segunda-feira, 1 de abril de 2019

BMW R 1250 GS à prova


E que tal desta vez começar pelo fim? Querem muito saber já, já, se gostei ou não da nova 1250? Eu respondo. Mas prometem ler o resto do texto? Pronto…, ok, então eu respondo. Não gostei da BMW R 1250 GS. Simplesmente, amei! 

As BMW GS – recordar que GS significa Gelände/Straße, isto é off-road/road, fora de estrada/estrada - nunca foram motos propriamente redondas. Falo do desenho…, linhas esdrúxulas e dramáticas, arestas “afiadas” que continuam a ser merecedoras da devida atenção antes do primeiro toque no botão de “start”. Depois da devida contemplação, o toque no botão de “start” revela o segundo momento de prazer. É rouco o som do boxer mesmo a frio, mitigado por aquele cantar metálico clássico deste peculiar motor alemão. Foi um secreto prazer que cultivei nos dias em que tive a R 1250 GS ao meu dispor: é tão bom coloca-la a trabalhar… 

PRIMEIRO DESTAQUE: EQUILÍBRIO 
Mas a inicial grande surpresa surge quando engrenamos a primeira velocidade e soltamos lentamente a embraiagem. A nova 1250 revela de imediato uma posição de condução correta e um equilíbrio incrível – naturalmente nascido do baixo centro de gravidade oferecido pelo boxer – que faz parecer mentira que estamos a dominar uma moto com cerca de 250 Kg (deposito cheio). Aliás, tudo é tão fácil e mesmo familiar nos primeiros momentos – e curiosamente não é a primeira vez que sinto isto numa BMW – que fiquei com a nítida sensação que mesmo um motociclista de experiência, digamos, limitada, vai sentir alguma facilidade nos seus primeiros momentos de Gelände/Straße.

Mas a prova à BMW R 1250 GS não foi uma prova qualquer. Os dias em que tive a moto ao meu dispor coincidiram (acaso feliz) com o Roadmiles Alentejo (link). Este cenário juntamente com a minha utilização diária e umas tímidas investidas no “G” (Gelände – fora de estrada) constituíram o terreno perfeito para uma prova adequada. 

Sejamos honestos. O fora de estrada não é a minha praia nem é a praia da 1250 GS. Não me adaptei na primeira tentativa – ao ponto de imaginar que o “R” no traseiro A41 da Bridgestone fosse referência a pneu diferente – e na segunda (estradão largo) apesar da brutal eficácia da suspensão em modo Dynamic (ajusta automaticamente de acordo com a carga e aos diversos tipos de terreno e uso) também não me senti totalmente confiante. Notem, eu sinto que a BMW R 1250 GS tem potencial para o fora de estrada mas lá..., para rodar o punho e tirar partido de todo o soberbo conjunto, será preciso “unhas para tocar tal guitarra”. 

NA ROTA DA PERFEIÇÃO 
teste ensaio review prova bmw 1250 r1250gs bmwr1250gs asfalto estrada bmwmotorradVoltando ao meu terreno favorito, o asfalto - terreno de eleição desta moto -, a nova 1250 ofereceu-me algumas centenas de quilómetros de prazer com o desataque a ser partilhado por um motor cheio e disponível desde cedo (cortesia do novo comando variável de válvulas) e uma ciclística que parece colocar a moto num carril quando mergulhamos para uma curva por mais fechada que seja. Destaque ainda para aquelas suspensões electrónicas de que sou tão fã…, numa palavra: perfeitas! 

Se acham que estou a exagerar nas palavras é porque ainda não tiveram o prazer, como eu tive, de conhecer a nova BMW R 1250 GS. E digo mais. Não vale a pena inventar pontos negativos ou mesmo menos positivos. Há algo que não me agradou, sim. A dureza do selector de caixa obriga ao uso de calçado apropriado para a condução de motociclos. Mas a verdade é que os motociclos foram feitos para serem conduzidos com calçado adequado - e não para teimosos como eu que nem sempre andam equipados da forma mais rigorosa. 

CONSUMO E PREÇOS 
Estes dias de prova à BMW R 1250 GS terminaram assim cedo demais, tendo esta verdadeira referência do segmento gasto uns parcos 5,2 litros daquele liquido inflamável de que tanto gostamos por cada cem quilómetros de condução luxuriante. A BMW Motorrad Portugal reclama 17.746€ como preço base desta R 1250 GS. 

É longa a lista de extras e acessórios que equipavam a moto provada, a saber: Pack Comfort 570€, pack Touring 1.655€, pack Dynamic 1.050€, sistema de alarme anti-roubo 250 €, chamada de emergência 380€, style HP 725 €, kit de passageiro 275€, top-case vario, com encosto para o passageiro 646€, malas laterais vario, com chave codificada 821€, ponteira de escape Akrapovic 1.283€, sistema Navigator VI 799€, protecções de motor 372€, vidro escuro 305€. O valor total da unidade provada ascende assim a 26.877€ ao qual acresce ainda despesas de preparação e legalização no valor de 590€.

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