Há nomes que dispensam apresentações. A Harley-Davidson é um deles. Símbolo maior da cultura motociclista norte-americana, ícone de liberdade e rebeldia sobre duas rodas, guardiã de uma herança que moldou gerações inteiras. Durante mais de um século, a marca de Milwaukee foi sinónimo de cruisers, choppers, motores V-Twin e estradas intermináveis que se confundem com o próprio sonho americano. Mas a história nunca se escreve apenas olhando para trás. A Harley, no século XXI, ousou atravessar fronteiras que pareciam inquebráveis, lançando-se num território até então dominado por europeias e japonesas: o segmento adventure.
Assim nasceu a Harley-Davidson Pan America 1250, e na sua versão mais evoluída — a ST — surge como a expressão máxima desta aposta. Uma moto que não apenas responde, mas desafia os rivais estabelecidos, mostrando que até um ícone pode reinventar-se sem perder identidade.
ESTÉTICA E PRESENÇA
A Harley-Davidson Pan America 1250 ST não se esconde. É volumosa, imponente, quase intimidante à primeira vista. O farol dianteiro horizontal, quase futurista, rompe com a tradição Harley e dá-lhe uma assinatura inconfundível. O depósito musculado, a carenagem frontal robusta e as linhas geométricas conferem-lhe uma aura de veículo utilitário de luxo, um cruzamento entre robustez militar e sofisticação tecnológica.
Há quem diga que a Pan America 1250ST é feia. Que não tem o charme clássico das Harley de sempre, nem o apelo musculado das europeias do costume. Mas o que é, afinal, ser feio? E o que é ser bonito? Desde Platão que andamos nisto — a tentar definir a beleza, como se fosse uma medida universal. Só que o belo é um espelho, e cada um vê-se nele à sua maneira.
A estética é um código cultural, uma construção do olhar e do tempo. Aquilo que ontem nos parecia estranho, hoje é ícone; o que um chama disforme, outro chama ousado. As formas que desafiam o gosto estabelecido têm o poder de nos tirar da rotina visual, de nos obrigar a pensar. E é isso que tantas vezes assusta — o novo, o diferente, o que não cabe nos moldes.
Pessoalmente, eu gosto da Pan America. Gosto precisamente porque destrói convenções. Porque não tenta ser simpática. Porque é feita de decisões audaciosas, de ângulos que parecem gritar: “isto é Harley, mas não é o que esperavas”. A história do motociclismo — e a história dos motores — é feita disso mesmo: de máquinas que rasgaram caminhos, quebraram regras e desafiaram o gosto comum. É assim que o mundo avança — entre o feio que se torna belo e o belo que, com o tempo, se gasta.
Na traseira, a funcionalidade prevalece: subchassis preparado para malas, iluminação LED compacta, escape elevado e postura de máquina pronta para enfrentar autoestradas infinitas. É uma Harley, sim, mas vestida para conquistar o mundo inteiro.
QUALIDADE DE TOPO
No coração da Pan America 1250 ST pulsa o Revolution Max 1250T, um V-Twin a 60 graus, refrigerado a líquido, com 1.252 cc, que debita perto de 150 cavalos de potência e 128 Nm de binário, acoplado a uma caixa de seis velocidades com embraiagem assistida e deslizante. O conjunto estrutural integra o próprio motor como elemento do quadro, reduzindo peso e aumentando a rigidez.
A suspensão rebaixada recoloca o centro de gravidade e elimina a altura ao solo desnecessária para uma performance brilhante. As forquilhas SHOWA Balance Free de 47mm e o monoshock SHOWA Balance Free apresentam pré-carga ajustável eletronicamente e compressão e recuperação ajustáveis manualmente. A travagem está a cargo de pinças Brembo radiais monobloco a morder duplos discos dianteiros, complementados por um disco traseiro, sempre com ABS em curva.
Com jante dianteira e traseira de 17”, calça pneus preparados unicamente para estrada. O depósito de 21 litros permite autonomias em redor dos 350 quilómetros, enquanto o peso ronda os 258 quilos em ordem de marcha.
No capítulo eletrónico, a Pan America ST é um verdadeiro laboratório: oferece vários modos de condução (Road, Rain, Sport, Off-Road e personalizáveis), controlo de tração e ABS sensíveis ao ângulo de inclinação, cruise control, quickshifter e um ecrã TFT táctil de 6,8 polegadas, com conectividade e navegação integrada.
A PAN AMERICA NO PANORAMA ATUAL
O segmento adventure é hoje o campo de batalha mais feroz do motociclismo mundial. Da BMW R 1300 GS à Ducati Multistrada V4, da KTM 1290 Super Adventure à Triumph Tiger 1200, todos lutam por conquistar viajantes globais, exploradores de estradas e trilhos.
A Pan America 1250 ST entra nesta arena sem pedir licença apesar de apena sreclamra asfalto para lamber. Não pretende ser uma cópia, mas uma alternativa com ADN Harley. Oferece potência ao nível das melhores, tecnologia de ponta comparável ou superior em alguns aspetos, e sobretudo, algo que nenhuma rival pode oferecer: a aura de Milwaukee, o peso de um nome que carrega mais de cem anos de mitologia.
É uma moto que abre portas a novos públicos — aventureiros que talvez nunca tenham considerado uma Harley — ao mesmo tempo que mostra aos puristas que a marca não se limita a repetir fórmulas.
ESTA MOTO É IDEAL PARA TI?
Há quem diga que não há motos perfeitas — e eu subscrevo. Mas há máquinas que se aproximam perigosamente dessa ideia, mesmo que o façam à sua maneira, e a Pan America 1250ST é uma delas. Gostei de muitas coisas nela, e gostei delas com a intensidade de quem reconhece quando uma moto foi feita com propósito. O banco, por exemplo — cavado, profundo, quase um baquet que nos abraça como se soubesse que precisamos de apoio e firmeza. É fácil, quase natural, chegar com ambos os pés ao chão, e isso, numa moto desta dimensão, é uma bênção.
Mas nem tudo é épico. O passageiro viaja bastante mais alto, o que eleva o centro de gravidade e se faz sentir nas curvas mais encadeadas, especialmente quando passamos de uma para a outra curva rapidamente. Há também uma certa confusão de cablagens no lado esquerdo do motor, e em dias de calor sentimos o ar quente a bater na perna esquerda. Pequenas coisas, sim, mas que revelam que esta ST parece ter sido pensada, antes de mais, para quem viaja sozinho. E quando é assim, quando rodamos a solo, é que ela se revela por completo — bruta, musculada, com um vigor quase animal.
O que mais me encantou foi a sua personalidade. É uma Harley-Davidson que respira por si, que desafia convenções, que vive fora da norma. Tem músculo, tem presença, tem carácter. A eletrónica é de uma precisão quase cirúrgica — permite-nos travar mais tarde, entrar mais fundo, acelerar mais cedo, e isso é raro numa moto deste calibre. Não foram poucas as vezes em que pensei que esta Pan America ficaria bem num circuito. Imaginem só. Ela é, acima de tudo, uma moto que atira o condutor para fora da zona de conforto, que o obriga a sentir, a reagir, a dominar — e é precisamente por isso que eu gosto tanto dela.
A Harley-Davidson Pan America 1250 ST destina-se sobretudo a motociclistas que procuram desempenho em estrada, sem nunca sair do asfalto. É ideal para quem percorre autoestradas, estradas nacionais e secundárias com curvas e relevo variável, oferecendo estabilidade, tecnologia e presença marcante.
UM PONTO DE EXCLAMAÇÃO
A ST está apta para viagens de média e longa distância, deslocações diárias ou escapadas de fim de semana, oferecendo conforto, segurança e uma performance consistente. Quem procura aventura fora de estrada deverá optar por outro modelo, e quem deseja curvas rápidas, estradas sinuosas e viagens longas com estabilidade e tecnologia de topo, encontrará nesta moto uma companheira ideal.
A Harley-Davidson Pan America 1250 ST é mais do que uma moto. É uma declaração de intenções. Prova que a Harley pode ser aventureira, tecnológica e competitiva sem perder alma. Prova que tradição e inovação não são inimigas, mas sim duas rodas da mesma viagem. Sorveu cerca de cinco litros e meio de liquido inflamável por cem quilómetros de audácia e a marca solícita uma transferência bancária de ecrca de 21.000€ para que a levem rumo à “infinita higway”
Raterómetro ******** (8/10)












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