quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Com quem irias de moto numa volta até Belém?

Falar de Presidenciais é quase sempre um exercício sisudo, carregado de solenidade e frases engomadas. Mas a estrada ensina-nos outra coisa: o carácter de uma pessoa revela-se mais depressa numa curva mal calculada do que num discurso bem ensaiado. Por isso, deixemos os palcos, os debates televisivos e os cartazes sorridentes. A pergunta é outra, bem mais simples — e talvez mais reveladora: com qual destes candidatos irias dar uma volta de mota? 


E já agora: se cada um tivesse uma moto, que moto seria? Não para decidir votos. Apenas para perceber quem inspira confiança quando o asfalto aperta, quem sabe ouvir o motor… e quem convém levar sempre à distância de segurança. 

Henrique Gouveia e Melo 
Ir de moto com Gouveia e Melo seria um exercício de planeamento quase militar. A rota estaria definida, o ponto de encontro cumprido ao minuto e o regresso previsto antes do pôr-do-sol. Nada de improvisos inúteis. Vejo-o claramente aos comandos de uma BMW R 1250 GS Adventure: grande, imponente, feita para missões longas e para transmitir autoridade mesmo parada. Não é a moto mais emotiva, mas é eficaz, segura e transmite controlo. Um passeio com ele seria fluido, disciplinado e… previsível. Para uns, aborrecido. Para outros, tranquilizador. 

Luís Marques Mendes
Com Marques Mendes a volta seria pausada, cheia de conversa e observação. Não ia acelerar sem razão nem escolher atalhos duvidosos. Preferia uma estrada nacional bem asfaltada, com tempo para comentar o estado do país e o estado do piso. A mota só podia ser uma Honda CB1100, bem construída, sem excessos, mais preocupada com equilíbrio do que com emoções fortes. Um passeio educado, civilizado, sem sobressaltos — talvez até demasiado correto para quem gosta de alguma irreverência. 

António José Seguro 
Seguro não ia para a estrada para se impor, mas para acompanhar. O ritmo seria ditado pelo grupo, não pelo ego. Parava facilmente para falar com alguém, para beber um café numa aldeia esquecida ou simplesmente para apreciar a paisagem. A sua moto seria uma Royal Enfield Himalayan, honesta, despretensiosa e mais focada na experiência do caminho do que no destino. Um passeio humano, próximo, empático — sem grandes picos de adrenalina, mas com sensação de comunidade. 

João Cotrim de Figueiredo 
Cotrim de Figueiredo é aquele que, a meio do passeio, decide mudar de rota só porque pode. Não gosta de demasiadas regras, prefere estradas abertas e escolhas individuais. A mota certa seria uma KTM 890 Duke: leve, nervosa, directa, feita para quem gosta de decidir em cima do momento. Um passeio com ele seria estimulante, rápido q.b., com desvios inesperados e a sensação constante de liberdade — mas exigia atenção e alguma confiança mútua. 

André Ventura
Ir de moto com Ventura não seria discreto. Havia ritmo imposto, presença forte e pouca margem para ambiguidades. A mota encaixa nisso: uma Ducati Monster, agressiva no desenho, sonora na atitude, feita para marcar território. O passeio seria intenso, possivelmente cansativo, sempre em modo afirmação. Não necessariamente perigoso… mas pouco relaxante. Aqui, mais do que a estrada, o desafio seria gerir a convivência.

Manuel João Vieira 
Com Manuel João Vieira nunca se sabe bem o que vai acontecer — e isso tanto pode ser libertador como um problema sério. O passeio podia transformar-se numa performance, numa história improvável ou numa sucessão de episódios absurdos. Vejo-o numa Harley-Davidson Sportster, mais atitude do que lógica, mais rock do que manual de instruções. Divertido? Sem dúvida. Aconselhável? Só para quem aceita o caos como parte do percurso.


Catarina Martins 
Catarina escolheria cuidadosamente o percurso, evitando excessos, ruído desnecessário e impactos gratuitos. A mota seria uma Zero SR/S, eléctrica, silenciosa e tecnologicamente avançada. Um passeio com ela seria tranquilo, reflexivo, com espaço para conversar e observar. Não seria sobre velocidade nem sobre afirmação pessoal, mas sobre coerência entre discurso e prática. Pode não entusiasmar os mais puristas, mas tem uma lógica própria difícil de ignorar. 

Humberto Raimundo Joaquim Correia 
Figura mais reservada, imagino-o como alguém que prefere observar a estrada em silêncio. Nada de grandes discursos nem de exibições. A mota faria o mesmo: uma Yamaha XSR700, equilibrada, com estética clássica e comportamento previsível. Um passeio discreto, sem ruído político nem acelerações gratuitas. Para quem valoriza introspeção e constância, poderia ser uma boa companhia. 

António Filipe
Com António Filipe o passeio teria sempre uma camada ideológica. Cada paragem podia dar origem a uma conversa sobre história, direitos, memória colectiva. A mota seria uma Moto Guzzi V7, cheia de carácter, tradição e personalidade própria. Não é a mais rápida nem a mais moderna, mas tem identidade. Um passeio sólido, com peso histórico e ritmo constante, mais interessado no significado do caminho do que na velocidade. 

André Pestana da Silva 
Aqui, o cuidado é outro. Pestana não é neutro nem previsível: é um radical de esquerda assumido, com uma visão muito própria do mundo e pouca tolerância para desvios ideológicos. Num passeio de mota, isso traduzir-se-ia numa escolha menos óbvia e potencialmente instável. Vejo-o numa Husqvarna 701 Enduro: leve, agressiva, capaz de sair do alcatrão a qualquer momento e entrar por trilhos inesperados. Um passeio exigente, imprevisível, onde convém manter distância e atenção constante. Não é para relaxar — é para sobreviver à mudança súbita de direcção. 

Eduardo Jorge Costa Pinto 
Eduardo Pinto parece alguém interessado em caminhos alternativos, menos óbvios. Não seguiria necessariamente a estrada principal, preferindo descobrir desvios e paisagens fora do radar. A mota encaixa nisso: uma Suzuki V-Strom 650, versátil, confortável, pronta para tudo sem grandes dramas. Um passeio honesto, curioso, com espaço para descoberta e alguma surpresa — sem radicalismos, mas também sem rotina. 

No fim, a pergunta fica no ar, como deve ficar: com qual destes candidatos confiavas o teu ritmo, a tua trajetória e a curva seguinte? Porque votar é importante, mas escolher companhia para a estrada… também diz muito sobre quem somos.

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