segunda-feira, 25 de maio de 2020

Do que falamos quando falamos na Indian Motorcycle


1887. George M. Hendee funda uma empresa de fabrico de bicicletas com o nome de Hendee Manufacturing Company. As bicicletas levavam nomes que se queriam emblemáticos como Silver King, Silver Queen e American Indian. Esta última acabaria mesmo por dar o nome à companhia. 

No inicio do século XX Hendee contratou Oscar Hedstrom para construir motociclos a gasolina. Em 1901 é inaugurada a primeira fábrica da empresa, no centro de Springfield, Massachusetts. A primeira moto da Indian Motorcycle foi vendida ao público em 1902 e mais tarde, nesse mesmo ano, uma Indian vencia a prova de resistência que ligava Boston a Nova Iorque - na sua estreia absoluta em competição. 

Já depois de em 1906 ter nascido a primeira moto de competição de fábrica com motor bicilindrico em V, a década de 1910 foi rica em inovação e avanços tecnológicos para Indian Motorcycle: forquilha dianteira com mola, bomba de óleo automática, caixa de transmissão de duas velocidades, plataformas para colocação dos pés, manivela de arranque, braço oscilante como sistema de suspensão, sistema de arranque elétrico, luzes elétricas e o lendário motor de 1000cc powerplus, surgem como farol tecnológico. 

Em 1911 a Indian consegue a proeza de vencer o Sénior TT na Ilha de Man por Oliver Godfrey com uma média de 76,7 km/h. Com uma equipa de fábrica a Indian arrebata mesmo os três lugares do pódio.

Em 1916, o co-fundador George Hendee renunciou ao cargo de presidente da empresa. Em 1917 os Estados Unidos da América entram na Primeira Guerra Mundial. Grande parte do labor da Indian passa a ser no sentido do esforço de guerra. Em 1920, foi apresentada a primeira Indian Scout. À Scout seguiu-se a Chief (1922), a "best-seller" Big Chief (1923), a Prince (1925) e após a compra da empresa Ace Motor Company, a Ace (1927). 

Foi apenas em 1923 que a empresa alterou o seu nome de The Handee Manufacturing Company para The Indian Motocycle Company. No início da década de 1930, a queda da economia retraiu a venda de motos. Ainda assim a empresa apresenta o motor invertido (exhaust over intake – EOI). 

Na década de trinta, 1937, Ed Kretz venceu o primeiro Daytona 200, com uma Indian Sport Scout preparada para a competição. Um ano depois, um clube da Indian sediado na cidade de Sturgis (Dakota do Sul) e que se chamava Jackpine Gypsies, organiza uma corrida que se intitulava Black Hills Classic. Foi esta que deu início ao carismático Sturgis Motorcycle Rally. 

Entre 1940 e 1945, a Indian Motorcycle volta a centrar todos os esforços em dar o seu contributo na causa dos Aliados, na 2ª Guerra Mundial, primeiro a fabricar motos para o Governo Francês e, a partir de 1941, a produzir o modelo 841 para o Exército Americano. Durante este período, muito poucas unidades foram fabricadas para os consumidores. Mais tarde, a equipa Indian Motorcycle Wrecking — composta pelos pilotos Bobby Hill, Bill Tuman e Ernie Beckman – é formada no final dos anos 1940 e início de 1950 e começam a dominar tanto as corridas de asfalto como fora dele.

Em 1950, Ralph B. Rogers substitui John Brockhouse na presidência da Indian Motorcycle Company. Três anos depois, a Indian Motorcycle Manufacturing Company cessa as operações e a produção de todos os modelos.

Em 1955, a empresa Brockhouse Engineering adquire os direitos do nome Indian Motorcycle e começa a vender modelos importados da Royal Enfield, mas alterando-lhes o nome para Indian Motorcycle. O demais seculo XX foi uma sombra do que tinah sido para a Indian.

O cenário apenas se alterou para a Indian Motorcycle em 2008, quando a Stellican Ltd., uma empresa de capital privado, sediada em Londres, comprou os ativos da Indian Motorcycle e abriu uma nova fábrica em Kings Mountain, Carolina do Norte. Começaram por produzir um número muito modesto das Indian Chief com motor em V de 105”, entre 2008 e 2011. Finalmente em Em 2011, a Stellican vendeu a Indian Motorcycle à Polaris Industries. 

Bem-vinda a este ESCAPE Indian Motorcycle. 

NOTA: este ESCAPE preza a transparência e a honestidade. As boas práticas ordenam sublinhar que este texto vai em boa parte adaptado do que vai aqui escrito (link).

domingo, 24 de maio de 2020

“Afinal nunca estamos perdidos”

Domingo, sete da manhã. Terminava naquele preciso instante algo que até há algumas semanas para mim seria impensável: sete dias seguidos a trabalhar num turno de oito horas entre as vinte e três horas de um dia e para lá do nascer do sol do dia seguinte. 

Foram dias de desadaptação, confesso, e por vezes sentia me mesmo um pouco perdido. Desempenhando com lealdade as funções que me foram confiadas, com o som do espaço que a noite traz. Ora apenas o silêncio, uma rega automática que nunca imaginei estar ali, a passarada que teima em acordar diariamente uma hora antes do sol nascer. Agora, chegavam enfim as merecidas folgas. 

Após algum sono de descanso, decido inverter o foco do trabalho para o lazer. “Vou-me enfiar debaixo do chapéu-de-sol, entre passeios à beira mar e mergulhos de mar salgado”, pensei. Mas não vou sozinho. Finalmente encontrava tempo para ler a REV #57 que comemora o décimo aniversário da revista do poço do bispo - no jornalismo antigo havia esta tradição de, forma carinhosa, indicar ao leitor onde o objecto era feito. Serve então este post, desde logo, para saudar a REV e todos aqueles que a tem levado a cabo durante esta década: muitos parabéns a todos! 

Serve ainda este post para admitir algo; para mim mesmo e até de forma pública e publicada. A maior decepção que este ESCAPE me deu foi, nos seus já mais de cinco anos, nunca ter visto uma única linha ou sequer palavra escrita na comunicação social especializada sobre o trabalho que aqui se idealiza, realiza, produz, escreve, fotógrafa, edita, pública e promove. Aqui, neste O Escape Mais Rouco. Um trabalho individual. Em que a equipa é apenas de cerca de 1 (um). 

Foi ao ler as primeiras páginas desta edição aniversário que me lembrei de trazer este tema aqui. O arranque desta REV #57 é feito com um conjunto de textos onde se celebra, e bem, o trabalho realizado em dez anos. Curiosamente o escrito mais surpreendente e que claramente se destaca dos demais é o de Miguel Tiago, motociclista e ex-deputado do Partido Comunista Português à Assembleia da Republica cujo título roubo para esta espécie de crónica. 

“Afinal nunca estamos perdidos” escreve o Miguel a propósito de um pequeno episódio de uma burguesa viagem de moto pelas deliciosas Córsega e Sardenha. E, paradoxalmente, encontrei a paz com a decepção que vos conto, ao ler, precisamente a “Rusty Tale” da Marta Garcez. Sem saber que me iria reabrir a ferida, nunca falamos sobre isso - obviamente- a Marta escreve que outro fenómeno que “ajudou a mudar a forma de ver o mundo das duas rodas” foi a “organização de encontros que nos puseram a todos em contacto regular” citando alguns deles e esquecendo as Tertúlias do Escape. 

Tendo inclusive a Marta sido uma das pouquíssimas Tertulianas repetentes, esteve aqui (link) e aqui (link), confesso que me entristece ver por ela citado o quase irrelevante Social Riders Club e esquecidas as magníficas Tertúlias do Escape com catorze edições duas delas fora de Lisboa, uma em Évora (link) outra Porto (link). “Eventos que moldaram essa cultura e tornaram a sociedade motociclistica bem melhor de se viver e saborear”. São palavras que muito eu gostaria, confesso, de ver associadas a este blogue ou pelo menos à sua Tertúlia - agora suspensa pelos motivos que todos conhecem 

Recentemente aprendi, e pratico com regularidade, a ideia de que não podendo nós controlar as ações externas, de outro, podemos sim controlar o impacto que essas acções têm em nós mesmos. O silêncio ensurdecedor que a comunicação social especializada encerra sobre mais de cinco anos deste ESCAPE e do seu trabalho diz muito mais sobre quem o ignora do que do ESCAPE ignorado. 

Depois da leitura do texto da Marta, fechei a revista, dei mais um mergulho, dormitei um pouco à sombra e ao sabor da brisa do atlântico norte. Quando acordei rasurei estas palavras nas notas do meu telefone esperto. Repousei. Lancei da mão da compaixão e voltei à leitura da magnífica REV, celebrando assim o seu décimo aniversário. É continuar o trabalho, meus queridos. Os motociclistas e o motociclismo precisam de vós!

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Honda CRF 1100L Africa Twin Adventure Sports à prova


É tão fácil escrever sobre a Africa Twin Adventure Sports 2020. Tão fácil quanto difícil é escrever sobre a Africa Twin Adventure Sports 2020. Paradoxo? Sem duvida. Esta é claramente uma declaração verdadeira que leva a uma contradição lógica. 

É tão fácil escrever sobre a versão 2020 da Africa Twin, pois aquela que os seus donos apelidam carinhosamente por “Rainha” é também minha companheira de aventura desde 2016. Seria por isso simples fazer um texto espartano a contar o que mudou de lá para cá. A dificuldade advém precisamente do aparente excesso de facilidade. A dificuldade advém também de tanto ter mudado num dos maiores sucessos de sempre da marca nipónica - desde o modelo da minha companheira até este. A dificuldade advém ainda de, aparentemente, já tudo ter sido dito sobre esta Adventure Sports apresentada há cerca de seis meses. Mas, será que já terá mesmo sido tudo dito? Ou…, é mesmo fácil escrever sobre a Africa Twin Adventure Sports 2020? 

IMU OU A CAIXA DA MÁGICA 
Eletrónica, equilíbrio, eficácia, São os três “és” desta CRF 1100L Africa Twin Adventure Sports. São as três palavras chave. Três sublinhados ligados umbilicalmente entre si. Todavia, se quiserem recordar (ou conhecer) o básico, passem por favor por aqui (link), uma espécie de casa da partida. 

Interessa então descobrir ao que sabe esta Africa Twin Adventure Sports 2020. Para tal há que descrever, ainda que sucintamente, a grande novidade que condiciona tudo mais: a presença de uma IMU. Pela primeira vez a Honda monta numa moto de aventura uma unidade de medição de inércia da Bosch, um verdadeiro cérebro com seis eixos de leitura. Com aquele pequeno processador, qual caixinha mágica, a gestão do motor e ciclística apresenta-se completamente diferente. A IMU permite então gerir modos de utilização do motor - Urban, Tour, Gravel, Off-Road e mais dois totalmente personalizáveis -, controlo de tração, o controlo de levantamento da roda dianteira, o travão-motor, o sistema de travagem ABS em curva e mesmo o controlo das luzes de inclinação em curva. 

EQUILÍBRIO E EFICÁCIA 
A gestão feita pela IMU, aliada ao novo motor e à nova ciclística que vieram aprimorar o que já vinha de bom Africa Twin Adventure Sports 2018 [uma moto cuja diversão já era diretamente proporcional ao risco - para recordar aqui (link)], veio dotar o conjunto de um equilíbrio notável. Notem. O equilíbrio já lá está – basta manobrar a moto parada para notar isso mesmo. A IMU só vem incrementar segurança e prazer. 

E assim chegamos, de sorriso rasgado, ao terceiro “é”, de eficácia. Eficácia em todo o lado, em todo o terreno, mesmo em qualquer condição. Tive oportunidade de provar a Honda CRF 1100L Africa Twin Adventure Sports de dia, de noite, em piso seco, em asfalto inundado de chuva tipo tropical, fora de estrada em “estradão”, caminhos mais manhosos mesmo com alguma lama. Eficaz. Sempre. Impressionante! Electrónica, equilíbrio e eficácia concorrem assim para que esta seja uma moto que sabe a aventura. Uma aventura que fica também bem mais segura e confortável com as deliciosas suspensões eletrónicas Showa EERA optimizáveis a todo o momento, podendo ainda a pré-carga da mola traseira ser ajustada para se adequar à carga – sozinho, acompanhado e com bagagem – tornando toda a experiência mais confortável e aveludada. 

ALMA DE VIAJANTE 
“Pedro, parece que adoraste a moto”. Sem duvida! Mas será esta a derradeira moto de aventura da Honda? Duvido. A tudo o que fica dito se junta uma protecção aerodinâmica digna de turística, um tanque de combustível de quase “cinco garrafões” (upsss, esta teve gracinha…) que garante uma autonomia generosa, um ecrã táctil TFT de 6,5 polegadas a cores todo “XPTO”, uma iluminação luxuosa. Todavia existem botões a mais e podia haver mais motor quando carregamos “o animal”. 

Esta unidade provada apresentou caixa manual auxiliada por um “quickshifter” irrepreensível que, no entanto, não me fez esquecer o DCT de que tanto gosto. Notem, o sistema funciona muito bem. Eu é que fiquei curioso por saber como toda a eletrónica agora apresentada se conjuga com a transmissão de dupla embraiagem da Honda. 

A CRF 1100L Africa Twin Adventure Sports Peral Glare White Tricolour consumiu pouco mais de cinco litros daquele líquido inflamável carregadinho de impostos, por cem quilómetros de puro gozo de condução, numa prova longa que, sublinho, aconteceu nas mais variadas condições. A Honda pede 17.900€ para que a possam levar a passear por esse mundo fora - quando as fronteiras reabrirem, obviamente.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Benelli Imperiale 400 à prova


1992. Era uma quente tarde de fim de Abril, início de Maio, talvez. De capacete na mão saia mais cedo do trabalho. Em Lisboa apanhei o Metro. Já não me recordo de todos os detalhes. Recordo me sim da travessia do tejo, ali do Terreiro do Paço, da velha estação sul e sueste para o Montijo. Foi no Montijo, no decano stand Riquexó – concessionário Yamaha – que encontrei a minha moto, a minha primeira moto. Uma Yamaha XV Virago 250, cinzentinha. Nova. Linda. 

Naquele tempo, e já lá vai algum, vivíamos a primeira era dourada do motociclismo em Portugal, cujo início tinha acontecido no final da década de oitenta. O desenvolvimento económico, os “dinheiros da CEE” e o aumento da oferta, faziam com que não fosse fácil encontrar a moto “dos sonhos”. Foi assim a atravessar o tejo, com cerca de setecentos e cinquenta contos no bolso, que nascia este vosso escriba. 

HONESTIDADE ENQUANTO VALOR 
Estes meus primeiros momentos como motociclista, surgiram amiúde na minha memória, enquanto deambulava com a novíssima Imperiale da secular casa italiana – agora chinesa, sim, eu sei. Não porque sejam motos idênticas e sim porque partilham valores comuns como é o caso da Honestidade. Naquele tempo, início dos anos noventa, a escolha era pouca e a oferta cara – atualizem lá os setecentos e cinquenta contos à inflação e vejam como era difícil conquistar uma “Virago Dois e Meio”. Hoje a vida é diferente… 

A Benelli Imperiale 400 pretende ser uma clássica moderna. Clássica porque, por um lado, encontrou inspiração no legado italiano dos anos cinquenta para alcançar o seu nome e, por outro, encontrou inspiração na receita Royal Enfield Classic 350 para precisamente tentar bater a rival, uma das motos mais vendidas no mercado indiano, um dos mais importantes do mundo. Moderna porque…, bem, já lá vamos. 

A BELEZA DAS COISAS SIMPLES 
Todavia, felizmente, esta Imperiale 400 chega até nós na Europa. Num quadro simples em duplo berço monta um monocilindro refrigerado a ar de prestações modestas 21 Cv (15.5 kW) às 5500 rpm, 29 Nm (2.95 kgm) às 4500 rpm, num conjunto que pesa pouco mais de 205 Kg. 

Na há uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão. E a Imperiale sabe disso. Assim, a moto ao vivo é bem mais bonita do que em imagem. Alguns detalhes destacam-se: jantes de raios muito inspiradas, linha de escape sedutora, um cubo de roda traseiro que simula um travão de tambor e as molas debaixo do banco, pontuam o conjunto. 

Ao colocar o mono a trabalhar surge um outro aspeto positivo. A sonoridade é rouca e bonita. Quando engatamos a primeira e soltamos a embraiagem já um sorriso viaja connosco. Um sorriso que não se desvanece, pelo contrário, é incrementado nas curvas do caminho até porque notamos a ausência de vibrações ou ruídos parasitas. A Benelli Imperiale 400 não é uma moto de performance mas oferece o sabor das coisas simples – como a minha “viraguinho”, lembram-se. Induz descontração. A condução não é nervosa mas pode ser viva se assim desejarmos. E sentimo-nos num conjunto feliz. 

BEM BOA NA ESTRADA EXCELENTE NA CARTEIRA 
Para além do cumprimento das normas EURO 4, a modernidade da Imperiale 400 advém do simples prazer da descontração e do respeito pelas normas de segurança que hoje se colocam a todos os motociclos. Por falar em segurança, dois aspetos podem ser melhorados no futuro. Os pneus comprometem o desempenho e eficácia do belo conjunto, sendo mesmo “intragáveis” em piso molhado; já a travagem é lenta e demasiado progressiva, devendo o condutor ter sempre isso em conta. 

Foi muito bom regressar assim às “Provas do Escape”. Com a uma marca nova para mim e neste blogue. Com uma moto novíssima no mercado e que me fez recuperar dias simples, honestos e até algo ingénuos como foram aqueles dias dos meus primeiros quilómetros enquanto motociclista. A Benelli solicita uma transferência bancaria de 3.970€ para retirar uma destas Imperiale 400 das suas instalações, moto que reclamou uns simpáticos três litros e meio daquele líquido inflamável indispensável à nossa sanidade mental.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

RoadMiles Vimeiro agendado para 10 de Junho

A organização do RoadMiles - Motorcycle RoadBook Challenge, evento que consiste num percurso de navegação em estrada, podendo ser efectuado a solo ou em pequenos grupos, com o objectivo de realizar num só dia as 300 ou 500 milhas propostas, está optimista, entusiasmada e relança o desafio RoadMiles Vimeiro, agora com data prevista para 10 de Junho. 


“Temos acompanhado todo o evoluir desta pandemia que nos atirou para um confinamento jamais vivido, a troco, agora, de uma conquista controlada do nosso espaço de trabalho e social. Assim sendo, salvaguardando as regras de ouro do distanciamento social e higienização, estamos a desenvolver com o Hotel Golfmar Vimeiro, um conjunto de procedimentos que salvaguardam a segurança de todos nós”. 

O objectivo será manter o que anteriormente já foi dito “com o conceito das 500 ou 300 milhas para percorrer num só dia, a roadbook ou a GPS. Regularidade, concentração e resistência serão sempre os requisitos em qualquer das opções”. 


A promessa foi renovada…, “muita condução e diversão por estradas criteriosamente escolhidas na descoberta das melhores curvas, paisagens e recantos deste nosso fascinante Portugal”. 

Sigam a página RoadMiles no Facebook (link) para novas actualizações.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Do que falamos quando falamos de Benelli?

Pésaro é uma comuna italiana da província de Pesaro e Urbino, Região das Marcas, cuja capital é Ancona. Tem limites ao norte com a Emília-Romanha e a República de San Marino, a noroeste com a Toscana, a oeste com a Úmbria, a sudoeste com o Lácio, ao sul com os Abruzos e a leste com o mar Adriático. As Marcas são uma terra de colinas suaves equilibradas entre o azul do Adriático e o verde intenso dos Apeninos Umbro-Marchigianos. 


Foi precisamente em Pésaro que Giuseppe, Giovanni, Filippo, Francesco, Domenico e “Tonino” Benelli, filhos da viúva Teresa Benelli, estabelecem em 1911 uma garagem onde algumas peças para carros e motos eram manualmente fabricadas. Todavia, aqueles seis irmãos tinham a ambição de construir motos. Em 1919, nasce o primeiro motor a dois tempos de 75cc aplicado num quadro de bicicleta. No final de 1921 surge a primeira moto realmente Benelli, a Velomotore, equipada com motor a dois tempos com 98cc, conhecida pela sua leveza e apresentada em duas versões, Sport e Touring. Em 1923 surge a versão 147cc, com a qual Tonino Benelli iniciou as competições que viriam a tornar a Benelli uma marca notada. 

A empresa de Pésaro estava no auge do seu sucesso quando a Segunda Guerra Mundial veio destruir toda a fábrica. Os bombardeamentos e posteriores pilhagens reduziram uma grande empresa a um aglomerado de destroços e compartimentos vazios. 

No final dos anos 40 Giuseppe Benell saiu da empresa e criou a marca de motociclos Motobi, conhecida pelo clássico motor de 2 e 4 tempos em forma de ovo de pequena e média cilindrada, continuando a Benelli a sua atividade com os restantes cinco irmãos. 

Em 1951 o sucesso comercial da marca atingiu o seu auge com a apresentação da “Leoncino” – hoje alvo de nova interpretação. Já no início da década de 60 a empresa italiana celebrava os seus 50 anos de existência e em 1962, para enfrentar a grave crise no sector e após o falecimento de Giuseppe, os irmãos Benelli adquirem aos seus sobrinhos a Motobi, dando origem à Benelli-Motobi (fusão entre as duas empresas). 

Uma vasta gama de modelos marcou a produção da Benelli-Motobi na década de 60, desde scooters à poderosa “Tornado” com motor 2 cilindros de 650cc, que foi a última criação dos irmãos Benelli. Em 1972 a empresa foi adquirida pelo empresário argentino Alejandro De Tomaso, que relançou a marca e aumentou a gama de produtos. Nesta altura foi apresentada a histórica Benelli SEI 750 de 6 cilindros - a primeira moto de série com motor de 6 cilindros.


A “invasão” japonesa iniciada nos anos 70 deixa a marca de rastos. A 23 de Outubro de 1989 o magnata Giancarlo Selci, dono do Grupo Biesse salvou a Benelli de um futuro cada vez mais incerto. A marca focou-se no mercado das scooters. Em 1995, o Grupo Merloni adquiriu uma participação maioritária da companhia. Mas estes foram anos de pouco ou nenhum sucesso merecendo ainda assim destaque a Tornado Tre 900

Já neste século, em Dezembro de 2005, a Benelli torna-se parte do Grupo chinês Q.J. A Qianjiang é uma empresa moderna com a dimensão de uma pequena cidade localizada em Wenling e que conta com mais de 14.000 funcionários e produz mais de 1,2 milhões de motos por ano e mais de 2 milhões de motores. Com este novo capital e sinergia entre Itália e China, a Benelli Q.J está atualmente a desenvolver diversos projetos e a relançar a marca de Pésaro no mercado mundial. 

Em Portugal a marca tem vivido o seu melhor momento de sempre nos últimos anos. A recente crise provocada pela conhecida pandemia veio colocar novos desafios. E a Benelli, representada pela Multimoto, deseja vence-los. 

Bem-vinda a este ESCAPE Benelli!

NOTA: este ESCAPE preza a transparência e a honestidade. As boas praticas ordenam sublinhar que este texto vai em boa parte adaptado do que vai aqui escrito (link).

Texto actualizado às 20h35 do dia 5 de Maio de 2020 com correcção no título e a nota supra.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Escape (com) Vida (IV) - Fantic Caballero Scrambler 500 à prova com Rad Raven

Tito da Costa aka Rad Raven já não é novidade para os leitores deste ESCAPE. Ainda em Setembro passado enchemos mais uma vez o Espaço Rod’aventura (link) numa Tertúlia excelente. Impossível imaginar naquele momento como seria difícil repetir noites assim tão cedo. As coisas são o que são mas a vida avança. Entretanto o Tito encontrou uma nova paixão. E queremos partilha-la com todos os que seguem o ESCAPE. A Fantic Caballero é uma moto especial e pouco conhecida. E este excelente texto do Rad Raven mostra que para além de cineasta, o camarada também é bom nas letras do argumento (as imagens são do proprio e de Tito da Costa Jr.). Afinal, isto é Cultura Motociclistica. Saboreiem… 

Foi aqui que vim parar, depois de uma busca incessante por uma mota que preencha os meus desejos...


O maior problema que os amantes de aventura defrontam hoje em dia, é o peso excessivo das motas que os principais construtores nos teimam em impingir como “motas de aventura”. 

No ano passado [2019], durante o EICMA, não podia ter ficado mais decepcionado com o lançamento da [KTM] 390 Adventure, a mota que eu estava super ansioso (entusiasmado) para conhecer! Acabei por me sentir verdadeiramente traído quando levantaram o véu a uma mota com jantes, em vez de rodas de raios, e uns míseros 170mm de curso numa suspensão inadequada para uso fora de estrada…, e têm a lata de lhe chamar Adventure… - já estou como um tester indiano que dizia que se lhe tivessem chamado 390 GT, tudo seria menos confuso. A punhalada final foi saber que a KTM nos iria negar o acesso a uma versão R, quando esta poderia exactamente ser a mota que tantos de nós andamos a pedir há anos! 

A Honda também continua a limitar-nos com a motorização das CRF 250 L e Rally, negando o acesso ao 300cc que equipam as CBR 300. E quando ficamos a saber que a única diferença entre esses motores são apenas a cambota, biela, piston, contra peso (nem sequer a cabeça de cilindro é diferente), e que a CBR 250R já saiu de produção, temos que nos questionar sobre o porquê da decisão de manterem uma motorização inferior, visto que o custo de lhes meter o 300cc seria exatamente o mesmo! 

E acreditem que faz uma diferença gigante, na “usabilidade” da mota! Pior ainda é quando sabemos que o motor da CB 500X pesa apenas mais 9kg que o 250…, mas é melhor nem pensar muito nisso…
  

A Fantic Caballero 500 Rally, é tudo o que a 390 Adventure deveria ter sido - e tudo o que as quarto de litro não conseguem ser - 450cc, 40cv, 43nm, suspensões ajustáveis de 43mm, com 200mm de curso, 150kg de peso!!! Isto são as “specs” dos nossos sonhos! Uma mota que promete ser igualmente divertida e funcional tanto na estrada como fora dela! 

Eu confesso que levei algum tempo para me “adaptar” à ideia de ter uma Scrambler. São motas que têm tendência a seguir o “form over function”, uma coisa que não combina nada com a minha visão, do que uma mota deve ser…, mas num vídeo (que já partilhei no meu grupo na rede social Facebook) o pessoal da Revzilla, denominou esta nova vaga de Scramblers, com grandes aptidões para o fora de estrada, como Naked Adventure Bikes. E a partir daí fez-se luz; comecei a abrir a mente para esta possibilidade. 

Ironicamente, comecei a observar a Fantic Caballero enquanto esperava o lançamento da KTM 390 Adventure, pois o stand estava mesmo ao lado. Mas com o choque das tristes notícias, acabei por não lhe prestar a atenção devida. Na realidade a Caballero, não voltou mais a sair da minha cabeça... 

Como alguns de vocês sabem, tenho estado lesionado e escolhi a Caballero como a mota que vou usar para voltar às lides. Uma mota mais maneirinha pareceu-me o ideal para lentamente voltar a fazer-me ao piso. Por isso, durante os próximos meses, vou andar a testá-la e claro que vos vou dando o meu feedback

Para terminar, não queria deixar de dar uma explicação àqueles que tanto me têm “empurrado” para a AJP. A PR7 está no topo da minha lista de preferências. E nada me agradaria mais, do que ajudar a impulsionar uma marca portuguesa! Mas sendo este um ano de recuperação, não vou estar à altura de a testar como deve de ser, pois acabei por ter que cancelar quase todos os meus planos para off road, de 2020. Assim, o momento não seria o mais oportuno. 

No entanto, eu já tive contacto com a marca, fazendo-lhes uma proposta, pois acho que a AJP tem grandes carências em termos de marketing e penso que o meu trabalho poderia ser uma forte mais-valia; infelizmente, a proposta não foi recebida com bons olhos. E nem a um pedido de uma mota, para fazer um teste mais alargado eu tenho sido correspondido… 

Quanto à Fantic; é uma mota comprada com o meu próprio dinheiro, na Zurmotos e fornecida pelo importador Ton-Up Garage. Como tal podem ficar descansados que todo o meu feedback será 100% genuíno! Agora resta ver, como me vou dar com esta linda menina… ; )~

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Limalhas de História #81 – 19 de Abril de 1992

Quem nunca? Quem nunca falsificou algo – na vigência da inconsciência na adolescência - para andar de moto? Impossível não simpatizar com Àlex Crivillé e a sua paixão. Nascido em Barcelona, Espanha, 1970, conta-se que a Lenda Viva catalã terá falsificando a sua idade para apenas com catorze anos – a idade legal seriam os quinze anos – adquirir a sua licença desportiva. Nesse mesmo ano estreou-se com uma vitória no Criterium Solo Moto 75cc. 


Fez ontem exactamente vinte e oito anos. Shah Alam, velhinha pista na Malásia. Terceira etapa do mundial desse ano, todas corridas “do lado de lá” do nosso planeta, todas até ali vencidas mais ou menos de forma insolente pelo genial Mick Doohan. Kevin Schwantz magoado numa mão nos treinos, falha a corrida. Doohan arranca na pole e conquista a liderança perante Àlex Crivillé e Wayne Rainey. A chuva traz uma bandeira vermelha; e mais dezoito voltas para uma segunda manga em condições intermédias. Doohan regressa na frente, seguido por Juan Garriga que não se adapta. A chuva regressa e encerra a corrida. Doohan arrecada a terceira, em três possíveis, vitórias da época, seguido da Yamaha de Rainey. Àlex Crivillé pilota a Campsa Pons Honda até ao lugar mais baixo do pódio. E comemorava aquele que foi à época o primeiro pódio de um piloto espanhol na categoria rainha do motociclismo. Hoje…, o motociclismo espanhol é aquilo que todos sabemos ser.

domingo, 19 de abril de 2020

Motociclismo em tempo de vírus chinês

O consagrado escritor moçambicano Mia Couto terá proclamado um dia que “há quem tenha medo que o medo acabe”. 

O motociclismo, esse estilo de vida liberal que tanto amamos, foi também ele atacado pelo medo. O medo! Essa antítese do nosso estilo de vida marcado e sublinhado pela descomplicação, economia, hedonismo e até algum charme. 

Tenho andado a dizer em surdina que tudo isso da pandemia em curso de COVID-19, uma doença respiratória aguda causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2), não passa de um embuste. E digo-o em surdina pois o grupo de acéfalos acríticos que crê piamente na comunicação social e nalguns patéticos governos deste mundo, funciona como uma manada tresloucada de bisontes: leva tudo à frente! Também eu tenho algum receio. Neste caso do meu semelhante. 

Demora o seu tempo. Mas as consciências vão, lentamente, despertando. E as consciências despertam desde logo quando sentem a festa do vizinho do lado. Então podemos cantar as abriladas no Parlamento mas não podemos caminhar na praia em nome da salubridade física e mental? Rigorosamente ninguém compreenderá isto. É possível enganar alguns durante algum tempo? Sem dúvida. Mas é impossível enganar todos durante todo o tempo. 

A verdade é que a verdade (não é gralha) sobre essa coisa estranha do COVID-19 só se saberá daqui a uns meses, talvez anos. Assim um pouco como foi o 11 de Setembro, lembram-se? Mas também verdade é…, quando isto tudo acalmar, não ficará pedra sobe pedra nalguns aspetos da nossa vida, nomeadamente no económico e financeiro que estão a ser absolutamente arrasados por uma incapaz, inútil, corrupta, incompetente, infantil até, Classe Politica. 

A boa notícia é que o motociclismo vencerá. Como venceu sempre até agora desde que nasceu. O motociclismo desde que nasceu já derrotou duas guerras mundiais, crises financeiras, terrorismos diversos, doenças várias e, sobretudo, o motociclismo já derrotou políticos imbecis. A natureza do motociclismo, como de todos os estilos de vida liberal é vencer. Com todas as letras: o nosso fabuloso destino é o de vencer! 

O ESCAPE cá estará. E espera em breve reforçar a sua oferta. Não em quantidade mas sim em qualidade. Sem medo. Desde logo sem medo que o medo acabe.

terça-feira, 31 de março de 2020

Projecto Bombêuticos

O ESCAPE teve conhecimento desta bela ideia via BMW Club Motorrad Fans e, obviamente, não deixa de se associar. 


O Projecto Bombêuticos é um movimento de acção Cívica e de Solidariedade que busca a ajuda de motociclistas para entrega e distribuição de medicamentos à população. 

O projecto está a ser articulado entre Farmácias e Corporações de Bombeiros, em diversas localidades. Este serviço permite: fazer chegar medicamentos a quem não pode ou não quer deslocar-se; reduzir o número de pessoas na rua; reduzir a exposição dos nosso farmacêuticos da linha da frente a potenciais contágios. 

Aos motociclistas que queiram participar, serão fornecidos: maquetização da moto e capacete; colete reflector; equipamento de protecção pessoal e desinfectante. Estão também a ser protocolados descontos específicos em combustível. 

Os interessados deverão consultar toda a informação e fazer o seu contacto aqui (link). Solicita-se também a todas as farmácias que pretendam associar-se a esta iniciativa, o favor de contactarem o projecto Bombêuticos pelo mesmo site. A participação de cada um e voluntária e deverá ser coordenada directamente com o projecto Bombêuticos.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Há fome nas ruas de Portugal, vamos ajudar os “sem-abrigo”

Nestes tempos incríveis, únicos, impensáveis, o ESCAPE recebeu o seguinte apelo e decide associar-se. O texto não é nosso mas sim do Tó-Manel. Velho amigo, decano motociclista. Ainda há dias dele falávamos aqui (link). A adaptação do texto é nossa. 


A necessidade de ajuda é urgente. Devido ao fecho dos restaurantes e à quarentena, deixou de haver o apoio social aos "sem-abrigo" por parte de outras entidades como a "Refood", bem como de demais instituições de voluntariado. 

O tempo de duração desta campanha de angariação de donativos junto dos Motociclistas e de quem mais se queira a ela juntar, será de duas semanas terminando assim no dia 6 de Abril, altura em que faremos com a instituição um "balanço". Cada um dá o que quiser e pode, sendo que qualquer donativo é muito bem-vindo e sobretudo muito necessário. Quem der 5 euros já está a ajudar. 

A "CASA-Centro de Apoio ao Sem-abrigo" é a instituição nacional de apoio social que nós motociclistas vamos apoiar, na ajuda aos "Sem-Abrigo", nestes momentos tão difíceis. 

Esta instituição tem delegações prestando apoio social em: Albufeira, Cascais, Coimbra, Faro, Figueira da Foz, Lisboa, Madeira, Porto, Paredes e Setúbal. 

A CASA, para além de apoio específico aos "sem-abrigo", com fornecimento de comida feita pela própria instituição e depois distribuída por voluntários de outras instituições como a "Vida e Paz", fornecem apoio alimentar a muitas famílias bastante carenciadas e que nestes tempos aumentam diariamente. 

No mês de Março, no total de todas as delegações, o consumo de principais bens de primeira necessidade foram: arroz 2800kg, esparguete 2470kg, farinha 80kg, feijão 560kg, grão 420kg, massas 1240kg, azeite 350lt, óleo 490lt, atum 195lt, salchichas 530kg, leite 1820lt, polpa tomate 410lt, sal 220kg, açúcar 210kg - para além destes bens alimentares distribuem outros bem como produtos de higiene.  

Podem consultar o site da instituição aqui (link)

Dada a falta de voluntários para a distribuição de alimentos na rua e também devido a uma questão de recolhimento, as entidades camarárias, a "CASA", a "Vida e Paz" e a Santa Casa da Misericordiosa estão a criar centros de acolhimento de "sem-abrigo" em muitos locais como pavilhões desportivos. 

A Instituição a apoiar é pois a "CASA - Centro de Apoio ao Sem-abrigo" sendo o modo de apoio a transferência bancária para conta da "Casa-Centro de Apoio ao sem-abrigo" IBAN: PT50 0036 0344 99100009838 81 Montepio Geral. 

Este IBAN foi fornecido pela instituição. O apoio deve ser feiro para este IBAN e não para qualquer outro, por forma a controlar melhor a campanha.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Eterno Marrocos

Escrevemos muito pouco para o tanto prazer que o motociclismo nos oferece. Escrevemos cada vez menos, aliás. Este blogue é exemplo disso mesmo. E não escrevemos pouco porque “ninguém” lê. Escrevemos pouco porque pouco paramos. Para escrever é preciso parar. Pensar. Ler e reler. Corrigir. Rescrever. Parar novamente. Recomeçar. Dá trabalho. Mas é tão bom… 

Eu não paro. Mas há quem consiga parar. É o caso do meu querido e velho amigo Tó Manel - que já esteve (aqui) numa edição da Tertúlia do Escape. Pela enésima vez pegou na moto e foi parar ao eterno Reino de Marrocos. Escreveu estas linhas, genuínas, numa rede social ali ao lado. Porque ao contrário do Facebook os blogues têm memória, eu pedi-lhe autorização para as eternizar aqui, no vosso ESCAPE – que tanta saudade tenho de fazer. Ora leiam lá… 


Há locais por onde o tempo não passa. Ou só passa por algumas coisas. Marrocos é um desses locais onde o tempo parece que parou. Curioso mesmo é no sul haver mais burcas do as que encontrei nos anos 70, quando visitei o país pela primeira vez de Triumph Tiger 500. [Fui voltando]. Nos anos 80 algumas vezes de Ducati 750GT. Nos anos 90 de Pan European. Na primeira década deste século, de BMW1200ADV. E agora de Africa Twin 1100. 

Portanto, para mim a evolução que sinto quando viajo em Marrocos tem a ver mais com a moto..., de resto, nesta terra na moda nada mudou e tanto elas como eles usam exactamente o mesmo estilo de roupa de há 40 anos... bom, isto obviamente nas cidades e vilas mais pequenas porque nas cidades grandes aí sim sempre se viu alguma modernice dita ocidental. 


Agora, sobretudo atacaram por estas terras muitas empresas de construção. Ah... as primeiras vezes que passei a famosa estrada do Atlas depois de Marrakech era um autêntico pesadelo e exercício de sobrevivência…, estreita e muitas vezes sem alcatrão. Também aí se vem fazendo sentir evolução; na quantidade de vias que eram de terra e agora são asfaltadas; nas auto-estradas que passaram a existir. Uma das vias asfaltadas já há uns bons anos é a que leva de Rissani a Merzouga; da primeira vez que lá fui, a orientação fazia-se pelos postes dos telefones dado o emaranhado de pistas. 

Bom..., houve de facto muita coisa que mudou mas muitas que se mantêm imutáveis como as famosas dunas do Erg Chebi. Já cheguei a fazer quase directas ida e volta de casa até este local para ficar pelo menos um dia e uma noite e depois regressar de "baterias carregadas". Ah... e por norma gosto de o fazer "a solo" com a minha única e boa companhia mais a moto…, desta vez, que bela moto mesmo. Feita exactamente para este tipo de utilização e com uns surpreendentes 4,8l/100km, de casa até Merzouga. 

Outra coisa que não mudou absolutamente nada em Marrocos foram as medinas, os seus odores a ervas e especiarias. E o enorme prazer de beber o extraordinário chá de menta a ver o sol pôr-se no deserto... Há coisas que nunca devem mudar... o prazer único de beber um chá no deserto é uma delas... 

Obrigado Tó. Bebe um “the à lá menthe” por mim, por nós, disfruta e boa viagem!
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