasaki Versys 1000 de que tanto gostei. 

Segunda e última nota final para sublinhar que existem três packs de acessórios disponíveis (onde todos os itens podem ser adquiridos em separado). A saber: URBAN com Top case de 50 litros com bolsa interior, encosto conforto para a top case e saco de depósito com 4,5 L; TOURING com bancos e poisa-pés conforto para condutor e passageiro e faróis de nevoeiro e enfim o VOYAGE que combina os dois anteriores.


A nova era do Touring não o é por si própria. A nova era do Touring não o é para todos certamente. O que fica para todos não será a viagem e sim o sonho da e com a mesma. Ou então…, provem-me apenas que estou errado. E deixem-me entender que esta moto com as cores dignas da tal perfeita monotonia eficaz, inaugura de facto um novo tempo para o turismo de moto.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

A novíssima CFMOTO 800MT em apresentação Ibérica no Porto

É uma das mais aguardadas novidades do ano e vai ser revelada aos media e concessionários ibéricos em Portugal, reforçando assim a boa imagem que a CFMOTO vai construindo no mercado nacional.


Em evento organizado no distrito do Porto e com epicentro operacional no Kartódromo de Baltar, a novíssima 800MT, trail do segmento intermédio com elevado nível de equipamento e um motor que promete muita animação, vai ser desvendada perante os jornalistas portugueses e espanhóis no dia 21 de outubro, De notar que a 800MT possui motor idêntico à KTM 790, o bloco LC8 aqui com 95 cavalos de potência e um equipamento de série que inclui suspensões Kayaba totalmente ajustáveis e sistema de travagem J.Juan com dois discos de 320 mm de diâmetro e pinças de fixação radial na dianteira. 


Além da CFMOTO 800MT – cujo preço definitivo será divulgado nesse mesmo dia - a Puretech vai ainda mostrar pela primeira vez a naked 700 CL-X Sport, interpretação moderna da intemporal e rebelde filosofia café-racer, dona de uma imagem marcante. 


De sublinhar ainda que as redecoradas 650GT e 650NK estarão também presentes nesta apresentação.

Notem que este vosso ESCAPE também estará presente e irá contar-vos tudinho aqui e nas redes sociais associadas deste blogue!

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Sábado dia 16 todos na estrada em mega manifestação de motociclistas

Recentemente o tema da implementação das inspecções periódicas obrigatórias (IPO) às motos regressou à praça publica (link). A resposta dos motociclistas foi imediata. Só há uma justificação aceitável para a implementação de tais inspecções: o incremento da segurança rodoviária. Isto é praticamente consensual. 


A realidade é que o item veículo está presente apenas em 0,3% dos acidentes. Muito longe sequer do 1% e sem relevância que justifique a relação custo-benefício das IPO. Assim, vem o Grupo de Acção Motociclista uma vez mais apelar à mobilização para a demonstração do próximo sábado dia 16. Este ESCAPE partilha e divulga a mensagem. E lá estará. Obviamente, sempre presente! 

Longe de podermos dizer que o assunto ficou resolvido com as anteriores manifestações, aquilo que ninguém pode negar, é que em termos práticos travámos as inspecções às motos que nos quiseram impor em 2016 e 2018. Conseguimos dar voz aos motociclistas e vincamos a nossa posição nos meios de comunicação social e nas mais altas instâncias governamentais. 


Estamos em 2021, numa altura em que o assunto da obrigatoriedade das inspeções às motos voltou à baila na comunicação social do costume. Nada que já não estivéssemos à espera. A "bota" que o lobby das inspeções às motos "calçou" aos centros de inspeção em 2012 continua por descalçar, sem que se investiguem os verdadeiros interesses que estiveram por detrás da medida que obrigou os centros de inspeção a gastar avultadas quantias de dinheiro na compra de equipamentos... negócio que apenas serviu quem lhos vendeu. 

Dinamarca, Irlanda, Finlândia e França já assumiram que não vão implementar a futura diretiva comunitária das inspeções. Por cá não desistem da ideia, mas nós também não desistimos de lutar pela defesa das motos e do motociclismo e, sobretudo, não aceitamos algo que não vai alterar nada em termos de segurança rodoviária e apenas representará mais uma despesa e perda de tempo para os motociclistas. 


A manifestação nacional de motociclistas de protesto contra as inspeções às motos, com inicio às 15:00, irá decorrer nos seguintes locais:

PORTO - Av. dos Aliados até ao regresso à Av. dos Aliados;
COIMBRA - Parque do Choupalinho junto ao Exploratório Centro de Ciência Viva de Coimbra até à Praça da República;
LISBOA - EXPO no Estacionamento junto à foz do Rio Trancão até ao Rossio;
FARO - Estacionamento frente ao Estádio do Algarve até ao Jardim Manuel Bivar; 
FUNCHAL - Av. Sá Carneiro até ao Palácio de São Lourenço;
PORTO SANTO - Praça de Táxis - Av. Manuel Gregório Pestana Júnior até ao Parque de Estacionamento da Escola de Nossa Senhora da Conceição. 

Slogans e cartazes estarão brevemente disponíveis para download. Vamos, à semelhança de anos anteriores, passar a nossa mensagem imprimindo-a e colando-a nas nossas motos, ou em qualquer outro local bem visível. 


O nosso Manifesto ficará também disponível para download. Este Manifesto Motociclista pretende esclarecer os fundamentos da nossa indignação e consequente protesto relativamente à implementação da obrigatoriedade das inspeções às motos. Será entregue aos órgãos de comunicação social e na Assembleia da República a todos os grupos parlamentares. 

Apreciamos e agradecemos o entusiasmo de todos na defesa das causas que nos unem. É importante a participação de todos na manifestação. Não se desloquem apenas para o local de chegada. Marquem também presença no ponto de partida.

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Colecção NEXX Helmets 2022

“Era hora de imaginar uma vida mais leve e extrair o máximo de cada momento” afirma Hélder Loureiro. Assim, diz o CEO da NEXX, “a Colecção 2022 encontrou inspiração nos desejos de liberdade de um mundo pós-pandémico – fruto das severas quarentenas em que vivemos. A Colecção NEXX Helmets 2022 foi projectada para que os motociclistas possam usufruir ao máximo dos benefícios de um capacete – aquando da sua busca individual - seja uma maior conexão com a natureza, a descarga de adrenalina, o autoconhecimento ou o simples bem-estar.”.


Desenvolvida na íntegra pela X.DESIGN, a equipa de Design & Desenvolvimento da NEXX, a nova Colecção conta com um alinhamento de 73 modelos, dos quais 75% são em carbono ou fibra multi-compósita. 

Uma das grandes apostas para 2022 é precisamente a nova tecnologia de carbono X-PRO CARBON que oferece uma relação resistência / peso incomparável. Projectada para pilotos de elite ou para motociclistas conscientes da importância do peso, esta tecnologia de última geração combina conhecimento aeroespacial com a malha de carbono 3K para obter uma estratificação única que torna o casco mais leve, forte e confortável. Similar a uma teia de aranha, a nova fibra de carbono X-PRO CARBON com malha de carbono 3K é 10% mais leve do que as demais fibras de carbono, oferecendo maior rigidez e resistência máxima.

No Segmento SPORT – chega a novidade mais esperada do ano – o novo Integral Desportivo X.R3R, com um design impressionante e a mais recente tecnologia dos desportos motorizados e de alta competição. 


O novo X.R3R está preparado para as mais exigentes condições e emoções em pista. Um esforço considerável foi colocado na eficiência aerodinâmica do design da calota, viseira, spoilers e ventilações do X.R3R - com ZERO peso dinâmico a 160 km / h. O abrangente conceito de isolamento acústico do X.R3R incluiu um perfil de vedação em dupla borracha ao redor de toda a viseira. Apresentando um campo horizontal de 225º e um campo visual vertical de 85º, o campo de visão do X.R3R é indiscutivelmente, um dos maiores do mercado. 

O interior modular do XR3R é uma abordagem única tendo em vista o conforto e estabilidade em alta velocidade, permitindo o ajuste individual quer do topo quer das laterais, para um encaixe perfeito na maioria dos formatos e tamanhos de cabeça. Com o X.R3R, chega também uma nova era em termos de segurança – com a nova homologação ECE 22-06 que fornece novos testes, realizados em maior velocidade e com mais locais de impacto bem como requisitos adicionais para recursos como a rotação da precintas ou viseiras. Uma versão homologada FIM também está contemplada, preparada para as competições ao mais alto nível internacional, MotoGP incluído. 

No segmento ADVENTURE, surge uma das maiores novidades para 2022: a nova gama X.WRL. O novo X.WRL (Wild Rally) é um capacete projectado para a prática de Hard Enduro, extremamente leve e confortável e com uma impressionante ventilação. Este novo modelo apresenta características únicas que o tornam a escolha ideal para quem procura um capacete para incursões em terrenos mais técnicos e difíceis e uso de óculos off-road, apresentando um incrível peso de apenas 1250 gramas


A linha X.GARAGE também surge repleta de novidades para a próxima temporada – mantendo-se fiel à segurança e conforto contemporâneos e à estética revivalista e tonalidades características dos anos 60 e 70. O X.G20 oferece uma estética completamente renovada e já vem homologado segundo a nova norma ECE 22/06 apresentando as seguintes evoluções: um novo formato de calota, com aparência aprimorada e maior segurança, disponível em fibra de carbono ou fibra multi-compósita X-MATRIX2 e em dois tamanhos de calota; também traz consigo os novos óculos solares, mais longos e com accionamento na própria lente e por fim, um novo sistema de forro, totalmente amovível, lavável e mais ergonómico - para maior conforto e facilidade de limpeza. 

Outra das grandes novidades e inovações para 2022 é a novíssima viseira TRANSITIONS
– uma viseira preparada para todo o tipo de condições. As viseiras inteligentes de luz Transitions adaptam-se automaticamente à tonalidade ideal em qualquer condição de luz – mantendo-se claras à noite e fumadas quando expostas sob luz forte – proporcionando uma viagem segura e confortável, de noite ou a qualquer hora do dia. A viseira TRANSITIONS estará disponível como acessório opcional para as gamas X.VILIJORD, X.WED2, XWRL, X.R3R, X.VILITUR e X.WST2. 

Por último, novas cores e decorações para as gamas X.VILITUR, X.VILIBY, SX.100, SX.100R e SX.60 completam as muitas novidades que prometem alargar a comunidade de fãs da NEXX.

O novíssimo X.R3R estará disponível nas lojas a partir de Janeiro de 2022. Toda a restante Colecção 2022 já se encontra disponível e poderá ser consultada aqui (link) Notem que neste ESCAPE se cultivam valores como a transparência e honestidade. 


O que acabam agora de ler não é propriamente um post e sim um comunicado de imprensa, boletim de imprensa ou press release, como lhe quiserem chamar. Isto é uma comunicação feita por um indivíduo ou organização visando divulgar uma notícia ou um acontecimento (ao qual fiz o corte e costura que achei mais conveniente).

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Royal Enfield Himalayan 2021 à prova

Um dia fui à Argentina. Já lá vai mais de uma década. Talvez quinze anos. Aqui não há fundamentalismos. E numa pausa do motociclismo, despi o fato de viajante e vesti o de turista. Na Argentina perdi os óculos. Pisei o solo sagrado de La Bombonera – para quem não sabe é o estádio do Club Atlético Boca Juniors – e o gelo milenar do Perito Moreno - glaciar argentino que está situado entre os 47º e 51º de latitude sul. Da Argentina trouxe ainda um pouco de Tango, Patagónia e uns quilos a mais de tanto churrasco, “bife de chorizo e papas fritas”. Tudo isto sempre bem acompanhado por delicioso Malbec – a uva francesa que tão bem se dá a Sul e revela um tinto magnífico. E da Argentina trouxe sobretudo um sonho: Ruta Nacional 40. 

Foto: Gonçalo Fabião

A Ruta Nacional 40 é uma estrada que corre a eterna Argentina de sul a norte desde Cabo Virgenes na província de Santa Cruz até a fronteira com a Bolívia, tornando-se desta forma a mais extensa estrada Argentina. Mais ou menos paralela à Cordilheira dos Andes, inclui diversos troços em vinte Parques Nacionais. Durante os seus 5224 km chega a subir aos 4895 metros de altitude no passo de montanha denominado Abra del Acay, na província de Salta. 

Foto: Gonçalo Fabião

Desde que aquela estrada começou a ser construída, em 1935, já sofreu várias modificações no seu percurso. Ainda hoje cerca de 40 % do seu traçado não é asfaltado mas sim em “ripio”, uma espécie de cascalho que pode ser mais ou menos grosso, incluindo “los malditos 73”, um pedaço lendário pela sua dificuldade entre Três Lagos e Gobernador Gregores. 

AQUELA VELHA AMIGA
Mudando de assunto (ou nem tanto…, já lá iremos…) a Royal Enfield Himalayan é bem conhecida deste ESCAPE e foi amor à primeira “voltinha”. Deixem me recordar-vos que estou a falar disto (link) e disto (link): o notável confronto nas Linhas de Torres que o Rad Raven e este blogue fizeram no inicio de 2019. 

Foto: Gonçalo Fabião

Desse dia resultou este vídeo (link) que vai alegremente a caminho de umas incríveis duzentas mil visualizações, assumindo-se assim como o provável clip de cultura motociclista feito entre nós mais visto e aplaudido por essa Rede fora. Só lamento não termos conseguido dar continuidade a este inegável sucesso. 

Foto: Gonçalo Fabião

Mais tarde voltei a provar aqui (link) a simpática Himalayan, também para a compreender em circuito urbano. E fiquei a entender melhor as fortes palavras da marca quando defende ser esta “the only motorcycle you will ever need”. Honestamente…, estive quase a ficar com uma para mim. Trabalhá-la para a melhorar no desempenho fora de estrada, e fazer dela a minha trabalhadora para ir “ao campo”. Este projecto acabou adiado e, confesso, ainda bem. Quem muita moto toca, alguma terá de ficar para traz. Mas o bichinho Sherpa não mais me largou… 

SERÁ ESTA A MOTO MAIS COOL DO UNIVERSO?!?
Para este ano a Himalayan foi actualizada para a já conhecida norma Euro 5. Conta com novas cores e um peculiar sistema Tripper da Royal Enfield que auxilia na navegação curva-a-curva, integrado com a plataforma Google Maps podendo ser conectado com o telemóvel mediante a app da marca. São ainda novidades o ABS desconectável na roda traseira, bancos com maior dose de conforto e uma ligeira melhoria na proteção aerodinâmica. 

Foto: Gonçalo Fabião

A Himalayan, que para alguns se assume com a moto mais cool do universo, é uma jovem urbana aventureira suave e despretensiosa. Moto inclusiva, surge pronta para tudo e para todos. Temos mesmo dificuldade em encontrar moto tão abrangente. Procurada por um espectro tão alargado, que vai da jovem motociclista feminina inexperiente e cheia de gana, ao maduro e experiente motociclista que procura um momento “back to basics”. 

QUANDO ANALOGIA RIMA COM PRAZER 
Apenas como exemplo, este ESCAPE ouviu o Miguel Sala, motociclista que gosta de viajar pelos céus e por estrada em outras cilindradas maiores.

Foto: Gonçalo Fabião

Estou a gostar muito da Himalayan. E é fácil gostar-se dela! É uma moto que transpira simplicidade e vive à base de um conceito de engenharia maioritariamente analógico. Qualquer mecânico de beira de estrada ou "curioso da ferramenta", sabe mexer e solucionar eventuais necessidades - que até à data, nunca necessitei. Gosto do ar meio tosco e quase inacabado deste design. Gosto de presenciar conversas de "conhecedores" que ao passar a pé junto ao passeio, olham-na e garantem ser uma moto "antiga mas bem tratada... e pela matrícula mais recente, nota-se que a Royal Enfield foi importada". Gosto do som matraqueado de trator e típico de um monociclindrico. Do binário "grosso" e do som rouco nos caminhos fora de estrada. É uma moto que, não sendo excelente em nada, é muito aceitável em quase tudo e em quase todo o tipo de terreno. Tem um preço muitíssimo justo e competitivo. Tem pouca potência, pouca velocidade de ponta, pouco travão dianteiro mas tem uma enorme capacidade de rasgar sorrisos dentro do capacete em Estradas Nacionais e fora delas. Dá um gozo enorme fazer aqueles passeios tranquilos de evasão, sem horários, sem pressas. Tem carisma. Tem um painel de instrumentos (que mesmo com o seu problema típico de fazer às vezes condensação), não deixa de ser lindíssimo e prazeroso de olhar enquanto a pilotamos. Gosto do baixo consumo e da sua alargada autonomia. Estou a gostar da Himalayan, sim. Muito! Ainda só fiz pouco mais de 3.000km em menos de 3 meses e tenho, como sabes outras motos, mas até agora, não pestanejaria em voltar a comprá-la. 

Foto: Gonçalo Fabião

De recordar que a alma e coração se mantêm, ou seja um quadro de duplo berço que monta um motor de um cilindro só a oferecer 24Cv e 32nm. E eu adoro a coolness que esta Royal Enfield oferece assim que nos sentamos nela, colocamos a trabalhar e engatamos a primeira velocidade. Tudo é descomplicado, honesto mesmo. E rapidamente desejamos partir para o primeiro fora de estrada que encontramos junto da cidade

OS SONHOS PODEM SER HUMILDES 
A caminho do campo não devemos abusar Himalayan tentando extrair o que ela não oferece sob pena das naturais vibrações se fazerem sentir, da protecção aerodinâmica perder a sua eficácia e do consumo não nos fazer sorrir. Todavia se formos gentis com a nossa nepalesa, aquele passeio de fim de tarde à beira do oceano atlântico vai fazer-nos sonhar com outras paragens e latitudes. E sim. Se um dia partir para a argentina Ruta Nacional 40 é com uma destas que quero ir. Porque será suficiente, eficaz e, vejam lá, prazerosa. 

Foto: Gonçalo Fabião

Por uma destas Granite Black que solicitou pouco mais de três litro e meio do tal líquido inflamável, carregadinho de impostos, feito a partir do sumo do dinossauro, a marca reclama uns meros 4.495€, um valor soberbo por uma moto humilde e que ainda assim tanto nos pode oferecer.

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Honda Africa Twin e Africa Twin Adventure Sports actualizadas para 2022

Passadas mais de três décadas após a introdução da Honda Africa Twin na Europa, este nome continua a ser um sinónimo de história e aventura. Para 2022, a Africa Twin e a sua irmã de longas distâncias, a Africa Twin Adventure Sports foram ambas alvo de uma série de actualizações práticas, que incluem, entre outras, uma nova caixa DTC melhorada e um novo look que a marca pretende ainda mais elegante. 


Assim, para Para 2022, a Africa Twin e a Africa Twin Adventure Sports recebem um conjunto de actualizações que visam potencializar a sua funcionalidade do dia-a-dia. A CRF1100L Africa Twin possui agora, de série, um porta-bagagens traseiro em alumínio e a CRF1100L Africa Twin Adventure Sports tem um para-brisas com 5 níveis de regulação que melhora a visibilidade e não prejudica a protecção contra os elementos atmosféricos. 


A Honda já vendeu mais de 200 000 motos com DCT em toda a Europa, desde que o sistema viu a luz do dia na VRF1200F de 2009. Sendo este é um testemunho sua enorme aceitação no mercado das motos. Assim s novas definições da caixa DCT oferecem agora maior suavidade nas primeiras duas mudanças, nos arranques e a baixa velocidade. 


Para completar as actualizações de 2022, ambos os modelos recebem cores novas e elegantes e também novos gráficos. A CRF1100L Africa Twin Adventure Sports tem gráficos novos "Cracked Terrain" e a CRF1100L Africa Twin apresenta um novo design "Big Logo’", com esquemas cromáticos revistos e tampas das malas laterais em alumínio e um sub-quadro pintado de encarnado. 


Notem que neste ESCAPE se cultivam valores como a transparência e honestidade. O que acabam agora de ler não é propriamente um post e sim um comunicado de imprensa, boletim de imprensa ou press release, como lhe quiserem chamar. Isto é uma comunicação feita por um indivíduo ou organização visando divulgar uma notícia ou um acontecimento (ao qual fiz o corte e costura que achei mais conveniente).

domingo, 22 de agosto de 2021

Tertúlia do ESCAPE no Góis Moto Village 2021

O Góis Moto Village 2021 deixou uma marca importante neste agosto que agora ameaça partir. Com o objetivo de comemorar a notável concentração de Góis, o Moto Village festejou e ainda festeja a cultura motociclista. 

O ESCAPE e a sua Tertúlia tiveram a honra de dar ao kick start do evento inédito, numa tertúlia ao ar livre à beira do rio Ceira. Num momento – passado dia 31 de Julho – em que existia ainda muita timidez face à situação sanitária que todos conhecem, contamos com umas largas dezenas de tertulianos, alguns que viajaram mesmo da Grande Lisboa de propósito, e passamos um fim de tarde fantástico a discutir motociclismo, viagens e comunicação. 

Após esse momento mais formal, digamos, a noite prosseguiu entre jantar e copo à beira rio. Pessoalmente, foi excelente ter por ali dois fotógrafos de excelência: por um lado o Manuel Portugal - também ele já protagonista no passado na tertúlia (link) - com que é sempre um prazer concordar em discordar e, por outro, o Tiago Miranda cuja exposição Ponto de Fuga inauguramos informalmente no dia seguinte. 

Espreitava o trabalho do Tiago no jornal Expresso e foi muito bom conhecer alguém verdadeiramente fora da bolha da cultura motociclista que se aventurou silenciosamente durante anos a fazer arte partindo de motociclistas. Notem que a exposição do Tiago ainda está patente até ao fim do mês na Casa da Cultura de Góis e merece a vossa atenção.

O Moto Village 2021 tem animado a vila de Góis durante este mês de agosto

Pelo Góis Moto Village 2021, para além de outras iniciativas, passou ainda o Rad Raven que aproveitou a ocasião par divulgar o seu excelente trabalho. A Tertúlia, já sabem, não é dada a transmissões on-line pois o seu propósito é precisamente que nos encontremos pessoalmente. Mas o Rad decidiu e muito bem fazer um direto com a sua comunicação que podem rever aqui (link). 

A Tertúlia do Escape é isto mesmo que fomos fazer a Góis: partilha, paixão, viagem e emoção. Obrigado a todos. Repito, foi uma honra lançar o Góis Moto Village 2021. A Tertúlia espera regressar em breve.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Tertúlia do ESCAPE em Góis

Terminou a longa espera. A notável Tertúlia do ESCAPE está de volta. E logo em Góis, uma das catedrais do motociclismo e do mototurismo em Portugal. Que maravilha. Este blogue não podia estar mais orgulhoso! 

Esta décima quinta edição da Tertúlia surge a convite do Góis Moto Clube e está inserida no Góis Moto Village

Este será um evento que decorrerá durante todo o mês de Agosto e pretende comemorar e assinalar a concentração de Góis, oferecendo assim um tributo à cultura motociclista. A célebre concentração não terá lugar este ano, todavia é preciso “não baixar os braços e reinventar-se, criando um novo conceito de complemento ao certame”, sublinha o Góis Moto Clube. 

Para além da Tertúlia do ESCAPE, o início das actividades está pois previsto já para o primeiro fim-de-semana de Agosto, com a exposição de fotografia Ponto de Fuga, de Tiago Miranda e textos de Ricardo Marques. 

Esta mostra pretende revelar a diversidade do imaginário motociclístico de Portugal. Além da exposição, durante o mês de Agosto, o Góis Moto Village que é ainda “dedicado aos filmes, destinados aos amantes das duas rodas e do cinema”, vai “reunir construtores e customizadores de motos, pilotos, artistas, realizadores e actores, que são protagonistas de filmes cuja temática é o universo motociclista”.

No programa de actividades, “estão ainda previstas conferências sobre diversos assuntos de interesse aos apaixonados pelas duas rodas e por Góis” como ‘workshops’ de segurança rodoviária e exposições de motos e de fotografia, em locais simbólicos da vila. E no dia 13 de agosto, será “assinado um protocolo de geminação entre o Clube Motard de Chaves, o Góis Moto Clube e o Moto Clube de Faro, com o objetivo de criar relações que permitam estabelecer laços de cooperação com o mote da EN2” (Estrada Nacional 2). 


Quanto à Tertúlia do ESCAPE, convém desde já recordar que Tertúlia é, na sua essência, uma reunião de amigos, familiares ou simplesmente frequentadores de um local, que se juntam de forma mais ou menos regular, para discutir vários temas e assuntos. Nas Tertúlias do Escape pretende-se discutir motos, motociclismo e viagens. À maneira antiga. Longe dos teclados, cara a cara e com uma cafezada por companhia. 

E é tão simplesmente isto mesmo que vamos fazer já no próximo sábado, 31 de Julho, pelas 18 horas, no parque do cerejal em Góis. Ao ar livre e com a aragem fresca do Rio Ceira por companhia: discutir motociclismo, viagens e comunicação.

sexta-feira, 23 de julho de 2021

Será esta a primeira praia motociclista em Portugal?

Confesso. É um sonho antigo. Para quem ama motos e praia de igual forma, não haveria nada melhor do que uma praia onde o motociclismo fosse Rei. Será esta? Será agora? 

Mas deixem-me iniciar este texto de forma diversa, começando não com uma declaração de interesses mas sim com uma declaração de desinteresses. Não tenho, enquanto autor deste blogue, qualquer motivação política. Ou seja, para que fique bem claro, o ESCAPE, é totalmente apolítico. Ficou mesmo claro? Espero que sim! Escrito isto, deixem-me elogiar Setúbal e os seus responsáveis políticos, por favor. 


Ao contrário de Lisboa, onde vivo, local onde o motociclismo e os motociclistas são desconsiderados pelos loucos econtontos que nos administram, Setúbal tem marcado pontos com uma política de mobilidade racional, onde o uso do motociclo enquanto alternativa ecológica é alvo de discriminação positiva.

Em Lisboa, local onde vivo, sublinho, as faixas de rodagem têm vindo a ser reduzidas na sua largura quando não totalmente obliteradas, provocando dificuldade na circulação e até o caos nalgumas artérias fundamentais, como é o caso do crime que foi levado a cabo na Avenida Almirante Reis – nem ambulâncias e outros veículos de socorro passam. 

Já em Setúbal, desse 2018, os únicos veículos motorizados que livremente durante o verão podem aceder às melhores praias da Arrábida - por alguns considerados as melhores da Europa - são os motociclos. Parece impossível, não é? Mas é verdade. As melhores praias da Europa estão mesmo em modo “motorcycle only”. 

E agora Setúbal foi mais longe. As queixas no que toca à segurança das motos parqueadas junto das praias da região, pode mesmo ter encontrado um fim. Tudo por culpa deste parque de estacionamento, literalmente na praia, onde as motos ficam ao alcance do olhar, e se nos distraímos está por ali um segurança que pode ser útil. Alí cabem seguramente, pelo menos, umas cinquenta motos. 

É de aproveitar este raro sintoma de racionalidade dos nossos políticos. O Portinho da Arrábida, mais concretamente a Praia do Creiro, pode assim ser a primeira praia motociclista em Portugal. Usem-na com educação e respeito. Não tirando nada e deixando apenas as vossas pegadas. Obrigado!! 

Aqui no ESCAPE não somos ingénuos e sabemos que estamos em tempo de eleições autárquicas, já no fim de Setembro. Sabemos que a responsável autárquica de Setúbal concorre agora a Almada, aqui junto a Lisboa. E honestamente, que vença e continue o bom trabalho em prole dos interessa dos motociclistas e do motociclismo, a única coisa que interessa politicamente a este blogue.

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Suzuki GSX 1300R Hayabusa à prova

“Então Pedro, gostaste do falcão peregrino?”. 

Eh pah, oh Zé…, faz nos um favor. Cala-te lá com a lengalenga do “falcão peregrino” da “casa de Hamamatsu”. Para onde quer nos viremos, é sempre a mesma cantiga. Até parece que me estás a perguntar qual é o melhor local no Algarve para comer “frangos da Guia”. E se julgas, Zé, que a nova Hayabusa é uma moto perfeita só porque é a forma mais barata de chegar dos zero aos trezentos km/h, estás muito enganado…

Foto: Gonçalo Fabião

A LENDA VIVE 
31 de Dezembro de 2018. Choque e espanto. A Suzuki GSX 1300R Hayabusa deixava de ser comercializada na Europa. Os ecotontos não poupam nada nem ninguém. E a entrada em vigor da norma Euro 4 em 2016 - havia uma espécie de moratória de dois anos para os modelos já em comercialização - obrigou a Suzuki a colocar um ponto final ao reinado da Hayabusa naquela data. 

Foto: Gonçalo Fabião

Apesar de para alguns se apresentar mais feia do que um besugo com três dias de praça, a Suzuki GSX 1300 R Hayabusa tinha sido a primeira mota de produção na história a superar a lendária barreira dos 300 km/h. Na verdade, superar os 300 km/h exigiu não só um esforço para apresentar um motor potente e uma ciclística à prova de bala, mas também uma aerodinâmica absolutamente competente. A engenharia da Suzuki defendeu-se quanto ao aspecto de peixe fedorento: “é uma moto esculpida pelo vento”. 

HYPER SPORT TOURER? 
Certo é que a Hayabusa recolheu uma enorme legião de fãs. Foram quase duas centenas de milhar de unidades fabricadas e vendidas por esse mundo fora desde 1999 – e não desde 1994 como erradamente referi no “live” que fiz na pagina de facebook deste blogue (link). Há mesmo muitos fãs do modelo com duas na garagem. Uma da original classe de 99 e outra da classe de 2008 (redesenho e introdução de ABS). Agora podem adicionar-lhes a classe de 2021: uma terceira geração da Hayabusa que se equipa com as mais recentes inovações tecnológicas no sentido de oferecer uma moto contemporânea, com substanciais doses de controlo, conforto, segurança e confiança. A derradeira Hyper Sport, diz-se. 

Foto: Gonçalo Fabião

Hyper quê? Pois…, aqui este vosso ESCAPE, partilha da opinião daqueles que colocam esta moto no enorme saco das sport-turismo e não no segmento das híper-mega-ulta-coiso-desportivas. E é a realidade que assim o exige. Há quem atravesse o continente europeu de Hayabusa. Não é que tal não seja possível de super-desportiva. Mas a forma como uma boa parte dos seus proprietários dá uso à GSX 1300R leva-nos a considerá-la uma verdadeira sport-tourer. Ainda que…, no limite da matriz, obviamente do lado das desportivas e não das turísticas. 

REFINADA 
A novíssima Suzuki GSX 1300R Hayabusa monta um renovado tetracilindrico de 1340cc capaz de fazer girar o centro da terra (150Nm, 190 cv), num novo quadro de dupla trave em alumínio. A electrónica é rainha e, entre outros mimos, contem com o sistema inteligente de condução Suzuki denominado Suzuki Intelligent Ride System (S.I.R.S.) que oferece o selector de modo de condução ALPHA (SDMS-α) com três modos de fábrica (A-Ativo B-Básico C-Conforto) e mais 3 modos totalmente parametrizáveis. Contem também com sistema de controlo de tração (10 modos mais o modo OFF), mapas de potência (3 modos), quick shift bidireccional (2 modos mais OFF), controlo de elevação da roda frontal (10 modos mais OFF) e ainda o sistema de controlo de travagem de motor (3 modos mais OFF). Uffffff…. 


O primeiro contacto com esta terceira geração da icónica “Busa” é revelador. A moto é encorpada, musculada, imponente, soberba e avassaladora. E se calhar mais coisas ainda que não me estou a recordar agora. Tocar, sentir, cheirar, sentar…, despertar os sentidos, colocar a trabalhar e soltar lentamente a embraiagem para sentir pela primeira vez esta lenda viva do motociclismo é daquelas sensações que nos ficam na memória…, “uma Hayabusa, mãe, é uma Hayabusa”…, estou a conduzir uma Hayabusa. É mesmo verdade! 

Foto: Gonçalo Fabião

Só que…, rapidamente o tráfego urbano e suburbano conduz-nos ao pragmatismo da realidade. A moto é comprida e tem peso substancial, apesar de distribuído de forma perfeita (50/50) pela unidade. O excesso de latas nas vias rápidas da capital pede de imediato para refrearmos os desejos e optar pelo modo de condução C (conforto), onde a besta fica dócil e dominada; ou por outras palavras o míssil passa a contar com boas maneiras. Já a posição de condução, bem, enfim…, apesar de ter sido optimizada nesta nova geração em função do conforto, continua a exigir disponibilidade física por parte do condutor – nem podia ser de outra maneira… 

A DERRADEIRA
A nova Suzuki GSX 1300R Hayabusa marca a paisagem. E no par de dias em que com ela rodei chamou a atenção de tudo e de todos, atraindo ainda alguns idiotas úteis sempre dispostos a um momento de putativa afirmação: a eles a Busa apenas deve responder com insolente desprezo, rumo à estrada o mais aberta possível.

Foto: Gonçalo Fabião

É pois ai, nos grandes espaços, que esta moto encontra o seu natural habitat e demonstra toda a sua qualidade de referência incontornável: motor sublime suportado por uma ciclística inatacável tudo sustentado por travagem e suspensões que só dignificam a obra de arte nipónica. 

Sim! A GSX 1300R Hayabusa é para motocilistas experientes, corajosos e hedonistas. Jovens o suficiente e aptos fisicamente para suportarem o desafio de uma longa tirada por essas estradas fora lá até onde a conta bancária possa pagar o consumo de combustível, que se revelou nesta prova um pouco abaixo do anunciado pela fábrica - sorvendo apenas pouco mais de seis litros, daquele liquido inflamável composto em mais de dois terços por aquela inevitabilidade pornográfica a que chamam de impostos.

Foto: Gonçalo Fabião

A lenda está de facto de volta. Solicitando a marca uma transferência bancária de 19.800€ para que possam ter esta jóia Glass Sparkle Black/Candy Burnt Gold convosco. É de aproveitar seus “petrolheads” amamentes da velocidade. Pois esta - devido à loucura dos ecotontos que está, como um vírus mortal, a infectar a vida tal como a conhecemos - é muito provavelmente a derradeira Hayabusa. No verdadeiro sentido da palavra: de-rra-dei-ra!

segunda-feira, 12 de julho de 2021

SYM MAXSYM 400 à prova

Máximo. Enorme. Que é o maior de todos. Há nomes felizes. E se o nome da marca já exprime em português afirmação e consentimento, o nome da moto aponta para o mais alto grau possível. Verdade ou consequência? 

Foto: Gonçalo Fabião

A nova SYM MAXSYM 400 ABS EURO5 começa desde logo por ser um belo exercício de estética. Ainda parada, a moto da marca de Taiwan já seduz pelas linhas contemporâneas e envolventes. O generoso ecrã que nos protege dos elementos pode ser ajustado em duas posições de forma manual, o que virá a revelar-se muito útil quando abandonamos a cidade rumo aos subúrbios ou a um qualquer passeio para ver o mar. Na verdade esta MAXSYM 400 ambiciona ser isso mesmo; uma scooter versátil que responda afirmativamente ao prazer na sua utilização diária

FOCO NA SOLUÇÃO
Tecnologicamente avançada, esta SYM monta no seu novo quadro – cerca de 20% mais leve que no modelo anterior – um cilindro único arrefecido a líquido (399cc, 40Nm, 34cv). Outros destaques vão para a travagem de disco duplo na roda dianteira bem como a suspensão traseira ajustável em cinco posições. 

Foto: Gonçalo Fabião

Contem ainda com controlo de tração, iluminação totalmente em LED e o prático sistema de ignição sem necessidade de introdução da chave de que este ESCAPE está cada vez mais fã, devido à facilidade de utilização que oferece no dia-a-dia. Apenas mais uma nota curiosa para o accionamento automático de um travão de estacionamento quando colocamos a moto no descanso lateral: uma maravilha. 

Foto: Gonçalo Fabião

Mas afinal ao que sabe esta scooter que se direcciona ao topo? A habitabilidade é desde logo um ponto que se sente e destaca. Tudo está bem dimensionado e há espaço correto para o corpo. Apenas lamentamos que a protecção contra os elementos não seja ainda melhor e a informação fornecida pelo espartano painel de instrumentos não seja mais completa e de eficaz. 

Foto: Gonçalo Fabião

COMPORTAMENTO E EQUILÍBRIO DE REFERÊNCIA 
O melhor desta MAXSYM 400 é mesmo o que interessa numa moto desta natureza, isto é, a sua dinâmica e comportamento. Na cidade o equilíbrio é tão grande que ficamos com a sensação que podíamos levar esta moto para aquele grupo de amigos que gosta de fazer a tradicional “corrida dos lentos”. Provavelmente sairíamos vencedores tal a subtileza do arranque e a agilidade a baixa velocidade para contornar os obstáculos citadinos. 

Foto: Gonçalo Fabião

Destaque ainda para um motor vivo e agradável que cumpre plenamente com os objectivos de uma moto deste segmento: transportar o seu proprietário do ponto A para o ponto B em agilidade e segurança. A potência e binários surgem sempre disponíveis, fazendo o condutor escapar daquelas sempre complicadas situações de trânsito citadinas, onde por vezes nos colocamos ou nos coloca o simples fluir do tráfego. 

Foto: Gonçalo Fabião

Tomem nota à entrada nas vias rápidas: se forem entusiastas do modo “enrolar o punho” subitamente vão cruzar velocidades para lá do limite legal. É que a SYM MAXSYM 400 pode chegar num sopro a velocidades proibidíssimas. Considerem-se alertados! 

DETALHES QUE CONTAM 
Uma última nota muito positiva para a natural capacidade de carga desta simpática scooter. Para além de dois “porta-trecos” na secção frontal - como simpaticamente se diz do lado de lá do atlântico - o banco que abre a cerca de 45 graus, permitindo assim um correto acesso ao “porta-bagagens”, oferece um baú de generosas dimensões. São quase cinquenta litros onde cabe muita tralha, ou em opção dois capacetes integrais e mais alguns itens como um fato de chuva ou um leve e útil blusão de verão que nos proteja nos dias mais quentes. 

Foto: Gonçalo Fabião

Esta cinzenta mas simpática MAXSYM 400 solicitou pouco mais de três litros e meio daquele oiro líquido inflamável - cujo preço é inflacionado por dois terços de impostos que serve para alimentar os gastos faraónicos de um Estado desmiolado e descontrolado – por cem quilómetros de agradável vida urbana e suburbana. Notem que o depósito oferece uma capacidade de treze litros, limitando assim o tempo perdido em idas ao abastecimento. A marca solicita uma transferência bancária de 7.000€ para que a vossa garagem fique mais rica.
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